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Stepping Out Of Babylon

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Stepping out of Babylon

Kohima e o exotismo dos mercados

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Definitivamente Kohima sobressaiu pelos mercados, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia de Nagaland, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia. Aqui também se podem encontrar os famosos Naga Chilli, consideradas as malaguetas mais picantes do mundo

Quanto aos vegetais, encontra-se nos mercados uma mistura de produtos tropicais, como a flor de bananeira, e os que vêm das montanhas como os cogumelos e o bambu; pelo meio encontra-se uma grande variedade de vegetais, muitos dos quais totalmente desconhecidos dos paladares europeus, e que tão pouco se encontram por outras zonas da Índia.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Kohima é a capital de Nagaland, e como é costume neste estado do Nordeste da Índia, todas as cidades localizam-se em zonas de montanha, preferencialmente no cume, estendendo-se pelas encostas ao longo de estradas, numa malha sinuosa e íngreme, que pouco convida a caminhadas. Uma chuva esporádica e um céu cinzento constante pintaram de cores escuras esta cidade de betão e telhados metálicos que poucos atractivos apresenta. Contudo esta cidade pode ser um bom ponto de partida para conhecer a cultura das tribos de Nagaland, e torna-se bastante popular em termos de turismo durante o festival Hornbill que serve de mostra da cultura local.

Como qualquer viagem em Nagaland implica um elevado nível de esforço, mental e físico, pelo desconforto e pela duração das viagens, Kohima apresentou-se como ponto de paragem quase obrigatório no itinerário entre Mon-Mokokchung-Guwahati.

Kohima
Kohima
Kohima
Kohima

Sendo escassos os motivos de interesse, onde evitei sem esforço o popular War Cemetery e o State Museum of Kohima, o que sobressaiu foram os mercados, em especial o Mao Market… aparentemente não há qualquer relação entre este local e o líder do Partido Comunista Chinês. Neste mercado, situado num pequeno edifício de betão vendem-se produtos alimentares usados na cozinha de Nagaland, mas que não são tão frequentes de encontrar nas lojas do cidade, como os vermes e as rãs que aqui são vendidos vivos… e em intensa actividade para escaparem dos recipientes onde são mantidos cativos.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima
Market. Kohima
Market. Kohima
Market. Kohima
Market. Kohima

Mas perto deste pequeno mercado estende-se um outro mercado… ou melhor outros mercados, numa sequência de edifícios construídos em madeira cobertos de chapa metálica ondulada, onde por estreitos e labirínticos corredores e escadas se passa da zona de venda de roupa, para a zona de alimentos, sendo fácil perder o sentido de orientação, obrigando a alguma persistência para encontrar uma saída… onde nada garante que seja o mesmo local de entrada!

Market. Kohima
Market. Kohima

Mas neste mercado, descendo para zonas mais escuras e menos movimentadas somos surpreendidos por um cheiro pesado e repugnante, numa mistura de sangue e dejectos. É a zona onde se vendem e abatem animais, e onde galinhas e patos aguardam pela sua vez, sob a luz amarelada das fracas lâmpadas que iluminam o local, onde se sente o pesado cheiro a morte.

Market. Kohima
Market. Kohima

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Como chegar ao Mao Market:

Junto ao cruzamento da Midland Colony, existe uma paragem onde passam os autocarros que passam junto ao Mao Market, perto do Sokhriezie Junction, na Kohima-Imphal Road. Mas basta perguntar ao cobrador de bilhetes do autocarro que toda a gente conhece o local; a viagem custa 10 rupias, e demora cerca de 15 minutos.

Mao Market. Kohima
Mao Market. Kohima

Onde dormir em Kohima:

Fugindo ao ambiente anónimo e aos desérticos e sinistros hotéis, Kohima surpreendeu com o Morung Lodge, uma descoberta casual quando andava em busca do Hotel Pine, em Midland Colony. Morung Lodge é uma verdadeira guest house, onde se sente o ambiente familiar e o conforto proporcionado por um ambiente com personalidade.

Morung Lodge

Address: Midland Colony (logo a seguir ao Hotel Pine).

Contacts: 985 634 3037 (Nino) ou 841 481 4214 (Amen)

Email: nino@explorenagaland.com

Wi-fi: 100 rupes/day

Veg dinner: 200 rupes

Morung Lodge. Kohima
Morung Lodge. Kohima
Morung Lodge Contacts. Kohima
Morung Lodge Contacts. Kohima

Onde comer em Kohima:

Sendo a gastronomia de Nagaland fortemente dominada pela carne, as refeições ficaram-se mais pelo monótono arroz com caril (localmente denominado de rice) ou por um Chow Mein, lembrando-nos quão perto estamos da Ásia.

Em Kohima é uma boa oportunidade de experimentar a comida de Nagaland (Naga food) existindo alguns restaurantes especializados, mas onde é impossível encontrar comida vegetariana… quanto muito um chow mein!

Apesar da forte influência da cultura gastronómica asiática, é possível encontrar um pouco por todo o lado os snacks indianos, como os puris e as samosas. Em Midland Colony, na Kohima-Mokokchung Road, muito perto do Morung Lodge, o Hotel Taste serve desde as 6 a.m. deliciosas samosas (chamuças) que podem ser acompanhadas com chai (chá com leite) cujo sabor adocicado não combina bem para o meu paladar, mas que é uma escolha popular entre a população local como primeira refeição do dia.

Também na mesma zona, junto ao cruzamento principal da Midland Colony (perto da Ao Baptist Church) encontram-se alguns restaurantes que servem um razoável rice (arroz com caril de vegetais e dal) por 80 rupias.

Transportes em Kohima:

A cidade de Kohima, mostra-se pouco convidativa a caminhadas a pé, pois este centro urbano estende-se por uma grande área, ao longo de estradas de intenso tráfego e onde não existem propriamente infraestruturas para peões.

Para distâncias mais longas, existem autocarros urbanos que percorrem a cidade, os City Bus. Uma viagem custa cerca de 10 rupias.

Kohima
Kohima

Como ir de Kohima para Dimapur:

Do terminal de autocarros da NST partem por volta das 7 a.m., um autocarro para Dimapur; mas o horário de partida não é certo, e o autocarro só inicia o percurso quando está cheio, de acordo com informações da bilheteira. Contudo nesta viagem começou com cerca de 2/3 dos passageiros por volta das 7.20 a.m. Os autocarros da NST (Nagaland State Transport) encontram-se em muito mau estado, sujos e com os alguns dos bancos partidos, em especial os que fazem os percursos mais curtos, como é o caso de Kohima-Dimapur.

  • Bus de Kohima para Dimapur: 120 rupias (3 horas)

Mesmo junto ao terminal de autocarros encontra-se uma paragem e táxis facilmente identificável pela concentração de veículos de cor amarela. A viagem em shared-taxi custa 220 rupias e demora 2.5 horas. Os táxis não têm horário fixo e partem assim que estão cheios (o que de manhã não demora muito), funcionando desde as 6 da manhã até ao fim do dia.

A estrada entre Kohima e Dimapur é essencialmente de montanhas, com o ultimo terço do percurso já a ser feito nas planícies de Assam. A estrada tem boas condições de pavimento mas tem troços em obras e outros em muito mau estado o que torna a viagem cansativa, cheia de solavancos.

NTC bus schedule from Kohima
NTC bus schedule from Kohima

Mokokchung… e o aborrecido Domingo!

De Mokokchung podemos resumir que é uma cidade banal e aborrecida. Mas ao mesmo tempo tem tudo para ser agradável: organizada, limpa, calma e com uma localização que oferecem uma vista ampla para as montanhas cobertas de verde que rodeiam esta cidade que constitui o centro da cultura da tribo Ao, um dos vários grupos étnicos que constituí o estado de Nagaland, no Nordeste da Índia.

Mokokchung
Mokokchung

Tendo começado o itinerário em Nagaland pelo norte do estado, pela cidade Mon, Mokokchung surgiu no mapa como um ponto de paragem intermédio na viagem até Kohima, cujas características montanhosas obrigam sempre a longas viagens. Mas para minha surpresa, não existe nenhuma estrada transitável a ligar Mon a Mokokchung dentro do estado de Nagaland, sendo necessário descer até ao vizinho estado de Assam, aproveitando as suas estradas planas e em razoável estado de conservação, para depois entrar novamente em Nagaland em direção a Mokokchung ou Kohima.

Mas depois da aridez humana e da rude paisagem da região de Mon, que deixaram uma intensa e pouco agradável memória da estadia em Mon, a entrada novamente em Nagaland, desta vez na região da tribo Ao, étnica e culturalmente diferentes dos Konyak, mostrou outra face deste estado.

Logo no inicio, passando pela aldeia de Tuli, somos recebidos pelas coloridas flores que enfeitam vasos e jardins à entradas das casas, assim como canteiros que parecem surgir espontaneamente à beira da estrada. Casa cuja construção em madeira e bambu está impecavelmente cuidada, pintadas em tons suaves que combinam com a paisagem. Uma paisagem também montanhosa mas mais “macia” e de um verde mais brilhante e fresco… como se por aqui houvesse mais gosto pela vida!

Uma população mais afável, muito curiosa, e disposta a fazer um pouco de conversa, para “conhecer” quem vem de tão longe visitar estas paragens, onde o inglês é “língua franca” em que a maioria das pessoas é capaz de comunicar, o que denota a importância dada à educação, que é evidente em Nagaland assim como em Magalahya.

