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Stepping Out Of Babylon

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Myanmar

Caminhando pelas aldeias da tribo Palaung

Estranha sensação esta de estar numa remota povoação onde as colinas e as sinuosas e íngremes estradas de terra batida criam uma barreira com o mundo moderno.

Uma sensação de isolamento que é intensificada com o cair da noite, onde um manto de escuridão envolve a aldeia, onde o negrume da noite sem lua entra pela janelas, criando uma espessa barreira entre nós e os habitantes da casa onde vamos passar a noite, e onde as diferenças culturais e linguísticas não permitem romper.

Habitações amplas e feitas de madeira e bambu, simples, confortáveis as acima de tudo funcionais, onde o fogo é o centro da casa, sendo mantido aceso durante todo o dia, desde os primeiros raios de sol até à hora de dormir… que aqui não é muito depois das nove horas. Um fumo fino e discreto, que faz arder os olhos e deixa um rasto odorífero nas roupas, lembrando-nos quão diferente é o modo de vida do campo.

Pouco depois do pôr-do-sol, assim que o céu escurece, cessam os movimentos nas ruas da aldeia Palaung, aquietam-se os balados dos burros, o cacarejar das galinhas, o chilrear das aves e os risos das crianças. Todos os habitante recolhem às casas, envoltos nos rituais de preparação de comida. Rituais onde todos os habitantes, incluindo as crianças, parecem saber de cor o seu papel, fazendo com que o quotidiano se assemelhe a numa peça de teatro mudo.

Uma camada fina de fumo permanece na principal divisão da casa, uma área ampla desprovida de mobília que funciona como sala e cozinha. Os poucos pertences esperam dias festivos em armários embutidos nas paredes de madeira, quase se tornando invisíveis na penumbra que preenche permanentemente o espaço, apesar das várias janelas que olham para a sucessão de colinas cobertas de vegetação.

Desta primeira paragem numa aldeia nos arredores de Kyaukme, seguiram-se mais dois dias de caminhada pela região Oeste do estado de Shan, onde domina a tribo Palaung, cuja população partilha a herança étnica com a China, mas que durante séculos desenvolveu características próprias como a língua e a gastronomia.

Os Palaung, cujas feições são mais asiáticas do que a etnia Bamar (dominante em Myanmar) são facilmente reconhecíveis pela forma como as mulheres vestem, com sarongs de cores garridas em tons de púrpura, azul e verde, e pelo lenços branco que cobrem descuidadamente as cabeças, cujo cabelo é mantido rapado, seguindo uma desconhecida tradição.

Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
A tecelagem é parte do quotidiano das mulheres da tribo Palaung
A tecelagem é parte do quotidiano das mulheres da tribo Palaung
Palaung_Kyaukme_Shan State_Myanmar_DSC_2934
interior de uma das casas onde pernoitamos durante os três dias de caminhada pelas aldeias Palaung
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
nas principais aldeias existe sempre um pequeno mosteiro anexo à pagoda, pelo que é comum encontrar crianças com os trajes monasticos
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State

 

altar decorado com motivos birmaneses numa das aldeias
altar decorado com motivos birmaneses numa das aldeias
mulheres da tribo Palaung, com o tradicional lenço que cobre a cabeça rapada
mulheres da tribo Palaung, com o tradicional lenço que cobre a cabeça rapada
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
durante o dia crianças brincam descontraídamente nas ruas das aldeias, praticamente sem trânsito

Mas também aqui a religião adquire contornos próprios. Apesar do domínio do Budismo que aqui chegou no século XI, sobrevivem ainda vestígios de rituais e crenças relacionados com o animismo. Um pequeno grupo de habitantes, reúne-se numa das casas da aldeia trazendo oferendas, onde uma mulher em transe comunica com os espíritos… questões práticas sobre o paradeiro de uma vaca perdida ou sobre as colheitas são respondidas por espíritos pela voz de uma mulher possessa.

Sessão espírita numa das aldeias, mostrando que o Budismo não esmagou totalmente as práticas animistas
Sessão espírita numa das aldeias, mostrando que o Budismo não esmagou totalmente as práticas animistas

As ruas das aldeias por onde passámos parecem sempre cheias de crianças que correm livremente nas ruas, acenando e sorrindo, curiosas e excitadas pela presença invulgar de estrangeiros. Mas não são só as crianças que mostram a curiosidade, pois os adultos, não conseguem disfarçar o orgulho com que posam para as fotografias, escondendo dentes escuros estragados, sob um sorriso de lábios cerrados. Mas são os homens, que apesar das diferenças de língua se mostram mais comunicativos, mostrando as tatuagens que cobrem o corpo, com símbolos e inscrições, que servem de proteção, uma prática comum entre a população masculina e também entre os monges Budistas, tanto em Myanmar como no Tailândia.

 

Palaung village. Kyaukme region. Shan State
Palaung village. Kyaukme region. Shan State
as tattoos para proteção com símbolos e inscrições Budistas são comuns entre os habitantes mais velhos
as tattoos para proteção com símbolos e inscrições Budistas são comuns entre os habitantes mais velhos

 

Como visitar as aldeias Palaung na região de Kyaukme

Estes três dias de caminhada foram organizados pelo Thura, um birmanês da etnia Shan, cuja mãe é da tribo Palaung, cujo bom domínio do inglês e os contactos com as populações locais lhe permite circular por esta região, que é provavelmente impossível de visitar sem um guia que fale a língua local.

