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Stepping Out Of Babylon

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Sudoeste Asiático

Bago. Shwemawdaw Paya e Shwethalyaung Buda

Os dias passados em Bago permitiram percorrer as ruas mais afastadas do centro da cidade e conhecer alguns dos mosteiros, estátuas de Buda e pagodas que tornam esta cidade popular.

Sobressai a Shwemawdaw Paya, que é uma das maiores pagodas existentes na Birmânia, ultrapassando a que se situa na antiga capital, Yangon. A visita decorreu em ambiente de festa por altura de um festival religioso, em que as ruas circundantes se transformaram num misto de feira, parque de diversões e restaurantes.

Do lado oposto, a Poente do rio que dá o nome à cidade, encontram-se diversos mosteiros e pagodas, sendo o Shwethalyaung que representa Buda deitado, o que se destaca, não pela sua antiguidade, pois foi construído e destruído inúmeras vezes, sendo a ultima intervenção datada dos anos 30, mas pela sua ingénua originalidade.

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Shwemawdaw Paya
Shwemawdaw Paya
Shwemawdaw Paya
Shwemawdaw Paya
Shwemawdaw Paya
Shwemawdaw Paya

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Shwethalyaung Buda
Shwethalyaung Buda

Bago

Bago (pronuncia-se bagô), atravessada pela caótica estrada nacional que liga Yangon à fronteira tailandesa, cujo trânsito é dominado por ruidosos e poluente camiões que ao som de intensas buzinas vão circulando velozmente levantando a poeira que cobre o pavimento, criando uma neblina que se espalha pela cidade, irritando os olhos e colando-se à pele, que com o intenso calor se encontra sempre coberta de uma película de suor.

Com a chegada da noite a estrada, envolta numa quase total escuridão, somente iluminada pelo faróis dos veículos que continuamente passam, sopra uma insistente brisa, que apesar de trazer consigo a habitual poeira, constitui um bálsamo refrescante, ao calor que se sente durante o dia, trazendo os habitantes para a rua, passeando ou simplesmente sentando-se em grupo junto à entradas das casas ou reunindo-se em cafés.

Mas afastando-se desta infernal e movimentada estrada, dispõem-se um emaranhado de ruas, que à medida que se vão afastando do eixo principal se tornam cada vez mais estreitas e ao longo das quais se dispõem as tradicionais casas de madeira, ou outras mais modernas em tijolo, intercaladas de pequenas lojas que competem com vendedores ambulantes de fruta e de gelados, que se fazem anunciar pelo som metálico de gongos e campainhas.

Por todo o lado brincam crianças, que em abruptas corridas ou em apressadas bicicletas nos rodeiam dizendo “hello, mengulábá” e que envergonhadamente se afastam envoltas em gargalhadas.

Estradanacional que atravessa a cidade de Bago
Estradanacional que atravessa a cidade de Bago
Bago
Bago
Bago
Bago
Bago
Bago
Com a aproximação do festival que antecede o ano novo, surgem mercados que ao fim do dia atraem a população e onde para além de divertimentos e compras se podem fazer refeições nas muitas bancas dispostas ao longo das ruas que envolvem a principal pagoda da cidade
Com a aproximação do festival que antecede o ano novo, surgem mercados que ao fim do dia atraem a população e onde para além de divertimentos e compras se podem fazer refeições nas muitas bancas dispostas ao longo das ruas que envolvem a principal pagoda da cidade

Bago
Bago
Uma das muitas famosas pagodas que se podem encontrar na cidade
Uma das muitas famosas pagodas que se podem encontrar na cidade

