Sapa Trekking #1

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Depois do pequeno almoço à base de pão com ovos mexidos acompanhado por um forte café, tomado no terraço do nosso hotel, com vista para as montanhas, estava à nossa espera o guia que nos iria acompanhar nos próximos 3 dias de visita à aldeias a sul de Sapa.
Deixamos as mochilas no hotel e seguimos viagem com equipamento mais ligeiro: na mochila levávamos polares, impermeáveis e roupa para os restantes dias, mais os produtos de higiene e o kit de medicamentos. Faltou-nos uma coisa: toalha de banho!
Ao longo do caminho foi fácil encontrarmos pequenas lojas onde se pode comprar água, fruta, bolachas…
O caminho, depois de um pequeno troço pela estrada, foi feito por caminhos de terra, cada vez mais estreitos que iam atravessando campos de arroz.
Pelo caminho fomos encontrando alguns outros turistas, alguns que tínhamos visto em Sapa e outros em Hâ Nôi e Hué, sempre acompanhados por um guia, muita das vezes mulheres da etnia Hmong, de longe as mais empreendedoras e comunicativas.
O nosso guia, chamado Khánh, é vietnamita e vive em Sapa. Não falava um inglês muito fluente mas foi dando para comunicar.
O dia começou nublado mas logo despontou o sol, e com ele o habitual calor. Soube bem refrescar os pés quanto tivemos que nos descalçar para atravessar um pequeno ribeiro. 
Por volta das 11.30 fizemos uma pausa para almoço, preparado pelo nosso guia: pão, pepino, tomate, fiambre, queijo (aqueles queijos em triângulos, la vache qui rit), bananas e pêras. Frugal, mas depois de uma manhã a caminhar soube muito bem!
De onde estamos podemos ver a grande quantidade de turistas que por aqui anda, talvez devido à proximidade de Sapa, mas nem todos fazem o mesmo percurso.

Pausa para almoço
Desde o inicio do dia que fomos acompanhados por diversas mulheres Black Hmong, que faziam questão de me dar a mão para atravessar pequenos riachos ou zonas mais enlameadas dos campos de arroz. Claro que todas estas atenções têm em vista a venda de algum produto de artesanato da etnia a que pertencem. Não resistimos à insistência e simpatia da nossa companheira de viagem e compra-mos mais uma pulseira por 100.000 VND. Acho que foi um bom negócio para ela pois ficou contente, brindando-nos com grandes sorrisos que deixavam ver o dente de ouro, oferecendo-nos ainda um pequeno cavalo, toscamente feito com o caule de uma cana.
Mulheres Red Zao esperando a chegada de novos turistas
Com o fim do dia chegamos à Aldeia de Ta Van, a cerca de 20 km de Sapa, onde iríamos pernoitar, na casa da família do senhor Chin. Nestas aldeias existem várias homestays onde é possível passar a noite, jantar e tomar o pequeno almoço em casas de famílias locais.

Em conversa com o nosso guia ficamos a saber um pouco da forma de vida destas populações. Na etnia Black Hmong, o trabalho da casa e dos campos, juntamente com o cuidar das crianças, fica a cargo das mulheres. Aos homens fica reservada a tarefa de as transportar de mota até às aldeias ou até Sapa para venderem artesanato aos turistas, e beberem aguardente de arroz!

A casa, feita em madeira e bambo, já com um sofisticado telhado de chapa de cimento, era bastante grande, com dois pisos e um alpendre, onde passamos os últimos momentos do dia a beber chá verde. Ou melhor: a tentar beber, pois o chá no vietnam é muito forte e com uma infusão muito prolongada, ficando com um gosto amargo e áspero.

 
Com o fim do dia, começam os preparativos para o nosso jantar. Na cozinha a dona da casa, com a ajuda das duas filhas lavam e cortam legumes – xu-xu, couve chinesa, aipo – preparam, spring rolls, tofu, cogumelos e carne, que serão o nosso jantar.

O jantar que estava magnífico, foi acompanhado pela famosa, tanto entre os vietnamitas como entre os estrangeiros, happy water, que não é mais do que aguardente de arroz. O dono da casa e o nosso guia eram grandes adeptos desta bebida, servindo-a, ao longo da refeição em pequeno copos que eram bebidos de uma unica vez, em simultaneo por todos os convivas. Pelos relatos, ao fim de uns dez copos o efeito começa-se a sentir pelo que o Bruno recusou as ultimas rodadas, com grande espanto do nosso anfitrião. Eu somente provei, e tendo reparado que as mulheres não bebiam, não repeti.
Ficou na memória a frase “one more” repetida pelo dono da casa de cada vez que pegava na garrafa para voltar a encher os copos. One More?
Esperava-nos um calmo serão, enquanto o nosso anfitrião e o guia fumavam e bebiam chá verde.
Deitamo-nos cedo. Lá fora não se ouvia nada. A escuridão era total. Já tinha terminado a chuva e a trovoada.
Com o cair da noite o espírito relaxa e as horas que se seguem são calmas, até ao cantar do galo.

Numa panela sobre o fogo, prepara-se a comida para os porcos, feita à base de tronco de bananeira.
A nossa comida é preparada numa espécie de fogareiro alimentado com um combustível semelhante ao carvão.
Para entrada, enquanto esperava-mos pelo jantar, foram feitas batatas fritas que acompanhamos com cerveja. Parece que as fizeram só para nós, pois ninguém da casa, nem o guia, as comeu, não mostrando qualquer interesse quando lhas oferecemos.
Com o anoitecer veio a chuva, que inicialmente começou com pequenos pingos e rapidamente se tornou torrencial, acompanhada de trovoada.

No piso de cima, tipo mezanino, fica a zona de dormir, composta por um conjunto de pequenos colchões, dispostos lado a lado junto ao chão, com a respectiva almofada e cobertor, destinada aos visitantes. No piso de baixo, juntamente com a sala de estar, dorme a família. A casa de banho encontra-se fora da habitação principal. Cá fora fica uma pequena horta e a pocilga.
Pelo que nos apercebemos, este grupos étnicos têm uma identidade muito forte e fazem questão de manterem as suas tradições não se misturando nem demonstrando grande simpatia pelos restantes vietnamitas. Parece até que nem se consideram vietnamitas!!!
Estas casas estão preparadas para receber um grande numero pessoas, mas nesta fomos os únicos, o que não tendo dado para comunicar com os seus habitantes, pois ninguém falava inglês, deu para observar o tipo de vida destas populações.

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