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Stepping Out Of Babylon

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Resultados de pesquisa para: Laos

… saudosismo ferroviário

Da presença francesa na região ficou uma rede não muito extensa de caminhos de ferro: cerca de 612 quilómetros no Camboja e uns simbólicos 3.5 quilómetros no Laos, mais concretamente entre as ilhas de Don Det e Don Kon; as sucessivas guerras e a falta de manutenção fizeram com que o serviço ferroviário tenha sido suspenso, onde a única linha a funcionar comercialmente no Camboja, ligando Battambang à capital, Phnom Penh, tenda sido encerrada em 2009.

A visita a Battambang, que ainda subsistia uma réstia de esperança de encontrar em funcionamento esta linha, ou pelo menos parte do percurso até Phnom Penh, revelou-se infrutífera, tendo contudo servido de oportunidade para visitar a estação, situada não muito longe do centro da cidade, e onde o relógio marca permanentemente as 8.02 horas, contribuindo juntamente com o vazio do espaço envolvente, para criar uma sensação de abandono e desolação.

Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang

 

Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang

Estação ferroviária de BattambangEstação ferroviária de Battambang

Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang
Estação ferroviária de Battambang

Mas apesar de encerrado o serviço de passageiros, alguns troços da linha são utilizados pela população local para transporte de mercadorias, em plataformas de bambu que colocadas sobre rodados se deslocam sobre os carris com recurso a um motos de um motociclo, mantendo assim a funcionalidade das instalações ferroviárias, que apesar de degradadas constituem ainda um recurso como meio de transporte, num país onde a rede de estradas não é muito extensa.

Contudo, ao chegar ao local contatei que pouco resta do propósito de transportar mercadorias e população, sendo actualmente utilizado como percurso turístico, entre as estações de O Dambong e de O Sra Lav, que demora cerca de vinte minutos a meia hora, custando 5$ por pessoa. Todo este cenário demoveu-se de participar nesta Aventura, limitando-me a registar o cenário que envolve a pequena estação, onde os edifícios e outras instalações ferroviárias estão votadas ao abandono.

ponte metálica nos arredores de Battambang
ponte metálica nos arredores de Battambang
Antiga estação ferroviária de O Dambong, de onde parte actualmente o serviço turístico d Bambu Train
Antiga estação ferroviária de O Dambong, de onde parte actualmente o serviço turístico d Bambu Train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
Bambu train
ponte metálica nos arredores de Battambang, usada somente por pessoas e motos
ponte metálica nos arredores de Battambang, usada somente por pessoas e motos

Battambang

Esta cidade pouco tem para oferecer em termos turísticos, devendo a sua relativa importância ao facto de se situar a meio caminho entre Siem Reap e a fronteira com a Tailândia, corredor muito usado para quem entra e sai do Camboja em direcção ao país vizinho.

Contudo, os dois dias aqui passados, uma pausa no percurso entre Siem Reap e Phnom Penh, revelaram-se inspiradores pelo cenário oferecido pelas degradados edifícios, maioritariamente um misto de habitações e comércio, deixados pela presença francesa, onde a falta de manutenção aliada à severidade do clima marcado pelas húmidas monções conferem à cidade um ambiente decadente, mas sem perder a dignidade e algum charme que caracteriza de uma forma geral as cidades impulsionadas pelo colonialismos francês, tanto no Laos como no Camboja.

O vida na cidade, sujeito ao pesado clima que gradualmente se vai tornando mais quente até que chegada das chuvas tragam algum alívio, começa cedo, notando-se pouco depois das cinco horas da manhã um aumento significativo do movimento dos carros e das motas nas ruas, que chega ao quarto onde me alojei, sobrepondo-se ao ruído surdo e constante da ventoinha, que permite algum alívio do calor que mesmo durante a noite se sente. Mais tarde o ritmo abrande, sob a pressão do calor e do brilho do intenso sol, onde nem uma nuvem se arrisca a encobrir, tornando os corpos moles e sonolentos, levando as pessoas a refugiarem em sombras tentando aproveitar a ligeira brisa que sempre sopra do Rio Sangker, ao longo do qual se desenvolve a cidade de Battambang, que parece que se esvazia durante a tarde. Pelas cinco horas da tarde recomeça a atividade, de forma mais frenética e vibrante do que de manhã, com os mercados novamente a encherem-se para as habituais compras de alimentos ou de comida já preparada que é uma opção bastante popular, à semelhança do Laos e em particular da Tailândia.

