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Stepping Out Of Babylon

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Stepping out of Babylon

Cherrapunjee… o local com mais chuva do mundo?!

Cherrapunjee ou Shora?!?!… o primeiro nome é o “oficial” e o que consta dos mapas, o segundo nome é pelo qual esta povoação situada num planalto junto às Khasi Hills é conhecido pela população local.

Nesta altura do ano, em que as chuvas da monção são uma memória distante, somente riachos deslizam pelo leito rochoso deste planalto, onde o verde da vegetação se dá por vencido mudando para tons de amarelo. Depois de deixar para trás a cinzenta cidade de Shillong, percorrendo uma sinuosa estrada de paisagens agrícolas e montanhas de profusa vegetação, onde se assiste à bucólica mas árdua vida rural, chega-se à desolada povoação de Sohra. A chegada num Domingo de manhã, com o céu coberto de um delicado manto de nuvens cinzentas, as lojas fechadas, as ruas vazias de gente e as estradas desertas de tráfego deixaram uma impressão de desalento que mesmo no dia seguinte, com o sol a brilhar num céu azul não conseguiu apagar.

Sohra (Cherrapunjee)
Sohra (Cherrapunjee)
Sohra
Sohra
Sohra (Cherrapunjee)
Sohra (Cherrapunjee)

Numa região dominada fortemente pelo Cristianismo, nas mais diversas formas desde cristãos, anglicanos, protestantes, evangélicos, presbiterianos, etc…, o domingo está inteiramente reservado para ir à igreja. Pelo meio da manhã, as desertas ruas de Sohra, vão ganhando algum colorido, com a população caminhando em direção às várias igrejas, em indumentária domingueira, onde homens vestem camisas impecavelmente engomadas, mulheres usam lungis de sofisticados tecidos, raparigas usam orgulhosamente pomposos e coloridos vestidos e laços enfeitando o cabelo, cuidadosamente penteado.

Situada num planalto das Khasi Hills, a cerca de 1400 metros de altitude, Sohra sofre de desertificação, numa zona onde a agricultura é difícil num terreno empobrecido pela erosão resultante do abate de árvores, que provocou já visíveis alterações climatéricas que fizeram com que este local, anteriormente designado por “wettest place on earth”, tenha perdido este título.

Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)

Contudo Shora é ponto de passagem obrigatório para quem pretende explorar as encostas das Khasi Hills, e serve também como escala técnica para quem pretende descer ao vales onde se abrigam as aldeias onde habitantes mantêm o tradicional modo de vida da cultura Khasi, e onde a aldeia de Nogriat sobressai pelas fantásticas pontes feitas de raízes de árvores vivas: as living root bridges.

Pouco há a fazer ou ver em Sohra, mas o dia pode ser aproveitado para uma visita às Nohkalikai Falls, a 5 quilómetros de Sohra Market. Em Abril a quantidade de água nos rios não é abundante, mas mesmo assim a visita às cataratas proporciona um passeio interessante e uma vista para a cadeia de colinas que se estende até à fronteia com o Bangladesh.

Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)
Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)
Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)
Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)

A estadia de um dia em Sohra deu a oportunidade de assistir ao ultimo de três dias de festival, onde crianças e adultos, vestindo trajes tradicionais, executaram danças ao som de uma minimalista e repetitiva música.

Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)
Kashi festival, Sohra (Cherrapunjee)

Nohkalikai Falls:

Bilhete de entrada: 10 rupias + 20 rupias para a máquina fotográfica.

Não existem autocarros para as cascatas, pelo que a solução é um taxi (300 rupias) ou pedir boleia.

Tarifas. Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)
Tarifas. Nohkalikai Falls. Sohra (Cherrapunjee)

Onde dormir em Sohra:

Existem várias opções em termos de alojamento em Sohra, mas a maioria está situada em Lower Cherrapunjee, numa zona onde as habitações estão um pouco mais dispersas, a cerca de 3 quilómetros de Sohra Market, o centro da vila.

Dos vários alojamentos disponíveis a escolha foi para o despretensioso By the Way Lodge, onde o dono, que mais parece um rastafári, nos recebe de forma afável, fornecendo todas as informações.

Existem dois dormitório, e alguns quartos. A casa-de-banho e o chuveiro (com água quente) são partilhados, mas são modernos e impecavelmente limpos. Reina uma boa atmosfera e é o local ideal para encontrar outros backpackers e descansar antes de exigente descida para Nongritat. É possível deixar parte da bagagem no By the Way Lodge.

By the Way Lodge (Dukan Road, Lower Cherrapunjee)

Dorm: 250 rupias

O by the way localiza-se perto da Indian Petrol Pump station. A menos de 500 metros da ultima paragem dos sumo em Lower Cherrapunjee.

By the Way Backpackers Hostel. Sohra (Cherrapunjee)
By the Way Backpackers Hostel. Sohra (Cherrapunjee)
By the Way Backpackers Hostel. Sohra (Cherrapunjee)
By the Way Backpackers Hostel. Sohra (Cherrapunjee)

Lower Cherrapunjee não tem muito para oferecer, para além de uns restaurantes e de alguns alojamentos, mas fica numa zona ampla de paisagem natural, que de certo depois da monção é totalmente verde atravessada por linhas de água, mas que em Março começa a ficar seca. Mas o By the Way Lodge e a simpatia do seu proprietário são razões mais do que suficiente para escolher ficar em Lower Cherrapunjee.

Onde comer em Sohra (Cherrapunjee):

Não sendo amigável para vegetarianos, nos restaurantes locais de Cherrapunjee existem sempre várias opções vegetarianos incluindo os tradicionais pratos da cozinha Indiana, aos quais se juntam os noodles.

Domingo está tudo fechado em Sohra Market, mas alguns restaurantes estão abertos em Lower Cherrapunjee.

7 Trep Restaurant: Boa comida indiana. Um caril com uma rica variedade de vegetais, servido numa generosa porção e acompanhado de arroz custa 70 rupias. Os noodles e os momos são os favoritos da população local. A comida é cozinhada na altura o que pode demorar um pouco. O staff é muito simpático.

Mas para quem quer começar o dia cedo, são poucas as opções, para além de pequenos estabelecimentos, um misto de café e de mercearia, que servem refeições, basicamente à base de arroz e carne, a partir das 8.30h da manhã.

um restaurante local em Sohra (Cherrapunjee)
um restaurante local em Sohra (Cherrapunjee)
pequeno-almoço num restaurante local em Sohra (Cherrapunjee)
arroz com grão e chai, o pequeno-almoço num restaurante local em Sohra (Cherrapunjee)

Transportes em Sohra (Cherrapunjee):

Para percorrer os 3 quilómetros que separam Lower Cherrapunjee de Sohra Market existem shared-taxis (localmente designados por tempo) que circulam pela estrada recolhendo e largando passageiros. Geralmente é necessário esperar até estarem quase cheios para fazerem o percurso, recolhendo e largando passageiros pelo caminho, sem local de paragem específico. Os tempo são pequenos veículos (Suzuki Maruti) pintados de preto e amarelo.

  • Shared-táxis de Lower Cherrapunjee para Sohra Market: 10 rupias
paragem de "sumos" em Lower Cherrapunjee
paragem de “sumos” em Lower Cherrapunjee

Como ir de Sohra (Cherrapunjee) para Nongriat:

Em frente ao By the Way Lodge, há uma paragem onde pelas 9 da manhã passa um autocarro com destino a Tyrna, a povoação mais próxima de Nongriat com acesso rodoviário… daqui para a frente existem somente caminhos descendo as encostas das montanhas até às povoações situadas junto ao vale.