O percurso é feito a pé e de mota. Os percursos a pé são curtos e faceis, mas por vezes em zonas com pouca sombra.

O grupo é pequeno, não mais do que seis pessoas.

As noites são passadas em casas de famílias locais, em improvisadas camas no chão da sala, com cobertores e mantas. As casas de banho são básicas (uma pequena cabana no exterior da casa) e as lavagens são ao ar-livre numa torneira na parte de trás da casa, o que oferece pouca privacidade, sendo mais fácil para quem tem um sarong/dhoti.

As refeições (podem ser vegetarianas ou não) são em casa de famílias ou em restaurantes locais…. e foram sempre deliciosas e são uma optima oportunidade de experimentar comida local e caseira!

Tudo incluído (mota, gasolina, refeições, água) são 25€ por pessoa/dia… o que é pouco mais do que o custo diário para quem viaja em Myanmar.

Contacto: http://thuratrips.page.tl/

casa de aldeia onde o fogo é o centro da casa seja para aquecimento seja para cozinhar
casa de aldeia onde o fogo é o centro da casa seja para aquecimento seja para cozinhar
Refeição preparada por uma das famílias que nos acolheu durante os três dias de caminhada
Refeição preparada por uma das famílias que nos acolheu durante os três dias de caminhada

Kyaukme… a primeira etapa em território Shan

Kyaukme não é propriamente um dos lugares mais populares como ponto de partida para explorar o do estado de Shan, ao contrário de Hsipaw e Pyin Oo Lwin.

Esta região nordeste de Myanmar, que faz fronteira com a China, o Laos e a Tailândia destaca-se pela presença de diferentes grupos étnicos, genericamente denominados por “Shan people” que incluem diferentes tribos originárias da China e que partilham a mesma língua, semelhante com Thai e ao Lao.

Mas há muitas razões para ficar na vila de Kyaukme: é pequena o suficiente para ser percorrida a pé, de fácil de orientação e com alguns pontos de interessante para ocupar um ou dois dias: alguns pontos de interesse turístico, um mercado agradável, muita comida de rua… e uma atmosfera descontraída.

Apesar da proximidade com as aldeias vizinhas, onde predominam os Palaung, uma das tribos que compõem o mosaico étnico da estado de Shan, não se vislumbram os tradicionais coloridos trajes as mulheres Palaung em Kyaukme. Contudo nota-se nos rostos das pessoas desta região traços orientais, distintos dos Bamar, o grupo étnico dominante em Myanmar.

Como resultado das diferenças étnicas e culturais, o Estado de Shan tem tido o seu nome ligado a confrontos entre o exército a grupos armados pertencentes a diversas tribos. Estes conflitos são um misto da luta pelo reconhecimento das diferenças étnicas e culturais, mas foram também uma forma de combate à ditadura militar que governou o país por 54 anos. Presentemente, apesar da recente democracia, os conflitos continuam, com os chamados grupos “rebeldes” controlando a região do topo das colinas.

Mas a vida diária em Kyaukme começa cedo, quando os primeiros raios de sol a aquecerem as manhãs frias e iluminando com uma luz especial o mercado que surge informalmente numa das ruas de Kyaukme. Esta é uma boa oportunidade para observar os alimentos que aqui se consomem, onde se nota a influência chinesa com a gastronomia birmanesa, mas para isso é preciso acordar cedo, pois o mercado termina por volta das 7 horas. deixando a rua quase deserta, sem qualquer vestígio da agitação quer marcou o inicio do dia.

Ao longo das ruas, monges caminham pedindo esmolas e apesar dos rostos sérios de olhos postos no chão, os mais novos não conseguem evitar um sorriso quando olham curiosamente para os estrangeiros.

Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme
Kyaukme

Kyaukme_DSC_3153

Onde dormir em Kyaukme:

Como Kyaukme está a impor-se a como alternativa a Hsipaw são cada vez mais as opções de alojamentos disponíveis para estrangeiros.

A escolha foi para a Northen Guest House, provavelmente a guesthouse com o staff mais simpático e sorridente da cidade. O edifício tem caráter, e mantem um certo charme colonial. Existem diferentes tipos de quartos, alguns com casa de banho partilhada e alguns sem janela.

  • Quarto duplo com casa-de-banho: 21 USD
  • Quarto duplo com casa-de-banho partilhada: 12 USD

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Accommodation Kyaukme
Accommodation Kyaukme

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Accommodation Kyaukme
Accommodation Kyaukme. contacts

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Onde comer em Kyaukme:

Depois de terminar o matinal mercado de rua, começa um outro situado num edifício que ocupa um dos quarteirões de Kyaukme, focado mais em roupas e artesanato tradicional birmanês com alguns produtos importados da China.

Nas ruas em redor, outro mercado inicia-se pelo fim da tarde oferecendo uma grande diversidade de produtos, sendo uma boa oportunidade para experimentar a tradicional sopa de noodles confecionadas ao estilo Shan, cujos condimentos têm um toque oriental em comparação com as sopas birmanesas, como mohinga.

Shan noodles soup
Shan noodles soup

Wi-Fi em Kyaukme:

A Cherry Pan Tea Shop, que apesar do aspecto pouco sofisticado e da predominância de trabalho infantil, é o local que oferece melhor ligação wi-fi em Kyaukme, a não ser que se queira ir para a opção mais ocidentalizada da Bayan Tree Cafe.

