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Stepping Out Of Babylon

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República Popular do Laos

Fronteira Lao/China… de Vientiane até Kunming

…“keep on moving” acabei de ler esta mensagem inscrita a negro sobre o fundo branco de uma t-shirt: é este o espírito dos últimos meses de viagem. Longos percursos de autocarro, comboio e barcos, muitas horas de espera em terminais de bus e estações de comboios… muitas noites passadas em autocarros. Laos, Camboja, Myanmar… e agora China. Um mês em cada país. Duas estadias em Bangkok para preparação do próximo passo: menos de uma semana em Vientiane para tratar do visto para a China… “keep on moving”!

 

Mais uma vez sou a única não-asiática; a única que fala inglês; a única tem a mochila numa bagageira cheia de sacas, pacotes, caixas e embalagens; a única incapaz de falar a língua dos restantes passageiros limitando a comunicação aos gestos e à boa vontade de quem está por perto.

Desta vez o percurso é entre Vientiane e Menglá, a primeira cidade chinesa que surge no mapa após a passagem da fronteira com o Laos.

 

O inicio da viagem não se revelou auspicioso, com o céu coberto de nuvens cinzentas que têm oferecido episódios de chuva diários que antecedem o inicio da monção, e com um mal-entendido junto do antipático funcionário da bilheteira do terminal de autocarros de Vientiane, relativamente ao preço do bilhete, superior ao que está afixado e que me obrigou a gastar os últimos kips e alguns dos yuan que já tinha adquirido para a China.

Este imprevisto fez com que ficasse sem dinheiro para as refeições durante o resto do dia, limitando-me a uma ração composta de bananas, amendoins, uns pães de massa frita que sobraram do dia anterior e umas bolachas de arroz tufado; os trocos que sobraram nem para a água chegaram, tendo recorrido à desagradável água da torneira devidamente desinfetada com pastilhas purificadoras.

 

As pesadas nuvens cinzentas e o ar quente e húmido de Vientiane deram gradualmente lugar a um céu cada vez mais luminoso, decorado com espessas nuvens de uma brancura imaculada que lhe confere um ar de irrealidade, e com as montanhas que a pouco e pouco se foram erguendo à frente da estrada, tornando-se íngreme e sinuosa, mas cada vez mais verde, de densa floresta de onde sobressaem os tufos dos bambus, com o ar cada vez mais fresco e leve.

 

A viagem em autocarro-cama, cujo facto de ter feito a viagem quase vazio, com pouco mais do que oito passageiros, ofereceu a possibilidade de ter ocupar o compartimento que é destinado a duas pessoas, proporcionado uma viagem confortável e uma agradável noite de sono que terminou com uma espera de uma hora junto ao posto fronteiriço do Laos.

Seguisse a já habitual sequência de entrada de funcionários alfandegários no autocarro, de revista de bagagens pelo exército, verificação de passaportes, carimbos e o preenchimento de documentos, que do lado chinês foi facilitado com a informatização dos serviços que permitem a leitura digital da informação constante do passaporte e a emissão electrónica do cartão de embarque. Tudo simples, rápido e eficiente.

 

À chegada a Menglá, cidade ampla e moderna mas pouco atraente, a ideia inicial de permanecer por uma noite foi substituída pela possibilidade de seguir viagem directamente para Kunming, capital da província de Yunnan.

Esta mudança de planos obrigou a uma espera de seis horas no moderno e luminoso terminal de autocarros de Menglá, onde o odor a urina vido da casa-de-banho se mistura com o cheiro dos cigarros fumados sem restrições na sala de espera, enquanto que nos ecrãs de televisão passam, em modo repetitivo, informação governamental sobre os malefícios do consumo de drogas.

 

Da paisagem do norte do Laos, dominada por montanhas de vegetação selvagem, onde nas regiões mais brandas surgem pequenas aldeias junto a tímidos compôs de arroz, passa-se para a China, onde o cenário igualmente montanhoso está coberto de árvores de borracha, geometricamente disposta ao longo das encostas, formado um monótono padrão e onde a estrada, em vez da habitual sinuosidade, desliza suavemente com viadutos a cruzar vales e túneis a trespassar montanhas.

Olá China!

