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Sri Lanka

Viajar de autocarro no Sri Lanka… um desafio!

Nenhum relato sobre o Sri Lanka pode ficar completo sem se mencionar os autocarros… esse meio de transporte praticamente incontornável numa viagem pela ilha, em que apesar de existir uma razoável linha de caminho de ferro, esta está longe de cobrir todo o território.

Assim os autocarros têm o papel fundamental de ligar cidades, vilas e aldeias… e não é exagero dizer que praticamente todo o território está coberto por uma rede de autocarros, cujo serviço pode ser lento, mas é garantido! Existe sempre um serviço de autocarros ligando as principais cidades, e caso os horários não sejam convenientes, há sempre a possibilidade de seguir até uma paragem intermédia, e aí apanhar outro autocarro. Por vezes uma viagem de 150 quilómetros pode implicar dois ou três transbordos.

Uma vantagem de viajar de autocarro no Sri Lanka é que os terminal de autocarros, localmente designado de “bus station” é localizado no centro da cidade, geralmente a uma distância possível de ser coberta a pé da estação de comboios. Como inconveniente é o facto de nas grande cidades, como Colombo, atravessar a cidade para chegar ao terminal de autocarros pode implicar uma hora, mesmo fora das horas de ponta!

Trincomalee Bus station. Sri Lanka
Trincomalee Bus station. Sri Lanka
Monaragama Bus station. Sri Lanka
Monaragama Bus station. Sri Lanka
Ktaragama Bus station. Sri Lanka
Kataragama Bus station. Sri Lanka
Pottuvil Bus station. Sri Lanka
Pottuvil Bus station. Sri Lanka

Os terminais de autocarros podem ser gigantescos, como em Colombo, ou modestos como em Pottuvil, onde os autocarros se alinham ao longo da estrada. Também variam em termos de organização e sinalização, mas em geral todos dispõem de indicações do local de paragem de cada autocarro em função do destino a que se dirigem. Quanto a horários a informação é inexistente, sendo necessário recorrer ao posto de informações, ou mais facilmente aos motoristas que esperam junto aos autocarros.

Bus Stand. Sri Lanka
Bus Stand. Sri Lanka

Dada a popularidade num país onde a esmagadora maioria da população (cerca de 8%) não tem automóvel os autocarros são a opção, não só para percursos urbanos, mas também para cobrir longas distâncias, como por exemplo os cerca de 400 quilómetros que separam Colombo de Jaffna, com a epopeica duração de mais de 12 horas.

Sim… as viagens de autocarro são lentas... muito lentas, feitas a uma velocidade média de 35 km/h. Não significa que os autocarros circulem necessariamente a esta velocidade, mas devido ao trânsito que por vezes é intenso mesmo ao longo das estradas nacionais, e essencialmente devido às múltiplas paragens para recolher e deixar passageiros e intervalos para descanso ou refeições. Os autocarros privados, que são a maioria dos que circulam nas estradas nacionais, são ainda piores em termos dos números de paragens pois recolhem passageiros em qualquer ponto, não se limitando somente às paragens oficiais.

As viagens em autocarros nocturnos demoram menos tempo mas são pouco os itinerários em que este serviço está disponível.

É um sistema de exploração onde não existem autocarros expresso, ou sejam que não efectuam paragens intermédias. Contudo os autocarros com ar-condicionado, que somente existem nas zonas mais populosas, fazem muito menos paragens, e algum chegam mesmo a usar as novas “expressways” uma espécie de autoestrada, que encurto o tempo de viagem e aumenta o conforto.

Ar-condition Bus from Colombo to Kandy. Sri Lanka
Ar-condition Bus from Colombo to Kandy. Sri Lanka

Apesar da lentidão, ninguém parece preocupar-se, aceitando o facto como garantido, o mesmo se aplica à sobrelotação, sendo normal os autocarros circularem “mais do que cheios”, ou seja com passageiros pendurados junto às portas. Situação que se agrava em fins-de-semana e feriados, ocasiões aproveitadas para visitar familiares e para peregrinações a locais religiosos.

Contudo dada a eficiente cobertura da rede de autocarros, quer públicos quer privados, e a elevada frequência, donde resulta reduzidos tempos de espera entre transbordos, os autocarros tornam-se numa forma atraente de viajar pelo Sri Lanka.

Em comparação com o comboio, igualmente lento, os autocarros a maioria das vezes não são capazes de oferecer tão interessantes paisagens, em especial nas zonas de montanha, onde o comboio circula por “trilhos” longe das povoações. As estradas nacionais, em especial as que ligam as principais cidades, ou que se desenvolvem em zonas mais densamente povoadas, como Colombo-Kandy e Colombo-Galle, estão longe de oferecerem uma paisagem agradável, com construções ao longo de quase todo o percursos, seja casas, prédios, lojas, armazéns, oficinas, vendedores ambulantes, etc.. que cria uma paisagem desinteressante e visualmente poluída. Para além desta poluição há a juntar os gases de escape dos restantes veículos, maioritariamente autocarros e camiões, aos quais se juntam motas e tuk-tuks. Impossível ficar indiferente ao infernal, constante e perturbador buzinar, que nenhum veículo evita, inclusive o próprio motorista do autocarro, que guia mantendo sempre uma mão na buzina, que está longe de produzir um som discreto, sendo alta e estridente, tornado as viagens de autocarros mais cansativas.

Contudo ficaram paisagens bonitas e viagens memoráveis!

Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka

Nenhum autocarro no Sri Lanka tem sistema de cobrança automático, pelo que para além do motorista existe sempre um ajudante, geralmente um rapaz novo, que para além de cobrar os bilhetes apregoa o destino do autocarro, cada vez que este passa por uma paragem ou por um aglomerado de pessoas à beira da estrada.

Bus Driver. Sri Lanka
Bus Driver. Sri Lanka

Os bilhetes podem ter os mais variados aspectos e formatos, alguns com a informação escrita em inglês, outros só em cingalês. O preço é muitas vezes escrito à mão no bilhete em função da distância percorrida… onde os valores são um mistério pois não se encontram afixados. Esta situação leva a que por vezes alguns ajudantes de motorista tentem cobrar mais dinheiro, contudo é uma situação pouco frequente notando-se um elevado grau de honestidade, que não se limite somente às viagens de autocarros mas à população em geral. Os autocarros da companhia estatal SLTB (Sri Lanka Transport Board) têm muitas vezes bilhetes impressos onde consta a origem e destino, assim como a distância e o custo associado à viagem.

Bus Price. Sri Lanka
Bus Price. Sri Lanka
Bus Ticket. Sri Lanka
Bus Ticket. Sri Lanka

Mas seja qual for o valor, o custo é sempre reduzido, contribuindo também para a popularidade dos autocarros, que sendo mais caros que o comboio, têm a vantagem de maior flexibilidade em termos de horários e imbatíveis em termos de frequência.

Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka

E não se pode falar de autocarros sem referir a Lanka Ashok Leyland, nome impresso na frente de qualquer veículo, correspondente à empresa que no Sri Lanka fabrica ou procede à montagem de praticamente todos os autocarros, camiões, tratores e tuk–tuks. Sendo todos da mesma fábrica, todos obedecem ao mesmo modelo, somente com pequenas variações de acabamentos, com o conforto a variar em função da antiguidade do veículo. Sabiamente os veículos mais antigos limitam-se aos percursos curtos e zonas urbanas. Para viagens longas, intercidades os autocarros encontram-se em bom estado, sem contudo apresentarem um maior elevado nível de conforto. Seja qual for o tipo percurso, os veículos são sempre de 5 lugares por fila, dois de um lado e três do outro, sobrando um exíguo corredor, onde é difícil os passageiros cruzarem-se em especial se transportam mercadorias. Os assentos são pouco macios e com o encosto demasiado vertical, e sem apoio para a cabeça, o que se torna incómodo em viagens longas.

Talvez como forma de personalizar esta massiva uniformidade, o interior do autocarros é geralmente decorado de acordo com o gosto e orientação religiosa do motorista, com autocolantes, pósteres, grinaldas de flores de plástico, bonecos de peluche, imagens de Buda, flores, a iconografia hindu ou o rosto de Cristo.

Inside bus. Sri Lanka
Inside bus. Sri Lanka
Sri Lanka_bus inside_Lanka Ashok Leyland_DSC_7698
Bus decorated with plastic flowers and “neem” leaves. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

O tecto assim como os assentos também são personalizados em cada veículos, forrado com materiais plásticos, por vezes de motivos floridos, outros mais discretos. Seja qual for a opção o interior do veículo está geralmente limpo e em razoável estado de conservação.

Todos, mas TODOS os autocarros têm musica, geralmente num volume excessivo, debitado por um ou vários altifalantes, sempre com música local. Alguns podem até ter um televisor que passa sempre um estilo de musica semelhante.

Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

Estes veículos que se assemelham a volumosos paralelepípedos pintados de vermelho escuro ou de branco e azul só um marco incontornável na paisagem do Sri Lanka, seja nas cidades seja ao longo das estradas nacionais, onde por vezes circulam a velocidade excessiva tendo em conta o numero de peões e de outros veículos que ocupa ou crua as estradas. Contudo são uma forma eficiente e prática de viajar pelo Sri Lanka.

Governamental bus vs Private Bus. Sri Lanka
Governamental bus vs Private Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka

… para quem viaja de autocarro no Sri Lanka:

  • Nunca usar a bagageira, está sempre cheia de pó ou de lama, caso chova; mesmo que o motorista insista em colocar a mochila na bagageira, nunca deixar que isso aconteça, insistindo em coloca-la no interior, seja junto ao condutor seja junto à porta da frente, num espaço que não tem assentos.
  • Pode-se dizer que é desnecessário perguntar pela duração da viagem, pois a resposta obriga a longa considerações por parte do motorista e resulta quase sempre “3 horas”… que por vezes se revelam em 4 ou mais. O melhor á fazer um cálculo em função da distância (que geralmente os motoristas também não sabem) e considerar uma velocidade média de 35 km/h.
  • Para poder apreciar a paisagem a melhor opção é ficar sentado no banco da frente, do lado esquerdo (oposto ao condutor) e junto à janela. Caso se fique do lado do corredor, tem-se o desconforto de levar alguns encontrões com a passagem e das pessoas e bagagem. Ficar sentado à frente, no autocarro, tem outro inconveniente que é o som persistente da buzina, que se fazer sentir mais intensamente; em compensação tem-se mais ar fresco que entra pela porta, que geralmente está sempre aberta.
  • A entrada nos autocarros faz-se pela porta de trás, sendo a da frente reservada para a saída dos passageiros. Mas esta regra está longe de ser rígida, sendo por vezes mais fácil entrar pela porta da frente, para pedir informações directamente ao motorista sobre o local de paragem e destino do autocarro.
  • Os veículos pintados de vermelho-escuro pertencem à companhia pública, a SLTB. Os veículos das companhias privadas são geralmente brancos com algumas faixas em azul.
  • Não existem “sleeping buses” no Sri Lanka.
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

Sobre o Sri Lanka

Um país rico e de cultura interessante e diversificada, resultante da longa história e pela posição geográfica que coloca esta ilha na rota comercial entre oriente e ocidente que dominou os mares por vários séculos, donde resulta uma mistura de várias influências: religiosas, culturais, gastronómicas e sociais.

