• Skip to main content
  • Saltar para o rodapé

Stepping Out Of Babylon

Travel & Photography

  • Sobre mim
    • Contacto
  • Destinos
    • África e Médio Oriente
      • Irão
      • Líbano
      • Marrocos
      • Turquia
    • Extremo Oriente
      • Japão
      • República Popular da China
      • Taiwan (Formosa)
    • Subcontinente Indiano
      • Bangladesh
      • India
      • Nepal
      • Sri Lanka
    • Sudoeste Asiático
      • Camboja
      • Indónesia
      • Malásia
      • Myanmar
      • República Popular do Laos
      • República Socialista do Vietname
      • Singapura
      • Tailândia
  • Itinerários
  • Dicas de viagem
    • Caminhadas & Parques Naturais
    • Comida em Viagem
    • Travessia de Fronteira
    • Vistos
  • Fotografia

Índia

On the road again… do Rajastão para Gujarat

On the road again… novamente em modo de viajante, de cidade em cidade, de bus para bus, passando por longas esperas em poeirentos terminais de autocarros, saboreando lentamente chai atrás de chai que adoçam a boca e reconfortam o estômago. Sem tempo para repousar numa cama, sem hipótese de tomar um duche… as noites são aproveitadas para viagens de autocarro onde há sempre tempo para ir saboreando a fruta e os snacks que servem de refeição durante as lonas horas passadas nos autocarros.

Depois de uma noite passada no deserto de Thar, com um pequeno-almoço à base de chá e pharatas de mel, mais um percurso de camelo de volta a Khuhri, uma hora de viagem, de pé na parte de trás de uma carrinha de caixa-aberta, de um delicioso thali em Jaisalmer é hora de seguir viagem em mais um autocarro-cama em direção ao estado vizinho situado a sul do Rajastão: Gujarat.

Após 17 horas de viagem acorda-se numa outra Índia. Ou melhor, outra face da mesma incrível Índia, rica em diversidade…. outros rostos, outra forma de vestir, outra comida, outra língua, outras cores outros cheiros… até num simples chai, que por definição é um chá com leite e açúcar, apresenta-se no Gujarat escuro, intenso de sabor, rico em especiarias deixando na boca o pungente do gengibre.

... rectas a
… rectas a “perder de vista”
on the bus....
on the bus….
autocarros cama, com compartimentos individuais e duplos, muito comuns em percursos longos, circulando geralmente durante a noite; os chamados night-buses
autocarros cama, com compartimentos individuais e duplos, muito comuns em percursos longos, circulando geralmente durante a noite; os chamados night-buses
Chai tomado no autocarro numa das muita paragens para descanso, refeições e tomada de passageiros
Chai tomado no autocarro numa das muita paragens para descanso, refeições e tomada de passageiros
fim do dia ainda na planicies do Rajastão
fim do dia ainda na planices do Rajastão; mais uma noite passada num autocarro, com o sono embalada pelo solavancos da estrada e pelo som do i-pod

Thar Desert

O sol já desapareceu por trás das pequenas e arredondadas colinas formadas pela fina areia que lentamente se vai deslocando pela planície quase desértica, engolindo com o seu avanço a escassa e ressequida vegetação.

Com o sol já oculto pelas distantes dunas que a toda a volta emolduram a paisagem, as cores vão-se desvanecendo e os contornos dos esqueléticos arbustos vão perdendo forma. A luz que ainda espreita por trás da linha do horizonte tinge o céu de tons quentes alaranjados, passando para os lilases e terminando num azul cada vez mais escuro à medida que os olhos sobem em direção ao céu.

O fogo aceso para cozinhar o jantar, sobressai cada vez mais no escuro da noite, lambendo os toscos recipientes, onde há muito deixou marca irreversível nos tachos metálicos. Num fervem as lentilhas no outro cozinha-se o arroz; ouve-se no silêncio da noite o ranger da faca a cortar os legumes que vão servir de base ao caril.

A oscilante viagem no dorso de um camelo pela paisagem árida pontuada pelo verde esbatido dos resistentes arbustos, de inicio ridícula, foi ficando mais atraente à medida que o sol foi descendo no horizonte, oferecendo à paisagem as cores magníficas que parecem irradiar uma energia florescente.

Aos poucos o céu vai-se decorando de estrelas, tímidas de inicio mas que aos poucos se vão tornando mais brilhantes, parecendo trazer consigo o manto frio da noite que nos faz aproximar mais da fogueira e procurar refúgio nas mantas que vão servir de cama durante a noite passada ao relento sob a fina areia do deserto.