Mokokchung
produtos à venda no pequeno mercado de Mokokchung

Mokokchung
Mokokchung

Mokokchung em si, pouco interesse desperta, sendo necessário visitar as aldeias vizinhas para entrar em contacto com a cultura Ao. Mas não havendo transportes públicos para estas pequenas localidades pouco houve a fazer em Mokokchung, para além de descansar de intensas e longas viagens. Sendo Nagaland, como alguns dos estados vizinhos, fortemente cristã, resultado dos missionário que chegaram por volta do século IX, o Domingo é escrupulosamente respeitado como dia de descanso, onde todo o comércio e serviços se encontram fechados. E aqui “todos” significa mesmo todos, pois não há nenhuma loja ou sequer restaurante aberto em toda a cidade; como táxis, sumos e autocarros também não funcionam, sendo a única coisa aberta as igrejas correspondentes às diversas correntes do cristianismo.

Esta particularidade fez com que a minha estadia em Mokokchung se tenha estendido por dois dias, em que o Domingo foi passado dentro do hotel, incluindo as refeições, pois nem os restaurantes de Hindus funcionam aos Domingos!!!

Mokokchung
Mokokchung

Mokokchung
Mokokchung

Onde dormir em Mokokchung:

Mokokchung não está ainda preparada com guest houses ou outro tipo de alojamento para backpackers. Os “hostels” assinalados são residências de longa duração para estudantes de outras localidades, e não alugam quartos.

Contudo, dois dos hotéis da cidade têm dormitórios, ou seja, quartos com várias camas. Os dormitórios são mistos, o que pode criar obstáculos a mulheres quando algumas camas estão já ocupadas por homens.

O Hotel Metsuben e o Whispwring Winds, são formais hotéis, com as habitais infraestruturas e serviços, mas onde os preços são pouco simpáticos para backpacker, mas onde uma cama num dormitório custa entre 300 a 350 rupias.

  • Whispering Winds: http://www.whisperingwinds.co.in/
Whispering Winds. contacts. Mokokchung
Whispering Winds. contacts. Mokokchung
  • Hotel Metsuben: https://www.facebook.com/hotelmetsuben

 

Hotel Metsuben. contacts. Mokokchung
Hotel Metsuben. contacts. Mokokchung

 

Hotel Metsuben. rates. Mokokchung
Hotel Metsuben. rates. Mokokchung

 

Ambos situam-se fora do centro da cidade, mas a uma distância razoável para ser feira a pé. A escolha foi para o Whispering Winds, situado no topo de uma das colinas, no lado oposto ao Hotel Metsuben.

Onde comer em Mokokchung:

Mokokchung não sobressaiu pela comida, encontrando-se ao longo da I.M. Road vários cafés que servem parathas, samosas e mais alguns snacks. Aqui começa-se a notar alguma influência da cultura indiana, podendo mesmo encontrar-se lassi.

Na I.M. Road, por cima do “Amigo’s Restaurant”, encontra-se o “The Restaurant” que num ambiente agradável a acolhedor serve desde comida indiana (arroz com caril) a comida asiática (chow mein, noodles, etc…).

Mokokchung
Mokokchung

Transportes em Mokokchung:

A cidade apesar da forte inclinação das ruas, que implica subir e descer ruas numa espécie de zig-zag, é possível de ser feita a pé. Contudo existem autocarros a percorrer as estradas principais, identificados como City Ride, que facilitam as deslocações. O percurso do centro até perto do hotel Whispering Winds custa 10 rupias.

"police circle" o centro da cidade de Mokokchung
“police circle” o centro da cidade de Mokokchung

Como chegar a Mokokchung:

Devido ao mau estado das estradas de Nagaland, em parte pela falta de investimento e manutenção, e em parte pela sinuosa orografia, não existe uma estrada que ligue directamente Mon a Mokokchung.

Assim, de Mon é necessário ir até Sonai, em Assam, passar por Simaluguri, e em Amguri entrar novamente em Nagaland, passando por Tuli. De Tuli são mais 4 horas de estrada de montanha até Mokokchung.

De Mon existe diariamente (excepto Domingos), pelas 6 am, um serviço de sumo para Mokokchung. É necessário reservar com antecedência (Travel Link). Os sumos têm um terminal específico em Mokokchung, perto do mercado, que fica a uma distância razoável de ser feita a pé até ao centro da cidade, local onde se encontra o terminal de bus da NTC (Nagaland Transport Corporation).

  • sumo de Mon para Mokokchung: 650 rupias (8 horas)
venda de bilhetes para os sumos para Mon. Mokokchung
venda de bilhetes para os sumos para Mon. Mokokchung

Como ir de Mokokchung para Kohima ou Dimapur:

Mokokchung tem uma grande oferta em termos de transportes públicos.

No centro da cidade, Police Circle, encontra-se o terminal de autocarros da NTC (Nagaland Transport Corporation). Com ligações a Guwahati, Dimapur e Kohima.

Para outros destinos, como Mon, é necessário recorrer aos sumo, que partem de um pequeno terminal perto do mercado de frescos.

As ligações com Dimapur e Kohima estão também asseguradas por sumo, existindo no inicio da IM Road, perto do Police Circle, várias empresas com estes serviços.

  • public bus de Mokokchung para Kohima: 220 rupees

parte às 6 a.m. (8 horas de viagem)

  • sumo Mokokchung to Kohima: 430 rupees

6 a.m e 10 a.m. (6 horas de viagem)

  • sumo de Mokokchung para Dimapur (night service): parte às 4.30 p.m e chega perto das 5 a.m.

horários dos sumos. Mokokchung
horários dos sumos. Mokokchung

altitude: 1325

população: 35.913

Mon… na terra dos Nagas

Mon recebeu-me com uma violenta tempestade que surgiu inesperadamente depois do pôr-do-sol, num dia em que o azul tinha dominado o céu e nada fazia prever tão brusca alteração climatérica que trouxe consigo um desconfortável frio.

Uma pequena cidade que se localiza no topo de umas quantas colinas e se vai derramando pelas suas encostas, acompanhado ruas e estradas sinuosas. Uma cidade feita de construções de betão e telhados de chapa metálica. Mon parece envolta num manto baço e cinzento, onde a luz difusa do chuvoso dia cria uma atmosfera triste e deprimente, fazendo esmorecer o entusiasmo de qualquer visitante.

Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland

Nas montanhas que envolvem a cidade e que constituem uma barreira intransponível no horizonte, o denso verde da floresta contrasta com este melancólico cenário. Mas em alguns locais nota-se a pesada mão-humana, onde grandes áreas de florestas foram totalmente dizimadas, deixando exposto o solo castanho acinzentado que transmite um imenso sentimento de desolação.

montanhas que rodeiam a cidade de Mon. Nagaland
montanhas que rodeiam a cidade de Mon. Nagaland
Montanhas em volta da cidade de Mon, sujeitas a intensa desflorestação que deixam o solo exposto À erosão. Mon. Nagaland
Montanhas em volta da cidade de Mon, sujeitas a intensa desflorestação que deixam o solo exposto à erosão. Mon. Nagaland

As montanhas de Nagaland reúnem um conjunto de várias tribos e grupos étnicos, que se podem contar em cerca de 16, e que sob o domínio Britânico se viram grupadas no que actualmente Índia e a Birmânia. Contudo estas fronteira modernas não olharam para a especificidades étnicas e culturais destas populações, o que levou que conflictos e a acções violentas que duraram até 2013. Mon é o centro da tribo Konyak cujo território se estende também à Birmânia, e cujas características físicas e os rostos mongóis nos remetem claramente para os povos asiáticos.

A densa cadeia montanhosa que desde séculos abrigou estas tribos Naga permitiu que estas populações se mantivessem afastadas da cultura, língua e religião indiana, mantendo até aos dias de hoje uma língua própria, cuja escrita é curiosamente em caracteres latinos. Foi também resultado deste isolamento que mantiveram as suas praticas religiosas ligadas ao animismo, sendo somente destruído pela chegada dos missionários no século IX que trouxeram o cristianismo a estas paragens.

Mas apesar desta influencia, os Konyak, mantiveram vivas as suas tradições, sendo famosos e temidos head hunter (caçadores de cabeças) onde cabeças de guerreiros de tribos inimigas eram pendurados nas Morong (casas comunitárias) como troféus depois de cada luta. Mas desta tradição nada resta com os crânios humanos substituídos por crânios de animais na decoração das Morong, mas o que ainda não desapareceu foram as tatuagens que muitos homens ainda exibem no rosto, e que se estendem ao pescoço, mostrando que foram bem sucedidos como head hunters. Estas tatuagens assim como as orelhas furadas, de onde pendem chifres de animais, e os colares de contas coloridas, decorados com imagens de rostos esculpidos em bronze indicando o número de cabeças conquistadas, continuam a ser usados por alguns dos homens desta tribo. Mas somente entre os mais velhos se vêm ainda as famosas tatuagens destes guerreiros, pois estão cada vez mais distantes os tempos de lutas tribais.

Konyak tribe. Mon. Nagaland
Konyak tribe. Mon. Nagaland

Um corte de electricidade deixou Mon Town às escuras durante os dois dias em que aí permaneci, e como no Nordeste da Índia a noite chega cedo, não há muito a fazer em Mon do que jantar e rumar ao quarto antes das 5 da tarde, numa guest house sinistramente vazia, situada no topo de um edifício totalmente abandonado durante a noite, onde eu era a única presença humana. Pelas nove horas da noite, sem electricidade e sem companhia, o sono instala-se suavemente, enquanto lá fora, na quase total escuridão somente interrompida pelo clarão dos faróis de algum carro que passa, Mon mostra-se hostil e sinistra.

