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Sudoeste Asiático

Thingyan Festival

Dos muitos festivais que se comemoram ao longo do ano, de acordo com o calendário budista, o Thingyan, também designado por Festival da Água é o que tem maior impacto junto da população, durando oficialmente os quatro dias que antecedem a comemoração da Passagem de Ano.

Apesar das suas origens religiosas, baseadas na versão budista da mitologia hindu, este festival é visto como ocasião para idas aos templos redobrando a devoção e os ritos, visitas a familiares e amigos que esgotam todos os meios de transporte, férias e uma oportunidade para viajar pelo país muitas das vezes rumo a destino religiosos.

Mas essencialmente o Thingyan funciona como divertimento, com a população a ocupar as ruas, seja das grandes cidades, como em pequenas povoações, ou ao longo das estradas, despejando água por quem passa, com tijelas, baldes ou mesmo com mangueiras; motos e veículos de caixa-aberta circulam pelas ruas apinhados de gente, que ao som de música estridente, dá mostras de alegria recebendo e despejando água.

Toda esta água alaga ruas, forma poças e torna impossível caminhar pelas ruas mais do que cinco minutos sem sentir a água a escorrer pelo corpo, ensopando roupas e refrescando o corpo, o que nesta altura do ano, devido às elevadas temperaturas é uma bênção.

Nas povoações, tanto nas pequenas aldeias como nas cidades, são construídos palcos com potentes sistemas de som que ao longo do dia emitem música de forte batida electrónica, em volta dos quais se reúnem, essencialmente rapazes e homens dando largas a exuberantes manifestações de alegria, exacerbadas pelos efeitos do álcool, enquanto despejam água por quem passa. Mas  toda esta festa termina com o pôr-do-sol, iniciando-se no dia seguinte, bem cedo, com ainda mais entusiasmo, num crescendo de euforia que funciona um pouco como libertação de regras, com alguma loucura mas sem cair em excessos.

Durante estes dias é costume oferecer-se comida, o chamado satuditha, que tanto pode ser uma refeição como pequenos doces feitos à base de massa de arroz recheados de açúcar de palma, o que reúne pessoas nas ruas para a sua confecção e que vão sendo distribuídos a quem passa, entre muitos sorrisos e palavra calorosas.

No dia seguinte à passagem do ano, é tempo de rumar aos templos para orações matinais que incluem oferendas de água e incensos, onde se reúnem famílias e grupos de amigos, criando no espaço tradicionalmente sóbrio dos templos um ambiente de festa, com pic-nics, vendedores de comida, onde crianças emitem sonoras gargalhadas enquanto correm pelos templos, jovens casais namoram e enquanto grande parte das pessoas se entrega ao torpor provocado pela elevada temperatura e que aos poucos invade o corpo, convidando ao sono.

Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
satuditha, oferta de comida habitual nesta altura do festival
satuditha, oferta de comida habitual nesta altura do festival
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
satuditha
satuditha
satuditha
satuditha
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Comemorações do Thingyan em Mandalay
Preparação d chamado satuditha nas ruas de Mandalay
Preparação d chamado satuditha nas ruas de Mandalay
Preparação de doces feitos de massa de arroz e recheados com açúcar de palma, que são cozinhados em panelas ao vapor e oferecidos a quem passa, cumprindo a tradição budista de oferecer comida nesta altura do ano.
Preparação de doces feitos de massa de arroz e recheados com açúcar de palma, que são cozinhados em panelas ao vapor e oferecidos a quem passa, cumprindo a tradição budista de oferecer comida nesta altura do ano.
sacos com peixes para serem libertados no canal junto ao Palácio Real de Mandalay
sacos com peixes para serem libertados no canal junto ao Palácio Real de Mandalay
um dos costumes tradicionais desta época, é no primeiro dia do ano libertar peixes, previamente resgatados, que em Mandalay são despejados de sacos de plástico que esperam pelos compradores alinhados ao longo do passeio, no canal que envolve o Palácio Real.
um dos costumes tradicionais desta época, é no primeiro dia do ano libertar peixes, previamente resgatados, que em Mandalay são despejados de sacos de plástico que esperam pelos compradores alinhados ao longo do passeio, no canal que envolve o Palácio Real.
O Thingyan é também altura auspiciosa para jovens rapazes e raparigas se juntarem por meses ou anos aos monges, aprendendo os ensinamentos de Buda nos milhares de mosteiros existentes por todo o país, funcionando um pouco como ritual iniciático para a vida adulta.
O Thingyan é também altura auspiciosa para jovens rapazes e raparigas se juntarem por meses ou anos aos monges, aprendendo os ensinamentos de Buda nos milhares de mosteiros existentes por todo o país, funcionando um pouco como ritual iniciático para a vida adulta.
Mandalay
Descanso e brincadeira para comemorar o primeiro dia do ano, depois da visita matinal ao templo para orações. Mandalay
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan
Comemorações do Thingyan em Bagan