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Estação de comboio de Bago
Estação de comboio de Bago
Pela cidade, em especial nas ruas secundárias podem-se encontrar ainda muito edifícios deixados pela colonização inglesa
Pela cidade, em especial nas ruas secundárias podem-se encontrar ainda muito edifícios deixados pela colonização inglesa
Bago
Bago
Junto ao mercado de Bago onde a azáfama de cargas e descargas torna a circulação nas ruas numa verdadeira prova de resistência
Junto ao mercado de Bago onde a azáfama de cargas e descargas torna a circulação nas ruas numa verdadeira prova de resistência
Bago
Bago
Recolha de alimentos e de donativos que todas as manhã os monges
Recolha de alimentos e de donativos que todas as manhã os monges
Bago
Bago
Uma das muitas casa de chá típicas da Birmânia
Uma das muitas casa de chá típicas da Birmânia
Bago
Bago
Mesquita que juntamente com igrejas cristã, templos hindus, e pagodas e mosteiros budistas se encontram um pouco por todo o lado atestando a diversidade religiosa assim como a tolerância típicas do povo birmanês
Mesquita que juntamente com igrejas cristã, templos hindus, e pagodas e mosteiros budistas se encontram um pouco por todo o lado atestando a diversidade religiosa assim como a tolerância típicas do povo birmanês
Bago
Bago

 

Das poucas opções oferecidas na cidade de Bago em termos de alojamento, todas situadas ao longo da pouco atractiva estrada nacional 1, também identificada como Main Road, a opção foi San Francisco Motel: um edifício relativamente moderno com uma grande variedade de quartos, uns mais claustrofóbicos com janela para o corredor, e outros mais amplos e arejados, mas que se podem tornar demasiado barulhentos se forem virados para a rua principal.

Dada a fraca ocupação nesta altura do ano, em que o aumento do calor transforma em época-baixa, e a simpatia das proprietárias (sempre disponíveis para ajudar e fornecer informações, desdobrando-se em cuidados e atenções) houve direito a desconto no preço, conseguindo-se assim um quarto com boas condições que proporcionou um optimo descanso para as três noites passadas em Bago.

 

 

San Francisco Motel

Morada:14 Main Road

Quarto duplo com casa de banho: 16000 kyats (cerca de 16 USD)

Com ventoinha e água quente

Free Wi-fi

San Francisco Motel
San Francisco Motel
San Francisco Motel
San Francisco Motel

 

Bago. Ramayama festival

O dia tinha sido cansativo e de certa forma frustrante, pois a visita ao Monte Kyaytyo com a famosa Golden Rock era parte do plano inicial da estadia na Birmânia.

Mas talvez tenha havido um propósito nisto tudo: chamemos-lhe destino ou coincidência, mas a chegada a Bago, um dia ou dois antes do previsto, foi brindada com a celebração de um festival hindu, o Ramayana, que nesse dia encheu a rua principal da cidade com um vibrante e colorido cortejo.

À medida que o cortejo ia avançando, encabeçado por um pujari, de olhos embriagados de devoção e de algo mais, carregando uma taça de brasas incandescentes das quais se libertava um intenso e agradável aroma de óleos perfumados, iam-se sucedendo os vários penitentes, num crescendo de intensidade e dor, alguns em estado de transe intensificado pelo ritmo do matraquear seco e frenéticos dos tambores.

Indiferente a tudo isto o trânsito orientado por indolentes polícias, ia a custo de muitas buzinas avançando pela cidade, enquanto a população ia assistindo num misto de excitação e de curiosidade, num país em que a esmagadora maioria da população é budista.

O festival terminou junto ao principal templo Hindu de Bago, cuja arquitectura é uma versão humilde dos templos indianos característicos de Tamil Nadu, com os penitentes a caminharem, um a um, sobre as brasas enquanto o sol se ia escondendo no horizonte.

Intenso. Poderoso. Como todas as manifestações associadas à religião hindu. Capaz de provocar arrepios e despertar a repulsa, mas ao mesmo tempo com um hipnótico poder de atracção.