Onde para além das naturais divisões religiosas a sociedade se encontra estratificada por castas, o que condiciona o nível e qualidade da escolaridade, os casamentos, os empregos e a posição na sociedade, que claramente é dominada pelos Cingaleses, maioritariamente budistas, onde pouco espaço sobra para Tamils ou muçulmanos.

Um país onde o clima proporciona abundância e variedade em termos de alimentos, o que é visível nos mercados e ao nível da gastronomia local, e onde o turismo desempenha um papel importante na economia do país.

Um país onde a grande maioria dos 20 milhões de habitantes vive longe da pobreza, onde o nível de literacia é de 98% (um dos mais elevados da Ásia) e onde a esperança média de vida é de 75 anos.

Religião

Apesar da proximidade com a vizinha Índia, a religião dominante no Sri Lanka é o Budismo seguido por 70% da população; segue-se o hinduísmo com 8%, os muçulmanos com 7% e o restante dividido pelas várias correntes do cristianismo deixado pela presença portuguesa, holandesa e britânica.

O budismo domina claramente o mapa religiosa do país, ocupando toda a região central do país, tanto as zonas montanhosas como as planícies, com excepção do norte do país, zona claramente onde a presença Tamil torna claramente hindu.

A comunidade muçulmana é bastante evidente na costa este, predominantemente na zona envolvente a Trincomalee e mais a sul na região de Pottuvil.

O cristianismo ganhou raízes em algumas zonas da costa oeste a norte de Colombo.

Disto resulta uma particular organização da sociedade no Sri Lanka, que se divide por religiões que de grosseiramente correspondem aos diferentes grupos étnicos, e donde resultou uma guerra civil que se arrastou por 25 anos e somente terminou em 2009, opondo a maioria cingalesa ao grupo étnico Tamil, maioritariamente hindu, cuja presença na ilha é anterior ao domínio Britânico, mas que criou um movimento migratório de população do sudoeste da Índia para trabalhar nas plantações de chá do Sri Lanka.

Buddist flags at Sri Pada. Sri Lanka
Buddhist flags at Sri Pada. Sri Lanka
Hindu temple at Kataragama. Sri Lanka
Hindu temple at Kataragama. Sri Lanka
School girls at Arugam Bay. Sri Lanka
School girls at Arugam Bay. Sri Lanka

Língua ou línguas…

No Sri Lanka falam-se duas língua oficiais: o Cingalês, e o Tamil… sendo o inglês o elo de ligação entre toda a população, independentemente de etnias, religiões ou castas. Apesar do ensino do inglês ser corrente nas escolas, nem toda a população, em especial das castas mais baixas, tem oportunidade de aprender inglês. De qualquer das formas praticamente toda a população fala palavras básicas o que é geralmente suficiente para saber preços, direções, horários.

De facto o Sri Lanka é o país onde mais facilmente se encontra população a falar inglês, em comparação com países vizinhos do subcontinente Indiano, anteriormente visitados, como a Índia e o Nepal. É bastante frequente as coisas estarem identificadas também com caracteres latinos, juntamente com a escrita cingalesa e tamil, diferentes entre si, mas usando ambas caracteres complexos de forma arredondada.

Em termos de pronuncia, a leitura do nome das povoações ou de comida, por exemplo, quando escrito em caracteres latinos, não fica muito longe da pronuncia local, com uma ou outra excepção… Ella, pronuncia-se “elaá”!

Hello, in Singalese, Tamil and in latin characters
Hello, in Singalese, Tamil and in latin characters

Poya Day

Segundo a tradição Budista Cingalesa os dias de lua-cheia são considerados sagrados, chamado o Poya, sendo feriado nacional; ou seja, todos os meses há pelo menos um feriado, a somar aos outros dias religioso correspondentes à religião Hindu, praticada pela comunidade Tamil, os da religião católica como o Natal e a Páscoa, aos quais se junta ainda o dia que marca a independência em relação ao Império Britânico.

Mas apesar de serem feriado, nestes dias não é difícil encontrar o comércio a funcionar normalmente, assim como mercados e demais serviços. Excepção são os organismos oficiais, como embaixadas, correios, etc…

Contudo estes feriados, quer seja o Poya day ou outro qualquer dia religioso, em especial se for numa sexta ou segunda-feira, são aproveitados para visitar familiares e amigos e para peregrinações a locais sagrados, pelo que usar transportes públicos, seja autocarro ou comboio, é uma tarefa difícil, que obriga a fazer viagens de duas ou três horas de pé… sem espaço sequer para sentar no chão.

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Sri Lanka calendar with “poya day” (Buddhist) and “thai pongal day” (Hindu)

Burghers

Na costa este do Sri Lanka, em particular nas cidades de Batticaloa e Trincomalee concentra-se uma comunidade distinta dos grupos étnicos dominantes: os burgers.

Por burghers identificam-se os descendentes de portugueses e de holandeses que por laços familiares se foram ligando à população cingalesa, criando um grupo étnico com língua própria, o crioulo, e professando a religião cristã, que ainda hoje se mantêm apesar da passagem dos ingleses que aqui deixaram a religião protestante.

Da presença portuguesa ficaram nomes, os Silva, os Pereira ou Perera, os Fonseca… em nomes de actividades comerciais, em nomes de ruas, inscritos em placas que identificam consultórios médicos ou gabinetes de advogados… mostrando que esta pequena população de burgher detém um estatuto elevado na sociedade Cingalesa.

Em Batticaloa encontra-se a “Lourenço de Almeida Social & Cultural Centre”, uma associação cultural pertencente à “Sri Lankan Portuguese Burgher Foundation”, que desenvolve diversas actividades sociais na região Este do Sri Lanka.

A presença dos burghers, que representam cerca de 0.3% da população do Sri Lanka, é discreta, mas estende-se para além dos nomes e apelidos, nos tons claros de pele e pelos olhos azuis e verdes de alguns dos habitantes.

Portuguese name in a petrol station. Sri Lanka
Portuguese name in a petrol station. Sri Lanka
Train station between Hatton and Ella. Sri Lanka
Train station between Hatton and Ella. Sri Lanka

Cricket vs futebol

Sem dúvida que domina o cricket em termos e desporto, não só pelo que se vê em jornais e televisão mas também pelos campos de cricket improvisados um pouco por todo o lado que atraem a população mais jovem, exclusivamente rapazes.

Pouco ou nenhum espaço sobra para o futebol mas onde o nome de Cristiano Ronaldo não é totalmente desconhecido.

Cricket game near Kataragam Temples. Sri Lanka
Cricket game near Kataragam Temples. Sri Lanka

Vestuário

No Sri Lanka convive o modo de vestir ocidental com a roupa mais tradicional, com os homens a optar maioritariamente por calças e camisa, em especial nas cidades e zonas urbanas, mas onde não é raro encontrar homens usando o tradicional lungi, uma clara influência do sul da Índia e que é uma indumentária leve e fresca, adequada ao clima quente e húmido da região.

Os lungi não seguem nenhum estilo particular do Sri Lanka em termos de cores ou padrões, contudo algum homem ainda optam por usar o tradicional lungi como motivos estampados pela técnica de batik, com desenhos e padrões florais e geométricos, simples e geralmente em cores discretas.

As mulheres maioritariamente abandonaram o complexo e pouco prático sahree, para vestirem saia ou vestido, geralmente abaixo do joelho. Mas o sahree é ainda bastante popular, influência também da cultura indiana, mas que no Sri Lanka é usado num estilo um pouco diferente na forma como é enrolado à volta do corpo. Apesar do uso de não ser dominante, o sahree faz parte da roupa a usar em ocasiões especiais como celebrações religiosas ou dias festivos, e curiosamente faz parte da indumentária obrigatória para professoras das escolas públicas.

Os uniformes dos alunos mantêm um certo estilo colonialista, alguns com gravata, calções e camisa onde sobressaem emblemas… tudo de cor branca, incluindo os sapatos. As raparigas, de cabelo obrigatoriamente entrançado, seguem um estilo semelhante, com saia e camisa.

Sri Lanka traditional outfit for men... on the right side a batik lungi
Sri Lanka traditional outfit for men… on the right side a batik lungi
School kids. Sri Lanka
School kids. Sri Lanka
Colombo. Sri Lanka
Colombo. Sri Lanka

Custo das atrações turísticas

Como habitual em alguns países Asiáticos, o património cultural, natural e religioso capaz de atrair mais turismo é sujeito a uma tarifa mais elevada para estrangeiros.

No Sri Lanka esta descriminação é evidente e extensível a praticamente tudo, desde templos, parques naturais, zonas arqueológicas, museus, grutas, etc.. A única excepção encontrada foi o Dambulla Cave Temple, onde recentemente o governo aboliu o bilhete de entrada, abrangendo qualquer visitante.

Isto faz com que quem viaja com um orçamento reduzido, seja obrigado a fazer uma seleção criterioso e ponderada para eventualmente visitar um dos locais do “roteiro turístico”. A escolha nesta viagem foi para Sigiriya, donde resultam estas considerações…

Como todo o Património Classificado pela UNESCO no Sri Lanka, Sigiriya tem também um elevado custo de entrada, 4200 LKR, o que equivale a 27€, muito mais caro do que um bilhete para visitar o Museu do Louvre (15€) ou o Museu do Vaticano (16€).  O que faz da visita aos locais históricos/turísticos do Sri Lanka, como por exemplo Sigirya, Polonnaruwa ou Anuradhapura, mais cara do que os mais famosos locais da Europa.

A população local paga um valor irrisório, no caso de Sigiriya é de 50 LKR, equivalente a 0.30€, ou tem por vezes direito a entrada gratuita, como é o caso do Buddha Tooth Relic Temple, em Kandy.

O elevado valor serve para preservação dos locais, não estando disponível informação relevantes no local, nem sendo distribuída qualquer brochura ou mapa que permita uma melhor interpretação do local.

