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Stepping Out Of Babylon

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Irão

Como atravessar o Golfo Pérsico de ferry boat (de Bandar Abbas para o Dubai)

Depois de uma viagem pelo Irão de quase um mês pôs-se a questão: por onde sair? Entrei pelo norte do país na fronteira com a Turquia, fui descendo em direção ao sul, e a saída pelo Golfo Pérsico em direção aos Emirados Árabes fez todo o sentido, a juntar à vantagem destes locais oferecerem voos a preços atractivos para o Sudoeste-asiático, o meu próximo destino.

Mas as informações sobre como cruzar o Golfo Pérsico de ferryboat não são muitas, nem em relação a porto de embarque, destino, horários ou preços.

Um pouco por todos os locais por onde passeio fui inquirindo sobre ferryboats, mas as informações forma muitas vezes imprecisas, confusas ou mesmo contraditórias.

Contudo informação detalhada encontra-se neste site:

http://caravanistan.com/transport/persian-gulf-ferry/bandar-abbas-sharjah/

Apesar de estar mais focado no transporte de pessoas com veículos tem fidedigna e detalhada informação.

A companhia de ferries é a Valfarj Shipping Co. http://www.valfajr.ir/52/Home.aspx

Horários:

  • Bandar Abbas – Sharjah

Segunda e quarta-feira: 9.00 pm (passageiros + mercadoria: 12 horas)

  • Bandar Lengeh – Dubai

Domingo e Terça-feiras: 10.00 pm (passageiros + mercadoria: 5 a 6 horas)

Sábado, Segunda e quarta: 11.00 am (só passageiros: 4.5 horas)

A opção foi pelo trajecto Bandar Abbas (para poupar em mais uma viagem até Bandar Lengeh) e para aproveitar a noite para fazer a viagem chegando aos Emirados de manhã.

Preços:

  • Bandar Abbas – Sharjah: 2.700.000 rials
  • Bandar Lengeh – Dubai: 2.700.000 rials

http://www.valfajr.ir/156/index.aspx

Ferry boat Ticket: Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Ticket: Bandar Abbas-Sharjah

Onde comprar o bilhete:

Bala Parvaz Travel Agency, na Imam Khomeini Street, Bandar Abbas

O valor tem que ser pago em rials e é necessário apresentar o passaporte.

Não é cobrada comissão.

Não é necessário comprar o bilhete com antecedência nem tão pouco tentar reservar, pois o ferry pouco mais tinha do 20% de ocupação.

Bala Parvaz Travel Agency.
Bala Parvaz Travel Agency. Bandar Abbas
Bala Parvaz Travel Agency. Contacts
Bala Parvaz Travel Agency. Bandar Abbas. Contacts

Cambiar dinheiro:

É indispensável trocar os rials antes de sair do Irão, pois fora do país não é possível…

A opção foi para a Morvarin Exhange, situada numa zona comercial, na Imam Khomeini Street, junto à Velayat Square; mesmo em frente, na mesma zona comercial existe uma outra loja de câmbios.

Aqui pode-se trocar os rials por dirham ou outra moeda, como dólares ou euros.

De Bandar Abbas para o Bahonar Port:

Taxi: 70.000 rials (30.000 rials se for shared-táxi)

Demora 30 minutes, do centro da cidade até ao porto, dependendo do trânsito. O táxi pode entrar no porto e deixar os passageiros em frente à sala de embarque.

Não vale a pena chegar mais cedo. Apesar do barco partir às 9.00 pm, é necessário estar no porto pelas 5.00 pm… são horas de formalidades, carimbos, alfândega mais o tempo necessário para acomodar carga e veículos no porão. Somente há um quiosque que vende refrigerantes e snacks embalados, bolachas e pouco mais.

No Bahonar Port:

No porto espera-se mais de uma hora para começar o embarque, com os passageiros e mercadoria (que é muita) a passar da sala de embarque pelos dispositivos de segurança (rx, detector de metais, etc..).

Na segunda sala, para quem não tem mercadoria (a mochila não conta) pode dirigir-se a um balcão e pedir o cartão de embarque mostrando o bilhete.

Segue-se uma espera de mais de uma hora nesta sala, enquanto todas as mercadorias são expedidas para o porão. As mochilas e malas de viagem ficam com os passageiros.

Desta sala, situam-se os serviços de imigração, onde se procedem às formalidades de carimbar o passaporte. Pode demorar umas horas. Por coincidência ou não os passaportes de maioria dos ocidentais que faziam a viagem no mesmo dia que eu ficou retido nos serviços sendo devolvidos mais de uma hora depois, sem justificação.

Apesar da partida estar prevista para a 9 da noite o barco só iniciou a viagem depois da meia noite devido ao tempo necessário para embarcar viaturas e carga.

Bahonar Port. Bandar Abbas
Bahonar Port. Bandar Abbas

Viagem de ferryboat:

Apesar de haver lugares marcados, estes não são respeitados pois como há poucos passageiros, a tripulação encaminha as pessoas de forma a que toda a gente possa ficar com mais do três lugares para se poder deitar durante a noite.

No barco é servido jantar: carne com lentilhas e arroz, pão, água, iogurte e doogh, bebida à base de iogurte mas ligeiramente salgada.

De manhã, pelas 7h é servido o pequeno-almoço: pão, doce, queijo processado e chá.

Como o barco é iraniano mantem-se a segregação, com a sala da frente destinada a famílias e mulheres, e o compartimento de trás reservado para os homens.

O ambiente e barulhento e confuso, em especial na parte das famílias. É possível o acesso ao exterior do navio.

Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat. breakfast
Ferry boat. breakfast
Ferry Boat. Dinner
Ferry Boat. Dinner
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah
Ferry boat Bandar Abbas-Sharjah

Sharjah até ao Dubai:

Apesar do atraso na partida o ferry boat chegou às 10.30h ao Khalid Port, em Sharjah.

Saindo do barco somos encaminhados para um autocarro que nos deixa em frente aos serviços de imigração. Aí o processo é demorado mas foi dada prioridade aos estrangeiros ocidentais; contudo desde o desembarque até termos o passaporte carimbado é mais de uma hora.

Saindo do portão do Kahlid Port estamos nos Emirados. Para chegar ao Dubai:

  1. Saindo do Khalid Port (Sharjah) caminhar a pé até encontrar um pequeno barco que cruza um canal, estacionado entre barcos de pesca. Ticket: 1 dirham; demora 5 minutos.
  2. Do outro lado caminhar para a direita, atravessando um viaduto onde do lado esquerdo se alinham vendedores de plantas, até encontrar o Terminal de autocarros: Jubail Bus Station. Pode-se perguntar o caminho às pessoas com quem nos vamos cruzando, pois toda a gente sabe onde fica. São menos de 2 km, memorou uns 15 minutos devido ao clima quente e húmido.

Do Khalid Port até Jubail Bus Station são cerca de 5 km se o percurso for feito de carro, pelo que o táxi é também uma alternativa. Contudo o valor proposto pelo taxista foi demasiado elevado pelo que a opção foi ir a pé.

  1. Em Jubail Bus Terminal, apanhar o Inter-Emirates bus para Bur Dubai (Al Gubaiba bus Terminal). A paragem assim como o quiosque de vende de bilhetes é o ultimo do terminal.

Atenção: É necessário comprar um cartão para usar o Inter-Emirates bus, que é válido também para o metro e autocarros no Dubai. Não existe a possibilidade de comprar um bilhete isolado. Assim a opção mais barata para quem pretende permanecer por pouco tempo nos Emirados é comprar o Silver Card da RTA. Vende-se e carrega-se nos terminal de bus e estações de Metro. Custa 25 Dirham com um crédito de 19 dirham de viagens.