Mas o que realmente marcou esta modesta aventura foi o silêncio. O verdadeiro silêncio ausente de presença humano ou de outro animal. Um silêncio sem vento, sem ondas, sem árvores. Um silêncio leve e transparente, mas dominante e envolvente.

Thar Desert
Thar Desert
Thar Desert
Thar Desert
Thar Desert
Thar Desert
Praparação do jantar
Praparação do jantar
Thar Desert ao anoitecer
Thar Desert ao anoitecer
Thar Desert ao amanhecer
Thar Desert ao amanhecer
Thar Desert ao amanhecer
Thar Desert ao amanhecer
Preparação do pequeno-almoço com deliciosas pharatas de mel
Preparação do pequeno-almoço com deliciosas pharatas de mel

Tour:

O percurso pelo deserto de Thar, denominado pomposamente de safari, foi organizado pela Arjun Family Guest House.

Existem duas opções: a mais curta, que começa pelas 4pm e termina do dia seguinte, pelas 9am, com uma noite no deserto e que inclui jantar e pequeno-almoço. Custo: 450 INR.

Em alternativa, o percurso pode estender-se por dois dias, com inicio pela manhã, o que permite afastar mais da povoação de Khuri entrando profundamente pelo deserto, incluindo visita a aldeias. Custo: 1200 INR.

Comer:

Uma básica e simples refeição mas de paladar delicioso acompanhada de

Transportes:

Infelizmente a única opção encontrada para o percurso pelo deserto foi o camelo, ou melhor, um dromedário, pois em Khuhri não existe outra alternativa, como os populares jeeps. Melhor em termos ambientais mas longe de respeitar os direitos dos animais que não devem ser usados para diversão.

Khuhri

A partir de Jaisalmer, a cidade mais o Oeste do Rajastão e a que se situa mais perto da delicada fronteira com o Paquistão, é possível visitar o deserto de Thar tendo como base uma das muitas pequenas aldeias espalhadas pela seca e árida paisagem.

A escolha recaiu em Khuhri, situada a meio caminho entre Jaisalmer e a fronteira.

Pelo meia da tarde a aldeia apresenta-se aparentemente deserta, com cães a dormir ao abrigo das poucas árvores que a espaços sobressaem dos tons castanhos e bejes, comuns à terra que cobre as ruas e às fachadas das casas.

Perante os poucos atractivos de Khuhri, estadia foi de curta duração tendo-se resumido a uma refeição servida no pátio da casa da família Arjun, proprietária de uma das guest houses e que organiza os populares “safaris” pelo deserto, motivo pelo qual estas pequenas aldeias atraem visitantes.

E aventura no deserto começa aqui….

Khuhri
Khuhri
Khuhri
Khuhri
Khuhri
Khuhri

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Khuhri
Khuhri
Khuhri
Khuhri

Alojamento:

Arjun Family Guest House

Quarto duplo, incluindo três refeições: 200 INR (wc partilhado)

Arjun Family Guest House. Os quartos são básicos mas oferecem um abrigo agradável ao calor seco do deserto, seguindo as técnicas de construção tradicionais com espessas paredes de terra e cobertura feita de troncos e vegetação seca
Arjun Family Guest House. Os quartos são básicos mas oferecem um abrigo agradável ao calor seco do deserto, seguindo as técnicas de construção tradicionais com espessas paredes de terra e cobertura feita de troncos e vegetação seca
Arjun Family Guest House
Arjun Family Guest House
Arjun Family Guest House
Arjun Family Guest House

Onde comer:

Em Khuhri, na ausência de restaurantes, somente as guest houses disponibilizam refeições.

Somente existem duas pequenas mercearias.

Transportes:

Khuhri situa-se a cerca de 42 km a sudoeste de Jaisalmer, o que significa aproximadamente uma hora de viagem de autocarro.

Custo: 30 INR

Autocarros partem do Hanuman Circle (cerca de 3 km do forte), com horário incerto, por isso o melhor é chegar de manhã cedo ao terminal de autocarros existente nessa zona e perguntar às pessoas que lá se encontram.

A partir da State Bus Stand, localizada no canto sudoeste do forte, existem também autocarros para Khuhri: 11am e 5pm, mas é melhor confirmar esta informação na guest house ou em alguma agência de viagens.