Para além da questão da descriminação no preço dos bilhetes, entre população local e estrangeiros, que pode ser até certo ponto aceitável, os valores cobrados aos visitantes são deveras elevados, por vezes 90 vezes mais caros!!!!!… e tudo isto subsidiado pela UNESCO, que por sua vez é financiada por dezenas de países, entre eles os países dos “estrangeiros” que visitam o Sri Lanka!!!

Dinheiro, Bancos e ATM

A moeda no Sri Lanka e a rupia cingalesa, local identificada por “rupia”, que circula em bonitas notas ornamentadas com motivos da flora e da fauna locais, misturados com motivos étnicos e folclóricos aos quais se juntam “marcos” de progresso nacional, como barragens, pontes, portos, etc… tudo envolvido pelos caracteres da escrita cingalês e tamil, que por si só servem de motivo decorativo.

Para os valores mais baixos circulam notas com novo design paralelamente a outras mais antigas, mas mantendo a mesma gama de cores para as duas versões

Moedas também circulam mas mais difíceis de encontrar, num país onde escasseiam os trocos e onde a inflação fez com que com a moeda de valor mais elevado não se consiga comprar um snack, sendo contudo útil bilhetes nos autocarros.

Existem ATM’s um pouco por todo o lado, dos mais variados bancos. A quantidade máxima de dinheiro que é possível obter num ATM no Sri Lanka é de 50.000 LKR por dia. Contudo o valor máximo depende fundamentalmente do limite associado a cada cartão e definido pelo banco. Em Portugal o limite máximo por levantamento é 200€ por movimento, com o máximo de dois movimentos por dia, donde resulta o valor de 30.000 LKR por levantamento.

Independentemente das taxas e impostos cobrados pelo banco associado ao cartão, os banco no Sri Lanka cobram uma taxa de 200 LKR (HNB-Hatton National Bank) a 300 LKR (Comercial Bank… por exemplo).

HNB Bank... that charges 200 SLK commission
HNB Bank… that charges 200 SLK commission

… sobre o branco no Sri Lanka!

Uma das imagens que fica do Sri Lanka é o branco. O branco dos uniformes de escola, o branco das roupas usados pelos peregrinos que rumam aos templos budistas, o branco do lungi do tamil que efectuam os puja junto aos templos hindus, o branco das flores depositadas junto aos templos…

E ainda o branco que impecavelmente cobre igrejas, templos e stupas…. o branco imaculado e impecavelmente mantido que contrasta com o verde da vegetação tropical e com os cabelos negros dos habitantes.

Sri Lanka
Kids visiting Dambulla Temple Caves. Sri Lanka
Sri Lanka
A rest in a visit to the Buddhist “stupa” at Kataragama. Sri Lanka
Church and stupa at Galle Fort. Sri Lanka
Church and stupa at Galle Fort. Sri Lanka

Tuk-tuks, Tuk-tuks, Tuk-tuks…

Impossível ficar indiferente aos milhares de tuk-tuk que circulam pelas ruas e estradas do país… sim milhares, pois não há local onde não estejam presentes na “paisagem” do Sri Lanka, marcando-a de cores garridas e enchendo o ar com a “sinfonia” de buzinadelas.

tuk-tuk line up in front of Galle Train Station. Sri Lanka
tuk-tuk line up in front of Galle Train Station. Sri Lanka

Uma das populares formas de transporte em meios urbanos e para curtas distâncias, os tuk-tuks no Sri Lanka são modernos, limpos e em bom estado de conservação. Todos têm o mesmo modelo, com pequenas variações, sendo fabricados localmente pela omnipresente Lanka Ashok Leyland, que fabrica também autocarros, camiões, tratores, etc…

Talvez como forma de personalizar tão massiva produção muitos dos motoristas de tuk-tuk, que geralmente são também proprietários dos mesmos, optam por colocar garridas decorações no interior ou autocolantes com motivos religiosos ou com frases ou citações cujo significado é por vezes obscuro e enigmático, no exterior do veículo.

Don't follow me... tuk-tuk. Sri Lanka
Don’t follow me… tuk-tuk. Sri Lanka
Face is the index of the soul... tuk-tuk. Sri Lanka
Face is the index of the soul… tuk-tuk. Sri Lanka
Open your mind always... tuk-tuk. Sri Lanka
Open your mind always… tuk-tuk. Sri Lanka

Qualquer viagem de tuk-tuk deve ser negociada antes, e é pouco provável que um estrangeiro consiga um preço inferior a 100 LKR, mesmo para distância curtas de dois ou três quilómetros. Mas mesmo negociando o preço, os condutores de tuk-tuk no Sri Lanka não fazem grandes descontos ao valor inicial.

Still waters run deep... tuk-tuk. Sri Lanka
Still waters run deep… tuk-tuk. Sri Lanka
too much of anything is good for nothing... tuk-tuk. Sri Lanka
too much of anything is good for nothing… tuk-tuk. Sri Lanka
Great minds think a like!.... tuk-tuk. Sri Lanka
Great minds think a like!…. tuk-tuk. Sri Lanka

30 dias no Sri Lanka: custos

Viajar no Sri Lanka não é tão dispendioso como pode parecer à primeira vista, sendo contudo um local pouco atractivo para backpackers, pois as infraestruturas de turismo estão mais vocacionadas nas excursões e nos grupos organizados por agências de viagem. Um turismo mais focado em resorts, boutique hotels, heritage houses, tea states… onde a maioria dos turistas viaja de taxi ou de avião, sendo raro encontrar estrangeiros em autocarros ou comboios, excepto na linha férrea que atravessa  o Hill Country e as plantações de chá.

Contudo o Sri Lanka atrai alguns backpackers, especialmente os que procuram os surf spots e outros que escolhem esta ilha como paragem intermédia entre a Índia e o Sudoeste Asiático.

Contudo, apesar do pouco “backpackers friendly”, viajar no Sri Lanka pode ser uma opção mesmo para reduzidos orçamentos, desde que se opte por usar os transportes públicos (bus e comboio), por dormir em guest houses ou homestays, por evitar as mais populares atrações turísticas, monumentos, templos, parques naturais… basicamente tudo o que envolva excursões ou um bilhete de entrada!

A comida é muito barata, e os restaurantes locais oferecem bastante qualidade a preços muito baixos. A comida de rua é ainda mais barata e geralmente com qualidade.

Os transportes, autocarros e comboio, são extremamente baratos em proporção directa com a lentidão e a falta de conforto.

Custo: 14€/dia

 

Divididos da seguinte forma:

32% comida

45% alojamento

5% transportes

10% cultura e turismo

8% diversos

 

Este valor foi obtido tendo em conta:

  • Todas as viagens formam feitas de comboio ou de autocarro; somente dois tuk-tuks.
  • Praticamente todas as refeições foram em restaurantes de comida local ou street-food. Incluí pelo menos um rice and curry, snacks, fruta e “king coconut” por dia.
  • A água consumida foi em grande parte da torneira, dado que no Sri Lanka é segura, em especial nas cidades.
  • O alojamento foi em guest houses, homestays e alguns budget hotels; maioritariamente em quartos com casa-de-banho. Nunca com ar-condicionado, ou pequeno-almoço incluído.
  • Algumas estadias foram com quarto partilhado.
  • As estadias nas praias da costa Este foram em época baixa; na costa Oeste foram durante a época alta.
  • Nenhum alojamento foi reservado. No local é quase sempre possível negociar um desconto, em especial se se estiver a viajar em época baixa.
  • Inclui somente uma visita um dos muitos locais turísticos: Sigiriya, cerca de 28€… o mais caro por sinal!
  • Não inclui excursões, guias, actividades desportivas ou visitas a parques naturais.
  • Não inclui os custos do Visto.

 

Preços em Janeiro de 2016:

  • Um quarto individual custa no mínimo 1000 LKR
  • Bilhete de comboio Kandy-Colombo (2ª classe): 190 LKR (normal) ou 280 LKR (express)
  • Bilhete de Bus Kandy-Colombo: 160 LKR (115 km)
  • Rice and curry: entre 100 a 200 LKR
  • King coconut: 50 LKR
  • 5 maçãs: 100 LKR
  • Roti (street food): 30 LKR
  • Kottu: 70 LKR

 

Custo do Visto: 35USD

http://www.eta.gov.lk/slvisa/visainfo/fees.jsp?locale=en_US

 

Sri Lanka daily costs: 14€
Sri Lanka daily costs: 14€

Colombo… entre o mar e o bazar

Colombo, a capital do Sri Lanka foi a ultima paragem num itinerário que durou um mês pela ilha do Sri Lanka, anteriormente chamada de Ceilão.

A cidade apresenta pouco motivos de interesse a nível turístico, histórico ou cultural, e dada a sua grande dimensão e trânsito fortemente congestionado, a juntar a clima quente e húmido, pouco entusiasmo despertam os passeios pela cidade.

A parte mais antiga da cidade é a chamada Colombo Fort, que em tempos esteve realmente limitada por muros, dos quais nada resta. Sobrevivem algum imponentes edifícios atestando o poder do colonialismo britânico, onde pelo meios nasceram modernos edifícios, destinados a escritórios e hotéis e habitações de luxo, fazendo desta zona, onde também se situa a residência oficial do presidente, numa calma, sofisticada e bastante policiada zona.

Near Colombo Train Station
Near Colombo Train Station
Colombo Fort
Colombo Fort

Não muito longe, a uma distância que pode facilmente ser feita a pé fica o Galle Face, um passeio que se entende ao longo do mar por cerca de um quilómetro. Durante o dia, sob o inclemente sol, poucos se aventuram por estes lados, mas depois das cinco horas da tarde, com o fim do dia de trabalho, este local começa a atrair muita da população local que aqui ocorre saboreando a brisa fresca do mar. Enquanto se assiste ao pôr-do-sol há tempo para saborear um snacks, vendido num dos mais de dez bancas que se alinham ao longo de Galle Face, curiosamente vendendo todos os mesmo tipo de snacks: pol roti, ulundhu vadai e parippu vada, o que não oferece grandes alternativas a quem quer comer algo sem ser frito.

Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo

Mas o que despertou mais interesse foi o passeio pelo bairro situada junto à estação de comboios de Colombo-Fort, o Pettah, um dos mais antigos bairros da capital Cingalesa, que actualmente está ocupado por um extenso bazar onde se pode encontrar um pouco de tudo, desde comida, tecidos, artigos electrónicos, joalharia, roupa, etc… Num ambiente confuso e movimentado, onde parece dominar o caos, o comércio em Pettah está organizado por ruas, onde cada uma destas artérias está direcionada para um determinado tipo de produtos.

Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo

Circulando pelas ruas de Pettah, que devido ao trânsito, ao elevado número de pessoas, aos vendedores ambulantes e à muita mercadoria empilhada nos passeios, parecem demasiado estreitas, movimentam-se apressadamente carregadores transportando mercadorias às costas ou empurrando carros-de-mão, num esforço acrescido pelo calor tropical que se sente desde o inicio do dia.

Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo

Assim a estadia em Colombo ficou marcada pelo fervilhante bazar de Pettah e pelos passeio junto ao mar, ao longo da Galle Face, saboreando a brisa morna vinda do mar.

 

Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo

Onde dormir em Colombo:

Em Colombo as opções mais baratas encontram-se mais para sul da cidade, pelo que quem pretende somente ficar por Colombo por uma ou duas noites, seja à chegada seja no fim da viagem, a melhor opção é ficar em Colombo-Fort. Em Colombo-Fort localizam-se a estação de comboios e dos dois terminais de autocarros, assim como a paragem de onde partem os autocarros com destino ao Aeroporto de Negombo, oficialmente chamado Bandaranaike International Airport.

Contudo Colombo-Fort é uma zona bastante cara em termos de alojamento, não existindo muitas opções. Num hostel, uma cama num dormitório custa cerca de 18€ (Cityrest Fort Hostel) pelo que a opção mais barata surgiu no YMCA, uma instituição centenária que ocupa um edifício igualmente antigo.

Não sendo muito bem referenciado nos guias turísticos, YMCA Colombo oferece condições razoáveis para uma estadia na cidade, disponibilizando uma gama bastante variada de quartos, desde dormitórios, até quartos duplos. As casas de banho são partilhadas. Os quartos assim como as casas-de-banho necessitam de algumas reparações, mas o básico está assegurado. Os quartos dispõem de mobília antiga e pesada o que combina com o estilo austero dos quartos e corredores, tudo contribuindo para criar uma atmosfera cativante que faz esquecer as pequenas falhas e algum falta de conforto. Um bom local para ficar em Colombo, contudo com o preço demasiado elevado para as condições oferecidas.

YMCA Colombo

Address: 39, Bristol Street, Colombo 01

Tel: 011-2325252/3

Email: ymcacbo@sitnet.lk

Dorm (male or female): 1500 LKR

Single room: 2050 LKR, shared toilette

YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo. Rates
YMCA Colombo. Rates
YMCA Colombo
YMCA Colombo

Uma outra alternativa para quem não pretende passar muito tempo em Colombo, ou só umas horas entre comboio, avião ou autocarro, é ficar na zona de Pettah. Mesmo em frente à estação de comboios de Colombo-Fort, do outro lado da rua, ficam várias pensões ou guest houses que alugam quartos, geralmente por cima de restaurantes ou de lojas. A zona é movimentada e barulhenta, mas para uma estadia curta pode ser uma boa opção.

Room in front of Colombo-Fort Train Station. Colombo
Room in front of Colombo-Fort Train Station. Colombo

Onde comer em Colombo:

Da estadia de duas noites em Colombo ficaram dois locais muito recomendáveis:

Uma das opções foi em Pettah para saborear um delicioso rice and curry, em atmosfera local, num restaurante predominantemente frequentado por muçulmanos, mas onde facilmente se encontra comida vegetariana:

Hotel Bankshall

Address: 57, Bankshall Street. Petah, Colombo 11

Neste “hotel” que nada tem a ver com aluguer de quartos, serve-se entre outras coisas, um apetitoso rice and curry por 110 rupias, com direito a “refill” e a muitos sorrisos no meio dos olhares curiosos dos restantes clientes pouco habituados a estrangeiros neste local.

Hotel Bankshall
Hotel Bankshall
Rice and curry at Hotel Bankshall, Pettah. Colombo
Rice and curry at Hotel Bankshall, Pettah. Colombo

 

Em Colombo-Fort, dois quarteirões por trás da YMCA encontra-se o Ruhunu Food Center, um restaurante que serve desde rice and curry, a snacks, sandwiches, hoopers, roti, kotu… muito movimentado e um pouco confuso, mas com comida muito boa e servida com simpatia. Mesmo ao jantar é possível encontrar aqui rice and curry, o que é invulgar no Sri Lanka, onde este prato fica geralmente reservado para o almoço.

Ruhunu Food Center

Address:  Lotus Rd, Colombo 01 (perto da Sri Lanka Telecom e da Sir Baron Jayathilaka Mawatha Road)

Ruhunu Food Center
Ruhunu Food Center

Transportes em Colombo:

Em Colombo as distâncias são grandes com a cidade a estender-se por alguns quilómetros ao longo do mar, pelo que o tuk-tuk será uma boa opção, apesar do trânsito ser intenso, ruidoso e o ar poluído.

Os autocarros são de longe a solução mais barata, e dada a grande oferta, de certo que se encontra um autocarro para qualquer zona da cidade.

Contudo, a minha experiência ficou-se pelas caminhadas a pé, entre Pettah, Fort e Galle Face.

Em Colombo-Fort estão concentrados os principais transportes públicos que servem a cidade e também os que se destinam a outros pontos do país: estação de comboios (Colombo-Fort), e dois terminais de autocarros, Colombo Central Bus Stand e Bastian Mawatha Bus Station, tudo situado num raio de 500 metros.

 

Como ir de Colombo para o Aeroporto (Negombo):

How to go from Colombo to the Airport

 

População de Colombo: 650.000

Altitude de Colombo: 9 metros

A comida no Sri Lanka

A comida do Sri Lanka é sem duvida marcada fortemente pelas especiarias, pelo côco e sobre tudo pelo picante… sim, a comida tradicional é verdadeiramente picante e não é para estômagos fracos, contudo não é de todo em exagero, pois não se sobrepõe ao sabor dos restantes ingredientes!

Em termos de especiarias o que sobressai é o cominhos, coentro, cravinho, cardamomo, gengibre e açafrão (tumeric) e folhas de caril (curry leaves) e canela, que no Sri Lanka tem um paladar menos doce do que o habitual. O coentro é usado em pó, sementes ou fresco. O cominho é também muito frequente, sendo comum encontrar estas sementes nos caris, que são fritas juntamente com alho. A cebola é usada muitas vezes crua, na preparação de condimentos que acompanham os caris, como o sambol, uma mistura de ingredientes crus, que pode ser de côco (pol sambol) ou de vegetais (gotukola sambol)… mas sempre picante.

Como base da alimentação está sempre o arroz, seja simplesmente cozido a acompanhar os aromáticos e deliciosos caris ou seja na preparação de string hoppers (idyyappam), uma espécie de noodles feitos de farinha de arroz que podem ser consumidos como refeição, acompanhados de caris, ou numa versão doce, recheados de côco ralado e açúcar chamados de lavariya (sweet string hoppers)… ambos podem ser encontradas ao pequeno-almoço!

O arroz está também presente num outro ícone da cozinha Cingalesa, os hoppers, uma panqueca espessa no centro e estaladiça nas pontas, feita à base de farinha de arroz e leite de côco, que serve de snack ou como refeição, acompanhados de caris ou de molhos picantes. Com ingredientes semelhantes, fazem-se os coconut hoppers, mas sendo cozinhados ao vapor, ficam macios e suaves, menos populares do que os hoppers mas muito mais saborosa e adocicada versão.

String hoppers, feitos de farinha de arroz e servidos muitas vezes como pequeno-almoço... estes feitos com farinha de arroz integral que lhes dá o tom acastanhado
String hoppers, feitos de farinha de arroz e servidos muitas vezes como pequeno-almoço… estes feitos com farinha de arroz integral que lhes dá o tom acastanhado
Hoppers cuja massa é cozinhada em pequenas panelas sobre lume forte, até a parte mais fina ficar estaladiça e com o centro, por ser mais espesso, fica fôfo e macio
Hoppers cuja massa é cozinhada em pequenas panelas sobre lume forte, até a parte mais fina ficar estaladiça e com o centro, por ser mais espesso, fica fôfo e macio
Coconut Hoppers... uma versão doce para pequeno-almoço
Coconut Hoppers… uma versão doce para pequeno-almoço

A comida do Sri Lanka apresentam uma grande variedade de ingredientes sobretudo vegetais, e apesar de ser um país maioritariamente budista, não é raro o consumo de carne, geralmente frango, e de peixe, em especial nas zonas mais perto da costa. Mas é extremamente fácil encontrar comida vegetariana, tanto ao nível de refeições como de snacks. Nas regiões onde predomina a religião muçulmana é evidente o maior consumo de caris feitos de carne, ao passo nas regiões de maior presença Tamil, é mais fácil encontrar comida vegetariana.

Snacks e Street food:

E por falar em snacks… o Sri Lanka foi uma agradável surpresa: pela variedade, pelo sabor, pela facilidade em encontrar um pouco por todo o lado estes deliciosas petiscos seja logo pelo pequeno-almoço, como em qualquer hora do dia, que servem de refeição ligeira. Vendem-se nas bakery, nas roti shops, nos restaurantes, em quiosques e bancas de rua… nos comboios, nos autocarros… em vendedores ambulante de bicicleta…

Os nomes são muitos… ulundhu vadai, parippu vada, samosas, pol roti, coconut roti, patties, rolls, cutlets, roti... que em comum têm o facto de serem fritos, picantes e geralmente vegetarianos.

Em termos de comida de rua os mais fáceis de encontrar são os ulundhu vadai um pastel de massa frita, em forma de anel, condimentado com especiarias, que por vezes é aberto ao meio e recheado de uma pasta vermelha e picante. Também muito populares são os parippu vada, um pequeno pastel cuja massa é feita de uma pasta de lentilhas, que depois de frito fica estaladiço e picante.

