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Stepping Out Of Babylon

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… dos Turcos e da Turquia

De uma estadia de duas semanas, poucas conclusões se podem retirar de um país tão vasto e com tanta história e diversidade cultural. Contudo ficaram impressões, sensações e ideias, tanto das experiências vividas, das realidades observadas como das informações trocadas com a população.

 

Língua e Escrita

Apesar de Turco ser uma língua completamente diferente onde poucas são as palavras comuns, surgem aqui e ali sons familiares, como o afrancesado “pardon” para pedir “com licença”. A saudação é dada por “merhábá” e agradece-se com o “texekkur”

Tendo a língua turca ligações com o árabe, a escrita foi durante séculos em caracteres arábicos, mas graças a Mustafa Kemal Atatürk, no anos de 1928, a língua turca foi transposta para o alfabeto ocidental, o que facilita muito em termos de orientação e localização e mesmo na aprendizagem de palavras mais básicas, como por exemplo a comida.

Em Istanbul e nas zonas com mais turistas, encontra-se quem fale inglês, por vezes fluentemente, outras o suficiente para uma comunicação básica para obter indicações e informações, sobre autocarros e horários, destinos, preços, etc… Contudo fora destas zonas, a situação mostra-se mais difícil, sendo raro conseguir comunicar em inglês com a população local, que apesar desta limitação não se poupa a esforços para ajudar, tanto recorrendo à linguagem gestual como chamando alguém mais novo que fale um pouco de inglês.

Do contacto com a população mais jovem, com estudos superiores ficou outra impressão, que já se encontra mais confortável em comunicar em inglês; contudo não parece ser um exemplo que se aplique a todo o país, sendo mais fácil encontrar alguém que domine o inglês em grandes meios urbanos, ou zonas que estejam habituadas a receber turistas, como foi o caso de Goreme e Istanbul.

 

Autocarros

Apesar da curta experiência na Turquia dispõe de um eficaz e moderno sistema de transportes, numa rede que abrange todo o país, existindo muitas empresas de transporte de passageiros. Os terminais de autocarros são geralmente amplos e modernos, limpos e organizados, com instalações sanitárias, zonas de estar e zonas de restauração. Nas cidades mais pequenas apresentam-se mais modestos, nas com condições confortáveis para se esperar algumas horas entre ligações de bus.

Nos autocarros de longo curso, destacam-se as empresas Kamil Koç e a Metro, pela vasta oferta de ligações entre as principais cidades, pelo eficaz serviço de informações e venda de bilhetes e pela qualidade dos autocarros, com ambas as companhias disponde de várias classes de serviço, desde o VIP mais espaçosos e onde é servido chá, água, etc… até aos serviços mais económicos com mais passageiros por autocarro e um pouco menos de conforto.

A boa qualidade das estradas e dos autocarros, mesmo das companhias mais modestas permite efectuar longas viagens de forma confortável.

Existem muitos serviços nocturnos. As estradas são boas e os autocarros têm qualidade, com algumas empresas a oferecerem também serviços VIP, fazendo das viagens de autocarro um popular e cómodo meio de transporte.

Reservar bilhete pela net não é possível para estrangeiros, pois é necessário introduzir o “TC” o número de identificação turco, não funcionado o número de passaporte ou outro documento de identificação.

 

Metro e Kamil Koç destacam-se nas viagens de bus
Metro e Kamil Koç destacam-se nas viagens de bus

Comboios

Não houve oportunidade para experimentar este modo de transporte.

A ligação Ankara-Tehran, o famoso Trans-Asia Express, foi cancelado devido a problemas na zona Este da Turquia, com conflictos com a população Curda, não havendo informações sobre possível reabertura (setembro 2015). Para informações mais actualizadas: http://www.seat61.com/Iran.htm#train

Os bilhetes devem ser reservados com antecedência em especial nas viagem ao fim de semana e próximos de festas religiosas como o Kurban Bayrami, onde muita gente se desloca para visitar a família; isto aplica-se também às viagens de autocarros e mesmo às de avião.

Nas viagens de comboio, assim como nos autocarros de longo curso, não é costume os homens ficarem sentado ao lado das mulheres, a não ser que sejam casais, familiares ou amigos; este sistema pode tronar complicada a compra de bilhetes nas alturas de maior procura, onde por vezes existem lugares vagos, mas nem sempre ao lado de uma pessoa do mesmo sexo.

http://www.seat61.com/Turkey2.htm

 

Religião

Apesar de todo o esforço de Ataturk para aproximar a Turquia das padrões ocidentais, remetendo a religião para segundo plano, a Turquia tem-se tornado nos últimos anos mais conservadora, com uma maior presença da religião muçulmana no dia-a-dia da população.

Oficialmente mais de 95% da população é Muçulmana, maioritariamente sunita, mas existindo ainda Alevis, Sufis e alguns Xiitas.

Desde as reformas sociais e politicas introduzidas por Ataturk a partir de 1926, a sociedade modernizou-se assim como a forma de vestir, que se tornou mais ocidental, levando ao abando gradual da tradição islâmica que obriga as mulheres a cobrir o cabelo, passando a ser uma opção de cada individuo.