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produtos à venda nas ruas de Mon, onde se incluem ratos e larva. Nagaland
Mon Town. Nagaland
Zona comercial da cidade de Mon Town. Nagaland

De dia Mon ganha um certo dinamismo em especial nas ruas onde se concentra a maior parte do comércio, mas mesmo assim não se consegue afastar o sentimento de pobreza que domina a cidade. Uma pobreza não visível nas casas ou nas pessoas ou na forma de vestirem, por sinal a juventude veste de forma muito ocidentalizada e moderna, mas no aspecto das lojas, nos artigos que vendem, na pouca oferta de produtos, na escassa diversidade de alimentos vendidos na lojas e nos mercados de rua, na desinteressante e monótona comida… uma pobreza resultante mais do isolamento a que esta população está sujeita, onde o único acesso a Mon tem que ser feito por uma estrada não pavimentada, onde 65 km demoram, pelo menos, 3 horas a ser percorridos, e onde não há estradas transitáveis a ligar Mon às outras cidades do estado de Nagaland. É talvez este isolamento e as árduas condições que tornam a vida difícil em Mon, donde resultam pessoas de rosto dura e fechado, de onde dificilmente se recebe um sorriso.

Mon Town. Nagaland
Mon Town. Nagaland

Onde dormir em Mon:

Paramout Guest House: localizada por cima do State Bank of India (também conhecido por SBI), a menos de 5 minutos do local onde terminam os sumos. Quarto duplo por 1000 rupias mas que pode ser negociado até 800 rupias, pois o local encontra-se vazio a maior parte do ano com excepção do Aoling Festival.

Paramout Guest House contact: 9612170232; 08257811627

O quarto é pequeno mas confortável e limpo, com casa-de-banho e alguma mobília, mas existem vários tipos de quartos com maior área. Curiosamente os seis quartos existentes no ultimo andar deste prédio têm uma estranha numeração de 9 a 235, saltando por 170, 210, 75, 215… que mais tarde se descobre serem o número gravado em cada uma das chaves!!!!

Paramaunt Guest house. Mon. Nagaland
Paramaunt Guest house. Mon. Nagaland

Mesmo ao lado direito do edifício do State Bank of India fica o Sunrise Hotel funciona basicamente como restaurante, mas também tem quartos, mais modestos do que a vizinha guest house, e com casa-de-banho partilhada, por 500 rupias. O Sunrise Hotel tem somente dois quartos, mas qualquer um deles com mais de duas camas; a casa de banho é no exterior do edifício, e tem fracas condições.

Sun Rise Hotel. Mon. Nagaland
Sun Rise Hotel. Mon. Nagaland

A Paramout Guest House e o Sunrise Hotel são os únicos alojamentos no centro de Mon, contudo existe a Helsa Cottage que tem melhores quartos por 1500 rupias, mas fica um pouco mais afastado.

Onde comer em Mon:

Mon está longe de ser atractiva em termos de comida, encontrando-se pouco restaurantes. Durante o dia pelas ruas principais da cidade encontram-se restaurantes, dificilmente localizáveis, pois não têm qualquer indicação, mas a porta coberta por uma cortina serve para anunciar que ali se servem refeições, basicamente arroz com dal e caril, localmente conhecida por “rice”. Sendo uma zona montanhosa a carne é presença constante mas pode-se sempre pedir o “rice” em versão vegetariana. Em geral esta refeição, que dá direito a um “refill” não custa mais do que 50 rupias, contudo é nutricionalmente e pobre pois os vegetais resumem-se a batata a umas quantas ervilhas-amarelas, e o caril de lentilhas (dal) é bastante aguado.

Em termos de street-food, Mon não tem muito para oferecer, para além de samosas (chamussas) e outros snacks de massa frita e excessivamente oleosa, confecionados e vendidos em muito más condições de higiene.

Basicamente pode-se dizer que Mon é uma desilusão em termos gastronómicos a avaliar pelo que está disponível em restaurantes e bancas de rua.

A Paramout Guest House prepara refeições sob encomenda e que podem ser servidas no quarto ou na sala de refeições, sendo contudo necessário encomendar com antecedência (arroz com dal e curry: 100 rupias). Ao lado fica o Sun Rise Hotel com restaurante que serve arroz, dal e vegetais desde manhã por 40 rupias.

Um pouco pelas ruas do centro de Mon, em especial na Market Street, a zona comercial da cidade, encontram-se vários pequenos e discretos restaurantes que servem puris, samosas ou arroz com caril. Dois puris com uma taça sabji (caril de batata e ervilhas-amarelas) custa 10 rupias.

street food em Mon Town. Nagaland
street food em Mon Town. Nagaland

Transportes em Mon:

Em Mon tem autocarros públicos de horário incerto, sendo difícil obter informações sobre o seu destino. Os autocarros privados destinam-se a Dimapur e Kohima. O meio de transporte local são os sumos e os shared-taxis.

Alugar um táxi para Longwa custa 2500 rupias, ida e volta.

O sumo para Longwa custa 220 rupias e parte de manhã pelas 6 a.m. ou à tarde pelas 1 p.m. É necessário reservar bilhete com antecedência de pelo menos um dia. O bilhete é vendido numa mercearia um pouco abaoixo do Police Circle, na estrada que liga Mon a Sonari.

Um táxi para Mon Village (a cerca de 5 quilómetros) custa 800 rupias; não há sumos ou táxis partilhados para este percurso.

Domingos não há qualquer tipo de transportes em Nagaland… não há nem bus, nem sumo, nem táxis.

autocarro publico. Mon Town. Nagaland
autocarro publico. Mon Town. Nagaland

Como chegar a Mon:

E maneira mais rápida de chegar a Mon é partindo do vizinho estado de Assam, da cidade de Sonari. De Sonari partem sumos que fazem a penosa viagem até Mon, que demora 3 horas por uma estrada de terra-batida, em muito mau estado, onde parte do percurso é em montanha.

Estando em Nagaland somente existem duas hipóteses para chegar a Mon: de Dimapur ou Kohima. Destas cidades partem autocarros privados e sumos para Mon, mas que passam sempre por Assam e pela cidade de Sonari.

Como ir de Mon para Mokokchung:

Para sair de Mon há somente uma estrada que liga a Sonari, no estado vizinho de Assam; assim para viajar entre Mon e qualquer outra cidade de Nagaland, como por exemplo Mokokchung, é sempre necessário passar por Sonari e pelas estradas do estado de Assam, que mesmo não sendo muito boas são planas e pavimentadas.

  • “sumo” de Sonari para Mon: 200 rupias (3 horas)
  • “sumo” de Mon para Mokokchung: 650 rupias (8 horas)

Em Mon somente uma das empresas têm sumos para Mokokchung, a Link Network, com os sumos a partirem pelas 6.30 a.m, de segunda a sábado.

Para qualquer viagem a partir de Mon, seja para Kohima, Dimapur, Sonari ou Mokokchung, é necessário reservar bilhete com pelo menos um dia de antecedência, e quanto mais cedo melhor para se poder escolher um dos lugares da frente, pois o ultima fila de bancos é extremamente desconfortável para tão longa viagem. Seja qual for o destino os sumo partem todos de manhã bem cedo pela 6 horas.

empresa que faz a ligação de Mon para Mokochung. Mon. Nagaland
empresa de “sumo” que faz a ligação de Mon para Mokochung. Mon. Nagaland

Como ir de Mon para Longwoa:

Os 35 quilómetros que separam Mon de Longwoa não são fáceis de vencer, os meios de transporte são escassos. Não há autocarros e a única solução em termos de transportes colectivos são os sumos, que partem duas vezes ao dia: 7 a.m. e 2 p.m. Com a escassez de transportes é necessário reservar bilhete com o mínimo de um dia de antecedência.

A viagem demora mais de uma hora.

Estes sumos não partem do mesmo sitio dos outros com destino a Kohima, Dimapur, etc… mas sim da estrada que “desce” da police circle (uma rotunda onde por vezes está um policia a comandar o tráfego). Os sumo estacionam em frente a uma mercearia, que é o local onde também se vendem os bilhetes.

  • sumo: 220 rupias (one way)
  • táxi: 2500 rupias (rented for one day)

Mon Festival:

Aoling Festival: Anualmente de 1 a 6 de Abril

Durante o festival, uma mostra da cultura Konyak, e mesmo uns dias antes a cidade de Mon começa a receber mais visitantes o que faz encher os poucos hotéis e faz disparar o preço dos quartos.

É recomendável reservas com antecedência caso se queira permanecer em Mon durante o festival.

Internet em Mon:

Não existe nenhum posto de internet em Mon e nem o Paramout Guest House ou Sunrise Hotel têm internet ou wi-fi.

Mesmo ao lado da entrada do State Bank of India, encontra-se um corredor com lojas, onde a primeira loja do lado esquerdo, de cópias e impressões, que tem internet (quando há sinal).

ATM em Mon:

Existe somente um ATM em Mon, no State Bank of India, onde as pessoas se alinham para poder levantar dinheiro, pois nem sempre está disponível ou a funcionar.

Existem frequentes cortes de energia em Mon, que afetam o funcionamento do ATM.

Assim é recomendável trazer dinheiro suficiente para a estada prevista, pois também não existem lojas de câmbio.

