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Stepping Out Of Babylon

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Sudoeste Asiático

Birmânia: epílogo

Ficam para sempre, na memória visual e emocional, os sorrisos acolhedores, curiosos e sinceros que são o denominador comum à grande variedade de feições resultado da mistura de etnias onde dominam os Bamar, onde se destaca a beleza dos Shan, e onde são evidentes os traços Chineses, e de onde sobressaem os tons da pele escura dos Tamil e a doçura dos traços dos rostos Indianos.

Fica a bruma matinal envolvendo rios e lagos que esbate a linha do horizonte confundindo céu com água; um mar de onde sopra uma brisa quente e húmida; campos de arroz estendendo-se por infinitas planícies, e suaves montanhas de vegetação tropical. Ficam paisagens de intensos verdes e paisagens secas e sedentas das primeiras chuvas, onde o esmagador clima quente deixa os corpos indolentemente suados.

Fica a memória de excessivamente longas viagens de autocarro, por estradas estreitas e em mau estado, onde os carros de bois ainda são um meio habitual de trasnporte. Fica a pobreza, por vezes estridente, revelada pelo número de crianças a trabalhar, pelas escassas escolas, nas más condições sanitárias, nos constantes corte de energia elétrica, na água que não é própria para consumo e que não chega a todas as casas.

Fica uma mistura de culturas espelhada na variedade gastronómica, onde as especialidades birmanesas convivem com a intensidade dos paladares indianos e com os mais populares pratos chineses, sobressaindo na comida-de-rua, com a mohinga, e o laphet a deixarem saudades.

Ficam a recordação das teahouses, onde o do tempo parece escoarem-se lentamente, com os seus bancos de madeira, tectos altos, onde as paredes com a tinta debotada atestam a passagem dos anos, às quais se junta uma majestosa arquitectura colonialista que confere um charme decadente a cidades como Yangon.

Fica o vermelho do paan, tingindo ruas e passeios, dentes e sorrisos; o grená dos robes que cobrem o corpo dos monges; o sóbrio xadrez dos longis usados pela maioria dos homens e a versão florida e coloridos reservadas às mulheres; athanaka enfeitando e protegendo os rostos das mulheres birmanesas.

Fica uma generosidade e honestidade ímpares. Ficam os sorrisos rasgados e as risadas tímidas em respostas aos débeis esforços de cumprimentar e agradecer com as melodiosos dos “méngálábá” e “djézú démare”. Fica a doçura e serenidade Birmanesas. Fica uma vontade de voltar.

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Mapa do itinerário: https://goo.gl/maps/tJpeS

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National League for Democracy (NLD) cuja líder Aung San Suu Ky surge discretamente um pouco por todo o lado, e que é a face de um país com vontade de mudar, de crescer e de se libertar da corrupção e opressão que tem dominado a política do governos militar que comando o país desde 1988
National League for Democracy (NLD) cuja líder Aung San Suu Kyi surge discretamente um pouco por todo o lado, e que é a face de um país com vontade de mudar, de crescer e de se libertar da corrupção e opressão que tem dominado a política do governos militar que comando o país desde 1988

… de volta a Yangon

Depois de praticamente quatro semanas em viagem pela Birmânia, eis que é tempo de regressar a Yangon, cidade a partir da qual se fará o regresso à Tailândia.

Foi menos uma visita turística e mais um deambular pelas ruas da cidade, conhecendo-lhe os cambiantes luz, os ritmos, os sons que caracterizam cada fase do dia, com tempo para contemplar e tentar compreender o que torna este tão especial.

preparação de chamuças num dos muitos restaurantes que surgem diariamente nas ruas da cidade
preparação de chamuças num dos muitos restaurantes que surgem diariamente nas ruas da cidade
Yangon
Yangon
Templo hindu, de clara influência Tamil, numa das ruas do cento de Yangon
Templo hindu, de clara influência Tamil, numa das ruas do cento de Yangon
Aproveitando o sossego de uma tarde de sábado, é possível jogar futebol numa das avenidas do centro de Yangon
Aproveitando o sossego de uma tarde de sábado, é possível jogar futebol numa das avenidas do centro de Yangon
junto às docas de onde é possível apanhar o ferry que cruza o Rio Yangon
junto às docas de onde é possível apanhar o ferry que cruza o Rio Yangon
Yangon
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Sule Pagoda que domina o centro da cidade
Sule Pagoda que domina o centro da cidade
Yangon
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Yangon, onde é bem forte a presença do colonialismo britânico nos muitos edificios de estilo neo-clássico que ocupam o centro da cidade em especial nas ruas mais próximas do porto, e que hoje são ocupados por instituições públicas
Yangon, onde é bem forte a presença do colonialismo britânico nos muitos edificios de estilo neo-clássico que ocupam o centro da cidade em especial nas ruas mais próximas do porto, e que hoje são ocupados por instituições públicas
Yangon
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Molhos de arroz colocados junto a lojas, à entrada das casas e um pouco por todo o lado para servir de alimento aos pardais, que daqui também retiram material para os ninhos
Molhos de arroz colocados junto a lojas, à entrada das casas e um pouco por todo o lado para servir de alimento aos pardais, que daqui também retiram material para os ninhos
Yangon
Yangon

Apontamentos de Burma

Sistema de condução

Neste aspecto a Birmânia apresenta uma situação um pouco bizarra, com os veículos a circularem pela direita, ao contrário dos vizinhos, Tailândia e Índia, e em clara oposição à herança colonial britânica, sendo contudo o parque automóvel constituído maioritariamente por veículos com o volante também do lado direito.

Esta situação torna-se deveras confusa para quem não está habituado, em especial nas entradas dos autocarros, quase todos de origem japonesa, o que coloca o volante do lado direito, surgindo por vezes alguns com o condutor a ocupar o lugar da esquerda, o que por vezes obriga os passageiros a andar em redor do veículo em busca da porta de entrada… ou como eu a tentar entrar para o lugar do motorista, ignorando os avisos e os gestos dos outros passageiros para dar a volta ao autocarro.

Descriminação de tarifas entre nacionais e estrangeiros

Na Birmânia, aparentemente por orientação governamental é cobrado um preço especial aos estrangeiros, não sei se todos ou os que aparentam ser não-asiáticos, tanto no custo do alojamento, como nas entradas de museus e palácios, no acesso aos templos e pagodas, ou simplesmente nos transportes, em travessias de ferry, percursos de barco e autocarros de longa-distância.