Do outro lado da rua há outra Tea Shop com wi-fi… mas atenção pois o que é servido como chá neste tipo de estabelecimentos é uma bebida extremamente doce, adocicada com leite condensado, que pouco tem a ver com chá. Quanto ao café é servido o chamado “coffee mix” uma bebida industrial instantânea feita com açúcar, natas em pó (na milagrosamente são feitas sem leite) e um pouco de café… mas só um pouco!

wi-fi in Accommodation Kyaukme
wi-fi in Accommodation Kyaukme

Como ir de Mandalay para Kyaukme:

Do Pyi Gyi Myat Shin Bus Terminal, em Mandalay partem diariamente dois autocarros, de duas empresas diferentes, para Hsipaw que param em Pyin Oo Lwin e Kyaukme. Os melhores autocarros mais modernos e confortáveis são da empresa Ye Shinn Express, cuja bilheteira se localiza

Os autocarros partem às 2 da tarde, seja qual for a empresa escolhida. O bilhete custa 4000 kyats e a viagem demora cerca de 3,5 horas… mas pode ser muito mais longa, pois a estrada tem que passar por uma área de montanha, que devido ao intenso tráfego de camiões de mercadorias, fica frequentemente interrompida quando há avarias ou acidentes.

O terminal de Pyi Gyi Myat Shin é um terminal muito pequeno, com condições básicas que podem tornar penosa uma espera mais prolongada.

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Bus Schudule Mandalay to Kyaukme
Bus Schudule Mandalay to Kyaukme

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Pyi Gyi Myat Shin Bus Terminal at Mandalay
Pyi Gyi Myat Shin Bus Terminal at Mandalay

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Bagan e os 2 mil templos budistas

Sim!!!… segundo consta existem actualmente cerca de dois mil templos dos dez mil que foram construídos entre os séculos IX e XIII, durante o Império Pagan, cujo território corresponde aproximadamente ao que é hoje Myanmar. E nem o ultimo sismo que abalou o Norte de Myanmar em 2016, que que destrui o cume de algumas pagodas e fragilizou algumas das construções, fez com que Bagan perdesse qualquer dos seus atractivos.

Apesar da proximidade das margens do rio Irrawaddy, Bagan está localizada numa área seca e quente, onde a escassa vegetação nos remete para uma savana africana. O sol intenso e as temperaturas acima dos 30 graus intensificam esta sensação, obrigando os turistas a refugiarem-se no quarto do hotel ou guesthouse, reservando as visitas à área arqueológica para o inicio da amanhã ou para as últimas horas do dia, antes do pôr-do-sol.

Com o sol a aproximar-se do horizonte e a deixar um longo rasto de sombras, a paisagem de Bagan ganha uma vivacidade especial, realçando a cor argilosa do solo com o verde seco da vegetação. Este é um dos momentos mais apreciados, atraindo muitos visitantes em busca dos melhores pontos de observação… mas é também uma altura de tensão, pois os melhores locais estão repletos de centenas de pessoas, que aqui chegam em excursões com a orientação de guias turísticos, enchendo terraços e as íngremes e estreitas escadas, empurrando-se para alcançar os melhores lugares e degladiando-se com os selfie sticks.

Encontrar um local com uma boa vista que não esteja cheio de gente, constitui um desafio interessante, sendo uma boa desculpa para explorar a inúmera quantidade de templos e encontrar “aquela” passagem quase secreta escondida num canto escuro de um templo, que dá acesso ao terraço, e poder observar o espetáculo do amanhecer… ou do ocaso… mas onde não se pode esperar estar sozinho 😉

Com o amanhecer vem o momento mais calmo do dia, e também o mais inspirador, com a névoa desprendendo-se lentamente da vegetação, criando uma atmosfera irreal que evole a planície, onde os templos e pagodes se destacam da escassa vegetação.

Mas, apesar do cliché turístico, o amanhecer e o ocaso oferecem os melhores momentos para apreciar a beleza de Bagan, observando o momento mágico em que a paisagem ganha outra dimensão, com os templos a romperam a paisagem pintada de cores ferrugem e verde-seco.

Stone carving with traditional "kanot" decoration. Bagan, Mayanmar
Decorações talhadas na pedra com o estilo “kanot”, típico da cultura tradicional Birmanesa. Bagan.

Bagan, Myanmar
… mas Bangan não atrai somente visitantes estrangeiros, sendo também um importante local de peregrinação para a população Budista de Myanmar, vinda de diferentes partes do país

Sunrise at Bagan, Myanmar
Sunrise at Bagan with the mist comes out from the vegetation, giving a fairytale atmosphere to the landscape

fresco inside on of Bagan temples
Murals and “frescos” inside on of Bagan temples, always with representation of Buddha’s life, preserved by the darkness that envolve the corridors inside the temples. Sulamani Temple, Bagan

During the afternoon the landscape is wrapped in a layer of mist resulting from the heat. Bagan, Myanmar
During the afternoon the landscape is wrapped in a layer of mist resulting from the heat, dimming the contours of the pagodas

Bagan, Myanmar
Most of the temples follow the same arquitecture, with the core formed by a square surrounded by corridors of high ceilings, occupied by pigeons, at each side of the square there’s a Buddha statue facing a gate to the outside. Sulamani Temple

Stone carving decorating he entrance of a temple, Bagan
Stone carving decorating the entrance of a temple, Bagan

Bagan, Myanmar
Decoration inside on of the Bagan temples

Bagan, Myanmar
Almost all the Buddha statues are covered with gold, shinning with the faint light of the interior of the temples

Bagan, Myanmar
One of the four main Buddha’s statues at Ananda Temple, one of the most important of Bagan