Ambos bastante oleoso, mas muito saborosos, vendidos frequentemente nos comboios e nos autocarros, por vendedores ambulantes que a custo circulam com cestos pelos onde estes petiscos se empilham… mas que também fáceis de encontrar em bancas de rua, geralmente nas zonas mais movimentadas da cidade, como os mercados, terminais de autocarros e à entrada de estações de comboio. Feitos logo pela manhã, ou ao fim da tarde, ficam empilhados nas vitrines, que expostas para a rua servem para anunciar uma nova remessa destes snacks.

em cima "paties" recheados de vegetais em forma de meia-lua e "ulundhu vadai", massa frita em forma de anel. em baixo "parippu vada" um pastel frito feito de lentilhas, picante e estaladiço
em cima “patties” recheados de vegetais em forma de meia-lua e “ulundhu vadai”, massa frita em forma de anel. em baixo “parippu vada” um pastel frito feito de lentilhas, picante e estaladiço

A estes podem-se juntar os chamados patties, um pastel em forma de meia-lua, cuja massa faz lembrar os pastéis de massa-tenra, e que são recheados com uma pasta de vegetais ou de lentilhas, e fritos em óleo. Com um recheio semelhante, mas com uma massa diferente e cozinhados no forno, surgem as samosas (chamussas) sendo geralmente vendidos em bakery, lojas semelhantes a cafés mas destinadas essencialmente à venda destes snacks salgados, assim como alguns doces, sumos e gelados… e onde também se pode saborear chá e café.

Há ainda mais uma grande variedade de snacks, quase sempre fritos como os rolls e os cutlets, geralmente de peixe ou carne, mas por vezes também de vegetais, semelhantes aos croquetes, em forma de cilindro ou de bola, mas sempre panados e fritos em óleo. Seja qual for a opção o recheio é sempre picante.

Mas sem duvida que os mais populares, seja em que parte do país for, seja em grande cidades ou pequenas povoações são os roti, confeccionados nas chamadas roti shops, que também servem kottu. Os rotis são pastéis feitos de massa muito fina, a mesma massa que se usa nas parahtas, que é recheada com uma pasta de vegetais, fortemente condimentada e picante. Depois da massa ser dobrada em forma de triângulo, ligeiramente espalmado, é frita sob uma placa metálica. Se forem recheados de peixe têm uma forma de cilindro e se forem de carne têm a forma de um rectângulo.

"roti" com a forma de triangulo indicando que têm recheio de vegetais
“roti” com a forma de triangulo indicando que têm recheio de vegetais
"Pol roti", uma panqueca de farinha de arroz e côco, salgada e que é acompanhada de uma pasta picante. Ao meio estão "ulundhu vadai", um pastel de massa frita, condimentado com especiarias
“Pol roti”, uma panqueca de farinha de arroz e côco, salgada e que é acompanhada de uma pasta picante. Ao meio estão “ulundhu vadai”, um pastel de massa frita, condimentado com especiarias
vendedor ambulante de snacks nas ruas de Galle Fort
vendedor ambulante de snacks nas ruas de Galle Fort
snacks à venda em Gelle Front, que depois do pôr do sol e local popular para passear em Colombo, saboreando alguns snacks e a brisa fresca do mar
snacks à venda em Galle Front, que depois do pôr-do-sol e local popular para passear em Colombo, saboreando alguns snacks e a brisa fresca do mar
"roti shop" que também serve hoppers
“roti shop” que também serve hoppers

Rice and curry:

Mas se os snacks criaram boa impressão da variedade e paladar da gastronomia do Sri Lanka, o rice and curry, foi marcante, tendo sido a refeição obrigatória dos 30 dias passados no Sri Lanka. Geralmente ao almoço, mas por vezes também como primeiro refeição da manhã, o rice and curry é uma refeição equilibrada, saudável e energética, deixando o estômago satisfeito por bastantes horas. Por tudo isto é a refeição mais popular no Sri Lanka, sendo barato e fácil de encontrar um pouco por todo o lado.

Mesmo sendo consumido diariamente o rice and curry (assim chamado também no Sri Lanka) nunca cansa nem se torna aborrecido, pois é surpreendente a variedade de ingredientes usados, dos quais resulta uma grande diversidade de caris.

Para além do arroz e de um espesso caril de lentilhas condimentado com folhas de caril (curry leaves) e malaguetas secas e fritas, os caris usam ingredientes como abóbora, courgette, jackfuit, banana, batata, beterraba, feijão verde, quiabos, beringela, diversos legumes de folha verde, alguns frutos… a somar a muitos outros ingredientes não identificados ou que fogem aos meus conhecimentos. A completar o prato que tem sempre uma base vegetariana, podem ainda ser adicionados caris de peixe ou de carne.

A jackfruit, um gigantesco fruto tropical, consumido fresco mas que no Sri Lanka é mais usado em caris, nos seus diferentes estados de maturação, desde “verde” a maduro; é não só a polpa é usada, sendo aproveitadas também as sementes, que são cozinhadas como feijões. O jackfruit, apesar de não ter um sabor muito intenso, apresenta uma textura macia deixando a comida com um aspecto pegajoso, resultante da goma natural do fruto… um pouco como os quiabos.

Rice and Curry.... no primeiro plano o "gotukola sambol", à esquerda o "dahl", à direita um caril de beterraba, e ao fundo um caril de "jackfruit"
Rice and Curry…. no primeiro plano o “gotukola sambol”, à esquerda o “dahl”, à direita um caril de beterraba, e ao fundo um caril de “jackfruit”
Homemade Rice and Curry... arroz, batata, frango e abóbora, tudo cozinahdo com óleo de côco
Homemade Rice and Curry… arroz, batata, frango e abóbora, tudo cozinahdo com óleo de côco
Rice and Curry... onde é colocada à disposição o arroz e os vários caris para fazer o "refill" do prato
Rice and Curry… onde é colocada à disposição o arroz e os vários caris para fazer o “refill” do prato

Apesar da diversidade de caris, a base é sempre o arroz, servido numa generosa quantidade, podendo ser de grão branco ou o chamado localmente “red”, uma variedade de arroz tradicional do Sri Lanka, que onde o grão depois de cozido parece trazer uma pequena camada de “pele” de tom avermelhado ou acastanhado. Mais saboroso mas menos comum do que o arroz “branco”.

Acompanhado quase sempre o prato de rice and curry vem o papadum, uma bolacha fina e estaladiça que é frita em óleo, servida sempre numa pequena quantidade.

Rice and Curry... "red rice" ao centro, em baixo dahl, à esquerda caril de abóbora e "gotukola sambol", no topo feijão-verde, e à direita "pol sambol"
Rice and Curry… “red rice” ao centro, em baixo dahl, à esquerda caril de abóbora e “gotukola sambol”, no topo feijão-verde, e à direita “pol sambol”
Rice and Curry servido de forma tradicional, com os vários caris e condimentos, colocados em potes de barro, onde cada pessoa se serve em estilo "buffet"
Rice and Curry servido de forma tradicional, com os vários caris e condimentos, colocados em potes de barro, onde cada pessoa se serve em estilo “buffet”
Rice and Curry, com "jack fruit" curry do lado direito, e "papadum" no topo
Rice and Curry, com “jack fruit” curry do lado direito, e “papadum” no topo
Rice and Curry servido de forma tradicional em folha de lótus
Rice and Curry servido de forma tradicional em folha de lótus

As combinações de caris são muitas e variadas, geralmente com duas ou três variedades, por vezes quatro, resultando num prato colorido e atractivo. Atractivo é também o preço, pois pode-se encontrar um rice and curry vegetariano por 80 LKR (0.50€) nas pequenas povoações, e nas cidades a custar entre 100 a 150 LKR, caso se opte por um dos restaurantes mais simples e informais. Nas zonas turísticas os valores sobem para 200 LKR (1.3€) mas em alguns restaurantes podem custar mais do 400 LKR. As opções com carne ou peixe são sempre um pouco mais caras.

O rice and curry é servido no prato, mas sempre com direito a “refill” caso não se esteja num restaurante mais sofisticado ou em zonas muito turísticas.

Em alguns locais, seja em pequenas bancas de rua, à porta de um café, num quiosque de um terminal de autocarros e em restaurantes mais modestos é frequente encontrar-se o rice and curry em sistema de takeaway, no Sri Lanka chamado de “parcel” em que a comida é envolvida num plástico e depois embrulhada e papel de jornal. Este sistema e bastante popular entre a população local, mas pouco prático caso se esteja em viagem , pois não são fornecidos talheres, dado que no Sri Lanka é tradição e costume comer com a mão (direita) sendo os talheres facultados somente nos restaurantes, resumindo-se a uma colher.

Rice and Curry, com "pol Sambal" no lado direito do prato; do lado esquerdo uma mistura de vegetais com côco de sabor fresco e ao mesmo tempo picante
Rice and Curry, com “pol Sambal” no lado direito do prato; do lado esquerdo uma mistura de vegetais com côco de sabor fresco e ao mesmo tempo picante.
Rice and Curry.... com dahl, "papadum", e uma mistura de sementes de "jackfruit", que se assemelham a feijões e que são cozinhadas com côco e especiarias formando um original caris
Rice and Curry…. com dahl, “papadum”, e uma mistura de sementes de “jackfruit”, que se assemelham a feijões e que são cozinhadas com côco e especiarias formando um original caris
Rice and Curry.... com "red rice", dhal do lado esquerdo, "jackfruit" curry do lado direito e ao fundo "gotukola sambol" uma mistura de um vegetal de folha verde com côco e cebola, que por ser crua, cria um interesante contraste
Rice and Curry…. com “red rice”, dhal do lado esquerdo, “jackfruit” curry do lado direito e ao fundo “gotukola sambol” uma mistura de um vegetal de folha verde com côco e cebola, que por ser crua, cria um interesante contraste

 

Pode-se considerar que o rice and curry é o prato nacional do Sri Lanka, transversal a todos os grupos étnicos, castas e religiões.

Roti e Kottu:

Apesar de poder dizer que o rice and curry é o prato nacional do Sri Lanka, os rotis e kottus, são fortes concorrentes neste título. São baratos. fáceis de encontrar um pouco por todo o lado, apresentam uma grande variedade e são apetitosos.

Os rotis são mais frequentes como snack, de manhã ao pequeno almoço ou durante o dia entre refeições. Mas podem ser consumidos como almoço acompanhados de outros snacks disponíveis no restaurante, que vêm para a mesa num prato, com o cliente a fazer  a seleção e a pagar somente os que consumiu.

Os rotis são feitos com a mesma massa das lachha parathas, um pão achatado de massa muito fina, não levedada, que é estendida com a ajuda de bastante óleo até quase rasgar. Depois de enrolada é espalmada e frita numa chapa metálica até ficar dourada e ligeiramente estaladiça… um pão que acompanha refeições e que é uma clara influência Tamil do Sul da Índia (não confundir com as parathas do norte da Índia).

roti, pasteis de massa fina, recheados, que são fritos sobre uma chapa metálica
roti, pasteis de massa fina, recheados, que são fritos sobre uma chapa metálica

Os kottus, cozinhados nas chamadas “roti shops” são a mais popular opção para o jantar fora de casa. Os kottus têm por base uma panqueca feita de farinha de trigo, semelhante às parathas, que é frita em chapa metálica, e depois cortada em pequenos pedaços e misturada com legumes, ovo ou carne. Disto resulta uma refeição consistente mas pouco nutritiva dado que os vegetais (cebola, cenoura, tomate, ervilhas, spring onions…) são em pequena quantidade, donde resulta muito massa e algum óleo. Mas a preparação do kottu merece sempre atenção, pois envolve um pequeno espetáculo do cozinheiro que com duas espátulas metálicas, corta e mistura os ingredients com a massa, sobre a chapa metálica, tarefa executada com movimentos elaborados e espetaculares, mas que produz um barulho um pouco irritante e que se sobrepõe às conversas.