  1. A viagem demora mais de 40 minutos, fora das horas de ponta, podendo demorar horas.
  2. Em Al Gubaiba bus Terminal, atravessando um cruzamento encontra-se a entrada para o Metro. Para chegar ao Dubai International Airport apanha-se a Green Line até “Burjuman” e depois muda-se para a Red Line que passa pelos Vários Terminais do Aeroporto Internacional do Dubai. O Silver Card da RTA é válido no metro e pode ser carregado com viagens.
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Khalid Port. Sharjah
Boat the ross the canal between Khalid Port and Sharjah
Boat the ross the canal between Khalid Port and Sharjah
Al Gubaiba Bus terminal. Bur Dubai
Al Gubaiba Bus terminal. Bur Dubai
Al Gubaiba Metro entrance. Bur Dubai
Al Gubaiba Metro entrance. Bur Dubai
Dubai. RTA Silver Card
Dubai. RTA Silver Card

Coisas a não perder no Irão

Tehran

… pelas festas secretas que ocorrem em apartamentos pela cidade de Tehran, num país em que quase tudo o que é sinónimo de festa é proibido.

 

Kashan

… pela pequena cidade de sorridente e tranquila população, que para além de palácios, jardins e casas históricas, oferece um bazaar de lindíssima arquitectura.

Kashan Bazaar
Kashan Bazaar

 

Kashan Bazaar
Kashan Bazaar

 

Esfahan

… pelas pontes sobre o Rio Zayandeh, que mesmo sem água não deixa de proporcionando uma atmosfera mágica com a aproximação do pôr-do-sol.

 

Esfahan
Esfahan

 

Esfahan. Bridges over Zayandeh river
Esfahan. Bridges over Zayandeh river

Persepolis

… pelas ruinas de uma civilização extinta, que apesar dos muitos visitantes consegue ainda transmitir a grandeza de um Império que é o coração da Pérsia.

 

Persepolis
Persepolis

 

Persepolis
Persepolis

Shiraz

… pela atmosfera do Masoleum of Hafez (Aramgah-e Hafez) num misto de devoção religiosa, respeito intelectual e mística artística que ainda hoje é prestada a este poeta.

 

Yazd. Mausoleum of Hafez (Hafez Tomb)
Yazd. Mausoleum of Hafez (Hafez Tomb)

Yazd

… pelas colinas Dakhme (Towers of Silence), onde os corpos dos seguidores do Zoroastrismo, religião com origem na Pérsia, eram deixados entregues aos abutres para assim não profanarem os elementos sagrados como: fogo, a água, a terra e o ar.

 

Yazd. Dakhme
Yazd. sunset at Dakhme

 

Yazd. Dakhme
Yazd. Dakhme

Bazares

… os melhores foram o de Tabriz pela atmosfera e o de Kashan pela arquitectura do edifício e pelo passeio no terraço.

Tabriz Bazaar
Tabriz Bazaar

 

Kashan_DSC_2137
Tabriz. Bazaar rooftop

 

… E as pessoas! Pela generosidade e simpatia.

 

 

… para uma próxima viagem:

  • Viagem de comboio Tehran para Ahvaz atravessando as Zharkouh Mountains
  • Visitar as aldeias na região de Kaluts onde os Balochi mantêm viva a sua cultura e identidade étnica
  • Explorar o Golfo Pérsico, em especial a Qeshm Island
  • A cidade de Mashhad
  • Atravessar o Dasht-e Lut (Lut Desert)

Sobre o Irão…

Sim, o Irão é diferente…. não propriamente exótico tendo como referência a cultura dita “ocidental” mas apresenta características muito próprias. Pouco tem a ver com os vizinhos árabes, com que muitas vezes são confundidos, para além da religião muçulmana que partilham, sendo contudo da facção Xiita predominante no Irão. Mas nada tem a ver com a imagem que durante muitos anos foi passada para o ocidente, de fanáticos radicais religiosos. Sim, o peso da religião muçulmana é significativo, mas o valor de 99% apresentados nas estatísticas não é real, pelo menos a nível da população urbana; mas num país que vive sob uma ditadura religiosa há mais de 30 anos não há “espaço” para os não-muçulmanos se afirmarem. Por uma sondagem informal, talvez mais de vinte porcento da população não segue a religião muçulmana, sentindo-se um apego à história da Pérsia, aos símbolos Zoroastristas e às suas tradições anteriores ao domínio árabe que trouxe a religião muçulmana a este território.

Todo o ódio ao ocidente e em especial aos Estados Unidos, está longe de ser real, não indo para além dos extremistas e alguns religiosos radicais, com muita gente a tentar obter visto para imigrar para o estrangeiro, com a América como destino favorito. E este desejo de imigração, mais por questões de liberdade do que por motivos económicos, leva muita da juventude Iraniana, com melhor poder económico, e com mais elevado nível de educação a querer sair do país, situação que a longo prazo empobrece uma nação.

Nunca ninguém manifestou ódio à América ou ao Ocidente, mas muitas vezes as pessoas me mostraram o seu descontentamento e repulsa para com os ayatollahs, com a imposição do uso do véu, com a falta de liberdade, com o fanatismo de alguns mullahs, com a má governação política e com a desastrosa gestão económica, que faz de um país detentor de uma das maiores reservas de petróleo seja menos próspero que os seus vizinhos árabes.

Num país que vive sob uma teocracia, em que religiosos comandam a sociedade e a política, em que quase tudo é proibido, festas, discotecas, álcool, sexo antes do casamento, televisão por satélite, certos livros, facebook, youtube, blogs… e mais uma lista de coisas que nem parecem reais… muita da população quebra todas estas regras… bebe-se álcool, ouve-se U2, namora-se às escondidas, fazem-se festas privadas onde apartamentos se transforma em discotecas, vendem-se cópias piratas de discos e filmes proibidos, onde é corrente ouso de smart-phones, redes sociais, roupa moderna, onde as mulheres conduzem, são advogadas e taxistas… há lojas da Bershka, da Diesel, da Mango e a Coca-cola está por todo o lado.

Um país muito ocidentalizado e culto resultado do tempo em que o Shah Reza Pahlavi governou (mal ou bem) o país, e que a revolução islâmica não consegui apagar, revelando-se por exemplo no elevado número de pessoas que fala inglês mesmo entre a população mais velha, língua que é popular entre os mais jovens; o conhecimento que mostram em relação a Portugal, muito para além do futebol, é outro exemplo.

Um dos países mais seguros, não só pelas pesadas penas, onde a pena de morte e os castigos corporais são frequentes, mas também pela formação das pessoas, onde a hospitalidade e a generosidade são genuínas como nunca vi em nenhum outro país.

O Irão, um país demasiado vasto para se dar a conhecer numa viagem de um mês; vasto em termos de história, culturas e de etnias. Um pais onde muita gente mostra revolta pela repressiva teocracia que domina a vida política e social. Um país onde muita coisa é proibida mas onde constantemente se quebram as regras, onde a maioria dos alunos nas universidades são mulheres, onde as redes sociais e a internet chegam a todo o lado, onde se nota um claro crescimento económico. Um país que para além da lei islâmica pesam também as tradições, mas onde se nota uma vontade de renovação, um desejo de liberdade, mas onde domina uma surda revolta.

Um país onde a vida é complicada e onde muita gente espera mudanças!

Um país que deixa saudades.

 

Farsi:

No Irão fala-se farsi, língua distinta do árabe com que muitas vezes é confundido, mas que são bem diferente, com escrita própria se bem que os caracteres usados assemelham-se à escrita arábica, com a escrita da direita para a esquerda.

De uma forma geral pouco se encontra escrito em caracteres latinos com excepção das placas de orientação rodoviária, as placas com o nome das povoações, o nome das ruas, das estações de metropolitano e comércio em geral situado nas zonas com mais turismo.

Contudo, existem mais línguas faladas no Irão, correspondentes aos diferentes grupos étnicos como o Azerbaijani, Kurdish, Luri, Arabic e Balochi.

 

Numeração:

No Irão o sistema de numeração é em caracteres arábicos, que à primeira vista nada têm a ver com os números que aprendemos a chamar de “árabes” e mas ao que parece tiveram origem na Índia.

De inicio parece confuso e impenetrável mas ao fim de alguns dias, depois de encontrar a lógica, e com algumas mnemónicas habituamo-nos a este novo sistema, que à semelhança do sistema ocidental, se escreve da esquerda para a direita, ao contrário do texto.

Eis uma tabela que ajuda a memorizar a numeração árabe usada no Irão.

Arab numbers vs Iranian Numbers
Arab numbers vs Iranian Numbers

Horários e fim-de-semana:

Seguindo a tradição muçulmana, o dia de descanso no Irão é à sexta-feira, com o Sábado e o Domingo a funcionarem normalmente. Contudo muitos mercados e bazares, assim como as padarias encontram-se a funcionar também à sexta-feira, onde a excepção foi o bazar de Shiraz.