Mandalay

Mandalay… cujo nome lembra paragens exóticas, é a segunda maior cidade do país, tendo já sido capital do reino da Birmânia até à chegada dos ingleses que escolheram a portuária cidade de Yangon, mais a sul e adequada ao interesses comerciais. Contudo Mandalay é considerada a capital cultural do país, onde se localizam os mais importantes templos e palácios.

De início Mandalay não se mostrou muito acolhedora, com as suas largas ruas, defendido geométricos quarteirões, tornado a cidade dispersa e pouco convidativa a caminhadas, tornando-a menos acolhedora do que a sua rival Yangon.

Contribuiu para esta sensação, um misto de abandono e desolação o facto de a maioria do comércio e dos serviços se encontrar encerrada devido à comemoração do Thingyan, ou Festival da Água, altura em que o país pára por cinco dias, e onde andar nas ruas dá obrigatoriamente direito a ficar encharcado com as muitas tigelas e baldes de água despejados pela população que nestes dias de festa enche as ruas.

Mas aos poucos Mandalay foi cativando, com os seu cafés e casas de chá com ambiente acolhedor onde o tempo parece escoar devagar contrastando com o ritmo acelerado da rua, com seus edifícios antigos envoltos numa nostalgia decadente, as livrarias onde se respira antiguidade, as suas lojas onde se mantém intacto o espírito e a atmosfera de um passado que resiste, preso às teias de aranha, ao pó, à gordura e sujidade, mas que tornam estes locais únicos e cativantes.

Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Uma das Tea Houses que de manhã se enchem para tomar café, saborear algum snack e por a conversa em dia
Uma das Tea Houses que de manhã se enchem para tomar café, saborear algum snack e por a conversa em dia
Mandalay, apesar do prático sistema onde as ruas são numeradas, facilitando a orientação, não é muito convidativa para deslocações a pé devido às largas e extensas avenidas e ruas
Mandalay, apesar do prático sistema onde as ruas são numeradas, facilitando a orientação, não é muito convidativa para deslocações a pé devido às largas e extensas avenidas e ruas
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
A cidade espelha a diversidade religiosa existente no país, onde é frequente encontrarem-se mesquitas de onde ao fim do dia soam os chamamentos para as orações diárias
A cidade espelha a diversidade religiosa existente no país, onde é frequente encontrarem-se mesquitas de onde ao fim do dia soam os chamamentos para as orações diárias
Numa zona do centro da cidade, onde é mais evidente a concentração de muçulmanos, visível não só pelas mesquitas, pela comida vendida nas ruas e pelas típicas longas barbas de bigode cortado ostentadas orgulhosamente pelos mais velhos
Numa zona do centro da cidade, onde é mais evidente a concentração de muçulmanos, visível não só pelas mesquitas, pela comida vendida nas ruas e pelas típicas longas barbas de bigode cortado ostentadas orgulhosamente pelos mais velhos
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Junto ao Palácio Real de Mandalay, cujo passeio circundante é local de convívio e descontração entre a população local
Junto ao Palácio Real de Mandalay, cujo passeio circundante é local de convívio e descontração entre a população local
Palácio de Mandalay, de forma quadrangular, constitui um marco no centro da cidade, rodeado por um largo canal, em volta do qual é possível caminhar pela sobra da árvores
Palácio de Mandalay, de forma quadrangular, constitui um marco no centro da cidade, rodeado por um largo canal, em volta do qual é possível caminhar pela sobra da árvores
Mandalay
Mandalay
Mosteiros Atumashi Kyaungdawgyi, construído em madeira de teca, pela qual a Birmânia é famosa
Mosteiros Atumashi Kyaungdawgyi, construído em madeira de teca, pela qual a Birmânia é famosa
Mandalay
Mandalay
Primeiro dia do ano segundo o calendário budista, onde as famílias se reúnem em templos para orações e festa, e em que se vestem as melhores roupas, sendo mais evidente entre as mulheres que neste dias exibem coloridos sarongs, aqui chamados de dotis
Primeiro dia do ano segundo o calendário budista, onde as famílias se reúnem em templos para orações e festa, e em que se vestem as melhores roupas, sendo mais evidente entre as mulheres que neste dias exibem coloridos sarongs, aqui chamados de dotis
Kuthodaw Paya, um dos muitos locais de Mandalay onde famílias se reúnem no primeiro dia do ano para orações e convívio em forma de pic-nic à sombras das árvores que ocupam o templo
Kuthodaw Paya, um dos muitos locais de Mandalay onde famílias se reúnem no primeiro dia do ano para orações e convívio em forma de pic-nic à sombras das árvores que ocupam o templo
Kuthodaw Paya
Kuthodaw Paya
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mercado que diariamente ocupa alguns quarteirões do centro da cidade
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay
Mandalay

