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Stepping Out Of Babylon

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Resultados de pesquisa para: China

Nam Oú river. Muang Khoua

Pouca coisa fica desta povoação situada na confluência entre os rios Nam Oú e Phak se juntam, cada vez mais perto da fronteira com o Vietnam e com a China, cuja proximidade está bem presente na grafia adoptada nos letreiros dos vários restaurantes e lojas, que usam os caracteres chineses e a escrita vietnamita para além do Lao, assim como no tom de pele e nas feições de alguns dos habitantes.

Muang Khoua torna-se escala obrigatória para que faz o percurso pelo rio, opôs as quase seis horas de viagem; daqui pode-se continuar para norte até Hat Sa e Pongsali, ou em alternativa empreender a viagem em direcção a sul, de volta a Luang Prabang.

As manhãs são cinzentas, frias e húmidas, e só por volta das onze horas o sol aparece aquecendo as desoladas ruas da povoação, enchendo-a de vida e de uma agradável atmosfera de verão com crianças a brincar na rua, enquanto os restantes habitantes se dedicam às suas tarefas diárias, em ritmo calmo, entre actividades comerciais e a agricultura nos pequenos campos que envolvem Muang Khuoa.

Das fogueiras usadas para cozinhar e para aquecer as frias manhãs, acendidas na maioria das vezes em frente às casas, sai o fumo que se mistura com a neblina e o cheiro da madeira queimada que, juntamente com os galinhas que se passeiam pelas ruas, dão forma ao ambiente rural que aqui se vive.

Ao fim da tarde, pelas cinco horas, altura em que o sol se começa a esconder por trás das montanhas, os monges reúnem-se no único templo da povoação para a segunda oração do dia, espalhando em vozes juvenis orações budistas. Os mesmos que de manhã percorrem as ruas de Muang Khuoa, de cabelo rapado, descalços, vestidos com os seus robes laranja, recolhendo as oferendas das pessoas, na maioria mulheres, que os esperam com cestas de arroz cozido, incensos e flores.

Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua
Muang Khoua

Nam Oú River. Nong Khiaw

Após três horas de autocarro, por uma estrada poeirenta, que apesar de pavimentada se encontra em mau estado, obrigando a constantes abrandamentos dos veículos, mas que mesmo assim não são suficiente para evitar os saltos a que os ocupantes são sujeitos. O mini-autocarro preparado para nove passageiros transportou catorze, que se foram acomodando em cadeiras acrescentadas que pertenceram a um outro qualquer veículo, ou em sacos de arroz, bidões, bilhas de gás e demais mercadoria transportada tanto no interior como no topo, onde também se acomodam as mochilas dos poucos turistas que ousam efectuar viagens nos transportes públicos do Laos.

Para trás fica a bonita cidade de Luang Prabang, com o seu estilo colonial, ocidentalizada e sofisticada; pela frente encontra-se o norte do Laos, rural, pobre e pouco desenvolvido, dominado por montanhas de encostas arborizadas, que se estendem até às fronteiras com a China, Vietnam e Tailândia.

O destino é a povoação Nong Khiaw, situada na encosta do rio Nam Oú, um dos muitos afluente do Mekong. Até há poucos meses atrás era possível viajar de barco, rio acima, desde Luang Prabang, mas as obras de construção de uma barragem inviabilizam esta possibilidade, obrigando a percorrer o trajecto até Nong Khiaw por estrada, sendo possível a partir daí navegar livremente no rio, até quase ao extremo norte do país.

Ao ritmo monótono e barulhento do motor, a embarcação que nos transporta rio acima, deslizando suavemente pelas águas turvas e acastanhadas. Antes foi a habitual azáfama em Nong Kiaw, que antecede o início da viagem para acomodar carga e passageiros nos pequenos barcos que ainda utilizam este rio como principal meio de transporte, ligando povoações que se encontram dispersas pelas suas margens, algumas das quais sem acesso por estrada.

Os barcos, pequenos e de casco pouco profundo são ideias para percursos neste rios, cujas águas durante a estação seca estão de tal forma baixas que expõem os fundos rochosos, deixando a descoberto bancos de areia, que são evitados pelo olhar atento do condutor do barco que se mantem vigilante, lendo na superfície das águas, o percurso a seguir.

As encostas do vale onde se encaixa o rio são cobertas de vegetação tropical, de onde sobressaem os bambus e uma grande diversidade de árvores, cujos variados tons de verde e os diversos brilhos, formam um padrão que se mantem constante ao longo de praticamente todo o percurso, sendo interrompido nas zonas junto às povoações, onde esta floresta se encontra seriamente devastada pela presença humana, tanto em busca de espaço para a agricultura como em busca de madeira, usada como combustível, mas também vendida para a industria.

É uma vida simples e rural que se observa nas margens do rio, onde as crianças que não se encontram ocupadas com os trabalhos agrícolas ou com os búfalos, se entregam a brincadeiras junto à água, mergulhando de improvisadas jangadas, enchendo o ar de gargalhadas e transmitindo uma alegria capaz de provocar sorrisos a quem as observa.

Penhascos de pedra calcária, quase totalmente cobertos de vegetação, surgem abruptamente nas encostas do rio, criando zonas de sombra, tornando a suave brisa provocada pela deslocação do barco, numa aragem desconfortavelmente fresca, antecedendo as baixas temperaturas que se sentem no norte do país, depois do pôr do sol.

É durante estes percursos dominados pelo aparente silêncio da natureza emanado das encostas, e pelo murmúrio constante das águas, que se cria espaço para observar os nosso pensamentos, escutar as nossas emoções, refletir sobre o caminho percorrido e deixar fluir os sentimentos que nos indicam a direcção a seguir.