Quanto ao alojamento a situação é mais complexa pois a maioria dos estabelecimentos não estão autorizados a receber estrangeiros, sendo necessário procurar pela identificação de “establishment licensed” colada na entrada dos edifícios, o que empurra inevitavelmente os visitantes para opções mais caras e onde são oferecidos as condições supostamente necessárias a um ocidental: como o ar-condicionado, as sanitas em vez das asiáticas e práticas retretes de agachar e um deslavado pequeno-almoço constituído por café ou chá instantâneos, fatias de pão branco que se pode animar com margarina ou compota industrial.

As diferenças dos preços rondam o tripo em termos de autocarros, sendo contudo possível em itinerários mais curtos optar pelos chamados trucks, ou carrinhas de caixa-aberta questão o meio mais comum de transporte na Birmânia, mas que para percorrer grandes distâncias é necessário andar a saltar de carrinha em carrinha em cada cidade, pois estes veículos não efectuam trajectos muito superiores aos 100 quilómetros.

Quanto às pagodas, dada a sua colossal dimensão são facilmente observadas do exterior, pois o que sobressai destas construções é a pagoda em si, supostamente onde está guardada uma relíquia de Buda, e que por natureza está selada e não é visitável, sendo os conjunto de construções que rodeia as pagodas uma sucessão de tempos dominados pela imagem de Buda, de significativa importância religiosa mas com pouco interesse estético.

Sistema imperial vs sistema internacional

A juntar à confusão em termos de condução automóvel há o também pouco claro sistema de medida, com a gasolina a ser vendida em galões, as placas rodoviárias a indicarem distância ora em quilómetros ora em milhas e a população a não fazer grande distinção entre uma ou outra unidade quando questionada sobre uma determinada distância, sendo três quilómetros o mesmo que três milhas… o que no fundo até tem a sua justificação num país que dada a qualidade das estradas e o estado da maioria dos veículos que nelas circulam, a distância percorrida conta muito pouco sendo mais importante a duração da viagem e a hora a que está prevista a chegada.

Thanaka

É uma das imagens que fica da Birmânia: os rostos com thanaka, que as mulheres não dispensam, sendo decorativo e ao mesmo tempo, protegendo do sol, evitando a oleosidade da pele e criando uma sensação de fresco quando é aplicada.

A thanaka resulta da moagem de um tronco de árvore, que lhe dá o nome, e que depois de misturado com um pouco de água é espalhado, de forma mais ou menos criativa, pelo rosto e por vezes estendendo-se às orelhas, pescoço e braços.

Para além de ter funções estéticas, pois a forma como é espalhada na cara difere muito de pessoa para pessoa, podendo ser uma camada uniforme ou limitando-se ao nariz e às faces, em manchas circulares ou marcas formadas pela passagem dos dedos.

A maior parte das pessoas opta por fazer estre preparado diariamente em casa, usando uma espécie de prato de superfície finamente rugosa que funciona como lixa, e com diferentes tamanhos se encontra um pouco por todas as casas.

Contudo há a versão industrializada, pronta a utilizar, vendida em embalagens, que podem apresentar combinações diversas de thanaka com outras plantas como o sândalo.

É usado essencialmente por mulheres crianças, mas também pelo homens que geralmente optam por aplicar a thanaka de uma forma discretamente uniforme no rosto.

Várias formas de apresentação da thanaka, já transformada em pó
Várias formas de apresentação da thanaka, já transformada em pó
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
tronco da árvore de onde se estrai a thanaka
tronco da árvore de onde se estrai a thanaka

Como chamar a atenção de alguém…

Quando se quer chamar um empregado numa restaurante ou café, ou a atenção de algum vendedor ambulante de comida, a forma como os birmaneses o fazem é imitindo um som, semelhante a um beijo sonoro lançado ao ar.

Parecendo simples, não é muito fácil de pôr em prática de forma ao som se sobrepor ao barulho ambiente e sem cair na tentação de rir às gargalhadas… confesso que das vezes que tentei não tive grande sucesso, surgindo nos meus lábio um sorriso, cujo movimento é contrário ao necessário para o virtual-beijo.

Paan

Definitivamente, o paan, apesar de originário da Índia e uma imagem marca a Birmânia; marca o chão com as constantes marcas vermelhas do paan mastigado e cuspido, nos pequenos baldes existentes em restaurantes e cafés que servem o mesmo fim, nos lábios tingidos de vermelho, nos dentes e gengivas e aspecto sanguinolento de adultos e crianças, nas várias paragens que um autocarro efectua para o motorista e ajudantes se irem abastecer de mais paan e nas sempre presentes banca de preparação e venda de paan que se encontram pelas ruas e estradas com mais frequência do que qualquer outra coisa na Birmânia.

Mais comum entre os homens, não é raro ver mulheres a mastigar esta mistura de pequenos pedaços de noz-de-areca (fruto de uma espécie de palmeira) que é envolvida por uma folha de betel coberta por uma fina camada de cal diluída em água; a esta mistura podem-se adicionar tabaco de mascar e outros ingredientes difíceis de identificar. A folha de bétel é dobrada formando um pequeno rectângulo que é colocado na boca entre os dentes e a face, sendo de inicio ligeiramente mastigada para misturar a saliva com os ingredientes, e conservada na boca, indo-se lentamente libertando o característico suco vermelho, que obriga a constantes cuspidelas.

De inicio esta mistura produz uma dormência nas gengivas, mas em doses maiores tem efeitos psicotrópicos causando uma sensação de ligeira euforia. A longo prazo os efeitos são evidentes, danificando irreversivelmente dentes e gengivas, efeitos estes que são visíveis mesmo nos mais jovens incluindo crianças.

Socialmente aceite e não sendo aparentemente considerado inestético, nas cidades e nos meios mais modernizados encontram-se pessoas que rejeitam o uso paan, visto como sinal de pobreza.

banca de paan junto ao mercado central de Yangon
banca de paan junto ao mercado central de Yangon, com o seu característico metálico recipiente com a cal
Ingrediente para o paan: folha de betel e noz de areca. Mercado de Bago
Ingrediente para o paan: folha de betel e noz de areca. Mercado de Bago
preparação do paan, numa banca nas ruas de Yangon
preparação do paan, numa banca nas ruas de Yangon

Longis

O longi, usado por homens e por mulheres birmaneses é uma peça de vestuário que hoje em dia se mantem como escolha da maioria da população, apesar de nas maiores cidades, como Yangon e Mandalay ser já muito frequente os homens e algumas mulheres, em especial as camadas mais jovens da população, adaptarem a roupa ocidental.