O cento da cidade, à semelhança de outras no Camboja, como Stung Treng e Siem Reap, é assinalado pelo mercado: Psar Nat, o principal da cidade constituído por um pesado edifício de betão de linhas modernas de inspiração arte-nova, em volta do qual se alinham inúmeros vendedores de comida, sendo o seu interior reservado à venda de roupa, artigos de higiene, cabeleireiros, ourives, etc…

É também neste como nos outros mercados existentes na cidade, que se podem fazer refeições simples e económicas, essencialmente à base de sopas de arroz ou de noodles, ou a variante com os mesmo ingredientes mas salteados no wok.

A oferta de snacks, sejam doces ou salgados, é muito maior oferecendo boas alternativas a quem esteja disposto a arriscar algumas das coisas que estão à venda e que dificilmente se conseguem identificar e onde a comunicação em inglês com os vendedores é geralmente impossível. Mas vale a pena arriscar!

Constata-se facilmente que poucas são as pessoas que percorrem as ruas a pé, para além dos forasteiros e dos mendigos, sendo as motas o meio de transporte mais popular, agilizando as deslocações e o facilitando o estacionamento em frente a qualquer local, seja casa, loja ou restaurante, permitindo mesmo que se façam compras sem sequer sair do veículo.

Para os visitantes, a melhor forma de percorrer a cidade é alugando uma bicicleta, o que permite poupar algum esforço para percorrer a ruas da cidade, de uma forma geral largas e desafogadas, por vezes ladeadas de gigantescas árvores, que se dispõem de forma organizada ao longo do rio.

Mercado central da cidade: Psar Nat, em que “psar” significa mercado em khmer
Mercado central da cidade: Psar Nat, em que “psar” significa mercado em khmer
Battambang
Battambang
uma das muitas pontes que cruzam o Rio Sangker, oa fundo da qual se encontra o palácio do Governador, deixado pela colonização francesa
uma das muitas pontes que cruzam o Rio Sangker, oa fundo da qual se encontra o palácio do Governador, deixado pela colonização francesa
Battambang
Battambang
Um dos outros três mercados existentes em Battambang
Um dos outros três mercados existentes em Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Battambang
Um percurso mais afastado das ruas centrais da cidade de Battambang revela um ambiente mais pacato e rural
Um percurso mais afastado das ruas centrais da cidade de Battambang revela um ambiente mais pacato e rural
Battambang
Battambang
Psar Nat
Psar Nat
Marginal que se desenvolve ao longo do Rio Sangker, e onde ao fim do dia se começa a encher e onde proliferam vários restaurantes, essencialmente dedicados a grelhados. Ao inicio da manhã e ao fim da tarde reúnem-se grupos de pessoas para praticar exercício, sendo a opção mais popular as aulas de aeróbica que põem a população mexer ao som de música vinda de poderosas altifalantes
Marginal que se desenvolve ao longo do Rio Sangker, e onde ao fim do dia se começa a encher e onde proliferam vários restaurantes, essencialmente dedicados a grelhados. Ao inicio da manhã e ao fim da tarde reúnem-se grupos de pessoas para praticar exercício, sendo a opção mais popular as aulas de aeróbica que põem a população mexer ao som de música vinda de poderosas altifalantes
Guest House Tomato (pronuncia-se tô-má-tô), popular entre os backpacker, com quartos a 5$, situada a curta distância do centro de Battambang
Guest House Tomato (pronuncia-se tô-má-tô), popular entre os backpacker, com quartos a 5$, situada a curta distância do centro de Battambang
A minha companhia durante a tarde, que diariamente ocupou a cadeira em frente ao meu quarto, sendo praticamente impossivel de o demover
A minha companhia durante a tarde, que diariamente ocupou a cadeira em frente ao meu quarto, sendo praticamente impossivel de o demover
vista do quarto onde fiquei em Battabang, na Guest House Tomato, e onde a ventoinha serviu de alívio para as horas aqui passadas enquanto me refugiava do calor que esvazia as ruas durante parte do dia
vista do quarto onde fiquei em Battabang, na Guest House Tomato, e onde a ventoinha serviu de alívio para as horas aqui passadas enquanto me refugiava do calor que esvazia as ruas durante parte do dia
Psar Nat
Psar Nat