Nong Khiaw
Nong Khiaw: a povoação em si nada tem para oferecer do que um conjunto de alojamentos e de restaurantes que servem de apoio a quem aqui passa a noite antes de iniciar a viagem em direção a montante do Nam Oú
Nong Khiaw
Nong Khiaw
Nong Khiaw
Nong Khiaw
Alga recolhida no leito do rio, que depois de seca é usada para fazer vassouras
Alga recolhida no leito do rio, que depois de seca é usada para fazer vassouras
Nong Khiaw dominada pela bruma matinal, presença constante das manhãs no norte do Laos, nesta altura do ano
Nong Khiaw dominada pela bruma matinal, presença constante das manhãs no norte do Laos, nesta altura do ano
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Nam Oú
Chegada a Muang Khua, depois de mais de cinco horas de viagem pelo Nam Oú, desde Nong Khiaw
Chegada a Muang Khua, depois de mais de cinco horas de viagem pelo Nam Oú, desde Nong Khiaw

Sunrise Bungalow (Nong Khiaw)

Quarto duplo: 80.000 KIP

com WC

vista para o rio

free wi-fi

Sunrise Bungalow
Sunrise Bungalow
Sunrise Bungalow
Sunrise Bungalow
Sunrise Bungalow
Sunrise Bungalow

Luang Prabang

Mais uma cidade bilhete postal deixada pela colonização francesa, com as suas ruas dispostas ortogonalmente, os seus edifícios de arquitectura europeia rodeados de vegetação tropical, os seus cafés e esplanadas…

A parte antiga da cidade desenvolve-se entre o Rio Mekong, e o Rio Nam Kon, onde ambos se juntam com as suas águas turvas e castanhas, que deslizam velozes mas silenciosamente, muito abaixo no nível a que as águas atingem durante e época das chuvas.

Luang Prabang
Luang Prabang
uma das muitas banca de rua, que todas as manhã inicia a sua actividade bem cedo, oferecendo a primeira refeição do dia, frequentemente sopa de noodles, café ou algum outra refeição mais substância à base de peixe ou carne grelhados.
uma das muitas banca de rua, que todas as manhã inicia a sua actividade bem cedo, oferecendo a primeira refeição do dia, frequentemente sopa de noodles, café ou algum outra refeição mais substância à base de peixe ou carne grelhados.
Luang Prabang, recriando o glamour da colonização francesa com carros antigos, brilhando em frente aos mais luxuosos hoteis da cidade
Luang Prabang, recriando o glamour da colonização francesa com carros antigos, brilhando em frente aos mais luxuosos hoteis da cidade
Luang Prabang
Luang Prabang
Luang Prabang
Luang Prabang
night-market, que diariamente ocupa a rua principal da parte antiga de Luang Prabang, destinado essencialmente aos turistas com a vende de artigos inspirados no artesanato local
night-market, que diariamente ocupa a rua principal da parte antiga de Luang Prabang, destinado essencialmente aos turistas com a vende de artigos inspirados no artesanato local
Luang Prabang
Luang Prabang
Luang Prabang: Nam Kon
Luang Prabang: Nam Kon
Luang Prabang: Mekong River
Luang Prabang: Mekong River
o chamado morning-market, destinado à vende de produtos alimentares, estende-se ao longo de uma das ruas secundarias da parte antiga da cidade
o chamado morning-market, destinado à vende de produtos alimentares, estende-se ao longo de uma das ruas secundarias da parte antiga da cidade
mercado Phusy, um pouco afastado centro da cidade mas vibrante de vida onde se vende um pouco de tudo, desde comida a roupa, passando por todo o género de artigos necessários ao quotidiano da população locai, ainda muito ligada ao meio rural e à pesca do rio, e onde sobressai a grande quantidade de produtos oriundos da China.
mercado Phusy, um pouco afastado centro da cidade mas vibrante de vida onde se vende um pouco de tudo, desde comida a roupa, passando por todo o género de artigos necessários ao quotidiano da população locai, ainda muito ligada ao meio rural e à pesca do rio, e onde sobressai a grande quantidade de produtos oriundos da China.
Luang Prabang
Luang Prabang: marginal junto ao Rio Mekong
Wat Xieng Thong: um dos mais importante templos budistas do Laos construido no século XVI
Wat Xieng Thong: um dos mais importante templos budistas do Laos construido no século XVI
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong:
Wat Xieng Thong

Sokdee Guest House

Quarto duplo com WC: 80.000 kip

Sokdee Guest House
Sokdee Guest House
Sokdee Guest House
Sokdee Guest House

Tailândia e os mercados

Os mercados são sem duvida um dos pontos altos da visita a uma cidade, onde a diversidade de produtos e o seu exotismo prendem a atenção e despertam a imaginação numa tentativa por vezes frustrante de decifrar a utilidade de algum ingrediente, distinguir entre um fruto e um legume ou simplesmente perceber espécie de animal se encontra exposto para venda.

Todas as cidades e pequenas povoações têm um ou mais mercados, alguns iniciando-se mesmo antes do nascer do sol e terminando perto da hora do almoço, outros começando pelas cinco da tarde e prolongando-se pela noite. Podem ser em espaços criados para o efeito, com bancas devidamente organizadas ou simplesmente surgindo de forma aparentemente espontânea a longo das ruas.

Existem os mercados dedicados à venda de produtos alimentares, tanto frescos como embalados, mas onde sempre se encontra uma zona destinada a servir refeições simples, como sopas de arroz e de noodles, peixe ou carne grelhados no carvão, ou salteados no wok juntamente com alguns vegetais; tudo preparado no momento e em poucos minutos.

Muita desta comida pode ser também embalada em pequenos sacos de plástico para ser transportada para casa ou para o local de trabalho, não sendo raro ver pessoas a debicarem comida à medida que vão caminhado pelas ruas da cidade.

O mesmo se aplica à furta, que é descascada e cortada em pedaços para poder ser consumida pela rua com a ajuda de um pequeno pauzinho de bambu que funciona como garfo.

As bananas são uma presença constante nos mercados, podendo-se também encontrar à venda em pequenas bancas improvisadas nas ruas das cidades, junto a um terminal de autocarros ou simplesmente frente ao portão de uma das casas que se alinham ao longo das pequenas ruas secundárias das cidades.