Muito semelhante ao usado tradicionalmente nos países vizinhos; na Tailândia é chamado de sarong, onde praticamente já não usado, e na Índia é designado por dhoti, diferindo no facto de ser uma peça de tecido aberta, sendo atada à cintura de uma forma diferente, estando reservado aos homens, em especial no sul do país.

O longi birmanês consiste num peça de tecido, geralmente de algodão, que é cosida de modo a criar uma espécie de tubo largo, que é preso à cintura com uma espécie de nó, estendendo-se até aos pés; a parte da frente fica com folga suficiente para facilitar os movimentos. As mulheres, geralmente optam por uma solução mais elegante sobrepondo as extremidades do tecido, e prendendo-o à frente na cintura.

Dependendo da etnia ou do gosto, os longis das mulheres podem apresentar desenhos geométricos em cores garridas sobre fundo preto ou sobre cores vivas, ou serem estampados com motivos de flores, e muito raramente liso. Quanto aos homens o padrão é invariavelmente de xadrez, em tons predominantemente escuros.

São de tal forma enraizados na sociedade que muitas vezes os funcionários bancários, homens e mulheres, ou de outros organismos públicos e oficiais usam os longi, como farda.

A combinar com os longi, usa-se uma camisa abotoada lateralmente para as mulheres e À frente para os homens, que tradicionalmente adopta um corte sem colarinho, mas que hoje em dia é quase sempre substituído por uma camisa ou t-shirt ao estilo ocidental.

Yangon
Yangon
Mandalay
Mandalay, onde o dia seguinte à passagem de ano, serviu de pretexto para usar as melhores roupas, com o top a combinar com as cores e motivos dos longis
Sittwe
Sittwe
Sittwe, onde é ainda muito comum os tradicionais chapéus feitos em folha de palmeira
Sittwe, onde é ainda muito comum os tradicionais chapéus feitos em bambu
Sittwe
Sittwe

Sittwe

Longe de ser um destino turístico sem motivos de interesse histórico, cultural ou religioso, Sittwe capital da província de Rakhaing, foi uma paragem necessária no difícil percurso até entre Mandalay e Mrauk-U, para descanso depois de praticamente três dias de viagem com poucas oportunidades para dormir, tendo-se a estadia prolongado por mais tempo do que o necessário pois a cidade apresentou-se interessante e agradável.

Sittwe, situada na costa oeste da Birmânia, junto ao Golfo de Bengal, e bastante próximo do Bangladeche, vive claramente da actividade comercial associada ao porto, pelas  manhãs se vive uma intensa actividade de cargas e descargas, tanto de peixe e mariscos oriundos das águas em redor como de muitos outros produtos, necessários a uma cidade onde o transporte rodoviário não é o melhor. A viagem de ferry entre Taung-gok e Sittwe a opção mais popular entre os habitantes locais e a única disponível para estrangeiros dado que a estrada não apresenta condições de segurança em resultado dos conflictos provocados pela comunidade Rohingya, pequeno grupo étnico muçulmano de oriundo do Bangladesh, que reivindica reconhecimento e direitos junto do governo de Myanamar.

Pequenas embarcações fazem a ligação entre os grande navios que atracam no largo e o pequeno cais de embarque, onde dezenas de estivadores, quase todos crianças se encarregam de transportar para o mercado anexo ou para carros de madeira que empurrados à mão levam a pesada carga até à rua onde camiões aguardam num ambiente confuso e ruidoso.

Bem diferente do caloroso acolhimentos das cidades do sul do país, os habitante de Sittwe mostraram-se desconfiados e poucos receptivos, reservando os sorrisos e a afabilidade para um segundo encontro ou após um contacto mais prolongado, com as vendedoras de mohinga a insistirem em colocar mais uma concha de caldo ou oferecendo para outra uma outra variedade de sopa.

Esta é uma região claramente pobre, que sobressai pelo ambiente que envolve o porto e o mercado contíguo, de onde se observa uma realidade forte e cruel, suja e pobre, realçada pelas duras condições de trabalho, pela sujidade, pelo cheiro dos esgotos, pelo cenário de uma maré baixa que deixa a descoberto um lodo fedorento e cheio de lixo, pelo numero de crianças empegue nos trabalhos portuários, sujeita a pesados esforços e obrigada a caminhar nas imundas águas até aos barcos que a maré impede de chegar ao cais.

A estadia de três dias em Sittwe prolongou-se por mais um em consequência de ter perdido o ferry que diariamente sobe o Rio Kaladan até Mrauk-U, tornando inviável continuar viagem da a rápida aproximação da data limite imposta pelo visto turístico.

Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Mercado de Sittwe contíguo ao porto onde domina a venda de peixe e mariscos
Mercado de Sittwe contíguo ao porto onde domina a venda de peixe e mariscos
Mercado de Sittwe
Mercado de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Mercado de Sittwe
Mercado de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Rua de acesso ao mercado de Sittwe, dominado pelo peixe que chega diariamente ao porto, e onde a venda de legumes, fruta e outros produtos alimentares fica remetida para as ruas envolventes
Rua de acesso ao mercado de Sittwe, dominado pelo peixe que chega diariamente ao porto, e onde a venda de legumes, fruta e outros produtos alimentares fica remetida para as ruas envolventes
Sittwe
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Sittwe
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Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Porto de Sittwe
Sittwe
Sittwe

 

Prince Guest House

Main Road, Sittwe

Preço por pessoa: 5 USD com ventoinha, rede-mosquiteira e casa de banho partilhada

Prince Guest House, uma noite passada no tenebroso e sujo quarto que foi o mais económico e o mais sujo da estadia na Birmânia. Um hino à pátina que caracteriza este país, mas que aqui foi longe demais caindo no desmazelo.
Prince Guest House, uma noite passada no tenebroso e sujo quarto que foi o mais económico e o mais sujo da estadia na Birmânia. Um hino à pátina que caracteriza este país, mas que aqui foi longe demais caindo no desmazelo.
Motel Shwe Myint Mho, também situado na Main Street de Sittwe, e que constitui uma boa alternativa à decrépita Prince Guest-house, com quartos limpos e arejados apesar de pequenos, e com wi-fi, quarto duplo com casa de banho e air-cooler 30 USD
Motel Shwe Myint Mho, também situado na Main Street de Sittwe, e que constitui uma boa alternativa à decrépita Prince Guest-house, com quartos limpos e arejados apesar de pequenos, e com wi-fi, quarto duplo com casa de banho e air-cooler 30 USD

A comida na Birmânia

Refletindo a diversidade cultural e étnica deste país, situado entre o subcontinente indiano e o sudoeste asiático, a gastronomia birmanesa apresenta uma grande diversidade onde se nota uma forte influência indiana e chinesa.