State Bank of India. Mon Town. Nagaland
State Bank of India. Mon Town. Nagaland

 

 

altitude: 655 m

população: 16.120

Das planícies de Assam para as montanhas de Nagaland… de Majuli para Mon

É dia de deixar a quietude de Majuli e as planícies de Assam para rumar à montanhosa e exigente Nagaland. Com o nascer do sol foi tempo para sair da cama e preparar a partida da ilha de Majuli, com os campos ainda envoltos numa fina neblina. O primeiro ferryboat a deixar a ilha parte às 7 da manhã, mas para lá chegar é preciso esperar à beira da estrada por um dos apinhados autocarros que se dirigem ao improvisado cais, que se vê obrigado a mudar de localização ao sabor das subidas e descidas das águas do rio Brahmaputra.

Ferry boat Pier at Majuli Island. Assam
Ferry boat Pier at Majuli Island. Assam
Ferry boat Pier at Majuli Island. Assam
Ferry boat Pier at Majuli Island. Assam

A viagem de barco é tranquila e a paisagem monótona convida ao sono, mas assim que desembarcamos em Nimati Gaht, espera-nos o alvoroço provocado pelos condutores de tempos, que apressadamente tentam colocar o maior numero de passageiros no seu veículo, sempre em numero do que o espaço disponível.

A viagem até Jorhat não demora mais do que meia hora mas é desconfortável o suficiente para ansiar-mos pela chegada à cidade, onde somos “despejados” numa rua onde se alinham táxis e rickshaws, e onde cada condutor nos tenta levar para um qualquer lado. Nesta situações, onde não sabemos onde estamos nem tão pouco a direcção para onde ir, o melhor é caminhar um pouco para longe deste calos e procurar informações fidedignas. Assim, foi o momento para encontrar algo para comer, mas onde não foi possível fugir novamente a monótona paratha com o habitual caril de ervilhas-amarelas e batatas. Para informações, em locais onde o inglês não é “língua franca” o melhor é tentar encontrar uma farmácia, cujos proprietários são geralmente detentores de um razoável inglês.

Com orientações precisas sobre o rumo a tomar, foi tempo de iniciar mais um sucessão de autocarros e muitos transbordos… de Jorhart para Sivasagar, de Sivasagar para Sonari, de Sonari finalmente para Mon.

Como nem tudo segue a lógica a que estamos habituados, nem sempre os autocarros nos deixam nos terminais, mas sim num local qualquer da estrada nacional, deixando-nos à mercê dos motoristas de shared-taxis que avidamente esperam estes desorientados passageiros. Mas sempre, em todos as etapas deste longo percurso houve alguém que se mostrou disponível para ajudar, ou dando indicações ou partilhando parte do percurso, com a comunicação a ser feita por palavras básica ou recorrendo a gestos.

Apesar do desconforto dos autocarros, dos muitos transbordos, das longas viagens, o percurso desde Majuli estava a ser bastante fluido, com boa articulação entre transportes e curtas esperas entre autocarros, o que me encorajou a seguir no mesmo dia directamente para Mon, poupando passar uma noite na desinteressante e poeirenta cidade de Sonari.

"sumo" stand at Sonari. Assam
“sumo” stand at Sonari. Assam

Nagaland tem fama de ser perigosa, em especial Mon… talvez por terem durado até à pouco tempo guerras tribais, talvez pela proximidade de Birmânia e da rota do ópio, ou mais provavelmente pelo isolamento e esquecimento a que está votada esta região, onde escasseiam infraestruturas básicas e reina um certo subdesenvolvimento. Por isso recebi muitas vezes avisos de não viajar sozinha em Nagaland, e especialmente nunca andar de noite nas ruas.

Tornou-se assim urgente chegar o mais cedo possível a Mon, numa zona do país onde o sol desaparece antes das 5 da tarde. O único sumo que estava parado em Sonari estava já cheio e não havia qualquer garantia se haver mais algum destes veículos nesse dia. Tendo vislumbrado algum espaço no banco de trás do Jeep, consegui explicar por gesto que ainda havia espaço para mais um, e o simpático motorista lá procedeu à reorganização da mercadoria para eu poder caber no exíguo espaço disponibilizados pelos restantes passageiros, que não falando inglês não se pouparam a sorrisos.

Nagaland_road Sonari-Mon_DSC_8624
Road from Sonari to Mon. Nagaland
Road from Sonari to Mon. Nagaland
Road from Sonari to Mon. Nagaland

É fácil saber quando saímos de Assam e entramos em Nagaland: Assam é plana… assim que começam as montanhas estamos em Nagaland!

A estrada que sai de Sonari, apesar de asfaltada está em péssimas condições, mas segue plana por entre plantações de chá. Nagaland começa na povoação de Tizit, e daqui para a frente sempre a subir a montanha, por uma estrada de terra batida, onde Jeep e camiões avançam com dificuldade, vencendo lombas, evitando buracos, e cruzando linhas de água que atravessam a estrada. Uma estrada aberta nas encostas da montanha, onde raramente se vêm povoações, mas onde o impacto da presença humana é evidente pela intensa desflorestação que deixa o pobre solo expostos à erosão, roubado a vida a esta montanha que de verde passa a castanha.

Como estamos perto da fronteira com a Birmânia é evidente que entrámos numa zona sensível do território Indiana, por estar-mos na rota do ópio e pelas lutas étnicas e tribais que mantiveram esta zona em guerra até à pouco mais de 10 anos. Pelo caminho somos parados diversas vezes, em check-points, por polícia e exército, e até por civis, que efectuam toscas inspeções aos veículos, à mercadoria e à documentação dos passageiros, onde os estrangeiros são sujeitos a mais burocracia.

One of the checkpoints along the road from Sonari to Mon. Nagaland
One of the checkpoints along the road from Sonari to Mon. Nagaland

 

A chegada a Mon foi um pouco sinistra, ainda para mais depois dos avisos de esta ser uma zona “perigosa”, de perigos nunca revelados nem especificados, mas que deixam uma sombra de preocupação no ar.

O optimismo e entusiasmo que caracterizou esta viagem desde as planícies da ilha de Majuli, esmoreceu à chegada a Mon… talvez pelo cansaço, talvez pelo chuvoso clima… mas provavelmente por aqui se sentir uma energia pesada. Mas a hora tardia e o dia chuvoso não deixou ver mais do que um aglomerado de casas que se espalha pelas encostas das colinas, onde o tom cinzento do céu se mistura com a ferrugem dos telhados de chapa metálica.

Paisagem a caminho de Mon. Nagaland
Paisagem a caminho de Mon. Nagaland

Autorizações (permits):

Não é necessária qualquer autorização para entrar e viajar no estado de Nagaland. Contudo é necessário entregar uma cópia do passaporte num dos check–point existentes pelo caminho, em Tizit. Caso não se tenha uma cópia é possível fazer uma fotocópia numa das lojas em frente, por 5 rupias.

Não é necessária qualquer autorização para entrar e viajar no estado de Nagaland. Contudo é necessário entregar uma cópia do passaporte num dos check–point existentes pelo caminho, em Tizit. Caso não se tenha uma cópia é possível fazer uma fotocópia numa das lojas em frente, por 5 rupias.

Como ir de Majuli para Mon:

E uma viagem longa e exigente, mas que com sorte é possível de ser feita num único dia, poupando uma noite na desinteressante cidade de Sonari. Mas caso seja necessário Sonari dispõem de alojamento. Uma outra alternativa é ficar em Sivasagar um dia, aproveitando para visitar os famosos templos e iniciar a segunda etapa do percurso no dia seguinte.

  • A viagem começa pelas 6.30h da manhã para se apanhar o primeiro ferry que sai de Majuli às 7 am.
  • Depois é seguir num dos tempos (pequenos táxis partilhados que levam mais de 8 passageiros muito apertados) que fazem a ligação até Jorhat. Todos terminam numa transversal à estrada principal de Jorhat, junto a uma bomba de gasolina. Em frente à bomba de gasolina estão tempos ou tuk-tuk (também partilhados) que seguem até ao Jorhat Bus Terminal, situado à entrada da cidade.
  • No terminal é necessário perguntar por autocarros que vão para Sonari ou caso não haja serviços directos para a cidade de Sivasagar. Fora do terminal, param autocarros de empresas privadas com destino a Dibrugarh, e que passam em Sivasagar. Esta foi a opção para não ter que esperar por um dos autocarros da ASTC (empresa pública) mas tem a desvantagem de pararem em todos os locais para recolher passageiros… mas mesmo assim são mais rápidos.
  • De Sivasagar é necessário apanhar outro autocarro para Sonari, que parte do Bus Terminal. Como são cidades próximas serviço é regular e funciona como local bus, onde se pode comprar o bilhete no interior do veículo, mas onde não se assegura lugar sentado.
  • Em Sonari, o bus termina na rua principal, sendo necessário apanhar um tempo para o local de onde partem os sumos para Mon, que fica numa rua secundária, paralela à estrada principal. Não há qualquer indicação sobre destino ou horários dos sumos… quanto mais tarde se chega menores são as hipótese de se encontrar um sumo para Mon. Caso seja necessário, neste local existem quartos e é possível fazer uma refeição à base de arroz e caril (50 rupias) enquanto se espera.
  • A viagem de sumo até Mon é longa e penosa, com a primeira parte de pavimento degradado mas numa zona plana, mas que depois de se passar a fronteira com o estado de Nagaland, assinalado por um check-point da Polícia/Exército em Tizit, prioram as condições da estrada, passando a ser em terra-batida, em muito mau estado, num sinuoso percurso de montanha. Ao longo do percurso fazem-se várias paragens para deixar mercadoria e passageiros, mas não existe nenhuma povoação. Somente a meio do caminho encontram-se uma sequência de bancas vendendo fruta e legumes, e onde se pode comprar água.
  • A viagem de Sonari até Mon demora cerca de 3 horas, dependendo do numero de paragens, de obstáculos na estrada, e dos vários check-points que obrigam por vezes os passageiros a sair do Jeep.
  • A chegada a Mon faz-se quase ao fim do dia, antes das 5 horas da tarde.
food at the "sumo" stand at Sonari, before start the trip to Mon. Assam
food at the “sumo” stand at Sonari, before start the trip to Mon. Assam

 

Resumo

Bus até Kamalabari Ghat: 15 rupias (15 minutos)

Ferry de Kamalabari Ghat (Majuli) para Nimati Gaht: 20 rupias (1.15h)

tempo de Nimati Gaht para Jorhat: 30 rupias (30 minutos)

tempo de Jorhat (petrol station) para Jorhart Bus terminal: 10 rupias (10 minutos)

bus de Jorhat para Shivasagar: 50 rupias (2 horas)

tempo Shivasagar para bus stand: 20 rupias (5 minutos)

Bus de Shivasagar para Sonali: 30 rupias (2 horas)

tempo de Sonali para a sumo stand (para Mon): 10 rupias (10 minutos)

sumo de Sonali para Mon: 200 rupias (3 horas)… para 65 km!!!