Para além das bananas vendidas frescas, em grupos de dez ou doze, os tailandeses desenvolveram criativamente muitas formas de as confecionarem: cortadas em pequenas lâminas e fritas em óleo, ou em grossas fatias envolvidas numa mistura de farinha de arroz, água e sésamo que são também fritas e comidas ainda quentes, podem ser grelhadas no carvão, inteiras e com casca, descascadas, cortadas em rodelas, intactas ou esmagadas, dispostas ao longo de um fino pau de bambu, servindo de recheio a rottes, em sumos e batidos…

Todos os passeios pelos mercados despertam muitas e intensas sensações, não só pelo visual como também pelos cheiros que se libertam das panelas fumegantes, dos grelhados, do peixe e do marisco vendidos secos que enchem sacas, dando vontade de experimentar muita desta vasta oferta, em especial a fruta, onde descobri uma enorme variedade de sabores, cheiros e texturas, nem sempre tão interessantes como poderiam à partida parecer.

Mas sem dúvida que a pior experiência alimentar que vivi na Tailândia, e quiçá a pior da minha vida prende-se com este fruto chamado durian, de cheiro intenso e pouco atractivo, bastante popular entre os tailandeses, mas capaz de provocar as melhores e as piores reações, havendo mesmo pessoas com repulsa pelo cheiro, ao ponto de ser proibido transportar durian em transportes públicos e consumidos junto a templos e monumentos.

Os doces são também uma presença constante nos mercadas da Tailândia, vendendo-se também pelas ruas da cidade, embalados e apresentados de forma colorida e cativantes, mas extremamente doces, como quase toda a comida na Tailândia, mesmo os pratos de massas e sopas de noodles.

É frequente as cidades terem mais do que um mercado, mesmo as de dimensão mais modesta, muitos dedicados à venda de alimentos mas outros mais focados em artigos de utilidade e de roupa. Nas cidades com mais turismo, como Chiang Mai, muitos destes mercados são vocacionados para a venda de artesanato tradicional da Tailândia, como as roupas características das povoações das montanhas, que se destina não só aos visitantes ocidentais como também aos muitos turistas nacional, que aqui encontram muitos “souvenires”.

Grande panelas onde fervem diversos caldos, quase sempre de carne, que servem para preparar as populares sopas de noodles, refeição consumida em diferentes alturas do dia, inclusive ao pequeno almoço
Grande panelas onde fervem diversos caldos, quase sempre de carne, que servem para preparar as populares sopas de noodles, refeição consumida em diferentes alturas do dia, inclusive ao pequeno almoço
Arroz... uma pãlida amostra das muitas variedades de arroz disponiveis na Tailândia
Arroz… uma pálida amostra das muitas variedades de arroz disponiveis na Tailândia
Legumes
Legumes
Tofu fresco, vendido diáriamente
Tofu fresco, vendido diáriamente
Paste de carril que serve de base a muitos caris
Paste de carril que serve de base a muitos caris
Cogumelos secos e demais molhos utilizados abundamentemnte nos pratos tailandeses
Cogumelos secos e demais molhos utilizados abundamentemnte nos pratos tailandeses
peixe seco
peixe seco
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Apesar de não ser dos países onde se podem encontrar alimentos “estranhos” à gastronomia europeia, nos mercados espalhados pela Tailândia, em especial os situados nas cidades mais pequenas, é possível encontrar algum alimentos exóticos como sapos, insectos, larvas, cobras…
Noodles, massa de arroz, que é vendida fresca, em vários formatos
Noodles, massa de arroz, que é vendida fresca, em vários formatos
peixe seco, que asim como o marismo é muito popular nos mercados tailandeses
peixe seco, que asim como o marismo é muito popular nos mercados tailandeses
Algo não identificado...
Algo não identificado…
Peixe frito, percado no Rio Ping, de Chiang Mai
Peixe frito, percado no Rio Ping, de Chiang Mai
Mecado nocturno de Ayuttahya
Mercado nocturno de Ayuttahya
Sompet Market: grande variedade de legumes, nem todos tradicionais da cozinha tailândesa, mas que se vendem nos mercados mais proximos dos bairros onde se alojam os farang
Sompet Market: grande variedade de legumes, nem todos tradicionais da cozinha tailândesa, mas que se vendem nos mercados mais proximos dos bairros onde se alojam os farang
refeições prontas vendidas para serem consumidas em casa, escola ou local de trabalho.
refeições prontas vendidas para serem consumidas em casa, escola ou local de trabalho.
Peixe seco, já cozinhado
Peixe seco, já cozinhado
uma das pequenas mercearias existentes no Sompet Market de Chiang Mai
uma das pequenas mercearias existentes no Sompet Market de Chiang Mai
Dragon Fruit: muito apelativos pelo exótico formato e pelas cores, este fruto que nasce duma planta semelhante a um cacto é pouco saboroso e pouco doce
Dragon Fruit: muito apelativos pelo exótico formato e pelas cores, este fruto que nasce duma planta semelhante a um cacto é pouco saboroso e pouco doce
Durian, o fruto que mais reações provoca pelo seu cheiro e gosto intenso e único
Durian, o fruto que mais reações provoca pelo seu cheiro e gosto intenso e único
Doces... coloridos e exóticos onde domina o leite condensado como adoçante, complementando o habitual açucar
Doces… coloridos e exóticos onde domina o leite condensado como adoçante, complementando o habitual açucar
Espetadas de carne, que se vendem juntamente com caldos e arroz que são vendidos como acompanhamento, e consumidos logo pela manhã
Espetadas de carne, que se vendem juntamente com caldos e arroz que são vendidos como acompanhamento, e consumidos logo pela manhã
Apesar de o inverno não ser a melhor época para comer mangas, estas são abundam nos mercados e são suficientemente doces para serem um dos frutos mais populares
Apesar de o inverno não ser a melhor época para comer mangas, estas são abundam nos mercados e são suficientemente doces para serem um dos frutos mais populares
Banca de vegetais no Sompet Market de Chinag Mai
Banca de vegetais no Sompet Market de Chinag Mai

Bangkok

Depois de cerca de sete meses passados entre a Índia e o Nepal, que apesar das diferenças sociais e culturais, apresentam bastantes pontos em comum, a chegada à Thailândia, tendo como porta de entrada a cidade de Bangkok, revelou-se uma mudança abrupta de cenário. Da poeirenta e desregrada Kathmandu, o avião transportou-me em três horas e meia para a brilhante Bangkok com as suas grandes avenidas, de trânsito organizado respeitando as faixas de rodagem e circulando ao ritmo dos semáforos, a linha do horizonte a ser recortada por prédios com dezenas de andares, as lojas e restaurantes oferecendo uma variedade infindável de produtos, paragens de autocarro, linhas de metro, ar-condicionado… enfim: um salto para um país de abundância, organizado e desenvolvido.

