Fronteira Índia-Nepal (Sunauli – Belahiya)

Paz! É a palavra que melhor descreve a sensação que se tem aqui em Lumbini, em especial depois da viagem desde Delhi que demorou praticamente vinte e quatro horas.

O nome leva-nos talvez para as montanhas italianas, mas esta povoação fica no sul do Nepal, na planície húmida e pantanosa junto à fronteira Indiana.

A saída da Índia iniciou-se com uma viagem de 16 horas, mas que com os habituais atrasos se prolongou por mais duas, fazendo com que a chegada a Gorakhpor, tenha sido pelas nove da manhã, altura em que o sol já aquecia inclementemente a poeirenta e suja praça em frente à estação, onde me deparei com mais uma hora de espera, para que o autocarro com destino à fronteira nepalesa, Sunauli, se enchesse de passageiros e iniciasse as três horas de viagem que ainda tinha pela frente.

Ao amanhecer, ainda dentro do comboio, abrigada pela atmosfera artificial do ar-condicionado, do calor e da humidade que já nesta altura do dia se sentem, ia observando as extensos arrozais envoltos na espessa bruma matinal, que criando um véu esbranquiçado diluíam os contornos das poucas árvores que emolduravam a paisagem. Nos canais que separam a linha do comboio dos campos de arroz, crescem nenúfares cujas flores brancas se destacam no denso verde, enquanto no céu se eleva uma bola cor de fogo que a fina neblina filtra permitindo-nos olhar para o sol que vai subindo no horizonte, e que constitui o único elemento de cores quentes que se avista.

O processo burocrático de sair da Índia e entrar no Nepal com o habitual preenchimento de papéis e os obrigatórios carimbos foi simples, rápido e sem complicações, graças à boa vontade dos vários funcionárias da alfândega que prontamente interromperam a leitura do jornal para carimbarem os meus papéis, dando-me prioridade em relação os grupos que aos pouco iam enchendo os escritórios, ao mesmo tempo que ia ouvindo comentários bem dispostos ao facto de o meu visto indiano estar prestes a caducar.

Mas o caminho foi um verdadeiro calvário, feito na altura mais quente do dia, em que percorri a pé a poeirenta rua que liga os dois países, desde a paragem de autocarro, até ao posto de alfândega indiano, daí até ao posto nepalês, e dá até ao terminal de autocarro, passando antes por um posto para trocar a moeda indiana por rupias nepalesas. A rua inteiramente ocupada por uma fila interminável de camiões de mercadorias, ladeada por uma sucessão ininterrupta de lojas intercaladas por alguns restaurantes, cujo aspecto me dissuadiu de lá comer, prolongando e meu jejum por mais umas horas, enquanto o suor ia ensopando a roupa e a mochila se ia fazendo cada vez mais pesada. Seguisse mais um transbordo e finalmente o autocarro para o destino final, Lumbini, que se considera ser o local de nascimento de Buddha, sempre feito por estradas em mau estado, em veículos acanhados e cheios de gente.

Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Bilhete de comboio indiano referente à ultima viagem que fiz: Delhi-Gorakhpor... perfazendo 9038 quilómetros em comboios indianos
Bilhete de comboio indiano referente à ultima viagem que fiz: Delhi-Gorakhpor… perfazendo 9038 quilómetros em comboios indianos
Posto de venda de bilhetes de autocarro na povoação de Lumbini
Posto de venda de bilhetes de autocarro na povoação de Lumbini

  1. José Marques Ferreira

    Parabéns pela tua qualidade de escrita, mas penaliza-me defrontares esse imenso calor e humidade, Talvez nas montanhas estejas melhor.Zé

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