Siem Reap (Pt)

A cidade de Siem Reap remonta ao século XVI, altura em que o império Khmer dominou o que é hoje o Laos, o Camboja e parte da Tailândia e do Vietnam, cujo nome significa literalmente “derrota de Sião”, nome pelo qual o Reino da Tailândia era designado à época, e que ainda hoje é invocado.

Com a presença francesa a cidade, até então com pouca importância, ganho relevância e passou a ser uma das principais cidades da então chamada Indochina, em especial quando a partir dos anos . Actualmente, Siem Reap é a terceira maior cidade do Camboja com cerca de 800 mil habitantes, devendo o seu crescimento e popularidade à proximidade com os templos de Angkor, que a tornam como base para os visitantes que aqui se deslocam para visitar as ruínas da principal cidade do império Khmer.

Da presença francesa ficaram as ruas dispostas ortogonalmente, amplas e ladeadas de árvores, onde sobressai a zona mais antiga da cidade, localizada junto ao rio que partilha do mesmo nome da cidade, onde os quarteirões são ainda ocupados por edifícios de estilo colonial, originalmente destinados a habitação e comércio, sendo actualmente ocupadas por restaurantes, cafés, bares e lojas, maioritariamente destinadas aos visitantes.

É nesta zona que se situa o chamado Old Market, onde pouco resta da venda de produtos alimentares, sendo quase totalmente ocupada por bancas de venda de artesanato, roupa, acessórios e demais recordações destinadas aos turistas, à semelhança de outros mercados que se encontram nas cidades Chiang Mai, Luang Prabang. Contudo apesar dos artigos vendidos serem em tudo semelhantes aos destas cidades, adquirem aqui a designação de khmer, desde as calças, ao café.

Apesar de actualmente ser a cidade mais turística do país, o que a torna moderna e cosmopolita, Siem Reap mantem uma identidade própria que espelha o que é hoje o Camboja, um país pobre mas orgulhoso.

Siem Reap
Siem Reap
Siem Reap, onde para além do Old Market, existem pelo menos maims três mercados semelhantes, maioritariamente destinados aos visitantes estrangeiros

 

Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes
Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes

 

Siem Reap, quarteirão francês

 

Uma das muitos antigos edificios deixados pelo colonialismo francês, hoje em dia funcionado como lojas e restaurantes

 

Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes
Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes

 

Uma das melhores formas de conhecer a cidade, que não sendo muito grande ainda se estende por muito para além do centro histórico, é de bicicleta, o que requer alguma adaptação às regras com que a circulação obedece, onde não é raro encontrar motas em sentido contrário
Uma das melhores formas de conhecer a cidade, que não sendo muito grande ainda se estende por muito para além do centro histórico, é de bicicleta, o que requer alguma adaptação às regras com que a circulação obedece, onde não é raro encontrar motas em sentido contrário

 

No meio do quarteirão francês, a rua mais popular e movimentada é sem duvida a chamada "pub street"
No meio do quarteirão francês, a rua mais popular e movimentada é sem duvida a chamada “pub street”

 

Uma das muitas ofertas de entretenimento oferecidas aos visitantes

 

Quarteirão francês de Siem Reap

 

Rio Siem Reap que atravessa a cidade

 

Siem Reap

 

Siem Reap

 