Para trás ficou o acolhimento nepalês, com a simpatia expressa em largos sorrisos, em calorosos olhares e mesmo quando a língua se apresentava como barreira intransponível, havia sempre alguma disponibilidade e satisfação em ajudar; uma afabilidade que ainda não encontrei nos tailandeses, provavelmente por estar na capital, que como todas as grandes cidades sofre com o ritmo acelerado e onde pouco tempo há a perder.

Aqui a língua acrescentou mais uma dificuldade, não sendo fácil encontrar pelas ruas da cidade quem fale suficientemente inglês para dar explicações sobre uma direção, nem tão pouco que consiga compreender as minhas tentativas para pronunciar palavras em tailandês.

Os dias foram passando e aos poucos a estranheza foi-se esbatendo, à medida que fui explorando a cidade, inicialmente com o pretexto de visitar templos e palácios situados na zona mais central cidade, onde dominam as largas e extensas avenidas mas onde um olhar mais atento revela pequenas ruas que se prolongam labirinticamente por entre casas pequenas e modestas, levando-nos para um quotidiano domesticamente pacato onde os gatos são presença constante, e que inesperadamente desembocam em ruas movimentadas.

Bangkok é atravessado pelo Rio Chao Phraya, com as suas águas turvas e acastanhadas, e que é a melhor forma de percorrer grandes distâncias, utilizando o rápido e eficiente serviço dos ferrys que fazem o percurso ao longo do rio. Depois de muito andar pela cidade e de frequentemente estar no caminho errado, este tornou-se o meio de transporte de eleição, que para além de ser de fácil orientação, pois todos os cais de embarque estão identificados por um numero, permite saborear a brisa fresca proporcionada pela deslocação do barco que é um lenitivo à humidade morna que envolve o ar ao mesmo tempo que se pode apreciar a cidade vista de outra perspectiva.

Ao longo das ruas, nas esquinas, em pequenos becos, no acesso aos cais de embarque dos ferrys, em mercados improvisados que ocupam ruas inteiras… surgem locais onde comer; nem sempre se podem chamar restaurantes, pois muitas vezes são locais improvisados que durante a maior parte do dia não se vêm e que surgem rapidamente, mesas, bancos, cozinha, fogão, e prontamente confecionam apetitosos pratos, enchendo as ruas dos vapores da comida, sobressaindo o aroma fresco do gengibre.

Para além disso, é frequente encontrarem-se vendedores ambulantes de comida, oferecendo fruta, sumos, doces, fritos, carne grelhada e uma infindável variedade de comida que nem sempre é fácil de identificar, mas onde predomina a carne e o marisco, sendo a opção vegetariana mais difícil de satisfazer.

O bairro de Chinatown demarca-se do resto da cidade com as lojas apinhadas de artigos importados da china, dedicados essencialmente ao comércio por grosso, e onde se pode encontrar quase tudo. Vive-se uma fervilhante azáfama com o fluxo dos visitantes a ser constantemente interrompido pelo transporte de mercadorias, embaladas em grandes caixas de cartão, que se encontram por todo o lado, tornando a vista às ruas mais estreitas num percurso árduo e extenuante.

No norte da cidade, onde se pode chegar ao fim de cerca de meia hora de metropolitano, encontra-se o Mercado de Chatuchak que se realiza todos os fins de semana; não se trata dos tradicionais mercados de comida, mas onde se encontra de tudo um pouco, sobressaindo as pequenas galerias de arte e as lojas com roupa e acessórios de criadores independentes, sendo visitado sobretudo por tailandeses, mas atraindo também muitos turistas que aqui podem encontrar também artigos de artesanato local. O mercado estende-se num intricado e estreito conjunto de ruas ao longo das quais se dispõem os vários stand de venda, ocupando uma vasta área, que pode levar todo o dia a visitar.

A rua  Khao San e a zona envolvente, é o local de eleição para o turismo low-budget, em especial os backpackers, e onde toda a rua está orientada para as necessidade do visitante ocidental, com restaurantes, Mac Donald’s e Sub Way, supermercados, hotéis, agências de viagens, lojas de câmbio, muitos vendedores ambulantes de roupa, comida…. onde se pode tirar fotografias com uma iguana ao ombro, sonde e pode fazer um cartão falsificado de estudante ou de uma qualquer organização, ou mesmo forjar um diploma na hora, onde se pode comprar livremente viagra e valium e outras drogas menos legais, comer escorpiões fritos, fazer uma tattoo ou um piercing, nas dezenas de lojas e estúdios espalhados pela zona, enquanto no intervalo se pode descansar a beber um balde de um litro de cerveja servido por raparigas tailandesas em escassas roupagens.

Este é o ambiente de Khao San, popular entre turistas mas também atração para a população local, onde ao longo do dia a rua se vai enchendo para à noite exibir todo o seu esplendor, com corpos cobertos com pouca roupa, mostrando tatuagens e músculos, e intensos bronzeados trazidos das praias do sul do país… um choque para quem veio de meses de ambiente pudico e recatado do subcontinente indo-indiano.

Ao mesmo tempo Bangkok é uma cidade de templo e de monges, com inúmeras manifestações de devoção, onde a entrada em templos e palácios implica algum decoro na indumentária, com ombros e pernas cobertas.