Comparando com a vizinha Tailândia os pratos típicos birmaneses podem parecer pobres e demasiado simples, mas apresentam a vantagem de oferecem uma grande variedade de paladares na mesma refeição, indo do salgado ao amargo e do picante ou ácido, longe dos paladares refinados e adocicados que caracterizam os caris tailandeses, e com forte presença de óleo e de fritos.

Tanto a carne como o peixe, tanto de rio como de mar, estão presentes em muitos dos carris, de molhos espessos e gordurosos que em geral fazem parte da tradicional refeição birmaneses, onde em volta de uma grande tigela de arroz são dispostos pequenos pratos, contendo os referidos caris, lentilhas ou feijão estufado, legumes salteados, saladas de legumes crus, pickles de rebentos de bambu, um prato de legumes frescos, como quiabos, feijão verde, pequenas beringelas, couve… à qual se acrescenta um caldo de legumes, muito leve e claro. Esta refeição pode ser condimentada com alho cru, malaguetas, e uma mistura seca ou oleosa de camarões secos com chillis.

As refeições birmanesas são geralmente partilhadas entre a família e amigos, que reunidos em volta da mesa partilhas dos vários pratos servidos, misturando no prato com pequenos pedaços de arroz. As refeições são tomadas em ambiente calmo, pouco dado a conversa sendo a atenção direcionada para a comida.

Acompanhado sempre as refeições, e servido em praticamente todos os locais, desde casas de chá, restaurantes, cafés e mesmo em bancas de rua encontra-se o chá, que é disponibilizado gratuitamente, retirado de termos ou das tradicionais chaleiras, e bebido em pequenas taças que se encontram nas mesas, semi-mergulhadas numa tigela com água. Atenção, estas chávenas muitas vezes não são lavadas depois de utilizadas sendo novamente mergulhadas na mesma tigela.

Presença frequente para acompanhamento de refeições como para a preparação de saladas e na confecção de alguns pratos é o laphet, folhas de chá verde fermentadas que ganham um sabor ácido muito característico.

O laphet domina uma das mais populares saladas, ao qual se acrescenta tomate e couve finamente cortados, e estaladiços amendoins, grão ou favas, fritos previamente, e é temperada com sumo de lima. A esta mistura pode ser acrescentado arroz, passando a ter o nome de támin dhouq.

Outra salada muito popular é a let thoke, feita à base de massa de trigo, mistura com vegetais, e molhos e onde os ingredientes são envolvidos com farinha de grão, tornando-a numa refeição substancial para o começo do dia.

Mas o mais popular prato da cozinha Birmanesa é sem duvida o mohinga, uma sopa à base de noodles sobre os quais é deitado uma grande concha de um caldo espesso feito à base de legumes e de peixe, mas do qual não se encontram vestígios permanecendo contudo um ligeiro sabor, sobressaindo em contrapartida os aromas de pequenas cebolas e umas fatias do tronco de bananeira que surgem neste delicioso caldo. Por cima é colocada cebola frita, chilli seco, coentros frescos e mais uns quantos condimentos saídos de anónimos frascos, sendo a presença de ovo cozido opcional. Este prato é preparado no momento, com o caldo retirado de uma fumegante panela e despejado sobre os noodles, geralmente em pequenas bancas de rua, que surgem de manhã bem cedo e funcionam até perto das nove ou dez da manhã, surgindo novamente pela tarde, a partir da 4h, terminando pelo por do sol. Algumas tea-houses servem também mohinga, geralmente durante todo o dia… ou até acabar!!

Esta sopa pode ser enriquecida com chamuscas, tofu frito ou alguns legumes também fritos, que são cortados e colocados no topo, sendo mais frequente o uso de uma espécie de bolacha crocante feita à base de grão e lentilhas, frita em óleo.

Para vegetarianos existem várias opções, em especial nas grande cidades, nos bairros dominados por hindus e indo-burmeses, que trouxeram da vizinha Índia, em especial do sul, do estado de Tamil Nadu, a sua característica cozinha, à base de caris e dosas, e onde se podem encontrar as paratas, os naans, as chamuças… Nas zonas onde é mais dominante a presença muçulmana, é fácil de encontrar as pharatas, os birianis, que podem ser de carne ou de vegetais.

Em relação aos pratos mais tradicionais da Birmânia, não é tão fácil encontram caris de vegetais, em especial nas zonas rurais onde a variedade é mais limitada, mas é sempre possível fazer uma refeição à base de arroz de dos vários acompanhamentos servidos com a refeição. Em algumas cidades, em especial pelo fim do dia, surgem diversas bancas que confecionam arroz (fried rice) ou noodles salteados (fried noodles), que dado serem feitos no momento podem sempre dispensar a tradicional carne, quase sempre de galinha ou porco.

Tanto a carne como o peixe são cozinhados frescos, encontrando-se à venda em todos os mercados, tanto de manhã bem cedo como ao fim do dia, altura em que as condições de higiene se deterioram significativamente com o intenso calor e a presença de moscas. Muito popular é o peixe seco, que enche preenche grandes áreas nos mercados com o seu característico cheiro ao qual se junta o do marisco seco, frequentemente minúsculos camarões, muito usado na preparação de saladas. A carne seca faz também parte da culinária birmaneses, sendo fácil de identificar nos caris pela sua côr escura e textura compacta.