 

a paisagem do norte do Laos, com um céu de azul intenso raro de encontrar por estas paragens asiáticas, que não encontrei na primeira estadia no norte do Laos, ainda sob o efeito do invernos mês de Fevereiro
a paisagem do norte do Laos, com um céu de azul intenso raro de encontrar por estas paragens asiáticas, que não encontrei na primeira estadia no norte do Laos, ainda sob o efeito do invernos mês de Fevereiro
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
bus ente Vientiane e Menglá... "refeição a bordo"
bus ente Vientiane e Menglá… “refeição a bordo”
a viagem entre Vientiane e a China foi já feita num veículo de uma companhia chinesa; dado os poucos passageiros assim como o motorista serem chineses, as paragens para descanso e para comida foram sempre feitas em restaurantes de proprietários chineses que discretamente se encontram nas estradas secundarias do norte do Laos
a viagem entre Vientiane e a China foi já feita num veículo de uma companhia chinesa; dado os poucos passageiros assim como o motorista serem chineses, as paragens para descanso e para comida foram sempre feitas em restaurantes de proprietários chineses que discretamente se encontram nas estradas secundarias do norte do Laos
Bus entre Vientiane e Menglá
Bus entre Vientiane e Menglá
um dos vários restaurantes que serviu de paragem no percurso no norte do Laos
um dos vários restaurantes que serviu de paragem no percurso no norte do Laos
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
norte do Laos, região de Oudomxay
posto fronteiriço do Laos
posto fronteiriço do Laos
posto fronteiriço da China; mais um país comunista a adicionar ao meu curriculum; depois do Vietname e do Laos, só falta visitar Cuba e a Coreia do Norte para completar o naipe dos cinco países que ainda se apelidam de comunistas
posto fronteiriço da China; mais um país comunista a adicionar ao meu curriculum; depois do Vietname e do Laos, só falta visitar Cuba e a Coreia do Norte para completar o naipe dos cinco países que ainda se apelidam de comunistas
primeira refeição chinesa que compensou a fraca ração de bananas, amendoins, pães e arroz tufado, que serviu de alimento durante as 24 horas de viagem entre Vientiane e Menglá
primeira refeição chinesa que compensou a fraca ração de bananas, amendoins, pães e arroz tufado, que serviu de alimento durante as 24 horas de viagem entre Vientiane e Menglá
Viagem em autocarro-cama entre Menglá e Kunming
Viagem em autocarro-cama entre Menglá e Kunming

 

Info (PT) Vientiane até Kunming via Meng La

O autocarro parte do Terminal Norte, localizado na Sithong Road, cerca de7 km do centro da cidade de Vientiane. No terminal situado junto ao mercado central é possível apanhar um autocarro directo, de meia em meia hora, que custa 5000 kip.

 

Kunming: 784.000 kip (aproximadamente)

Partida de Vientiane: 11.00; 14:30
(terças e sextas é autocarro-cama; nos restantes dias são lugares sentados)

Duração da viagem: 30-31 horas

 

Meng La: 351.000 kip

Partida de Vientiane: 11h (terças e sextas é autocarro-cama; nos restantes dias são lugares sentados)

Duração da viagem: 23-24 horas

 

Atenção: os preços afixados no placar do terminal de autocarros estão desactualizados; os preços actuais estão afixados junto à bilheteira numa discreta folha A4 escrita em chinês.

 

Info (EN): Vientiane to Kunming via Meng La

The bus departs from North Terminal, located in Sithong Road, about de7 km from the city center of Vientiane. In terminal located next to the Central Market you can take a direct bus every half hour, which costs 5000 kip.

 

Kunming: 784,000 kip

Vientiane Departure: 11:00; 14:30 (Tuesdays and Fridays is bus-bed and in the remaining days are seats)

Travel time: 30-31 hours

 

Meng La: 351,000 kip

Departure from Vientiane: 11pm (Tuesdays and Fridays is sleeping bus and in the remaining days are normal seats)

Travel time: 23-24 hours

 

Note: the prices displayed on the scoreboard from the bus terminal are outdated; current prices are displayed next to the box office in a discrete A4 written in Chinese

Laos: epílogo

Tempo de dizer adeus e de fazer o balanço destes trinta dias, na República Democrática e Popular do Laos… que de democrática tem pouco.

O que ficou do Laos… ficam para sempre gravados os sorrisos e os acenos de mão com que em geral a população acolhe os visitantes, ficaram as fumegantes sopas de noodles, o sticky-rice servido em cestas de bambu, o cheiro da lenha queimada em fogões que desde manhã se espalha no ar, ficam os coloridos e animados mercados.