*

Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival, onde os participantes empunhavam ramos da árvore de neem, considerada sagrada para os hindus e que apresenta propriedades antiséptica
Ramayana festival, onde os participantes empunhavam ramos da árvore de neem, considerada sagrada para os hindus e que apresenta propriedades antisépticas
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Bago assintindo ao desfile do Ramayana festival
População de Bago assintindo ao desfile do Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Imagem de Buda, que é considerado na mitologia Hindu uma das reencanações de Shiva
Imagem de Buda, que é considerado na mitologia Hindu uma das reencanações de Shiva
pujari que liderou o cortejo que atravessou a rua principal de Bago e termiou junto ao templo hindu
pujari que liderou o cortejo que atravessou a rua principal de Bago e termiou junto ao templo hindu
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Final do desfile que marca o inicio do Ramayana festival, com os participantes a caminharem sobre as brasas rodeados da multidão que acompanhou o cortejo até ao principal templo Hindu da cidade de Bago
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival
Ramayana festival

Pela estrada fora… de Hpa-an até Bago

Começou por ser uma curta viagem de quatro horas, pelo que a opção mais económica de viajar numa carrinha de caixa-aberta não se apresentou desfavorável: para além de ser o meio de transporte colectivo mais popular na Birmânia, é também o que oferece a melhor ventilação, sendo mais atractivo do que os decrépitos autocarros, muitos deles de origem japonesa, que após terminarem a sua vida útil em terras nipónicas, conhecem uma nova e prolongada vida nas estradas birmanesas.

O destino era a povoação junto ao Monte Kyaytyo, para visitar um dos mais importantes locais de peregrinação budista do país. Por força de um conjunto de circunstâncias, como o elevado preço do decrépito e sujo quarto disponível, o bilhete de entrada exigido aos estrangeiros mais o custo do transporte para subir até ao templo, fizessem com que a estadia em Kinpun se resumisse a pouco mais de uma hora para descanso e espera pelo próximo transporte com destino a Bago.

Posto isto seguisse mais uma etapa na viagem, desta vez com destino a Bago, cidade situada a cerca de duas horas. Um percurso que se previa fácil revelou-se verdadeiramente penoso, feito também numa carrinha de caixa-aberta, mas desta vez sobrelotada e com a agravante de grande parte do espaço ter sido ocupado com dois bidões de gasolina, dos quais emanava o típico cheiro que se confundia com os gases libertados pelo escape, tanto da carrinha como dos restantes tráfego, na maioria veículos pesados, que com a aproximação a Yangon se iam tornando mais frequentes.

O imprevisto prolongamento da viagem que se estendeu por mais tempo do que o previsto, feita em condições rudimentares de conforto, com bancos corridos de madeira, dispostos longitudinalmente, tendo por encosto as barras metálicas que constituem a estrutura que reveste a carrinha, e o facto de não haver limite para o numero de passageiros, fazendo com que muitos tenham que se sentar em mini-bancos de plástico disputando o espaço com a mercadoria e os restantes passageiros, tornou as duas horas finais do percurso até Bago penosamente lentas e desconfortáveis, quase fazendo esquecer o inicio da viagem, saboreando o ar fresco da manhã e deslizando o olhar pela paisagem agrícola.

De uma forma geral as estrada na Birmânia não apresentam boas condições, sem qualquer sinalização, com a faixa de rodagem demasiado estreita para o cruzamento de dois veículos pesados ou para efectuar ultrapassagens, sem bermas, atravessando povoações cujas casas e lojas se dispõem ao longo da estrada e com muitos troços em que o pavimentos se apresenta muito deteriorado; contudo boa parte do troço entre Hpa-an e Bago foi alvo de recente beneficiação o que permitiu ao motorista dar largas ao seu entusiasmo pela velocidade, provocando mais desconforto com os solavancos provocados pelas constantes travagens e bruscas acelerações para ultrapassar dos veículos mais lentos.

