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Stepping Out Of Babylon

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Nepal

Nagarkot

Nagarkot, é uma localidade situada a cerca de uma hora de autocarro de Bkahtapur, e quem si não tem nada para oferecer, não sendo mais do que uma estrada no cima de uma colina, ao longa da qual se vão arrumando dezenas de hotéis, guest houses, resorts e restaurantes destinados a receber quem aqui vem para ver as montanhas cobertas de neve que fazem parte da cadeia montanhosa onde se inclui o Evereste.

O local de eleição para observar as montanhas é a chamada “torre” um ponto alto a cerca de sete quilómetros de Nagarkot, situada um pouco acima dos 2000 metros de altitude, de onde se pode também avistar a cidade de Bhaktapur, com o seu tom castanho contrastando com o verde dos campos que a rodeiam.

Mas as nuvens não ajudaram a mantiveram os picos mais altos sempre cobertos de neve, o que desiludiu mas que foi compensado pela calma proporcionada pelo ambiente rural que envolve Nagarkot, com as encostas das montanhas esculpidas de socalcos para o cultivo de arroz.

Houve então mais tempo para apreciar o dia a dia da população dispersa pelas montanhas, com o seu ritual diário, envolvido ainda pelo humidade da manhã, em que produtores de leite se reúnem para vender o seu produto, numa das aldeias vizinhas, onde é medido e testado antes de ser encaminhado para Bhaktapur e Kathmandu.

Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Vista da "torre"
Vista da “torre”
Vista da"torre"
Vista da”torre”
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot
Nagarkot

Nota: as fotografias deste post são da autoria de Kasim Saha.

Bhaktapur

Situada a cerca de 25 quilómetros de Kathmandu, pouco mais do que uma hora de autocarro publico, Bhaktapur é uma das cidades mais importantes que ocupam o vale de Kathmandu, mantendo bem presente a cultura e a religião Newari, oriunda desta zona, e merecedora das atenções que recebe. Mantem o seu ambiente medieval proporcionado pelas ruas estreitas ladeadas de casas de tijolo e madeira, desenvolvendo-se a partir de uma artéria principal que serpenteado, liga os dois principais portões de entrada na cidade, e que é o fio condutor entre as várias praças.

Foi a capital do Nepal entre os séculos XII e XV, reunindo um vasto conjunto de templos, palácios e edifícios públicos, reunidos em praças ou espalhados discretamente pelas ruas da cidade, mantendo bem vivas as tradições locais.

Em termos religiosos , a maioria da população segue um misto de hinduísmo e de budismo, sendo a comemoração das diversas festividades religiosas celebrada por toda a comunidade.

De manhã bem cedo, com o som dos sinos a anunciar o puja matinal a soar pelas cinco da manhã, coincidindo com o aliviar da escuridão do céu noturno, começa a vida da cidade, com homens e mulheres trazendo os alimentos frescos vindos dos campos vizinhos e expondo-os para venda nas praças e ruas da cidade, enquanto das panelas aquecidas por querosene sai um fumo da preparação do chai com que habitualmente se começa o dia, aqui no Nepal.

Aos poucos a cidade vai-se enchendo de visitantes, a maior parte oriunda de Kathmandu, que chega em grupos, empunhando câmaras e telemóveis, vestindo as roupas de trekking, seguindo as indicações dos guias que de praça em praça os levam a visitar a cidade, sem tempo para se demorarem a apreciar o quotidiano da população que apesar de se ter adaptado ao turismo, com as muitas lojas e hotéis espalhados pela cidade, sabe manter a sua identidade e o seu modo de vida.

Ao fim do dia, que aqui começa pelas seis da tarde, homens, geralmente os mais velhos, usando os tradicionais chapéus nepaleses, os topi, reúnem-se em frente a alguns dos templos para em conjunto entoarem cânticos religiosos, os hinos Bhajan, acompanhado do som sincopado dos tambores, do toque dos sinos e do som cristalino das campainhas que parecem brilhar na escuridão da noite somente iluminada pelas velas que ardem em lamparinas de ghee.

Bhaktapur está classificada como património mundial o que faz com que a entrada na parte antiga da cidade obriga os visitantes ao pagamento de um bilhete diário, mas que pode ser estendido por uma semana, que custa 1100 rupias nepalesas, o que dá cerca 8€, um valor elevado tendo em conta o nível de vida local, e que corresponde aproximadamente à despesa diária, por pessoa, incluindo alojamento e refeições. Contudo são bem visíveis os esforços para a conservação e restauro dos edifícios e manter a cidade limpa e organizada.