Rio Chao Phraya
Rio Chao Phraya
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Rio Chao Phraya
Rio Chao Phraya
Mercado de Chatuchak
Mercado de Chatuchak
Bangkok
Restaurante de rua onde dominam os frangos e a carne de porco
Bangkok
Restaurante improvisado numa das ruas centrais de Bangkok
Rio Chao Phraya
Rio Chao Phraya
Khao San
Khao San
Khao San
Khao San
Khao San
I hate Khao San!
Chinatown
Chinatown
Venda de tiras de bacon frito em Chinatown
Venda de tiras de bacon frito em Chinatown
Chinatown
Chinatown
Chinatown
Chinatown
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Bangkok
Flores de lótus vendida à entrada dos templos para serem entregues como oferendas às quais se juntam incensos a arder
Flores de lótus vendidas à entrada dos templos para serem entregues como oferendas às quais se juntam incensos a arder

Apontamentos do Nepal

Nepal vs Índia

Depois de uns meses na Índia, surgem as inevitáveis comparações entre o modo de vida, a cultura e a religião destes dois países vizinhos que à primeira vista muito têm em comum, mas onde um olhar mais atento revela bastantes diferenças: menos conservadores e mais cosmopolitas em especial em Kathmandu e Pokhara, as duas maiores cidades do país, onde não é raro encontrar casais a namorar, e onde a população mais jovem adopta roupa ocidental acompanhando as modas mais recentes, usando cortes de cabelo modernos, vendo-se mesmo rapazes de cabelo comprido, de dread locks, piercings… com as tatuagens a fazerem parte do visual urbano.

Contudo ainda é bastante frequente o uso das roupas tradicionais, como os sahrees e as kurtas, em especial nas mulheres das comunidades hindus. Quanto aos homens é raro encontrar algum que ainda use a tradicional vestimenta nepalesa, constituída por calças justas e túnica, em tecido de algodão branco, sobrepondo-se um colete em fazenda de côr escura. O tradicional chapéu, o topi, é contudo mantido orgulhosamente pela maioria dos homens nepaleses, mas nunca pelos rapazes novos, nem mesmo nas áreas rurais.

No Nepal a mulher tem um papel mais activo na sociedade, muitas falando inglês, mesmo que básico e encontrando-se à frente de negócios, que é notório mesmo nas zonas rurais, onde grande parte do trabalho recai sobre as mulheres acumulando as tarefas domésticas com o trabalho do campo. Nas montanhas, muitas ganham a vida como carregadoras, transportando pesados cestos às costas, apoiados na testa por tiras de pano, que ajudam a equilibrar a carga e distribuir o peso. Às mulheres fica também reservado o trabalho menos qualificado na construção civil, carregando tijolos, areia e cimento nas muitas obras que são uma presença constante nas zonas mais pressionadas pelo turismo.

São claramente um povo mais calmo e mais conhecedor de outras culturas, talvez devido à sua pequena dimensão face aos países vizinhos, e à emigração que dispersou cerca de dois milhões de nepaleses pelo mundo, em especial no médio oriente, onde constituem a principal fonte de mão de obra não qualificada.

É sem duvida um país pobre e menos desenvolvido do que a Índia, com poucos recursos naturais, sem acesso ao mar, com uma orografia difícil. Está assim vulnerável à pressão económica dos dois vizinhos, a China e a Índia, que vão gradualmente inundando o mercado nepalês com os seu produtos, ao mesmo tempo que financiam projectos de desenvolvimento, em especial de estradas que permitem a estes “gigantes” mais facilmente escoarem os seus produtos, não constituindo um incremento significativo nas exportações nepalesas. Num relatório das Nações unidas de 2008, o Nepal ocupava o 145º lugar em termos de desenvolvimento, num total de 153 países.

Nas grandes cidades, em especial Kathmandu, vêm-se pedintes com frequência; geralmente idosos, mulheres e muitas crianças, que insistentemente pedem comida e dinheiro, notando-se também o trabalho infantil, que não é dissimulado e constitui uma realidade para o sustento de muitas famílias.

O turismo, com mais de 500 mil visitantes anuais, é uma das grandes fontes de entrada de dinheiro no país, e emprega uma boa parte da população, mas está sujeito às flutuações da economia, especialmente da europeia, que condiciona o número de visitantes e a quantidade de dinheiro despendida.

Contudo das cerca dos 29 milhões de habitantes que o Nepal actualmente apresenta, cerce de 80% vive da agricultura, verificando-se nos últimos anos um êxodo para as cidades, em especial para o Vale de Kathmandu que entre 1990 e 2010 duplicou a população residente atingindo os 2 milhões de habitantes, contribuindo para agravar os problemas da cidade, em especial o trânsito e a poluição.

O elevado número de emigrantes revela bem a situação económica que o Nepal vive, onde não existe suficiente oferta de emprego, situação que se tende a agravar com o aumento crescente da população com mais de meio milhão de novos habitantes por ano. O aumento da população não é só devido ao aumento da taxa de natalidade, mas também da melhoria das condições sanitárias e de acesso à saúde, que fez descer a mortalidade infantil e aumentar a esperança média de vida, que em 1971 era de 43 anos e que actualmente passou para os 63.

Tudo isto trás consigo a necessidade de mais infraestruturas: estradas, escolas, casas esgotos, abastecimento de água e especialmente de comida, que se torna problemático num país em dominado por montanhas onde a agricultura é difícil e de baixo rendimento, com pouca possibilidade de mecanização, e onde a procura de novas zonas aráveis leva ao aumento da pressão ambiental e à rápida destruição da floresta.

A educação é uma grande aposta do estado, mas mesmo assim a percentagem de literacia ronda actualmente os 58%, valor em 1951, ano em que o país abriu as portas ao exterior rondava os 2%. Por todo o lado vêm-se crianças a irem para escola, com os seus uniformes, mesmo em zonas mais remotas das montanhas; mas por vezes têm que acumular os estudos com tarefas nos campos e o cuidar dos animais, fazendo com que muitos desistam, em especial nas famílias mais pobres.