  • Bus de Sohra para Tyrna: 20 rupias (passa por volta das 9 am; a viagem demora perto de 1 hora)
  • shared-taxi de Sohra para Tyrna: 40 rupias
  • em Tyrna é necessário caminhar pela estrada até encontrar o caminho que dá acesso a Nongriat, cerca de 30 minutos de caminhada, descendo pela estrada. Basta ir perguntado por “Nongriat” à população local pois todos sabem indicar o caminho, até as crianças.
  • Chegando a um pequeno aglomerado de casas, onde existe uma chai-shop feita em bambu, encontra-se, do lado esquerdo o trilho para Nongriat que segundo conta tem mais de 2800 degraus e umas quantas pontes suspensas, até se chegar à aldeia.

ATM em Sohra:

Existem um ATM junto à bomba de gasolina na Dukan Road, em Lower Cherrapunjee assim como em Sohra Market.

Não existe ATM em Tyrna ou Nongriat.

Como ir de Sohra (Cherrapunjee) para Shillong:

Tanto em Lower Cherrapunjee com em Sohra Market, encontram-se sumos (jeeps-partilhados de côr amarela) que ligam Sohra a Shillong. Funcionam desde o amanhecer até ao fim do dia; iniciam o percurso quando estão cheios.

  • sumo de Sohra para Shillong: 70 rupias (1.5 horas)

altitude: 1484 m

população: 14.816

Guwahati… a entrada nos estados do Nordeste

Guwahati, não sendo a capital do estado de Assam, é a cidade que serve de porta de entrada nos chamados Northeast States, devido principalmente à sua posição geográfica, no extremo Nordeste da Índia, numa zona de planície entre o Butão e as montanhas do estado de Megahlaya.

Sob o genérico nome de Northeastern States, reúnem-se sete estados, também chamados de Seven Sisters, situados no extremos Nordeste da Índia, fazendo fronteira com o Butão, o Bangladesh, a Birmânia (Myanmar) e Tibete (China). Estes estados juntamente com Sikkim encontrando-se “ligados” ao resto do país por uma estreita faixa de território situado no estado de West Bengal, o chamado “chicken’s neck”, uma faixa de território entre o Nepal e o Bangladesh cuja largura em certo ponto é de somente 23 quilómetros.

Assim estas Seven Sisters, são compostas por: Arunachal Pradesh, Assam, Megahlaya, Tripura, Mizoram, Manipur e Nagaland. Até recentemente estes estados tinham restrições aos visitante sendo necessárias autorizações (permits), mas actualmente, somente o estado de Arunachal Pradesh exige permits para os visitantes, tanto estrangeiros como de nacionalidade indiana, dada a delicada fronteira com a China.

Guwahati
Guwahati

 

Depois de uma viagem de comboio de cerca de 30 horas, espera-nos a habitual agitação das cidades, com barulho, trânsito e movimentos apressados das pessoas. Mas Guwahati tem a vantagem de ter a estação de comboios situada mesmo no centro da cidade, o que evita o habitual stress de negociar tarifas com os ávidos motoristas de tuk-tuks.

E sendo a porta de entrada dos estados do Nordeste, nota-se logo à chegada, com uma grande diversidade étnica, onde sobressaem os rostos de traços mongóis, mas onde são predominantes os traços fisionómicos típicos indianos .

Saindo da estação de comboios deparamo-nos com o Paltan Bazaar situado do lado esquerdo da movimentada estrada nacional que atravessa a cidade, a GS Road (Guwahati-Shilllong Road). No Paltan Bazaar, a menos de cinco minutos da estação e do terminal de autocarros, concentram-se os alojamentos, dominando os hotéis, de maior ou menor qualidade. Mas é aqui que as dificuldades começam. Muitos dos hotéis não aceitam estrangeiros, pois é necessário uma licença especial e dado os pouco visitantes não-indianos muitos optam por não pagar. Por isto, os alojamentos mais modestos não aceitam estrangeiros, argumentando que se encontram cheios, quando na verdade as chaves dos quartos aguardam pacientemente na recepção. Assim somos empurrados para hotéis mais caros, alguns tirando partido das poucas alternativas cobrando preços elevados e oferecendo condições miseráveis… 600 rupias que não dão direito a lençóis lavados!

Nesta busca por um local onde dormir surgiu no meu caminho a placa Youth Hostel instituição que desconhecia existir na Índia. No edifício que já viu melhores dias, reina uma atmosfera de vazio e abandono, o quarto precisa de algumas reparações e a casa-de-banho é decrépita, mas o preço, os lençóis lavados e a simpatia dos funcionários fizeram deste local um abrigo para passar um noite antes de seguir viagem para as montanhas de Megahlaya.

Fancy Bazzar
Fancy Bazaar

Da tarde passado na cidade não houve oportunidade para ir longe do centro da cidade e do confuso Paltan Bazaar e do Fancy Bazaar, que apesar do nome pouca diferença fazem. Mas houve tempo para caminhar até às margens do gigantesco Brahmaputra, de águas castanhas e calmas oferece uma paisagem serena que contrasta com o movimento das ruas da cidade. O Brahmaputra, um dos maiores rios asiático, atravessa todo o estado de Assam, seguindo para Sul até desaguar na Baia de Bengal, atravessando as planícies do Bangladesh.

Brahmaputra
Brahmaputra

Na religião Hindu, é popular representação de yoni juntamente com o lingam, que correspondem aos elementos feminino e masculino da criação cósmica, de acordo com a corrente que segue Shiva. Mas poucos são os templos dedicados exclusivamente ao lado feminino desta energia: Shakti (também referida como Devi), a deusa que representa as energias da criação e da mudança, associada à fertilidade e também à criatividade. Em Guwahati encontra-se um dos mais importantes templos dedicados deusa-mãe: o Kamakhya Temple, onde durante Ambubachi Mela são sacrificados animais, de acordo com a tradição tântrica, onde o sangue de cabras simboliza a menstruação anual da deusa Kamakhya.

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Para quem visita o local, o que sobressai é a côr vermelha, simbolizando a menstruação, o ciclo reprodutivo feminino e a fecundidade: o vermelho das vestes dos pujari (seguidores da deusa Kamakhya), o vermelho das flores que adornam estátuas, o vermelho do pigmento que cobre as estátuas da deusa Kamakhya, junto da qual se acendem incensos e velas, o vermelho que parece jorrar das vaginas de estátuas associadas à fertilidade.

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

 

Como ir até ao Kamakhya Temple:

Para ir ao Kamakhya, pode-se apanhar um dos autocarros que passam na GS Road. Basta perguntar por “kamakhya” e pára na estrada principal (AT Road). O bilhete de bus custa 8 rupias. Depois de passar por um pórtico (gate) encontram-se autocarros da ASTC que fazem o percurso até ao cimo da colina, por 7 rupias; partem quando estão cheios e o percurso demora uns 10 minutos. Existem um acesso pedonal, uma escadaria coberta, que acede ao templo mas que parece ser pouco utilizada face ao conforto e rapidez dos autocarros.

Para visitar o interior do templo é necessário juntar-se às dezenas de peregrinos que aguardam pacientemente numa longa fila, para depositar as oferendas junto do altar da deusa Kamakhya. Mas como acontece muitas vezes na Índia, onde se cultiva a distinção entre classes sociais, existe um acesso VIP que poupa aos peregrinos e visitantes a uma longa espera, mediante o pagamento de 501 rupias… sim, quinhentas e uma… vá-se lá saber o porquê desta modesta rupias no meio de outras 500!!?!?