Pequenas lojas estilo mercearias também estão abertas todos os dias vendendo produtos básicos de alimentação, refrigerantes, tabaco, carregamento de telemóveis… e de tudo um pouco.

Quanto aos horários, as lojas e os bazares não começam muito cedo, com a grande maioria a abrir pela 10.00 AM, mas prolongam-se até às 9.00 ou 10.00 PM.

Dinheiro, ATMs e cartões:

A moeda iraniana chama-se rials… e são aos milhares

Pois existem ATMs por todo o lado mas não estão ligados às redes bancarias internacionais, pelo somente os cartões iranianos funcionam para levantar dinheiro.

Pela mesma razão os cartões de crédito também não têm qualquer tipo de utilidade no Irão.

Em alternativa é já possível enviar dinheiro para o Irão pela Western Union, que tem balções e agentes em algumas cidades. Pode ser uma boa opção em caso de emergência por falta de fundos.

Mas sem duvida que a melhor opção é levar dinheiro em “papel” à boa moda antiga, de preferência dólares ou euros, mas tb servem libras britânicas… sim, sim, apesar da “guerra” à América, as notas de dólar são muito bem vindas.

Como o Irão é seguro em termos de criminalidade, não se corre grande risco em transportar dinheiro, sendo necessário os habituais cuidados para quem viaja.

Segundo informações recolhidas deve-se trocar o dinheiro aos poucos por causa da inflação e das mudanças da taxa de câmbio de rials para moeda estrangeiras. Existe inflação sim mas afecta quem aqui vive, não sendo visível para quem por aqui se demora um mês. Quanto à variações da taxa de câmbio à grandes diferenças de cidade para cidade (conforme a concorrência entre cambistas) e em especial de loja para lojas. Da minha experiência, nas grandes cidades conseguem-se os melhores negócios, muitas vezes sem comissão ou com valores pequenos (30.000 rials); em Teerão e Esfahan consegui 1€ = 39.600 rials*, nas pequenas cidades como Bam ou zonas com pouco ou nenhum turismo como Bandar Abbas 1€ = 37.000 rials*. Assim o melhor é trocar uma quantidade significativa de dinheiro (tipo 100€) quando se encontra um “bom negócio”.

Mas trocar dinheiro nos bancos é em geral uma má escolha: os euros valem menos e são cobradas taxas ou comissões bancárias (1€ = 35.000 rials)*.

Uma outra opção de recurso são alguns hotéis ou guesthouses que a nível “particular” também trocam dinheiro, sem comissão mas com uma taxa não muito superior aos bancos.

O único inconveniente de trocar uma grande quantia de dinheiro de uma só vez é que se fica com a carteira cheia de notas… com cem euros a “renderam” quase 4 milhões de rials… mas existem “Bank Cheques” que em tudo se parecem com notas, com valores de um milhão e de meio milhão o que facilita as coisas mas que nem sempre se conseguem nas lojas de câmbios.

Para além da dificuldade em lidar com os muitos “zeros” presentes no valor das notas de rials, acresce outra adversidade a quem chega ao Irão: o toman, em que 1 toman são 10 rials, com os preços afixados por vezes em tomam outras em rials… confuso.

Mas de uma forma geral, os produtos em mercados estão afixados em tomans, mas alojamento e transportes estão em rials, quando os valores são expresso verbalmente tanto pode ser em tomam com em rials… muito confuso.

* valores de Outubro de 2015.

Rials. Bank Cheque
Rials. Bank Cheque

Custos:

O custo de vida para que viaja no Irão não é caro comparado com os padrões europeus.

Exemplos:

  • bilhete de bus entre as principais cidades: de 100.000 a 300.000 rials (2.6 a 5.3€)
  • falafel: mínimo 30.000 rials (0.8€)
  • ash-e reshteh ou halim: entre 30.000 rials (0.8€) e 50.000 rials (1.3€)
  • pizza: 150.000 rials (4€)

A maior fatia do “orçamento” vai para o alojamento; alguns exemplos, com os valores a variarem bastante de cidade para cidade, com uma quarto em Tabriz a custar metade que uma cama num dormitório em Kashan. Quase todos os alojamentos têm pequeno-almoço incluído, e quase todo com casa-de-banho partilhada:

  • quarto individual em mosaferkhaneh: cerca de 250.000 rials (6.6€)
  • cama em dormitório, num hotel: 300.000 a 500.000 rials (8 a 13€)
  • quarto individual em hotel: 500.000 rials (13€)
  • quarto duplo em hotel: 600.000 rials (16€)

De uma estadia de 1 mês o custo médio foram 15€/dia, com:

46% alojamento

23% alimentação**

20% transportes

6% entradas em locais turísticos

5% vários (telefone, lavandaria, etc)

** comida vegetariana, à base de ash soup, falafel, pizza, snacks, fruta, frutos secos…

O preço dos quartos pode ser negociado, conseguindo-se melhores negócios quando se viaja em época baixa.

O preço das coisas nos mercados, mesmo estando quando afixado é passível de ser negociado, excepção são os produtos alimentares e os restaurantes.

Se houvesse um ranking em termos de honestidade em relação ao dinheiro, o Irão estaria nos primeiros lugares dos países que visitei. Mesmo no inicio, quando ainda não nos habituamos ao dinheiro onde proliferam os zeros, e quando ainda desconhecemos o preço das coisas, não me apercebi que ter sido enganada nos preços; mesmo não conseguindo comunicar com pessoas que não falavam inglês, onde tive que mostrar um molho de notas e esperar que tirassem o valor necessário, não me apercebi que estivessem os comerciantes se estivessem a aproveitar da situação. Excepção são os taxistas. Nas palavras de uma amiga “como são muçulmanos e temem Alá, mesmo que enganem é só um bocadinho”!

 

Quando visitar o Irão:

O clima do Irão caracteriza-se pelas quatro estações, sendo o verão a altura de temperaturas muito elevadas e o Inverno frio, com neve em alguns locais. A zona junto ao mar Cáspio apresenta-se menos seca e com Invernos frios e chuvosos, e com neve em alguns locais.

As melhores altura para visitar são o Outono (Outubro, Novembro) e a Primavera (Março, Abril e Maio).

O Muharram, onde se celebra o Ashura, varia de acordo com o calendário islâmico que como é lunar não tem data fixa de no calendário Gregoriano, mas que em 2015 começou a 13 Outubro. O Nowruz, o ano novo persa, é no dia 21 de Março que marca o inicio da Primavera.

 

Segregação de género:

Um pouco à semelhança da Turquia, mas numa versão mais rigorosa, no Irão existe segregação entre os sexos em transportes públicos, mas não só em comboios e autocarros de longa distância, onde homens e mulheres não podem estar sentados lado a lado caso não sejam casados ou família, mas também em autocarros urbanos, metro e táxis.

Nos autocarros as mulheres viajam na parte de trás, usando a última porta para entrar. Caso seja necessário comprar bilhete ao motorista deve-se primeiro entrar pela porta da frente, e voltar a sair para ocupar os lugares da parte de trás do veículo, pois existe uma barra que impede a circulação. Casais devem viajar separados. Em algumas cidades este sistema é mais flexível, não existindo uma barreira física e com as pessoas a desrespeitarem esta regra.

Quase naturalmente as pessoas quando fazem fila na paragem obedecem ao mesmo critério de segregação, com homens e mulheres a fazer fila em direções opostas.

No metro em Teerão a primeira e a ultima carruagem da composição é reservada exclusivamente a mulheres, separadas por uma porta fechada com correntes e cadeado, com as restantes carruagens acessíveis a ambos os sexos, contudo com quase nula presença feminina com excepção de um ou outro casal.

Em shavaris (táxis partilhados) que são um meio de transporte muito utilizado em todo o país tanto em meios urbanos como em viagens entre cidades, aplica-se também esta regra, não sendo raro quando um táxi pára para recolher mais passageiros, as pessoas terem que sair e voltar a entrar de forma a que no banco de trás somente se sentem pessoas do mesmo sexo.

 

Dress code:

Para os homens o dress code é pouco bastante flexível sendo aparentemente proibido o uso de calções na rua. Contudo camisolas e camisas de manga curta são aceites sem problemas.