Bagan. Nyaung-u

O cansaço das 16 horas de viagem desde Yangon, que não oferecem muitas oportunidades para dormir, o calor intenso do meio do dia com a intensidade do sol a ferir os olhos, a difícil negociação com os taxistas que exigem um preço exagerado para percorrer os cerca de oito quilómetros que separam inexplicavelmente a estação de comboios da vila de Nyaung-U, e a dificuldade de arranjar alojamentos a preços razoáveis, numa zona onde a forte presença turística inflaciona os preços, fizeram da chegada à região de Bagan tenha sido envolta em algum desalento e frustração.

A povoação de Nyaung-u serviu somente como base para pernoitar nos dias reservados à visita dos templos de Bagan e arredores, onde o único ponto de interesse foi o mercado onde sempre se podem compensar, com as iguarias locais, o desalento provocado pelo pequeno-almoço servido na guest house, composto por ovos, café instantâneo, refrigerante, fruta e torradas em plástico pão de forma acompanhadas com compota e margarina.

A estadia em Bagan coincidiu com o inicio do festival Thingyan, conhecido pelo festival da água, que dura cinco dias e antecede a passagem de ano, que aqui se comemorou no dia 17 de Abril, mas cuja data varia de acordo com o calendário lunar. Durante o dia as ruas enchem-se de gente, que em grupos atiram água com recurso a tigelas, baldes e mangueiras a quem passa, não sendo possível circular nas ruas sem ficar completamente ensopado em água, o que com as elevadas temperatura desta altura do ano é uma bênção.

Nyaung-u
Nyaung-u
Nyaung-u
Nyaung-u
Mercado de Nyaung-u. Cigarros típicos birmâneses, enrolados em folha de tabaco
Mercado de Nyaung-u. Cigarros típicos birmâneses, enrolados em folha de tabaco
Mercado de Nyaung-u. Folhas de chá fresco (não seco) fermentadas que servem de condimento a muitos dos pratos e saladas, conferindo um característico sabor intenso e salgado
Mercado de Nyaung-u. Folhas de chá fresco (não seco) fermentadas que servem de condimento a muitos dos pratos e saladas, conferindo um característico sabor intenso e salgado
Mercado de Nyaung-u
Mercado de Nyaung-u
Mercado de Nyaung-u
Mercado de Nyaung-u
Nyaung-u durante o Thingyan Festival
Nyaung-u durante o Thingyan Festival
Nyaung-u durante o Thingyan Festival
Nyaung-u durante o Thingyan Festival
Rua principal de Nyaung-u durante o Thingyan Festival
Rua principal de Nyaung-u durante o Thingyan Festival

Das várias opções para pernoitar durante a visita à zona arqueológica de Bagan, nomeadamente: Old Bagan, New Bagan e Nyaung-u, esta ultima é a que apresenta preços mais em conta, com a vantagem de ser uma povoação onde se pode encontrar facilmente comida local, tanto no mercado como nos muitos restaurantes que se encontram à beira das três ruas principais que constituem a povoação, longe das alternativas mais turísticas e dispendiosas oferecidas em New Bagan e Old Bagan.