mohinga, pela facilidade em se encontrar nas ruas de qualquer cidade ou povoação, à beira da estrada, junto a mercados ou em ruas secundárias, pode ser considerada o prato mais popular entre os birmaneses, sendo muitas vezes consumido ao pequeno almoço.
mohinga, pela facilidade em se encontrar nas ruas de qualquer cidade ou povoação, à beira da estrada, junto a mercados ou em ruas secundárias, pode ser considerada o prato mais popular entre os birmaneses, sendo muitas vezes consumido ao pequeno almoço.
pão frito, uma espécie de farturas mas sem açúcar, que é popular ao pequeno-almoço como acompanhamento do café ou do chá
pão frito, uma espécie de farturas mas sem açúcar, que é popular ao pequeno-almoço como acompanhamento do café ou do chá
preparação da let thoke, uma salada à base de massa, legumes frescos como tomate e couve, com muitos anónimos e indecifráveis condimentos, tudo ligado com farinha de grão e misturado com as mãos
preparação da let thoke, uma salada à base de massa, legumes frescos como tomate e couve, com muitos anónimos e indecifráveis condimentos, tudo ligado com farinha de grão e misturado com as mãos
let thoke
let thoke à direita e mohinga à esquerda… ao fundo um caldo de arroz cozido que por vezes é servido como acompanhamentos das saladas
ingredientes para mohinga e let thoke
ingredientes para mohinga e let thoke
preparação de fritos à base de lentilhas, pequenos peixes ou de camarão seco, que depois de fritos forma uma espécie de bolacha que poder ser consumida como um snack ou como acompanhamento de sopas
preparação de fritos à base de lentilhas, pequenos peixes ou de camarão seco, que depois de fritos forma uma espécie de bolacha que poder ser consumida como um snack ou como acompanhamento de sopas

Quanto aos doces… parte importante de qualquer gastronomia a Birmânia oferece muita variedades: desde os tradicionais doces indianos, aos bolos recheados de pasta de grão tradicionais da China.

De uma forma geral os doces birmaneses são feitos à base de arroz, seja de arroz glutinoso cozido, seja de pastas feitas com farinha de arroz, formando pudins consistente e gelatinosos, surgindo a tapioca como alternativa ao arroz, sendo muito frequente o uso de leite condensado como adoçante.

Estes doces são quase sempre acompanhados de côco fresco ralado, ou no caso do arroz glutinoso, de uma mistura de sésamo torrado com sal, que faz um excelente constaste com o doce do leite condensado usado na confecção do arroz.

Outra especialidade são os pudins feitos à base de semolina, doces, pegajosos e deliciosos, podendo também serem feitos de arroz muito cozido ou noodles.

Somam-se muitas variedades de fritos, de massa doce, recheados ou não com pasta de feijão ou lentilha, os crepes de massa mole e oleosa, recheada com a mesma mistura, as bananas fritas, uma influência tailandesa mas aqui numa versão mais pesada e gordurosa.

Para além de lojas dedicadas só à venda de doces, e que geralmente só se encontram nas maiores cidades, o melhor local para experimentar estas tentadores delicias são os mercados, onde as vendedoras são as responsáveis pela sua confecção, conferindo um sabor caseiro e que difere de cidade para cidade e de banca para banca, numa viva demonstração de criatividade.

doces de massa de arroz recheados com uma pasta feita à base de côco fresco e açúcar
doces de massa de arroz recheados com uma pasta feita à base de côco fresco e açúcar

restaurante de rua em Yangon
restaurante de rua em Yangon
praticamente toda a comida é confeccionada em fogões a lenha, tanto em restaurantes como, nos mercados e em bancas de rua
praticamente toda a comida é confeccionada em fogões a lenha, tanto em restaurantes como, nos mercados e em bancas de rua
restaurante de rua em Yangon
restaurante de rua em Yangon
salada let thoke
salada let thoke
Venda de doces junto ao mercado no centro da cidade de Yangon
Venda de doces junto ao mercado no centro da cidade de Yangon
o famoso MSG, ou mais comumente designado de glutamato monossódico, um intensificador de sabor que está mais ou menos presente na confecção da comida que se encontra nos restaurantes e nos vendedores ambulantes, um pouco por todos os países do sudoeste asiático, mas que na Birmânia é mais evidente, chegando a ser usado em substituição do sal
o famoso MSG, ou mais comumente designado de glutamato monossódico, um intensificador de sabor que está mais ou menos presente na confecção da comida que se encontra nos restaurantes e nos vendedores ambulantes, um pouco por todos os países do sudoeste asiático, mas que na Birmânia é mais evidente, chegando a ser usado em substituição do sal
várias variações de arroz glutinoso, que pelo seu paladar naturalmente adocicado serve de snack ou complemento ao pequeno-almoço, dificilmente se encontrando à venda depois das dez da manhã
várias variações de arroz glutinoso, que pelo seu paladar naturalmente adocicado serve de snack ou complemento ao pequeno-almoço, dificilmente se encontrando à venda depois das dez da manhã
preparação de comida num dos muitos restaurante de rua em Yangon
preparação de comida num dos muitos restaurante de rua em Yangon
confecção de noodles numa das ruas de Yangon, onde a pasta feita à base de farinha de arroz e água é “espremida” através de um passador específico, para dentro de uma panela de água a ferver, ficando cozidos em pouco mais de um minuto
confecção de noodles numa das ruas de Yangon, onde a pasta feita à base de farinha de arroz e água é “espremida” através de um passador específico, para dentro de uma panela de água a ferver, ficando cozidos em pouco mais de um minuto
Restaurante de rua em Yangon servindo os tradicionais pequenos-almoços indianos de dosa e puri, acompanhado de sambar e chutney de côco.
Restaurante de rua em Yangon servindo os tradicionais pequenos-almoços indianos de dosa e puri, acompanhado de sambar e chutney de côco
laphet, folhas de chá verde fermentadas
laphet, folhas de chá verde fermentadas
açúcar de palma, também designado de jageri, que se encontra à venda nos mercados, apresentando-se quase em “bruto” de aspecto escuro ou mais “limpo” ganhando tons de amarelo-torrado, mas sempre de cheiro e sabor intensos, bem longe do excessivo e artificial sabor do açúcar refinado a que estamos habituados
açúcar de palma, também designado de jageri, que se encontra à venda nos mercados, apresentando-se quase em “bruto” de aspecto escuro ou mais “limpo” ganhando tons de amarelo-torrado, mas sempre de cheiro e sabor intensos, bem longe do excessivo e artificial sabor do açúcar refinado a que estamos habituados
refeição típica birmanesa, com sopa e vários acompanhamentos que se misturam com o arroz
refeição típica birmanesa, com sopa e vários acompanhamentos que se misturam com o arroz
pequeno restaurante em Nyaung-U, com a salada de laphet, foi acompanhada da cerveja Myanmar, a mais popular, num país onde o consumo do álcool não é muito evidente, com excepção dos Thingyan Festival e acontecimentos especiais, onde cafés e a maioria dos restaurantes não vende bebidas alcoólicas
pequeno restaurante em Nyaung-U, com a salada de laphet, foi acompanhada da cerveja Myanmar, a mais popular, num país onde o consumo do álcool não é muito evidente, com excepção dos Thingyan Festival e acontecimentos especiais, onde cafés e a maioria dos restaurantes não vende bebidas alcoólicas
sumo de cana de açúcar, feito na hora, e que é verdadeiramente irresistível nas horas de maior calor, juntado à frescura do gelo a aparente energia do açúcar, com o suave e fresco paladar da cana de açúcar... até parece uma coisa saudável!!!
sumo de cana de açúcar, feito na hora, e que é verdadeiramente irresistível nas horas de maior calor, juntado à frescura do gelo a aparente energia do açúcar, com o suave e fresco paladar da cana de açúcar… até parece uma coisa saudável!!!
preparação de pahratas num estabelecimentos em Mandalay
preparação de pahratas num estabelecimentos em Mandalay
espécie de puri de tamanho gigante, pão frito numa chapa sobre as brasas com um pouco de óleo e que companha geralmente com um caril de grão ou de lentilhas, refeição reservada para o pequeno-almoço, numa clara influencia indiana
espécie de puri de tamanho gigante, pão frito numa chapa sobre as brasas com um pouco de óleo e que companha geralmente com um caril de grão ou de lentilhas, refeição reservada para o pequeno-almoço, numa clara influencia indiana
Como acompanhamento do chá ou de um café tomado ao meio da manhã, os dumplings, recheados de carne ou de feijão, são herança das comunidades de origem chinesa que se encontram espalhadas por toda a Birmânia
Como acompanhamento do chá ou de um café tomado ao meio da manhã, os dumplings, recheados de carne ou de feijão, são herança das comunidades de origem chinesa que se encontram espalhadas por toda a Birmânia
Salada de pahrata, onde esta é cortada em tiras e servida com cebola, uma variante birmanesa à indo-muçulmana pahrata
Salada de pahrata, onde esta é cortada em tiras e servida com cebola, uma variante birmanesa à indo-muçulmana pahrata
Numa das ruas de Yangon, encontram-se pequenas bancas de venda de comida, em especial durante a manhã, altura em que os fritos são muito populares, seja bananas seja somente de massa simples, recheada de lentilhas ou grão
Numa das ruas de Yangon, encontram-se pequenas bancas de venda de comida, em especial durante a manhã, altura em que os fritos são muito populares, seja bananas seja somente de massa simples, recheada de lentilhas ou grão
Loja de venda de carne seca, muito consumida na Birmânia, assim como o peixe
Loja de venda de carne seca, muito consumida na Birmânia, assim como o peixe