Junto a um dos templos de Siem Reap, vários casais esperam, envergando roupa tradicional Khmer, para efectuarem a tradicional cerimónia que marca o inicio do noivado

 

Alojamento:

Garden Village Guest House

Quartos com e sem casa de banho: vários preços até 18$

Dormitórios: 1$ (ao ar livre+rede mosquiteira), 2.5$ (colchão no chão+rede mosquiteira+ventoinha), 3$

Free wi-fi, bar, restaurant

Aluguer de bicicletas: 1$ ou 2$ (mountain bike)

https://www.facebook.com/GardenVillageGuesthouse

Garden Village Guest House
Garden Village Guest House
Garden Village Guest House
Garden Village Guest House

 

 

 

Stung Treng

Pequena cidade, a primeira que se encontra para quem chaga do Laos, depois de percorrer os cerca de sessenta quilómetros que distam desde Veun Kham, onde se localiza o posto fronteiriço, por uma estrada praticamente desértica onde a paisagem contribui para o ambiente de desolação, onde a planície seca e poeirenta é pontuada por algumas árvores que parecem ter resistido à desflorestação provocada pelo homem que subsistem entre a vegetação rasteira.

Cidade baça, quente e poeirenta, de ruas onde o pavimento há muito que desapareceu, onde nos passeios se acumula lixo, onde o trânsito apesar de pouco intenso é confuso e onde somente a proximidade com o Mekong trás algum azul à cidade assim como uma ligeira mas refrescante brisa.

É uma daquelas locais que rapidamente são esquecidos, e que não são mais do que uma paragem de curta duração, para uma refeição ou para uma noite, num percurso mais vasto e com outros motivos de interesse.

Mas mesmo assim Stung Treng oferece um grande e muito diversificado mercado, ocupando o decadente edifício de betão mas estendendo-se pelas ruas adjacentes, ocupando a vasta e desolada praça central, onde os vendedores de comida se concentram, provocando o habitual frenesim dos mercados asiáticos, cuja circulação é dificultada pelo exíguo espaço entre os vendedores, o lixo espalhado pelo chão, o movimento das pessoas e o constante vai-e-vem dos carrinhos que transportam as mercadorias.

Stung Treng

 

mercado de rua situado no centro de Stung Treng

 

 

Mercado de Stung Treng
Mercado de Stung Treng

 

Mercado de Stung Treng
Mercado de Stung Treng

 

praça principal de Stung Treng

 

Ferry in Stung Treng para cruzar o rio Sekong

 

Viagem de mini-van atravez de uma estrada recentemente construida, que permite chegar a Siem Reap, em pouco mais do que 5h, sem ter que fazer o percurso até à capital do país

 

durante a maior parte do percurso entre Stung Treng e Siem Reap a paisagem é desoladora, com poucos vestigios da floresta que outrora ocupou estes terrenos, tendo sido destruída pela industria madeireira, deixando a descoberto um terreno seco onde a vegetação vai sendo queimada, impregnando o ar do cheiro a fogueira e deixando um rasto cinzento no céu

 

Riverside Guest House

Quarto duplo com WC: 6$

Riverside Guest House
Riverside Guest House
Riverside Guest House
Riverside Guest House

Benvindo ao Reino do Camboja!

Kingdom of Cambodia

Mais uma fronteira cruzada por terra, a terceira desta viagem, depois da simples mas fisicamente penosa passagem entre da Índia para o Nepal, e depois da pacífica e eficiente mudança da Tailândia para o Laos, com o Mekong como cenário de fundo, chega a vez do Camboja.

Deixando para trás as ilhas pintadas de verde de Si Phan Don, e percorrendo de autocarro cerca de quinze quilómetros, por uma estrada praticamente desértica, que corta quase em linha recta a paisagem seca e árida, chega-se ao posto fronteiriço de Veun Kham-Nakasong, o único existente entre o Laos e o Camboja.