 

Portico junto à estrada principal onde estacionam os bus que vão até ao cimo da colina. Kamakhya Temple. Guwahati
Portico junto à estrada principal onde estacionam os bus que vão até ao cimo da colina. Kamakhya Temple. Guwahati

 

autocarro para o Kamakhya Temple. Guwahati
autocarro para o Kamakhya Temple. Guwahati

 

Kamakhya Temple. Guwahati
Kamakhya Temple. Guwahati

Onde dormir em Guwahati:

Para quem fica somente por uma noite, a GS Road e as ruas transversais oferecem dezenas de opções com variados preços. Da busca efectuada não se consegue um quarto com casa-de-banho partilhada por menos de 500 INR, que contudo não garantem lençóis lavados.

Inesperadamente surgiu o Youth Hostel que fica num discreto acesso do lado direito da GS Road, na esquina com MD Shah Road. O edifico parece abandonado e de facto ninguém ocupa os quartos, sendo o usado com escritórios de uma organismo estatal ligado ao turismo. O quarto disponibilizado funciona em regime de dormitório, com 4 camas e cada-de-banho, mas encontram-se em más condiarntudi m.em o quarto ficou ssment euma noite e se encontra com orçameto usado com escritório, mulheteções, a precisar de reparações profundas em especial a casa-de-banho. A cama é confortável e os lençóis são limpos; tem rede mosquiteira.

Uma opção para quem pretendi ficar somente uma noite em Guwahati e se encontra com orçamento muito limitado.

Youth Hostel Guwahati: Quarto em dormitório, com casa-de-banho: 250 INR (pelo quarto, independentemente do numero de ocupantes). Apesar de ser um dormitório, como não há mais ninguém o quarto ficou só para mim.

Youth Hostel. Guwahati
Youth Hostel. Guwahati

 

Youth Hostel. Guwahati
Youth Hostel. Guwahati

 

Youth Hostel. Guwahati
Youth Hostel. Guwahati

Onde comer em Guwahati:

Muitos restaurantes, aqui chamados de “hotel” alinham-se junto à estação de comboios e ao longo da GS Road, assim como nas ruas transversais do Paltan Bazaar, com thalis vegetarianos aceitáveis por 60 rupias. Domina a comida típica indiana, mas numa versão mais pobre, com arroz, caris à base da batata e dal aguados. Quase todos os restaurantes servindo pratos veg (vegetariano) e non-veg (não vegetarianos), o que reflecte o gosto dos Assameses pela carne.

Óptimas parahtas durante a manhã nos dois pequenos restaurantes no inicio da GS Road, o Greenview e o Deepak Restaurant, localizados do lado direito de quem vem da saída sul da estação de comboios.

 

"parathas" no Paltan bazaar. Guwahati.
“parathas” no Paltan bazaar. Guwahati.

 

restaurante de comida indiana e deliciosas "parathas" no Paltan bazaar. Guwahati.
restaurante de comida indiana e deliciosas “parathas” no Paltan bazaar. Guwahati.

 

Caso se esteja no Fancy Bazaar e se sinta o apelo do estômago, o Rajhans Hotel, num segundo andar de um anónimo edifício é uma simpática opção, com comida vegetariana, atendimento acolhedor e uma decoração que nos remete para uma cantina de escola, onde o passar do tempo deixou um certo carisma.

Rajhans Hotel: S.S. Road, Fancy Bazaar, Guwahati. Thali vegetariano por 70 rupias.

Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.
Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.

 

tahli no Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.
tahli no Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.

 

Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.
Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.

 

Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.
Rajhans Hotel. Vegetariano. Fancy bazaar. Guwahati.

 

Transportes em Guwahati:

Tanto a estação de comboios como o terminal de autocarros públicos (ASTC) ficam convenientemente situados no centro da cidade, perto de alojamentos e restaurantes e demais actividade comercial.

De Guwahati existem comboios que atravessam o estado de Assam, em direcção a Norte, até Dibrugarh, passando por Dimapur.

Nota: a estação de comboios de Guwahati tem duas entradas: o lado Norte (do mesmo lado do rio) e que é a entrada principal, e uma outra do lado Sul que dá directamente para a GS Road (Guwahati-Shilllong Road). O Reservation Office (para bilhetes de longa distância) fica num edifício a uns metros da entrada Norte da estação (oposta ao Paltan bazaar).

 

Guwahati Train Station. South entrance. Paltan Bazaar
Guwahati Train Station. South entrance. Paltan Bazaar

 

Guwahati Train Station. North entrance.
Guwahati Train Station. North entrance.

 

O terminal de autocarros públicos fica mesmo à saída da estação de comboios (perto do Paltan Bazaar). A bilheteira da ASTC é no interior do edifício, apesar de haver vários quiosques de empresas privadas que também vendem bilhetes da empresa pública.

  • O bus (ASTC) de Guwahati para Shilong parte às 7.30 am, e a viagem demora 4 horas.Bus ticket de Guwahati para Shilong: 135 rupias (a/c)… de facto o ar-condicionado não funciona, mas é suportável pois o autocarro circula sempre com a porta aberta, e à medida que nos afastamos das planícies de Assam a temperatura é mais fresca.

 

horários. Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati
horários. Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati

 

Terminal de bus ASCT em Guwahati
Terminal de bus ASCT em Guwahati

 

Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati
Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati

 

horários. Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati
horários. Terminal de autocarros da ASCT em Guwahati

 

Em alternativa aos autocarros existem os sumo, um todo-o-terreno partilhado, que é um modo de transporte muito comum nos estados do Nordeste, e que faz a ligação entre as principais cidades. No interior do Guwahati Bus Terminal, na zona onde estacionam os autocarros encontra-se um quiosque onde se podem comprar bilhetes para os sumo. Em geral estes veículos não têm horário definido, circulando durante o dia desde manhã muito cedo, e partem quando estão cheios.

  • sumo de Guwahati para Shilong: 170 rupias (a viagem demora cerca de 2.45h, dependendo do trânsito e do número de paragens)

bilheteira de "sumo" no Terminal Central de autocarros
bilheteira de “sumo” no Terminal Central de autocarros

Internet em Guwahati

A maior parte dos hotéis não tem internet, os que têm cobram por vezes 100 rupias por dia. A melhor opção são os postos de internet que são raros e nem sempre são fáceis de encontrar.

Na GS Road, do lado esquerdo de quem se afasta da estação de comboios, existem um edifício de lojas “complex” onde no primeiro andar existe um posto de Internet, Virtual Office-Cyber Café, com boa ligação e com wi-fi.

  • Wi-fi: 30 rupias por hora.

 

altitude: 56 m

população: 809.895

Shillong… chegada à “morada das nuvens”

Sendo Shillong a capital do estado Indiano de Meghalaya, que literalmente significa “morada das nuvens” devido à elevada pluviosidade, fui recebida com céu cinzento que em poucos minutos se tornou numa tempestade com o escuro céu a iluminar-se com os relâmpagos, fazendo descer a temperatura e fazendo-nos lembrar que estamos já em zona de montanha. Passada a tormenta foi tempo de percorrer as ruas do centro da cidade em busca de um alojamento a preços modestos, tarefa que se revelou exasperante, à semelhança do que se passou anteriormente em Guwahati: hotéis que não recebem estrangeiros, o fim-de-semana que atrai muita gente a estas paragens mais fresca, e um qualquer evento na cidade a atrair visitantes do resto da Índia.

