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Stepping Out Of Babylon

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Índia

Leh & Kashmir: mapa e itinerário

Itinerário:

  • New Delhi
  • Dharamsala: Mc Leod Ganj, Daramkot, Bhagsu e Triund (hiking)
  • Parvati Valley: Manikaran, Pulga, Khir Ganga
  • Manali and Old Manali
  • on the road… Manali-Leh Highway
  • Leh: Thikse Monastery and Shey Palace, Lamayuru Monastery and Pangong Lake
  • on the road… Leh-Srinagar Highway
  • Kashmir: Srinagar e o Floating Market
  • Amritsar e o Golden Temple

https://goo.gl/maps/z6Ax7RwiFGS2

Screen Shot 2018-12-23 at 13.42.41

Ver também:

  • Amristar
  • Comida na India
  • Viajar de comboio na India

Gujarat e o Desert do Thar: mapa e itinerário

Itinerário:

 
  • Jaisalmer
  • Khuri e Thar Desert
  • Udaipur
  • Bhuj
  • Rann of Kutch e Kutch region
  • Than Monastery
  • Mandvi
  • Junagarth
  • Ahmedabad
  • Diu
https://goo.gl/maps/H8omHfuj9As

 

Screen Shot 2018-12-23 at 13.05.52

 

Ver também:

https://steppingoutofbabylon.com/wp/pt/2014/12/gastronomia-do-gujarat
https://steppingoutofbabylon.com/wp/pt/2013/09/notas-da-india-4

A comida no Nordeste da Índia… para vegetarianos!

Para um vegetariano qualquer refeição nos estados indianos do Nordeste (Northeast States) reveste-se de uma tremenda desilusão, capaz mesmo de tirar o apetite. Com excepção do estado de Assam, cuja população é maioritariamente hindu, o consumo de carne é uma presença constante nos estados de Nagaland e de Meghalaya, onde domina o cristianismo.

Por isso este texto é somente uma pálida amostra da gastronomia destes três estados, mas serve de guia a quem opta por não comer carne nem peixe e ande em viagem por estes remotos lugares.

Nos estados de Nagaland e de Meghalaya nota-se uma clara influência da cozinha asiática, surgindo frequentemente os noodles e o chow ming, ao passo que em Assam é clara a influência da cozinha indiana, mais concretamente do região do Punjab, mas onde os mais de 2300 quilómetros fizeram esbater a intensidade dos sabores e reduziram a variedade de ingredientes.

puri stall at Mon village. An almost mandatory stop before a shared-taxi trip in Nagaland.
quiosque de venda de “puris”… uma paragem quase obrigatória antes de iniciar uma viagem de jeep pelas montanhas de Nagaland.

Assam e as parathas

Em Assam é possível e até fácil de encontrar nas grandes cidades os clássicos da cozinha indiana, como o dal e os vários caris de legumes e leguminosas, como o grão, ervilhas, couve-flor, batata, etc… sendo muito fácil encontrar chamussas (samosas) e puris. Sendo um estado atravessado pelo gigantesco Rio Brahmaputra, que alaga as planícies por onde passa, faz com que o arroz seja indispensável em qualquer refeição em Assam.

O que sobressaiu em Assam foram as paratas (ou parathas) que apesar de não serem um exclusivo local apresentam-se aqui diferentes: são mais espessas e mais oleosas, de aspecto pálido e pouco tostado, resultando numa massa compacta e mal cozida. As parathas podem ser recheadas com batata, ou mais frequentemente simples, servindo de acompanhamento a caris simples, geralmente de batata e ervilhas-amarelas, encontrando-se frequentemente em bancas de rua, sendo a mais popular street-food em Assam.

O thali, uma refeição à base de arroz, dal (sopa de lentilhas) e caril de legumes, em Assam mostrou-se diferente, com um dal muito líquido, um caril com pouco gosto e por cima do arroz um pedaço de couve cozida… assim, mesmo, só cozida sem tempero. Enche a barriga mas não deixa saudades.

The parathas can be found in most of the restaurants and dhabas but are often available in street stalls, being a popular street food in Assam.
As “parathas” podem ser encontrada em quase todos os restaurantes e dhabas (restaurantes de beira-de-estrada) sendo também comuns nos quiosques de rua, constituindo uma refeição popular em Assam.

These parathas can be stuffed with potato masala, or more often plain, served with simple curries, usually made from potatoes and yellow-peas.
As parathas podem ser recheadas com batata, ou mais frequentemente simples, servindo de acompanhamento a caris simples, geralmente de batata e ervilhas-amarelas

The classic Indian thali, a meal based on rice, dal and vegetables, is also a bit different in Assam, with a very watery dal, a tasteless curry and over the rice a piece of steamed cabbage. .. yes, just a plain steamed cabbage without any seasoning. Very healthy, fills the stomach but don't leave a good memory.
O thali , uma refeição à base de arroz, dal (sopa de lentilhas) e caril de legumes, em Assam mostrou-se diferente, com um dal muito líquido, um caril com pouco gosto e por cima do arroz um pedaço de couve cozida… assim, mesmo, só cozida sem tempero

Nagaland e os puris

Se em Assam a gastronomia se mostrou sem inspiração, em Nagaland cada refeição foi um desafio para um vegetariano em viagem. Em zona de montanhas domina a carne, que se vê à venda em todas as povoações, e que ocupa grande parte dos mercados das cidades de Nagaland.

Nas pequenas povoações, encontra-se à entrada uma zona onde se concentram animais esperando para ser abatidos, enquanto ao lado são expostas as peças de carne já desmanchada e pronta para vender, a quem passa na estrada seja a quem chega de mota ou de carro, ou quem sai de um autocarro que faz uma paragem para recolha de passageiros. Nas cidades, o abate de animais encontra-se nos mercados, onde aves esperam em gaiolas para serem vendidas e abatidas. Pelo ar espalha-se um cheiro a dejetos e a sangue, que deixa pequenas poças no chão à medida que a água da chuva se vai infiltrando pelo chão do mercado.

Nas cidade de Nagaland é possível encontrar algumas opções vegetarianos, como o chamado rice, um prato à base de arroz, dal e vegetais, ou uns noodles, em sopa ou salteados. Mas nas povoações mais pequenas como Mon ou nas outras sem nome que serviram de paragem a uma longa viagem de autocarro, as opções são poucas, para além de arroz e algum legumes cozidos, cujo sabor é dado pelos gordurosas e pesados guisados de carne.

Uma opção presente um pouco por todo o lado são os puris, um pedaço de pão espalmado, frito em óleo e acompanha um caril de batata e ervilhas-amarelas, servidas numa pequena taça. Os puris são excessivamente oleosos, aqui mais do que o normal, ensopando o papel de jornal onde são servidos, e o caril é picante mas pouco espesso. Resulta numa refeição altamente calórica mas pouco nutritiva, contudo é bastante popular entre a população local, tendo servido várias vezes de refeição nos dias que passei em Mon, Kohima e Mokochung.

An option that can be found a bit everywhere, and along the day, are the puris, a small flatbread, fried in oil and served with a potato and a small bowl of yellow-peas curry.
Uma opção presente um pouco por todo o lado são os puris, um pedaço de pão espalmado, frito em óleo e acompanha um caril de batata e ervilhas-amarelas, servidas numa pequena taça.