Kotu
Kottu de vegetais

Mas com o mesmo nome, roti, pode também indicar outro snack, este mais comum nas roti shops e em alguns restaurantes. Estes roti são feitos com a mesma massa das parathas, sendo preparados no momento, e podendo ter variados recheios (vegetais, carne, peixe, queijo) resultando numa espécie de crepe de massa muito fina, achatado, dobrada em forma de rectângulo.

roti, mas numa outra versão, e preparados na hora, cujo recheio pode ter muitas combinações, desde vegetais, caris, queijo, ovo... e até chocolate e banana, para agradar ao guloso padrão ocidental
roti, mas numa outra versão, e preparados na hora, cujo recheio pode ter muitas combinações, desde vegetais, caris, queijo, ovo… e até chocolate e banana, para agradar ao guloso padrão ocidental

As “roti shops” especializam-se em rotis, kotus e fried-rice… mas para encontrar um rice and curry, o melhor é procurar um restaurante que aqui no Sri Lanka, se identificam de “hotel”, sendo esta designação aplicada a estabelecimentos mais simples, despretensiosos e baratos,mas que são os locais favoritos entre a população local.

King Coconut:

O “rei” dos côco! Esta espécie de côcos nativa do Sri Lanka, é uma imagem que marca de amarelo a estadia na ilha, onde por todo o lado se vendem estes côcos, que crescem um pouco por todo o lado, sem necessitarem de cuidados especiais, com excepção das zonas mais elevadas e montanhosas.

E não é só na côr que estes côcos são diferentes, são também no sabor, muito mais doces e intensos do que os habituais côcos de casca verde, populares na vizinha Índia.

O côco tem propriedades refrescantes, ajudando abaixar a temperatura do corpo, o que é óptimos em climas tropicais como o Sri Lanka. Para além de deixar uma sensação de frescura quando é bebida a água (coconut water) que contem no seu interior, deixa também o estômago saciado devido à riqueza nutricional do côco, servindo muitas vezes de pequeno-almoço ou ente refeições.

King Coconut. Sri Lanka
King Coconut. Sri Lanka

O leite de côco usado na comida é feito a partir da polpa, que vai ficando mais espessa à medida que o côco amadurece e vai perdendo a água no seu interior. Quando quase seco, é ralado e usado para fazer o pol sambol, uma mistura de côco ralado, chilli (malaguetas), frescas e secas trituradas, cebola, sumo de lima e sal. O côco ralado é também usado como ingrediente do gotukola sambol, uma mistura crua de uma planta de folha verde (gotukola) com chilli, cebola e algumas especiarias.

Pol roti... panqueca salgada feita à base de côco ralada e farinha
Pol roti… à direita, panqueca salgada feita à base de côco ralada e farinha; do lado esquerdo os “ulundhu vadai”

Resultando da mistura de farinha de arroz e de côco ralado, resulta o pittu que é cozinhado ao vapor numa forma cilíndrica, e é ensopado em caris, tanto ao pequeno-almoço como ao jantar. Também desta mistura resulta o pol roti, mas onde a massa é trabalhada em forma de panqueca que é cozinhada ao lume, e que serve também como acompanhamento de caris.

pittu, rolo feito à base ce côco que depois de cozinhado ao vapor serve para acompanhar caris
pittu, rolo feito à base ce côco que depois de cozinhado ao vapor serve para acompanhar caris

Para além disto o côco é indispensável à confecção da maioria dos caris que servem de base às refeições no Sri Lanka, seja ralado, como condimento ou em forma de óleo de côco.

Doces:

Os doces não foram o que mais marcou a experiência gastronomica do Sri Lanka, contudo dois sobressaíram: coconut hopper e lavariya… não muito doces, leves e sem óleo!!!

Os sweet string hoppers ou lavariya são string hoppers, uma espécie de noodles feitos com massa de arroz e cozidos ao vapor, que são depois recheados com uma mistura de côco ralado, açúcar escuro (jaggery) e condimentados com cardamomo… uma delícia.

lavariya, string hopper com recheio de côco e açucar
lavariya, string hopper com recheio de côco e açucar

Os coconut hoppers, são feitos com farinha de arroz e côco, cozinhados ao vapor sobre folha de bananeira; vendidos aos pares com um ligeiro recheio adocicado e cremoso. São suaves, leves e deliciosos.

Coconut Hoppers
Coconut Hoppers, uma versão dos hoppers, também feita com farinha de arroz e côco, mas cozinhada ao vapor, resultando fôfo e macia

O curd and honey, que não é mais do que iogurte regado com mel, que de facto não é mel mas sim melaço (treacle), muito popular Ella, onde se pode encontrar com diferentes variações como o curd and honey com arroz, o que torna uma boa opção para pequeno-almoço. Bom, mas não surpeendeu.

Curd and honey
Curd and honey, numa variante com arroz

 

O tradicional curd, um iogurte mais espesso e com mais gordura do que o que estamos habituados, feito com leite de búfala. Pode ser vendids nos “milk bar” que são pequeno quiosques de rua, nas “milk shops” e em algumas mercearias, mas sempre em potes de barro, com a versão mais pequena a pesar meio quilo. São misteriosamente mantidos durante o dia fora do frigorífico, sem se deteriorarem. Não têm açucar, como é habitual encontrar nas versões Nepalesas e Indiana.

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Curd, um iogurte feito de leite de bufala

Nas bakeries para além da venda de salgados apresentam também bolos, a fazer lembrar muito a doçaria europeia com versões de pão-de-ló ou do bolo-mármore, mas em formato rectangular. A estes juntam-se outro bolo muito comum, semelhante aos “muffins” ou ao português “queque” (por vezes com a forma de estrela), mas que se mostraram secos e bastante desinteressantes. Em algumas cidades, algumas pastelarias oferecem maior variedade de pastelaria baseada em bolos com cremes e recheio, mas pouco cativante e de sabor industrial.

uma versão do Sri Lanka dos muffins, ou praticamente o mesmo que os "queques" portugueses
uma versão do Sri Lanka dos muffins, ou praticamente o mesmo que os “queques” portugueses

Pão:

Apesar destas iguarias, o pão, numa versão ocidental, tipo pão de forma, branco e “borrachoso” é bastante popular… torrado com manteiga ou partido em pedaços e regado com caril… pouco atractivo mas vendido um pouco por todo o lado nas chamadas “bakery” ou nos vendedores ambulantes com carrinhos de mão ou triciclos motorizados que circulam pelas ruas das povoações.

A pequenos pães de massa branca, muito leves e sem sabor, vendidos simples ou recheados com omolete: redondos ou em forma de baguette, são uma versão Cingalesa da sandwich. A estes juntam-se outros a fazer lembrar o “pão de leite” e os “donuts” mas cujo aspecto industrializado não atraiu.

Pão
Pão bastante popular no Sri Lanka, numa versão mais ocidentalizada, mas pouco atractiva, de massa branca e muito leve, mas que com a humidade tropical fica rapidamente “borrachosa”
carrinha do pão
carrinha de venda do pão que circula pelas ruas das cidades

Chá e café:

O Sri Lanka é conhecido pelo chá, o famoso chá do Ceilão que os ingleses introduziram que continuam a ser plantado em larga escala. E é de facto a bebida nacional, sendo consumida com leite e açúcar.

Mas o café, não tendo fama, é bastante agradável, sendo preparado por filtragem (café de filtro), mostrando-se pouco denso e suave.

Horários:

Para encontrar um determinado tipo de comida, é necessário alguma aprendizagem relativamente aos horários, pois no Sri Lanka seguem-se regras não-escritas sobre o que comer a determinadas horas do dia.

Assim, de manhã, é hora para os roti, recheados de vegetais, peixe ou carne, assim como de samosas (chamussas), patties (estilo pastéis de massa-tenra), rolls (croquetes) e cutlets (estilo croquete mas redondos) também com diferentes tipos de recheios mas todos deep-fry, ou seja fritos imersos em óleo. Os coconut hoppers e lavariya, sendo ligeiramente adocicados e cozinhados ao vapor servem muitas vezes de pequeno-almoço.

Ulundhu Vada em primeiro plano.... depois cheese roti, fish roti, veg roti...
Ulundhu Vada em primeiro plano…. depois cheese roti, fish roti, veg roti…

Ao almoço, o popular rice and curry, é servido geralmente a partir do meio-dia, sendo servido até acabar, ou seja, pode durar hora e meia mas também se pode prolongar até às 2 horas… procurar um rice and curry depois deste horário aumenta as possibilidades de comer comida fria ou requentada… ou mais provavelmente de nem sequer encontrar rice and curry. Em alguns locais, geralmente em cidades e nos grandes restaurantes esta tradicional refeição está disponível desde a manhã, sendo servida ao pequeno almoço. Ao almoço, uma alternativa ao rice and curry são os string hoppers, mas estes só mesmo nos locais mais tradicionais do Sri Lanka.

Rice and Curry servido na forma tradicional do Sri Lanka em sistema de "buffet"
Rice and Curry servido na forma tradicional do Sri Lanka em sistema de “buffet”
"String hopper" com "dahl", um simples caril de lentilhas
“String hopper” com “dahl”, um simples caril de lentilhas

Ao jantar, que termina cedo, sendo difícil encontrar locais servindo refeições depois das 9.30h da noite, o mais popular são os kottu, os roti e as parahtas. Para quem quer uma refeição mais substancial tem também o fried–rice, fácil de encontrar nas chamadas Roti Shops, que como o nome indica se dedicam aos roti e kottu. Os hoppers são também uma das escolhas tradicionais ao fim do dia.

Fried rice with dahl, um caril de lentilhas
Fried rice de vegetais (Veg Fried Rice) acompanhado por dahl, um caril de lentilhas onde por vezes surge a boiar uma malagueta frita

Durante todo o dia, é possível encontrar os ulundhu vadai (massa frita em forma de anel), parippu vada (pastel de lentilhas frito), os pol roti (panqueca à base farinha e côco), os coconut roti (em forma de disco com cebola e côco)… e os sempre presentes roti, cuja popular opção vegetariana em forma de triângulo fica marcada na memória dos snacks Cingaleses.