Com recurso a uma bicicleta (cerca de 1500 Ks por dia, pouco mais de um euro) é possível percorrer os pouco quilómetros que separam Nyaung-u do conjunto de templos pelos quais a região de Bagan é famosa.

Inn Wa Guest House
Inn Wa Guest House
Inn Wa Guest House
Inn Wa Guest House

Inn Wa Guest House

Double room: 20 USD

Bathroom inside, fan, wi-fi and breakfast

Templos de Bagan

A região de Bagan, foi durante os séculos XI e XIII capital do primeiro reino da Birmânia, datando dessa época os cerca de 3000 templos dispersos pelos cerca de 67 quilómetros quadrados de planície que se estende junto ao Rio Ayeyarwady.

A paisagem envolvente que nesta altura do ano se encontra seca e adormecida, como que expectante pelas primeiras chuvas, com a terra cor de ferrugem pontuada pelo verde pálido das árvores, cria uma atmosfera muito especial em torno dos templos, tornando-os espectadores passivos de um cenário desolado.

Apesar de ser um dos mais importantes pontos de interesse arqueológico da Birmânia, Bagan continua a ter um papel importante em termos religiosos, sendo local de peregrinação da população budista, atraindo milhares de pessoas que aproveitam os dias que antecedem a comemoração do fim do ano, para em família ou em grupos oriundos de vários pontos do país, prestarem homenagem às várias imagens de Buda existentes nos templos, tonando o local num misto de devoção e de festa.

Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda
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Shwe Gu Gyi Paya
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Shwe Gu Gyi Paya
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Ananda Pagoda, onde durante a tarde muitas pessoas procuram refugio ao calor que sente nas áridas planícies de Bagan, tornando o ar abrasador
Bagan
Bagan

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Rio Ayeyarwady
Rio Ayeyarwady
Rio Ayeyarwady
Rio Ayeyarwady
Rio Ayeyarwady
Rio Ayeyarwady
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Khay Min Ga
um dos muitos templos que se encontram ao longo do emaranhado de estradas e caminhos poeirentos que cruzam a aplanicie de Bagan
um dos muitos templos que se encontram ao longo do emaranhado de estradas e caminhos poeirentos que cruzam a aplanicie de Bagan
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Bagan
Bagan
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A melhor forma de explorar a zona é de bicicleta, que por “ordem do governo” não podem ter o habitual cesto na frente
Bagan
Bagan
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Com sol a descer no horizonte e a temperatura a diminuir ligeiramente é tempo para jogar este popular jogo, um misto de volei mas jogado com os pés e com uma bola feita de bambu
Khay Min Ga
Khay Min Ga
Bagan
Bagan
Bagan
Bagan
Ananda Pagoda
Ananda Pagoda

Para se ter acesso à zona arqueológica de Bagan é necessário adquirir um bilhete, válido por cinco dias, que custa 15 USD, ou para quem está disposto a pagar em euros apresenta o mesmos valor, ficando 30% mais caro. Inexplicável. O pagamento em kyats que deveria rondar os 15.000 ks, segundo a taxa de câmbio em vigor, fica um pouco mais dispendioso, sendo exigido 16.000 ks,  valor que não se encontra inscrito no bilhete nem em lado nenhum e que é variável em função de-não-se-sabe-bem-porquê… mas como sempre acontece aqui, quando os funcionários são confrontados este tipo de questões, a resposta é sempre a mesma “regras do governo”.