Um dos terminai de autocarros de Jaisalmer. Daqui é possível encontrar transporte para Khuhri
Um dos terminai de autocarros de Jaisalmer. Daqui é possível encontrar transporte para Khuhri

Udaipur

Udaipur
Udaipur

Em oposição à árida e seca Jaisalmer é árida, isolada numa planície quase inóspita, Udaipur apresenta-se fresca e amena, rodeada por lagos e suaves montanhas. A parte antiga da cidade coroada pelas torres dos templos Hindus e por palácios construídos ao estilo mourisco deixados pelo Império Mongo, parece escorregar pela encosta até chegar às águas calmas do lago.

As ruas íngremes da cidade desaguam em ghats cujos degraus plenos de vida, tanto servem para os banhos matinais, ganhando um colorido especial com a roupa a secar em improvisados estendais, como para adolescentes tentam a sua sorte na pesca; grupos de crianças entretém-se em animadas competições lançando barcos de papel às águas que se agitam com a passagem dos muitos barcos que transportam turistas em visita à chamada “Cidade dos Lagos”, muitas vezes comparada com Veneza.

Na parte antiga concentram-se a maioria dos alojamentos e restaurantes, lojas e agências de viagens, destinados aos muitos turistas, nacionais e estrangeiros que visitam a cidade, famosa também pelos artistas que executam elaboradas e intrincadas gravuras inspiradas nas antigas imagens de marajás, elefantes e camelos.

Modernos edifícios competem ferozmente pelo título “highest roof top” e pela melhor vista para o pôr-do-sol, oferecendo sessões de cinema com a exibição diária do filme Octopussy, onde as aventura de James Bond formam filmadas nesta cidade.

Mas é afastando-nos das bucólicas águas dos lagos, e caminhado ao longo do bazar que se volta a encontrar a habitual azáfama comercial, saborear os deliciosos kachori e samosas acabadas de fritar, ou um simples e açucarado chai; dóceis e pachorrentas vacas deambulam calmamente indiferentes às buzinas das motos e tuk-tuks, que com uma habilidade invejável circulam por entre transeuntes, vendedores ambulantes, veículos de mercadorias, cães e demais obstáculos.

Caminhando por estreitas e intrincadas ruas, onde fachadas rasgadas por janelas decoradas com arabescos e motivos geométrico, pintadas em tons suaves de rosa, azul ou verde que nos recebem com uma luminosidade acolhedora, passamos pelo verde islâmico das mesquitas e o laranja das mandirs decoradas com suásticas.

Sucedem-se lojas e mais lojas, abertas para a rua, cada uma destinada à venda de um único tipo de produto ou especializada numa gama muito particular, onde a nossa passagem desperta olhares curiosos que quase sempre acabam em sorrisos.

Ficou a faltar a visita aos palácios que dão fama à cidade assim como os tradicionais passeios de barco pelos lagos que rodeia Udaipur, mas ficou visível mais uma faceta da cultura e da diversidade do Rajastão, e inspiradores pôr-de-sol a coroar pacatos dias.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur. Gaths
Udaipur. Gaths
Udaipur
Udaipur
Udaipur. Bara Bazar
Udaipur. Bara Bazar
Udaipur
Udaipur
Udaipur
Udaipur
OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Udaipur
Udaipur
Udaipur

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Udaipur
OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Udaipur

Alojamento:

    Hotal Lake View

   Quarto duplo com wc: 500 INR (o preço inicial é de 750 INR)

   Free wi-fi

A outra margem do Lago Pichola, à qual se acede por uma pequena ponte pedonal, oferece também uma grande variedade de alojamentos e restaurantes numa ambiente mais calmo.

Evitar a muito referenciada Lal Ghat Guest house, pelo elevados preços e espartanos e básicos quartos. Contudo com uma ótima localização junto ao lago e privilegiada localização para o pôr-do-sol.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Lake View Guest House
Lake View Guest House
Lake View Guest House

Onde comer:

Fora do centro, junto à Delhi Gate é possível encontrar alguns dos melhores restaurantes da cidade com oferecendo uma ementa variada, e comida bem confecionada, servida em ambiente calmo e tranquilo, o que justifica os preços mais elevados em comparação com os típicos dhabas.

Caso se pretenda uma experiencia mais familiar nada como o Queens Café (do outro dado da ponte pedonal), à frente do qual a cativante energia de Meeru torna o caril de abóbora numa especialidade, e onde a mistura de especiarias “da casa” dá um toque único.