But in the small villages or in more remote areas as Mon, there is not much more to eat than rice and some boiled greens, seasoned with a fermented and spicy vegetables.
Nas povoações mais pequenas como Mon ou nas outras sem nome que serviram de paragem a uma longa viagem de autocarro, as opções são poucas, para além de arroz e algum legumes cozidos

Meghalaya e as influência da Ásia

Apesar de proximidade com o Bangladesh, o estado de Meghalaya apresenta forte influência da cozinha asiática com os noodles servidos tanto em sopas como salteados. Do Tibete vieram os momos, um pequeno pastel recheado de carne ou de vegetais. Shillong, a capital deste estado é bastante moderna e cosmopolita e por isso é fácil encontrar restaurantes das cadeias internacionais de fast-food, mas pelo elevado número de turistas indianos, existe uma grande oferta de restaurantes com os clássicos pratos indianos.

From Tibet came the momos, a small bun stuffed with meat or vegetables.
Do Tibete vêm os momos, um pastel recheado com carne ou legumes e cozinhado ao vapor

Despite the proximity to Bangladesh, the state of Meghalaya is visible the influence from the Asian cuisine by the noodles (rice flour pasta) served in soups or stir-fry.
Apesar de proximidade com o Bangladesh, o estado de Meghalaya apresenta forte influência da cozinha asiática com os noodles servidos tanto em sopas como salteados

Um pequeno-almoço no Nordeste da Índia

Como é uma zona com pouco turismo internacional, são pouco frequentes os locais que servem o chamado “pequeno-almoço continental” nem tão pouco se encontram cafés, padarias ou pastelarias.

Mas o pequeno-almoço não constitui um problema, pois as opções locais revelam-se quase sempre uma boa escolha, mas no Nordeste da Índia esta opções revelou-se desanimadora.

Em Assam foi uma paratha, servida com caril de batata e acompanhada de uma geleia doce. Em Meghalaya, na vila de Sohra, a única opção disponível sem carne foi um prato de arroz com caril de grão e um molho verde de menta com malagueta… por acaso uma combinação simples mas saborosa. Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa. Em Mon, antes de iniciar uma viagem de 8 horas de taxi partilhado, houve oportunidade de provar um pequeno-almoço muito popular entre a população local, massa frita acompanhada de caril de batata… um começo de dia bastante oleoso!

But breakfast usually is not a problem, as the local options reveal almost always a good choice, but in Northeast India this option proved daunting. At Assam was a paratha, served with potato curry and accompanied by a jam
Em Assam foi uma paratha, servida com caril de batata e acompanhada de uma geleia doce.

At Meghalaya, in the village of Sohra, the only option available, without meat, was a plate of rice with chickpeas and mint sauce with chili... by chance a simple but tasty combination.
Em Meghalaya, na vila de Sohra, a única opção disponível sem carne foi um prato de arroz com caril de grão e um molho verde de menta com malagueta… por acaso uma combinação simples mas saborosa.

Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa
Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa

At Mon, before starting a journey of 8 hours by sumo (shared taxi), there was an opportunity to taste a very popular breakfast among the local population, deep-fried dough served with a potato curry ... a very oily option to start the day!
Em Mon, antes de iniciar uma viagem de 8 horas de Jeep, houve oportunidade de provar um pequeno-almoço muito popular entre a população local, massa frita acompanhada de caril de batata… um começo de dia bastante oleoso!

Doces

Os únicos doces testados nesta viagem pelo Nordeste da Índia foram em Assam, onde se apresentam com diversos formatos, mas todos obedecendo à mesma receita: uma espécie de massa folhada, frita e regada com uma espessa calda de açúcar que depois de fria fica sólida. Desta calda resulta uma côr amarelo-torrado um aspecto brilhante e apelativo, mas de sabor monotonamente doce a açúcar. Pesados em enjoativos!

in Assam, where beyond the classic Indian sweets, there was something new for me: a kind of puff dough, deep-fried and drizzled with a thick sugar syrup that after cool down become solid. This syrup results in a yellow-brown color with a bright and appealing look, sold in different shapes, but with a monotonous and boring taste of sugar
Em Assam, surge um novo doce que se apresenta com diversos formatos, mas todos obedecendo à mesma receita: massa frita regada com uma espessa calda de açúcar que depois de fria fica sólida

Mercados

Os mercados são sempre um local que desperta os sentidos, aguça a curiosidade e estimula a imaginação para tentar identificar os produtos vendidos e a sua utilidade na gastronomia de cada região.

E em termos de mercados Nagaland revelou o maior exotismo, sobressaindo o Mao Market, na cidade de Kohima, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia deste estado, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia.

Quanto aos vegetais, encontra-se nos mercados uma mistura de produtos tropicais, como a flor de bananeira, e os que vêm das montanhas como os cogumelos e o bambu; pelo meio encontra-se uma grande variedade de vegetais, muitos dos quais totalmente desconhecidos dos paladares europeus.

Banana trunk in Kohima Market. Nagaland
Tronco de banana trunk no Mercado de Kohima. Nagaland

Regarding vegetables, these markets show a mix of tropical and mountain products. Kohima Market. Nagaland
No que se refer a veetais, estes merados apresentam uma mistura de produtos tropicais e das montanhas. Kohima Market. Nagaland

Dried fish and eels at Mao Market. Kohima. Nagaland
Peixe e enguias secas no Mao Market. Kohima. Nagaland

worms sold at Mao Market, in Kohima. Nagaland
Lavas à venda no Mao Market, em Kohima. Nagaland

nagaland_mokochung_market_dsc_8718
Vegetais num dos muitos mercado de Kohima. Nagaland.

Kohima, in Nagaland, definitely stood out by the markets, where the exotic and diverse food supply reflects the originality of Nagaland cuisine that includes a lot of meat, eggs, dried fish, eels, snails, worms, mice, frogs... and wasp larvae, still sold in the hive.
Em Kohima, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia deste estado, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia.

***

Em resumo, pode-se considerar que a experiência gastronómica proporcionada na visita aos estados mais a nordeste da Índia não deixaram saudades, tendo ficado na memória uma comida monótona e pouco apetitosa, onde a presença de batata foi presença constante ao longo dos 22 dias de viagem… mas claro que esta é um ponto de vista de um vegetariano que não pode fazer justiça à vasta cozinha de uma região tão extensa.

Os mastigadores de “paan”

"paan" chewer in the streets of Guwahati, Assam, India
preparando o tabaco de mascar numa das ruas da cidade de Guwahati, Assam, India

 

Da intensa experiência que foi viajar nos estados do Nordeste da Índia, uma coisa houve que ficou marcada vivamente na memória dos sentidos: o paan… o cheiro, a côr, os gestos, o som do cuspir e o rasto vermelho deixado pelo chão.

Mas o que é o paan!?! Basicamente paan é noz de areca (areca nut), cujo aspecto se assemelha à noz-moscada, cortada em pequenos pedaços, e envolvida em folha de bétel, uma trepadeira de folha verde que tem efeitos estimulantes. A esta mistura junta-se muitas vezes tabaco (de mascar) e cal (hidróxido de cálcio)… sim, a mesma cal como a que se usa para revestir paredes.