Bilhete de acesso à zona arqueológica de Bagan
Bilhete de acesso à zona arqueológica de Bagan

Comboio… I always be sure

Pela “estrada” fora… de Bago até Yangon… de Yangon até Nyaung-U (Bagan)

A primeira experiência em termos de viagens ferroviária na Birmânia foi agradável apesar de ter sido feita em carruagem de terceira classe, com bancos de madeira e com um número de passageiros superior aos lugares disponíveis, mas cujo desconforto não causou história devido às escassas três horas de viagem que separam a cidade de Bago de Yangon, a maior cidade do país e que foi capital durante a presença inglesa até 2006, data em que a junta militar que governa o país decidiu criar uma nova cidade: Naypyidaw que passou a ser a capital de Myanmar.

Ajudou a também o animado movimento dos vendedores de comida que constantemente percorrem o comboio, entoando pregões indecifráveis e paisagem de campos de arroz que mesmo nesta época seca se encontram pintados de verde dos rebentos recentemente plantados, privilégio só possível pela proximidade do delta do rio Ayeyarwaddy (Ayarwaddy), que percorre praticamente todo o país de norte a sul.

Já a segunda viagem, entre Yangon e Bagan, mais concretamente até Nyaung-U, a estação ferroviária mais próxima da primeira capital do Reino da Birmânia entre os séculos XI e XIII, famosas pelos seus cerca de 3000 templos budistas, foi longa e penosa, tendo-se arrastado por mais quatro horas para além das doze horas previstas para percorrer os cerca de 630 quilómetros que separam as duas estações.

Dada a época de festas que dura mais de cinco dias, onde se junta ao Festival Thingyan as celebrações da passagem do ano, todos os autocarros se encontram há muito esgotados apresentando-se o comboio como única alternativa para viajar nesta altura do ano. De optimismo estampado no rosto e de mochila às costas, a realidade revelou-se frustrante perante o facto de já não haver lugares disponíveis no único comboio que efectua, uma vez por dia este trajecto.

Após muita insistência junto dos funcionários, e abusando um pouco dos estatuto privilegiado que os estrangeiros (talvez resquícios do colonialismo) ainda usufruem neste país, foi possível falar com o chefe da estação, que juntamente com os restantes funcionários presentes se desdobraram em esforços e telefonemas para resolver a situação. Contudo não foi possível arranjar lugar nas carruagens-cama, o que nos empurrou, a mim e a minha companheira de viagem, para uma viagem em segunda classe que dada a duração se avizinhava penosa, apesar do incremento em termos de conforto, com bancos almofadados.

Apesar das carruagens se encontrarem em razoável estado de conservação, tendo em conta a antiguidade que aparentam ter, viajar nos caminhos de ferro Birmaneses é bastante desconfortável, devido principalmente ao degradado estado da via férrea que provoca bruscas e fortes oscilações das carruagens, que para além do permanente e intenso tilintar metálico, torna difícil caminhar ou mesmo permanecer de pé nas carruagens, e onde uma ida à casa de banho constitui uma verdadeira proeza.

carruagem de terceira classe com bancos em madeira na viagem entre Bago e Yangon
carruagem de terceira classe com bancos em madeira na viagem entre Bago e Yangon
Estação ferroviário de Yangon
Estação ferroviário de Yangon
Estação ferroviário de Yangon, que poucas alterações deve ter sofrido após a saída dos ingleses do território que hoje constitui Myanmar
Estação ferroviário de Yangon, que poucas alterações deve ter sofrido após a saída dos ingleses do território que hoje constitui Myanmar
Estação de Yangon
Estação de Yangon
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
carruagem de segunda classe com banco almofadados na viagem desde Yangon até Bagan
carruagem de segunda classe com banco almofadados na viagem desde Yangon até Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Entre Yangon e a planície de Bagan
Perto de Bagan, onde a estação seca deixou os campos desolados e poeirentos e onde o solo ferroso espera avidamente pelas primeiras chuvas que só devem chegar em Junho
Perto de Bagan, onde a estação seca deixou os campos desolados e poeirentos e onde o solo ferroso espera avidamente pelas primeiras chuvas que só devem chegar em Junho
Apesar da aparente aridez do terreno da planície de Bagan é local ideia para o cultivo de uma especifico tipo de palmeira de cujo fruto se extrai um açúcar, denominado de jiggery, que para além de ser usado como adoçante permite, depois de fermentado, produzir uma bebida de forte teor alcoólico
Apesar da aparente aridez do terreno da planície de Bagan é local ideia para o cultivo de uma especifico tipo de palmeira de cujo fruto se extrai um açúcar, denominado de jiggery, que para além de ser usado como adoçante permite, depois de fermentado, produzir uma bebida de forte teor alcoólico
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Bilhete de comboio para turistas emitido mediante apresentação do passaporte por um dos funcionários próximos do chefe da estação
Estação ferroviária de Yangon onde esta enigmática inscrição domina a sala do chefe da estação
Estação ferroviária de Yangon onde esta enigmática inscrição domina a sala do chefe da estação