Para pequeno-almoço, serve-se aloo paratha (pão achatado, cozinhado com óleo e recheado de batata) acompanhada com iogurte e com um forte e aromático chai (chá preto fervido com leite e por vezes um pouco de gengibre).

Meera Restaurant em Delhi Gate, Udaipur
Meera Restaurant em Delhi Gate, Udaipur
Queen's Cafe. Meeru Restaurant... uma experiência muito familiar que nos transporta literalmente para uma casa indiana
Queen’s Cafe. Meeru Restaurant… uma experiência muito familiar que nos transporta literalmente para uma casa indiana

Transportes:

Da estação de comboio até à zona onde se situa a maioria do hotéis e guest-houses, junto ao lago – Lal Gath, Gangaur Gath e City Palace, é aconselhável fazer o percurso de tuk.tuk, pois a orografia da cidade é pouco convidativa a percursos pedestres com mochilas pesadas; custo mínimo 80 INR.

Jaisalmer

Abrupta mudança… depois de uma estadia de seis semanas na região de Dharamsala, com o cenário das montanhas de Dhauladhar a ficar cada vez mais branco de neve e com o frio cada vez mais presente, é tempo de rumar a sul, em busca de calor. Destino: Rajastão, mais precisamente a cidade de Jaisalmer às portas do deserto de Thar, com uma paragem de uma dúzia de horas na caótica e poluída cidade de Delhi.

Jaisalmer é castanha, seca e árida mas veste-se de dourado quando iluminada pela mágica luz do pôr-do-sol, que desaparece na aparente infinita planície que se estende daqui até ao Deserto de Thar para lá do qual fica o Paquistão.

Pelas estreitas e intrincadas ruas da parte antiga da cidade, protegidas pelas espessas muralhas do forte que circunda a única colina existente na árida e quase desértica paisagem, sente-se uma atmosfera calma e pacífica, onde a vida doméstica exposta pelas portas abertas das casas, se mistura com as muitas lojas e restaurantes destinados aos turistas.

A contrastar com a dominante presença dos tons castanhos da pedra calcária que serve de base à construção de praticamente todos os edifícios, surgem fachadas pintadas de cores suaves, desde os azuis, rosas e verdes que por momentos nos transportam para o norte de África, atestando a presença do império Mongol, que também deixou a sua marca nos arabescos e nas cúpulas que decoram edifícios e palácios.

Longe do ambiente calmo que se vive no forte, a cidade de Jaisalmer vibra de actividade em especial no percurso entre as portas do forte e Gandhi Chowk, onde ao longo do Bhatia Bazar se pode encontrar um pouco de tudo, desde pequenas lojas de snacks, onde dominam as samosas (chamuças) e os katchuri, fritos tradicionais do Rajastão, às tentadores lojas de doces, mas onde sobressaem as lojas de venda de tecidos e de saris que enchem as ruas de um colorido especial que caracteriza as roupas das mulheres desta região da Índia.

 

Jaisalmer
Jaisalmer vista das muralhas do forte
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Jaisalmer
Governamental Shop, onde se encontram à venda bens essenciais a preços inferiores aos dos restantes postos comerciais. Este tipo de lojas encontra-se um pouco por todo o lado mas são quase impossíveis de identificar pois tudo se encontra escrito em hindi
Jaisalmer
Jaisalmer,  Bhatia Bazar
OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Jaisalmer, Gopa Chowk
Jaisalmer
Jaisalmer

Alojamento:

Hotal Royal Stay

Quarto duplo com wc: 300 INR

Free wi-fi

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Hotel Royal Stay, Jaisalmer
Hotel Royal Stay
Hotel Royal Stay, cujo terraço é um óptimo local para apreciar o pôr-do-sol
Hotel Royal Stay. Contactos
Hotel Royal Stay. Contactos

Onde comer:

Para evitar os restaurantes mais turísticos e mais caros o melhor é sair do forte, mesmo que à primeira vista o confuso ambiente e os insistentes condutores de tuk-tuk desencorajem grande passeios.

Neste pequeno restaurante de desconhecido nome, mas que se situa mesmo ao lado do Om Cafe, à saída do forte (Gopa Chowk), servem-se delicioso thali por 100 rupias com direito a “refill”.