À semelhança de outros países asiáticos, não há aqui o que chamamos o “culto da mesa”, sendo as refeições tomadas quando se tem fome, com os restaurantes, mercados e banca de rua a servirem comida todo o dia, não existindo propriamente a noção de sobremesa ou de entradas. Facas estão ausentes sendo quase toda a comida consumida com colher, e por vezes garfo.

Contudo a comida vendida em lojas ou nas ruas está sujeita horários muito específicos, que requer algum esforço para apreender e incorporar, por exemplo não se encontra uma mohinga à hora do almoço, como ao meio da manhã já não se encontram pahratas à venda, como quem quer comer chamuças terá que esperar pelo fim do dia, e quem opta uma salada de laphet a acompanhar uma cerveja terá que esperar pelo pôr do sol. Contudo, as grandes cidades como Yangon e Mandalay são mais flexíveis pois apresentam muitos restaurantes, ao passo que pequenas povoações a comida é maioritariamente consumida em mercados e nas ruas, sendo muito frequente o sistema de take-away, aqui designado por pásê.

Acima de tudo, o que sobressai mais na gastronomia birmanesa é a sua diversidade, variando significativamente de região para região, e até de cidade para cidade, e onde os mercados espelham os produtos locais, sujeitos à sazonalidade e onde os deficientes meios de transporte se opõem ao transporte de produtos frescos pelo país.

mohinga numa das ruas de Sittwe, que foi quase sempre a minha opção nesta estadia na Birmânia, seja como pequeno-almoço ou como um vespertino jantar pelas quatro e meia da tarde, pois às cinco horas já esgotou!!!
mohinga numa das ruas de Sittwe, que foi quase sempre a minha opção nesta estadia na Birmânia, seja como pequeno-almoço ou como um vespertino jantar pelas quatro e meia da tarde, pois às cinco horas já esgotou!!!
A mohinga da despedida da Birmânia, servida à beira da estrada de acesso ao posto fronteiriço de Myawady minutos antes de cruzar a fronteira com a Tailândia
A mohinga da despedida da Birmânia, servida à beira da estrada de acesso ao posto fronteiriço de Myawady minutos antes de cruzar a fronteira com a Tailândia

Teahouses… casas de chá???

Chamam-se casas de chá, mas pouco têm do que nós conhecemos por este nome; funcionam como ponto de encontro entre a população local, maioritariamente frequentados por homens, em especial nas pequenas povoações, é são o local eleição para se tomar uma café, ler o jornal, pôr a conversa em dia, ou comer algum snack ao meio da manhã ou um batido de morango, para refrescar a tarde.

Abrem de manhã cedo, pelas seis horas com algumas a servirem pequenas refeições à base de noodles e de arroz, e fecham antes do pôr-do-sol. À noite abrem outros estabelecimentos, de aspecto semelhante, mas mais virados para o consumo de cerveja ou outras bebidas alcoólicas acompanhadas de ligeiros snacks enquanto a clientela, quase exclusivamente masculina, se entretém a ver algum jogo de futebol.

As  teahouses são locais onde se pode ficar horas, a saborear o chá bebido em pequenas taças que está sempre disponível nas mesas, armazenados em termos ou chaleiras, e que constantemente são reabastecidas pelos empregados, sempre em grande número e quase sempre crianças.