Durbar Square, com o Palácio das 55 janelas, do lado esquerdo
Durbar Square, com o Palácio das 55 janelas, do lado esquerdo
Durbar Square
Durbar Square
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Taumadi Square: vista do Templo Nyatapola
Taumadi Square: vista do Templo Nyatapola
Siddi Laxmi Temple
Siddi Laxmi Temple
Entrada do Templo Vatsala, por onde se tem acesso pelo chamado Golden Gate, da Durbar Square
Entrada do Templo Vatsala, por onde se tem acesso pelo chamado Golden Gate, da Durbar Square
Dattatraya Square
Dattatraya Square
Templo Dattatraya, o mais antigo da cidade
Templo Dattatraya, o mais antigo da cidade
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Durbar Square com o Templo Yakshwor apresentando a arquitectura tradicional do Nepal, em estilo pagoda
Durbar Square com o Templo Yakshwor apresentando a arquitectura tradicional do Nepal, em estilo pagoda
Siddi Laxmi Temple
Siddi Laxmi Temple
Durbar Square com a estátua do Rei Bhupatindra Malla
Durbar Square com a estátua do Rei Bhupatindra Malla
Durbar Square
Durbar Square
As estátuas que ladeiam as escadas do Templo Nyatapola estão organizadas de forma a que a figura acima seja dez vezes mais poderosa do que a debaixo
As estátuas que ladeiam as escadas do Templo Nyatapola estão organizadas de forma a que a figura acima seja dez vezes mais poderosa do que a debaixo
Templo Nyatapola na Taumadi Square
Templo Nyatapola na Taumadi Square
Bhaktapur
Bhaktapur
Estátuas do Templo Nyatapola, na Taumadi Square. Ao fundo vê-se o Templo Bhairabnath Mandir
Estátuas do Templo Nyatapola, na Taumadi Square. Ao fundo vê-se o Templo Bhairabnath Mandir
estas construções de tijolo e madeira que se espalhados por vários pontos da cidade, servem de local de encontro dos habitantes e são um optimo poiso para apreciar o desfilar do quotidiano de Bhaktapur
estas construções de tijolo e madeira que se espalhados por vários pontos da cidade, servem de local de encontro dos habitantes e são um optimo poiso para apreciar o desfilar do quotidiano de Bhaktapur. Muitas das mulheres Niwari vestem os tradicionais panos pretos debroados com uma barra vermelha, envolvendo a cintura como se fossem um shares.
Bhaktapur
Bhaktapur
Pottery Square
Pottery Square
Cânticos religiosos Newari
Cânticos religiosos Newari
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Bhaktapur
Um dos meus locais de eleição da Durbar Square abrigada pelas arcades de um dos edificios
Um dos meus locais de eleição da Durbar Square abrigada pelas arcades de um dos edificios
Durbar Square
Durbar Square
Bhaktapur
Bhaktapur
Bilhete de entrada na zona histórica de Bhaktapur
Bilhete de entrada na zona histórica de Bhaktapur

Namaste Bhaktapur Guest House

Taumadhi, 11

01-6614808; 9841303599; 9841774766

www.namastebhaktapurguesthouse.com

Namasté Guest House
Namasté Guest House
Bhaktapur vista da Namasté Guest House
Bhaktapur vista da Namasté Guest House

Kathmandu. Durbar Square

Kathmandu faz parte do imaginário do oriente, soando a paragens exóticas e remotas… mas hoje em dia muita coisa mudou, parecendo ao mesmo tempo que outras ficaram suspensas no tempo. É moderna e cosmopolita e mantendo-se medieval e cheia de tradições. Congestionada e poluída. Superlotada e caótica mas onde sempre se encontra um local calmo e intimista. Uma cidade de contrastes que tem sobrevivido ao crescimento sabendo manter vivas as tradições que fazem de Kathmandu um local único, de onde emana uma energia contagiante.

À primeira vista, Kathmandu pode não apresentar muitos atractivos com o seu ambiente poluído, o trânsito intenso e as persistentes buzinas, fazendo com que pouca gente se demore, não ficando mais do que o tempo suficiente para esperar pelo próximo avião… mas a quem dedica um olhar mais atento e um percurso pelas zonas mais antigas da cidade, Kathmandu tem muito para oferecer.

A Durbar Square, ou Basantapur como é mais conhecida entre os locais, é sem duvida o “coração” da cidade, dominada pelo palácio real (durbar significa palácio) rodeado de estátuas e de dezenas de templos, que reúnem os diversos estilos de arquitectura religiosa construídos típicos do Nepal. Daqui emanam várias ruas que de praça em praça nos levam para outros bairros e para zonas mais modernas da cidade, ao longo das quais se estendem bazares cuja mercadoria extravasa o espaço da loja, fazendo com que o percurso se torne penoso e lento, com constantes encontrões, obstáculos, motas e richshaws, a tentarem avançar a custo pelo meio da multidão.

As praças, dominadas por templos repletos de religiosidade, transformam-se rapidamente, com o final do dia, em frenéticos mercadores apinhados de gente, onde se vendem todos os tipos de mercadorias, desde roupa, alimentos, comida… sem que isto perturbe as orações e a realização dos puja.

Pelas ruas mais antigas, agitadas e barulhentas, entre as várias lojas e oficinas, surgem passagens, pequenas e baixas que nos levam por corredores escuros para um mundo à parte, calmo e recatado transportando-nos para um ambiente doméstico e intimo, que são o prolongamento das acanhadas casas; no centro destes pátios quais encontra-se quase sempre uma estátua de Buddha ou de alguma divindade hindu, decoradas com flores, e panos vermelhos de grinaldas douradas, símbolo de prosperidade; diante destas imagens são diariamente colocadas oferendas, como arroz, flores, frutos e uma pequena lamparina.

Apesar de já ter terminado a monção, a chuva ainda marca presença em alguns dos dias passados na cidade, surgindo imprevisível e alterando totalmente o clima… fraca mas persistente, mas sempre com a mesma cansativa intensidade durante dias, criando um som constante e monótono que envolve os dias numa melancolia cinzenta. Mas também imprevisivelmente o dia pode nascer ameno e cheio de sol, mas que raramente é suficiente para afastar as nuvens que escondem as montanhas que rodeiam a cidade.