Majuli e as “satras”

Da ilha de Majuli ficou uma tranquila memória onde os dias foram passando calmamente ao ritmo de passeios de bicicleta, por estradas ladeadas de bambus, que cortam gentilmente campos de arroz cujo verde se esbate sob o cinzento do céu, cujas camada de nuvens traz uma promessa de chuva.

Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam

Sente-se a presença de um misterioso silêncio, somente interrompido pelo som ritmado do piar de invisíveis aves, ocultas na densa copa das árvores. Garças e cegonhas vasculham o fundo lodoso das pequenas lagoas deixadas pela monção, enquanto pequenos pássaros debicarem insectos junto à berma da estrada, num ritmo apressado.

A paisagem plana a perder de vista, com a linha do horizonte a esbater-se na neblina que se liberta dos campos constantemente ensopados em água. A este cenário difuso junta-se o fumo que lentamente se desprende das fogueiras onde restos da colheita anterior são queimados, na preparação dos campos para mais uma sementeira de arroz, numa ilha onde a agricultura é a principal actividade da população que pouco ultrapassa as 150 mil pessoas.

Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam

Brahmaputra, o mítico e barrento rio, cujas aparentemente suaves águas se tornam violentas durante a monção, extravasando o leito, e provocando sérias inundação. É esta poderosa força que está a provocar uma acelerada erosão das margens do ilha, que anualmente vê a sua área ser reduzida, tendo algumas aldeias já sido varridas pelas águas. Segundo previsões analíticas ás águas do Brahmaputra poderão fazer desaparecer a totalidade da ilha de Majuli em 20 anos…. as mesmas águas que em 1750 provocaram gigantescas cheias e que deram origem a esta ilha.

Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam

Mas são as satras espalhadas um pouco por todo o estado de Assam, mas que em Majuli se encontram a maior concentração, que atraem as atenções e que contribuem para tornar este pedaço de terra, plano e verde, num local especial.

As satras são como mosteiros dedicados ao Hinduísmo, que foram criados no século XVI pelo rei de Assam, e que apesar de mudanças e reformas, funcionam desde então como centro de artes e cultura paralelamente às praticas religiosas. Mas práticas religiosas destes mosteiros diferem do Hinduísmo que se encontra no resto do país, tendo divergido e ganho contornos próprios pela mão de Srimanta Sankardeva que professou uma forma monoteísta do hinduísmo, denominada de Vaishnavism. Depositárias de escrituras sagradas do Vaishnavism, cujo santo Sankardeva encontrou refúgio em Majuli, as satras continuam a ser actualmente local de peregrinação entre a população de Assam.

Majuli Island_DSC_8558
Majuli Island. Assam

Existem centenas destes mosteiros espalhados pelo estado de Assam, com 65 dos quais concentradas nos 1250 km2 da ilha de Majuli, onde somente 26 se encontram ainda em funcionamento.

Diferindo de importância, antiguidade e tamanho, basicamente todas as satras seguem a mesma estrutura, ocupando uma área ampla, cujo acesso é simbolicamente identificado por um pórtico, decorado com leões, elefantes, peixes, cavalos, por vezes representados com asas ou detalhes que nos remetem para uma mitologia desconhecida. No centro da satra encontra-se um amplo pavilhão reservado para o ensaio e apresentação de música e de dança, onde uma gigantesca estátua de madeira representa garuda, uma figura alada de nariz longo, um misto de homem e ave, que de costas para a entrada protege o local. Anexo a este espaço comunitário encontra o altar, cujo melhor exemplo é o da Sri Sri Auniati Satra, ricamente decorado. Em redor, formando geralmente um rectângulo, dispõem-se dormitórios e demais instalações, alinhadas sob galerias de piso térreo.

Das satras visitadas a Uttar Kamalabari, situada muito próxima da povoação com o mesmo nome, é a mais atraente, mantendo bem conservada a sua estrutura antiga, o que confere uma atmosfera capaz de nos transportar no tempo.

Bengenaati e Garamur são outras duas satras facilmente acessíveis de bicicleta, que valem a pena visitar com tempo para apreciar a quietude e tranquilidade do lugar. Mas são também um bom pretexto para explorar a ilha, e observar o quotidiano da população, apreciando os cambiantes de luz, capazes e tornar a monotonia de uma paisagem plana em surpreendentes e misteriosos cenários.

Garuda. Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Garuda. Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam

Anoitece cedo em Majuli, visto que estamos muito a Este do que constitui o corpo central da Índia, pelo que pouco depois das quatro horas da tarde o céu começa a escurecer, ficando breu pelas 5 horas. Isto faz parecer os dias curtos para quem não tem o hábito de acordar cedo, mas aqui a população começa cedo as rotinas diárias, com o trabalho nos campos a dominar o quotidiano em Majuli.

E é com o anoitecer que algo de mágico parece acontecer em algumas das satras, que se mostram quase desertas durante o dia. Sob a luz débil e amarelada, rapazes e jovens adultos reúnem-se no espaço comunitário da Uttar Kamalabari, e ao som de discretos tambores e de suaves melodias, executam danças e representações teatrais, onde os mudras são fundamentais. Em volta, sentados sob esteiras, Bhakats (monges celibatários) mais velhos observam atentamente os movimentos destes aprendizes, corrigindo e incentivando, e por vezes tenho papel activo nos ensaios. As satras, para além do carácter religioso, funcionam também com centros de artes, onde a dança, teatro, canto e música são pilares fundamentais da difusão do Vaishnavism.

Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam
Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam

Satras:

Das dezenas de satras estas são facilmente acessíveis de bicicleta. Para outras é necessário contratar um táxi.

Bengenaati: a mais antiga das satras

Garamur: ampla e bem preservada

Sri Sri Auniati Satra: a mais ricamente decorada

Uttar Kamalabari: a que conserva melhor as características arquitectónicas originais e a que tem mais atmosfera.

Existe um museu na Sri Sri Auniati Satra (50 rupias) mas que não tem grande interesse, com algumas das peças em mau estado, e com escassa informação sobre o que está exposto. Algumas das outras satras têm também museu mas encontram-se fechados sendo necessário encontrar quem tenha as chaves e disponibilidade para abrir o espaço aos visitantes.

Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam
Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam
Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Garuda. Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Garuda. Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Sri Sri Auniati Satra. Majuli. Assam
Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam
Satra Uttar Kamalabari. Majuli. Assam

Tecelagem em Majuli:

Se bem que a maior atração de Majuli são as satras, uma visita mais demorada não deixa escapar o modesto mas elaborado trabalho de tecelagem, diariamente executado pelas mulheres.

Em precários telheiros, por baixo das casas, nos quintais, nos alpendres… mulheres passam horas tecendo elaboradas tramas em simples teares de madeira de onde resultam coloridos e intrincados padrões.

Poderia pensar-se que se trata de uma importante actividade económica que ocupa as mulheres durante a época em que os campos e a plantação de arroz não necessita de tanta mão-de-obra. Mas estas bonitas peças de tecelagem são para uso das mulheres que as fazem, sendo as mais simples usados no dia-a-dia, e as mais elaboradas e vistosas para ocasiões especiais como a ida a uma satra, que é sempre feita em família.

Os Assameses, em particular os homens usam frequentemente um pano ao pescoço em forma de lenço, o gamosa, onde sob fundo branco surgem padrões geométricos ou figurativos construídos em fio vermelho que sobressaem no fundo liso. Estes panos, que facilmente se confundem com toalhas têm várias utilizações e servem não só de adorno em volta do pescoço, em volta da cintura, como também como tolha de banho, ou decorando mesas e altares. O vermelho e branco destes panos é um elemento comum à decoração das figuras que se encontram nas satra, assim como adorno do indispensável garuda, de longo nariz e amplas asas.

Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam
Majuli Island. Assam

 

Onde dormir em Majuli:

Em Kamalabari existem várias guest houses a uma distância razoável de ser feita a pé de mochila às costas. Contudo algumas recusam-se a receber estrangeiros argumentando que estão cheias. Outras oferecem fracas condições. De qualquer das formas o alojamento na ilha, assim como nas principais cidades dos estados do Nordeste, é mais caro do que o habitual, com um quarto duplo, com casa-de-banho partilhada, a custar no mínimo 400 rupias.

Dos vários locais visitados em Kamalabari e em Garamur a melhor opção é sem dúvida o Ygdrasill Bamboo Cottage, situado próximo da estrada que liga as duas povoações. É possível alugar bicicleta (50 rupias) e encomendar refeições, com um delicioso jantar composto por variados e deliciosas pratos, a custar 150 rupias… mas com a comida adaptada ao “gosto” ocidental, ou seja, sem picante.