Para quem avança para estudos superiores, abrem-se poucas perspectivas de emprego, pois o estado é o maior empregador de quadros superiores, e está sujeito às influências políticas, familiares e de castas que encerram a porta a muita gente, sendo a opção de muitos dos jovens as bolsas de estudo, oferecidas por ONG e outras organizações internacionais, que lhes permite irem para o estrangeiro, onde muitas vezes ficam a viver e trabalhar por falta de perspectivas no Nepal.

Há um esforço no aproveitamento hidro-eléctrico dos inúmeros rios que atravessam o país, construído com base em ajuda financeira externa, que permitiria ao Nepal resolver os problemas de abastecimento eléctrico à população, que actualmente obriga a cortes diários, podendo mesmo ser vendida aos países vizinhos passando a constituir fonte de rendimento. Contudo a actividade sísmica que caracteriza a região dos Himalayas juntamente com o clima de monções põem em causa a estabilidade das grande barragens, tendo já ocorrido acidentes.

É de uma forma geral um país mais limpo, onde não se vê com tanta frequência lixo despejado pelas rua… não quer dizer que estejam limpas mas nota-se um maior cuidado em comparação com as cidades indianas, o que também ajuda o facto de não haver praticamente vacas a passear pelas ruas das cidades de Kathmandu ou Pokhara.

Quanto à condução automóvel, também no Neplal se conduz pela esquerda, havendo à semelhança da Índia algum desrespeito pelas regras de circulação automóvel, mas mesmo assim os nepaleses são mais calmos na estrada não praticando uma condução tão agressiva. Mesmo as buzinas dos automóveis, que são poucos e das motas que são um constante nas cidades são uma presença menos intensa e perturbante, com excepção da cidade de Kathmandu, onde a densidade populacional a faz parecer, neste aspecto, com as mais caóticas cidades indiana.

Ao contrário da Índia, dominada pelo críquete, aqui no Nepal o futebol é rei, o que se vê pelos improvisados jogos de rua e pelo conhecimento de jogadores portugueses: Cristiano e Figo são nomes sabidos de cor o que faz do futebol um dos mais fortes factores de divulgação de um país.

Ktahmnadu onde ainda se encontam homens usando a tradicional roupa nepalesa e o topi, o típico chapéu
Ktahmnadu onde ainda se encontam homens usando a tradicional roupa nepalesa e o topi, o típico chapéu
Junto ao templo de Swayambuh, em Kathmandu
Junto ao templo de Swayambuh, em Kathmandu
Mulher carregnado mercadoria em Bandipur
Mulher carregando mercadorias em Bandipur, usando o tradicional lungi, preso à cintura com uma faixa de tecido
Rua de Kathmandu, onde não é raro encontrar graffitis, que convivem com o abundante número de imagens de Buddha
Rua de Kathmandu, onde não é raro encontrar graffitis, que convivem com o abundante número de imagens de Buddha
Cidade de Kathmandu, numa zona mais afastada do centro da cidade, onde são notórios os efeitos do rápido crescimento que a cidade tem registado nos ultímos anos e que não é acompanhado pelo desenvolvimento de infraestruturas, tornado o rio Bishumati, e outros que atravessam a cidade um depósito de lixo e esgoto
Cidade de Kathmandu, numa zona mais afastada do centro da cidade, onde são notórios os efeitos do rápido crescimento que a cidade tem registado nos ultímos anos e que não é acompanhado pelo desenvolvimento de infraestruturas, tornado o rio Bishumati, e outros que atravessam a cidade um depósito de lixo e esgoto

Castas

Uma das coias que o Nepal importou do seu vizinho do sul, trazida pela população indiana, em especial das castas mais altas, os brâmanes, que foi fugindo da ameaça Muçulmana que aos poucos foi ocupando o norte do país, foi o sistema de castas que apesar de ilegal ainda hoje se mentem e que domina fortemente a sociedade e mesmo a economia.

Apesar de ter sido oficialmente abolido em 1964, o sistema de castas é ainda válido no comportamento social dos Nepaleses em especial no que se relaciona com os casamentos; contudo vão-se verificando lentas mudanças existindo actualmente vários casais constituídos por indivíduos de castas diferentes, mas que por vezes não são bem aceites pelas famílias, o que numa sociedade baseada nas relações familiares implica muitas dificuldades.

Os grupos étnicos habitantes das regiões montanhosas, onde a religião hindu não tem grande expressão, não se encaixam nesta organização social sendo maioritariamente influenciados pelo Budismo Tibetano.

 

Numeração e calendário

Para além de pouca coisa estar escrita em caracteres ocidentais, o Nepal tem a sua própria grafia em relação aos algarismos.

No caso das notas o valor facial aparece com os dois tipos de caracteres, assim como por extenso em nepali e em inglês, mas somente numa das faces, o que obriga a quem ainda não está habituado a virar e revirar as notas para ver o seu valor, com a agravante de estarem quase sempre em mau estado, o que dificulta a percepção da côr que as poderia facilmente identificar. Moedas é coisa rara.

Apesar dos Nepaleses adoptarem o calendário internacional, mantêm o seu próprio calendário cujos meses não coincidem exactamente aos que estamos habituados, fazendo com que o ano nepalês seja actualmente de 2070.

Calendário nepalês
Calendário nepalês

 

Tabaco e Alcool

O álcool está bastante difundido pelo Nepal, tanto nas montanhas com a sua tradicional aguardente, o raksi, como por todo o restante território onde abunda a cerveja e as bebidas destiladas, sendo já o alcoolismo um dos principais problema de saúde pública do país. Nas zonas mais turísticas facilmente se encontra vinho oriundo do Chile, Argentina África do Sul, França… e também o vinho nacional: o Hinwa. No bairro mais turístico de Kathmandu, o Thamel, é possível encontrar Mateus Rosé!!!! Somos grandes!

Num país onde o consumo de tabaco é permitido em praticamente todo o lado, nota-se um elevado número de fumadores, que abrange cerca de metade da população.