Durante o Dasain, a principal festa religiosa Nepalesa, que se comemora nesta altura do ano, os papagaios de papel dominaram o céu da cidade, manejados por miúdos que habilmente exibiam a sua perícia elevando-os a grande altitude até se aparecerem somente pequenos pontos no azul do céu, não se distinguindo uns dos outros; ocupam praças os terraços dos prédios mais altos. É das imagens mais bonitas que fica da cidade, onde no meio de um aparente caos crianças brincam calmamente de olhos postos no céu.

Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square

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Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square. Palácio Real
Durbar Square. Palácio Real
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square. Palácio Real
Durbar Square. Palácio Real
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Uma das ruas de acesso à Durbar Square, num fim de tarde
Uma das ruas de acesso à Durbar Square, num fim de tarde
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square
Durbar Square

A comida no Nepal

O que muitas das vezes estamos habituados a encontrar nos restaurantes nepaleses em Lisboa, não tem muito a ver com o que se come por aqui habitualmente; mas nota-se sem dúvida a forte influência da gastronomia indiana, com os seus caris de legumes acompanhados por arroz e servidos com um chutney, sendo ligeiramente menos picantes e com menos gordura.

O prato nacional do Nepal é sem dúvida do daal bhaat, que consiste num prato composto por uma grande porção de arroz que acompanha com o daal, caldo à base de lentilhas, cuja cor pode variar entre o laranja ou o acastanhadas, em função do tipo de lentilhas com que é feito, mantendo sempre a característica de ser bastante líquido; juntamente é servido uma pequena porção de carril de vegetais, muitas vezes abóbora e batata. Nos restaurantes esta refeição dá sempre direito a mais arroz e a mais daal, até o cliente ficar satisfeito, o que para um nepalês implica uma grande quantidade de arroz.

Nas zonas montanhosas do vale de Kahtmandu a refeição tradicional dos Newari, habitantes da zona, é composta por uma sopa de rebentos de bambu, caril de grão, feijão de soja salteado, salada de batata e pepino envolvida num molho de especiarias, e um chutney de espinafres secos, de sabor acre e salgado.

O chamado thakali, tradicional da zona entre os Himalayas e a planície do sul do país, o Terai, consiste numa refeição composta por carril de legumes, espinafres, daal, trigo sarraceno cozinhado até formar uma pasta moldável, iogurte, feijão salteado com espinafres secos e pickles de vegetais. O papari, feito à base de farinha de grão, de forma circular, fino e estaladiço, que muitas vezes é condimentado de especiarias e de picante, acompanha todos os pratos servidos no Nepal. Curiosamente o consumo de pão é pouco frequente às refeições.

daal bhaat
daal bhaat
Thakali
Thakali
refeição tradicional Newari
refeição tradicional Newari

Outra presença constante na gastronomia nepalesa, tanto em restaurantes como em snacks de rua é a comida tibetana, destacando-se os momos, que se encontram à venda em muitas bancas montadas na rua e que são consumidos geralmente no fim da tarde. Também são fácil encontrar os tradicionais snacks indianos, como as chamuças, o dai puri, channa bathura… A comida chinesa também está implementada com os seus noodles, chow mein e fried rice.

Momos coozinhados e servidos na rua, junto à Durbar Square em Kathmandu
Momos coozinhados e servidos na rua, junto à Durbar Square em Kathmandu
momo a serem preparados numa das ruas de Bhaktapur
momo a serem preparados numa das ruas de Bhaktapur
Um pequeno restaurante na Durbar Square em Kathmandu, que somente se dedica à venda de chamussas, que são fritas várias vezes ao dia numa gigantesca frigideira que se encontra à porta... não há melhor forma de anuncar um produto!
Um pequeno restaurante na Durbar Square em Kathmandu, que somente se dedica à venda de chamussas, que são fritas várias vezes ao dia numa gigantesca frigideira que se encontra à porta… não há melhor forma de anuncar um produto!
Momos servido numa taça feita de folhas secas, num dos obscuros restaurantes existentes na Durbar Square em Kathmandu. Bem diferentes dos que até agora tinha provado em Dharamsala no norte da India; estes são picantes e servido com um caldo.
Momos servido numa taça feita de folhas secas, num dos obscuros restaurantes existentes na Durbar Square em Kathmandu. Bem diferentes dos que até agora tinha provado em Dharamsala no norte da India; estes são picantes e servido com um caldo.
loja de venda de momo, que geralmente não servem mais nenhum tipo de comida, para além das variantes vegetaria e com carne, ambas servidas numa tigela e regadas com molho. Estes locais são facilmente identificados pela panela de aluminio, sempre colocada à entrada, onde os momo são cozinhados ao vapor.
loja de venda de momo, que geralmente não servem mais nenhum tipo de comida, para além das variantes vegetaria e com carne, ambas servidas numa tigela e regadas com molho. Estes locais são facilmente identificados pela panela de aluminio, sempre colocada à entrada, onde os momo são cozinhados ao vapor.
Restaurante que serve snacks como chamussas, puris e outras refeições ligieras, quase sempre à base de fritos
Restaurante que serve snacks como chamussas, puris e outras refeições ligieras, quase sempre à base de fritos

Apesar de maioritariamente hindus, os nepaleses são consumidores habituais de carne, não só pelos vários talhos espalhados pelas ruas da cidade como pela ementas dos restaurantes, onde são raros os “pure-veg”, locais onde não é consumida carne, seguindo à risca os costumes hindus.