Foram para mim local escolhido para passar algumas das horas mais quentes do dia, onde uma semi-obscuridade, parece abrandar o calor que dada a ausência de ventoinhas que caracteriza a maioria dos locais públicos na Birmânia, não é significativamente menos do que o que se sente na rua, mas onde reina a calma contrastando com o ritmo e a agitação ruídos do exterior, tornado estas casa de chá convidativas e atraentes no seu charme decadente, coberto por anos de persistente pátina.

teahouse em Mawlamyine
teahouse em Mawlamyine
teahouse em Mawlamyine
teahouse em Mawlamyine

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teahouse em Bago, de proprietários chineses, que estranhamente vende café e chá embalados mas que não os serve, sendo a especialidade os batidos de fruta
teahouse em Bago, de proprietários chineses, que estranhamente vende café e chá embalados mas que não os serve, sendo a especialidade os batidos de fruta
teahouse em Bago
teahouse em Bago
teahouse em Bago
teahouse em Bago
teahouse em Bago
teahouse em Bago
teahouse em Yangon
teahouse em Yangon
teahouse em Yangon
teahouse em Yangon
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
Uma espécie de pão recheado com carne que é servido nas teahouses, geralmente nas que são propriedade de chineses, pois estes snacks fazem parte da gastronomia chinesa
Uma espécie de pão recheado com carne que é servido nas teahouses, geralmente nas que são propriedade de chineses, pois estes snacks fazem parte da gastronomia chinesa
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Sittwe
teahouse em Yangon
teahouse em Yangon
National Café em Yangon, com os melhores bolinhos de feijão (ou grão) claramente uma influência chinesa
National Café em Yangon, com os melhores bolinhos de feijão (ou grão) claramente uma influência chinesa
National Café em Yangon
National Café em Yangon
National Café em Yangon, com os melhores bolinhos de feijão (ou grão) claramente uma influência chinesa
National Café em Yangon, com os sempre presentes bules constantemente reabastecidos com chá que é disponibilizado gratuitamente, tanto nas teahouses como em restaurantes e mesmo nas improvisadas bancas de rua
National Café em Yangon
National Café em Yangon
National Café em Yangon
National Café em Yangon

Pela estrada fora… de Mandalay a Sittwe

Neste este ultimo ano passado na Ásia, muitos quilómetros percorridos, vários meios de transporte, muitas aventuras, muitas viagens: umas boas, outras más; algumas ficaram registadas na memória, mas muitas que foram remetidas para o esquecimento.

A viagem entre Mandalay e Sittwe ficará viva por muito tempo; não foi a pior viagem em termos psicológicos, essa ficou registada na Índia no percurso Leh-Srinagar, mas a mais desgastante em termos físicos: 56 horas de viagem, somente com uma pausa para dormir numa cama, de três horas. Um excesso em termos físicos e um desafio em termos psicológicos.

Mas de inicio nada previa tamanha façanha, sendo o destino à saída de Mandalay a povoação de Mrauk-U, situada a não mais de 625 quilómetros, mas para onde não existe ligação directa em transporte publico rodoviário.

Tudo começou como começam praticamente todas as viagens que se realizam em transportes públicos nos vários países asiáticos por onde passei: de manhã, mas desta vez não tão cedo como deveria ser , pois o ideia é chegar ao terminal de autocarros, estação de comboios, cais ou porto antes das sete da manhã.

A chegada ao terminal de autocarros de Mandalay atrasou-se pela dificuldade em conseguir lá chegar sem recorrer aos táxis que para turistas praticam um preço exageradamente alto. Depois de percorrer muitas ruas, de quarteirão em quarteirão, atravessando mercados e cruzando avenidas, seguindo indicações imprecisas e por vezes contraditórias dos solícitos habitantes, cuja barreira linguística contribui fortemente para criar mal-entendidos, foi possível apanhar um transporte colectivo que nos deixou no terminal de autocarros, a mim e a minha companheira de viagem, sem a qual toda esta aventura não teria sequer começado.

À chegada, o calor do meio dia misturou-se com a frustração de todos os autocarros com destino a Ma-gway, uma paragem intermédia no percurso até Mrauk-U, o que nos empurrou para uma espera de cinco horas pelo autocarro nocturno, moderno e confortável, que nos deixaria em Ma-gway, pelas três da manhã, altura muito desagradável para procurar alojamento seja onde for, em especial em pequenas povoações pouco acostumadas a receber turistas. Quis o acaso que no mesmo autocarro, onde somente viajavam birmaneses, se encontrasse um professor de inglês que de imediato nos ofereceu a sua casa para passar-mos a noite.

Não se tratava propriamente de uma casa, mas sim de um edifico que funciona como escola, em que parte está dividida em pequenos compartimentos separados por paredes de madeira, mas que proporcionaram uma preciosas três horas de sono sobre uma esteira de bambu, protegido por uma rede mosquiteira. No dia seguinte o nosso anfitrião U-Tum-Tum, disponibilizou-se para nos levar de novo ao terminal de autocarros e ajudar a encontrar transporte para o próximo destino, depois de gentilmente nos pagar o pequeno-almoço. São estes gestos que para sempre ficam na nossa memória.

Depois de pouco mais de oito horas de viagem, tendo por cenário campos agrícolas, ora ressequidos pelo calor, ora verdes pela proximidade de um rio, com pequenos aglomerados rurais de casas simples e pobres e esquelético gado, usado nos campos e como meio de transporte de mercadorias agrícolas, esperava-nos a pouco atractiva cidade de Pyay.

Mais uma horas de espera no poeirento e terminal de autocarros onde a única opção foi uma mini-van que nos levou, pela noite dentro até Taung-gok, povoação situada junto ao mar de onde poderíamos na manhã seguinte apanhar o ferry para Sittwe, pois a ligação por estrada foi interdita a estrangeiros, após a zona ter sido considerada insegura em consequência de recentes conflitos com um dos grupos étnicos que reivindica reconhecimento junto do governo de Myanmar.

A viagem que se avizinhava promissora em termos de descanso, pois as mini-vans são mais confortáveis do que a maioria dos autocarros que circula na Birmânia, revelou-se penosa devido ao trepidar constante provocado pelo mau estado da estrada, quase sempre sem pavimento, ao percurso sinuoso pela montanha e pela condução excessivamente acelerada onde por momentos o motorista perdeu o controle do veículo, mas sem consequências, para além do susto.

A chegada, ainda de noite a Taung-gok, ofereceu uma caminhada de três quilómetros desde o terminal de autocarros até ao cais de onde o ferry com destino a Sittwe inicia o seu percurso pelas sete da manhã. O que se avizinhava mais uma etapa cansativa tornou-se num percurso memorável oferecendo uma atmosfera quase mágica que caracteriza os momentos que antecedem o nascer do sol, em que da completa escuridão vão surgindo timidamente os contornos do cenário que nos rodeia. É deste negrume que vão surgindo o primeiros sons da actividade doméstica, com o acender do lume, o banho, a preparação da primeira refeição do dia, o passar de uma bicicleta com destino ao mercado… e os primeiros sons das aves que discretamente enfeitam a paisagem.