As mulheres das várias tribos e grupos étnicos que habitam as montanhas na zona do Annapurna, e que se vêm nas cidades vizinhas vendendo os seus produtos agrícolas, são também grandes consumidoras de tabaco, vendo-as nos momentos de pausa para descanso e conversa entre si a desencantarem um cigarro, do meio da longa faixa de tecido com que envolvem a cintura e que ajuda assegurar o lungi, pano longo até aos tornozelos, que enrolam à cintura, e onde sobressaem os padrões florais e geométricos em cores quentes e ocre.

Nos percursos que fiz pelas montanhas, é muito frequente ver homens e mulheres a consumir tabaco de mascar, que retiram de pequenas caixas metálicas, e colocam na boca, depois de amassarem os pedaços na palma da mão.

 

https://steppingoutofbabylon.com/wp/en/2016/09/a-guide-for-snacks-and-street-food-in-kathmandu/

 

https://steppingoutofbabylon.com/wp/en/2016/11/in-search-of-the-best-dal-bhat-in-kathmandu/

 

Sobre Kashmir

Kashmir é o principal ponto de discórdia ente a Índia e o Paquistão, tendo tornado estes dois países inimigos, com inúmeros episódios de guerra, massacres e atentados, tendo até hoje deixado um rasto de sangue de mais de 60.000 vítimas.

A raiz do conflito remonta a 1947, aquando da independência em relação ao Império Britânico, o Marajá de Kashmir, de origem hindu, optou por se juntar ao território Indiano, em detrimento do Paquistão, apesar de noventa por cento dos seus habitantes serem muçulmanos. Desde então tem crescido um sentimento independentista, apoiado pelo Paquistão, que pretende a criação de um novo estado. Os habitantes de Kashmir reclamam uma herança genética, religiosa e cultura Persa, falam uma língua própria, o kashmiri, derivado do persa, com o correspondente alfabeto em caracteres árabes.

O estado de Jammu e Kashmir, faz fronteira com o Paquistão e com a China, na região do Ladakh, com parte do seu território interdito por questões de segurança, chamadas “zonas de controlo”. Culturalmente é dominado pela cultura e religiões muçulmana, com excepção do zona mais a este, que é claramente influenciada pelo Tibete.

Até à cerca de 10 anos esta região era considerada zona de guerra, e apesar de não estar interdita aos visitantes, era fortemente desaconselhada, em especial a turistas estrangeiros.

Hoje em dia, diminuiu consideravelmente a presença militar na cidade de Srinagar, contudo ainda se vêm, nas principais avenidas, nos cruzamentos e junto a edifícios públicos, postos de controle protegidos por sacos de areia, barreiras feitas de arame farpado, carros blindados e grupos de militares fortemente armados.

Aparentemente a situação na cidade é calma, mas nota-se alguma tensão em especial às sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, com o aumento do numero de militares nas zonas mais movimentadas da cidade.

Para mim é bastante estranho estar a caminhar pelas ruas e passar a menos de meio metro de militares vestidos de camuflado, armados com metralhadoras, e protegidos por capacetes e coletes à prova de bala. Acho que nunca tinha estado tão próximo de armas de fogo… vistas de perto até não aparentam serem tão perigosas, se comparar-mos com o que vemos nos filmes, mas por vezes sinto crescer em mim um certo terror que me faz acelerar o passo a afastar-me rapidamente destes locais. Mas estranhamente sinto-me bem nesta cidade.

Recentemente a visita do primeiro-ministro indiano a Srinagar, provocou uma greve-geral, e um onda de protestos e manifestações que culminaram com a morte de cerca de uma dezena de policias, durante confrontos na zona mais antiga da cidade, e onde se localizam as maiores e mais importantes mesquitas. Nas duas noites seguintes houve recolher obrigatório, e mesmo durante o dia fomos aconselhados a não nos afastar-mos muita da zona onde se localiza a nossa guesthouse, que fica junto ao Lago Dal, a meio caminho entre a zona antiga e a parte mais moderna de Srinagar.

Na volta que demos pelas redondezas, no primeiro dia da greve, deparámos com um silêncio invulgar e impensável para uma cidade, e que permitia ouvir o som dos pássaros, em resultado de muitas das ruas principais estarem encerradas ao trânsito como medida de segurança.

Para agravar as coisas, a chegada do primeiro ministro, de religião sikh, coincidiu com as celebrações do inicio da quinzena, que antecede o Ramadão, e que reuniu milhares de pessoas nas inúmeras mesquitas, ao fim doa dia, enquanto pelos altifalantes o som das orações e dos versos do Alcorão se espalhavam por toda a cidade de Srinagar, prolongando-se pela noite dentro, terminado muito depois da meia-noite.

 Estranhamente o dia-a-dia em Srinagar, decorre sem grandes sobressaltos totalmente alheio a todo este aparato militar, com a habitual confusão de trânsito de uma cidade indiana comandada pelo som das buzinas, com o frenético movimentos de pessoas, os vendedores de frutas e legumes à beira da estrada, as crianças a caminho da escola envergando os seus uniformes, as mulheres de cabeça coberta fazendo compras ou lavando a roupa no lago, as vozes dos ajudantes de motorista repetindo o destino do autocarro cada vez que chega a uma paragem, as galinhas engaioladas à espera do seu fim, os carneiros pendurados nos talhos… e o sempre presente som dos “mullah” entoando cânticos e convocando os crentes para as orações, que se repetem cinco vezes durante o dia.

Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Sinagar
Sinagar
Mausoléu Hazratbal
Mausoléu Hazratbal
Sinagar
Sinagar
Srinagar. Lago Dal
Srinagar. Lago Dal

Ladakh. Mosteiro de Lamayuru

O mosteiro de Lamayuru, que domina a colina onde se estende a pequena povoação com o mesmo nome, é dos mais antigos da região, datando do século IX e X. Para além do valor histórico, apresentava o atractivo de nos dias seguintes se realizar o festival anula de máscaras executado, pelo monges no interior do mosteiro.