Depois da ronda pelos vários hotéis, onde a resposta foi quase sempre “full”, mesmo quando aparentemente o local se encontra deserto, chega-se finalmente a um local que se apresenta deserto – Marwari Basa Hotel – modesto e de preços razoáveis, contudo pouco acolhedor tendo em conta o clima de Shillong. Seguisse mais uma ronda, pelas sempre íngremes ruas do centro da cidade, que se revelou infrutífera, em parte pelos preços elevados em parte pela habitual resposta de “full” que se aplica também a locais que não têm licença para alojar estrangeiros. Aceitando a derrota, com o cansaço a fazer-se sentir nas pernas mas com a moral elevada, foi tempo de retornar Marwari Basa Hotel, que apesar de não ser cativante se apresentou como a melhor solução… mas para meu espanto, chegando à recepção sou recebida com o desanimador “full”… como é possível?!?!? 15 minutos antes os mais de dez quartos estavam vazios?!?!? Confrontado com a situação de que era óbvio que não havia ninguém o proprietário acedeu em me disponibilizar um quarto, mas pelo dobro do preço!!! Perante tal atitude somente me restou um solene virar costas e reiniciar novamente a busca. Mas desta vez o razoável conhecimento adquirido do centro cidade, permitiu-me encontrar um “cubículo” onde dormir, demasiado caro mas confortável e nas palavras do gerente “more or less clean”!

Medidnfo dioptrias no Police Bazaar. Shillong
Medindo dioptrias nas ruas do Police Bazaar. Shillong

 

Shillong, capital do estado de Meghalaya, dado o clima fresco e ameno das montanhas atrai os habitantes do vizinho estado de Assam, que aqui buscam alivio do calor tórrido das planícies, numa cidade que fica a menos de 3 horas de Guwahati.

Aqui a atmosfera urbana ganha um toque exótico pela presença dos habitantes pertencentes às tribos locais, os Kashi e os Garo, cujas rosto de formas mongóis e pele clara, a baixa estatura e um particular modo de vestir, se destacam facilmente da restante população indiana.

Da suposta atmosfera dos tempos do colonialismo britânico pouco resta nesta cidade situada no topo de uma colina e que parece derramar pelas encostas circundantes. Aqui e ali surgem casas cuja arquitectura revela ligações à Europa, de amplas janelas, alpendres e jardins, mas onde os típicos telhados, bastante inclinados e de configuração complexa, foram sendo substituídos pelo prático alumínio.

O centro da cidade, localmente designado de Police Bazaar, rodeado por cinzentos edifícios de betão e por uma rotunda próxima a partir da qual emanam várias estradas, de trânsito intenso, ruidosas e poluídas, em particular a GS Road permanentemente congestionada de trânsito. Surpreendentemente as zonas comerciais da cidade apresentam-se modernas e cosmopolitas com muitas lojas vendendo as mais populares marcas internacionais de vestuário, o que se reflecte na forma de vestir da população mais jovem, que adoptou totalmente o estilo ocidental.

Police Street. Shillong
Police Street. Shillong

Para além da área cosmopolita da cidade, situada em volta do Police Bazaar a cidade apresenta outras zonas comerciais, menos sofisticadas mas estimulantes.

Circulando por ruas cinzentas e tristes, de prédios degradados e casas precárias, ruas sujas e lamacentas chega-se ao Bara Bazaar (also called Barra bazaar). Um mercado onde se vende um pouco de tudo, onde ao longas das estreitas e labirínticas ruas se alinham lojas cuja mercadoria se estende para além dos limites das mesmas, dificultando a circulação nas ruas apinhadas de gente.

Bara Bazaar. Shillong
Bara Bazaar. Shillong
Bara Bazaar. Shillong
Bara Bazaar. Shillong

Um mercado vibrante e animado, o Bara Bazaar constitui um bom primeiro contacto com a população da tribo Kashi, que domina as colinas desta zona do estado de Meghalaya, e que aqui reúne para vender e adquirir produtos, que vão desde os tradicionais artefactos às modernos roupas, dos brinquedos de plástico às ferramentas de trabalho agrícola, dos bolos caseiros aos cogumelos selvagens!

As mulheres da tribo Kashi, para além dos traços fisionómicos, identificam-se facilmente pela forma de vestir, usando um pano, geralmente de xadrez, que é preso num dos ombros, tapando as roupas já de estilo ocidental.

Deambulando pelo ruas mal pavimentadas do mercado, a concentração é desviada para a variedade e novidade dos alimentos vendidos, fazendo com que de vez em quando um pé resvale para uma poça lamacenta. Aqui e ali surgem olhares curiosos e sorridentes, em rostos redondos mas que não se deixam fotografar.

Shillong
Shillong
Shillong
Shillong

Onde dormir em Shillong:

Muitas opções mas os preços são demasiado elevados para as condições oferecidas, com os hotéis mais focados no turismo indiano e não tanto em backpackers. Não existe propriamente guest houses, mas sim hotéis. Shillong é destino de fim de semana para os turistas indianos de West Bengal.

Perto do Police Bazaar, ao longo da GS Road e nas transversais da Police Street encontram-se várias opções:

Marwari Basa Hotel: quarto individual 300 rupias, duplo 600 rupias, casa-de-banho partilhada. Os quartos são muito básicos mas com boa luz, todos com casa de banho partilhada. O edifício é antigo, entrincheirado entre prédios de betão mas tem algum charme. Fica entre a GS Road (onde está bem assinalado) e a Police Street, numa estreita rua que liga as duas principais artérias da cidade, longe do barulho da GS Road. O dono, o filho, é de uma antipatia extrema.

Hotel Lamlyn (GS Road) quarto individual com casa-de-banho: 600 rupias. Staff simpático mas ambiente barulhento. Alguns quartos não têm janela, como é o caso do quarto individual. Razoavelmente limpo, com casa-de-banho moderna e água quente.

Hotel Lamlyn... "more or less clean sheets" using the word of the owner. Shillong
Hotel Lamlyn… “more or less clean sheets” using the word of the owner. Shillong

 

Aparentemente há um Youth Hostel em Shillong mas não consegui encontrar.

Onde comer em Shillong:

Em Shilllong sobressaem os restaurantes de comida indiana, desde os mais modestos aos mais sofisticados.

Mas a escolha foi para os simples momos, num pequeno e despretensioso restaurante numa das ruas pedonais que liga GS Road e a Police Street (AC Lane). Aqui somente são servidos momos, vegetarianos e de carne, e sopa, um espesso caldo de galinha, com uma refeição a custar a módica quantia de 40 rupias. O restaurante está aberto durante todo o dia, mas encerra cedo, pouco depois do pôr-do-sol.

momos restaurant. Shillong
momos restaurant. Shillong
momos restaurant. Shillong
momos restaurant. Shillong

No Bara Bazaar existem alguns restaurantes e pelas ruas podem-se encontrar vendedores de pães e doces, como uns deliciosos bolos de côco cozinhados ao vapor, especialidade de Sohra, povoação vizinha.

Transportes em Shillong:

O pouco que há para ver pode ser feito a pé, contudo todas as ruas são inclinadas. A Police Bazaar Street mostra-se o local mais agradável de percorrer pois está vedada ao trânsito.

Como ir de Shillong para Sohra (Cherrapunjee):

Poucos autocarros circulam aos Sábados em Meghalaya. Não há autocarros públicos ou privados para Sohra (Cherrapunjee) ao Domingo; a única alternativa são os sumos (shared taxis) ou os táxis. Aos Domingos, não há transportes públicos em Meghalaya.

De qualquer maneira, sumos ou autocarros, partem do mesmo local, um terminal de bus situado perto do Bara Bazaar. Deste terminal, um aparentemente inacabado edifício de betão, encontram-se no primeiro andar os sumos com destino a Sohra; circulam todo o dia e partem quando estão cheios (11 passageiros).

  • “sumo” (shared taxis) de Shilllong para Sohra: 70 rupias

A viagem demora 1.5 horas. A vista é bonita e convém ficar junto à janela do lado esquerdo do veículo. O sumo faz uma primeira paragem em Sohra Market, e uma segunda paragem em Lower Cherrapunjee, onde se situa a maioria dos alojamentos e restaurantes, e é o que se pode chamar de zona turística.