Mas recentemente, com o aumento do poder dos grupos islâmicos e do fervor religioso, o uso do lenço na cabeça, que antes era somente uma tradição, volta a dominar encontrando-se frequentemente mulheres e jovens usando o hijab, que cobre a totalidade do cabelo, orelhas e pescoço, sendo bastante popular tanto em Istanbul como no resto do país. O uso de chador, manto preto envolvendo o corpo é mais frequente nas zonas mais conservadores, como por exemplo em Erzurum, não sendo raro encontrar e Istanbul, em Fatih e nas zonas dos bazares.

Blue Mosque, Istanbul
Blue Mosque, Istanbul

Dinheiro & ATMs

Existem caixas ATM por todo o lado, aceitando a maioria dos cartões Visa e Master Card, mas cobram comissão por cada levantamento. É também possível efectuar pagamentos por cartão de crédito, e mesmo algumas empresas de autocarros aceitam pagamento por cartão na viagens de longo curso.

Para poupar nos exagerados custos das comissões bancárias cobrados por cada levantamento fora da zona Euro, a outra opção é trazer dinheiro e trocar por Liras Turcas.

Em Istanbul, nas zonas mais turísticas é fácil encontrar lojas de câmbio, que aceitam dólares, euros, libras, etc…, e que geralmente não cobrarem comissão. Convém comparar os valores em várias lojas pois podem varias significativamente.

Outra opção são os ATMs,  onde algumas máquinas/bancos permitem efectuar a troca de dinheiro, introduzindo notas de dólar, euros ou libras, e que devolvem Liras Turcas, sem comissão e com uma taxa de câmbio muito próximo do que se encontra nas lojas.

Da experiência que tive, a melhor opção foi ir directamente ao banco… pode demorar um pouco, dependendo do numero de pessoas. É necessário perguntar, pois alguns cobram taxa ou têm um câmbio pouco atractivo (como por exemplo em Goreme onde só existe um banco). A melhor opção encontrada, foi o Ziraat Bankasi, com o facilmente identificável logo vermelho, onde encontrei a melhor taxa de câmbio, sem comissões.

Ziraat Bankasi
Ziraat Bankasi

 

Generosidade e hospitalidade

Estas são sem duvidas duas palavras que marcam a estadia na Turquia.

Um pouco por todo o lado as pessoas se mostram simpáticas e curiosas, sempre disponíveis para ajudar, seja dando indicações, ajudando a encontrar locais, prestando informações, oferecendo comida…

Esta simpatia ficou ainda mais evidente com a experiência de couchsurfing em Istanbul, Erzurum e Doğubayazıt, onde a palavra hospitalidade foi levada “à letra”, tendo partilhado casa com pessoas que desconhecia, que se disponibilizaram para ajudar, fornecendo informações e orientações, mostrando a cidade, na busca de transportes, e muito importante, confecionando e partilhando refeições e experiências de vida.

 

Curdos

Com a longa história de Impérios e civilizações que por aqui passaram, a Turquia alberga actualmente diversas minorias étnicas ou religiosas, como Arménios, Judeus, Gregos, Curdos e muitos outros grupos pertencente a países vizinhos ou a países que pertenceram ao Império Otomano. Contudo destes grupos, o maior em termos de população são os Curdos, que representam cerca de 15%, e que continuam a não ser reconhecidos com grupo étnico.

Detentores de uma cultura e língua próprias, mas sendo muçulmanos Sunitas, assim como os Turcos, nunca foram oficialmente reconhecidos, nem as regiões onde vivem, predominantemente na zona este e sueste da Turquia, foram apoiadas e desenvolvidas em paralelo com outras zonas do país, o que levou a um maior sentimento de exclusão quer continua até hoje a causar conflitos, e ansiando talvez por um Curdistão “a terra dos Curdos”.

Recentemente (Setembro 2015) ocorreram alguns conflitos na zona Este da Turquia, que levaram ao encerramento temporário da ligação ferroviária Trans-Asia Express que cruza a província de Van, junto à fronteira do Irão.

 

Atatürk

O “pais dos Turcos” está um pouco por todo o lado. Não se pode dizer que seja uma figura venerada, mas sem dúvida que é uma figura respeitada cuja imagem se encontra presente em muitos locais públicos, como lojas, restaurantes, cafés, hotéis… e nas notas de Liras Turcas.

Mustafa Kemal, de cognome Atatürk, tendo governado o país durante dezoito anos, representa um ponto de viragem na história da Turquia, criando medidas e reformas que mudaram radicalmente a política, justiça, economia e a sociedade, transformado a Turquia numa sociedade laica, mais próxima dos padrões europeus. Desenvolveu a industria, deu prioridade à educação, conferiu às mulheres igualdade política e social, baniu a poligamia, e aboliu o sistema político baseado nos Califados, onde o poder político estava reservado a religiosos islâmicos.

O seu nome encontra-se em avenidas e praças e no aeroporto internacional de Istanbul, e é sem dúvida o principal responsável pela sociedade moderna e desenvolvida que é hoje a Turquia.

Atatürk
Atatürk

 

Da curta passagem pela Turquia ficou a impressão de um país moderno, orgulhoso do seu passado, onde persiste o peso da religião e das tradições.

 

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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