A noz de areca, assemelha-se muito à noz-moscada, tanto no tamanho como no aspecto do fruto, mas em vez de nascer de uma árvore é o fruto de uma palmeira, cujas nozes crescem em cachos no topo de um fino e alto tronco.

Areca nut still with the skin of the fruit
Fruto da árvore de Areca, uma espécie de palmeira, ainda com o fruto que envolve a noz. ao lado encontram-se as folhas de bétel indespensáveis à preparação do paan. Mokochung, Nagaland. India

Betel Leaf sold in markets (folha de Betel à venda nos mercados)
Folha de Bétel que se encontra à venda nos mercados de vários países asiáticos. Bruma (Myanmar)

Areca nut without skin
Noz de Areca à venda num mercado da Birmânia, já seca e sem o fruto, e cujo aspecto em muito se assemelha à noz-moscada, usada na culinária. Burma (Myanmar)

Areca nut tree. Megahlaya. India
Palmeira de Areca, cujo fruto cresce no topo de um fino e alto tronco. Megahlaya. India

A folha de bétel é cuidadosamente dobrada em forma de um pequeno rectângulo, conservado a noz de areca, e colocada na boca, sendo ligeiramente mastigada de forma a libertar lentamente os sucos, que aos poucos vão dando uma coloração avermelhada à saliva, que se estende aos cantos da boca e aos lábios. Ao fim de alguns anos de utilização, resulta não só os dentes deteriorados e manchados de vermelho, como também uma certa adição, devido às propriedade da folha de bétel. Misturada com tabaco, aumentam ainda mais os efeitos cancerígenos da noz de areca.

paan street stall. Burma
banca de rua de preparação e vend de “paan”, onde estão disponíveis diversas variedades de tabaco . Burma (Myanmar)

"paan" before being fold in the betel leaf. "paan" uma mistura de nós de areca, cal e tabaco de mascar, enbrulhada numa folha de betel)
“paan” uma mistura de nós de areca, cal e tabaco de mascar, embrulhada numa folha de betel

O paan produz uma forte salivação, o que faz com que os seus consumidores tenham necessidade frequente de cuspir, o que é muitas das vezes feito de forma aparatosa, num jacto de saliva avermelhada, que deixa um rasto pelas ruas, passeios e até paredes!

Sendo bastante popular na Índia, o hábito de consumir paan encontra-se espalhado um pouco por todos os países asiáticos, como o India, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka e Birmânia, sendo este ultimo o país onde a presença de paan é uma constante, desde mulheres a crianças.

Mas a passagem por alguns dos estados do Nordeste da Índia, Assam, Nagaland e Meghalaya deixou uma marca mais forte deste fenómeno. Aqui, talvez mais do que em qualquer outra das regiões da Índia a noz de areca é “rainha”, sendo mesmo mastigada sem a folha de bétel ou outros ingredientes.

Sendo predominantemente um hábito masculino, comum entre a população mais pobre, é uma imagem de marca entre motoristas de autocarros e condutores de tuk-tuks; mas no Nordeste da Índia o paan é também bastante popular entre as mulheres, sendo o seu consumo transversal às várias camadas sociais, não sendo de estranhar encontrar um pastor na ilha de Majuli a cuspir o paan ou a recepcionista de um hotel em Mokokchung com os cantos da boca marcados pelo vermelho da noz de areca.

O consumo de tabaco de mascar é também bastante popular, sendo misturado com cal, de forma a humedecer as folhas formando uma pasta que se coloca junto à gengiva. A preparação do tabaco, esfregando a mistura na palma da mão com os dedos, que depois é ligeiramente batida para ficar espalmada, são um dos gestos que se vêm constantemente… nas cidades ou nas vilas, nas ruas ou nas lojas, em autocarros e comboios…

Apesar do acto de mascar tabaco ser desagradável, pois produz também a necessidade frequente de cuspir, o paan, com o seu cheiro adocicado criou ao fim de três semanas de viagem pelo Nordeste da Índia, uma certa repugnância pela combinação do som com o jacto de saliva vermelha libertado pelos mastigadores de paan, que não se esforçam por ser discretos ou delicados, fazendo do acto de cuspir uma arte, onde por certo a trajetória e distância do rasto vermelho deixado no chão é motivo de orgulho.

E um pouco por todo o lado, vêm-se sempre marcas brancas deixadas pela cal que colada aos dedos, é que depois são esfregando em ombreiras das portas, junto à lojas de paan, ou nos bancos dos autocarros e comboios…

paan shop, that are small stall where the paan is prepared and sold, usually in pack of six. Mokokchung, Nagaland. India
paan shop, pequena loja ou quiosque que vende o “paan” preparado e que é geralemnte vendido em pacotes de seis unidades. Mokokchung, Nagaland. India

marks left by the fingers with lime that is used to mix with the tobacco and the areca nut (marcas deixadas pela cal usada para misturar o tabaco de mascar com o noz de areca).
marcas pelos dedos sujos da cal usada para misturar o tabaco de mascar com o noz de areca. Nagaland. India.

E o cheiro deixou também uma forte marca na minha memória, com quartos de hotel a cheirarem a paan, e com viagens longas de autocarro ou the sumo, a serem feitas na companhia de activos mastigadores de paan, cujo cheiro adocicado impregna o espaço, e a cruzam regularmente o meu campo de visão para cuspirem pela janela.

Uma negativa mas forte memória que criou em mim uma repugnância ao paan, ao qual os meus sentidos não conseguem ficar indiferentes.

tuk-tuk driver spiting the paan, leaving a red trace on the streets (condutor de tuk-tuk
condutor de tuk-tuk junto às marcas deixadas no pavimento pela saliva tingida pelo vermelho deixado pela noz de areca… uma imagem sempre presente em muitas cidades da India, Sri Lanka e Birmânia

Viajar em “unreserved” num comboio indiano… de Kohima para Guwahati

Podem dizer que sim, que há lugares reservados no comboio; podem até vender bilhetes onde o numero da carruagem e o nosso lugar estão claramente assinalados… mas não! Não! No comboio das 12.31h (numero 05968, Dibrugarh – Rangiya Special), de Dimapur para Guwahati, não há lugares reservados. É um comboio “unreserved”. Ou seja: é uma luta corpo-a-corpo para conseguir entrar numa das já cheias carruagens, onde bagagem, cotovelos e joelhos são as armas para esta “guerra”.

Train trip Dimapur-Guwahati in unreserved coach
Train trip Dimapur-Guwahati in unreserved coach

Apesar desta viagem entre Dimapur e Guwahati ter coincidido com as eleições regionais do estado de Assam, onde parte das carruagens estavam reservadas para o exército, o que diminui o numero de lugares, o facto de não haver lugares reservados parece fazer parte da normalidade deste serviço. Tanto funcionários como passageiros sabem disto. Eu fui até gentilmente advertida, por um dos funcionários da estação, com as simples palavras “you need to rush to the train”… coisa que achei estranha pois ainda faltam mais de 2 horas… “rush” ?!?!… para quê, pensei eu… mas esta foi uma forma delicada de dizer “fight”!!!