Com a aproximação ao cais surge o frenesim provocado pelas dezenas de pessoas que aqui se concentra à espera do ferry, no meio do habitual frenesim provocado pelo movimento apressado dos carregadores, pela insistência dos vendedores ambulantes, pela descrição dos mendigos, pela agitação em torno das bancas de comida e dos vendedores de paan… tudo iluminado pela fria luz elétrica proporcionada por geradores e baterias.

Próximo destino: Sittwe. Dez horas de viagem num ferry, que não é mais do que um pequeno barco, fechado, superlotado e antiquado, onde os passageiros viajam sentados em bancos que já pertenceram a autocarros, dispostos de forma acanhada, onde os corredores são ocupados cadeiras e banco de plástico improvisando assim capacidade para mais passageiros e onde a mercadoria estorva a passagem tornado cada deslocação no interior do barco numa verdadeira aventura. No tejadilho segue a mercadoria mais volumosa e mais passageiros, que efectuam somente parte do percurso e por isso não têm direito a lugar reservado.

O inicio da viagem com o barco a rasgar suavemente as estranhamente imóveis águas, coincidindo com o nascer do dia que pareceu prolongar-se pela bruma que desprendendo-se das águas cobria o céu, com a luz matinal gradualmente a definir os contornos e a dar cor à paisagem, foi envolto numa certa magia e atmosfera mágica que fez esquecer o cansaço acumulado.

As primeiras horas foram passadas no tejadilho do ferry, aproveitando o ar fresco da manhã, até que o sol rompeu a neblina, empurrando-me para o acanhado espaço no interior da embarcação onde apesar do som estridente do televisor por onde passou música pop birmanesa, consegui algumas horas de sono agitado proporcionado pelo conforto do débil ar-condicionado que proporcionava um ambiente sustentável.

Numa das idas à casa de banho, que devido à agitação do mar da Baía de Bengal, me impediram de aceder pelo exterior da embarcação, obrigando a atravessar o segundo compartimento, uma espécie de segunda classe; tentativa que se revelou impossível dada a quantidade de pessoas que se aglomerava no abafado espaço, ocupando escadas e corredores, sofrendo os tormentos dos enjoos marítimos, numa visão que se revelou tenebrosa, aos meus sentidos mais sensíveis devido ao cansaço, lembrando um navio de refugiados, onde todos os olhos apontavam para mim.

Todo este cenário, somado à falta de descanso, sujidade, desconforto, fracas e irregulares refeições, ao longo de três dias em viagem com temperaturas a rondar os quarenta graus, despertou um sentimento de contacto com a realidade do quotidiano de um país pobre, deixando para trás o sentimento de passeio turístico que em tem acompanhado nos últimos meses, longe do fascínio das paisagens, dos templos e dos palácios.

É uma realidade feia e pobre, de roupas rasgadas, de calçado de má qualidade, de dentes podres, de trabalho infantil, de falta de higiene, sem esgotos ou água potável… é a realidade em que vive uma boa parte da população mundial. É esta realidade que o governo de Myanmar não quer que se veja, restringindo o acesso a certas áreas do país ou dificultando a movimentação aos estrangeiros que optam por sair do trilho turístico definido pelo governo e impresso nos guias de viagem.

Terminal de autocarros em Mandalay
Terminal de autocarros em Mandalay
Noite passada em Ma-gway
Noite passada em Ma-gway
em Ma-gway com U-Tom-Tom mais o primo que nos alojou e ajudou a seguir viagem
em Ma-gway com U-Tom-Tom mais o primo que nos alojou e ajudou a seguir viagem
Viagem entre Mandalay e Ma-gway
Viagem entre Mandalay e Ma-gway
Terminal de autocarros de Pyay
Terminal de autocarros de Pyay
Terminal de autocarros de Pyay
Terminal de autocarros de Pyay
 Taung-gok
Taung-gok
 Taung-gok
Taung-gok
 Taung-gok
Taung-gok
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Ferry entre Taung-gok e Sittwe
Um dos cais de passageiros no itenerário feito de ferry entre Taung-gok e Sittwe
Um dos cais de passageiros no itenerário feito de ferry entre Taung-gok e Sittwe

Pelos arredores de Mandalay. Sagaing e Amarapura

Aproveitando os dias passados em Mandalay, foi possível explorar de mota os arredores da cidade visitando a região de Sagaing, situada do outro lado do rio Ayeyarwaddy, onde se concentram numerosos mosteiros e templos budistas, pontuando as várias colinas que ladeiam o rio de pináculos brancos e dourados.

O local sobressai mais pela paisagem, que do cimo das colinas oferece ampla vista para o rio, nas margens do qual se observa um intensa mas rudimentar actividade portuária ligada ao transporte de madeira de teca.

POnte construida recentemente que liga a região de Mandalay com Sagaing
POnte construida recentemente que liga a região de Mandalay com Sagaing
Sagaing
Sagaing
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Sagaing
Soon U Ponya Shin Pagoda
Soon U Ponya Shin Pagoda
Soon U Ponya Shin Pagoda
Soon U Ponya Shin Pagoda
Soon U Ponya Shin Pagoda
Soon U Ponya Shin Pagoda
Ligando a principal pagoda, a Soon U Ponya Shin Pagoda, aos mosteiros vizinhos foram criados diversos percursos, num misto de escadas e rampas, subindo e descendo as colinas da região de Sagaing
Ligando a principal pagoda, a Soon U Ponya Shin Pagoda, aos mosteiros vizinhos foram criados diversos percursos, num misto de escadas e rampas, subindo e descendo as colinas da região de Sagaing
Sagaing
Sagaing
Sagaing
Sagaing
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Sagaing
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Sagaing
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Moderna ponte metálica destinada ao tráfego rodoviário que se sobrepõe visualmente à antiga ponte, a Ponte Ava construída nos anos trinta pelos ingleses destinada ao caminho de ferro

*

A sul de Mandalay, fica a região de Amarapura, dominada pelo Lago Taungthaman que é atravessado pela famosa ponte de madeira, construída em 1850, e que é considerada a mais antiga ponte de teca do mundo, assim como a mais longa com os seus 1200 metros.

Construída inicialmente para facilitar a vida à população local, a Ponte U-Bein é actualmente um popular destino turístico entre os birmaneses que aproveitam as férias proporcionadas pelas festas da passagem de ano para visitarem o local, dando ao local um ambiente de festa, que contrasta com a quietude e tranquilidade do lago.

Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Ponte U-Bein
Ponte U-Bein
Ponte U-Bein
Ponte U-Bein
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura
Lago Taungthaman em Amarapura

Ponte U-Bein

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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