As mulheres têm mais restrições. O cabelo tem que ser obrigatoriamente coberto, mas somente as muçulmanas usam o hijab justo ao rosto cobrindo totalmente o cabelo. O mais frequente é um lenço sobe a cabeça, com as pontas atiradas para trás sobre os ombros, deixando ver um bocado do cabelo sobre a testa. É normal as mulheres usarem o cabelo apanhado, o que ajuda a segurar o lenço sobre a cabeça.

Mangas compridas e pernas cobertas até ao tornozelo. Raramente se vê alguma mulher de saias, mas calças justas são muito populares entre os mais jovens. Os tops devem ser longos de forma a cobrir as ancas e largos, sendo muito frequente o uso do manteau, que se assemelha a uma gabardine, que poder ser usado justo e totalmente abotoado ou ter uma forma mais folgada aberta à frente.

Quanto às cores não há nenhuma obrigação de vestir roupa escura e as cores claras são as mais indicadas nas zonas mais secas e desérticas.

Pode-se andar de sandálias mas raramente se vê alguém com elas.

Nas raparigas o uso de véu é obrigatório a partir dos 9 anos, mas muitos uniformes de escolas incluem-nos desde o inicio da escolaridade.

Chador, um manto que cobre da cabeça aos pés que é aberto à frente só é obrigatório em alguns locais religiosos, sendo fornecidos à entrada.

Dress code
Dress code

Cirurgias plásticas ao nariz:

Quase se pode dizer que são uma obsessão nacional, sendo frequente ver pessoas nas ruas com pequenos adesivos no nariz, sinónimo de recente cirurgia para alteração do formato do nariz, tanto em homens como em mulheres. Assim se perde um pouco da identidade étnica de um país onde domina o nariz aquilino.

Mas o facto de a população feminina ser obrigada ao uso do hijab que cobre o cabelo e ao limitativo dress code, que impede mostrar pernas e braços, decotes, etc… leva a que o rosto seja o centro de toda a atenção, com quase todas as mulheres a usarem maquilhagem, resultando da importância exagerada dada ao formato do nariz.

Diz-se que quem quer mostrar que tem quer parecer “in” mas não tem capacidade financeira para uma cirurgia estética, limita-se a colocar o adesivo no nariz.

 

Água:

A água da torneira é potável e apesar de nem sempre o sabor ser dos melhores nunca me causou problemas.

Existem bebedouros um pouco por todo o lado, nas ruas, parques, zonas históricas, muitas vezes com água refrigerada.

 

Telemóveis:

As redes de telemóvel internacionais não funcionam no Irão.

Por isso a melhor opção é comprar um SIM card nacional, pois é útil para reservar hotéis (os emails nem sempre têm respostas rápida). O cartão com algum crédito em chamadas custa 200.000 rials. Para isso é preenchido um formulário totalmente em farsi, pelo funcionário, e é necessário para além de três assinaturas e do nome do pai, a impressão digital do indicador direito… vá-se lá perceber para quê!!!!

As chamadas assim como as mensagens são muito baratas. Os carregamento são feitos com base num código que se pode comprar nas lojas da Irancell (que não são fáceis de encontrar) mas também estão disponíveis em mercearias, é são vendidas nos valores de 20.000 rials.

 

Internet e wi-fi:

Wi-fi está disponível gratuitamente um pouco por todos os alojamentos. Até alguns hostel e mosaferkhaneh têm wi-fi free.

Contudo devido aos muito filtros impostos pelo governo no acesso à informação a internet é lenta e os download quase impossíveis. Facebook, youtube, blogs e algumas aparentemente inocentes páginas estão bloqueadas… contudo é possível contornar esta situação pagando a alguém para alterar umas configurações nos smart-phones, tabletes e lap-top

Atenção que no Irão não há https, pelo que o movimentos bancárias e o uso de cartão de crédito para efectuar compras tem alguns riscos.

Internet blocked sites
Internet blocked sites. Esta é a imagem que surge quando se quer aceder a alguns sites que estão bloqueados no Irão

Imigrantes:

O Irão atrai imigrantes afegãos, resultantes da prolongada guerra, que se identificam pela tradicional forma de vestir, e que muitas vezes executando trabalhos de carga nos bazares. É também nos bazares e nos trabalhos menos qualificados que se encontram muitos Curdos, facilmente identificados pelas calças de balão, justas no tornozelo.

A guerra no Iraque trouxe também trouxe muitos imigrantes que se concentram mais no sul do Irão, mas que se encontram um pouco por todo o país, sendo facilmente identificáveis pelas longas túnicas, e mais frequentemente pelo lenço, shemagh, com típico padrão preto e branco.

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Porter at Tehran Bazar

Ta’arof:

Uma tradição muito presente no Irão que revela um requintado código de cortesia. Quando alguém nos oferece algo, por exemplo um chá, uma refeição, uma viagem grátis de bus, um doce, etc… devemos sempre recusar, mesmo que a vontade vá em sentido contrário. Da parte de quem oferece compete-lhe o papel de insistir uma ou outra vez, e da nossa parte é-nos pedido que avaliemos até que ponto esta oferta pode ser ou não aceite, de forma a não deixar com fome quem tem pouco para comer, não prejudicar um negócio ou quem não tem boa situação financeira.

Uma prática complexa, que não é fácil de incorporar para quem não foi habituado a este sistema, e que como estrangeiro está muitas vezes sujeito a ofertas, seja de comida, de bilhetes de autocarros, de boleias, de chá…

 

Chá… chai!

O chá, no Irão chamado de “chai” é definitivamente a bebida nacional, sendo consumida logo pela manhã ao pequeno-almoço e depois, durante todo o dia, como motivo para uma pausa, para uma conversa… Aqui à semelhança de outros países também é comum o samovar, grande recipiente metálico onde a água é mantida quente, que se adiciona ao chá preparado num pequeno bule, assente no topo do samovar, mantendo o chá quente.

Existem a chamada tea-shops, onde se bebe chá, se conversa e se fuma qalyān, um cachimbo de água, mas onde as mulheres não podem entrar, ou pelo menos não é suposto entrarem.

 

Old Paykard a Iranian car brand still popular nowadays when many european and asian brands as conquering the market
Old Paykan a Iranian car brand still popular nowadays when many european and asian brands as conquering the market

Bandar Abbas… o porto para o Golfo Pérsico

De acordo com o famoso guia turístico que toda a gente que viaja pelo Irão segue, pois não há muitas mais alternativas que satisfação quem viaja por conta própria, a cidade de Bandar Abbas, nem sequer vinha mencionada numa versão antiga deste livro para além de um ponto no mapa, mas na mais recente versão é-lhe dedicado um tópico onde se menciona que nada tem atraia um visitante estrangeiro para além de este ser o porto onde se apanha o barco para as ilhas de Qeshem e Hormoz, situadas no Golfo Pérsico.

Contudo, o que me trouxe aqui não nenhuma destas opções, foi por Bandar Abbas ser o porto de onde partem os ferry boat em direção aos Emirados Árabes, uma saída do Irão, em alternativa ao popular rota que obriga a voltar a Tehran para seguir de avião.

Mas Bandar Abbas, apesar de não dispor das famosas atrações turísticas como mesquitas, palácios e jardins, não é de toda desprovida de interesse, com um animado e diversificado bazar e o mercado de peixe.

Em termo históricos este porto foi ponto de paragem do portugueses no século XVI quando Portugal dominava o Estreito de Hormuz. Em 1622, Shah Abbas conquistou este porto, então chamado de Cambarão, tendo o nome mudado para o nome do conquistador iraniano, onde “bandar” significa porto.

A cidade em si, constituída por rectas avenidas e edifícios modernos, mostra-se pouco atraente, mas como um dos principais portos iranianos no Golfo Pérsico atrai muitos negociantes, em actividades mais ou menos legais, pois este porto é famoso pelo contrabando.

A cidade dominada pelo clima quente e húmido, que contrasta com o ar seco da maior parte do território iraniano, apresenta-se mais descontraída, com as floridas roupas das mulheres balochi, grupo étnico disperso pela região Sudeste do Irão, nomeadamente no deserto de Kaluts.