Depois de conseguir entrar no comboio e de, com a ajuda de um prestável passageiro, conseguir arranjar espaço para a mochila, seguiu-se uma árdua jornada de mais de cinco horas e meia, num comboio superlotado, em que as hipóteses de arranjar um lugar sentado eram poucas.

Como se tudo isto não fosse já demasiado penoso, junta-se o clima das planícies de Assam que em Abril é quente e seco, e onde cada paragem do comboio, faz estagnar o ar dentro das carruagens, tornando-as numa espécie de forno, onde os passageiros esperam pacientemente que o comboio arranque de novo e faça entrar ar fresco pelas janelas. Lentamente uma fina camada de pó cola-se discretamente à pele com a ajuda do suor que aos poucos vai deixando as marcas na roupa e um brilho no rosto.

Com sorte, na parte final da viagem lá consegui partilhar um banco de dois lugares com mais outros dois passageiros… e com um pouco de boa vontade lá se arranjou também um pouco de espaço para encaixar uma criança… o que vale é que a maior parte dos passageiros são magros, e a partilha das adversidades fortalece o sentimento de entreajuda.

Pelo meio do corredor do comboio, totalmente atulhado de pessoas e bagagem, vendedores de comida insistem persistentemente em circular por entre os passageiros carregando comida e bebidas: samosas, água, biscoitos, lassi, gelados, amendoins e o refrescante pepino cortado à fatias e condimentado com chilli. É um vai-e-vem incessante de vendedores, apregoando sonoramente os seus produtos, abrindo passagem à força de empurrões e pisadelas, por entre os passageiros que viajam de pé, criando uma constante agitação e não deixando oportunidade para ter algum conforto nesta penosa jornada.

Pela janela chegam imagens de planícies verdes de plantações de arroz e outras de campos secos à espera de chuva, onde a intensidade da luz convida a fechar os olhos.

Dimapur
Dimapur

Como ir de Kohima para Dimapur:

Do terminal de bus de Kohima, comodamente situada no centro da cidade, partem autocarros da companhia estatal, a NST (Nagaland State Transport).

Estranhamente não existe um horário definido para o inicio da viagem, e segundo informações da bilheteira, o autocarro para Dimapur somente inicia o percurso quando estiver cheio. Por isso é necessário comprar o bilhete e esperar. Contudo convém chegar pelas 7 a.m. Apesar de não estar totalmente cheio, a viagem começou, por volta das 7.20 a.m, com cerca de 2/3 dos passageiros. Os autocarros da NST encontram-se em muito mau estado, sujos e com os alguns dos bancos partidos, em especial os que fazem os percursos mais curtos, como é o caso de Kohima-Dimapur.

  • Bus de Kohima para Dimapur: 120 rupias (3 horas)

Mesmo junto ao terminal de autocarros encontra-se uma paragem de táxis facilmente identificável pela concentração de veículos de cor amarela. A viagem em shared-taxi custa 220 rupias e demora 2.5 horas. Os táxis não têm horário fixo e partem assim que estão cheios (o que de manhã não demora muito), funcionando desde as 6 da manhã até ao fim do dia.

A estrada entre Kohima e Dimapur é essencialmente de montanhas, com o ultimo terço do percurso já a ser feito nas planícies de Assam. A estrada tem boas condições de pavimento mas tem troços em obras e outros em muito mau estado o que torna a viagem cansativa, cheia de solavancos.

inside of a NST bus_Nagaland State Transport
inside of a NST bus_Nagaland State Transport

Como ir de Dimapur para Guwahati:

De facto para quem quer poupar dormir uma noite na desinteressante cidade de Dimapur, e pretende seguir directamente de Kohima para Guwahati, não existem opções muito interessantes.

Segundo os horário da Indian Railways o comboio 05968, apesar de não ter carruagens com ar-condicionado ou “sleeper class, tem lugares em 2ª classe. Assim são vendidos bilhetes nas agências de viagem em Kohima, com o número do assento e da carruagem, inscritos claramente num bilhete emitido electronicamente e impresso em papel, que nos é fornecido por estes intermediários, a trabalhar aparentemente de forma honesta, usado o serviço de venda de bilhetes da Indian Railways. Mas quando o comboio chega à estação constata-se que a carruagem para a qual temos o bilhete não existe, e o que vemos é toda a gente a correr para as entradas dos comboios, inviabilizando por vezes a saída dos outros passageiros, para conseguir entrar, carregando bagagem e crianças ao colo.

O autocarro não é um alternativa atractiva para fazer os 250 km que separam as duas cidades, e provavelmente iniciam o percurso de manhã cedo.

Existem mais comboios a fazer este percurso, que partem depois da 16 p.m. mas chegam a Guwahati perto das 10 p.m. o que pode ser pouco agradável para arranjar alojamento, em especial para quem chega a Guwahati pela primeira vez e tem um orçamento limitado.

Nem todos os comboios funcional diariamente.

Mais informação sobre comboios em:

http://indiarailinfo.com/search/685/0/546?date=0&dd=0&ad=0&co=0&tt=0&ed=0&dp=&ea=0&ap=&loco=&drev=0&arev=0&trev=0&rake=&rsa=0&idf=0&idt=0&dhf=0&dmf=0&dht=0&dmt=0&ahf=0&amf=0&aht=0&amt=0&nhf=-1&nht=-1&ttf=0&ttt=0&dstf=0&dstt=0&spdf=0&spdt=0&zone=0&pantry=0&stptype=undefined&raketype=0&cu=undefined&trn=0&q=

Dimapur: NST bus terminal
Dimapur: NST bus terminal

Dimapur:

  • Em Dimapur estação de comboios fica localizada muito próximo do terminal de bus da NST, a menos de 2 minutos a pé;
  • Na estação de comboios existe luggage room, onde é possível deixar a bagagem enquanto se espera pelo comboio. O processo é burocrático e implica apresentação de passaporte e o preenchimento detalhado de um recibo por parte do funcionário. A luggage room fica no mesmo local da parcell office. É obrigatório ter um cadeado, mesmo que seja uma mochila com vários compartimentos e fechos… mas basta um cadeado, a título simbólico! 20 rupias por dia, por bagagem.
  • A estação de Comboios de Dimapur tem também uma Retiring Room, que funciona como alojamento para portadores de bilhete. Desconheço as condições mas pode ser que seja útil a quem chega “fora-de-horas“ e não pretende perder tempo a procurar alojamento em Dimapur.

 

Dimapur: Train station Retiring room fees
Dimapur: Train station Retiring room fees

Dimapur: Train Station: luggage Room
Dimapur: Train Station: luggage Room

  • Para uma refeição rápida recomendo o restaurante situado do lado direito da entrada principal da Estação de Comboios de Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab… para quem tem saudades da tradicional comida indiana, o dal com chapatti foi delicioso. Para além da comida é um local com condições para relaxar durante uma ou duas horas.
  • Caso se queira um pouco mais de conforto, no extremo norte do cais de passageiros da Estação de Comboios de Dimapur (para quem entra, do lado direito), encontra-se um restaurante da Indian Railways com ar-condicionado.

Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab, em frente à estação de comboios... para quem tem saudades da tradicional comida indiana
Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab, em frente à estação de comboios… para quem tem saudades da tradicional comida indiana

Kohima e o exotismo dos mercados

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Definitivamente Kohima sobressaiu pelos mercados, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia de Nagaland, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia. Aqui também se podem encontrar os famosos Naga Chilli, consideradas as malaguetas mais picantes do mundo

Quanto aos vegetais, encontra-se nos mercados uma mistura de produtos tropicais, como a flor de bananeira, e os que vêm das montanhas como os cogumelos e o bambu; pelo meio encontra-se uma grande variedade de vegetais, muitos dos quais totalmente desconhecidos dos paladares europeus, e que tão pouco se encontram por outras zonas da Índia.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Kohima é a capital de Nagaland, e como é costume neste estado do Nordeste da Índia, todas as cidades localizam-se em zonas de montanha, preferencialmente no cume, estendendo-se pelas encostas ao longo de estradas, numa malha sinuosa e íngreme, que pouco convida a caminhadas. Uma chuva esporádica e um céu cinzento constante pintaram de cores escuras esta cidade de betão e telhados metálicos que poucos atractivos apresenta. Contudo esta cidade pode ser um bom ponto de partida para conhecer a cultura das tribos de Nagaland, e torna-se bastante popular em termos de turismo durante o festival Hornbill que serve de mostra da cultura local.

Como qualquer viagem em Nagaland implica um elevado nível de esforço, mental e físico, pelo desconforto e pela duração das viagens, Kohima apresentou-se como ponto de paragem quase obrigatório no itinerário entre Mon-Mokokchung-Guwahati.

Kohima
Kohima

Kohima
Kohima

Sendo escassos os motivos de interesse, onde evitei sem esforço o popular War Cemetery e o State Museum of Kohima, o que sobressaiu foram os mercados, em especial o Mao Market… aparentemente não há qualquer relação entre este local e o líder do Partido Comunista Chinês. Neste mercado, situado num pequeno edifício de betão vendem-se produtos alimentares usados na cozinha de Nagaland, mas que não são tão frequentes de encontrar nas lojas do cidade, como os vermes e as rãs que aqui são vendidos vivos… e em intensa actividade para escaparem dos recipientes onde são mantidos cativos.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Market. Kohima
Market. Kohima

Market. Kohima
Market. Kohima

Mas perto deste pequeno mercado estende-se um outro mercado… ou melhor outros mercados, numa sequência de edifícios construídos em madeira cobertos de chapa metálica ondulada, onde por estreitos e labirínticos corredores e escadas se passa da zona de venda de roupa, para a zona de alimentos, sendo fácil perder o sentido de orientação, obrigando a alguma persistência para encontrar uma saída… onde nada garante que seja o mesmo local de entrada!

Market. Kohima
Market. Kohima

Mas neste mercado, descendo para zonas mais escuras e menos movimentadas somos surpreendidos por um cheiro pesado e repugnante, numa mistura de sangue e dejectos. É a zona onde se vendem e abatem animais, e onde galinhas e patos aguardam pela sua vez, sob a luz amarelada das fracas lâmpadas que iluminam o local, onde se sente o pesado cheiro a morte.

Market. Kohima
Market. Kohima

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Como chegar ao Mao Market:

Junto ao cruzamento da Midland Colony, existe uma paragem onde passam os autocarros que passam junto ao Mao Market, perto do Sokhriezie Junction, na Kohima-Imphal Road. Mas basta perguntar ao cobrador de bilhetes do autocarro que toda a gente conhece o local; a viagem custa 10 rupias, e demora cerca de 15 minutos.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Onde dormir em Kohima:

Fugindo ao ambiente anónimo e aos desérticos e sinistros hotéis, Kohima surpreendeu com o Morung Lodge, uma descoberta casual quando andava em busca do Hotel Pine, em Midland Colony. Morung Lodge é uma verdadeira guest house, onde se sente o ambiente familiar e o conforto proporcionado por um ambiente com personalidade.

Morung Lodge

Address: Midland Colony (logo a seguir ao Hotel Pine).

Contacts: 985 634 3037 (Nino) ou 841 481 4214 (Amen)

Email: nino@explorenagaland.com

Wi-fi: 100 rupes/day

Veg dinner: 200 rupes

Morung Lodge. Kohima
Morung Lodge. Kohima

Morung Lodge Contacts. Kohima
Morung Lodge Contacts. Kohima

Onde comer em Kohima:

Sendo a gastronomia de Nagaland fortemente dominada pela carne, as refeições ficaram-se mais pelo monótono arroz com caril (localmente denominado de rice) ou por um Chow Mein, lembrando-nos quão perto estamos da Ásia.

Em Kohima é uma boa oportunidade de experimentar a comida de Nagaland (Naga food) existindo alguns restaurantes especializados, mas onde é impossível encontrar comida vegetariana… quanto muito um chow mein!

Apesar da forte influência da cultura gastronómica asiática, é possível encontrar um pouco por todo o lado os snacks indianos, como os puris e as samosas. Em Midland Colony, na Kohima-Mokokchung Road, muito perto do Morung Lodge, o Hotel Taste serve desde as 6 a.m. deliciosas samosas (chamuças) que podem ser acompanhadas com chai (chá com leite) cujo sabor adocicado não combina bem para o meu paladar, mas que é uma escolha popular entre a população local como primeira refeição do dia.

Também na mesma zona, junto ao cruzamento principal da Midland Colony (perto da Ao Baptist Church) encontram-se alguns restaurantes que servem um razoável rice (arroz com caril de vegetais e dal) por 80 rupias.

Transportes em Kohima:

A cidade de Kohima, mostra-se pouco convidativa a caminhadas a pé, pois este centro urbano estende-se por uma grande área, ao longo de estradas de intenso tráfego e onde não existem propriamente infraestruturas para peões.

Para distâncias mais longas, existem autocarros urbanos que percorrem a cidade, os City Bus. Uma viagem custa cerca de 10 rupias.

Kohima
Kohima

Como ir de Kohima para Dimapur:

Do terminal de autocarros da NST partem por volta das 7 a.m., um autocarro para Dimapur; mas o horário de partida não é certo, e o autocarro só inicia o percurso quando está cheio, de acordo com informações da bilheteira. Contudo nesta viagem começou com cerca de 2/3 dos passageiros por volta das 7.20 a.m. Os autocarros da NST (Nagaland State Transport) encontram-se em muito mau estado, sujos e com os alguns dos bancos partidos, em especial os que fazem os percursos mais curtos, como é o caso de Kohima-Dimapur.

  • Bus de Kohima para Dimapur: 120 rupias (3 horas)

Mesmo junto ao terminal de autocarros encontra-se uma paragem e táxis facilmente identificável pela concentração de veículos de cor amarela. A viagem em shared-taxi custa 220 rupias e demora 2.5 horas. Os táxis não têm horário fixo e partem assim que estão cheios (o que de manhã não demora muito), funcionando desde as 6 da manhã até ao fim do dia.