Yangon. Mahabandoola Guest House

Estrategicamente colocada na parte antiga da cidade em frente à Sule Pagoda, na esquina entre a movimentada Mahabandoola Road, que lhe dá o nome, e uma esteira rua secundária, a numero 32, esta guest house situada num segundo e terceiro andar de um decrépito edifício é famosa entre o backpackers, mais pelo preço do que pelas condições oferecidas.

As condições são menos do que básica, com a maioria dos quartos a serem formados por toscas divisórias de madeira, alguns sem janelas, com uma duas ou três camas e a habitual singela lâmpada florescente a dar o tom lúgubre ao espaço. Foi num destes quartos, que mais se assemelha a uma caixa assim que se fecha a porta, que fiquei alojada nas três noites passadas em Yangon, e que estranhamente se foi tornando acolhedor e um refúgio ao intenso calor da rua.

A Mahabandoola Guest House com a sua patine e o seu ar de abandono encaixa perfeitamente no espírito decadente que caracteriza o centro da cidade.

Home sweet home... na Mahabandoola Guest House
Home sweet home… na Mahabandoola Guest House
escada exterior de acesso à Mahabandoola Guest House , que partilha o edifício com apartamentos habitados pela população local
escada exterior de acesso à Mahabandoola Guest House , que partilha o edifício com apartamentos habitados pela população local
Mahabandoola Guest House  que ocupa o segundo e o terceiro andares deste decadente e decrépito edificio de estilo colonial
Mahabandoola Guest House que ocupa o segundo e o terceiro andares deste decadente e decrépito edificio de estilo colonial
acesso à Mahabandoola Guest House
acesso à Mahabandoola Guest House
Entrada da Mahabandoola Guest House
Entrada da Mahabandoola Guest House
Mahabandoola Guest House onde o azul esverdeado domina todas as paredes, contribuindo, juntamente com o oleado que cobre o chão, para o tom lúgubre da guest house
Mahabandoola Guest House onde o azul esverdeado domina todas as paredes, contribuindo, juntamente com o oleado que cobre o chão, para o tom lúgubre da guest house
Mahabandoola Guest House
Mahabandoola Guest House

 

Mahabandoola Guest House

Address: no.453/459 (2nd Floor) Mahabandoola Road (Corner of 32nd st)

Pabedan Township Yangon

phone: +95 1 248104

 

Double room: 12 USD

Single room: 6 USD

Dorm: 4 USD

Shared-toilets

Wi-fi

Yangon

Apesar de ser a cidade com mais população do país com os seus mais de dois milhões e meio de habitantes, Yangon, anteriormente designada por Rangon, apresentou-se calma, como que abafada por um manto silenciosamente estranho para uma cidade desta dimensão, onde o tráfego apesar de constante é ordeiro e o som das buzinas  apesar de presente é menos estridentes. Um grande contraste com a agitada e poluída Bago.

Contribui para esta primeira impressão de dormência, o facto de ser proibida a circulação de motos na cidade, desde que o carro onde circulava um militar de alta patente ter sido seriamente atingido por um motociclo, e também pelo nível de vida que aqui se apresenta mais próspero, afastando os decrépitos veículos, barulhentos e libertadores de negros fumos de escape, que caracterizam o parque automóvel do país.

A parte antiga de Yangon, cujo centro é a Sule Pagoda, com as suas ruas estreitas e ordeiramente paralelas, interceptadas por desafogas avenidas desenhadas a régua, com praças de traçado geométrico, onde despontam igrejas cristãs, é sem dúvida a zona mais inspiradora da cidade, que pouco aproveita da proximidade ao rio que lhe dá o nome, mais dedicado a actividades portuárias e comerciais do que a passeios turísticos.