O bazaar, meio adormecido pelo calor do dia que juntamente com a humidade convidam à inércia, fervilha de intensidade depois do pôr-do-sol, tanto nas ruas estreitas onde se vende um pouco de tudo, onde o tabaco vendido em folhas enche os corredores de um cheiro seco, marisco seco deixa o característico cheiro enjoativo, e onde as tâmaras doces, macias e de sabor intenso, brilham sob a luzes eléctricas. Nas ruas em redor, espalham-se vendedores ambulantes de frutas e legumes, expõem a mercadoria pelo chão ou em banca improvisadas. Um pequeno mercado de venda de peixe e marisco surge inesperadamente no fim de uma destas rua, fracamente iluminado por lâmpadas penduradas num emaranhado de fios elétricos a pouca distância das nossa cabeças.

Se a noite é altura para deambular pelo bazaar, a manhã é tempo para visitar o Mercado do Peixe, onde tanto no interior como no exterior a agitação é grande, com muitos compradores, os pregões dos vendedores, a pressa dos carregadores… e onde o cheiro a peixe cresce de intensidade à medida que a temperatura do ar aquece. Mulheres de cócoras junto ao passeio, descascam em gesto automáticos pequenos camarões, enquanto por perto sob água corrente o peixe é escamado e liberto de vísceras, o que deixa um rasto de água ensanguentada pela rua.

Mas os vendedores de peixe mais do que qualquer outra profissão são joviais e sociáveis, com a minha presença no mercado uma verdadeira festa, com vários candidatos a querer posar para um foto expondo enormes e frescos peixes e fazendo com que me demorasse por aqui quase uma hora sem me aperceber do tempo a escoar-se.

Bandar Abbas, com o seu clima tropical, a descontração e simpatia dos habitantes, o colorido das roupas femininas, o cheiro do mercado de peixe, a animação do bazar, e as deliciosas tâmaras foi uma surpresa agradável para a despedida do Irão!

Bandar Abbas
Bandar Abbas

 

Bandar Abbas
Bandar Abbas

 

Bandar Abbas
Bandar Abbas

 

Bazaar. Bandar Abbas
Bazaar. Bandar Abbas

 

Bazaar. Bandar Abbas
Bazaar. Bandar Abbas

 

Bazaar. Bandar Abbas
Bazaar. Bandar Abbas

 

Fish Market. Bandar Abbas
Fish Market. Bandar Abbas

 

Fish Market. Bandar Abbas
Fish Market. Bandar Abbas

 

Fish Market. Bandar Abbas
Fish Market. Bandar Abbas

 

Fish Market. Bandar Abbas
Fish Market. Bandar Abbas

 

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Fish Market. Bandar Abbas

 

Alojamento:

Bandar Abbas não dispõem de alojamento adaptado aos backpackers proliferando contudo pela cidade dezenas de hotéis, mais virados para os homens de negócios, com uma vasta gama de preços mas mais elevados do que os valores que se encontram noutras cidades.

Como o Hotel Darya, estava cheio fui encaminhada para outro, a menos de 2 minutos, no fim da mesma rua, Kowsar Hotel. Depois de alguma negociação um quarto duplo (mas só para uma pessoa) com casa-de-banho partilhada, wi-fi, frigorífico e ar-condicionado (que aqui faz mesmo falta) ficou em 500.000 rials… uma estravagância para a despedida do Irão!

O staff fala inglês e é extremamente prestável em fornecer informações.

A demonstrar como Bandar Abbas fica fora do circuito turístico, o cartão de visita do Kowsar Hotel está escrito somente em farsi, assim como os números de telefone.

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Kowsar Hotel

 

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Kowsar Hotel
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Kowsar Hotel

 

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Kowsar Hotel. Contacts

 

Onde comer:

Perguntando aqui e ali por um falafel foi vivamente aconselhada a procurar uma pequena banca que ao fim do dia, pelas 5 horas da tarde inicia a venda deste snack, que a avaliar pelo numero de pessoas à espera despertou a curiosidade. Fica num rua estreita perpendicular à Imam Khomeini Street, junto à Velayat Square, com esta estreita rua a surgir entre uma sequência de ourivesarias e um maciço edifício pertencente a um banco.

Uma boa surpresa foi o halim, algo entre sopa e uma papa, que me foi indicado por um grupos de homens que sentados na rua partilhavam uma destas refeições. Assim encontrei o restaurantes que serviu um dos melhores halim e que se recusou a receber o pagamento, por muito que eu tenha insistido… com aconteceu muitas vezes ao longo desta viagem pelo Irão. A loja fica num perpendicular à Imam Khomeini Street, mas na direção oposta ao mar, provavelmente na Shahid Beheshti Boulevard, mas o melhor é mostrar o logótipo da loja, impresso no saco que transporta a comida para algum indicar o local, pois é bastante popular no centro da cidade.

 

falafel, junto à Imam Khomeini Street. Bandar Abbas
falafel, junto à Imam Khomeini Street. Bandar Abbas

 

Halim. Bandar Abbas
Halim. Bandar Abbas

 

Halim. Bandar Abbas
Halim. Bandar Abbas

 

Cambiar dinheiro:

Sendo o ultimo ponto na rota iraniana, foi tempo de trocar os últimos rials por dinares e dólares. É indispensável trocar os rials antes de sair do Irão, pois fora do país não é possível… e quem guardar as notas para uma próxima visita, arrisca-se a que pela inflação a que a economia está sujeita a que as notas percam o valor ou mesmo saiam de circulação.

A opção foi para a, situada numa zona comercial, na Imam Khomeini Street, junto à Velayat Square. Como o atendimento foi simpático e a quantia era pequena, não procurei pelas melhores taxas, contudo mesmo em frente, na mesma zona comercial existe uma outra loja.

 

Morvarin Exhange. Imam Khomeini Street. Bandar Abbas
Morvarin Exhange. Imam Khomeini Street. Bandar Abbas

Transportes:

A viagem entre Bam e Bandar Abbas, mais de 400 quilómetros pode ser feita em autocarro nocturno, que sai de Bam ao fim do dia e chega na manhã seguinte a Bandar Abbas. Mas por conselho do Akbar, dono da guest house em Bam a viagem foi feita durante o dia para se poder apreciar a paisagem, o que de facto valeu a pena pois o percurso atravessas as montanhas, a sul de Bam foi uma das paisagem mais interessante feitas no Irão.

Mas esta viagem diurna tem o inconveniente de ter que ser feita de savari (shared-taxis), e como estes somente fazem percurso entre cidade, há que apanhar 3 savaris para chegar a Bandar Abbas, parando em Jirot e Kahnooj. O sistema parece complexo mas é uma prática usual entre a população local que usa este sistema para viajar em zonas onde os autocarros são escassos, pelo que os savaris, terminam o serviço numa espécie de terminal, mais ou menos improvisado, onde outros taxistas esperam até o veículo ficar cheio.

A viagem ficou mais cara do que o bus, no total de 450.000 rials, mas compensou pela paisagem e para evitar o incómodo de uma noite mal dormida num autocarro.

Bam – Jirot: 140.000

Jirot – Kahnooj: 110.000

Kahnooj – Bandar Abbas: 200.000

"savari" stop at Kahnooj
“savari” stop at Kahnooj

Ferry Boat para os Emirados

Comprar o bilhete de ferry boat com antecedência para os EAU, seja para Sharaj ou para o Dubai é difícil se não mesmo impossível. Tentei em várias cidades, Esfahan, Yazd, Shiraz, Bam… mas é quase impossível recolher informações raz, Bam… mas rto) Abbas.ra evitar o inc(shared-taxis) concretas e fidedignas.