Existem vários tipos de quartos, mas todos construídos em madeira e bamboo. Um quarto duplo, com casa-de-banho pode variar entre 600 e 1000 rupias.

Ygdrasill Bamboo Cottage (na estrada entre Kamalabari e Garamur)

Contact: bedamajuli@gmail.com

Telef: 08876707326; 088 222 42244

Em paralelo com esta actividade hoteleira, e com sede nas mesmas instalações existe um NGO – Amar Majuli – dedicada a apoiar projectos de desenvolvimento local, em especial mulheres.

https://rupias.facebook.com/pages/Amar-Majuli/706510102708825

Contact: amarmajuliproject@gmail.com

Ygdrasill Bamboo Cottage. Majuli Island. Assam
Ygdrasill Bamboo Cottage. Majuli Island. Assam
Ygdrasill Bamboo Cottage. Majuli Island. Assam
Ygdrasill Bamboo Cottage. Majuli Island. Assam

Onde comer em Majuli:

Na Ygdrasill Bamboo Cottage é servido jantar que vale bem a pena, pois as opções em termos de restaurantes, tanto em Kamalabari como em Garamur são deveras pobres e pouco atractivas. Ao pequeno-almoço pode-se encontrar samosa ou puris (pão achatado frito) acompanhados de um fraco caril de batata. Ao almoço o habitual arroz com caril de batata e mais uns escassos vegetais acompanhados por um dal (caril de lentilhas) aguado. Contudo o prato mais popular é paratha, que aqui é feita sem recheio, que não é mais do que um pão espalmado cozinhado na frigideira com um pouco de óleo. Para acompanhar esta espécie de panqueca é servido um caril de batata onde se uns grãos de leguminosas e um chutney doce que mais se assemelha a uma compota de fruta.

Claramente Assam não é um destino para quem a comida é um dos atractivos das viagens!!! Ficou a memória de batatas a todas as refeições! Contudo a comida é bastante barata, com uma samosa a custar 5 rupias, uma refeição de paratha cerca de 25 rupias e uma refeição à base de arroz a custar 60 rupias.

Transportes em Majuli:

Entre Kamalabari e Garamur circulam shared-taxis, localmente chamados de tempos, ou sumos, caso sejam um Jeep, que ligam as principais povoações até ao Kamalabari Gaht, de onde parte o ferry. Assim o melhor é caminhar pela estrada e esperar que passe algum destes veículos ou um dos poucos autocarros que fazem a ligação ao ferryboat.

  • bus de Garamur para Kamalabari Gaht: 15 rupias
  • tempo ou sumo (táxis partilhados) de Garamur para Kamalabari: 10 rupias
  • táxi de Garamur para Kamalabari Gaht: 200 rupias

Outra opção é pedir boleia, aos pouco carros que passam, não sendo contudo difícil conseguir uma boleia dada a generosidade das pessoas.

Mas o melhor é alugar uma bicicleta. As estradas são planas mas têm algumas zonas em más condições. Não existe nenhuma loja especializada neste negócio, pelo que é necessário ir perguntado à população local. Algumas das guest houses alugam bicicletas.

Raja é um taxista simpático que foi muito prestável na busca por alojamento, numa altura em que quase tudo estava cheio por causa da visita do primeiro ministro à ilha. Contacto: 8811 9777 51

Internet em Majuli:

Como é normal nos alojamentos em Assam e nos restantes estados do nordeste da Índia, não há wi-fi. É necessário procurar um posto de internet: “web-cafe” ou “cyber-cafe”. Contudo nem sempre há wi-fi, mas somente computadores.

Mas Kamalabari tem um posto de Internet com wi-fi e com boa ligação e velocidade razoável, situado entre o cruzamento principal e a bomba de gasolina.

  • Wi-fi: 20 rupias por hora.
wi-fi cyber cafe. Kamalabari. Majuli Island. Assam
wi-fi cyber cafe. Kamalabari. Majuli Island. Assam

altitude: 84 m

população: 153.400

 

… de paraíso em paraíso, passando pelo inferno… de Nongriat para Majuli

Missão: deixar Nongriat e a fantástica paisagem das Khasi Hills, no estado de Megahlaya e ir para a ilha fluvial de Majuli, situada na mítico Brahmaputra, rio que domina as planícies do estado de Assam.

Obstáculos: primeiro era necessário vencer os cerca de 3000 degraus que separam Nongriat de uma qualquer estrada acessível a transportes públicos. Depois, ir de Sohra para Shillong, e de Shillong para Guwahati. E por fim, chegar a Jorhart a tempo de apanhar o último ferryboat para Majuli.

Meios de transporte: sumo (shared-taxi), tuk-tuk, tempo (shared tuk-tuk), bus e ferry boat.

Equipa: três intrépidos viajantes de diferentes nacionalidades, com vasta experiência a viajar pela Índia.

***

Olhando para o mapa, conhecendo um pouco o modo de viajar pela Índia, e estando já familiarizados com os meios de transporte usuais no Nordeste do país, este percurso, apesar de ambicioso não apresentava problemas de maior, para além do facto de serem necessários dois dias para vencer os quase 470 quilómetros que separam Nongriat de Majuli, A estes factores junta-se a necessidade de passar uma noite na cidade de Guwahati, cuja hospitalidade deixou muito a desejar na ultima visita.

Mas os Northeast States têm as suas particularidades que criaram obstáculos e contrariedades imprevisíveis, obrigando a muita paciência e esforço. Primeiro foi a o Holi Festival, comemorado por Hindus em Assam, que sendo um feriado próximo do fim-d-semana provocou um grande movimento de pessoas dificultando o acesos a transportes. Por acaso, ou não, a Páscoa coincidiu nesse mesmo fim-de-semana, e sendo o estado de Megahlaya fortemente cristão, era quase garantido que desde sexta-feira Santa até Domingo de Páscoa não haveria qualquer tipo de transporte púbico, nem sequer táxis, o que obrigaria a ficarmos “encalhados” na desinteressante vila de Sohra por três dias. Por ultimo as eleições regionais no estado de Assam, que colocaram a pacata ilha de Majuli no itinerário da campanha eleitoral do primeiro-ministro indiano, que arrastou consigo milhares de pessoas numa espécie de peregrinação.

Subir de Nongriat para Sohra deixou as pernas cansadas, o corpo ensopado em suor, e alguma melancolia por ter abandonado tão paradísico lugar. Mas a bucólica calma da paisagem rural foi rapidamente substituída pela pressa e pelo stress de sair rapidamente de Sohra, para chegar a Shillong a tempo de apanhar um sumo para Guwahati, numa altura em que a aproximação do fim-de-semana juntamente com o Holi Festival colocou muita gente em movimento, diminuído as hipóteses de conseguir lugares num dos sumos que ligam as capitais de Meghalaya e Assam. Missão cumprida com sucesso, apesar da longa espera junto de antipáticos e alcoolizados funcionários da empresa de “sumos”, que se aproveitaram da situação para cobrar umas rupias extras pelo bilhete.

Na chegada a Guwahati repetiu-se a frustrante busca por alojamento, numa cidade em que muitos dos hotéis e guest houses não têm licença para receber estrangeiros, empurrando-nos para opções demasiado dispendiosas. Depois de uma dose de antipatia restou o pouco atractivo dormitório do Youth Hostel, que nestas circunstâncias se mostrou bastante acolhedor, onde a decadência ganhou um toque de “patina”.

Apesar da reconfortante refeição e de uma noite de sono, o grupo estava desmoralizado com a perspectiva de fazer uma viagem de mais de 6 horas até Jorhat. Mas o autocarro que nos esperava, um moderno e luxuoso veículo da ASTC (recomendável companhia estatal), de confortáveis e espaçosos assentos, deram ânimo para mais esta jornada.

Campos de arroz. Assam
Campos de arroz. Assam
Plantações de chá. Assam
Plantações de chá. Assam

À medida que a plana e monótona paisagem de Assam, de campos de arroz e plantações de chá, ia desfilando pelas janelas os olhos foram ficando pesados e o corpo entregou-se a sonolento torpor. Mas nada dura, e abandonando o conforto do ar-condicionado que nos protegeu do calor das planícies de Assam, somos de repente despejados à beira da estrada nacional, entregues ao pó e ao barulho das buzinas, sem saber exactamente onde estávamos. Assim chegamos a Jorhat!

Em Jorhat não houve tempo para paragens, e de tuk-tuk em tuk-tuk, no meio do trânsito desorganizado da cidade. Depois de uma viagem turbulenta por uma estrada cheia pó, num pequeno tempo (shared tuk-tuk), dimensionado para quatro mas onde viajaram oito passageiros com bagagem, eis-nos finalmente nas barrentas margens do Brahmaputra.

Nimati Gaht, Jorhart. Assam
Nimati Gaht, Jorhart. Assam

No Nimati Gaht, um improvisado cais de acesso ao ferry, onde a subida e descida do tempestuoso rio não permite estruturas duradouras, segue-se uma tranquila viagem até Majuli, num apinhado ferry onde o tejadilho do compartimento de passageiros serve para transportar mercadorias e motas, havendo ainda espaço para alguns passageiros. A viagem no tejadilho do barco, para além do ar fresco, proporciona o um curioso ponto de observação para a ilha, cuja superfície totalmente plana se confunde com a linha do horizonte.