"sumo" terminal. Bara Bazaar. Shillong
“sumo” terminal. Bara Bazaar. Shillong
"sumo" para Sohra. Bara Bazaar. Shillong
“sumo” para Sohra. Bara Bazaar. Shillong

Como ir de Shillong para Guwahati:

Os autocarros que ligam Shillong a Guwahti partem da Bus Station que fica na GS Road, a menos de 5 minutos da rotunda principal. Mesmo em frente ao terminal encontra-se um posto de turismo oficial, mas pouco interessa apresenta, pois os mapas fornecidos são pouco úteis e as informações vagas; contudo pode ser útil para quem queira alugar um veículo com motorista.

  • Bus ticket de Shillong para Guwahati: 135 rupias (4h)

Em alternativa pode-se fazer esta viagem em menos tempo recorrendo a um sumo (shared taxi). Os sumos para Guwahti partem na Keating Road, uma das estradas que sai da rotunda principal.

  • sumo de Shillong para Guwahati: 170 rupias (a viagem demora no mínimo cerca de 2.45h, dependendo do trânsito)

 

altitude: 1525 m

população: 132.867

Viajar de autocarro no Sri Lanka… um desafio!

Nenhum relato sobre o Sri Lanka pode ficar completo sem se mencionar os autocarros… esse meio de transporte praticamente incontornável numa viagem pela ilha, em que apesar de existir uma razoável linha de caminho de ferro, esta está longe de cobrir todo o território.

Assim os autocarros têm o papel fundamental de ligar cidades, vilas e aldeias… e não é exagero dizer que praticamente todo o território está coberto por uma rede de autocarros, cujo serviço pode ser lento, mas é garantido! Existe sempre um serviço de autocarros ligando as principais cidades, e caso os horários não sejam convenientes, há sempre a possibilidade de seguir até uma paragem intermédia, e aí apanhar outro autocarro. Por vezes uma viagem de 150 quilómetros pode implicar dois ou três transbordos.

Uma vantagem de viajar de autocarro no Sri Lanka é que os terminal de autocarros, localmente designado de “bus station” é localizado no centro da cidade, geralmente a uma distância possível de ser coberta a pé da estação de comboios. Como inconveniente é o facto de nas grande cidades, como Colombo, atravessar a cidade para chegar ao terminal de autocarros pode implicar uma hora, mesmo fora das horas de ponta!

Trincomalee Bus station. Sri Lanka
Trincomalee Bus station. Sri Lanka
Monaragama Bus station. Sri Lanka
Monaragama Bus station. Sri Lanka
Ktaragama Bus station. Sri Lanka
Kataragama Bus station. Sri Lanka
Pottuvil Bus station. Sri Lanka
Pottuvil Bus station. Sri Lanka

Os terminais de autocarros podem ser gigantescos, como em Colombo, ou modestos como em Pottuvil, onde os autocarros se alinham ao longo da estrada. Também variam em termos de organização e sinalização, mas em geral todos dispõem de indicações do local de paragem de cada autocarro em função do destino a que se dirigem. Quanto a horários a informação é inexistente, sendo necessário recorrer ao posto de informações, ou mais facilmente aos motoristas que esperam junto aos autocarros.

Bus Stand. Sri Lanka
Bus Stand. Sri Lanka

Dada a popularidade num país onde a esmagadora maioria da população (cerca de 8%) não tem automóvel os autocarros são a opção, não só para percursos urbanos, mas também para cobrir longas distâncias, como por exemplo os cerca de 400 quilómetros que separam Colombo de Jaffna, com a epopeica duração de mais de 12 horas.

Sim… as viagens de autocarro são lentas... muito lentas, feitas a uma velocidade média de 35 km/h. Não significa que os autocarros circulem necessariamente a esta velocidade, mas devido ao trânsito que por vezes é intenso mesmo ao longo das estradas nacionais, e essencialmente devido às múltiplas paragens para recolher e deixar passageiros e intervalos para descanso ou refeições. Os autocarros privados, que são a maioria dos que circulam nas estradas nacionais, são ainda piores em termos dos números de paragens pois recolhem passageiros em qualquer ponto, não se limitando somente às paragens oficiais.

As viagens em autocarros nocturnos demoram menos tempo mas são pouco os itinerários em que este serviço está disponível.

É um sistema de exploração onde não existem autocarros expresso, ou sejam que não efectuam paragens intermédias. Contudo os autocarros com ar-condicionado, que somente existem nas zonas mais populosas, fazem muito menos paragens, e algum chegam mesmo a usar as novas “expressways” uma espécie de autoestrada, que encurto o tempo de viagem e aumenta o conforto.

Ar-condition Bus from Colombo to Kandy. Sri Lanka
Ar-condition Bus from Colombo to Kandy. Sri Lanka

Apesar da lentidão, ninguém parece preocupar-se, aceitando o facto como garantido, o mesmo se aplica à sobrelotação, sendo normal os autocarros circularem “mais do que cheios”, ou seja com passageiros pendurados junto às portas. Situação que se agrava em fins-de-semana e feriados, ocasiões aproveitadas para visitar familiares e para peregrinações a locais religiosos.

Contudo dada a eficiente cobertura da rede de autocarros, quer públicos quer privados, e a elevada frequência, donde resulta reduzidos tempos de espera entre transbordos, os autocarros tornam-se numa forma atraente de viajar pelo Sri Lanka.

Em comparação com o comboio, igualmente lento, os autocarros a maioria das vezes não são capazes de oferecer tão interessantes paisagens, em especial nas zonas de montanha, onde o comboio circula por “trilhos” longe das povoações. As estradas nacionais, em especial as que ligam as principais cidades, ou que se desenvolvem em zonas mais densamente povoadas, como Colombo-Kandy e Colombo-Galle, estão longe de oferecerem uma paisagem agradável, com construções ao longo de quase todo o percursos, seja casas, prédios, lojas, armazéns, oficinas, vendedores ambulantes, etc.. que cria uma paisagem desinteressante e visualmente poluída. Para além desta poluição há a juntar os gases de escape dos restantes veículos, maioritariamente autocarros e camiões, aos quais se juntam motas e tuk-tuks. Impossível ficar indiferente ao infernal, constante e perturbador buzinar, que nenhum veículo evita, inclusive o próprio motorista do autocarro, que guia mantendo sempre uma mão na buzina, que está longe de produzir um som discreto, sendo alta e estridente, tornado as viagens de autocarros mais cansativas.

Contudo ficaram paisagens bonitas e viagens memoráveis!

Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka
Bus trips. Sri Lanka

Nenhum autocarro no Sri Lanka tem sistema de cobrança automático, pelo que para além do motorista existe sempre um ajudante, geralmente um rapaz novo, que para além de cobrar os bilhetes apregoa o destino do autocarro, cada vez que este passa por uma paragem ou por um aglomerado de pessoas à beira da estrada.

Bus Driver. Sri Lanka
Bus Driver. Sri Lanka

Os bilhetes podem ter os mais variados aspectos e formatos, alguns com a informação escrita em inglês, outros só em cingalês. O preço é muitas vezes escrito à mão no bilhete em função da distância percorrida… onde os valores são um mistério pois não se encontram afixados. Esta situação leva a que por vezes alguns ajudantes de motorista tentem cobrar mais dinheiro, contudo é uma situação pouco frequente notando-se um elevado grau de honestidade, que não se limite somente às viagens de autocarros mas à população em geral. Os autocarros da companhia estatal SLTB (Sri Lanka Transport Board) têm muitas vezes bilhetes impressos onde consta a origem e destino, assim como a distância e o custo associado à viagem.