A estrada entre Kohima e Dimapur é essencialmente de montanhas, com o ultimo terço do percurso já a ser feito nas planícies de Assam. A estrada tem boas condições de pavimento mas tem troços em obras e outros em muito mau estado o que torna a viagem cansativa, cheia de solavancos.

NTC bus schedule from Kohima
NTC bus schedule from Kohima

Mokokchung… e o aborrecido Domingo!

De Mokokchung podemos resumir que é uma cidade banal e aborrecida. Mas ao mesmo tempo tem tudo para ser agradável: organizada, limpa, calma e com uma localização que oferecem uma vista ampla para as montanhas cobertas de verde que rodeiam esta cidade que constitui o centro da cultura da tribo Ao, um dos vários grupos étnicos que constituí o estado de Nagaland, no Nordeste da Índia.

Mokokchung
Mokokchung

Tendo começado o itinerário em Nagaland pelo norte do estado, pela cidade Mon, Mokokchung surgiu no mapa como um ponto de paragem intermédio na viagem até Kohima, cujas características montanhosas obrigam sempre a longas viagens. Mas para minha surpresa, não existe nenhuma estrada transitável a ligar Mon a Mokokchung dentro do estado de Nagaland, sendo necessário descer até ao vizinho estado de Assam, aproveitando as suas estradas planas e em razoável estado de conservação, para depois entrar novamente em Nagaland em direção a Mokokchung ou Kohima.

Mas depois da aridez humana e da rude paisagem da região de Mon, que deixaram uma intensa e pouco agradável memória da estadia em Mon, a entrada novamente em Nagaland, desta vez na região da tribo Ao, étnica e culturalmente diferentes dos Konyak, mostrou outra face deste estado.

Logo no inicio, passando pela aldeia de Tuli, somos recebidos pelas coloridas flores que enfeitam vasos e jardins à entradas das casas, assim como canteiros que parecem surgir espontaneamente à beira da estrada. Casa cuja construção em madeira e bambu está impecavelmente cuidada, pintadas em tons suaves que combinam com a paisagem. Uma paisagem também montanhosa mas mais “macia” e de um verde mais brilhante e fresco… como se por aqui houvesse mais gosto pela vida!

Uma população mais afável, muito curiosa, e disposta a fazer um pouco de conversa, para “conhecer” quem vem de tão longe visitar estas paragens, onde o inglês é “língua franca” em que a maioria das pessoas é capaz de comunicar, o que denota a importância dada à educação, que é evidente em Nagaland assim como em Magalahya.

Mokokchung
produtos à venda no pequeno mercado de Mokokchung

Mokokchung
Mokokchung

Mokokchung em si, pouco interesse desperta, sendo necessário visitar as aldeias vizinhas para entrar em contacto com a cultura Ao. Mas não havendo transportes públicos para estas pequenas localidades pouco houve a fazer em Mokokchung, para além de descansar de intensas e longas viagens. Sendo Nagaland, como alguns dos estados vizinhos, fortemente cristã, resultado dos missionário que chegaram por volta do século IX, o Domingo é escrupulosamente respeitado como dia de descanso, onde todo o comércio e serviços se encontram fechados. E aqui “todos” significa mesmo todos, pois não há nenhuma loja ou sequer restaurante aberto em toda a cidade; como táxis, sumos e autocarros também não funcionam, sendo a única coisa aberta as igrejas correspondentes às diversas correntes do cristianismo.

Esta particularidade fez com que a minha estadia em Mokokchung se tenha estendido por dois dias, em que o Domingo foi passado dentro do hotel, incluindo as refeições, pois nem os restaurantes de Hindus funcionam aos Domingos!!!

Mokokchung
Mokokchung

Mokokchung
Mokokchung

Onde dormir em Mokokchung:

Mokokchung não está ainda preparada com guest houses ou outro tipo de alojamento para backpackers. Os “hostels” assinalados são residências de longa duração para estudantes de outras localidades, e não alugam quartos.

Contudo, dois dos hotéis da cidade têm dormitórios, ou seja, quartos com várias camas. Os dormitórios são mistos, o que pode criar obstáculos a mulheres quando algumas camas estão já ocupadas por homens.

O Hotel Metsuben e o Whispwring Winds, são formais hotéis, com as habitais infraestruturas e serviços, mas onde os preços são pouco simpáticos para backpacker, mas onde uma cama num dormitório custa entre 300 a 350 rupias.

  • Whispering Winds: http://www.whisperingwinds.co.in/

Whispering Winds. contacts. Mokokchung
Whispering Winds. contacts. Mokokchung

  • Hotel Metsuben: https://www.facebook.com/hotelmetsuben

 

Hotel Metsuben. contacts. Mokokchung
Hotel Metsuben. contacts. Mokokchung

 

Hotel Metsuben. rates. Mokokchung
Hotel Metsuben. rates. Mokokchung

 

Ambos situam-se fora do centro da cidade, mas a uma distância razoável para ser feira a pé. A escolha foi para o Whispering Winds, situado no topo de uma das colinas, no lado oposto ao Hotel Metsuben.

Onde comer em Mokokchung:

Mokokchung não sobressaiu pela comida, encontrando-se ao longo da I.M. Road vários cafés que servem parathas, samosas e mais alguns snacks. Aqui começa-se a notar alguma influência da cultura indiana, podendo mesmo encontrar-se lassi.

Na I.M. Road, por cima do “Amigo’s Restaurant”, encontra-se o “The Restaurant” que num ambiente agradável a acolhedor serve desde comida indiana (arroz com caril) a comida asiática (chow mein, noodles, etc…).

Mokokchung
Mokokchung

Transportes em Mokokchung:

A cidade apesar da forte inclinação das ruas, que implica subir e descer ruas numa espécie de zig-zag, é possível de ser feita a pé. Contudo existem autocarros a percorrer as estradas principais, identificados como City Ride, que facilitam as deslocações. O percurso do centro até perto do hotel Whispering Winds custa 10 rupias.

"police circle" o centro da cidade de Mokokchung
“police circle” o centro da cidade de Mokokchung

Como chegar a Mokokchung:

Devido ao mau estado das estradas de Nagaland, em parte pela falta de investimento e manutenção, e em parte pela sinuosa orografia, não existe uma estrada que ligue directamente Mon a Mokokchung.

Assim, de Mon é necessário ir até Sonai, em Assam, passar por Simaluguri, e em Amguri entrar novamente em Nagaland, passando por Tuli. De Tuli são mais 4 horas de estrada de montanha até Mokokchung.

De Mon existe diariamente (excepto Domingos), pelas 6 am, um serviço de sumo para Mokokchung. É necessário reservar com antecedência (Travel Link). Os sumos têm um terminal específico em Mokokchung, perto do mercado, que fica a uma distância razoável de ser feita a pé até ao centro da cidade, local onde se encontra o terminal de bus da NTC (Nagaland Transport Corporation).

  • sumo de Mon para Mokokchung: 650 rupias (8 horas)

venda de bilhetes para os sumos para Mon. Mokokchung
venda de bilhetes para os sumos para Mon. Mokokchung

Como ir de Mokokchung para Kohima ou Dimapur:

Mokokchung tem uma grande oferta em termos de transportes públicos.