Brahmaputra. Assam
Brahmaputra. Assam
Brahmaputra. Assam
ferry boat que atravessa o Brahmaputra até Majuli. Assam
Brahmaputra. Assam
Brahmaputra. Assam
Brahmaputra. Assam
Brahmaputra. Assam

Assim de saímos do ferry, directamente para o banco de areia fina que forma esta ilha fluvial, oficialmente a maior do mundo, somos apressadamente conduzidos no meio de muita confusão, para um todo-o-terreno, onde nos temos que contorcer-se para conseguir caber no espaço sobrelotado. Mas por sorte, um autocarro reservado para militares ofereceu-nos espaço e um pouco de simpatia. Depois do percurso pela areia segue-se uma paisagem verde e rural, onde a estrada nos leva à primeira povoação: Kamalabari.

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local onde o ferryboat atraca na Ilha de Majuli, que dada a subida e descida das águas do Rio Brahmaputra, obriga a mudança de local ao longo do ano
Majuli junto ao local onde os ferry boats atracam. Assam
Majuli junto ao local onde os ferry boats atracam. Assam

E quando finalmente, depois de quase dois dias em viagem, parecia termos sido bem sucedido a chegar destino, em Kamalabari, surgiu o maior obstáculo do itinerário: arranjar alojamento.

As opções não são muitas na ilha, mas para agravar a situação a nossa chega coincidiu com a visita do primeiro-ministro indiano à ilha, numa das etapas da campanha eleitoral das eleições regionais de Assam. As campanhas eleitorais na Índia, muitas vezes chamada a “maior democracia do mundo”, mobilizam muita gente, mas neste caso a situação dramatizou-se com a presença de Modi, sobre o qual recai uma espécie de veneração quase-religiosa, atraiu uma invulgar multidão à ilha. Este fenómeno insólito, pois foi a primeira vez que um primeiro-ministro visitou este local desde a independência da Índia, encheu praticamente todos os alojamentos.

Com a ajuda de alguns habitantes, de vendedores de legumes, de taxistas e até de militares destacados para assegurar a segurança do primeiro-ministro, foi possível ao fim de 3 horas de buscas encontrar um alojamento, um pouco afastado do centro de Kamalabari, e onde o proprietário tirou partido da situação, inflacionando o preços dos quartos.

Apesar de pouco agradável, o quarto ofereceu condições para um merecido descanso, depois de uma refeição terrível, onde a um desinteressante caril de batata acompanhado de uma paratha oleosa, se juntou um banal estufado também de batata e ervilha amarela, criando um monótono parto em tons amarelados e marcando o inicio de uma série de refeições, onde tive que rever a minha máxima “de que a comida indiana mesmo não sendo boa, nunca é má!”… pois Assam fez-me mudar de ideias!!!

Como ir de Nongriat até Guwahati:

  • subir os mais de 3000 degraus até à estrada principal;
  • caminhar até Tyrna, cerca de meia hora; daqui é possível apanhar um táxi directamente para Sohra;
  • bus ou shared-taxi de Tyrna para Sohra: 40 rupias (20 minutos)
  • sumo de Sohra to Shillong: 70 rupias (1.5 horas)
  • em Shillong o sumo termina no Bara Bazaar, dentro de um terminal, no piso superior. Para encontrar os sumo para Guwahati é necessário ir para um terminal maior, num edifico em betão situado mais à esquerda, a cerca de 5 minutos, subindo uma movimentada rua. Caso não haja aqui sumos disponíveis, é necessário ir de táxi (ou a pé) até Police Bazaar, e aí descer a Keating Road (à esquerda da GS Road) até encontrar os sumos para Guwahati, estacionados do lado esquerdo.
  • sumo de Shillong para Guwahati: 170 rupias (2.50 horas, mas pode ser mais de 3 horas, conforme o trânsito).
  • Em Guwahati o sumo termina no Paltan Bazaar, perto do terminal de autocarros e da estação de comboios.
"tempos" uma espécide de taxi partilhado entre Jorhart e o Nimati Gaht. Assam
“tempos” uma espécie de de taxi partilhado entre Jorhart e o Nimati Gaht. Assam

Como ir de Guwahati até Majuli:

  • Bus de Guwahati para Jorhat: 330 rupias (a viagem demora 7 horas, com paragem para pequeno-almoço). O autocarro deixa os passageiros à entrada da cidade, na estrada principal, que fica a uma distância que pode ser feita a pé.
  • Shared-taxi (tempo) até ao centro de Jorhat: 20 rupias (10 minutos)
  • De Jorhat (bazaar) shared-taxi para Nimati Gaht: 20 rupias (20 minutes)
  • Ferry Nimati Gaht to Majuli Island: 30 rupias (1 hour)
  • Shared-taxi do local onde atraca o ferry até Kamalabari (a povoação mais próxima): 30 rupias (20 minutes)
Tarifas do ferryboat para Majuli. Assam
Tarifas do ferryboat para Majuli. Assam
Horário do ferryboat para Majuli. Assam
Horário do ferryboat para Majuli. Assam

 

Nongriat e a floresta encantada

Magia. Sonho. Irreal.

Palavras que surgem na mente quando recordo Nongriat.

Nongriat
Nongriat

 

A chuva, apesar de previsível, começou inesperadamente com o inicio da descida do trilho para a aldeia de Nongriat, obrigando a algumas pausas para um chá em modestas cabanas de bambu. Mas o que se avizinhava ser um inconveniente à caminhada que se tinha pela frente ,revelou-se ser uma bênção, com a vegetação a ganhar um brilho que confere maior vivacidade e contraste aos cambiantes de verde que enchem todo o horizonte.

À medida que o som das grossas gotas de chuva se vai afastando, voltam os discretos sons da selva, com uma orquestra invisível formada por rãs e insectos. Musgos e líquenes mostram-se com todo o seu vigor, absorvendo gotas de água se desprendem lentamente das folhas de bambus, que parecem inclinar-se sob o peso da água.

 

a caminho de Nongriat
a caminho de Nongriat

 

a caminho de Nongriat
a caminho de Nongriat

 

a caminho de Nongriat
a caminho de Nongriat

 

Apesar de ter perdido o título de local mais chuvoso do mundo, resultante da persistente desflorestação, seja para alimentar o comércio de madeiras como para combustível das população local, Nongriat e a região envolvente de Mawsynram e Cherrapunjee nas East Kahsi Hills, continuam a registar elevada pluviosidade. E mesmo fora da monção (Julho e Agosto) é frequente haver chuvadas fortes, mas que durante a chamada estação-seca duram somente alguns minutos. Destes clima semi-tropical, resulta uma frondosa e diversificada cobertura vegetal: gigantescas árvores, palmeiras, bambus, fetos e a ficus, cujas raízes aéreas são indispensáveis à construção das pontes pedonais, que atraem tantos visitantes a Nongriat.

Nongriat. Megahlaya

 

Nongriat
Nongriat

 

carregador de folhas de louro que são colhidas na floresta

 

Nongriat. Megahlaya

 

A noite chega cedo ao fundo do vale, com o verde das encostas e perder-se à medida que o azul do céu se rende à negrura da noite, deixando a aldeia na quase total escuridão, interrompida aqui e ali pelo brilho débil da electricidade que chega a todas as casas. É esta negrura que me faz sentir novamente o quão longe estou da chamada civilização e quão agradável pode este simples e modesto modo de vida, onde o contacto com natureza traz uma profunda calma e tranquilidade.

Apreciando a frescura trazida pela noite, somos naturalmente convidados a partilhar o calmo serão com os restantes hóspedes, envolvidos pelo manto escuro da noite. Mas um brilho inesperado, de uma intensidade invulgar, surge por detrás das montanhas, desenhando cada vez com mais clareza os contornos do topo da encosta em frente à aldeia. É o espetáculo do nascer da lua, que aqui nesta noite de lua-cheia, oferece uma visão mágica que deixa toda a gente siderada, criando um espaço de silêncio no burburinhos das conversas cruzadas dos visitantes.

Kashi Hills. Megahlaya

 

Nongriat é uma das aldeias que se abrigam nas encostas das East Khasi Hills, e que devido ao isolamento mantêm quase intacto o modo de vida tradicional das tribo Khasi, que se baseia na recolha de produtos recolhidos directamente na floresta e que são vendidos no mercado de Sohra que atrai a população das regiões vizinhas todas as quartas-feiras. A floresta fornece pimenta, folha de louro, noz de bétel, canela, sumo de limão… ananases crescem naturalmente um pouco por todo o lado, jackfruit abundam nas árvores, em redor da aldeia cortiços abrigam abelhas cujo mel é também suporte da actividade económica local. Carregadores sobem e descem as encostas levando produtos da floresta e trazendo alimentos e demais produtos necessário ao simples quotidiano desta população de 150 pessoas, onde aparentemente a maioria são crianças.

Nongriat. Megahlaya

 

Homem carregando sacos de folha de louro para ser vendido no mercado de Sohra

 

Vila de Nongriat
Vila de Nongriat

 

É o riso das crianças nas suas brincadeiras incessante que enche o ar da aldeia, onde se estranha a ausência de aves, macacos ou outros animais. De manhã cedo, em aprumado uniforme escolar, os mais novos encaminham-se para a escola primária existente na aldeia, enquanto os mais crescidos sobem a encosta para ter aulas nas escolas de Tyrna e Sohra. Apesar do isolamento e do ambiente rural que se vive em Sohra, que poderia levar a um desinteresse pela educação académica, a escolaridade é levada muito a sério, com praticamente todas as crianças a irem à escola e a aprenderem inglês, língua que grande parte da população fala, mesmo nas vilas mais isoladas como Sohra.