Bagan, Myanmar
Bagan, Myanmar

Selling sweets at the entrance of one temple
Selling sweets at the entrance of one of Bagan temples

Bagan, Myanmar
Bagan, Myanmar

Bagan, Myanmar
Bagan, Myanmar

Donation box at temples entrance, Bagan, Myanmar
Donation box at temples entrance, Bagan, Myanmar

Sunset at Bagan, Myanmar
Sunset at Bagan, Myanmar

Sunset at Bagan, Myanmar
Sunset at Bagan, Myanmar

Bagan… eat, sleep and move around

Ngwe Saung… uma amostra das praias de Myanmar

Deixando para trás o ritmo urbano de Yangon temos pela frente quilômetros de planícies onde o verde dos campos de arroz é interrompido aqui e ali pelas espelhadas águas de uma lagoa ou por um rio espraiado, de águas barrentas. Durante horas uma monótona paisagem rural desfila pela janela do autocarro, onde pequenos grupos de casas feitas de bambu quebram a monotonia, revelando um estilo de vida onde nada parece ter mudado no último século.

Mas a última parte da viagem, a poucos quilómetros da costa, uma sucessão de colinas ergue-se entre a planície e o mar, obrigando a estrada serpentear e a estreitar-se. Mas esta quebra na monótona planície não traz uma imagem agradável. Aqui e ali erguem-se isoladas árvores de imponente porte, atestando a existência, outrora, de uma densa e diversificada floresta, onde o negócio das madeiras deixou o terreno livre à plantação maciça da árvore-da-borracha (seringueira) para suportar a industria do látex.

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Ngwe Saung Beach, Myanamr

Ngwen Saung … um pequeno ponto no mapa de Myanmar, que antes nada mais era do que uma pequena vila piscatória junto a um longo arwal virado para as águas da Baía de Bengal, está a tornar-se em mais uma área de resorts, competindo com Ngapali ,localizada uns quilómetros mais a Norte.

Mas apesar de ser um lugar orientado para o turismo, onde a pesca se tornou uma atividade secundária, Ngwe Saung ainda oferece um extenso areal quase vazio, atraindo tanto estrangeiros com birmaneses, que escolhem este local como escapadela de fim-de-semana ou umas férias românticas em registo de lua-de-mel. Mas apesar de dominarem os resorts, modernos e sofisticados, localizados ao longo da costa, é possível encontrar alojamento a preços razoáveis (tendo em conta os padrões de Myanmar) que não excluem o turismo backpacker, que pode encontrar nas águas calmas e mornas e na praia quase vazia de Ngwe Saung, um lugar para relaxar.

A areia plana deixada pela maré-baixa é usada pela população local como uma espécie de atalho entre as aldeias próximas, oferecendo uma agradável alternativa à estrada, fazendo com a tranquila paisagem seja atravessada por motos e cavalos.

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Ngwe Saung beach
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Durante o dia grupos de mulheres caminham pela praia de Ngwe Saung vendendo peixe, lulas e camarões grelhados… e espalhando amigáveis sorrisos
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Com o pôr-do-sol grupos de homens reúnem-se para jogarem chinlone, um desporto tradicional de Myanmar, mas que já se espalhou um pouco pelo países do sudoeste Asiático

Não há muito a fazer ou ver em Ngwe Saung, e as duas aldeias próximas, não têm muito mais a oferecer do que restaurantes e lojas de souvenirs em ruas poeirentas onde galos e galinhas debicam o chão. Pelo que o melhor é relaxar e apreciar os quase dez quilômetros de praia, onde a maré-baixa revela um areal acinzentado, de padrões ondulados pela suavidade das ondas.

Mas à medida que o sol desce no horizonte, o ar torna-se mais fresco convidando a longas caminhadas pela praia, molhando os pés nas águas mornas trazidas pela suave ondulação, enquanto se aprecia os cambiantes de luz e de cores da vegetação tropical que envolve a praia… ou então juntar-se a um dos grupos de homens que jogam chinlone, um jogo tradicional birmanês, jogado com o pés e uma bola de bambu.

Ngwe Saung
Ngwe Saung
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Ngwe Saung

 

Onde dormir em Ngwe Saung:

Apesar de estar focado no turismo estilo sofisticado estilo resort, ainda é possível encontrar em Ngwe Saung alojamento a preços razoáveis para backpackers (tendo em conta os valores cobrados a estrangeiros em Myanmar).

Uma das opções é o Forest Home Resort, onde a palavra resort não é o melhor para catalogar um grupo de bungalows dispostos ao longo de uma encosta. Os bungalows são grandes, modernos e muito limpos, e o pequeno-almoço está incluído, variando entre comida continental e comida . O staff é simpático e prestável, e tanto scooters com bicicletas estão disponíveis para alugar.

O nome de Forest Home Resort transporta-nos para imagem de uma zona de vegetação densa e sombria… mas da floresta já nada resta, e o que agora existe é uma área seca, exposta ao intenso sol.

Um quarto duplo, com casa-de-banho (sem água quente), incluindo pequeno-almoço, são cerca de 20 USD, dependendo da duração da estadia e capacidade de cada um para regatear o preço.

Não há wi-fi.… e somente durante a noite há energia elétrica, fornecida por gerador.