Fica um rio sempre de águas turvas e as muitas travessias e viagens de barco pelo Mekong, as monótonas estradas de infindáveis rectas, as viagens em autocarros nocturnos e os muitos percursos efectuados nos arejados e instáveis songthaews*.

Fica a cerveja nacional, BeeLao, que se vende em todo o país e que com o seu intenso tom de amarelo salpica a paisagem urbana, o café, servido com exageradas doses de leite condensado e de açúcar, os sarongs usados elegantemente pelas mulheres e o colorido dos robes açafrão dos monges que recolhem donativos pela manhã, num país em que os templos não se mostram particularmente atractivos.

Ficam também vestígios da presença francesa, nos decadentes edifícios que sobrevivem, no número de turistas, na comida mas sobretudo na língua que ainda é falada por gerações nascidas após a retirada francesa da Indochina.

Fica um país pobre, pouco desenvolvido e fortemente ligado à agricultura, com um inenarrável recolher obrigatório.

Fica um país calmo e gente dócil.

* em trinta dias, foram percorridos cerca de 1650 quilómetros de autocarro, e mais de 450 quilómetros de barco num país com pouco mais do que mil quilómetros de Norte a Sul.

Mekong

 

Mekong

 

Champasack
Champasack

 

 

Mekong

 

Mekong

 

Lao Coffee
Lao Coffee

 

Aguardente Lao-Lao e uma grande variedade de marcas de cigarros, muitas nacionais de coloridos e atractivos rótulos

 

songthaews o meio de transporte público mais popular em zonas urbanas

 

Templo Budista em Luang Prabang

 

 

BeeLao, a cerveja nacional, que deixa um rasto de cor amarela pela paisagem do Laos.

 

bus entre Muang Khoua e Oudomxai. Num país onde não caminhos de ferro as viagens de autocarro são uma experiência obrigatória para quem viaja pelo Laos.

 

Vientiane… nem mesmo na capital se deixa de usar o tradicional sarongs, saia que é imagem de marca do vestuário feminino do Laos.

 

sticky-rice

 

Vientiane
Vientiane

 

Savannakhet
Savannakhet… herança arquitectónica que relembra a presença francesa na região

 

 

Plumélia, a flor adoptada como símbolo nacional do Laos

 

Sobre o Laos

Moeda

Nos primeiros dias, a moeda do Laos, o kip, pode ser uma verdadeira dor de cabeça, pelo elevado numero de zeros que se inscreve nas notas resultante da desvalorização da moeda, fazendo com que nada custe menos do que 1000 kips e onde a nota mais pequena é de 500 kips; não existe circulação de moeda em metal…. só papel, donde resultam verdadeiros molhos de notas, que efectivamente pouco valor: por exemplo, uma sopa de noodles, consumida num restaurante de rua custa cerca de 10.000 kips.

Contudo, para compensar esta confusão há a honestidade demonstrada em geral pela população, tanto no que se refere ao preço dos artigos, que nunca está assinalado, como em relação aos trocos, não tendo durante esta estadia tido qualquer suspeita ou desconfiança, para alguém de uma ou outra situação em que a barreira linguística pode ter levado a mal-entendidos…

Mais uma vez, as situações que suscitaram mais desconfiança foram sempre com os condutores de tuk-tuk ou de songthaews, cujo preço tem que ser negociado, mas que mesmo assim é sempre exageradamente elevado, se comparar-mos com o que a população local paga.

Língua

Baseada na língua tailandesa mas sujeita á influência dos países vizinho, o Lao apresenta uma sonoridade e uma grafia distinta. Grafia esta que se estende também à numeração.

Apesar da pouca riqueza e do fraco desenvolvimento que o país apresenta, é bastante fácil encontrar pessoas, em especial nas gerações mais novas, a falarem inglês, pelo menos o essencial para obter informações e ter uma simples troca de palavras, se bem que apesar da simpatia demonstrada é raro alguém da população estabelecer contacto verbal com os estrangeiros, talvez por timidez, talvez por razões culturais que os levam a ser discretos e comedidos nas manifestações sociais, ou talvez porque simplesmente não estão minimamente interessados em saberem de nós, ocidentais.

A preguiça reinou, e a língua tonal não ajudou, a que nesta estadia de trinta dias houvesse disponibilidade para aprender algumas palavras básicas em Lao. Ficou a saudação “sabaydee” e o obrigada “kop chai”.