Contudo a melhor informação sobre como atravessar o Estreito de Hormuz encontra-se neste site, com o máximo detalhe e com informação actualizada, se bem que mais focada para quem faz a viagem com carro ou mota e precisa de mais complexos procedimentos legais.

http://caravanistan.com/transport/persian-gulf-ferry/bandar-abbas-sharjah/

Em resumo:

  • Para comprar o bilhete do ferry boat em Bandar Abbas, basta ir à Bala Parvaz Travel Agency, na Imam Khomeini Street.
  • Ticket: 270.000 rials (não sendo cobrada comissão). O valor tem que ser pago em rials e é necessário apresentar o passaporte.
  • O ferry parte do Bahonar Port.
  • Taxi do centro de Bandar Abbas até Bahonar Port: 70.000 rials; aproximadamente 20 minutos, dependendo do trânsito.
  • O barco parte às segundas e quartas-feiras, às 9.00 pm, mas é necessário estar na sala de embarque pelas 5.00 pm, não vale a pena chegar antes… são horas e horas de formalidades, carimbos, alfândega mais o tempo necessário para acomodar carga e veículos no porão. Neste dia o barco partiu pela meia-noite.
  • Não é necessário comprar o bilhete com antecedência nem tão pouco tentar reservar, pois o ferry pouco mais tinha do 20% de ocupação.
Bala Parvaz Travel Agency. Bandar Abbas
Bala Parvaz Travel Agency. Bandar Abbas

 

Bala Parvaz Travel Agency. Contacts
Bala Parvaz Travel Agency. Contacts

O Pão no Irão

O pão tem sem duvida um papel muito importante na dieta da população iraniana, encontrando-se um pouco por todo o lado, seja em bazares, ou nas ruas das cidades, pequenas fábricas de pão que servem ao mesmo tempo de local de venda. Difíceis por vezes de encontrar, escondendo-se em ruas secundárias ou pequenos becos, discretas, muitas vezes sem letreiros ou qualquer tipo de indicação, somente assinaladas por um pão pendurado à entrada ou pela fila que se faz à porta.

O pão mais comum e talvez o que se encontra com mais frequência é o barbari (Nan-e barbari), com uma forma oval distorcida, espessura e umas estrias que o tornam mais fino e crocantes em alguns pontos. Também muito popular é o lavash (Nan-e lavash), muito fino e esbranquiçado, ligeiramente estaladiço, tem a vantagem de se poder conservar por bastante tempo. Não é das opções mais interessantes com pouco sabor e um aspecto muito industrial, mas é dos mais antigos pães do Médio Oriente.

Tanto o barbari como o lavash são cozinhados em fornos, que actualmente são elétricos. Mas o Nan-e sangak, tem a particularidade de ser cozinhado num forno sobre superfície coberta de pequenas seixos, o que lhe confere uma superfície com “covinhas” na base, resultando num pão mais estaladiço, mas com a mesma forma do barnari.

Variando na forma, sendo redondo e fina, mas mais fofo do que o lavash, o taftoon (Nan-e taftoon) que somente encontrei em Yazd, que tem a vantagem de ser dos mais pequenos, pois no Irão os pães têm tamanho familiar.

Existem várias fornadas durante o dia, e os habitantes sabem a que horas podem encontrar o pão quente; eu limitei-me a confiar na sorte e aproveitar a passagem por uma destas pequenas fábricas para me deliciar com pão feito à mão e acabado de sair do forno.

barbari (Nan-e barbari),
barbari (Nan-e barbari)

 

lavash (Nan-e lavash),
lavash (Nan-e lavash)

 

Nan-e sangak
Nan-e sangak

 

taftoon (Nan-e taftoon)
taftoon (Nan-e taftoon)

 

Bakery. Yazd
Algumas padarias utilizam fornos a lenha. Yazd

 

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Bakery. Kashan

 

Bakery. Kashan
Bakery. Kashan

 

Bakery
Bakery. Tehran

 

Bakery
Bakery. Kashan

 

taftoon (Nan-e taftoon)
taftoon (Nan-e taftoon)

 

Bakery
Bakery. Shiraz

 

Bakery
Bakery. Esfahan

A comida no Irão: um guia para vegetarianos e não só!!

Sendo seguidora de uma dieta vegetariana um mês no Irão não foi das melhores experiências a nível gastronómico, tendo havido excepções a esta dieta, uma vezes por desconhecimento ou barreira linguística e outras por não recusar uma refeição gentilmente oferecida, como do Dia do Ashura, um festival religioso xiita..

Por isso a famosa gastronomia iraniana ficou por explorar, não podendo a minha experiência fazer justiça ao que se come no Irão.

Mas a nível de restaurantes, para quem não pretende ir para a gama superior, não existem muitas opções, com excepção do chamado fast-food, que basicamente são kebaks, hamburgers e falafel.

Esta falta de opções revela que a população não costuma fazer muitas refeições fora de casa, o que se compreende num país onde ainda muitas mulheres são domésticas.

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Especiarias à venda no Bazar de Yazd, onde casa camada corresponde a um ingrediente diferente
Mirza Ghasemi
Mirza Ghasemi, feito à base de beringela, assada e depois triturada e frita com mais ingredientes, resultando numa mistura bastante intensa e saborosa, mas um pouco gordurosa. Acompanha com arroz, onde é normal misturar-se um naco de manteiga. Os alhos em pickles são uma das especialidades da região de Gilan, e combinam bem com o sabor forte do prato principal. Masuleh
Dizi
Dizi, um estufado de legumes e feijões com carne. Muito rico em sabor e com muita gordura… mesmo não comendo a carne o sabor do borrego é demasiado presente. O arroz é um dos principais acompanhamentos dos pratos iranianos, sempre servido com um naco de manteiga. Tabriz
Ashura food
Ashura food oferecida numa das ruas de Yazd no dia do Ashura, em que a oferta de chá, doces, pão e mesmo refeições completas é tradicional. Este é o “gheimeh”um guisado que junta lentilhas, feijão e borrego.
Iranian Pizza
Iranian Pizza… sim, os iraniano têm uma versão muito particular da pizza. A massa é espessa e fôfa. em vez de tomate há uma ligeira camada de ketchup, e os restantes ingrediente juntamente com o queijo são levados ao forno por bastante tempo, até a massa ficar cozida, o que torna o queijo numa camada estaladiça, como um gratinado. É servida com pacote de ketchup. Deixando para trás condicionamentos e ideias pré-concebidas sobre pizzas, o resultado é bastante bom…. como tudo onde pão e queijo estão presentes 😉 . Esfahan

Quente… frio

Segunda a tradição nas refeições devem ser equilibradas entre alimentos quentes e frios, e isto não resulta da temperatura que são consumidos mas das suas propriedades intrínsecas, com alimentos quentes a acelerar o metabolismo e alimentos frios a abrandar. Exemplos de alimentos quentes: carne, açúcar, trigo, álcool, frutos secos; alimentos frios são o iogurte, fruta, vegetais, arroz…

Pratos de carne são consumidos muitas vezes com uma mistura de vegetais crus, que incluem spring-onions, rabanetes, menta, coentros, alface, rúcula… e com o iogurte a acompanhar muitas vezes a refeição, compensado assim o valor energético dos alimentos.

O pequeno almoço tradicional no Irão, tem como presença obrigatória o pão, que se apresenta sob diversas formas mas sempre segunda a tradição oriental de pães achatados, que podem ser muito longos ou redondos. Acompanhando o pão, há o queijo, manteiga, tomate, frutos secos, nozes, tâmaras, mel, tahini… e o sempre presente chá que é consumida durante todo o dia e indispensável pela manhã.

Assim, equilibrando pão, nozes e tâmaras, junta-se iogurte, tomate e pepino… e o chá, que como o arroz são considerados alimentos neutros.

Iranian Break-fast
Iranian Break-fast at home. Tehran

Lacticínios

São sem duvida uma presença forte na dieta Iraniana, com iogurte a acompanhar refeições, queijo ao pequeno almoço, doces à base de leite, manteiga servida no topo do arroz…

Domina claramente o queijo branco não-curado, feito de leite de ovelha, mais ou menos cremoso, cortado em blocos mais ou menos quadrados. Nos mercados não se encontra à venda queijo curado, mas as lojas que vendem queijo, e outros lacticínio têm também manteiga, exposta nas arcas frigorificas em grandes blocos facilmente identificados pela cor amarelada e pelas marcas de dedos que servem de “decoração”.

