O quotidiano em Leh

posted in: Índia, Ladakh | 5

A cidade é pequena e calma, sem o habitual frenesim das cidades indianas, mas com bastante pó dado estarmos em pleno deserto, onde a água é um recurso escasso. Não um deserto de areia, mas de rocha e pedra, com terreno bastante arenoso. A pouca vegetação existente, maioritariamente faias e tílias, e os pequenos terrenos agrícolas dedicados ao cultivo de hortícolas, somente são conseguidos à custa de um complexo sistema de canais que irrigam os campos com a água que resulta do degelo das montanhas que envolvem a cidade de Leh.

As ruas principais são dominadas por, agências de viagens especializadas em caminhadas, artesanato do Ladakh e do Tibete, e pela venda de carpetes, mantas, echarpes e lenços de lã de yak ou pashemina, viradas para o turismo indiano como estrangeiro. Contudo, nas ruas secundárias podem ainda encontras lojas dedicadas ao comércio tradicional, como alfaiates, ourives, cabeleireiros, lojas de artigos religiosos budistas… e uma inúmera variedade de meias, luvas, gorros e peúgas, tido feito à mão, por senhoras que muitas vezes vemos a fiar a lã.

Por aqui domina a cultura Ladakhi, que tem origem na cultura tibetana, mas que foi ganhando características próprias, que sobressai na língua e nas roupas tradicionais que algumas pessoas, em especial as mulheres, ainda envergam. A comida é muito semelhante à que experimentámos em Macleod Ganj, dominada por sopas de vegetais com massa (thupkas) e momos, mas que aqui apresenta uma variação que é a cevada tostada, que pode ser servida em sopa, a “tsampa”, ou cozinhada como papas, servidas ao pequeno-almoço.

Dada a proximidade com a região de Kashmir, existe aqui um significativa comunidade de muçulmanos, em especial nas ruas estreitas junto da mesquita, situada na zona antiga da cidade. Aqui encontrámos diversas padarias tradicionais, que desde as cinco horas da manhã fabricam os chapatis, estendendo a massa com os dedos e “colando-a” às paredes dos tandori (fornos verticais feitos em barro, com abertura no cimo), onde rapidamente formam bolhas, até ficam cozidos e estaladiços. Outra alternativa são uns bolinhos, ligeiramente salgados, de massa quebradiça, enfeitados com sementes de sésamo, também cozinhados no mesmo tipo de forno, tradicionais de Kashmir.

Estas padarias tornaram-se um local de visita quase diário, onde muitas vezes nos abastecemos, de chapatis e de bolinhos, antes de iniciar-mos alguma viagem pelas redondezas; uma verdadeira delícia, a 4 rupias cada um…

Durante os primeiros dias que estivemos em Leh, anuviava-se o evento cultural da temporada: um concerto para recolha de fundos para obras de beneficiação de um mosteiro budista. O local do espetáculo, é um terreno onde se realizam jogos de polo a cavalo, mas que serve principalmente para estacionamento de automóveis e de autocarros.

O espetáculo contava com a presença de artistas locais, desde música tradicional a sons mais modernos como o rock e o hip-hop. As vedetas eram dançarinos de Bollywood, vindos directamente de Mumbai. Pensávamos que eram a atração principal da noite, mas foram recebido entre assobios e vaias, que se foram agravando, obrigando à interrupção da actuação. Até deu pena.

Ficou claro que a população do Ladakh não aprecia muito os indianos e soubemos mais tarde que o Ladakh reclama autonomia em relação ao estado de Jammu e Kashmir, com o qual não tem qualquer relação cultural ou religiosa.

Dzomsa, significa ponto de encontro na língua Ladakhi. Trata-se de um projecto que pretende divulgar a cultura do Ladakh, promovendo a sustentabilidade. Nesta loja, limpa e arejada, podemos encher as garrafas com água filtrada e purificada, por 7 rupias. E comprar os deliciosos alperces secos, que são a fruta de eleição do Ladakh, e que nesta loja são muito melhores, mais saborosos e macios, do que os que se encontram à venda nos mercados e nas ruas.

Neste espaço, que funciona também como lavandaria, podemos encontrar outros furtos e vegetais secos, bons para as caminhadas, assim como proceder à troca de livros.

Ficámos fãs de um sumo de “seabuck berry”… não sabemos o que é este fruto, mas cresce abundantemente nestas paragens e é bastante rico em vitamina C.

Quanto a restaurantes ficamos clientes da Família Norlakh, que serve comida tibetana, exclusivamente vegetariana, e onde podemos provar a “tsampa” de vegetais.

Leh
Leh
Leh
Leh
Leh
Rua principal de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Loja de artesanato/velharia do Ladakh
Loja de artesanato/velharias do Ladakh
Roupas tradicionais do Ladakh
Alfaiate de roupas tradicionais do Ladakh
Leh
Leh
Fábrica de rotis
Fábrica de rotis… pão quente das 5h da manhã até às 5h da tarde
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir a ser cozinhado no tradicional forno tandori
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Talho em Leh... nada de frigoríficos
Talho em Leh… nada de frigoríficos
Recinto para jogos de polo em Leh
Recinto para jogos de polo a cavalo, em Leh… nesta altura estava a ser usado para uma parada militar. Dada a proximidade com a fronteira Chinesa (Tibete) nota-se bastante a presença do exército em vários pontos da cidade
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh... enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh… enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Leh
Leh
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!)
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa. Água filtrada e purificada.
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa… sumo de “seabuck berry”

 

O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir

Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais... quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais… quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)

 

5 Responses

  1. Paula Bombas

    Muito interessante!
    Algumas fotos da localidade de Leh, fizeram-me lembrar Marrocos, talvez devido ao facto das ruas também serem estreitas.
    Estão com óptimo aspecto e estava à espera de notícias vossas pois por aqui tenho ouvido que está um dilúvio na India, com cheias e derrocadas. Mas claro, a India é enorme e não será na vossa zona.
    Catarina, está linda a tua foto com a senhora a tricotar.
    Beijinho e boa continuação, todos os dias confirmo se há post’s novos.
    🙂

  2. Luis ferreira

    Vejo vos ja mais recuperados, o que me agrada.
    Reparo que no ponto de encontro ao lado da agua filtrada se vende papel higiénico, desconfio.

  3. Vitor Marcos

    Pergunta; a Senhora está a fiar o quê ? Pela tua expressão percebe-se que os snacks sáo bons…….. mas depois do sumo, percebe-se tambem a imagem de giboiar ( a giboia depois de se alimentar tb fica mt kietinha )

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