Espera-nos, à saída do autocarro, um conjunto de edifícios dispersos nesta paisagem desolada: uns de aspecto imponente mas desocupados, outros mais rústicos em madeira, onde um funcionário dos serviços de imigração do Laos, nos carimba o passaporte com a data de saída, estando este “serviço” sujeito ao pagamento de uma taxa de 2$ ou de 20.000 kips (o que não é exactamente a mesma coisa, sendo mais favorável o pagamento em dólares).

Segue-se a habitual caminhada a pé, numa fronteira que fica isolada de qualquer povoação, tanto do lado do Laos como do lado do Camboja, cruzando cancelas e pórticos profusamente decorados seguindo o estilo khmer, até se chegar aos serviços de imigração cambojanos, onde um zeloso funcionário nos mede a temperatura, a mim e aos restantes passageiros que efetuaram esta travessia no mesmo autocarro, como forma de despiste da malária e do dengue; o processo é mera formalidade e pouco tem de fiável pois a maioria das pessoas não tinha mais do que 35º, temperatura muito próxima da que se fazia já sentir nessa manhã.

Como eu não estava integrada no grupo que constituía a maioria dos passageiros, que optou por contratar os serviços de uma agência para tratar do processo burocrático, fui encaminhada para os serviços de quarentena: uma mesa, protegida por um toldo de lona; aí depois de avaliada a minha temperatura, e do preenchimento de alguns papéis, e uns quantos carimbos, foi-me cobrada a quantia de 1$ por este serviço, após o qual estava apta a seguir com o processo de obtenção do visto noutro departamento dos serviços de imigração. Constatei depois que este foi um pequeno exemplo do esquema de corrupção pelo qual este posto fronteiriço é famoso, onde muitas vezes é exigida uma quantia superior à legalmente estabelecida.

Depois de mais formulários, carimbos e do pagamento dos 25$ legalmente necessários,  encontrei-me finalmente detentora do visto turístico para visitar o Reino do Camboja, válido por trinta dias.

Apesar de tudo, o processo desenrolou-se com a rapidez, mas a espera prolongou-se por mais de duas horas durante as quais o calor se foi intensificando, servindo de pouco os precários toldos que servem de proteção aos rústicos estabelecimentos situados próximo do posto fronteiriço, uma espécie de restaurantes que pouco mais têm para oferecer do que bebidas e snacks embalados, enquanto eram tratados os vistos dos restantes passageiros.

Seguiu-se a habitual confusão antes de se poder continuar viagem, até toda a gente conseguir perceber efectivamente qual o autocarro em que tinha que entrar em função do destino desejado: a cidade Stung Treng, a mais próxima da fronteira ou a capital, Phnom Penh.

Da parte dos funcionários da empresa de transporte houve o previsível esquema de tentar cobrar algum dinheiro extra a alguns dos passageiros, para além do preço já pago pelo bilhete, argumentado que alguma da bagagem não poderia ser transportada no autocarro e que teria que ficar para trás, provocando mais atrasos e acesa discussão até se conseguir negociar um valor razoável para ambas as partes.

Estes percalços serviram como preparação para enfrentar um país pobre, onde a corrupção marca presença.

Si Phan Don. Don Khon

Bem maior do que a vizinha e popular Don Det, Don Khon (não confundir com a ilha maior de Don Kong) mantem a tranquilidade característica da população que se dispersa as dezenas de ilhas habitadas que constituem Si Phan Don.

O que torna esta ilha mais popular são as cascatas Somphamit, situadas no lado poente da ilha. Para cruzar a ponte que liga as duas ilhas que atravessa é necessário pagar 25.000 kips (2.5€), bilhete que também dá acesso às cascatas, mas cujo valor é exagerado tendo em conta o preço praticados no Laos.

Para poder percorrer toda a ilha foi necessário recorrer a uma bicicleta, em que a escolha recaiu para uma de montanha, que apesar de não estar nas melhores condições ofereceu algum conforto nos percursos de terra batida, com muitas zonas pedregosas a testarem a resistência do pneus.