Economia

Apesar dos quase 237 quilómetros quadrados (cerca de 2.5 vezes maior do que a área de Portugal), o Laos é um país relativamente pequeno, em comparação com a área dos países com que faz fronteira, com excepção do Camboja.

Em termos de população é o que apresenta o menor numero de habitantes, não chegando aos 7 milhões, com 700 mil concentrados na capital, Vientiane, sendo a segunda maior cidade, Pakse somente com 88 mil habitantes, o que representa que grande parte da população se encontra espalhada pelas zonas rurais, e dá relevo à importância que a agricultura mantem no país, que sem acesso ao mar, se encontra sujeito à pressão económica dos países vizinhos, em especial da China e da Tailândia.

Verificam-se muitos investimentos dos países vizinhos e mesmo de outros países europeus e asiáticos, em especial na construção de estradas e pontes.

Os efeitos deixados pelas guerras, tanto contra a colonização francesa, como a intervenção americana durante a guerra do Vietnam, seguido de um regime ditatorial de inspiração comunista, fazem deste país um dos mais pobres do sudoeste asiático, onde a esperança média de vida ronda os 60 anos.

A agricultura é fundamentalmente focada no cultivo de arroz, que se ocupa a maior parte do solo do centro e do Sul do país, sendo a orografia do norte demasiado montanhosa para a produção em larga escala deste cereal. A avaliar pelo devastação que se observa na floresta, em especial no centro e no sul do país, a madeira é também uma importante fonte de rendimento da população, continuando a ser a principal matéria prima usada na construção das casas, e indispensável para a confecção da comida e para aquecimento, nas zonas onde o clima das montanhas faz baixar as temperaturas.

O aumento do turismo, tanto de originário dos países ocidentais como da China e da Tailândia, que tem vindo sempre a crescer nos últimos anos, representa um papel importante na economia deste país com poucos recursos naturais, para além da floresta e dos rios.

Presença Francesa

Dos cerca de sessenta anos que durou a presença francesa no Laos, e que se estendeu ao Camboja e ao Vietname, constituindo a Indochina, ficaram alguns vestígios em termos de arquitectura, não só em termos de edifícios, com as suas típicas portadas de madeira usadas em portas e janelas, mas também no ortogonal desenho das ruas de algumas das cidades.

Mas a língua, que ainda é falada por um elevado numero de pessoas, é sem duvida o maior legado da presença francesa, encontrando-se com frequência inscrita junto a instituições oficiais e culturais, se bem que a nova geração está gradualmente a adaptar o inglês, em especial nas zonas com mais contacto com o turismo.

Em termos de gastronomia, é fácil de encontrar, nas cidades mais cosmopolitas, como Vientiane e Luang Prang uma grande oferta de restaurantes de cozinha francesa, pastelarias e cafés com esplanadas, mas que claramente estão vocacionados para os turistas. O que realmente se democratizou em termos gastronómicos foi sem dúvida o consumo de pão (coisa que na vizinha Tailândia tem pouca expressão) em especial a baguette, e que se pode encontrar à venda em todas as povoações, tanto para ser consumida em casa como vendida em sandes, cujo recheio segue o paladar da comida do Laos, com muitos pedaços de carne, gordura e vísceras, molhos e pastas de porco e peixe.

Escola em Si Phan Don

 

Vientiane

 

Savannaket

 

Champasak

Si Phan Don. Don Khon

Bem maior do que a vizinha e popular Don Det, Don Khon (não confundir com a ilha maior de Don Kong) mantem a tranquilidade característica da população que se dispersa as dezenas de ilhas habitadas que constituem Si Phan Don.

O que torna esta ilha mais popular são as cascatas Somphamit, situadas no lado poente da ilha. Para cruzar a ponte que liga as duas ilhas que atravessa é necessário pagar 25.000 kips (2.5€), bilhete que também dá acesso às cascatas, mas cujo valor é exagerado tendo em conta o preço praticados no Laos.

Para poder percorrer toda a ilha foi necessário recorrer a uma bicicleta, em que a escolha recaiu para uma de montanha, que apesar de não estar nas melhores condições ofereceu algum conforto nos percursos de terra batida, com muitas zonas pedregosas a testarem a resistência do pneus.