Para reservar o melhor é contactar por mensagem pelo fb: https://www.facebook.com/FOREST-HOME-Resort-1428700997435689/

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Forest Home Resort, Ngwe Saung

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Forest Home Resort, Ngwe Saung

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Forest Home Resort, Ngwe Saung

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Onde comer em Ngwe Saung:

Na povoação de Ngwe Saung existem muitas opções em termos de comida, desde os restaurantes que pertencem aos hotéis e resorts, servindo comida birmanesa e internacional, até aos restaurantes mais simples que servem variações de pratos de arroz e noodles, mas onde o marisco domina o menu, mas onde é também comum o peixe

Perto do Forest Home Resort, encontra-se um discreto restaurante com preços acessíveis. O espaço não tem um nome em caracteres ocidentais, mas da praia é visível uma pequena cabana sobre pilares, localizada na área pertencente ao Shwe Hin Tha Resort (Silver Coast Beach Resort).

Em frente à “Lovers Island” uma grande rocha formando uma ilha quando a maré está cheia, existe um grupo de pequenas “barracas” com chapéus-de-sol e cadeiras, que servem comida e bebidas, e onde também é possível comer peixe e camarões grelhados que mulheres e crianças vendem ao longo da praia… ou simplesmente beber um côco!

Como chegar a Ngwe Saung:

A praia de Ngwe Saung está localizada na costa oeste de Mianmar, a cerca de 260 quilómetros de Yangon, cerca de 5 horas de autocarro. A estrada de Yangon até Pathein é plana e o autocarro e a viagem corre suavemente, com algumas paragens para descansar e comer (geralmente 30 minutos cada). Mas a partir de Pathein até Ngwe Saung, a estradas atravessa uma zona de colinas, tornando-se estreita e com curvas com que os últimos 50 quilómetros pareçam mais longa que o resto da viagem.

A maioria dos autocarro de longa distância partem de Aung Mingalar Bus Terminal, mas se o seu destino é a costa oeste, como Ngwe Saung ou Ngapali, por exemplo, o autocarro provavelmente partem do terminal de Dagon Ayeyar Highway Bus Station.

O Dagon Ayeyar Bus Station situa-se a aproximadamente 22 quilômetros para Oeste do centro de cidade de Yangon, no lado esquerdo da estrada Yangon-Pathein (depois de cruzar o rio Yangon). Um táxi de Yangon até Dagon Ayeyar Bus Station custa cerca de 8.000 kyats.

  • O autocarro da estação de autocarro da estrada de Dagon Ayeyar Bus Station até Ngwe Saung custa 9.000 kyats, e parte por volta das 7 a.m.
  • Em alternativa há também um autocarro que parte diáriamnete da estação de comboios de Yangon, na frente das agências de viagens situadas no lado oposto do edifício da estação. O bilhete de ida e volta custa 18.000 kyats (Asia Dragon Tours) e o autocarro parte de Yangon no 5.30 a.m … é um pequeno autocarro não muito confortável, mas tem a vantagem e poupar uma viagem de táxi até ao terminal de bus, e de se situar a uma distância razoável para ser feita a pé para quem fica alojado na downtown de Yangon.
Asia Dragon... one of the bus companies that have buses to Ngwe Saung that departure from the ground in front of the Train Station
Asia Dragon… one of the bus companies that have buses to Ngwe Saung that departure from the ground in front of the Train Station

Onde bilhetes de autocarro em Yangon:

Ver post anterior: https://steppingoutofbabylon.com/wp/en/2017/03/yangon-eat-sleep-and-move-around/

To buy bus ticket in Yangon: on the ledt side is the train station and on the right side are located the offices from ticket agents and bus companiesTo buy bus ticket in Yangon: on the ledt side is the train station and on the right side are located the offices from ticket agents and bus companies

Como sair de Ngwe Saung:

Os autocarro de Ngew Saung para Yangon partem por volta das 12 horas, e por regra recolhem os passageiros junto aos respectivos hotéis ou resorts.

Shwedagon Pagoda… o ouro e a Lua

Poder observar o nascer da Lua ao mesmo tempo que os últimos raios de Sol incidem sobre a superfície dourada da Shwedagon Pagoda, foi um momento especial que deixou uma marca forte nesta viagem a Myanmar.

Para a maioria dos visitantes, a Shwedagon Pagoda é apenas mais uma pagoda entre as muitas que se podem ver em Myanmar, e nem sequer é a maior; mas segundo a tradição é a mais antiga do país, com mais de 2500 anos, sendo particularmente importante para os Budistas por aqui estar guardada a relíquia de uns quantos cabelos de Buda.

A actual construção resulta de ampliações e melhoramentos feitos ao longos dos séculos pelos vários reis birmaneses, resultando num vasto conjunto que inclui, para além da pagoda principal, templos, santuários, pequenas pagodas e outros edifícios, tudo decorado com intrincados e complexos ornamentos florais, representando diferentes épocas da arte e história birmanesa. Um dos “melhoramentos” mais recentes são as coloridas luzes que piscam freneticamente em estilo psicadélico, decorando alguns dos altares onde se encontram as estátuas de Buda, interferindo com a solenidade de um local que se entende como sagrado.

Mas desta visita à Shwedagon Pagoda o que impressiona é o ouro!!!! O ouro está por todo o lado, seja cobrindo a gigantesca superfície da pagoda, seja em estátuas, altares, decorações, pilares, paredes, ornamentos… rodeando-nos de um irreal mundo dourado.