Mais o mais interessante da visita à ilha, para além da calma atmosfera que se sente durante a manhã, ainda sob o ar fresco deixado pela noite, foram os vestígios de um pequeno troço de caminho de ferro, construído durante a colonização francesa, com o intuito de tornar viável o uso do Mekong como via-rápida para o transporte de mercadorias, numa zona em que as cascatas existentes em Si Phan Don, tornaram inviável a circulação dos barcos. A solução encontrada passou por içar os barcos para vagões puxados por uma locomotiva que os transportava para o outro extremo da ilha, onde era novamente colocado no rio, e prolongando-se até ao topo norte de Don Det cruzando a ponte construída com esse propósito.

A solução não foi duradoura, tendo somente sido transportados três barcos de mercadorias a vapor. Do que foi esta antiga linha pouco resta para além da ponte e duas locomotivas que foram construídas propositadamente para efectuarem este serviço, sendo o canal ferroviária ocupado pela principal estrada que atravessa Don Khon.

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Uma das pontes de madeira que é necessário atravessar ao longo do percurso pela ilha de Don Khon

 

Cascatas de Somphamit

 

Cascatas de Somphamit

 

 

Uma das praias do Mekong, mas esta, apesar de oferecer um leito de areia (enquanto as outras é mais um misto de lama e lodo) é particularmente perigosa pois situa-se depois das cascatas de Somphamit

 

Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó
Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó

 

Don Khon

 

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Don Khon

 

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Don Khon. Cais onde os navios de mercadorias e de passageiros atracavam antes e serem içados para os comboios que os transportavam através das ilhas de Don Khon e Don Det, vencendo assim o desnível do rio que cria uma barreira de cascatas instransponível para navios a vapor

 

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Don Khon

 

mapa com a antiga linha de caminho de ferro

 

Don Khon, onde a vegetação, pesar de muito destuída pela necessidade de lenha e de maior área de cultivo, ainda mantem zonas de reconfortante sombra que tornam mais agradável o passeio por Don Khon

Si Phan Don. Don Det

A zona de Si Phan Don, conhecida por “quatro mil ilhas” situa-se no extremo Sul do Laos, muito perto da fronteira com o Camboja, onde a orografia plana permite que o Mekong alargue o seu leito, estendendo-se por uma largura de catorze quilómetros. É nesta espécie de delta, muito longe ainda da sua chegada ao mar, que só ocorre no Sul do Vietnam, que surgem pequenas ilhas, as maiores das quais permanentemente habitadas, outras mais pequenas sem presença humana e muitas ilhotas e bancos de areia, que na época seca surgem efemeramente nas águas esverdeadas.

A maior destas ilhas, a mais desenvolvida e a mais popular, é Don Kong; um pouca mais a Sul ficam Don Khon e Don Det, as únicas ligadas artificialmente por uma ponte, construída pelos franceses durante a colonização, numa zona onde o meio de transporte são os barcos, mais ou menos pequenos que efectuam carreiras mais-ou-menos regulares com os cais de Ban Nakasang e Ban Hat Xai Khoun, as principais povoações situadas na margem esquerda do Mekong, que nesta zona constitui fronteira com o Camboja.

A escolha foi para Don Det, recentemente tornada muito popular entre os backpackers, onde ainda a presença turística, se encontra equilibrada com o tradicional quotidiano da população, em que o dia começa cedo com a preparação do lume que enche o ar de uma fina película de fumo, para a preparação da primeira refeição do dia que reúne toda a família cujas três gerações habitam a mesma casa, com as crianças a encaminharem-se para a escola envergando os seus uniformes de camisa branca, as galinhas passeando com as suas crias enquanto esgravatam a terra seca e poeirenta, os galos entoando cânticos ao nascer do sol, alguns dos quais mantidos em gaiolas de bambu, preparados para os combates, vendedoras de legumes que transportam a sua mercadoria em cestas penduradas no bambu colocado sobre o ombro…

E a somar a tudo isto existe um outro mundo também cheio de actividade que está associada ao rio, com pequenos barcos movidos a remos que inspecionam as redes de pesca, e outros um pouco maiores destinados ao transporte de passageiros e carga, cujos estridentes motores quebram a calma da ilha.