Mais uma vez, optámos pelos transportes públicos para percorrer os cerca de 150 quilómetros que separam Leh de Lamayuru, e que nos levou 4 horas, pois mais uma vez tivemos que cruzar um dos passos a grande altitude. Parámos na povoação de Kaltse, para descansar e tomar um “chai” o que me levou a reparar nos pósteres que decoravam algumas lojas e restaurantes: em vez da habitual fotografia do Dalai Lama que se encontra por todo o lado em Leh e em outas zonas que visitamos do Ladakh, aqui aparece a imagem do Ayatola Komeni, o que representa bem a diversidade de culturas, e em particular de religiões, que existentes Índia.

Chegámos pelas 9 horas ao mosteiro, onde já decorria o festival, num recinto ao ar livre, onde se encontravam monges entoando cânticos e tocando tambores, enquanto no meio do recinto desfilavam outros monges envergando trajes de cerimónia com altos chapéus, transportando pesadas trompas metálicas, acompanhados por outros que executavam danças enquanto tocavam gongos.

Durante toda a manhã foram desfilando monges envergando diversos trajes, feitos com ricos materiais, e máscaras de madeira representando imagens alusivas à Roda da Vida, como por exemplo o porco e o Yamantaka, o Senhor da Morte, cujo rosto diabólico é encimado com figuras de caveiras, empunhando espadas e machados.

A assistência que inicialmente não era muita foi durante a manhã aumentando, em especial no numero de turistas indianos e estrangeiros. Um pouco à parte do frenesim das máquinas fotográficas, encontravam-se os habitantes do Ladakh, envergando as roupas tradicionais e girando continuamente a roda de orações.

Nos intervalos, monges vestidos de forma descuidada e com máscaras  de pele avermelhada e cabelos e barbas brancas, comportavam-se como diabretes, enquanto animadamente incentivavam a assistência a fazer donativos, que eram atirados para um lenço branco e recebidos com muita euforia e animação.

Muito do que se passou no recinto escapou ao nosso entendimento e interpretação pois todo o simbolismo destas danças, objectos, gestos e rituais está intimamente associado à religião budista e à cultura Tibetana e do Ladakh, não tendo por isso deixado de ser muito interessante e surpreendente.

Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru

O Ladakh, apresenta a maior concentração de mosteiros tibetanos, sendo o de Lamayuru o mais antigo. Aproveitámos o intervalo para almoço do festival, para irmos visitar o mosteiro, que suplantou o que tínhamos visto dias anteriores em Thikse, não só pelos conjunto de edifícios como pela enorme quantidade de stupas e rodas de orações que encontramos ao percorrermos os labirínticos existentes entre as várias construções e templos.

Enquanto apreciávamos a paisagem árida e desértica, pontuada ocasionalmente por manchas de verde, chegou até nós o som dos cânticos budistas, que fomos seguindo até entrar-mos num dos vários templos do mosteiro, onde vários monges entoavam orações ao som do hipnótico ritmo dos tambores, envoltos na penumbra. Demorámo-nos neste espaço ao mesmo tempo estranho e cativante, embalados pelo som dos cânticos, ao mesmo tempo que assistíamos às prostrações executadas pelo fiéis que prestavam homenagem às três stupas ricamente executadas em prata e adornadas de pedras preciosas, contendo relíquias de algum monge ou outra figura importante da religião budista.

Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru

Depois de um almoço numa das guesthouses de Lamayuru, onde as opções variavam entre o arroz com lentilhas e massa salteada com vegetais, dirigimo-nos para Kaltse, num táxi partilhado, uma das formas de transporte existentes nesta zona, que consiste num carrinha pequena, com cerca de sete lugares, que faz um percurso fixo entre duas povoações, sem ter locais especifico para parar nem tão pouco horário certo… passa quando passa.

Em Kaltse, contávamos apanhar um autocarro de volta para Leh, mas uma paragem no posto de policia existente uns quilómetros antes, onde tivemos que apresentar os passaportes e preencher o livro de registos, atrasou-nos e fez com que perdêssemos o últimos autocarro. Restou-nos esperar pacientemente, juntamente com um rapaz indiano que estava na mesma situação que nós, pela passagem de algum táxi ou outro veículo turístico que nos levasse ao nosso destino. As horas foram passando, enquanto o optimismo ia esmorecendo e o cansaço se instalava, fazendo com que a possibilidade de sair de Kaltse nesse dia se tornasse mais remota.

Um pouco em desespero dirigi-me a um mini-bus para saber se tinham lugar para nós, mas só mais tarde, quando finalmente tivemos a confirmação que nos podiam transportar para Leh, é que nos apercebemos que estávamos num veículo alugado por uma família indiana, de Mumbai, que andava em turismo pelo norte da Índia. Foram extremamente simpáticos e bastante curiosos sobre o nosso país e o nosso modo de vida, tendo partilhado connosco alguma da comida caseira que transportavam na viagem. Para nós foi bastante interessante poder saber mais alguma coisa sobre a sociedade indiana, em especial vista da perspectiva de uma família com uma confortável situação económica, bastante viajados, com filhos na faculdade e com dinheiro para fazerem férias.

No fim da viagem à chegada a Leh, perguntaram-nos onde era o nosso resort…. resort… bem… respondemos que estávamos alojados numa guesthouse mas omitimos que nem sequer tinha água quente corrente; acho que não iriam compreender que os “ricos” europeus venham para a Índia fazer vida de pobres, a dormir em hotéis baratos e a andar em transportes públicos J

Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Junto à Montanha Magnética
Junto à Montanha Magnética
Paragem na viagem de regresso a Leh para "ver" a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis... não tivemos provas
Paragem na viagem de regresso a Leh para “ver” a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis… não tivemos provas

Estas paragens para registo junto da policia são frequentes por todo o estado de Jammu e Kashmir, dada a proximidade com as fronteiras da China e do Paquistão, com que a Índia tem uma história recente de confrontos e guerras. Pelo mesmo motivo os telemóveis  não têm acesso às redes internacionais nem mesmo às indianas. A presença policial e militar nesta zona é muito mais evidente do que nos locais por onde temos passado, sendo frequente haver postos de controlo nas estradas principais da região.

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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