inicio da viagem em Hpa-an, pelas 7h da manhã, ainda longe do calor que se foi impondo durante o dia.
inicio da viagem em Hpa-an, pelas 7h da manhã, ainda longe do calor que se foi impondo durante o dia.
Hpa-An
Hpa-An
Hpa-An
Hpa-An
Hpa-An... enquanto se aguardava que a carrinha ficasse cheia para inicial a viagem até Kinpun
Hpa-An… enquanto se aguardava que a carrinha ficasse cheia para inicial a viagem até Kinpun
Kinpun que funciona como base para acolhimentos de peregrinos e visitantes antes de iniciarem a subida, em camião ou a pé, até ao mosteiro junto ao qual se situa a Golden Rock, local sagrado para os budistas birmaneses.
Kinpun que funciona como base para acolhimentos de peregrinos e visitantes antes de iniciarem a subida, em camião ou a pé, até ao mosteiro junto ao qual se situa a Golden Rock, local sagrado para os budistas birmaneses.
Nestas carrinhas de caixa aberta, ou pick-ups, as mulheres e crianças a viajarem na parte de baixo, ocupando os bancos de madeira e os homens e a mercadoria a ocupam a cobertura. Os dois lugares junto ao motoristas são reservados para quem está disposto a pagar um pouco mais.
Nestas carrinhas de caixa aberta, ou pick-ups, as mulheres e crianças a viajarem na parte de baixo, ocupando os bancos de madeira e os homens e a mercadoria a ocupam a cobertura. Os dois lugares junto ao motoristas são reservados para quem está disposto a pagar um pouco mais.
... pela estrada fora
… pela estrada fora

 

Hpa-An

Depois da sonolenta Mawlamyine e da tranquila viagem de barco pelo Thanlwin, a pequena cidade de Hpa-An surgiu movimentada e agitada, não tanto pela sua dimensão ou actividade comercial mas essencialmente por ser local de passagem na ligação entre a fronteira com a Tailândia e a antiga capital da Birmânia, Yangoon também chamada de Rangoon, que continua a ser a maior cidade do país.

Hpa-an
Hpa-an

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Mercado de Hpa-an
Mercado de Hpa-an
Hpa-an
Hpa-an
Hpa-an
Ruas de Hpa-an ao amanhecer
Hpa-an
Hpa-an, depois de um  amanhecer  marcado por forte trovoada e chuva intensa que refrescaram o ar tornando a manhã agradávelmente fresca
Hpa-an
Hpa-an que se situa numa das curvas do Rio Thalwin
Hpa-an
Hpa-an
Hpa-an
Hpa-an

Poucos são os atractivos da cidade apesar da sua localização junto ao rio de onde se pode apreciar o pôr do sol enquanto se observa a actividade dos barcos de pesca e de mercadorias. Contudo a cidade de Hpa-an apresenta-se como bom ponto de partida para efectuar passeios pelos arredores o que obriga ao aluguer de mota.

O que se previa ser um simples dias passado com a minha actual companheira de vigem, tornou-se rapidamente num passeio de grupo onde se juntaram outros turistas que tinham o mesmo plano, acabou por se tornar numa espécie de excursão com mais de dez pessoas e que incluiu um guia local. Foi um daquelas situações em que as coisas fugiram completamente ao nosso controle, mas que pelas circunstância optámos por aceitar a situação e deixar os acontecimentos seguirem o seu caminho.

O balanço não foi de todo negativo, com a vasta planície pintada de verde do recém plantado arroz, por onde serpenteiam caminhos e estradas cor de ferrugem, a ser interrompida por penhascos rochosos envoltos numa neblina que lhes rouba as cores e os transforma numa espécie de cenário composto por várias camadas de diferentes tons de cinzento.

Das muitas paragens, sempre com as inevitáveis e prolongadas esperas pelo restante grupo, para visitar mosteiros, templos e grutas, que sendo interessantes acabaram por se tornar fastidiosas e repetitivas, destacou-se o almoço oferecido pelo monges de um dos mosteiros visitados junto à Kyauk Kalat Pagoda, cujo templo se equilibra no cimo de um esguio penhasco.

Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Gruta Yathae Pyan
Preparação do almoço no Mosteiro junto à Kyauk Kalat Pagoda
Preparação do almoço no Mosteiro junto à Kyauk Kalat Pagoda
Almoço no mosteiro oferecido pelos monges junto à Kyauk Kalat Pagoda
Almoço no mosteiro oferecido pelos monges junto à Kyauk Kalat Pagoda
junto à Kyauk Kalat Pagoda
junto à Kyauk Kalat Pagoda
Kyauk Kalat Pagoda
Kyauk Kalat Pagoda
Uma outra gruta situada junto a um mosteiro, onde no seu interior se encontram várias estátuas de Buda
Uma outra gruta situada junto a um mosteiro, onde no seu interior se encontram várias estátuas de Buda
Pausa para descanso junto aos campos de arroz
Pausa para descanso junto aos campos de arroz
arredores da cidade de Hpa-an, onde domina a paisagem rural
arredores da cidade de Hpa-an, onde domina a paisagem rural
Monte Zwegabin
Monte Zwegabin
Hpa-an
Hpa-an