Bus Price. Sri Lanka
Bus Price. Sri Lanka
Bus Ticket. Sri Lanka
Bus Ticket. Sri Lanka

Mas seja qual for o valor, o custo é sempre reduzido, contribuindo também para a popularidade dos autocarros, que sendo mais caros que o comboio, têm a vantagem de maior flexibilidade em termos de horários e imbatíveis em termos de frequência.

Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka

E não se pode falar de autocarros sem referir a Lanka Ashok Leyland, nome impresso na frente de qualquer veículo, correspondente à empresa que no Sri Lanka fabrica ou procede à montagem de praticamente todos os autocarros, camiões, tratores e tuk–tuks. Sendo todos da mesma fábrica, todos obedecem ao mesmo modelo, somente com pequenas variações de acabamentos, com o conforto a variar em função da antiguidade do veículo. Sabiamente os veículos mais antigos limitam-se aos percursos curtos e zonas urbanas. Para viagens longas, intercidades os autocarros encontram-se em bom estado, sem contudo apresentarem um maior elevado nível de conforto. Seja qual for o tipo percurso, os veículos são sempre de 5 lugares por fila, dois de um lado e três do outro, sobrando um exíguo corredor, onde é difícil os passageiros cruzarem-se em especial se transportam mercadorias. Os assentos são pouco macios e com o encosto demasiado vertical, e sem apoio para a cabeça, o que se torna incómodo em viagens longas.

Talvez como forma de personalizar esta massiva uniformidade, o interior do autocarros é geralmente decorado de acordo com o gosto e orientação religiosa do motorista, com autocolantes, pósteres, grinaldas de flores de plástico, bonecos de peluche, imagens de Buda, flores, a iconografia hindu ou o rosto de Cristo.

Inside bus. Sri Lanka
Inside bus. Sri Lanka
Sri Lanka_bus inside_Lanka Ashok Leyland_DSC_7698
Bus decorated with plastic flowers and “neem” leaves. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

O tecto assim como os assentos também são personalizados em cada veículos, forrado com materiais plásticos, por vezes de motivos floridos, outros mais discretos. Seja qual for a opção o interior do veículo está geralmente limpo e em razoável estado de conservação.

Todos, mas TODOS os autocarros têm musica, geralmente num volume excessivo, debitado por um ou vários altifalantes, sempre com música local. Alguns podem até ter um televisor que passa sempre um estilo de musica semelhante.

Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

Estes veículos que se assemelham a volumosos paralelepípedos pintados de vermelho escuro ou de branco e azul só um marco incontornável na paisagem do Sri Lanka, seja nas cidades seja ao longo das estradas nacionais, onde por vezes circulam a velocidade excessiva tendo em conta o numero de peões e de outros veículos que ocupa ou crua as estradas. Contudo são uma forma eficiente e prática de viajar pelo Sri Lanka.

Governamental bus vs Private Bus. Sri Lanka
Governamental bus vs Private Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka

… para quem viaja de autocarro no Sri Lanka:

  • Nunca usar a bagageira, está sempre cheia de pó ou de lama, caso chova; mesmo que o motorista insista em colocar a mochila na bagageira, nunca deixar que isso aconteça, insistindo em coloca-la no interior, seja junto ao condutor seja junto à porta da frente, num espaço que não tem assentos.
  • Pode-se dizer que é desnecessário perguntar pela duração da viagem, pois a resposta obriga a longa considerações por parte do motorista e resulta quase sempre “3 horas”… que por vezes se revelam em 4 ou mais. O melhor á fazer um cálculo em função da distância (que geralmente os motoristas também não sabem) e considerar uma velocidade média de 35 km/h.
  • Para poder apreciar a paisagem a melhor opção é ficar sentado no banco da frente, do lado esquerdo (oposto ao condutor) e junto à janela. Caso se fique do lado do corredor, tem-se o desconforto de levar alguns encontrões com a passagem e das pessoas e bagagem. Ficar sentado à frente, no autocarro, tem outro inconveniente que é o som persistente da buzina, que se fazer sentir mais intensamente; em compensação tem-se mais ar fresco que entra pela porta, que geralmente está sempre aberta.
  • A entrada nos autocarros faz-se pela porta de trás, sendo a da frente reservada para a saída dos passageiros. Mas esta regra está longe de ser rígida, sendo por vezes mais fácil entrar pela porta da frente, para pedir informações directamente ao motorista sobre o local de paragem e destino do autocarro.
  • Os veículos pintados de vermelho-escuro pertencem à companhia pública, a SLTB. Os veículos das companhias privadas são geralmente brancos com algumas faixas em azul.
  • Não existem “sleeping buses” no Sri Lanka.
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Lanka Ashok Leyland Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka
Bus. Sri Lanka

Sobre o Sri Lanka

Um país rico e de cultura interessante e diversificada, resultante da longa história e pela posição geográfica que coloca esta ilha na rota comercial entre oriente e ocidente que dominou os mares por vários séculos, donde resulta uma mistura de várias influências: religiosas, culturais, gastronómicas e sociais.

Onde para além das naturais divisões religiosas a sociedade se encontra estratificada por castas, o que condiciona o nível e qualidade da escolaridade, os casamentos, os empregos e a posição na sociedade, que claramente é dominada pelos Cingaleses, maioritariamente budistas, onde pouco espaço sobra para Tamils ou muçulmanos.

Um país onde o clima proporciona abundância e variedade em termos de alimentos, o que é visível nos mercados e ao nível da gastronomia local, e onde o turismo desempenha um papel importante na economia do país.

Um país onde a grande maioria dos 20 milhões de habitantes vive longe da pobreza, onde o nível de literacia é de 98% (um dos mais elevados da Ásia) e onde a esperança média de vida é de 75 anos.

Religião

Apesar da proximidade com a vizinha Índia, a religião dominante no Sri Lanka é o Budismo seguido por 70% da população; segue-se o hinduísmo com 8%, os muçulmanos com 7% e o restante dividido pelas várias correntes do cristianismo deixado pela presença portuguesa, holandesa e britânica.

O budismo domina claramente o mapa religiosa do país, ocupando toda a região central do país, tanto as zonas montanhosas como as planícies, com excepção do norte do país, zona claramente onde a presença Tamil torna claramente hindu.

A comunidade muçulmana é bastante evidente na costa este, predominantemente na zona envolvente a Trincomalee e mais a sul na região de Pottuvil.

O cristianismo ganhou raízes em algumas zonas da costa oeste a norte de Colombo.

Disto resulta uma particular organização da sociedade no Sri Lanka, que se divide por religiões que de grosseiramente correspondem aos diferentes grupos étnicos, e donde resultou uma guerra civil que se arrastou por 25 anos e somente terminou em 2009, opondo a maioria cingalesa ao grupo étnico Tamil, maioritariamente hindu, cuja presença na ilha é anterior ao domínio Britânico, mas que criou um movimento migratório de população do sudoeste da Índia para trabalhar nas plantações de chá do Sri Lanka.

Buddist flags at Sri Pada. Sri Lanka
Buddhist flags at Sri Pada. Sri Lanka
Hindu temple at Kataragama. Sri Lanka
Hindu temple at Kataragama. Sri Lanka
School girls at Arugam Bay. Sri Lanka
School girls at Arugam Bay. Sri Lanka

Língua ou línguas…

No Sri Lanka falam-se duas língua oficiais: o Cingalês, e o Tamil… sendo o inglês o elo de ligação entre toda a população, independentemente de etnias, religiões ou castas. Apesar do ensino do inglês ser corrente nas escolas, nem toda a população, em especial das castas mais baixas, tem oportunidade de aprender inglês. De qualquer das formas praticamente toda a população fala palavras básicas o que é geralmente suficiente para saber preços, direções, horários.