Quanto aos doces encontra-se muitos dos doces tradicionais da Índia, como o gulab e o ladoo. Novidade foram umas argolas de massa frita, ligeiramente doce, que por vezes são servidas de manhã, em improvisadas banca de rua, juntamente com o chai.

Argolas de massa frita
Argolas de massa frita
Massa frita numa mistura de oléo e açucar formando uma calda espessa. São talvez os doces que se encontram mais frequentemente no Nepal
Massa frita numa mistura de oléo e açucar formando uma calda espessa. São talvez os doces que se encontram mais frequentemente no Nepal
Doces tradicionais Neplaleses, feitos com uma massa semelhante à "massa areada", com pouco açucar mas bastante secos
Doces tradicionais Neplaleses, feitos com uma massa semelhante à “massa areada”, com pouco açucar mas bastante secos
Loja de doces em Bhaktapur
Loja de doces em Bhaktapur

Mas a revelação foi o curd, que é muito semelhante ao iogurte em aspecto e consistência, mas que não resulta por fermentação do leite sendo obtido por coagulação, adicionando sumo de limão ou vinagre, designando-se em português por coalho. Por vezes, tanto no Nepal como na Índia, é chamado curd ao simples iogurte. À superfície forma-se uma camada espessa e ligeiramente amarelada que é a parte mais deliciosa. Quando descobri esta iguaria comecei por consumir copinho pequenos… actualmente só me contento com meio litro!!!

Curd
Curd
A "King Curd" a loja mais famoso de curd em Bharaktapur
A “King Curd” a loja mais famoso de curd em Bharaktapur
Comida de rua em Kathmandu.... omolete de vegetais
Comida de rua em Kathmandu…. omolete de vegetais

 

 

Kumari, a deusa viva

Num dos muitos edifícios que fazem da Drubar Square um dos locais de passagem obrigatória para quem visita Kathmandu, é o Kumari Chowk, onde habita a deusa Kumari, nome dado à deusa hindu Durga enquanto criança, que encarna numa menina escolhida criteriosamente entre dezenas de candidatas, entre os três e os cinco anos, de acordo com as suas características físicas e predisposição astrológica. Até atingir a puberdade a eleita é considerada a deusa-viva Kumari, cuja palavra em sânscrito significa virgem, permanecendo fechada neste edifício isolada da vida mundana, e de onde sai anualmente durante a celebração do Indra Jaartra, um festival religioso hindu e de mais algumas outras celebrações religiosas.

Mas diariamente pode ser vista da varanda do palácio onde habita, durante os cerca e trinta segundos em que as portadas da maior janela do primeiro andar se abrem expondo a deusa, vestindo de vermelho-vivo, que realça o brilho dos inúmeros adornos que a cobrem, com os olhos sublinhados a traço negro e os lábios pintados de vermelho; na testa sobressai a mancha triangular pintada de vermelho e dourado, no rosto uma expressão de aborrecimento de uma pré-adolescente entediada.

Acredita-se que com o olhar, a Kumari responde a perguntas não verbalizadas feitas pelos crentes que de baixo a observam, batendo palmas à sua chegada à janela e novamente quando volta a desaparecer nas entranhas do Kumari Chowk.

Mas esta Kumari em breve será mulher, sendo destronada por outra menina, cujo destino nos primeiros anos estará encerrado neste edifício, sendo exposta para devoção dos fiéis hindus e curiosidade dos turistas que enchem o pequeno pátio, diariamente pelas quatro horas da tarde… e que à saída compram o postal da imagem da deusa que não ponderam registar, dada a pressão dos segurança que interditam e ameaçam que ousar profanar imagem da divindade gravando-a em formato digital.

A esta menina, que é Kumari desde 2008, mesmo depois de chegar a mulher e se libertar do peso da divindade com que o destino e a vontade dos homens a aprisionaram, não está reservado futuro fácil, pois segundo a lenda, o homem que casar com uma destas raparigas terá vida curta.

Patio interior da Kumari Chowk
Patio interior da Kumari Chowk
No interior da Kumari Chowk enquanto se aguarda com espetactiva que a menina-deusa apareça na janela do primeiro andar
No interior da Kumari Chowk enquanto se aguarda com espetactiva que a menina-deusa apareça na janela do primeiro andar
Kumari Chowk
Kumari Chowk
Kumari Chowk na Durbar Square. Kathmandu
Kumari Chowk na Durbar Square. Kathmandu
Venda de postais com a imagem da Kumari, já que é proibido registar imagens
Venda de postais com a imagem da Kumari, já que é proibido registar imagens
Kumari Chowk na Durbar Square. Kathmandu
Uma das janelas exteriores da Kumari Chowk onde todos os elementos de madeira se encontram esculpidos

Kathmandu. Swayambhunath

Kathmandu é nepalesa, mas convive bem com outras culturas, recebendo uma vasta comunidade de refugiados tibetanos que se encontram um pouco por toda a cidade mas que se concentra maioritariamente a oeste do Rio Bishnumati.