Soe Brothers Guest House… situada no centro da cidade foi o local escolhido para pernoitar nos dois dias passados em Hpa-an, não sendo mau também não deixou saudades, destacando-se somente a varanda, virada para a movimentada rua de acesso ao mercado, mas que ofereceu um optimos local para passar o serão saboreando a brisa fresca vinda do rio.

Soe Brothers Guest House

Preço, por pessoa, independentemente de ser quarto duplo ou individual: 6 USD, com ventoinha e casa de banho partilhada.

Quarto na Soe Brothers Guest House
Quarto na Soe Brothers Guest House
Soe Brothers Guest House, uma das opções existentes em Hpa-an
Soe Brothers Guest House, uma das opções existentes em Hpa-an

Rio acima até Hpa-An

A bruma da manhã espalha-se pela paisagem plana e ampla do delta do Rio Thanlwin, quase que fazendo desaparecer a linha do horizonte que separa o rio do céu. Para trás fica a ainda sonolenta cidade de Mawlamyine.

Há medida que o barco avança rio acima em direção a Hpa-An, ao ritmo lento e monótono do trepidante motor, vão surgindo na paisagem pequenas elevações cobertas de vegetação tropical, onde no meio das várias tonalidades de verde, surgem orgulhosas pagodas cobertas de ouro.

Ao longo do rio, junto a pequenas povoações, mulheres tomam banho e lavam roupa nas águas turvas e castanhas; no meio de eufóricas gargalhadas, crianças brincam nas margens e nas águas pouco profundas lamacentas do rio, interrompendo a brincadeira para acenarem um enérgico adeus à passagem o barco, despertando um irresistível sorriso como resposta.

Foi um percurso fluvial em embarcação reservada ao turismo, onde as novas pontes e estradas decretaram o fim do serviço feito por ferry, que ligava Mawlamyine a Hpa-An.

Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine - Hpa-An
Rio Thanlwin: Mawlamyine – Hpa-An

Mawlamyine e a Breese Guest House

O local escolhido para a estadia em Mawlamyine, que de início se previa curta e que por questões de saúde se prolongou por quatro noites, foi a Breese Guest House; uma das opções mais económicas existentes na cidade e que está autorizada a receber estrangeiros, pois muitos dos alojamentos existentes aqui, assim como no resto do país, somente tem autorização alojar birmaneses.

Os quartos, uns individuais outros de cama dupla, ocupam o piso térreo do edifício, que foi habilmente dividido em dois andares resultando em quartos de tectos baixos, pequenos e não recomendáveis a claustrofóbicos, que se dispõem al longo de escuros e estreitos corredores.

O piso superior, amplo e arejado, onde reside a família proprietária da guest house, dispõem de uma varanda virada para o rio onde é servido, aos hóspedes, o pequeno-almoço ao estilo continental: tostas, manteiga, doce, banana, ovo cozido e café. Uma regalia, incluída no preço do quarto, que não tinha experimentado nesta viagem pela Ásia.

Apesar de inicialmente o quarto parecer pouco atractivo ou acolhedor, os dias aqui passados não se revelaram nada desagradáveis, pois a dedicação dos funcionários tanto na partilha de informações como na ajuda na necessária visita ao médico, a simpatia da família, os serões passados no alpendre da entrada ou na varanda do piso superior, que ao fim do dia proporcionam um fresco serão enquanto se trocam conversas ou se lê um livro, saboreando a brisa fresca que arrasta consigo o cheiro do mar, tornaram esta estadia numa doce recordação.