No centro da cidade, Police Circle, encontra-se o terminal de autocarros da NTC (Nagaland Transport Corporation). Com ligações a Guwahati, Dimapur e Kohima.

Para outros destinos, como Mon, é necessário recorrer aos sumo, que partem de um pequeno terminal perto do mercado de frescos.

As ligações com Dimapur e Kohima estão também asseguradas por sumo, existindo no inicio da IM Road, perto do Police Circle, várias empresas com estes serviços.

  • public bus de Mokokchung para Kohima: 220 rupees

parte às 6 a.m. (8 horas de viagem)

  • sumo Mokokchung to Kohima: 430 rupees

6 a.m e 10 a.m. (6 horas de viagem)

  • sumo de Mokokchung para Dimapur (night service): parte às 4.30 p.m e chega perto das 5 a.m.

horários dos sumos. Mokokchung
horários dos sumos. Mokokchung

altitude: 1325

população: 35.913

Mon… na terra dos Nagas

Mon recebeu-me com uma violenta tempestade que surgiu inesperadamente depois do pôr-do-sol, num dia em que o azul tinha dominado o céu e nada fazia prever tão brusca alteração climatérica que trouxe consigo um desconfortável frio.

Uma pequena cidade que se localiza no topo de umas quantas colinas e se vai derramando pelas suas encostas, acompanhado ruas e estradas sinuosas. Uma cidade feita de construções de betão e telhados de chapa metálica. Mon parece envolta num manto baço e cinzento, onde a luz difusa do chuvoso dia cria uma atmosfera triste e deprimente, fazendo esmorecer o entusiasmo de qualquer visitante.

Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland

Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland

Nas montanhas que envolvem a cidade e que constituem uma barreira intransponível no horizonte, o denso verde da floresta contrasta com este melancólico cenário. Mas em alguns locais nota-se a pesada mão-humana, onde grandes áreas de florestas foram totalmente dizimadas, deixando exposto o solo castanho acinzentado que transmite um imenso sentimento de desolação.

montanhas que rodeiam a cidade de Mon. Nagaland
montanhas que rodeiam a cidade de Mon. Nagaland

Montanhas em volta da cidade de Mon, sujeitas a intensa desflorestação que deixam o solo exposto À erosão. Mon. Nagaland
Montanhas em volta da cidade de Mon, sujeitas a intensa desflorestação que deixam o solo exposto à erosão. Mon. Nagaland

As montanhas de Nagaland reúnem um conjunto de várias tribos e grupos étnicos, que se podem contar em cerca de 16, e que sob o domínio Britânico se viram grupadas no que actualmente Índia e a Birmânia. Contudo estas fronteira modernas não olharam para a especificidades étnicas e culturais destas populações, o que levou que conflictos e a acções violentas que duraram até 2013. Mon é o centro da tribo Konyak cujo território se estende também à Birmânia, e cujas características físicas e os rostos mongóis nos remetem claramente para os povos asiáticos.

A densa cadeia montanhosa que desde séculos abrigou estas tribos Naga permitiu que estas populações se mantivessem afastadas da cultura, língua e religião indiana, mantendo até aos dias de hoje uma língua própria, cuja escrita é curiosamente em caracteres latinos. Foi também resultado deste isolamento que mantiveram as suas praticas religiosas ligadas ao animismo, sendo somente destruído pela chegada dos missionários no século IX que trouxeram o cristianismo a estas paragens.

Mas apesar desta influencia, os Konyak, mantiveram vivas as suas tradições, sendo famosos e temidos head hunter (caçadores de cabeças) onde cabeças de guerreiros de tribos inimigas eram pendurados nas Morong (casas comunitárias) como troféus depois de cada luta. Mas desta tradição nada resta com os crânios humanos substituídos por crânios de animais na decoração das Morong, mas o que ainda não desapareceu foram as tatuagens que muitos homens ainda exibem no rosto, e que se estendem ao pescoço, mostrando que foram bem sucedidos como head hunters. Estas tatuagens assim como as orelhas furadas, de onde pendem chifres de animais, e os colares de contas coloridas, decorados com imagens de rostos esculpidos em bronze indicando o número de cabeças conquistadas, continuam a ser usados por alguns dos homens desta tribo. Mas somente entre os mais velhos se vêm ainda as famosas tatuagens destes guerreiros, pois estão cada vez mais distantes os tempos de lutas tribais.

Konyak tribe. Mon. Nagaland
Konyak tribe. Mon. Nagaland

Um corte de electricidade deixou Mon Town às escuras durante os dois dias em que aí permaneci, e como no Nordeste da Índia a noite chega cedo, não há muito a fazer em Mon do que jantar e rumar ao quarto antes das 5 da tarde, numa guest house sinistramente vazia, situada no topo de um edifício totalmente abandonado durante a noite, onde eu era a única presença humana. Pelas nove horas da noite, sem electricidade e sem companhia, o sono instala-se suavemente, enquanto lá fora, na quase total escuridão somente interrompida pelo clarão dos faróis de algum carro que passa, Mon mostra-se hostil e sinistra.

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produtos à venda nas ruas de Mon, onde se incluem ratos e larva. Nagaland

Mon Town. Nagaland
Zona comercial da cidade de Mon Town. Nagaland

De dia Mon ganha um certo dinamismo em especial nas ruas onde se concentra a maior parte do comércio, mas mesmo assim não se consegue afastar o sentimento de pobreza que domina a cidade. Uma pobreza não visível nas casas ou nas pessoas ou na forma de vestirem, por sinal a juventude veste de forma muito ocidentalizada e moderna, mas no aspecto das lojas, nos artigos que vendem, na pouca oferta de produtos, na escassa diversidade de alimentos vendidos na lojas e nos mercados de rua, na desinteressante e monótona comida… uma pobreza resultante mais do isolamento a que esta população está sujeita, onde o único acesso a Mon tem que ser feito por uma estrada não pavimentada, onde 65 km demoram, pelo menos, 3 horas a ser percorridos, e onde não há estradas transitáveis a ligar Mon às outras cidades do estado de Nagaland. É talvez este isolamento e as árduas condições que tornam a vida difícil em Mon, donde resultam pessoas de rosto dura e fechado, de onde dificilmente se recebe um sorriso.

Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland

Onde dormir em Mon:

Paramout Guest House: localizada por cima do State Bank of India (também conhecido por SBI), a menos de 5 minutos do local onde terminam os sumos. Quarto duplo por 1000 rupias mas que pode ser negociado até 800 rupias, pois o local encontra-se vazio a maior parte do ano com excepção do Aoling Festival.

Paramout Guest House contact: 9612170232; 08257811627

O quarto é pequeno mas confortável e limpo, com casa-de-banho e alguma mobília, mas existem vários tipos de quartos com maior área. Curiosamente os seis quartos existentes no ultimo andar deste prédio têm uma estranha numeração de 9 a 235, saltando por 170, 210, 75, 215… que mais tarde se descobre serem o número gravado em cada uma das chaves!!!!

Paramaunt Guest house. Mon. Nagaland
Paramaunt Guest house. Mon. Nagaland

Mesmo ao lado direito do edifício do State Bank of India fica o Sunrise Hotel funciona basicamente como restaurante, mas também tem quartos, mais modestos do que a vizinha guest house, e com casa-de-banho partilhada, por 500 rupias. O Sunrise Hotel tem somente dois quartos, mas qualquer um deles com mais de duas camas; a casa de banho é no exterior do edifício, e tem fracas condições.