Mas mais interessante do que a arquitectura e a arte, é perdermo-nos no desfilar de pessoas que aqui chegam às centenas, criando uma atmosfera ao mesmo tempo cerimoniosa e descontraída, numa mistura de peregrinação e lugar de lazer. Crianças brincam em correrias aleatórias soltando risos estridentes, enquanto por perto os pais cumprem os rituais de oração. Grupos de visitantes posam para uma foto com a pagoda como fundo, uma lembrança registada por fotógrafos profissionais que deambulam pelo espaço em busca de clientes. Peregrinos que aqui chegam em excursões vindos de remotas áreas do país, cujos trajes e feições nos permitem adivinhar de onde são, misturados com estrangeiros que seguem distraidamente as explicações dos respectivos guias. Casais transportam oferendas que são depositadas solenemente em templos, enquanto por perto famílias escolhem uma zona abrigada do calor intenso que ainda se sente ao fim da tarde. Um grupo de mulheres entoam orações budistas enquanto jovens monges de mantos grená se alinham para tirarem fotos com os seus smartphones.

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De acordo com as tradições Budistas em Myanmar, cada pessoa deve rezar junto à estátua de Buda correspondente ao dia da semana em que nasceu

Offerings hanging nearby the pagoda
Oferendas colocadas junto da pagoda

Praying at on of the temples of Shwedagon Pagoda
Rezando num dos templos em redor da Shwedagon Pagoda

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Ouro, ouro, ouro… para onde quer que se olhe na Shwedagon Pagoda

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Shwedagon Pagoda

Como ir para Shwedagon Pagoda de autocarro:

O Shwedagon Pagoda está localizada 5 km a norte do centro de Yangon.

Para visitar o Shwedagon Pagoda o mais comum é ir de táxi, mas é possível ir de autocarro (city bus), que inicia o percurso na na Sule Pagoda Road ,em frente ao Sule Shangri-La Hotel. É difícil saber o número do autocarro, pois tanto a informação na paragem como o número dos autocarros estão em Birmanês, mas basta perguntar às pessoas que estão na paragem, que eles simpaticamente iram indicar qual o autocarro certo. A paragem fica a cerca de 5 minutos da entrada Este da Shwedagon Pagoda, sendo necessário percorrer uma longa escadaria, ladeada de lojas de souvenires.

O bilhete custa 200 kyats, num autocarro com ar-condicionado e viagem demora cerca de 30 minutos.

Dentro do recinto da pagoda não é possível andar calçado, mas à entrada existem cacifos onde os sapatos podem ficar, mas é preferível aceitar um dos sacos de plásticos disponibilizados (em troca de um donativo) e transportar o calçado connosco.

Sule Pagoda Road. The bus stand to Shwedagon Pagoda is located on the left side
Sule Pagoda Road. A paragem de autocarros para Shwedagon Pagoda está localizada do lado esquerdo

Bilhete do Pagode Shwedagon:

Como de costume em Myanmar, há uma preço especial para estrangeiros (cidadãos de Mianmar não pagam nada) de 8.000 kyats.

Existem quatro entradas principais, orientadas de acordo com os pontos cardeais, e mais duas de pequenas entradas, mas em todas existem bilheteira, pelo que se torna impossível entrar sem um bilhete. Mas para quem quiser viver a aventura, é possível encontrar uma entrada da Pagode Shwedagon, seguindo a app maps.me. Contudo, com a compra do bilhete é fornecido um autocolante, com a data, que deve ser mantido visível durante toda a visita… e caso se tenha conseguido entrar sem pagar bilhete é preciso ter cuidado com os guardas que circulam pelo recinto, controlando quem tem o autocolante.

Shewdagon Pagoda ticket
Bilhete de entrada na Shewdagon Pagoda

A melhor hora para visitar a Shwedagon Pagoda:

A hora mais popular é por volta do pôr-do-sol, altura em que os últimos raios de luz oferecem um tom especial ao ouro que cobre a pagoda… e se se ficar um pouco mais de tempo, até o céu escurecer e a iluminação elétrica se acender, pode-se apreciar o local de outra forma, assistindo ao acender das velas em redor da pagoda, o que cria uma atmosfera especial.

Mas o pôr-do-sol é também a altura em que a pagoda tem mais visitas entre a população local que assim evita as horas de maior calor, e também quando a maioria dos turistas chegam, a maioria com guias e em grupos.

A melhor opção é chegar por volta das 5 da tarde. dando tempo para deambular pelo espaço, cumprindo as três tradicionais voltas à pagoda, descansar e observar o desfilar das pessoas. Uma visita à Shwedagon Pagoda pode prolongar-se facilmente por 2 horas.

Shwedagon Pagoda at the moonrise
Shwedagon Pagoda com a Lua-cheia a criar um intenso cenário

Shwedagon Pagoda. Yangon
Shwedagon Pagoda. Yangon

Yangon revesitada

Somente três anos se passaram desde a minha última visita a Myanmar e muitas foram as mudanças neste país: em 2014, o governo militar que controlava o país desde 1962 foi afastado, e as primeira eleições democráticas deram uma vitória esmagadora à National League for Democracy, abrindo as portas para a eleição do primeiro presidente não-militar nos últimos 54 anos, donde resultaram profundas reformas políticas, económicas e sociais num país que conquistou novamente a liberdade de expressão. Aung San Suu Kyi, o rosto da luta pela liberdade, pelos direitos humanos e pela democracia em Myanmar está um pouco por toda parte, mais visível do que nunca. O pai, Aung San, cuja figura estava impressa nas antigas notas de kyat, continua orgulhosamente a decorar as paredes das casas.