Queijo e manteiga. Tabriz
Queijo e manteiga. Tabriz
Queijo.Tabriz
Queijo.Tabriz
Dairy shopt at Tabriz Bazar
Dairy shopt at Tabriz Bazar
Butter
Butter. Tabriz
Queijo semelhante a um creme que acompanha a refeição. Masuleh
Queijo semelhante a um creme que acompanha a refeição, sendo aromatizado com uma pasta à base de especiarias, muito intensa e salgada que combina bem com o sabor neutro desta mistura entre queijo e manteiga. Masuleh

Doces

Encontram-se muitas pastelarias dedicadas ao fabrico e venda de doces, onde os bolos seguem a linha da pastelaria francesa mas numa versão menos sofisticada, com biscoitos e bolos recheados de creme. Em algumas zonas mais sofisticadas das grandes cidades é possível encontrar os doces tradicionais turcos como a baklava.

Contudo a doçaria iraniana tem muito mais para oferecer, com cada região associada a pelo menos um doce específico. Em Fuman o Koloocheh, um biscoito recheada com uma pasta açucarada, em Esfahan, o Fereni, um pudim de leite regado com calda de tâmaras, em Shiraz o Foloudeh uma espécie de noodles servidos gelados e regados com água-de-rosas, em Yazd, onde os doces têm forte tradição sobressai a versão iraniana da baklava, que aqui não tem as finas camadas de massa folhada sendo mais compacta e pesada massa recheada de amêndoa.

Kashan é famosa pela água-de-rosas e doces resultantes da sua utilização.

Por todo o lado, em lojas ou nos bazares, encontra-se halva, uma pasta mais ou menos macia, feita à base de farinha, manteiga ou óleo, e açúcar ou mel, aromatizada com especiarias como o cardamomo e a canela. Pode ser encontrada em blocos rectangulares onde é vendida ao peso, ou embalada. O tahini é também muito popular no Irão, onde a esta rica pasta à base de sésamo se pode misturar mel. Em Yazd encontra-se uma das melhores combinações: halva com tahini.

Koloocheh. Fuman
Koloocheh. Fuman
Fereni. Esfahan
Fereni. Esfahan
Foloodeh. Shiraz
Foloodeh. Shiraz
Baklava. Yazd
Baklava. Yazd
Pastelaria
Pastelaria. Tabriz
Pastelaria
Pastelaria. Esfahan

Steet-food

Definitivamente o Irão não é um país de street-food, sendo excepção os pouco vendedores ambulantes que circulam nos bazares e ocasionalmente nas ruas envolventes, com favas cozidas que depois são temperadas, ou outros vendendo batata-doce, beterraba e outros tubérculos cozinhados em calda de açúcar.

Em Tabriz um encontro feliz com uma espécie rústica do wrap, com o pão a ser recheado com batata assada, ovo cozido e salada, resultou numa refeição capaz de encher o estômago por algumas horas.

Nos mercados encontram-se por vezes vendedores de sumos de fruta feitos na hora; mas em pequenas lojas espalhadas pelas cidades, os chamados os juice bars, têm uma mais vasta oferta (maçã, laranja, romã, meloa, cenoura…) e são uma boa opção para repor energias e combater o calor, com uma bebida fresca.

Favas. Masuleh
Favas. Masuleh
Street-food. Tabriz
Street-food. Tabriz
wraps. Tabriz
wraps de batata assada, ovo cozido, tomate e uns vegetais. Tabriz
Juice bar. Tehran
Bebida refrescante e doce com sementes de chia, e sumo de meloa, muito popular nesta altura do ano. Tehran
Roots. Tehran
Vendedor ambulante numas das ruas do bazar de Tehran, com favas cozidas que nunca cheguei e experimentar, e beterraba cozinhada em calda de açucar e canela, que é servida quente a fumegar, deixando um cheiro adocicado no ar. Tehran

Fruta e Frutos secos

Em termos de fruta encontra-se um pouco de tudo, com o mês de Outubro a encher os mercados de apetitosas romãs e de deliciosas uvas. Mas ainda é possível encontrar melancias e deliciosas maçãs e pêssegos. Bananas também se encontram mas são provavelmente um dos pouco frutos tropicais que aqui se veem.

Sobressaem os frutos secos  com ameixas, alperces, figos, e outros cujo nome desconheço, encontrando-se em muitas variedades e apresentações (umas mais doces, outras mais ácidas, outras um pouco salgadas, etc…). Mas são as tâmaras que ocupam um lugar especial aqui no Irão, fazendo parte da alimentação diária, seja na confecção de pratos ou consumidos simples ao pequeno-almoço ou como snack durante o dia. As nozes, onde se incluem, nozes, amêndoas, cajus… e os pistácios que podem ser simples, tostados, salgados, picantes… em Outubro, talvez por ser a época, os pistácios estão à venda por todo o lado, encontrando-se ainda os chamados “frescos” com uma fina camada de pele que cobre a casca, sendo o miolo mais tenro e adocicado do que a versão seca a que estamos habituados a consumir.

Tabriz e Bandar Abbas, curiosamente a primeira e a ultima paragem neste itinerário no Irão, foram os locais onde encontrei uma maior variedade de frutos secos.

Tâmaras
Tâmaras
Dry-fruits
Dry-fruits
Dry-fruits
Dry-fruits and nuts
Pistacio
Pistacio. Tabriz
Romã
Romã. Bam

Ash-e reshteh e halim

O ash-e reshteh é uma das melhores recordações gastronómicas do Irão, dado que em termos de comida vegetariana não há muitas opções nos restaurantes. Uma sopa feita de vegetais, lentilhas, grão, feijão e noodles, cozinhada em gigantes panelas até todos os ingrediente estarem quase desfeitos (e isto inclui os noodles que nada têm de “al dent”), resultando numa sopa espessa e consistente. Esta sopa por si só constitui uma refeição substancial sendo por vezes acompanhada de pão. Conforme os locais pode ser adicionado no topo uma pitada de cebola frita, uma mistura de ervas em pasta oleosa, ou ainda regada com kashk, uma espécie de natas espessas e azedas. Excelente.

O halim (haleem) assemelha-se mais a uma papa, feita à base de trigo em grão, leite e carne (de borrego ou peru), que são levados ao lume por muito tempo até ficar em puré espesso; encontrando-se algumas versões com açafrão que lhe dá uma cor amarela. A carne é esmagada ficando reduzida a pequenos fios quase invisíveis. Pode ser servida simples ou com açúcar e canela sendo muitas vezes consumida ao pequeno-almoço…. uma espécie de porridge mas mais rico e calórico.

Geralmente as lojas que vendem o ash-e reshteh vendem também o halim, dedicando-se exclusivamente a preparar estes pratos, não tendo mais opções. Muitas destas lojas nem sequer têm espaço para refeições no seu interior, sendo somente para take-away.

ash-e reshteh. Masuleh
ash-e reshteh. Masuleh
Best ash-e reshteh. Kashan
O melhor ash-e reshteh. Kashan
Halim. Masuleh
Halim. Masuleh
Halim. Esfahan
Halim. Esfahan

Bam… as ruínas e as tâmaras

“Akbar english”… são as primeiras palavras que se ouvem quando somos abruptamente despejados do autocarro numa rotunda na interseção de largas avenidas. Assim sem saber onde estamos sentimos o irónico conforto de saber que os outros sabem para onde queremos ir.

Perante a insistência dos taxistas em me levar ao “Akbar”, que de facto era o poiso eleito em Bam, segui a minha intuição e decidi fazer o caminho a pé, sem orientação precisa, sem mapa, e com poucas hipóteses de comunicar em inglês. Depois de caminhar de rotunda em rotunda, solução que se revelou um erro, pois a distância e demasiado grande para ser feita com uma mochila de 14 quilos às costas, fui aconselhada por um habitante local a optar por um táxi.

Bam, anteriormente popular paragem para quem viagem para Zahedan com destino ao Paquistão, é famosa pelas tâmaras e pela Arg-e Bam, um dos principais atrações turísticas do Irão, juntamente com Persepolis, mas o sismo de 2003, que destruiu praticamente toda a cidade, matando mais de 25 mil pessoas, afectando seriamente a Arg-e Bam, castelo e cidadela construídos em adobe.

Apesar da cidade de Bam ter sido reconstruída, mostrando-se organizada e moderna mas com alguma falta de identidade, Arg-e Bam com mais de 2000 anos, e classificada como património mundial pela Unesco, foi irreversivelmente destruída e apesar dos esforços na sua reconstrução que ainda decorre, está longe de provocar a admiração e o impacto dos tempos antigos. Contudo vale a deslocação e a visita, pela vista sobre a cidade com os seus campos de palmeiras, cujo verde contrasta com a aridez do deserto que rodeia Bam, fazendo-nos lembras que estamos num oásis.