Uma única estrada circunda a ilha, e outra que a travessa pelo meio dos campos de arroz que ocupam praticamente toda a superfície de Don Det: ambas sem pavimento e somente com largura suficiente para circularem motos com atrelado lateral, que são o meio de transporte de mercadorias mais utilizado, onde em geral a maioria das pessoas desloca-se a pé ou de bicicleta, numa ilha que não tem muito mais do que três quilómetros de comprimento.

Foi uma forma de terminar calmamente a estadia no Laos, onde da varanda do bungalow onde me instalei pude apreciar intensos nasceres-do-sol, sempre envolvidos por uma suave bruma, que só deixava ver o tom laranja do sol quando este já se afastava um pouco da linha do horizonte. Do outro lado da ilha, numa zona menos densamente ocupada por bungalow pôr-do-sol constitui outra atracção, numa zona onde a paisagem do rio é mais ampla e com menos ilhotas.

Mágicos foram também os dias em que a lua-cheia, despontando quando ainda do outro lado da ilha o sol ainda persiste, iluminou a escuridão que se abate sobre a ilha durante a noite, pouco depois das sete da tarde, altura em que a vida local se recolhe em casa para descansar, ficando a noite reservada aos cafés, restaurantes de chill-outs que se concentram ao longo do lado nascente da ilha, dispostos ente a estrada e o rio, em periclitantes estruturas de betão e madeira.

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente
Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente

 

Don Det
Don Det

 

Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det
Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Vida difícil....
Vida difícil….

 

Um dos locais de eleição para algumas das refeições consumidas aqui na ilha, quebrando um pouco a rotina da quotidiana sopa de noodles, que foi o “prato forte” da estadia no Laos. Aqui deliciei-me com kebab de abóbora e panquecas de chocolate

 

Paradise Bungalows onde fiquei instávelmente instalada mesmo por cima das águas do rio, nos dias passados em Don Det

 

Nascer do sol visto do bungalow onde fiquei instalada

 

Don Det

Champasak até Si Phan Don

Objectivo delineado à entrada do Laos: não utilizar meios de transporte turísticos e usar sempre que possível os transportes colectivos nas deslocações no interior do país.

Passados 24 dias desde a minha chegada, objetivo alcançado somente com uma excepção: um percurso efectuado barco, entre Paksé e Champasak, onde já não funcionam as carreiras regulares; os outros percursos de barco, apesar de turísticos continuam a funcionar como meio de transporte da população local.

Esta premissa revelou-se não trazer aqui no Laos qualquer benefício económico, ao contrário da Tailândia, em que era relevante a diferença entre o preço oferecido pelas agências de viagens e o que se conseguia obter na companhia estatal ou mesmo de companhias privadas, se se comprasse o bilhete directamente no terminal de autocarros.

Aqui no Laos, apesar dos autocarros locais serem relativamente baratos, quase sempre deixam os passageiros em terminais, localizados suficientemente longe das cidades, obrigando a recorrer a um tuk-tuk ou a um songthaews para chegar ao centro da povoação ou mesmo para fazer a ligação de autocarro com outro destino; o que obriga a pagar um preço excessivamente alto (nunca menos de 20.000 kips), com pouca possibilidade de negociação, para uma viagem inferior a dez quilómetros. Uma viagem de cerca de 240 quilómetros custa 40.000 kip (cerca de 4€), mas à qual tem sempre que acrescentar mais o custo dos tuk-tuks ou dos songthaews, o que a transforma no dobro.

Posto isto, o dia iniciou-se com o nascer do sol, aproveitando o ar fresco que não dura muito para além das nove horas da manhã, com um percurso de uns três quilómetros, até ao extremo Norte de Champasak, onde atraca o “ferry” que faz a ligação entre as duas margens do Mekong. A designação “ferry” aplica-se a uma plataforma de madeira, toscamente construída, assente sobre o que resta do casco de três barcos, formando uma jangada movida a motor, mas de tamanho suficiente para transportar quatro automóveis. Existe uma outra estrutura mais ligeira, destinada a passageiros e a motos.