 A vasta cidade estende-se por uma planície emoldurada por uma cadeia montanhosa que a envolve, mas que poucas vezes se deixa ver através da neblina causada pela poluição provocada pelo intenso trânsito que entope as principais avenidas e lhes confere um manto de poeira cinzenta.

Das poucas elevações, Swayambhu, situada na zona oeste da cidade, destaca-se não tanto pela vista mas pela stupa, datada do século V que domina a colina e pelo conjunto de templos budistas que a rodeia.

Os 300 degraus feitos em pedra e já muito desgastados são o principal acesso para quem aqui chega a pé, vindo do centro da cidade, que são percorridos pelos peregrinos e pelos visitantes sob o olhar atentos das centenas de macacos que dominam a colina que envolve o templo, convivendo com os visitantes sempre com o intuído de se apoderarem de algo para comer ou simplesmente por curiosidade e divertimento.

A primeira impressão à chegada não foi a mais favorável, parecendo que o recinto religioso se tinha tornado numa feira, onde por todo o lado se encontram bancas de venda de artesanato, souvenires, bandeiras tibetanas e uma parafernália de bugigangas mais ou menos relacionadas com o artesanato tibetano e com a religião budista. No meio de tudo isto, dezenas de visitantes, em muito maior numero do que os peregrinos, em grupos liderados pelos respectivos guias, iam avidamente tirando fotografias a todos os detalhes e pormenores referidos durante a explicação.

Passada a primeira impressão, e demorando o tempo suficiente para que a hora do almoço afastasse grande parte dos visitantes o local revela-se verdadeiramente especial. Como se fosse uma pequena povoação com pouco mais do que duas ou três ruas, ladeadas por casas em tijolo, actualmente convertidas em lojas e restaurantes, e onde estão dispostas estátuas, altares e dezenas de pequenas stupas, decoradas com estátuas representando Buddha sentado em posição de meditação sobre uma flor de lótus que por sua vez repousa num yoni, símbolo feminino da criação, segunda a iconografia hindu, o que mostra como estas duas religiões foram absorvidas ao longo dos séculos, pelos nepaleses, em particular os habitantes do Vale de Kathmandu.

Swayambhu, esconde muitos detalhes que só se revelam numa visita mais demorada, com tempo para apreciar a rotina dos peregrinos efectuado as suas orações, acendendo incenso e pequenas velas que vão ardendo em toscos recipientes de barro, fazendo girar as rodas de orações enquanto circundam a stupa principal sempre no sentido dos ponteiros do relógio. Pequenas stupas e templos ocupam o espaço, onde em pequenos recantos surgem nichos representando várias fases da vida de Buddha.

Mas o que domina a atenção é sem dúvida é a stupa central, cuja brancura da sua enorme cúpula esférica contrasta com o intenso azul do céu. Grande parte do simbolismo e da cosmologia budista está aqui representado proporcionado aos peregrinos meditarem e refletirem enquanto efectuam as voltas em torno da stupa.

A cúpula branca representa o útero e consequentemente a criação; à volta os quatro nichos com imagens de Buddha orientados segundo os pontos cardeais representam os quatro elementos – água, ar, fogo e terra – ao qual acresce mais um representando o elemento espaço ou céu. Sobre a cúpula ergue-se um pilar de madeira que simboliza o elemento masculino, que está apoiado numa base quadrangular decorada com um panos verde brilhante, também orientada segundo os pontos cardeais, onde uma estão pintados os chamados “Adi-Buddha” que olham nas quatro direções, e que tudo vêm. Entre os olhos, do ponto chamado “urna” sai uma espiral que desce com uma forma ondulada e que representa a luz emanada. Os anéis dourados dispostos ao longo do pilar representam os trinta degraus necessários percorrer para se atingir a iluminação. No topo encontra-se uma estrutura cilíndrica dourada, também adornada por panos do mesmo tom, que termina numa forma cónica que aponta para o céu, simbolizando a chegada à iluminação espiritual.

Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu

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Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu
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Swayambhu
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Swayambhu
Swayambhu
Swayambhu

Apontamentos do Nepal

Nepal vs Índia

Depois de uns meses na Índia, surgem as inevitáveis comparações entre o modo de vida, a cultura e a religião destes dois países vizinhos que à primeira vista muito têm em comum, mas onde um olhar mais atento revela bastantes diferenças: menos conservadores e mais cosmopolitas em especial em Kathmandu e Pokhara, as duas maiores cidades do país, onde não é raro encontrar casais a namorar, e onde a população mais jovem adopta roupa ocidental acompanhando as modas mais recentes, usando cortes de cabelo modernos, vendo-se mesmo rapazes de cabelo comprido, de dread locks, piercings… com as tatuagens a fazerem parte do visual urbano.

Contudo ainda é bastante frequente o uso das roupas tradicionais, como os sahrees e as kurtas, em especial nas mulheres das comunidades hindus. Quanto aos homens é raro encontrar algum que ainda use a tradicional vestimenta nepalesa, constituída por calças justas e túnica, em tecido de algodão branco, sobrepondo-se um colete em fazenda de côr escura. O tradicional chapéu, o topi, é contudo mantido orgulhosamente pela maioria dos homens nepaleses, mas nunca pelos rapazes novos, nem mesmo nas áreas rurais.