De facto o Sri Lanka é o país onde mais facilmente se encontra população a falar inglês, em comparação com países vizinhos do subcontinente Indiano, anteriormente visitados, como a Índia e o Nepal. É bastante frequente as coisas estarem identificadas também com caracteres latinos, juntamente com a escrita cingalesa e tamil, diferentes entre si, mas usando ambas caracteres complexos de forma arredondada.

Em termos de pronuncia, a leitura do nome das povoações ou de comida, por exemplo, quando escrito em caracteres latinos, não fica muito longe da pronuncia local, com uma ou outra excepção… Ella, pronuncia-se “elaá”!

Hello, in Singalese, Tamil and in latin characters
Hello, in Singalese, Tamil and in latin characters

Poya Day

Segundo a tradição Budista Cingalesa os dias de lua-cheia são considerados sagrados, chamado o Poya, sendo feriado nacional; ou seja, todos os meses há pelo menos um feriado, a somar aos outros dias religioso correspondentes à religião Hindu, praticada pela comunidade Tamil, os da religião católica como o Natal e a Páscoa, aos quais se junta ainda o dia que marca a independência em relação ao Império Britânico.

Mas apesar de serem feriado, nestes dias não é difícil encontrar o comércio a funcionar normalmente, assim como mercados e demais serviços. Excepção são os organismos oficiais, como embaixadas, correios, etc…

Contudo estes feriados, quer seja o Poya day ou outro qualquer dia religioso, em especial se for numa sexta ou segunda-feira, são aproveitados para visitar familiares e amigos e para peregrinações a locais sagrados, pelo que usar transportes públicos, seja autocarro ou comboio, é uma tarefa difícil, que obriga a fazer viagens de duas ou três horas de pé… sem espaço sequer para sentar no chão.

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Sri Lanka calendar with “poya day” (Buddhist) and “thai pongal day” (Hindu)

Burghers

Na costa este do Sri Lanka, em particular nas cidades de Batticaloa e Trincomalee concentra-se uma comunidade distinta dos grupos étnicos dominantes: os burgers.

Por burghers identificam-se os descendentes de portugueses e de holandeses que por laços familiares se foram ligando à população cingalesa, criando um grupo étnico com língua própria, o crioulo, e professando a religião cristã, que ainda hoje se mantêm apesar da passagem dos ingleses que aqui deixaram a religião protestante.

Da presença portuguesa ficaram nomes, os Silva, os Pereira ou Perera, os Fonseca… em nomes de actividades comerciais, em nomes de ruas, inscritos em placas que identificam consultórios médicos ou gabinetes de advogados… mostrando que esta pequena população de burgher detém um estatuto elevado na sociedade Cingalesa.

Em Batticaloa encontra-se a “Lourenço de Almeida Social & Cultural Centre”, uma associação cultural pertencente à “Sri Lankan Portuguese Burgher Foundation”, que desenvolve diversas actividades sociais na região Este do Sri Lanka.

A presença dos burghers, que representam cerca de 0.3% da população do Sri Lanka, é discreta, mas estende-se para além dos nomes e apelidos, nos tons claros de pele e pelos olhos azuis e verdes de alguns dos habitantes.

Portuguese name in a petrol station. Sri Lanka
Portuguese name in a petrol station. Sri Lanka
Train station between Hatton and Ella. Sri Lanka
Train station between Hatton and Ella. Sri Lanka

Cricket vs futebol

Sem dúvida que domina o cricket em termos e desporto, não só pelo que se vê em jornais e televisão mas também pelos campos de cricket improvisados um pouco por todo o lado que atraem a população mais jovem, exclusivamente rapazes.

Pouco ou nenhum espaço sobra para o futebol mas onde o nome de Cristiano Ronaldo não é totalmente desconhecido.

Cricket game near Kataragam Temples. Sri Lanka
Cricket game near Kataragam Temples. Sri Lanka

Vestuário

No Sri Lanka convive o modo de vestir ocidental com a roupa mais tradicional, com os homens a optar maioritariamente por calças e camisa, em especial nas cidades e zonas urbanas, mas onde não é raro encontrar homens usando o tradicional lungi, uma clara influência do sul da Índia e que é uma indumentária leve e fresca, adequada ao clima quente e húmido da região.

Os lungi não seguem nenhum estilo particular do Sri Lanka em termos de cores ou padrões, contudo algum homem ainda optam por usar o tradicional lungi como motivos estampados pela técnica de batik, com desenhos e padrões florais e geométricos, simples e geralmente em cores discretas.

As mulheres maioritariamente abandonaram o complexo e pouco prático sahree, para vestirem saia ou vestido, geralmente abaixo do joelho. Mas o sahree é ainda bastante popular, influência também da cultura indiana, mas que no Sri Lanka é usado num estilo um pouco diferente na forma como é enrolado à volta do corpo. Apesar do uso de não ser dominante, o sahree faz parte da roupa a usar em ocasiões especiais como celebrações religiosas ou dias festivos, e curiosamente faz parte da indumentária obrigatória para professoras das escolas públicas.

Os uniformes dos alunos mantêm um certo estilo colonialista, alguns com gravata, calções e camisa onde sobressaem emblemas… tudo de cor branca, incluindo os sapatos. As raparigas, de cabelo obrigatoriamente entrançado, seguem um estilo semelhante, com saia e camisa.

Sri Lanka traditional outfit for men... on the right side a batik lungi
Sri Lanka traditional outfit for men… on the right side a batik lungi
School kids. Sri Lanka
School kids. Sri Lanka
Colombo. Sri Lanka
Colombo. Sri Lanka

Custo das atrações turísticas

Como habitual em alguns países Asiáticos, o património cultural, natural e religioso capaz de atrair mais turismo é sujeito a uma tarifa mais elevada para estrangeiros.

No Sri Lanka esta descriminação é evidente e extensível a praticamente tudo, desde templos, parques naturais, zonas arqueológicas, museus, grutas, etc.. A única excepção encontrada foi o Dambulla Cave Temple, onde recentemente o governo aboliu o bilhete de entrada, abrangendo qualquer visitante.

Isto faz com que quem viaja com um orçamento reduzido, seja obrigado a fazer uma seleção criterioso e ponderada para eventualmente visitar um dos locais do “roteiro turístico”. A escolha nesta viagem foi para Sigiriya, donde resultam estas considerações…

Como todo o Património Classificado pela UNESCO no Sri Lanka, Sigiriya tem também um elevado custo de entrada, 4200 LKR, o que equivale a 27€, muito mais caro do que um bilhete para visitar o Museu do Louvre (15€) ou o Museu do Vaticano (16€).  O que faz da visita aos locais históricos/turísticos do Sri Lanka, como por exemplo Sigirya, Polonnaruwa ou Anuradhapura, mais cara do que os mais famosos locais da Europa.

A população local paga um valor irrisório, no caso de Sigiriya é de 50 LKR, equivalente a 0.30€, ou tem por vezes direito a entrada gratuita, como é o caso do Buddha Tooth Relic Temple, em Kandy.

O elevado valor serve para preservação dos locais, não estando disponível informação relevantes no local, nem sendo distribuída qualquer brochura ou mapa que permita uma melhor interpretação do local.

Para além da questão da descriminação no preço dos bilhetes, entre população local e estrangeiros, que pode ser até certo ponto aceitável, os valores cobrados aos visitantes são deveras elevados, por vezes 90 vezes mais caros!!!!!… e tudo isto subsidiado pela UNESCO, que por sua vez é financiada por dezenas de países, entre eles os países dos “estrangeiros” que visitam o Sri Lanka!!!