Apesar de todas estas mudanças, Myanmar ainda está longe de ser um país pacificado. Continuam os conflictos entre o exército e os grupos “rebeldes” nas colinas do estado de Shan, e as diferenças religiosas e étnicas são responsáveis pelo massacre da população Rohingya no estado de Rakhine, num país onde o budismo é a religião dominante e onde os monges exercem uma forte influência no governo de Myanmar.

***

Yangon... Where bodhi tree grows freely on the buildings, taking advantage of the wall cracks, softening the austerity of colonial British-style buildings
Yangon… onde pequenas árvores bodhi crescem espontaneamente nos edifícios, aproveitando as fissuras das paredes, suavizando a austeridade da arquitectura colonial

Mas todas estas mudanças não alteram o ritmo da antiga capital de Myanmar, noutros tempos chamada de Rangon… onde os edifícios de grandiosa arquitectura colonial Britânica mantêm o charme decadente, resultante de anos de negligência e falta de conservação…

…onde uma camada de bolor conquista lentamente o azul e o verde pálidos das fachadas dos prédios…

… onde pequenas árvores bodhi crescem espontaneamente nos edifícios, aproveitando as fissuras das paredes, suavizando a austeridade da arquitectura colonial…

… onde os pombos esperam pacientemente alinhados em cabos elétricos, junto a um esquina onde um vendedor de milho aguarda por clientes dispostos a criar bom karma, gastando algum dinheiro a alimentar as aves…

… onde todas as manhãs grupos de monges caminham descalços ao longo da cidade recolhendo donativos, tingindo a paisagem urbana com a característica de cor grená dos mantos…

… onde os mercados mantêm seu burburinho habitual, com o cheiro do peixe seco a mistura-se com o cheiro fermentado dos rebentos de bambu, e onde o som das vozes e dos pregões se sobrepõe às buzinas dos automóveis…

… onde videntes e astrólogos esperam os clientes à sombra de uma árvore, num país onde o budismo não apagou totalmente a superstição e as tradições animistas…

… onde ler o jornal é uma atividade quase obrigatória entre os homens, independentemente de religião ou grupo étnico…

… onde os condutores de rickshaw aguardam calmamente pelos raros clientes, indiferentes ao intenso movimentado da cidade, mastigando paan ou fumando um charuto…

… onde a comida de rua está presente em todos os lugares, seguindo um calendário preciso mas indecifrável, com um vendedor de parathas a desaparecer e a ser substituído por um vendedor paan num piscar de olhos…

… onde uma sinagoga está localizada a poucas centenas de metros de um templo budista, de onde se avista o minarete de uma mesquita do outro lado da rua, enquanto se ouve o som dos sinos vindos de templo hindu próximo…

… onde as casas de chá, herança da antiga presença chinesa no país, servem um chá com leite excessivamente adocicado, onde o som das vozes masculinas se dispersa com o movimento preguiçoso das ventoinhas de tecto…

… onde os sorrisos surgem facilmente em todos os rostos, revelando na maioria das vezes, dentes tingidos de vermelho pela noz de areca e pela folha de betel, sendo o mastigar do paan um vício nacional.

Yangon... where the smiles pop up easily from any faces revealing, most of the times, the teeth red dyed by the areca nut and the betel leaf, as chewing paan is a national addiction
Yangon… onde os sorrisos surgem facilmente em todos os rostos, revelando na maioria das vezes, dentes tingidos de vermelho pela noz de areca e pela folha de betel, sendo o mastigar do paan um vício nacional

Yangon... where the teahouses, remind us of the Chinese presence, a heritage of the Chinese presence in the country, serve an excessively sweetened milk tea mixed with the sound of the male chat, under the freshness of the lazy ceiling fans
Yangon… onde as casas de chá, herança da antiga presença chinesa no país, servem um chá com leite excessivamente adocicado, onde o som das vozes masculinas se dispersa com o movimento preguiçoso das ventoinhas de tecto

Yangon... here every morning monks walk along the city begging for alms, dyed the street with the maroon color
Yangon… onde todas as manhãs grupos de monges caminham descalços ao longo da cidade recolhendo donativos, tingindo a paisagem urbana com a característica de cor grená dos mantos

Yangon... where the rickshaw drivers wait quietly indifferent to the busy traffic of the city, chewing paan or smoking a cigar.
Yangon… onde os condutores de rickshaw aguardam calmamente pelos raros clientes, indiferentes ao intenso movimentado da cidade, mastigando paan ou fumando um charuto

Yangon... where the street food is present everywhere, following a precise but indecipherable schedule, with a paratha stall vanish and replaced by a paan hawker in a blink.
Yangon… onde a comida de rua está presente em todos os lugares, seguindo um calendário preciso mas indecifrável, com um vendedor de parathas a desaparecer e a ser substituído por um vendedor paan num piscar de olhos

Yangon... where the pigeons wait patiently aligned along electric cables, nearby a corner where a corn seller wait for customers that will come to create good karma feeding the birds
Yangon… onde os pombos esperam pacientemente alinhados em cabos elétricos, junto a um esquina onde um vendedor de milho aguarda por clientes dispostos a criar bom karma, gastando algum dinheiro a alimentar as aves

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Yangom... Where fortune tellers and astrologers wait for customers on the shade of a tree, in a country where the Buddhism didn’t erase totally superstition and the animist traditions
Yangom… onde videntes e astrólogos esperam os clientes à sombra de uma árvore, num país onde o budismo não apagou totalmente a superstição e as tradições animistas

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Yangon
Yangon… tea shop improvisada à entrada de uma loja, que após as primeiros horas da manhã desaparece misteriosamente sem deixar rasto

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Yangon definitivamente é uma cidade que seduz e cativa, onde diferentes culturas, etnias e religiões partilham pacificamente o mesmo espaço.