A igreja cristã é também uma presença forte aqui em Megahlaya, que devido à remota localização, assim como Nagaland, se manteve impermeável ao hinduísmo, mas não resistiu à cristianização no século XIX, durante a presença britânica na Índia, imposta pelos missionários que aqui encontraram terreno propício, numa população praticante do animismo.

Mas Nongriat proporciona mais motivos de interesse do que somente as living root bridges, com vários trilhos que irradiam da aldeia, uns em direcção a aldeia vizinhas, que também escondem outras pontes-vivas, outros em direção a quedas de água, sendo a Rainbow Waterfall o destino mais popular. Para quem pretende banhar-se nas límpidas águas desta cascata, de um azul invulgar, tem que descer um íngreme trilho, mas pelo caminho, assim como em outros pontos dos rios que rodeiam Nongriat existem piscinas formadas naturalmente pelas rochas graníticas que forma o leito dos rios, proporcionando transparentes e calmas águas para um refrescante banho, aliviando peso do ar quente e húmido. Durante a monção não é permitido banhos no rio, devido à força das águas.

uma das pontes suspensas junto à aldeia de Nongriat que dá acesso às Rainbow falls
uma das pontes suspensas junto à aldeia de Nongriat que dá acesso às Rainbow falls

 

Rainbow falls. Nongriat. Megahlaya

 

Nongriat. Megahlaya

Como chegar a Nongriat:

  • todo o percurso é feito em escadas de cimento que têm degraus bastante regulares e em bom estado, fruto de fundos financeiros para suporte do desenvolvimento agrícola da região;
  • a descida é toda feita em degraus, até se chegar ao vale o que depois obriga a atravessar algumas pontes metálicas suspensas; são entre 2500 a 3000 degraus;
  • a descida não é difícil, mas o clima quente e muito húmido, que provocam uma transpiração constante tornam o percurso mais cansativo;
  • a subida é intensa, obrigando a algumas paragens que são sempre uma boa ocasião para apreciar a vista; é necessária bastante água em especial para o percurso ascendente;
  • a descida demora menos de 1.5 horas, mas a subida pode ser quase o dobro;
  • recomenda-se levar o mínimo de peso na mochila, sendo aconselhável deixar a maior parte da bagagem no guest house em Sohra.
  • se chover um impermeável revela-se pouco eficaz pois provoca ainda mais suor; o melhor é roupa leve que seque depressa;
  • não é necessário calçado especial, umas sandálias confortáveis servem perfeitamente pois todo o percurso é cimentado.
  • depois de Nongriat, caso se queira explorar aldeias e trilhos vizinhos um sapatos de caminhada podem ser mais confortáveis mas as sandálias cobrem as necessidades, caso tenham boa aderência em piso molhado;
  • recomenda-se ficar pelo menos uma noite me Nongriat para poder visitar mais pontes, cascatas e piscinas naturais, longe do trilho mais frequentado;
  • aos fins-de-semana aumenta significativamente o numero de visitantes, pelo que o melhor é chegar num Domingo e sair no sábado de manhã, evitando o barulho e a confusão e o rasto de lixo provocada pelos irresponsáveis visitantes que cegamente procuram a “double deck bridge” em busca da selfie perfeita!!!

 

caminho para Nongriat
caminho para Nongriat

Onde dormir em Nongriat:

Existem três homestays in Nongriat. A primeira logo à entrada da povoação, depois de se atravessar uma das living root bridges (pontes-vivas), uma no centro de Nongriat, e a ultima, já depois de se cruzar a double deck bridge. A Serene Homestay é a mais popular e a que oferece melhores condições. Existem quartos duplos e outros partilhados, mas todos com casa-de-banho partilhada. O jantar é preparado para todos os hóspedes e para quem mais tenha encomendado, servido em estilo buffet com deliciosa comida vegetariana.

Cama: 200 rupies, por pessoa, independentemente de quarto duplo ou partilhado.

Jantar: 130 rupies

O dono Ryan é uma boa fonte de informações sobre trilhos para outras aldeias e pontes, piscinas naturais, e sobre o modo de vida e cultura locais. A sua consciência ambiental e o bom inglês com que expressa fazem de Ryan o porta-voz de Nongriat e de aldeias vizinhas, que se unem para impedir o governo de abrir uma estrada até ao vale. Este chamado “progresso” iria desequilibrar o modo de vida socioeconómico e teria consequências ambientais resultantes do aumento de visitantes.

 

Serene Homestay, em Nongriat
Serene Homestay, em Nongriat

 

Serene Homestay, em Nongriat
Serene Homestay, em Nongriat

 

Onde comer em Nongritat:

Qualquer uma das homestays em Nongriat serve comida, assim como as duas cabanas junto às pontes na aldeia de Nongriat. Contudo é comida muito simples, basicamente arroz e dal… e frango.

A melhor opção é a Serene Homestay, com comida vegetariana. Os pequenos-almoços com porridge, fruta e frutos secos são deliciosos. O jantar (130 rupias) é servido em estilo buffet, tanto para hóspedes da homestay como para quem encomendar com antecedência, e é uma óptima oportunidade para sociabilizar com os restantes viajantes.

 

pequeno-almoço no Serene Homestay, em Nongriatpequeno-almoço no Serene Homestay, em Nongriat

Como ir de Sohra (Cherrapunjee) para Nongriat:

Em frente ao By the Way Lodge, há uma paragem onde pelas 9 da manhã passa um autocarro com destino a Tyrna, a povoação mais próxima de Nongriat com acesso rodoviário… daqui para a frente existem somente caminhos descendo as encostas das montanhas até às povoações situadas junto ao vale.

  • Bus de Sohra para Tyrna: 20 rupias (passa por volta das 9 am; a viagem demora perto de 1 hora)
  • shared-taxi de Sohra para Tyrna: 40 rupias
  • em Tyrna é necessário caminhar pela estrada até encontrar o caminho que dá acesso a Nongriat, cerca de 30 minutos de caminhada, descendo pela estrada. Basta ir perguntado por “Nongriat” à população local pois todos sabem indicar o caminho, até as crianças.
  • Chegando a um pequeno aglomerado de casas, onde existe uma chai-shop feita em bambu, encontra-se, do lado esquerdo o trilho para Nongriat que segundo conta tem mais de 2800 degraus e umas quantas pontes suspensas, até se chegar a Nongriat.

 

Bus de Sohra para Tyrna
Bus de Sohra para Tyrna

 

Tyrna
Tyrna

Living Root Bridges… entre musgos e fadas!

A floresta encantada onde crescem pontes feitas de raízes de árvores, onde o tempo parece suspenso num sonho, onde a natureza faz truques de magia, onde a luz chega filtrada pela tecto formado pelas copas das árvores, onde somos transportados para uma outra dimensão, como se tivéssemos entrado num mundo onde fadas e gnomos nos observam por entre musgos e gotas de chuva.

As pontes criadas pela mão paciente do Homem, parecem nascer directamente das árvores, como se estas tivessem decidi estender os braços para a outra margem do rio, fundindo-se com pedras e apoiando-se em troncos. Uma discreta camada de musgos e líquen cobrem a superfície da trama destas estruturas vivas, abrigo de insectos e de minúscula vida animal que parece indiferente ao engenho do Homem.

Mas não são somente as pontes que tornam este local especial. Toda a paisagem envolvente contribui para a atmosfera fantástica que se observa no meio desta floresta, de onde emana uma energia capaz de unir novamente o Homem às suas raízes primordiais, catalisando a troca de energias.

Não há palavras para descrever a magia deste local… e as fotografias somente podem transmitir uma impressão visual, não contendo a energia da floresta, com os sons harmoniosos da natureza nem as sensações que inundam os sentidos que tornam as memórias dos dias passados em Nongriat numa onírica memória.

… um local de onde nos espreitam fadas, duendes, elfos e gnomos!

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

… mais sobre as “living root bridges de Nongriat:

As chamadas pontes-vivas, ou living root bridges, são obras da engenharia humana que soube tirar partido da natureza, numa simbiose perfeita. Aproveitando as longas raízes aéreas de uma árvore (ficus erratica) a população local foi durante gerações entrelaçando estas raízes com troncos e bambus, criando pontes vegetais para atravessar os rios que cruzam os vales formados pelas Khasi Hills.

Cada uma destas pontes, adapta-se perfeitamente ao local, parecendo fundir-se na natureza. Descendo em direcção a Nongriat, encontra-se a Jingkieng Pi-Tymmen, a mais longa das pontes; passando a aldeia de Nongriat chegamos à famosa double-deck bridge, cujos dois níveis resultam da necessidade de atravessar este rio quando as chuvas da monção fazem subir a águas submergindo o nível inferior da ponte. Caminhando em direcção à Rainbow Waterfall encontra-se a Maw Saw bridge, que é a que tem uma atmosfera mais misteriosa e fantástica.

Existem diversas pontes feitas de raízes da árvore ficus nas Khasi Hills, mas Nongriat tem o privilégio de se encontrar numa zona onde a concentração é maior tornando esta aldeia numa boa base para explorar trilhos e descobrir outras living root bridges.

Living root bridges. Nongriat. Megahlaya
Living root bridges. Nongriat. Megahlaya

 

Onde dormir em Nongriat:

http://steppingoutofbabylon.com/pt/2016/07/nongriat-e-a-floresta-encantada/

Onde comer em Nongritat:

http://steppingoutofbabylon.com/pt/2016/07/nongriat-e-a-floresta-encantada/

Como ir de Sohra (Cherrapunjee) para Nongriat:

http://steppingoutofbabylon.com/pt/2016/07/nongriat-e-a-floresta-encantada/

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

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