Enquanto esta embarcação desliza lentamente pelas esverdeadas águas do rio, observando as suas margens que aos poucos vão ganhando côr, saboreando a brisa fresca do rio e embalada pelo trepidar do barco, chega o odor a erva-príncipe, vinda das sopas que noodles que são vendidas a bordo, por mulheres que transportam ao ombro, penduradas nos extremos de um bambu, duas panelas: uma com o caldo de peixe, e a outra com os noodles e a mistura de menta, hortelã e rebentos de soja.

Foi impossível resistir a esta deliciosa sopa, que se tornou memorável pelo ambiente, tanto natural como humano, e pelo local onde foi consumida, em mais um dos trajectos efectuados pelo Mekong.

Seguisse uma espera de mais de meia hora, sentada na minha mochila à beira da estrada nacional Route13, por um dos muitos autocarros e songthaews, que efectuam a ligação entre Paksé e Si Phan Don, conhecida pelas “quatro mil ilhas” que surgem no meio do Mekong, numa zona onde o rio se alarga mesmo antes de chegar à fronteira com o Camboja.

A viagem até Ban Nakasang, povoação que não oferece mais do que uma rua ao longo da qual se dispõem diversas lojas, a a maioria dedicada a artigos de pesca, e que termina no cais de embarque para as ilhas de Si Phan Don, feita num pouco confortável songthaews, que obriga os passageiros a irem sentados, paralelamente à estrada, frente a frente, onde nunca é respeitado o limite máximo de passageiros nem tão pouco o peso da mercadoria transportada, que tanto pode ir no tejadilho, no estrado metálico que serve de degrau ao veículo, ou no seu interior, tornado a entrada ou a saída de algum passageiros num complexo movimentar de pessoas e carga.

Mas são este tipo de viagens, longe dos herméticos veículos de ar-condicionado, e dos autocarros cheios de ocidentais que invariavelmente iniciam estas viagens com a habitual conversa de viajante, referente ao próximo destino, países por onde passaram, duração da viagem, etc… mas que rapidamente sucumbem ao cansaço e ao desconforto provocado pelo maus estado das estradas, que trazem melhores memórias e mais histórias; onde é possível viajar com a população local, partilhando ao mesmo tempo sorrisos, comida, gestos, num país em que apesar do surpreendente bom nível de inglês que se fala, é ainda uma barreira intransponível para a maioria da população, em especial longe dos meios urbanos.

E surge novamente a sensação de liberdade proporcionada por viajar num veículo tão simples, sem janelas ou portas… sentir os cheiros da terra seca, das pessoas, do arroz acabado de cozer, as espetadas de carne grelhada acompanhadas de stick-rice, que são vendidas aos passageiros cada vez que o veículo para numa povoação de beira-de-estrada… apreciar a brisa, que desalinha o cabelo e que mesmo poeirenta, trás uma bênção de ar fresco.

Após a espera de numero suficiente de passageiros para efectuar a ligação até Don Det, o pequeno barco de madeira movido a motor lá fez a sua curta viagem de menos de dez minutos.

Cais do ferry boat em Champasak
Cais do ferry boat em Champasak pouco depois do nascer do sol

 

Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o "ferry" que liga as duas margens
Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o “ferry” que liga as duas margens

 

Champasak
Champasak

 

Champasak
taxi-boat… uma alternativa para atravessar o rio sem esperar pelo ferryboat

 

refeição no ferry durante a travessia do Mekong
refeição no ferry durante a travessia do Mekong

 

Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul
Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul

 

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songthaew entre Ban Muang, a povoação onde atraca o ferry e Ban Nakasang, onde se pode apanhar outro barco para uma das ilhas de Si Phan Don

 

Cais de embarque em Ban Nakasang
Cais de embarque em Ban Nakasang
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

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