Mais o mais interessante da visita à ilha, para além da calma atmosfera que se sente durante a manhã, ainda sob o ar fresco deixado pela noite, foram os vestígios de um pequeno troço de caminho de ferro, construído durante a colonização francesa, com o intuito de tornar viável o uso do Mekong como via-rápida para o transporte de mercadorias, numa zona em que as cascatas existentes em Si Phan Don, tornaram inviável a circulação dos barcos. A solução encontrada passou por içar os barcos para vagões puxados por uma locomotiva que os transportava para o outro extremo da ilha, onde era novamente colocado no rio, e prolongando-se até ao topo norte de Don Det cruzando a ponte construída com esse propósito.

A solução não foi duradoura, tendo somente sido transportados três barcos de mercadorias a vapor. Do que foi esta antiga linha pouco resta para além da ponte e duas locomotivas que foram construídas propositadamente para efectuarem este serviço, sendo o canal ferroviária ocupado pela principal estrada que atravessa Don Khon.

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Uma das pontes de madeira que é necessário atravessar ao longo do percurso pela ilha de Don Khon

 

Cascatas de Somphamit

 

Cascatas de Somphamit

 

 

Uma das praias do Mekong, mas esta, apesar de oferecer um leito de areia (enquanto as outras é mais um misto de lama e lodo) é particularmente perigosa pois situa-se depois das cascatas de Somphamit

 

Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó
Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó

 

Don Khon

 

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Don Khon

 

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Don Khon. Cais onde os navios de mercadorias e de passageiros atracavam antes e serem içados para os comboios que os transportavam através das ilhas de Don Khon e Don Det, vencendo assim o desnível do rio que cria uma barreira de cascatas instransponível para navios a vapor

 

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Don Khon

 

mapa com a antiga linha de caminho de ferro

 

Don Khon, onde a vegetação, pesar de muito destuída pela necessidade de lenha e de maior área de cultivo, ainda mantem zonas de reconfortante sombra que tornam mais agradável o passeio por Don Khon

Si Phan Don. Don Det

A zona de Si Phan Don, conhecida por “quatro mil ilhas” situa-se no extremo Sul do Laos, muito perto da fronteira com o Camboja, onde a orografia plana permite que o Mekong alargue o seu leito, estendendo-se por uma largura de catorze quilómetros. É nesta espécie de delta, muito longe ainda da sua chegada ao mar, que só ocorre no Sul do Vietnam, que surgem pequenas ilhas, as maiores das quais permanentemente habitadas, outras mais pequenas sem presença humana e muitas ilhotas e bancos de areia, que na época seca surgem efemeramente nas águas esverdeadas.

A maior destas ilhas, a mais desenvolvida e a mais popular, é Don Kong; um pouca mais a Sul ficam Don Khon e Don Det, as únicas ligadas artificialmente por uma ponte, construída pelos franceses durante a colonização, numa zona onde o meio de transporte são os barcos, mais ou menos pequenos que efectuam carreiras mais-ou-menos regulares com os cais de Ban Nakasang e Ban Hat Xai Khoun, as principais povoações situadas na margem esquerda do Mekong, que nesta zona constitui fronteira com o Camboja.

A escolha foi para Don Det, recentemente tornada muito popular entre os backpackers, onde ainda a presença turística, se encontra equilibrada com o tradicional quotidiano da população, em que o dia começa cedo com a preparação do lume que enche o ar de uma fina película de fumo, para a preparação da primeira refeição do dia que reúne toda a família cujas três gerações habitam a mesma casa, com as crianças a encaminharem-se para a escola envergando os seus uniformes de camisa branca, as galinhas passeando com as suas crias enquanto esgravatam a terra seca e poeirenta, os galos entoando cânticos ao nascer do sol, alguns dos quais mantidos em gaiolas de bambu, preparados para os combates, vendedoras de legumes que transportam a sua mercadoria em cestas penduradas no bambu colocado sobre o ombro…

E a somar a tudo isto existe um outro mundo também cheio de actividade que está associada ao rio, com pequenos barcos movidos a remos que inspecionam as redes de pesca, e outros um pouco maiores destinados ao transporte de passageiros e carga, cujos estridentes motores quebram a calma da ilha.

Uma única estrada circunda a ilha, e outra que a travessa pelo meio dos campos de arroz que ocupam praticamente toda a superfície de Don Det: ambas sem pavimento e somente com largura suficiente para circularem motos com atrelado lateral, que são o meio de transporte de mercadorias mais utilizado, onde em geral a maioria das pessoas desloca-se a pé ou de bicicleta, numa ilha que não tem muito mais do que três quilómetros de comprimento.