No Nepal a mulher tem um papel mais activo na sociedade, muitas falando inglês, mesmo que básico e encontrando-se à frente de negócios, que é notório mesmo nas zonas rurais, onde grande parte do trabalho recai sobre as mulheres acumulando as tarefas domésticas com o trabalho do campo. Nas montanhas, muitas ganham a vida como carregadoras, transportando pesados cestos às costas, apoiados na testa por tiras de pano, que ajudam a equilibrar a carga e distribuir o peso. Às mulheres fica também reservado o trabalho menos qualificado na construção civil, carregando tijolos, areia e cimento nas muitas obras que são uma presença constante nas zonas mais pressionadas pelo turismo.

São claramente um povo mais calmo e mais conhecedor de outras culturas, talvez devido à sua pequena dimensão face aos países vizinhos, e à emigração que dispersou cerca de dois milhões de nepaleses pelo mundo, em especial no médio oriente, onde constituem a principal fonte de mão de obra não qualificada.

É sem duvida um país pobre e menos desenvolvido do que a Índia, com poucos recursos naturais, sem acesso ao mar, com uma orografia difícil. Está assim vulnerável à pressão económica dos dois vizinhos, a China e a Índia, que vão gradualmente inundando o mercado nepalês com os seu produtos, ao mesmo tempo que financiam projectos de desenvolvimento, em especial de estradas que permitem a estes “gigantes” mais facilmente escoarem os seus produtos, não constituindo um incremento significativo nas exportações nepalesas. Num relatório das Nações unidas de 2008, o Nepal ocupava o 145º lugar em termos de desenvolvimento, num total de 153 países.

Nas grandes cidades, em especial Kathmandu, vêm-se pedintes com frequência; geralmente idosos, mulheres e muitas crianças, que insistentemente pedem comida e dinheiro, notando-se também o trabalho infantil, que não é dissimulado e constitui uma realidade para o sustento de muitas famílias.

O turismo, com mais de 500 mil visitantes anuais, é uma das grandes fontes de entrada de dinheiro no país, e emprega uma boa parte da população, mas está sujeito às flutuações da economia, especialmente da europeia, que condiciona o número de visitantes e a quantidade de dinheiro despendida.

Contudo das cerca dos 29 milhões de habitantes que o Nepal actualmente apresenta, cerce de 80% vive da agricultura, verificando-se nos últimos anos um êxodo para as cidades, em especial para o Vale de Kathmandu que entre 1990 e 2010 duplicou a população residente atingindo os 2 milhões de habitantes, contribuindo para agravar os problemas da cidade, em especial o trânsito e a poluição.

O elevado número de emigrantes revela bem a situação económica que o Nepal vive, onde não existe suficiente oferta de emprego, situação que se tende a agravar com o aumento crescente da população com mais de meio milhão de novos habitantes por ano. O aumento da população não é só devido ao aumento da taxa de natalidade, mas também da melhoria das condições sanitárias e de acesso à saúde, que fez descer a mortalidade infantil e aumentar a esperança média de vida, que em 1971 era de 43 anos e que actualmente passou para os 63.

Tudo isto trás consigo a necessidade de mais infraestruturas: estradas, escolas, casas esgotos, abastecimento de água e especialmente de comida, que se torna problemático num país em dominado por montanhas onde a agricultura é difícil e de baixo rendimento, com pouca possibilidade de mecanização, e onde a procura de novas zonas aráveis leva ao aumento da pressão ambiental e à rápida destruição da floresta.

A educação é uma grande aposta do estado, mas mesmo assim a percentagem de literacia ronda actualmente os 58%, valor em 1951, ano em que o país abriu as portas ao exterior rondava os 2%. Por todo o lado vêm-se crianças a irem para escola, com os seus uniformes, mesmo em zonas mais remotas das montanhas; mas por vezes têm que acumular os estudos com tarefas nos campos e o cuidar dos animais, fazendo com que muitos desistam, em especial nas famílias mais pobres.

Para quem avança para estudos superiores, abrem-se poucas perspectivas de emprego, pois o estado é o maior empregador de quadros superiores, e está sujeito às influências políticas, familiares e de castas que encerram a porta a muita gente, sendo a opção de muitos dos jovens as bolsas de estudo, oferecidas por ONG e outras organizações internacionais, que lhes permite irem para o estrangeiro, onde muitas vezes ficam a viver e trabalhar por falta de perspectivas no Nepal.

Há um esforço no aproveitamento hidro-eléctrico dos inúmeros rios que atravessam o país, construído com base em ajuda financeira externa, que permitiria ao Nepal resolver os problemas de abastecimento eléctrico à população, que actualmente obriga a cortes diários, podendo mesmo ser vendida aos países vizinhos passando a constituir fonte de rendimento. Contudo a actividade sísmica que caracteriza a região dos Himalayas juntamente com o clima de monções põem em causa a estabilidade das grande barragens, tendo já ocorrido acidentes.

É de uma forma geral um país mais limpo, onde não se vê com tanta frequência lixo despejado pelas rua… não quer dizer que estejam limpas mas nota-se um maior cuidado em comparação com as cidades indianas, o que também ajuda o facto de não haver praticamente vacas a passear pelas ruas das cidades de Kathmandu ou Pokhara.

Quanto à condução automóvel, também no Neplal se conduz pela esquerda, havendo à semelhança da Índia algum desrespeito pelas regras de circulação automóvel, mas mesmo assim os nepaleses são mais calmos na estrada não praticando uma condução tão agressiva. Mesmo as buzinas dos automóveis, que são poucos e das motas que são um constante nas cidades são uma presença menos intensa e perturbante, com excepção da cidade de Kathmandu, onde a densidade populacional a faz parecer, neste aspecto, com as mais caóticas cidades indiana.