Street food junto à estação de comboios de Kandy, durante a manhã
Street food junto à estação de comboios de Kandy, durante a manhã
Street food in Galle Fort, Colombo que só surge depois do pôr do sol
Street food in Galle Face, Colombo que só surge depois do pôr-do-sol

Em resumo, a gastronomia do Sri Lanka foi uma boa surpresa, bastante diferente da Índia vizinha, muito saborosa, colorida, rica, nutritiva… e amigável para vegetarianos. Resultado de várias influências, a cozinha Cingalesa está totalmente associada com a paisagem verde e com o clima quente e tropical.

…. o “rice and curry” e o “king coconut” deixaram saudades!

Sigiriya e a subida à Lion Rock

Sigiriya não estava na “lista”… demasiado caro, demasiado turística, sendo o local mais visitado do Sri Lanka. Mas nem tudo acontece como planeado, e o facto de em Dambulla ter encontrado um confortável poiso, a estadia prevista de uma noite estendeu-se por duas. E o facto da entrada das Cave Temples de Dambulla ser gratuita, criou um espécie de necessidade de usar o dinheiro e o tempo de forma “útil”. Assim, pela proximidade impôs-se quase naturalmente a visita a Sigiriya, ao quase se juntou um certo desafio por subir os 200 metros que separam o topo da rocha do terreno circundante.

Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Sigiriya
Sigiriya
Sigiriya
Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Sigiriya
Sigiriya

O balanço foi pouco satisfatório, maioritariamente pelo elevado numero de visitantes, que não permitiu disfrutar do espaço, mas essencialmente pelo comportamento de algumas pessoas, que desrespeitando o facto de ser um local sagrada para os budistas, pois chegou a ser um mosteiro, não se privam de fumar ou beber cerveja, práticas que são proibidas no local.

A subida está sujeita a alguma tensão com os empurrões e o desrespeito pela ordem da fila; no topo o ambiente é de euforia para encontrar o melhor local para tirar as selfies… mas nem tudo foi negativo. A chegada ao topo, onde deslizava uma suave brisa capaz de arrefecer o corpo suado da subida, que nada tem de difícil mas onde o calor tropical faz pesar o corpo.

Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya

Descansando sob a sombra protetora de uma árvore, assistiu-se à subida suave da neblina que turvava o horizonte, trazendo definição aos contornos das montanhas que ao longe forma uma barreira. Olhando nas restantes direções a paisagem de um verde tropical rasgada aqui e além pelo vermelho ferroso do solo, estende-se numa infinita planície.

View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya
View from Lion rock. Sigiriya

Com o avançar da manhã, que trouxe consigo um céu azul e um sol brilhante, afastando a neblina e fazendo a temperatura subir, a Lion Rock assistiu serena à debandada da maioria dos visitantes, proporcionado um calmo passeio pelo local onde se podem apreciar as ruínas do que outrora foi o palácio do Rei Kasyapa que em meados do século I D.C fundou aqui a capital do Reino.

Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Lion rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya
Palace ruins at the top of Lion Rock. Sigiriya

 

Sigiriya Ticket:

Como todo o Património Classificado pela UNESCO no Sri Lanka, Sigiriya tem também um elevado custo de entrada, 4200 LKR, o que equivale a 27€, muito mais caro do que um bilhete para visitar o Museu do Louvre (15€) ou o Museu do Vaticano (16€).   O que faz da visita aos locais históricos/turísticos do Sri Lanka, como por exemplo Sigirya, Polonnaruwa ou Anuradhapura, mais cara do que os mais famosos locais da Europa.

A população local paga um valor irrisório, no caso de Sigiriya é de 50 LKR, equivalente a 0.30€) ou tem por vezes direito a entrada gratuita, como é o caso do Buddha Tooth Relic Temple, em Kandy.

O elevado valor serve para preservação dos locais, não estando disponível informação relevantes no local, nem sendo distribuída qualquer brochura ou mapa que permita uma melhor interpretação do local.

Para além da questão da descriminação no preço dos bilhetes, entre população local e estrangeiros, que pode ser até certo ponto aceitável, os valores cobrados aos visitantes são deveras elevados, por vezes 90 vezes mais caros!!!!!… e tudo isto subsidiado pela UNESCO, que por sua vez é financiada por dezenas de países, entre eles os países dos “estrangeiros” que visitam o Sri Lanka!!!

Sigiriya Ticket: 4200 LKR (30$)

Sigiriya Fee
Sigiriya Fee
Sigiriya Ticket
Sigiriya Ticket

Para quem está com orçamento limitado não faz sentido nenhum subir à Lion Rock, sendo preferível subir e visitar a Pidurangala que custa 500 LKR, e de onde se tem um bom ponto de observação da paisagem, e uma vista privilegiada para a Lion Rock.

Para se alcançar Pidurangala, estando de frente para a entrada da Lion Rock é necessário caminhar para a esquerda e caminhar cerca de 15 minutos, seguindo as setas. No percurso passa-se a entrada Norte da Lion Rock, e aí virar à esquerda até chegar a uma zona onde alguns tuk-tuks esperam.

Way to Pidurangala. Sigiriya
Way to Pidurangala. Sigiriya
Way to Pidurangala. Sigiriya
Way to Pidurangala. Sigiriya

 

Melhor altura do dia para visitar Sigiriya:

De acordo com os guias turísticos a melhor altura para visitar a Lion Rock é de manhã cedo, e como este é um conselho seguido por muita gente faz com que “de manhã cedo” seja a altura mais concorrida do dia, com o pico de afluência entre as 9h e as 10h… pelas 11 horas nota-se um decréscimo significativo de visitantes, com muitos a descer e a encaminharem-se para os autocarros de turismo, deixando de haver fila para entrar ou para subir a escadas de acesso à Lion Rock.

A alternativa é chegar antes dos grandes grupos de excursões, que geralmente vêm de Kandy e que chegam perto das 9h, ou seja, chegar ao local na hora de abertura. Esta opção tem o inconveniente de por vezes as manhãs serem um pouco nubladas o que não permite uma visão clara da paisagem em redor.

Quanto ao calor, argumento apontado para se ir cedo, é um pouco indiferente dado que mesmo de manhã as temperaturas são suficientemente elevadas para deixar qualquer um a pingar suor com a caminhada para atingir o topo da rocha.

Por tudo isto, a melhor altura é ir chegar depois das 11 horas… e quem estiver interessado pode começar cedo por visitar Pidurangala e só depois encaminhar-se para a Lion Rock… pois é uma subida fácil por escadas e rampas.

Entrance. Sigiriya
Entrance. Sigiriya
Lion Rock. Sigiriya
Lion Rock. Sigiriya

Onde dormir em Sigiriya:

Em volta da zona arqueológica existem muitas opções desde hotéis, resorts, boutique hotel, guest houses, etc…

A opção foi ficar em Dambulla, onde os preços são mais baixos, e onde se tem facilmente acesso às Cave Temple, na familiar e agradável Gold Rock Guest House. Do Dambulla Bus Terminal, a cerca de 1.5 quilómetros partem autocarros directos para Sigiriya, de 30 em 30 minutos. Em frente à entrada principal do Cave Temples passam autocarros que param no Dambulla Bus Terminal que facilitam esta deslocação.

Gold Rock Guest House

Address: 45, Kandy Road, Dambulla

Contact: 066 2248 114, 71 118 8958

Email: guestgoldrock@gmail.com

Quarto para uma pessoa, com casa de banho: 1000 LKR

No Wi-fi

(link)

Onde comer em Sigiriya:

Junto à bilheteira existe uma cafetaria. Não existem vendedores ambulantes de comida em Sigiriya. À saída de Sigiriya, caminhado na direção da estrada nacional (Anuradhapura Road) encontram-se alguns restaurantes servindo comida local e internacional a preços inflacionados.

Assim a melhor opção foi comprar comida antes de inicial o passeio, e saboreá-la no topo da Lion Rock. No interior do Dambulla Bus Terminal existem várias lojas que vendem rotis, chamussas e outros snacks que podem facilmente ser embalados para takeaway e servir de refeição. Na Kandy Road entre o terminal de bus e a Clocktower, encontram-se alguns restaurantes que oferecem um pouco mais de variedade, com hoppers e string hoppers recheados com uma mistura de côco e açúcar.

sweet string hoppers (lavariya). Dambulla
sweet string hoppers (lavariya). Dambulla

Como ir de Dambulla para Sigiriya:

Do Dambulla Bus Terminal partem autocarros de 30 em 30 minutos, desde as 6 a.m. até 6 p.m., com destino final Sigiriya.

Bus Ticket Dambulla – Sigiriya: 40 LKR

A viagem de bus demora 1 hora para fazer os 18 quilómetros que separam os dois locais.

O autocarro deixa os passageiros a uma curta distância da entrada, cerca de 10 minutos de calma caminhada, de onde se pode ir vendo a Lion Rock.

Este autocarro tem uma paragem na estrada nacional (Trincomalle-Dambulla) pelo que vem de autocarro não tem necessariamente que ir até Dambulla, podendo apanhar este autocarro à entrada da Sigiriya Road (Inamaluwa Junction), que liga a estrada nacional à Lion Rock.

Dambulla Bus Terminal
Dambulla Bus Terminal
Bus from Dambulla to Sigiriya
Bus from Dambulla to Sigiriya
Bus from Dambulla to Sigiriya
Bus from Dambulla to Sigiriya

Como ir de Sigiriya para Dambulla:

Abandonando a Lion Rock, e caminhado de volta à estrada principal, ou seja caminhado primeiro para Sul e depois para Este.

Na estrada principal não existe numa indicação de paragem, mas basta esperar junto à berma pelo autocarro de regresso a Dambulla.

Bus from Dambulla to Sigiriya
Bus from Dambulla to Sigiriya

Dambulla… a cidade e o mercado

A cidade de Dambulla situa-se estrategicamente no “centro” do chamado triângulo cultural que passa por Kandy-Anuradhapura-Polonnaruwa, sendo ponto de passagem obrigatório e muitas vezes “base” para quem pretende visitar Sigiriya, local sagrado para os Budistas e marco incontornável na história e cultura Cingaleses.