É principalmente nas ruas secundárias, onde prédios modernos de arquitectura inclassificável dominada vidros espelhados, alumínio e fachadas revestidas a mosaico, tentam ganhar espaço entre os edifícios construídos durante a presença inglesa, que são sem dúvida as personagens principais da decadente encenação em que parece que a cidade vive, e que é responsável pelo seu atraente charme.

Tudo está coberto por um manto de decadência, que a custo é evitado por sucessivas camadas de tinta, cujas cores tentam regatar estes edifícios do ataque de fungos que corrompe a tinta, dos pombos que se apoderam de todos os recantos, e de árvores e arbustos que estoicamente insistem em tentar a sua sorte em zonas inacessíveis, e principalmente do devastador poder da monção que corrói a estrutura dos edifícios.

Sobrevivem ainda muitos edifícios herdeiros do colonialismo britânico, uns dominando avenidas, ocupando esquinas e destacando-se pela sua imponência e arquitectura orgulhosa, de inspiração neoclássica, outros, mais modestos alinhados em ruas secundárias, com suas fachadas rasgadas por generosas janelas e enriquecidas por varandas, através das quais se pode bisbilhotar o simples e modesto quotidiano birmanês vivido por traz do aspecto majestoso das fachadas.

Yangon, espelha a diversidade cultural, religiosa e étnica que caracteriza a Birmânia e que torna este país numa feliz e tolerante mistura entre a cultura do subcontinente indiano com o sudoeste asiático, capaz de despertar intensas sensações e fortes emoções, atraente e por vezes demasiado intensa.

Uma mistura rica e tolerante, onde na mesma rua convive um templo jainista com uma mesquita, ambas a poucos passos de um templo hindu, onde numa esquina nos podemos deliciar com uns iddlys que nos transportam para o sul da Índia, e noutra provar a birmanesa mohinga retirada de panelas fumegantes, e num restaurante próximo provar um biriani de inspiração muçulmana.

Homens vestindo o lungi atado com um nó, ao estilo birmanês, muçulmanos ostentando longas barbas de bigode cortado, mulheres de véu cobrindo o cabelo e o pescoço, outras exibindo floridos e justos lungis, monges de cabeça rapada recolhendo oferendas enquanto dos discretos minaretes das mesquitas se ouvem os chamamentos para as orações. Isto é Yangon.

Nos cafés, chamados de “tea houses”, reúnem-se em volta de pequenas mesas forradas a fórmica cujo padrão se foi esquecendo de tanto ser polido por panos sujos e húmidos, homens e umas poucas mulheres, cuja diversidade de rostos espelha as diferentes origens, onde se misturam chineses e indianos com birmaneses de diferentes etnias, unidos por uma identidade birmaneses e que apresentam o denominador comum de fixarem a sua atenção nos únicos estrangeiros que por aqui decidem dar descanso à pernas. São olhares atentos e curiosos, e que quando se cruzam com os nossos, respondem com um frontal e sincero sorriso.

Uma cidade que apesar de degradada soube manter uma majestosa dignidade.

Uma cidade cativante e inspiradora.

Uma cidade para ser resgatada do abandono.