Yangon... multiethnic and multicultural and multireligious
Yangon… uma cidade multicultural, multiétnica e multireligiosa

Birmânia: epílogo

Ficam para sempre, na memória visual e emocional, os sorrisos acolhedores, curiosos e sinceros que são o denominador comum à grande variedade de feições resultado da mistura de etnias onde dominam os Bamar, onde se destaca a beleza dos Shan, e onde são evidentes os traços Chineses, e de onde sobressaem os tons da pele escura dos Tamil e a doçura dos traços dos rostos Indianos.

Fica a bruma matinal envolvendo rios e lagos que esbate a linha do horizonte confundindo céu com água; um mar de onde sopra uma brisa quente e húmida; campos de arroz estendendo-se por infinitas planícies, e suaves montanhas de vegetação tropical. Ficam paisagens de intensos verdes e paisagens secas e sedentas das primeiras chuvas, onde o esmagador clima quente deixa os corpos indolentemente suados.

Fica a memória de excessivamente longas viagens de autocarro, por estradas estreitas e em mau estado, onde os carros de bois ainda são um meio habitual de trasnporte. Fica a pobreza, por vezes estridente, revelada pelo número de crianças a trabalhar, pelas escassas escolas, nas más condições sanitárias, nos constantes corte de energia elétrica, na água que não é própria para consumo e que não chega a todas as casas.

Fica uma mistura de culturas espelhada na variedade gastronómica, onde as especialidades birmanesas convivem com a intensidade dos paladares indianos e com os mais populares pratos chineses, sobressaindo na comida-de-rua, com a mohinga, e o laphet a deixarem saudades.

Ficam a recordação das teahouses, onde o do tempo parece escoarem-se lentamente, com os seus bancos de madeira, tectos altos, onde as paredes com a tinta debotada atestam a passagem dos anos, às quais se junta uma majestosa arquitectura colonialista que confere um charme decadente a cidades como Yangon.

Fica o vermelho do paan, tingindo ruas e passeios, dentes e sorrisos; o grená dos robes que cobrem o corpo dos monges; o sóbrio xadrez dos longis usados pela maioria dos homens e a versão florida e coloridos reservadas às mulheres; athanaka enfeitando e protegendo os rostos das mulheres birmanesas.

Fica uma generosidade e honestidade ímpares. Ficam os sorrisos rasgados e as risadas tímidas em respostas aos débeis esforços de cumprimentar e agradecer com as melodiosos dos “méngálábá” e “djézú démare”. Fica a doçura e serenidade Birmanesas. Fica uma vontade de voltar.

*

Mapa do itinerário: https://goo.gl/maps/tJpeS

*

National League for Democracy (NLD) cuja líder Aung San Suu Ky surge discretamente um pouco por todo o lado, e que é a face de um país com vontade de mudar, de crescer e de se libertar da corrupção e opressão que tem dominado a política do governos militar que comando o país desde 1988
National League for Democracy (NLD) cuja líder Aung San Suu Kyi surge discretamente um pouco por todo o lado, e que é a face de um país com vontade de mudar, de crescer e de se libertar da corrupção e opressão que tem dominado a política do governos militar que comando o país desde 1988

… de volta a Yangon

Depois de praticamente quatro semanas em viagem pela Birmânia, eis que é tempo de regressar a Yangon, cidade a partir da qual se fará o regresso à Tailândia.

Foi menos uma visita turística e mais um deambular pelas ruas da cidade, conhecendo-lhe os cambiantes luz, os ritmos, os sons que caracterizam cada fase do dia, com tempo para contemplar e tentar compreender o que torna este tão especial.

preparação de chamuças num dos muitos restaurantes que surgem diariamente nas ruas da cidade
preparação de chamuças num dos muitos restaurantes que surgem diariamente nas ruas da cidade
Yangon
Yangon
Templo hindu, de clara influência Tamil, numa das ruas do cento de Yangon
Templo hindu, de clara influência Tamil, numa das ruas do cento de Yangon
Aproveitando o sossego de uma tarde de sábado, é possível jogar futebol numa das avenidas do centro de Yangon
Aproveitando o sossego de uma tarde de sábado, é possível jogar futebol numa das avenidas do centro de Yangon
junto às docas de onde é possível apanhar o ferry que cruza o Rio Yangon
junto às docas de onde é possível apanhar o ferry que cruza o Rio Yangon
Yangon
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Sule Pagoda que domina o centro da cidade
Sule Pagoda que domina o centro da cidade
Yangon
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Yangon, onde é bem forte a presença do colonialismo britânico nos muitos edificios de estilo neo-clássico que ocupam o centro da cidade em especial nas ruas mais próximas do porto, e que hoje são ocupados por instituições públicas
Yangon, onde é bem forte a presença do colonialismo britânico nos muitos edificios de estilo neo-clássico que ocupam o centro da cidade em especial nas ruas mais próximas do porto, e que hoje são ocupados por instituições públicas
Yangon
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Molhos de arroz colocados junto a lojas, à entrada das casas e um pouco por todo o lado para servir de alimento aos pardais, que daqui também retiram material para os ninhos
Molhos de arroz colocados junto a lojas, à entrada das casas e um pouco por todo o lado para servir de alimento aos pardais, que daqui também retiram material para os ninhos
Yangon
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

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