*****

Deitada no fino e compacto colchão feito de fibras vegetais, que suaviza a dureza do estrado de madeira que constitui a cama, rodeada por frágeis paredes de madeira rasgadas por uma pequena janela virada para o corredor, chegam-me vozes que em alegre a entusiástica cacofonia, colorida por diversas línguas, trocam impressões e experiência de viagem, e que se misturam com o tom dramático da novela indiana transmitida em alto volume pelo televisor, permanentemente ligado, que domina o espaço da recepção da Breeze Guest House.

Embalada pelo oscilar trémulo da ventoinha, assente sobre uma pequena mesa que juntamente com um banco constituem a mobília do quarto, deixo o tempo passar resguardando-me da intensa luz e do calor que durante a tarde se abate sobre a cidade de Mawlamyine deixando as ruas praticamente desertas.

Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House
Breeze Guest House

Mawlamyine

Após o processo burocrático nos serviços fronteiriços de Myawaddy, seguisse uma espera de mais de uma hora por um dos muitos veículos particulares, que dada a ausência de transportes públicos nesta povoação funcionam como táxis, e são a única forma de se conseguir alcançar os destinos mais próximos, mas que só iniciam o percurso quando estão cheios.

Após várias tentativas de negociação com diversos motoristas, que com o avançar do dia iam tornando o ar mais quente e a espera mais penosa, agravada pelo pó, barulho e confusão que envolvem o local, conseguisse o razoável valor de 8000 kyats (cerca de 6€) por pessoa; valor um pouco superior aos 5000 kyats pagos pelos birmaneses para  efectuar o trajecto de 175 quilómetros que separam Myawaddy de Mawlamyine.

A viagem até Mawlamyine que demorou seis horas foi desgastante e cansativa, onde a somar ao cansaço de uma noite passada no autocarro entre Bangkok e Mae Sot, onde o sono foi diversas vezes interrompido por check-points da policia tailandesa para verificação dos passaportes, houve o intenso calor, o caótico trânsito, a condução agressiva e o mau estado da estrada, cuja faixa de rodagem não tem largura suficiente para o cruzamento de dois veículos, o que obriga muitas vezes a circular a recorrer às bermas pedregosas e poeirentas para efectuar ultrapassagens.

A parte inicial do trajecto atravessa uma cadeia montanhosa, de encostas cobertas de densa floresta tropical, em algumas zonas fortemente delapidada pela acção do homem, ao longo de uma estrada estreita e sinuoso, onde as fortes inclinações dificultavam a circulação dos veículos de mercadorias, cuja avançada idade, mau estado de conservação e excesso de cargo, obrigavam a frequentes paragens para arrefecimentos dos motores ou à saída de um dos ocupantes para colocar calços nas rodas, até o veículo recuperar força para seguir viagem.

Tudo isto fez crescer a fila de veículos que em fila serpenteava a estrada, fazendo com que os carros e carrinhas de transporte de passageiros, nervosamente tentassem todas as oportunidades para, um a um, irem ultrapassando estes obstáculos, com manobras arriscadas e perigosas, bruscas acelerações, abruptas travagens e constantes solavancos.

Deixando para trás a montanha, seguisse uma planície sem fim, onde os campos de arroz se estendem até ao limite do horizonte e onde, a espaços, a monotonia da paisagem é rasgada por formações rochosas, altas e escapadas, coroadas pelas torres douradas dos diversos mosteiros e pagodas.

Ao longo de todo o percurso, houve muitas paragens em check-points, uns com polícias ou exército, mas muitos aparentemente improvisados controlados por civis, que funcionavam como portagem e o que obrigava o motorista a alguma negociação, conseguindo muitas vezes poupar-se a pagar, e chegando a habilmente contornar as cancelas. Todo este ritual repetiu-se mais de uma dezena de vezes, obrigando a fechar as janelas do carro, que com os vidros fumados impediam de ver os passageiros do veículo, onde os três ocupantes ocidentais ocuparam a parte de trás da carrinha, semi-escondidos dos olhares vigilantes, tornando o interior já quente do veículo numa verdadeira fornalha.