Foi uma forma de terminar calmamente a estadia no Laos, onde da varanda do bungalow onde me instalei pude apreciar intensos nasceres-do-sol, sempre envolvidos por uma suave bruma, que só deixava ver o tom laranja do sol quando este já se afastava um pouco da linha do horizonte. Do outro lado da ilha, numa zona menos densamente ocupada por bungalow pôr-do-sol constitui outra atracção, numa zona onde a paisagem do rio é mais ampla e com menos ilhotas.

Mágicos foram também os dias em que a lua-cheia, despontando quando ainda do outro lado da ilha o sol ainda persiste, iluminou a escuridão que se abate sobre a ilha durante a noite, pouco depois das sete da tarde, altura em que a vida local se recolhe em casa para descansar, ficando a noite reservada aos cafés, restaurantes de chill-outs que se concentram ao longo do lado nascente da ilha, dispostos ente a estrada e o rio, em periclitantes estruturas de betão e madeira.

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente
Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente

 

Don Det
Don Det

 

Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det
Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Vida difícil....
Vida difícil….

 

Um dos locais de eleição para algumas das refeições consumidas aqui na ilha, quebrando um pouco a rotina da quotidiana sopa de noodles, que foi o “prato forte” da estadia no Laos. Aqui deliciei-me com kebab de abóbora e panquecas de chocolate

 

Paradise Bungalows onde fiquei instávelmente instalada mesmo por cima das águas do rio, nos dias passados em Don Det

 

Nascer do sol visto do bungalow onde fiquei instalada

 

Don Det

Champasak até Si Phan Don

Objectivo delineado à entrada do Laos: não utilizar meios de transporte turísticos e usar sempre que possível os transportes colectivos nas deslocações no interior do país.

Passados 24 dias desde a minha chegada, objetivo alcançado somente com uma excepção: um percurso efectuado barco, entre Paksé e Champasak, onde já não funcionam as carreiras regulares; os outros percursos de barco, apesar de turísticos continuam a funcionar como meio de transporte da população local.

Esta premissa revelou-se não trazer aqui no Laos qualquer benefício económico, ao contrário da Tailândia, em que era relevante a diferença entre o preço oferecido pelas agências de viagens e o que se conseguia obter na companhia estatal ou mesmo de companhias privadas, se se comprasse o bilhete directamente no terminal de autocarros.

Aqui no Laos, apesar dos autocarros locais serem relativamente baratos, quase sempre deixam os passageiros em terminais, localizados suficientemente longe das cidades, obrigando a recorrer a um tuk-tuk ou a um songthaews para chegar ao centro da povoação ou mesmo para fazer a ligação de autocarro com outro destino; o que obriga a pagar um preço excessivamente alto (nunca menos de 20.000 kips), com pouca possibilidade de negociação, para uma viagem inferior a dez quilómetros. Uma viagem de cerca de 240 quilómetros custa 40.000 kip (cerca de 4€), mas à qual tem sempre que acrescentar mais o custo dos tuk-tuks ou dos songthaews, o que a transforma no dobro.

Posto isto, o dia iniciou-se com o nascer do sol, aproveitando o ar fresco que não dura muito para além das nove horas da manhã, com um percurso de uns três quilómetros, até ao extremo Norte de Champasak, onde atraca o “ferry” que faz a ligação entre as duas margens do Mekong. A designação “ferry” aplica-se a uma plataforma de madeira, toscamente construída, assente sobre o que resta do casco de três barcos, formando uma jangada movida a motor, mas de tamanho suficiente para transportar quatro automóveis. Existe uma outra estrutura mais ligeira, destinada a passageiros e a motos.

Enquanto esta embarcação desliza lentamente pelas esverdeadas águas do rio, observando as suas margens que aos poucos vão ganhando côr, saboreando a brisa fresca do rio e embalada pelo trepidar do barco, chega o odor a erva-príncipe, vinda das sopas que noodles que são vendidas a bordo, por mulheres que transportam ao ombro, penduradas nos extremos de um bambu, duas panelas: uma com o caldo de peixe, e a outra com os noodles e a mistura de menta, hortelã e rebentos de soja.

Foi impossível resistir a esta deliciosa sopa, que se tornou memorável pelo ambiente, tanto natural como humano, e pelo local onde foi consumida, em mais um dos trajectos efectuados pelo Mekong.

Seguisse uma espera de mais de meia hora, sentada na minha mochila à beira da estrada nacional Route13, por um dos muitos autocarros e songthaews, que efectuam a ligação entre Paksé e Si Phan Don, conhecida pelas “quatro mil ilhas” que surgem no meio do Mekong, numa zona onde o rio se alarga mesmo antes de chegar à fronteira com o Camboja.