Restaurante em Jaisalmer, fora das muralhas que serve um óptimo thali por 100 rupias, com direito a
Restaurante em Jaisalmer, fora das muralhas que serve um óptimo thali por 100 rupias, com direito a “refill”

Transportes:

Jaisalmer tem estação de comboios que fica a uns três quilómetros da parte antiga da cidade. A maioria das guest-houses providencia transporte desde a estação de comboios até ao forte.

A partir de Jaisalmer é fácil viajar para outras cidade do Rajastão e para o estado vizinho do Gujarat, sendo os autocarros privados a solução mais atractiva, muitos oferecendo viagens nocturnas em autocarros cama, designados por “sleeper bus”.

Horários dos autocarros com destino às principais cidades do Rajastão, assim como para Gujarat e Delhi
Horários dos autocarros com destino às principais cidades do Rajastão, assim como para Gujarat e Delhi

Fronteira Sunauli – Belahiya (Índia/Nepal)

Paz! É a palavra que melhor descreve a sensação que se tem aqui em Lumbini, em especial depois da viagem desde Delhi que demorou praticamente vinte e quatro horas.

O nome leva-nos talvez para as montanhas italianas, mas esta povoação fica no sul do Nepal, na planície húmida e pantanosa junto à fronteira Indiana.

A saída da Índia iniciou-se com uma viagem de 16 horas, mas que com os habituais atrasos se prolongou por mais duas, fazendo com que a chegada a Gorakhpor, tenha sido pelas nove da manhã, altura em que o sol já aquecia inclementemente a poeirenta e suja praça em frente à estação, onde me deparei com mais uma hora de espera, para que o autocarro com destino à fronteira nepalesa, Sunauli, se enchesse de passageiros e iniciasse as três horas de viagem que ainda tinha pela frente.

Ao amanhecer, ainda dentro do comboio, abrigada pela atmosfera artificial do ar-condicionado, do calor e da humidade que já nesta altura do dia se sentem, ia observando as extensos arrozais envoltos na espessa bruma matinal, que criando um véu esbranquiçado diluíam os contornos das poucas árvores que emolduravam a paisagem. Nos canais que separam a linha do comboio dos campos de arroz, crescem nenúfares cujas flores brancas se destacam no denso verde, enquanto no céu se eleva uma bola cor de fogo que a fina neblina filtra permitindo-nos olhar para o sol que vai subindo no horizonte, e que constitui o único elemento de cores quentes que se avista.

O processo burocrático de sair da Índia e entrar no Nepal com o habitual preenchimento de papéis e os obrigatórios carimbos foi simples, rápido e sem complicações, graças à boa vontade dos vários funcionárias da alfândega que prontamente interromperam a leitura do jornal para carimbarem os meus papéis, dando-me prioridade em relação os grupos que aos pouco iam enchendo os escritórios, ao mesmo tempo que ia ouvindo comentários bem dispostos ao facto de o meu visto indiano estar prestes a caducar.

Mas o caminho foi um verdadeiro calvário, feito na altura mais quente do dia, em que percorri a pé a poeirenta rua que liga os dois países, desde a paragem de autocarro, até ao posto de alfândega indiano, daí até ao posto nepalês, e dá até ao terminal de autocarro, passando antes por um posto para trocar a moeda indiana por rupias nepalesas. A rua inteiramente ocupada por uma fila interminável de camiões de mercadorias, ladeada por uma sucessão ininterrupta de lojas intercaladas por alguns restaurantes, cujo aspecto me dissuadiu de lá comer, prolongando e meu jejum por mais umas horas, enquanto o suor ia ensopando a roupa e a mochila se ia fazendo cada vez mais pesada. Seguisse mais um transbordo e finalmente o autocarro para o destino final, Lumbini, que se considera ser o local de nascimento de Buddha, sempre feito por estradas em mau estado, em veículos acanhados e cheios de gente.

Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Sonauli. Fronteira Índia-Nepal
Bilhete de comboio indiano referente à ultima viagem que fiz: Delhi-Gorakhpor... perfazendo 9038 quilómetros em comboios indianos
Bilhete de comboio indiano referente à ultima viagem que fiz: Delhi-Gorakhpor… perfazendo 9038 quilómetros em comboios indianos
Posto de venda de bilhetes de autocarro na povoação de Lumbini
Posto de venda de bilhetes de autocarro na povoação de Lumbini

Adeus Índia!