A chegada a Mawlamyine, também chamada de Moulmein, que foi capital durante a colonização britânica, durante entre 1827 to 1852, pelo meio da tarde, permitiu ainda um passeio pela marginal que se desenvolve ao longo do Rio Thanlwin que de tão largo se parece com o mar que efectivamente não se encontra muito longe, e de onde sopra uma ligeira mas refrescante brisa.

A cidade apresenta à primeira vista poucos motivos de interesse para além de algumas pagodas resplandecentes de dourado, situadas nos pontos mais elevados, e que proporcionam uma vista geral da cidade que se aninha entre as colinas e o rio, e que ao fim da tarde atraem muita gente, que para além de executar os ritos religiosos, aproveita também para saborear a brisa que aos poucos se vai tornado menos escaldante, criando um ambiente familiar e descontraído onde o riso das crianças compete com o tilintar dos pequenos sinos que decoram o topo da pagoda.

Contudo a proximidade com o rio, a presença de edifícios a lembrarem a evocarem a época colonial, orgulhosos na sua decadência e aparente abandono, e acima de tudo o ambiente calmo e pachorrento proporcionado pela acolhedora população, fazem de Mawlamyine um local capaz de proporcionar uma estadia agradável por uns dias.

Durante a manhã, todo o movimento se concentra em volta dos fervilhantes mercados situados no centro da cidade,  muito próximos uns dos outros, onde as ruas circundantes são ocupadas com uma sucessão de lojas de venda de todo o tipo de mercadorias, onde dominam os produtos importados das vizinhas China e Tailândia, e onde surgem pequenas bancas de venda de paan, consumido abundantemente pelo homens e  mesmo por bastantes mulheres (uma clara influência indiana), e improvisados postos onde se pode tomar um café ou fazer uma refeição à base de arroz ou noodles, aromaticamente condimentados com caldos de peixe ou legumes.

Mawlamyine, calma e sonolenta, cativou e serviu de introdução a este país que mantem uma forte identidade cultural.

Mawlamyine
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Mawlamyine
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U Zina Paya, uma das três principais pagodas que dominam as colinas que envolvem Mawlamyine
U Zina Paya, uma das três principais pagodas que dominam as colinas que envolvem a cidade de Mawlamyine, e que de noite sobressaem na paisagem como peças de um jogo gigantesco jogo de xadrez
Mercado central
Mercado central
Mawlamyine
Mawlamyine
Ruas envolventes ao Mercado Central de Mawlamyine
Ruas envolventes ao Mercado Central de Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Shampoo Island, uma das muitas pequenas ilhas existentes no delta do Rio Thanlwin junto ao qual se situa Mawlamyine
Shampoo Island, uma das muitas pequenas ilhas existentes no delta do Rio Thanlwin junto ao qual se situa Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
Mawlamyine
competindo com as templos situados no topo das encostas que emolduram cidade, a marginal que se desenvolve ao longo da cidade, junto ao rio, atrai muitos dos habitantes de Mawlamyine, para um passeio ao fim da tarde, com adultos e crianças a alimentarem gaivotas, que em voo recolhem pedaços de pão frito com açúcar.
competindo com as templos situados no topo das encostas que emolduram cidade, a marginal que se desenvolve ao longo da cidade, junto ao rio, atrai muitos dos habitantes de Mawlamyine, para um passeio ao fim da tarde, com adultos e crianças a alimentarem gaivotas, que em voo recolhem pedaços de pão frito com açúcar.
Mawlamyine
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Mawlamyine
Mawlamyine
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Um dos muitos edificios que relembra a presença britânica neste território
Mawlamyine
Ao fim do dia vários restaurantes situados num dos extremos da marginal começam a sua actividade, oferecendo uma grande variedade de comida onde se notam influências da gastronomia indiana, tailandesa e chinesa
Mawlamyine é uma cidade pequena em cuja actividade económica está virada para o rio, o que reflecte nos vários cais existentes ao longo da marginal,  dedicados ao transporte de mercadorias e de passageiros
Mawlamyine é uma cidade pequena em cuja actividade económica está virada para o rio, o que reflecte nos vários cais existentes ao longo da marginal, dedicados ao transporte de mercadorias e de passageiros
Mawlamyine
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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