Destas extensas plantações de palmeiras resultam as deliciosas tâmaras que dão fama a Bam e à região de Kerman, tanto a nível nacional como internacional, com muita da produção a ser escoada para o estrangeiro. Posso afirmar que foram as melhores tâmaras de sempre, frescas, doces e macias, tendo que ser mantidas refrigeradas.

Bam
Bam

 

Bam
Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam vista do topo do castelo

 

Arg-e Bam
Arg-e Bam

Mas se Arg-e Bam impressiona apesar da destruição, o que mais marcou não foram patrimónios, edifícios, castelos… foi uma pessoa: o Akbar… “Akbar english” cujo cognome vem do facto de ter sido durante muitos anos professor de inglês, exprimindo-se fluentemente nesta língua e apresentando um curioso sotaque americano. Apesar das condições simples da guest house, ainda a ser reconstruída depois do sismo, a estadia em Bam ficou marcada pela hospitalidade do Akbar, pela suas história e pelas longas e interessantes conversas que podemos ter o privilégio de escutar, sentados nos degraus ao fim de tarde.

É de encontros como estes que nos relembram porque andamos a viajar…

Akbar english
Akbar english

 

Alojamento:

Akbar Tourist Guest House

Morada: Sayyeh Jamal od-Din Street

Contacto: 0913 246 0731

… mas basta perguntar pelo “Akbar english” e toda a gente conhece o local assim como o carismático proprietário que por si só é um bom motivo para ficar mais do que dois dias em Bam.

O preço é acordado com o proprietário em função do quarto, existindo quartos single, duplos, ou triplos, com casa-de-banho ou casa-de-banho partilhada. Mas seja qual for a escolha é uma opção económica.

Akbar Tourist Guest House. Bam
Akbar Tourist Guest House. Bam

 

Akbar Tourist Guest House. Bam
Akbar Tourist Guest House. Bam

Onde comer:

Como qualquer pequena cidade Bam onde as distâncias entre casa e trabalho não são longas levando a maioria dos habitantes a almoçar e jantar em casa, não oferece muitas opções.

Contudo muito próximo da Akbar Guest house existe um restaurante de fast-food, que serve um muito competente falafel (30.000 rials) para além de kebabs; como o local carece de atmosfera é preferível optar pelo take-away.

Para uma refeição um pouco “melhorada” existe um restaurante afastada pouco mais do 15 minutos a pé, que á primeira vista parece uma vulgar pizzaria com uma decoração ao estilo de restaurante urbano de fast-food, mas que se revelou uma surpresa, com um jardim nas traseiras, cheio de árvores, arbustos onde emana um doce aroma a jasmim; as mesas estão dispersas pelo jardim ou ao longo de um corredor, e a refeição é servida ao modo tradicional Iraniano, em carpetes assentes onde nos sentamos e nos podemos reclinar sobre almofadas.

Servem-se muito boas pizzas assim como também se pode encontrar comida tradicional iraniana, e apesar da apresentação do local uma refeição não fica em mais do que 60.000/70.000 rials. O nome e a localização perdeu-se no tempo, mas basta perguntar ao Akbar.

Transportes:

Os autocarros que fazem o percurso entre Kerman e Zahedan passam por Bam. Existem vários durante o dia, mas é difícil obter informações sobre horários. Contudo do terminal de Kerman, parte um autocarros pelas 14h, e que demora 3.5 horas até Bam.

  • Táxi desde a rotunda Arg Square, onde os autocarros fazem paragem, e onde táxis e shavaris (shared táxis) esperam por passageiros: 30.000 rials, e não demora mais do que 5 minutos, sendo possível de alcançar a pé, pois não são cerca de dois quilómetros.
  • Táxi para Arg-e Bam: 30.000 rials. Apesar de ser possível fazer esta distância a pé, pois a cidade é plana, o calor torna esta jornada pouco apetecível através de avenidas que poucos atractivos têm para além de uma sequência de lojas e oficinas.

Cambiar dinheiro:

Em Bam não existem lojas de câmbio, pelo que a única hipótese são os bancos que cobram comissão ou a guest house.

Arg-e Bam:

Ticket: 150.000 rials (não grátis como vem referido no guia turístico), mais 75.000 rials para entrar “ilegalmente “ no castelo, que se encontra encerrado para trabalhos de reconstrução.

Horário: 9 am to 5 pm (confirmar junto do Akbar)

A melhor altura para visitar Arg-e Bam é por volta das 4.30 da tarde, altura em que o sol fica menos forte e as temperaturas menos elevadas. A luz do fim do dia reflectida nas paredes ocres dos edifícios, muralhas e castelo, proporciona cores fantásticas e um ambiente mágico com o sol a desaparecer por detrás das montanhas, pois no Irão, mesmo nos planos e extensos desertos a monotonia da paisagem é sempre interrompida por colinas e montanhas.

O castelo encontra-se em reconstrução, pelo que não é possível de ser visitado… mas, é possível subir ao topo de Arg-e Bam para se apreciar a vista sobre a cidadela e sobre a cidade de Bam com os seus palmeirais. Aproximando-nos da entrada do castelo, bloqueada por tubos metálicos, há que tentar chamar a atenção do guarda de serviço, e pedir para entrar no castelo. A comunicação é baseada mais em gestos pois o inglês não tem utilidade aqui, e a resposta é negativa. Contudo insistindo um pouco ouvimos a palavra “money”. Acenando positivamente com a cabeça aceitamos o “negócio” e somos encaminhados ao topo do castelo pelo guarda, vestido de uniforme militar. Simples… mas a descida tem um pouco de aventura, com o guarda a avistar alguém e a fazer sinal para nos acocorar-mos por trás de um muro, onde esperámos a ter ordem de comando para avançar, em passo rápido para a saída. Sob sol e sob a tensão causada pela ilegalidade de toda esta situação, não foi possível deixar de achar piada por esta aventura em estilo militar, que custou 75.000 rials, valor que pode ser negociado.

Onde estão os gatos persas?!

Da Pérsia não vieram só os tapetes… também os gatos, famosos pelo seu longo pelo, olhar meigo e cauda farfalhuda.

Mas onde é que eles estão? Os famosos gatos persas?! Pelo seu preço elevado por certo só em casas de famílias abastadas, longe das ruas das cidades, dos bazares e dos mercados, por onde os gatos vadios se passeiam com relativa à vontade.

Estes gatos de rua, alimentados pelos habitantes mostram-se um pouco esquivos e desconfiados, sem perderem a natural a instintiva curiosidade comum a todos os gatos.

A maior concentração destes felinos urbanos foi no bazaar de Tabriz, onde num dos muitos caravancerais para além de se reunirem muito homens conversando ou simplesmente sentados à sombra proporcionadas pelas árvores, se passeiam muitos gatos vadios, com pleno à-vontade e confiança de quem domina o local. Pouco depois percebe-se o motivo de tal concentração de felinos, com a chegada de um homem carregando um saco com restos de carne, que destabiliza totalmente o ambiente calmo do pátio, com os gatos a disputarem a comida entre si. Desordem que dura pouco tempo com o caravancerai a voltar à pacata normalidade.

 

Tabriz
Tabriz

 

Gatos esperando pela chegada da comida. Tabriz Bazaar
Gatos esperando pela chegada da comida. Tabriz Bazaar

 

Tabriz Bazaar, onde restos de carne servem diariamente de alimento a dezenas de gatos de rua que se passeiam pelas redondezas de um dos caravansarais do Bazaar de Tabriz
Tabriz Bazaar, onde restos de carne servem diariamente de alimento a dezenas de gatos de rua que se passeiam pelas redondezas de um dos caravansarais do Bazaar de Tabriz

 

Tabriz Bazaar
Tabriz Bazaar

 

Tabriz Bazaar
Tabriz Bazaar

 

Tabriz Bazaar
Tabriz Bazaar

 

Masuleh
Masuleh

 

Yazd. Rooftop of Orient Hotel
Yazd. Rooftop of Orient Hotel

 

Fahraj at sunset
Fahraj at sunset

 

Tabriz Bazaar
Tabriz Bazaar
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

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