A viagem até Ban Nakasang, povoação que não oferece mais do que uma rua ao longo da qual se dispõem diversas lojas, a a maioria dedicada a artigos de pesca, e que termina no cais de embarque para as ilhas de Si Phan Don, feita num pouco confortável songthaews, que obriga os passageiros a irem sentados, paralelamente à estrada, frente a frente, onde nunca é respeitado o limite máximo de passageiros nem tão pouco o peso da mercadoria transportada, que tanto pode ir no tejadilho, no estrado metálico que serve de degrau ao veículo, ou no seu interior, tornado a entrada ou a saída de algum passageiros num complexo movimentar de pessoas e carga.

Mas são este tipo de viagens, longe dos herméticos veículos de ar-condicionado, e dos autocarros cheios de ocidentais que invariavelmente iniciam estas viagens com a habitual conversa de viajante, referente ao próximo destino, países por onde passaram, duração da viagem, etc… mas que rapidamente sucumbem ao cansaço e ao desconforto provocado pelo maus estado das estradas, que trazem melhores memórias e mais histórias; onde é possível viajar com a população local, partilhando ao mesmo tempo sorrisos, comida, gestos, num país em que apesar do surpreendente bom nível de inglês que se fala, é ainda uma barreira intransponível para a maioria da população, em especial longe dos meios urbanos.

E surge novamente a sensação de liberdade proporcionada por viajar num veículo tão simples, sem janelas ou portas… sentir os cheiros da terra seca, das pessoas, do arroz acabado de cozer, as espetadas de carne grelhada acompanhadas de stick-rice, que são vendidas aos passageiros cada vez que o veículo para numa povoação de beira-de-estrada… apreciar a brisa, que desalinha o cabelo e que mesmo poeirenta, trás uma bênção de ar fresco.

Após a espera de numero suficiente de passageiros para efectuar a ligação até Don Det, o pequeno barco de madeira movido a motor lá fez a sua curta viagem de menos de dez minutos.

Cais do ferry boat em Champasak
Cais do ferry boat em Champasak pouco depois do nascer do sol

 

Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o "ferry" que liga as duas margens
Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o “ferry” que liga as duas margens

 

Champasak
Champasak

 

Champasak
taxi-boat… uma alternativa para atravessar o rio sem esperar pelo ferryboat

 

refeição no ferry durante a travessia do Mekong
refeição no ferry durante a travessia do Mekong

 

Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul
Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul

 

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songthaew entre Ban Muang, a povoação onde atraca o ferry e Ban Nakasang, onde se pode apanhar outro barco para uma das ilhas de Si Phan Don

 

Cais de embarque em Ban Nakasang
Cais de embarque em Ban Nakasang

Champasak. Wat Phou

Os cerca de oito quilómetros que separam Champasak das ruínas de Wat Phou foram percorridos de bicicleta, ainda de noite de forma a chegar ao Wat Phou a tempo de ver o nascer do sol.

Wat Phou, que em Lao significa Montanha Mosteiro, construído entre os séculos VI e XII, é actualmente um conjunto de ruínas de templos dedicados ao culto de deuses Hindus que juntamente com o Budismo eram venerados pelos Khmers, que dominaram um vasto império que se estendia desde o que actualmente é o Camboja, incluindo o Laos, e estendendo-se até às fronteiras com a Tailândia e com a Birmânia.

Celebra-se na lua-cheia de Fevereiro, o festival Makkha Busa, que apesar de pertencer ao calendário Budista comemorando o primeiro sermão proferido por Buda depois de ter alcançado a iluminação, incluí na sua celebração muitos elementos da religião Hindu, atraindo peregrinos tanto do Laos como da Tailândia, sendo o Wat Phou em Champasak, um dos locais de culto.

Mais do que as ruínas em si, o principal atractivo desta visita acabou por ser a presença dos peregrinos, tanto pelo sentido religioso dado ao local mas também pelo ambiente de festa que rodeia todo o Wat Phou constituído principalmente por restaurantes que desde manhã cedo preparam carne cujo cheiro enquanto é grelhada enche o ar, ao mesmo tempo que se ultimam os preparativos para a festa e se testam as colunas de som.