School girls at Kandy Road. Dambulla
School girls at Kandy Road. Dambulla

Mas por si só Dambulla tem motivos suficiente de interesse para aqui se ficar pelo menos por um dia, e a cidade em si apesar de não ter grandes atractivos para além Cave Temples, sendo atravessada por duas estradas nacionais, possui um animado mercado grossista de frutas e legumes que por si só oferece um espetáculo animado e colorido, com o intenso movimento de pessoas e mercadorias.

Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla_Market_DSC_8376
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market

Parecendo à primeira vista um local sem importância para quem visita Dambulla, estando fora dos roteiros turísticos, o mercado situado entre o terminal de autocarros e os Cave Temples, proporciona um ambiente intenso e animado. É claramente um território masculino, dividido entre motoristas, carregadores, comerciantes e vendedores ambulantes, que numa azáfama constante compram, vendem mercadorias, num espaço amplo mas totalmente atafulhado de camiões, carrinhas, carros-de-mão… Pelo meio circulam carregadores, que transportam os produtos às costas ou sobre os ombros, num esforço intenso que deixa os corpos secos e musculados.

Ninguém se passeia por aqui e toda a gente parece absorvida nas suas tarefas, onde a rotina tornou os gestos mecânicos. Contudo, um estranho, ainda para mais mulher e estrangeira, é sempre motivo de curiosidade que faz interromper algumas conversas. Mas uma troca de olhares, é-nos sempre devolvido um sorriso, que contagia e se propaga pelos grupos de homens, que muitas vezes competem entre si para aparecer numa fotografia, que os deixa orgulhosos e de certo com tema de conversa para os próximos minutos…

Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
Dambulla Market
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Dambulla Market

Onde dormir em Dambulla:

A melhor opção é ficar próximo das Dambulla Caves, que ficam a uma distância razoável de ser feita a pá do terminal de autocarros.

Mesmo em frente à entrada do templo, do outro lado da estrada (Kandy Road) fica um terreiro ao longo do qual se alinham paralelamente à estrada diversas habitações. Algumas delas alugam quartos, outras funcionam mais como hotéis.

Road to guest houses near the entrance of Cave Temples
Road to guest houses near the entrance of Cave Temples

Recomenda-se a Gold Rock Guest House, ao lado do “Oasis Tourist Welfare Center” que vem mencionada nos guias turísticos e que está geralmente cheia. A Gold Rock Guest House, situa-se numa casa familiar, onde o piso de cima é ocupado pela família, com os quartos para alugar disponíveis no piso térreo, rodeado por um agradável jardim. O ambiente é muito agradável e confortável com a família a mostrar-se muito simpática e prestável, disponibilizando todas as informações. Os quartos são bons, limpos e cuidados. A localização é óptima a menos de 2 minutos a pé da Temple Cave e a menos de 10 minutos do Terminal de Bus de Dambulla.

Para além de isto tudo a estadia de duas noites em Dambulla, proporcionou agradáveis conservas com a proprietária da casa, uma professora de inglês, que permitiu ficar a conhecer um pouco mais da cultura, hábitos e tradições Cingaleses, que de outra forma são difíceis de apreender. A generosidade estendeu-se até à oferta de um delicioso rice and curry preparado pela proprietária, onde o delicado sabor do óleo de côco marcou a diferença de entre os muitos “rice and curry”’s degustados ao longo da estadia no Sri Lanka.

Gold Rock Guest House

Address: 45, Kandy Road, Dambulla

Contact: 066 2248 114, 71 118 8958

Email: guestgoldrock@gmail.com

Quarto para uma pessoa, com casa de banho: 1000 LKR

No Wi-fi

Gold Rock Guest House. Dambulla
Gold Rock Guest House. Dambulla
Gold Rock Guest House. Dambulla
Gold Rock Guest House. Dambulla
Gold Rock Guest House. Dambulla
Gold Rock Guest House. Dambulla
Family from Gold Rock Guest House. Dambulla
Family from Gold Rock Guest House. Dambulla
Contacts. Gold Rock Guest House. Dambulla
Contacts. Gold Rock Guest House. Dambulla

Onde comer em Dambulla:

Perto do Dambulla Bus Terminal (Kandy Road) existem várias opções, com alguns restaurantes abertos logo pela manhã, com deliciosos coconut hopper, sweet string hoppers e os habituais rotis, chamussas, e demais snacks fritos que se podem encontrar também ao longo do dia. Pelo fim da tarde é tempo para os kotu e rotis. Pela hora de almoço não é difícil encontrar um rice and curry, mas que esgota cedo, pelo que não se recomenda adiar o almoço.

sweet string hoppers (lavariya). Dambulla
sweet string hoppers (lavariya). Dambulla

Do lado oposto à paragem dos autocarros privados (Anuradhapura road) encontra-se um restaurante muito recomendável com comida Cingalesa.

… mas a melhor refeição foi proporcionada na Gold Rock Guest House, com um rice and curry caseiro… um delicioso exemplo da hospitalidade Cingalesa.

home made rice and curry
home made rice and curry

 

Internet e wi-fi:

Existe um posto de Internet que também disponibiliza wi-fi na Kurunegala Road, muito próximo da Clock Tower, num primeiro andar por cima de uma loja de electrónica.

Clock Tower. Dambulla
Clock Tower. Dambulla

Transportes em Dambulla:

Dambulla tem um Terminal de autocarros (Dambulla Bus Terminal) situado na Kandy Road, a cerca de 10 minutos do Dambulla Cave Temples, e daqui partem autocarros para Sigiriya e Kandy.

Dambulla Bus Terminal
Dambulla Bus Terminal

Mas caso se pretenda ir de Dambulla para Trincomalee ou para Colombo, é necessário procurar o local onde param os autocarros privados que fazem com elevada regularidade a ligação entre a costa Este e a capital e que passam obrigatoriamente por Dambulla. Este autocarros fazem paragem na Anuradhapura Road, junto a uma árvore de mangas… sim! Parece estranho mas este é o ponto de referência usado pela população local… mango tree. A concentração de tuk-tuk neste local também serve para localização da paragem, que não tem qualquer sinalização ou abrigo, mas onde geralmente estão parados alguns autocarros esperando passageiros, antes de seguirem viagem.

Private bus stop at Anuradhapura Road. Dambulla
Private bus stop at Anuradhapura Road. Dambulla

Esta paragem fica a cerca de 700 metros do Dambulla Bus Terminal, caminhando para norte desde o terminal até à Clock Tower, e aí virar à direita, e caminhar mais uns 200 metros.

Para quem fica alojado junto ao Cave Temples, e quer chegar à paragem dos autocarros privados, tem que fazer uma caminhada de um pouco mais de 2 quilómetros, o que é possível de ser feito a pé. Mas para facilitar pode-se apanhar um dos muitos autocarros que pára em frente à entrada principal do Cave Temples e perguntar por um que pare na “Clock Tower” ou “private bus”. O bilhete custa 10 ou 20 LKR. Um tuk-tuk custa 100 LKR.

Kandy Road. Dambulla
Kandy Road. Dambulla
Dambulla_Cave Temples_entrance_DSC_7902
Dambulla Temple Caves. Entrance near Kandy road

 

População de Dambulla: 70.000

Altitude de Dambulla: 168 metros

Dambulla e os Budas

A cidade de Dambulla situa-se estrategicamente a meio caminho entre Trincomalle e Colombo, assim como entre Anuradhapura e Kandy, ficando a pouco quilómetros de Sigiriya. Ou seja Dambulla para além dos seus atractivos é ponto de passagem obrigatório para quem visita o chamado triângulo cultural que passa por Kandy-Anuradhapura-Polonnaruwa.

Mas Dambulla surge no mapa turístico pelo conjunto de templos Budistas que se aninham em grutas e por isso simplesmente denominados de Dambulla Cave Temples, que se localizam no topo de um gigantesco maciço granítico que sobre sai na paisagem plana que rodeia a povoação, onde o verde tropical é rasgado também por outras elevações rochosas, entre as quais está Sigiriya, local sagrado para os Budistas e marco incontornável na história e cultura Cingaleses.

view from Dambulla Temple Caves
view from Dambulla Temple Caves
view from Dambulla Temple Caves
view from Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves

Talvez pela simplicidade, pela antiguidade ou pela atmosfera de se estar no interior de uma rocha, a visita a estes templos foi fortemente marcante, onde nem as animadas conversas entre visitantes ou as sonoras explicações dos guias foram suficientes para quebrar a magia do lugar.

As grutas, num total de cinco, alinham-se ao longo de uma falha horizontal no maciço rochoso, que foi parcialmente coberta com uma construção que “fecha” as grutas e cria uma galeria ao longo da rocha. Estes templos datam do século I A.C. tendo sido posteriormente alvo de restauros e remodelações nos século XVII e XVIII, durante Reino Kandyan (ou Kandy) que durou até 1815, altura em que chegaram as tropas britânicas.

O interior das grutas está profusamente decorado com pinturas, onde entre motivos religiosas se estendem padrões geométricos e desenhos florais, e que constituem um vasto e valioso exemplo da arte Budista Cingalesa. Mas o que sobressai à primeira vista são as dezenas de estátuas de Buda, de diferentes estilos e tamanhos, esculpido em madeira ou na pedra, representando Buda na habitual posição sentada com as mãos em diferentes mudras (posição das mãos com diferentes significados simbólicos e espirituais), mas também reclinado que representa os últimos momentos antes de deixar o corpo físico e atingir o nirvana.

Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves

Muitos cingaleses aqui vêm prestar culto a estas impressionantes imagens que nos olham de rosto sereno, depositando flores de lótus e orando. O ambiente é escuro e convida à reflecção e introspecção, práticas espirituais e religiosas transversais a qualquer crença, deixou uma marca forte desta visita que alargou por bastante tempo, dando oportunidade para observar o ir e vir dos peregrinos.

Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves
Dambulla Temple Caves

Dambulla_Cave Temples_DSC_8122

Dambulla Cave Temples fee:

Em Janeiro 2016 a entrada para visitar as Dambulla Cave Temples era gratuita.

Uma decisão recente do governo Cingalês, que eliminou (talvez temporariamente ou em definitivo) o bilhete de entrada, que antes custava 10$ (cerca de 1500 LKR).

Dambulla Temple Caves. Entrance near Kandy road
Dambulla Temple Caves. Entrance near Kandy road

Onde dormir em Dambulla:

Gold Rock Guest House

Address: 45, Kandy Road, Dambulla

Contact: 066 2248 114, 71 118 8958

Email: guestgoldrock@gmail.com

Quarto para uma pessoa, com casa de banho: 1000 LKR

No Wi-fi

 

link:Dambulla e os Budas

 

 

Onde comer em Dambulla:

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Transportes em Dambulla:

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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