Enquanto sobrevoo as montanhas do Afeganistão, onde nos vales cresce uma escassa vegetação, que salpica de manchas escuras o solo árido e despido, oiço o som do piano de uma sonata de Bach, disponibilizada pela companhia aérea de forma a tornar esta viagem de umas quase onze horas numa experiência agradável.

Para trás ficou a Índia, com o ultimo passado em Delhi, que nada teve de particularmente agradável: uma escala obrigatória no regresso a Lisboa, constituindo uma mudança abrupta em relação aos dias passados calmamente em Pondicherry.

Há medida que o avião se afasta do continente Asiático em direção à Europa, às montanhas afegãs sucedem-se vastas planícies de deserto arenoso, corajosamente atravessadas por um sinuoso rio, à volta do qual o homem se foi fixando em improváveis povoações; surgindo depois vasta planície, árida e rochosa timidamente recortada por um emaranhado de estradas, que vistas de cima a esta altitude, mais se assemelham a finos capilares e que atestam a presença humana em tão agreste paisagem.

É tempo para reflexão e para fazer o balanço desta viagem de quase cinco meses. Ficou uma paixão pela Índia. Um desejo de voltar e de ficar mais tempo.

Como tudo o que é intenso e excessivo, a Índia é capaz de provocar facilmente uma grande repulsa assim como uma grande paixão. Incluo-me no segundo grupo, mas reconheço que em alguns momentos fui levada ao meu limite, não conseguindo por vezes lidar emocionalmente com o que via e com o estava a viver.

É preciso desenvolver uma grande tolerância e paciência para conseguir lidar com o quotidiano de um país superlotado, à primeira vista caótico mas com uma organização complexa e rebuscada, onde o lixo é uma constante e a higiene se rege por padrões diferentes dos ocidentais. É um teste à capacidade de cada um de se adaptar e de saber lidar com as adversidades e com os entraves que constituem a vida quotidiana dos indianos, mas que ele encaram sem queixas ou resistência, como se tudo o que nos rodeia fosse somente ilusão e por isso sem relevância.

“If God gave heaven to indians, twenty-four hours later it would be no different from hell” texto retirado do livro “Sadhus, going beyond the dreadlocks” de Patrick Levy

O que ficou da Índia? Ficaram… as deslumbrantes paisagens coroadas de neve dos Himalaias, a característica cultura do Ladakh, protegida pelas montanhas áridas, a cidade de Srinagar, com a hospitalidade característica de Kashmir, o sul com a deliciosa comida e a cultura orgulhosamente conservada pelos habitantes de Tamil Nadu, e Pondicherry, pelos doces dias que proporcionou.

E ficou a recordação de pessoas que marcaram, e cuja amizade é um terreno a cultivar.

Mas acima da tudo, o mais marcante da Índia são as pessoas. São elas a melhor paisagem. E são elas que proporcionam a poderosa energia que este país tem.

Sobrevoei montanhas, desertos, mares… agora observo da minúscula janela do avião nuvens compactas que formam um relevo que em tudo se assemelha a uma paisagem terrestre, formando vales, planaltos e encostas, realçados pela escassa luz que ainda ilumina o céu, criando uma ténue linha de tons laranja que contrasta com as cores frias do céu que aos poucos se vai apagando, mas que pontualmente se ilumina com os relâmpagos da tempestade, que incólumes sobrevoamos.

Um pôr do sol que à medida que caminhamos para oeste, se demora no horizonte, como se o tempo estivesse suspenso. Um dia que teima em não terminar.

Bach deu lugar a Schubert!

Adeus Índia!
Adeus Índia!

Notas da Índia #4

Restaurantes de estrada

Nas muitas e longas viagens de autocarro, uma presença constante foram os restaurantes de estrada, poiso frequente de camionistas e de autocarros de longo curso, mesmo os das empresas públicas, efectuam diversas paragens para as refeições, as imperativas idas à casa de banho e muitas vezes para dormir umas horas antes de prosseguir viagem. São geralmente sujos, escuros e mal iluminados; a comida, que poucas vezes experimentei, era de fraca qualidade e de aspecto pouco convidativo, mas são locais sempre prontos a servir uma refeição a qualquer hora.

De noite é quando apresentam o aspecto mais sórdido, mas mesmo assim são pontos de luz na escuridão compacta, afastados de qualquer povoação ou local com vida, que servem de refúgio a quem efectua viagens noturnas, mas que ao mesmo tempo nos fazem sentir abandonados num imenso espaço vazio, até que de novo o motor volte a trabalhar e o autocarro nos leve para longe.