Yangon
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Linha de caminho de ferro que atravessa a cidade
Linha de caminho de ferro que atravessa a cidade
Shwedagon Pagoda, a mais importante da Birmânia, mas cujo acesso a turistas custa 8 USD, tendo por isso a visita ficado pelo exterior que contudo ofereceu um interessante espetáculo com o dourado que reveste a pagoda a mudarem de tonalidade à medida que o sol ia desaparecendo e a lua quase cheia ia surgindo por trás das palmeiras
Shwedagon Pagoda, a mais importante da Birmânia, mas cujo acesso a turistas custa 8 USD, tendo por isso a visita ficado pelo exterior que contudo ofereceu um interessante espetáculo com o dourado que reveste a pagoda a mudarem de tonalidade à medida que o sol ia desaparecendo e a lua quase cheia ia surgindo por trás das palmeiras
Yangon
Yangon
Mercado de Yangon
Mercado de Yangon
Mercado de Yangon
Mercado de Yangon
Mercado de Yangon
Mercado de Yangon
Yangon de manhã cedo com as ruas quase desertas
Yangon de manhã cedo com as ruas quase desertas
Yangon
Tanto na cidade como um pouco por todo país, encontram vasilhas de barro para conservar água que é colocada gratuitamente em frente a lojas, em templos, em mercados, etc… sendo disponibilizada gratuitamente, pois a água que sai das torneiras não é potável, sendo usada pela população local somente para lavagens
Nas ruas secundárias, ao longo do dia, mas em especial durante a manhã, começa a actividade de confeccionar comida, e que oferece uma ideia da diversidade gastronómica deste país
Nas ruas secundárias, ao longo do dia, mas em especial durante a manhã, começa a actividade de confeccionar comida, e que oferece uma ideia da diversidade gastronómica deste país
Yangon
Yangon
Casas de Chá, denominadas de Tea Houses, que para além do chá e café, servem também refeições ligeiras, em especial ao pequeno almoço e ao fim do dia
Casas de Chá, denominadas de Tea Houses, que para além do chá e café, servem também refeições ligeiras, em especial ao pequeno almoço e ao fim do dia
Tea House
Tea House
Yangon
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Pelo mercado de Bago

Em Bago como em geral todas as cidades asiáticas o mercado é o local que atrai os visitantes, não só pelo exotismo da mercadoria exposta e pela curiosidade despertada por novo produtos, como pela comida aqui vendida que se apresenta como uma boa e económica opção para fazer refeições, mas acima de tudo pelo movimento que sempre envolve os mercados, tornando-os de certa forma num colorido e vibrante espetáculo.

O mercado de Bago, dominado por dois edifícios contíguos, destinados essencialmente à venda de roupas, estende a sua influência por vários quarteirões, onde se alinha vendedores de produtos alimentares frescos, no meio dos quais é possível encontrar deliciosos doces, de confecção caseira, à base de arroz e côco, difíceis de resistir.

Salada de noodles, com couve, coentros, chilli, farinha de arroz e muitos molhos e condimentos;  muito popular como pequeno-almoço mas que também se pode encontrar ao longo do dia em pequenas bancas existentes ao longo das ruas, um pouco por todo o país
Salada de noodles, com couve, coentros, chilli, farinha de arroz e muitos molhos e condimentos; muito popular como pequeno-almoço mas que também se pode encontrar ao longo do dia em pequenas bancas existentes ao longo das ruas, um pouco por todo o país
Panquecas com côco e bolinhos de massa de arroz recheados com uma mistura doce à base de côco e cozidos sobre as brasas... tudo isto a servir de pequeno-almoço acompanhado de chá que na Birmânia é sempre oferecido com as refeições ou mesmo para acompanhar um café
Panquecas com côco e bolinhos de massa de arroz recheados com uma mistura doce à base de côco e cozidos sobre as brasas… tudo isto a servir de pequeno-almoço acompanhado de chá que na Birmânia é sempre oferecido com as refeições ou mesmo para acompanhar um café
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
DSC_4649
troncos de uma árvore , a thanaka, que é transformada em pó e que misturada com água é usada para cobrir o rosto e por vezes o pescoço e os braços, essencialmente pelas mulheres birmanesas e também por alguns homens, que tem um efeito refrescante, protege do sol e evita a oleosidade da pela, mas que é usada também com um efeito decorativo
Mercado de Bago
Mercado de Bago
folhas de betel para embrulhar o paan, uma mistura de nóz moscada com tabaco e cal, e que é mascada e conservada por longo tempo na boca, um verdadeiro vício nacional, tanto entre homens como mulheres, não sendo raro ver crianças já com a dentição manchada de vermelho, côr que esta mistura liberta quando mastigada
folhas de betel para embrulhar o paan, uma mistura de nóz moscada com tabaco e cal, e que é mascada e conservada por longo tempo na boca, um verdadeiro vício nacional, tanto entre homens como mulheres, não sendo raro ver crianças já com a dentição manchada de vermelho, côr que esta mistura liberta quando mastigada
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
Mercado de Bago
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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