Sun Rise Hotel. Mon. Nagaland
Sun Rise Hotel. Mon. Nagaland

A Paramout Guest House e o Sunrise Hotel são os únicos alojamentos no centro de Mon, contudo existe a Helsa Cottage que tem melhores quartos por 1500 rupias, mas fica um pouco mais afastado.

Onde comer em Mon:

Mon está longe de ser atractiva em termos de comida, encontrando-se pouco restaurantes. Durante o dia pelas ruas principais da cidade encontram-se restaurantes, dificilmente localizáveis, pois não têm qualquer indicação, mas a porta coberta por uma cortina serve para anunciar que ali se servem refeições, basicamente arroz com dal e caril, localmente conhecida por “rice”. Sendo uma zona montanhosa a carne é presença constante mas pode-se sempre pedir o “rice” em versão vegetariana. Em geral esta refeição, que dá direito a um “refill” não custa mais do que 50 rupias, contudo é nutricionalmente e pobre pois os vegetais resumem-se a batata a umas quantas ervilhas-amarelas, e o caril de lentilhas (dal) é bastante aguado.

Em termos de street-food, Mon não tem muito para oferecer, para além de samosas (chamussas) e outros snacks de massa frita e excessivamente oleosa, confecionados e vendidos em muito más condições de higiene.

Basicamente pode-se dizer que Mon é uma desilusão em termos gastronómicos a avaliar pelo que está disponível em restaurantes e bancas de rua.

A Paramout Guest House prepara refeições sob encomenda e que podem ser servidas no quarto ou na sala de refeições, sendo contudo necessário encomendar com antecedência (arroz com dal e curry: 100 rupias). Ao lado fica o Sun Rise Hotel com restaurante que serve arroz, dal e vegetais desde manhã por 40 rupias.

Um pouco pelas ruas do centro de Mon, em especial na Market Street, a zona comercial da cidade, encontram-se vários pequenos e discretos restaurantes que servem puris, samosas ou arroz com caril. Dois puris com uma taça sabji (caril de batata e ervilhas-amarelas) custa 10 rupias.

street food em Mon Town. Nagaland
street food em Mon Town. Nagaland

Transportes em Mon:

Em Mon tem autocarros públicos de horário incerto, sendo difícil obter informações sobre o seu destino. Os autocarros privados destinam-se a Dimapur e Kohima. O meio de transporte local são os sumos e os shared-taxis.

Alugar um táxi para Longwa custa 2500 rupias, ida e volta.

O sumo para Longwa custa 220 rupias e parte de manhã pelas 6 a.m. ou à tarde pelas 1 p.m. É necessário reservar bilhete com antecedência de pelo menos um dia. O bilhete é vendido numa mercearia um pouco abaoixo do Police Circle, na estrada que liga Mon a Sonari.

Um táxi para Mon Village (a cerca de 5 quilómetros) custa 800 rupias; não há sumos ou táxis partilhados para este percurso.

Domingos não há qualquer tipo de transportes em Nagaland… não há nem bus, nem sumo, nem táxis.

autocarro publico. Mon Town. Nagaland
autocarro publico. Mon Town. Nagaland

Como chegar a Mon:

E maneira mais rápida de chegar a Mon é partindo do vizinho estado de Assam, da cidade de Sonari. De Sonari partem sumos que fazem a penosa viagem até Mon, que demora 3 horas por uma estrada de terra-batida, em muito mau estado, onde parte do percurso é em montanha.

Estando em Nagaland somente existem duas hipóteses para chegar a Mon: de Dimapur ou Kohima. Destas cidades partem autocarros privados e sumos para Mon, mas que passam sempre por Assam e pela cidade de Sonari.

Como ir de Mon para Mokokchung:

Para sair de Mon há somente uma estrada que liga a Sonari, no estado vizinho de Assam; assim para viajar entre Mon e qualquer outra cidade de Nagaland, como por exemplo Mokokchung, é sempre necessário passar por Sonari e pelas estradas do estado de Assam, que mesmo não sendo muito boas são planas e pavimentadas.

  • “sumo” de Sonari para Mon: 200 rupias (3 horas)
  • “sumo” de Mon para Mokokchung: 650 rupias (8 horas)

Em Mon somente uma das empresas têm sumos para Mokokchung, a Link Network, com os sumos a partirem pelas 6.30 a.m, de segunda a sábado.

Para qualquer viagem a partir de Mon, seja para Kohima, Dimapur, Sonari ou Mokokchung, é necessário reservar bilhete com pelo menos um dia de antecedência, e quanto mais cedo melhor para se poder escolher um dos lugares da frente, pois o ultima fila de bancos é extremamente desconfortável para tão longa viagem. Seja qual for o destino os sumo partem todos de manhã bem cedo pela 6 horas.

empresa que faz a ligação de Mon para Mokochung. Mon. Nagaland
empresa de “sumo” que faz a ligação de Mon para Mokochung. Mon. Nagaland

Como ir de Mon para Longwoa:

Os 35 quilómetros que separam Mon de Longwoa não são fáceis de vencer, os meios de transporte são escassos. Não há autocarros e a única solução em termos de transportes colectivos são os sumos, que partem duas vezes ao dia: 7 a.m. e 2 p.m. Com a escassez de transportes é necessário reservar bilhete com o mínimo de um dia de antecedência.

A viagem demora mais de uma hora.

Estes sumos não partem do mesmo sitio dos outros com destino a Kohima, Dimapur, etc… mas sim da estrada que “desce” da police circle (uma rotunda onde por vezes está um policia a comandar o tráfego). Os sumo estacionam em frente a uma mercearia, que é o local onde também se vendem os bilhetes.

  • sumo: 220 rupias (one way)
  • táxi: 2500 rupias (rented for one day)

Mon Festival:

Aoling Festival: Anualmente de 1 a 6 de Abril

Durante o festival, uma mostra da cultura Konyak, e mesmo uns dias antes a cidade de Mon começa a receber mais visitantes o que faz encher os poucos hotéis e faz disparar o preço dos quartos.

É recomendável reservas com antecedência caso se queira permanecer em Mon durante o festival.

Internet em Mon:

Não existe nenhum posto de internet em Mon e nem o Paramout Guest House ou Sunrise Hotel têm internet ou wi-fi.

Mesmo ao lado da entrada do State Bank of India, encontra-se um corredor com lojas, onde a primeira loja do lado esquerdo, de cópias e impressões, que tem internet (quando há sinal).

ATM em Mon:

Existe somente um ATM em Mon, no State Bank of India, onde as pessoas se alinham para poder levantar dinheiro, pois nem sempre está disponível ou a funcionar.

Existem frequentes cortes de energia em Mon, que afetam o funcionamento do ATM.

Assim é recomendável trazer dinheiro suficiente para a estada prevista, pois também não existem lojas de câmbio.

State Bank of India. Mon Town. Nagaland
State Bank of India. Mon Town. Nagaland

 

 

altitude: 655 m

população: 16.120

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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