Srinagar - Delhi
Srinagar – Delhi
Srinagar - Delhi
Srinagar – Delhi
Varanasi
Varanasi
Macleod Ganj - Manali
Macleod Ganj – Manali
Macleod Ganj - Manali
Macleod Ganj – Manali
Macleod Ganj - Manali
Macleod Ganj – Manali
Bunteher (Parvaty Valley)
Bunteher (Parvaty Valley)
Manali - Leh
Manali – Leh
Manali - Leh
Manali – Leh
Manali - Leh
Manali – Leh
Macleod Ganj - Manali
Macleod Ganj – Manali
Macleod Ganj - Manali
Macleod Ganj – Manali
Srinagar - Delhi
Srinagar – Delhi

Viajar sozinha na Índia:

Não chega uma boa companhia para nos sentirmos bem, nem tão pouco o facto de estarmos sós nos tem que fazer sentir mal.

A constante actividade e a vida agitada que levamos ajuda-nos a esconder e a camuflar alguns sentimentos: leva-nos para o futuro ou por vezes remete-nos para o passado, mas definitivamente esquecendo-nos do presente. O facto de passar mais tempo sozinha obriga-me a olhar mais para mim, para as minha reações e para os meus medos. E mais tempo para apreciar o presente. Observar. Estar simplesmente. Reservar algum tempo para não fazer nada. Coisa que nos nosso dias não é cultivada e é vista como preguiça.

Como mulher recebo as atenções e os cuidados que de outra forma não teria; sou vista como fenómeno estranho, pois andar sozinho na Índia é coisa pouco frequente muito menos para uma mulher, especialmente num país em que a maior parte das viagens se fazem em família, em peregrinações a locais sagrados ou para visitar outros familiares. É mais fácil ser abordada por uma mulher do que se tivesse acompanhada por um homem; mostram-se espantadas mas ao mesmo tempo parecem que me admiram pela audácia e pela liberdade que represento, no seu mundo dominado pela presença masculina. Convidam-me por meio de gesto para me sentar junto delas, e ficam a observar-me detalhadamente, sorrindo e fazendo perguntas numa língua que eu não entendo…

Nem sempre é fácil… o peso da mochila é maior, e dado o volume nem é sempre possível levá-la para todo o lado… há que confiar em alguém para ficar a tomar conta, enquanto vou, por exemplo, à casa de banho, quando alguém a iça para o tejadilho de um autocarro e a perco de vista… é confiar! E confiar também na intuição, seguindo o instinto e deixando para trás medos e desconfianças

Viajar sozinha deu-me força e confiança, mas para isto contribuiu muito o facto de já conhecer o país, o funcionamento do seu quotidiano, as burocracias, as regras, os preços, a comida…

Perde-se um pouco a satisfação que é a partilha das experiências mas ganha-se uma imensa liberdade!

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 4
  • Página 5
  • Página 6
  • Página 7
  • Página 8
  • Interim pages omitted …
  • Página 13
  • Go to Next Page »

Footer

search

Tags

alojamento Amritsar Angkor Assam Bago Borneo Caminhadas Champasak China Beach Comida Esfahan Gujarat Himachal Pradesh Hpa-An Hué Hà Nôi Ilhas Istanbul itinerário Kashan Kashmir Kathmandu Kutch Ladakh Leh Mcleod ganj Meghalaya Nagaland Ninh Binh Nordeste da Índia Parques Naturais Parvati Valley Phnom Penh Pondicherry Punjab Rajastão Sapa Srinagar Tabriz Tamil Nadu Transportes Travessia de Fronteira Vinh Long Yangon Yazd

Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

Se achou o meu blogue útil ou inspirador, considere apoiá-lo com uma pequena contribuição. Cada donativo ajuda-me a manter este projeto vivo e gratuito para todos os que adoram explorar o mundo.

Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!

BUY ME A COFFEE

Categories

Recent Posts:

  • Líbano: itinerário para 15 dias de viagem
  • 25 dias de viagem pelo Bangladesh: itinerário
  • Japão em 6 semanas: itinerário & custos
  • Taiwan: itinerário para 16 dia viagem
  • 20 dias in Morocco: itinerário & custos
  • Kuta Lombok… o paraíso quase secreto
  • Leh & Kashmir: mapa e itinerário
  • English
  • Português

© Copyright 2026 Stepping out of Babylon · All Rights Reserved · Designed by OnVa Online · Login