Ao contrário da Índia, dominada pelo críquete, aqui no Nepal o futebol é rei, o que se vê pelos improvisados jogos de rua e pelo conhecimento de jogadores portugueses: Cristiano e Figo são nomes sabidos de cor o que faz do futebol um dos mais fortes factores de divulgação de um país.

Ktahmnadu onde ainda se encontam homens usando a tradicional roupa nepalesa e o topi, o típico chapéu
Ktahmnadu onde ainda se encontam homens usando a tradicional roupa nepalesa e o topi, o típico chapéu
Junto ao templo de Swayambuh, em Kathmandu
Junto ao templo de Swayambuh, em Kathmandu
Mulher carregnado mercadoria em Bandipur
Mulher carregando mercadorias em Bandipur, usando o tradicional lungi, preso à cintura com uma faixa de tecido
Rua de Kathmandu, onde não é raro encontrar graffitis, que convivem com o abundante número de imagens de Buddha
Rua de Kathmandu, onde não é raro encontrar graffitis, que convivem com o abundante número de imagens de Buddha
Cidade de Kathmandu, numa zona mais afastada do centro da cidade, onde são notórios os efeitos do rápido crescimento que a cidade tem registado nos ultímos anos e que não é acompanhado pelo desenvolvimento de infraestruturas, tornado o rio Bishumati, e outros que atravessam a cidade um depósito de lixo e esgoto
Cidade de Kathmandu, numa zona mais afastada do centro da cidade, onde são notórios os efeitos do rápido crescimento que a cidade tem registado nos ultímos anos e que não é acompanhado pelo desenvolvimento de infraestruturas, tornado o rio Bishumati, e outros que atravessam a cidade um depósito de lixo e esgoto

Castas

Uma das coias que o Nepal importou do seu vizinho do sul, trazida pela população indiana, em especial das castas mais altas, os brâmanes, que foi fugindo da ameaça Muçulmana que aos poucos foi ocupando o norte do país, foi o sistema de castas que apesar de ilegal ainda hoje se mentem e que domina fortemente a sociedade e mesmo a economia.

Apesar de ter sido oficialmente abolido em 1964, o sistema de castas é ainda válido no comportamento social dos Nepaleses em especial no que se relaciona com os casamentos; contudo vão-se verificando lentas mudanças existindo actualmente vários casais constituídos por indivíduos de castas diferentes, mas que por vezes não são bem aceites pelas famílias, o que numa sociedade baseada nas relações familiares implica muitas dificuldades.

Os grupos étnicos habitantes das regiões montanhosas, onde a religião hindu não tem grande expressão, não se encaixam nesta organização social sendo maioritariamente influenciados pelo Budismo Tibetano.

 

Numeração e calendário

Para além de pouca coisa estar escrita em caracteres ocidentais, o Nepal tem a sua própria grafia em relação aos algarismos.

No caso das notas o valor facial aparece com os dois tipos de caracteres, assim como por extenso em nepali e em inglês, mas somente numa das faces, o que obriga a quem ainda não está habituado a virar e revirar as notas para ver o seu valor, com a agravante de estarem quase sempre em mau estado, o que dificulta a percepção da côr que as poderia facilmente identificar. Moedas é coisa rara.

Apesar dos Nepaleses adoptarem o calendário internacional, mantêm o seu próprio calendário cujos meses não coincidem exactamente aos que estamos habituados, fazendo com que o ano nepalês seja actualmente de 2070.

Calendário nepalês
Calendário nepalês

 

Tabaco e Alcool

O álcool está bastante difundido pelo Nepal, tanto nas montanhas com a sua tradicional aguardente, o raksi, como por todo o restante território onde abunda a cerveja e as bebidas destiladas, sendo já o alcoolismo um dos principais problema de saúde pública do país. Nas zonas mais turísticas facilmente se encontra vinho oriundo do Chile, Argentina África do Sul, França… e também o vinho nacional: o Hinwa. No bairro mais turístico de Kathmandu, o Thamel, é possível encontrar Mateus Rosé!!!! Somos grandes!

Num país onde o consumo de tabaco é permitido em praticamente todo o lado, nota-se um elevado número de fumadores, que abrange cerca de metade da população.

As mulheres das várias tribos e grupos étnicos que habitam as montanhas na zona do Annapurna, e que se vêm nas cidades vizinhas vendendo os seus produtos agrícolas, são também grandes consumidoras de tabaco, vendo-as nos momentos de pausa para descanso e conversa entre si a desencantarem um cigarro, do meio da longa faixa de tecido com que envolvem a cintura e que ajuda assegurar o lungi, pano longo até aos tornozelos, que enrolam à cintura, e onde sobressaem os padrões florais e geométricos em cores quentes e ocre.

Nos percursos que fiz pelas montanhas, é muito frequente ver homens e mulheres a consumir tabaco de mascar, que retiram de pequenas caixas metálicas, e colocam na boca, depois de amassarem os pedaços na palma da mão.