Wat Phou
Wat Phou

 

Wat Phou
Wat Phou ao nascer do sol

 

Wat Phou
Wat Phou

 

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Um dos linteis que ainda se encontram nas ruínas de Wat Phou atestando a qualidade do trabalho arquitéctónico e decorativo deixado pela presença Khmer

 

Pluméria, árvore com os seus estranhamente troncos despidos de folhas inibidas pela secura do ar, mas que continua a dar flores, pequenas de quatro branca pétalas, de odor muito doce e que foram adoptadas como símbolo do Laos em termos de promoção turística.
Pluméria, árvore com os seus estranhamente troncos despidos de folhas inibidas pela secura do ar, mas que continua a dar flores, pequenas de quatro branca pétalas, de odor muito doce e que foram adoptadas como símbolo do Laos em termos de promoção turística

 

Incensos colocados junto às figuras representando divindades hindus e junto a rochas e árvores
Incensos colocados junto às figuras representando divindades hindus e junto a rochas e árvores

 

Piscinas situadas na planicie que se estende em frente ao que resta do Wat Phou construido durante a presença Khmer na região; ainda envoltas na bruma matinal.
Piscinas situadas na planície que se estende em frente ao que resta do Wat Phou construído durante a presença Khmer na região; ainda envoltas na bruma matinal.

 

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Uma das estátuas do edificio que foi outrora o palácio

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Wat Phou
Wat Phou que incluí duas piscinas, associadas à mitologia Hindu

 

um elefante esculpido no granito coberto de fungos, mas datado do século IX, posterior à presença Khmer na região, mas que se mantem como local de culto, junto ao qual se colocam oferendas e se realizam orações
um elefante esculpido no granito coberto de fungos, mas datado do século IX, posterior à presença Khmer na região, mas que se mantém como local de culto, junto ao qual se colocam oferendas e se realizam orações

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Gruta de onde constantemente escorre água, mas que nesta época seca não é mais do que umas insistentes gotas de água que é considerada sagrada, sendo recolhida e levada pelo peregrinos em garrafas de plástico
Gruta de onde constantemente escorre água, mas que nesta época seca não é mais do que umas insistentes gotas de água que é considerada sagrada, sendo recolhida e levada pelo peregrinos em garrafas de plástico

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Apesar da maioria da população do Laos ser Budista, mantem-se a veneração dos deuses Hindus, em especial durante o festival Makkha Busa, que durante os três dias de duração atrai peregrinos, que visitam o Wat Phou, cronfrindo um ambiente religioso ao local ao mesmo tempo que ao longe os altifalantes com as suas musicas tailandesas espalham o clima de festa
Apesar da maioria da população do Laos ser Budista, mantem-se a veneração dos deuses Hindus, em especial durante o festival Makkha Busa, que durante os três dias de duração atrai peregrinos, que visitam o Wat Phou, cronfrindo um ambiente religioso ao local ao mesmo tempo que ao longe os altifalantes com as suas musicas tailandesas espalham o clima de festa

 

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Escadarias que levam aos templos principais de Wat Phou ladeadas por Plumélias que espalham pelo chão flores brancas

 

Vendedoras ambulantes de sopa de noodles num dos acessos às ruínas
Vendedoras ambulantes de sopa de noodles num dos acessos às ruínas

Champasak

Uma paragem diferente neste percurso pelo Laos que tem tido poucos ou quase nenhuns apontamentos de carácter cultural, tendo-se assemelhados mais a uma deambulação rumo ao Sul, disfrutando dos rios, das paisagens e essencialmente das cidades.

A povoação de Champasak não tem nenhum motivo de particular interesse e a impressão à chegada foi de um local adormecido e monótono, que apesar da harmonia provocada pelos conjunto de casas que se dispõem ao longo da rua e do ambiente calmo e rural, pouca vontade deu de permanecer por muito tempo.

Pouco ficou na memória para além da única rua ao longo da qual se desenvolve a povoação, ladeada por casas que conservam na maioria a arquitectura tradicional das povoações junto aos rios, constituídas por dois pisos: o superior destinado a habitação e o inferior, constituído por pilares e algumas paredes, que podem ser de tijolo ou simplesmente de bambu, destinado a armazenamento; casas estas perfeitamente adaptadas às subidas inesperadas das águas do Mekong, que corre paralelamente ao longo de toda a povoação.

Champasak foi somente uma escala no objectivo de visitar as ruinas dos antigos templos construídos durante o domínio Khmer e que são a versão laosiana de Angkor Wat: Wat Phou.

Champasak
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