Sapa Trekking #2

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Depois de uma noite calma, em que o silencio só era quebrado pelo barulho dos insectos, acordámos com o cantar do galo, e como tinha ficado combinado de véspera deveríamos estar prontos por volta das 6.30h para o pequeno-almoço, ainda com vestígios da happy water da véspera.
 

Depois de um banho sumário, tomado de água fria, e do corpo seco sem toalha (pois não nos lembra-mos de levar e as que existiam eram partilhadas com os habitantes da casa) estávamos prontos para o pequeno almoço, servido no alpendre, constituído à base de panquecas com mel e bananas, acompanhado de café. Apesar de insistirmos com o nosso guia para se juntar a nós na refeição ele optou por comer com a família na cozinha os restos do jantar do dia anterior.
Ao que nos pareceu, este género de refeições que temos comido, à base de panquecas e ovos mexidos, são feitas somente para os turistas. Nota-se que no Viet Nam não existe o culto da gastronomia como estamos habituados: o mesmo tipo de comida pode fazer parte de qualquer refeição, desde o pequeno almoço ao jantar, não existindo o conceito de entrada nem de sobremesa.
O percurso deste segundo dia de caminhada iniciou-se por zonas mais montanhosas, intercalando os campos de arroz com a floresta de bambos, até que parámos para descansar junto à cascata perto de Giang Ta Chai, de onde podémos ter uma vista deslumbrante sobre o vale que tinha-mos percorrido, desde que saímos da aldeia de Ta Van. Pelo caminho fomos descansando em pequenos abrigos feitos em bambu que forneciam uma pausa ao inclemente sol desse dia.
A paragem seguinte foi junto a um rio, onde nos podemos refresca; apesar das insistência do nosso guia nunca nos aventurámos num banho nestas águas.
Para almoçarmos abandonámos os trilhos e dirigimo-nos para uma cabana junto à estrada onde o nosso guia nos preparou uma refeição. Apesar de ser extremamente cedo, pois ainda não era meio-dia, a refeição constituída por uma sopa de massa com vegetais e ovo frito, soube bem.

As mulheres da etnia Black Hmong, vestem-se com roupas feitas em cânhamo, que elas próprias fiam, enquanto andam pelas ruas a tentar vender artesanato aos turistas, e posteriormente tingidas de azul escuro com recurso ao pigmento da folha do índigo. Durante os dias de trekking passamos por diversas plantações destas duas plantas.

De seguida dirigimo-nos para a aldeia de Ban Ho, onde iríamos passar a noite. Foi uma jornada desinteressante e desgastante, feita maioritariamente por uma zona em obras (destinadas à construção de uma hidroeléctrica) sob um sol abrasador que não nos poupou, deixando-nos cansados e com pouca paciência para aturar o nosso guia.
À chegada à aldeia de Ban Ho, onde predomina a etnia Tay, fomos de imediato à guest house onde iríamos pernoitar e onde estivemos a descansar aproveitando a fresca habitação que nos foi destinada.
Desta vez ficamos numa casa só para nós, independente da outra casa onde habitavam os proprietários. A casa, toda em madeira, era constituída somente por uma divisão, sendo o piso de cima uma mezanine, à semelhança da noite anterior. Tudo o mais se semelhava: colchão pequeno e fino, almofada, cobertor, rede mosquiteira… e nada de toalhas de banho.
Depois de uma longa pausa, quando o sol principiava a declinar, fomos visitar sob orientação do nosso guia uma queda de água, local de eleição para banhos e mergulhos da população local; mais uma vez não fomos a banhos, pois a cor da água não transmitia muita confiança.
Dado o cansaço e falta de paciência para andar a trepar taludes, ficou a faltar-nos ver uma nascente de água quente, mas que segundo podemos apurar não tem grande interesse.
O fim do dia, após uma volta pela aldeia, foi passado na companhia do nosso guia, numa esplanada junto ao rio, a beber cerveja e a depenicar um petiscos feito de galinha desfiada e seca, com um tempero salgado e picante… afinal os vietnamitas também petiscam!
No final, quando fomos pagar pediram-nos mais dinheiro do que devíamos pagar, pois já no tínhamos infirmado com o nosso guia. Quando reclamamos, não rectificaram de imediato. Durante a viagem deparamo-nos diversas vezes com este género de situações, em que os comerciantes tentam cobrar mais dinheiro aos turistas do que os aos locais, em especial nos táxis (um clássico), nos mercados e nos restaurantes. Apesar de na maior parte das vezes que nos apercebemos de tal, a diferença não ser muito grande, e para nós quase insignificante, cria um clima de desconfiança. Para nos salvaguardar-nos tentava-mos ver o que os locais pagavam por certos produtos antes de nós os adquirir-mos.
 
Enquanto o sol se encaminhava para trás das montanhas fomos observando a tarefa de uns pescadores que nas águas do rio, iam retirando peixes com uma rede ao mesmo tempo que outro emitia descargas eléctricas por meio de duas hastes que eram mergulhadas na água, próximo dos peixes. Muito estranho este método de pesca…
Aldeia de Ban Ho da etnia Tay
Homestay na aldeia de Ban Ho
O jantar preparado e comida às luz das velas, devido ao corte de energia eléctrica, foi semelhante ao do dia anterior, mais modesto mas igualmente saboroso: noddles com vegetais, cogumelos com massa, tofu, spring rolls e arroz. Também aqui se bebeu happy water (aguardente de arroz) mas de forma mais comedida.

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