 

https://steppingoutofbabylon.com/wp/en/2016/09/a-guide-for-snacks-and-street-food-in-kathmandu/

 

https://steppingoutofbabylon.com/wp/en/2016/11/in-search-of-the-best-dal-bhat-in-kathmandu/

 

Viajar de autocarro no Nepal

Bilhete de autocarro... onde pouca informação aparece em caracteres ocidentais, inclusive os numeros
Bilhete de autocarro… onde pouca informação aparece em caracteres ocidentais, inclusive os numeros

Qualquer percurso de autocarro no Nepal é por si uma viagem.

Num país que somente nos anos 50 começou a abrir as suas fronteiras ao estrangeiros, e onde até então Kathmandu permanecia acessível somente a pé, onde não existe via férrea, as únicas formas de viajar pelo Nepal são de avião ou as estrada que gradualmente têm sido construídas e que cobrem praticamente todo o território.

O avião que é a opção preferida pelos turistas, não só pela rapidez associada ao reduzido custo, mas especialmente para evitar as longas e sinuosas estradas que atravessam as montanhas e que invariavelmente se encontram ao mau estado, com lombas, buracos e por vezes com zonas praticamente sem pavimento, onde cada monção arrasta consigo parte do esforço despendido na construção de novas vias e na manutenção das existentes, e que dados os fracos recursos económicos do país são difíceis de recuperar.

Contudo os autocarros são a forma mais barata de viajar, para quem tem tempo para apreciar o colorido e a agitação de uma destas viagens, em autocarros degradados pelos anos e pelo estado das estadas, mas onde se nota um cuidado muito particular na sua manutenção, não só pelas sucessivas camadas da colorida pintura exterior realçadas pelos elaborados desenhos de “Shiva” como na decoração com fitas de aplicações metálicas que tornam cada veículo diferente de todos os outros.

O interior é também por vezes uma verdadeira obra-de-arte, com painéis coloridos a revestirem o tecto e as paredes do veículo, e coloridos panos cobrindo os assentos que por vezes se encontram partidos ou substituídos por bancos que deve ter pertencido a outro veículo. A música é uma constante em todas as viagens, sendo debitada pelo improvisado sistema de som que cada autocarro tem.

Em todos os autocarros, tanto os que circulam em meio urbano como os de longo curso, para além do condutor existe o cobrador de bilhetes, que acumula com a função de arrumar a diversificada bagagem que é transportada tanto no interior como no exterior do veículo; tem um papel importante na angariação de “clientes”, saindo em cada paragem e gritando pela rua o destino do autocarro, e dando pancadas com a mão no exterior do veículo para indicar ao motorista que ainda tem que esperar por mais algum passageiro atrasado que se apressa a correr para o autocarro.

Provocam um frenesim cada vez que chegam a uma paragem, mas são uma grande ajuda para saber qual o autocarro certo para o nosso destino e para nos indicarem ao local onde queremos sair, especialmente num país onde poucas indicações existem em caracteres ocidentais, incluindo a numeração que usa frequentemente os caracteres nepaleses.

Encontrar uma paragem de autocarro também não é tarefa fácil, pois, com excepção de algumas zonas dentro das cidades e ao longo das principais estradas, não existe qualquer indicação quanto ao local de paragem. A solução é perguntar aos solícitos habitantes que prontamente nos indicam o local, onde geralmente se encontram outras pessoas já à espera. Não há horários certos, iniciando-se a viagem geralmente quando o autocarro está cheio ou quase; pára-se se o motorista quer ir comer alguma coisa ou cumprimentar alguém… e pára-se muitas vezes… Esta ausência de paragens proporciona a entrada e saída do autocarro em praticamente todo o lado, o que torna alguns curtos percursos numa longa viagem, tornando imprevisível a hora de chegada ao destino.

Num país onde o transporte individual é raro, o autocarro serve para transportar de tudo; é preciso arranjar espaço, num veículo já cheio para uma mulher que entra carregando o seu cesto de bambu, com produtos para vender nos mercados, entram sacas de arroz, bilhas de gás… no tejadilho vão uns móveis e mais sacas, umas cabras, que de inicio protestam ao serem içadas mas que permanecem sossegadas o resto do caminho…

Para além dos autocarros, os camiões de mercadorias são também uma presença constante nas estradas, provocando longas filas nas íngremes subidas das estradas de montanha, onde estes veículos acusam o peso da idade, mas cuja decoração é orgulho dos motoristas, com desenhos de deuses hindus e de outra simbologia religiosa, fazendo com que cada veículo seja diferente.

Autocarro de passageiros, que efectuam os maiores percursos; no meio urbano ou entre aldeias os veículos são mais pequeno ao ponto de não terem altura suficiente para uma pessoa viajar de pé.
Autocarro de passageiros, que efectuam os maiores percursos; no meio urbano ou entre aldeias os veículos são mais pequeno ao ponto de não terem altura suficiente para uma pessoa viajar de pé.
Autocarro em Pokhara
Autocarro em Pokhara
Tecto de um autocarro em Pokhara
Tecto de um autocarro em Pokhara
Bus entre Lumbini e Pokhara... o melhor autocarro de todas as viagens que fiz pelo Nepal
Bus entre Lumbini e Pokhara… o melhor autocarro de todas as viagens que fiz pelo Nepal
Estação de autocarros em Bhaktapur
Estação de autocarros em Bhaktapur
Transporte de Mercadorias
Camião de transporte de Mercadorias, numa das muitas paragens na estrada que liga Lumbini a Pokhara
Cabra
Cabra

 

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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