Dinheiro, Bancos e ATM

A moeda no Sri Lanka e a rupia cingalesa, local identificada por “rupia”, que circula em bonitas notas ornamentadas com motivos da flora e da fauna locais, misturados com motivos étnicos e folclóricos aos quais se juntam “marcos” de progresso nacional, como barragens, pontes, portos, etc… tudo envolvido pelos caracteres da escrita cingalês e tamil, que por si só servem de motivo decorativo.

Para os valores mais baixos circulam notas com novo design paralelamente a outras mais antigas, mas mantendo a mesma gama de cores para as duas versões

Moedas também circulam mas mais difíceis de encontrar, num país onde escasseiam os trocos e onde a inflação fez com que com a moeda de valor mais elevado não se consiga comprar um snack, sendo contudo útil bilhetes nos autocarros.

Existem ATM’s um pouco por todo o lado, dos mais variados bancos. A quantidade máxima de dinheiro que é possível obter num ATM no Sri Lanka é de 50.000 LKR por dia. Contudo o valor máximo depende fundamentalmente do limite associado a cada cartão e definido pelo banco. Em Portugal o limite máximo por levantamento é 200€ por movimento, com o máximo de dois movimentos por dia, donde resulta o valor de 30.000 LKR por levantamento.

Independentemente das taxas e impostos cobrados pelo banco associado ao cartão, os banco no Sri Lanka cobram uma taxa de 200 LKR (HNB-Hatton National Bank) a 300 LKR (Comercial Bank… por exemplo).

HNB Bank... that charges 200 SLK commission
HNB Bank… that charges 200 SLK commission

… sobre o branco no Sri Lanka!

Uma das imagens que fica do Sri Lanka é o branco. O branco dos uniformes de escola, o branco das roupas usados pelos peregrinos que rumam aos templos budistas, o branco do lungi do tamil que efectuam os puja junto aos templos hindus, o branco das flores depositadas junto aos templos…

E ainda o branco que impecavelmente cobre igrejas, templos e stupas…. o branco imaculado e impecavelmente mantido que contrasta com o verde da vegetação tropical e com os cabelos negros dos habitantes.

Sri Lanka
Kids visiting Dambulla Temple Caves. Sri Lanka
Sri Lanka
A rest in a visit to the Buddhist “stupa” at Kataragama. Sri Lanka
Church and stupa at Galle Fort. Sri Lanka
Church and stupa at Galle Fort. Sri Lanka

Tuk-tuks, Tuk-tuks, Tuk-tuks…

Impossível ficar indiferente aos milhares de tuk-tuk que circulam pelas ruas e estradas do país… sim milhares, pois não há local onde não estejam presentes na “paisagem” do Sri Lanka, marcando-a de cores garridas e enchendo o ar com a “sinfonia” de buzinadelas.

tuk-tuk line up in front of Galle Train Station. Sri Lanka
tuk-tuk line up in front of Galle Train Station. Sri Lanka

Uma das populares formas de transporte em meios urbanos e para curtas distâncias, os tuk-tuks no Sri Lanka são modernos, limpos e em bom estado de conservação. Todos têm o mesmo modelo, com pequenas variações, sendo fabricados localmente pela omnipresente Lanka Ashok Leyland, que fabrica também autocarros, camiões, tratores, etc…

Talvez como forma de personalizar tão massiva produção muitos dos motoristas de tuk-tuk, que geralmente são também proprietários dos mesmos, optam por colocar garridas decorações no interior ou autocolantes com motivos religiosos ou com frases ou citações cujo significado é por vezes obscuro e enigmático, no exterior do veículo.

Don't follow me... tuk-tuk. Sri Lanka
Don’t follow me… tuk-tuk. Sri Lanka
Face is the index of the soul... tuk-tuk. Sri Lanka
Face is the index of the soul… tuk-tuk. Sri Lanka
Open your mind always... tuk-tuk. Sri Lanka
Open your mind always… tuk-tuk. Sri Lanka

Qualquer viagem de tuk-tuk deve ser negociada antes, e é pouco provável que um estrangeiro consiga um preço inferior a 100 LKR, mesmo para distância curtas de dois ou três quilómetros. Mas mesmo negociando o preço, os condutores de tuk-tuk no Sri Lanka não fazem grandes descontos ao valor inicial.

Still waters run deep... tuk-tuk. Sri Lanka
Still waters run deep… tuk-tuk. Sri Lanka
too much of anything is good for nothing... tuk-tuk. Sri Lanka
too much of anything is good for nothing… tuk-tuk. Sri Lanka
Great minds think a like!.... tuk-tuk. Sri Lanka
Great minds think a like!…. tuk-tuk. Sri Lanka

30 dias no Sri Lanka: custos

Viajar no Sri Lanka não é tão dispendioso como pode parecer à primeira vista, sendo contudo um local pouco atractivo para backpackers, pois as infraestruturas de turismo estão mais vocacionadas nas excursões e nos grupos organizados por agências de viagem. Um turismo mais focado em resorts, boutique hotels, heritage houses, tea states… onde a maioria dos turistas viaja de taxi ou de avião, sendo raro encontrar estrangeiros em autocarros ou comboios, excepto na linha férrea que atravessa  o Hill Country e as plantações de chá.

Contudo o Sri Lanka atrai alguns backpackers, especialmente os que procuram os surf spots e outros que escolhem esta ilha como paragem intermédia entre a Índia e o Sudoeste Asiático.

Contudo, apesar do pouco “backpackers friendly”, viajar no Sri Lanka pode ser uma opção mesmo para reduzidos orçamentos, desde que se opte por usar os transportes públicos (bus e comboio), por dormir em guest houses ou homestays, por evitar as mais populares atrações turísticas, monumentos, templos, parques naturais… basicamente tudo o que envolva excursões ou um bilhete de entrada!

A comida é muito barata, e os restaurantes locais oferecem bastante qualidade a preços muito baixos. A comida de rua é ainda mais barata e geralmente com qualidade.

Os transportes, autocarros e comboio, são extremamente baratos em proporção directa com a lentidão e a falta de conforto.

Custo: 14€/dia

 

Divididos da seguinte forma:

32% comida

45% alojamento

5% transportes

10% cultura e turismo

8% diversos

 

Este valor foi obtido tendo em conta:

  • Todas as viagens formam feitas de comboio ou de autocarro; somente dois tuk-tuks.
  • Praticamente todas as refeições foram em restaurantes de comida local ou street-food. Incluí pelo menos um rice and curry, snacks, fruta e “king coconut” por dia.
  • A água consumida foi em grande parte da torneira, dado que no Sri Lanka é segura, em especial nas cidades.
  • O alojamento foi em guest houses, homestays e alguns budget hotels; maioritariamente em quartos com casa-de-banho. Nunca com ar-condicionado, ou pequeno-almoço incluído.
  • Algumas estadias foram com quarto partilhado.
  • As estadias nas praias da costa Este foram em época baixa; na costa Oeste foram durante a época alta.
  • Nenhum alojamento foi reservado. No local é quase sempre possível negociar um desconto, em especial se se estiver a viajar em época baixa.
  • Inclui somente uma visita um dos muitos locais turísticos: Sigiriya, cerca de 28€… o mais caro por sinal!
  • Não inclui excursões, guias, actividades desportivas ou visitas a parques naturais.
  • Não inclui os custos do Visto.

 

Preços em Janeiro de 2016:

  • Um quarto individual custa no mínimo 1000 LKR
  • Bilhete de comboio Kandy-Colombo (2ª classe): 190 LKR (normal) ou 280 LKR (express)
  • Bilhete de Bus Kandy-Colombo: 160 LKR (115 km)
  • Rice and curry: entre 100 a 200 LKR
  • King coconut: 50 LKR
  • 5 maçãs: 100 LKR
  • Roti (street food): 30 LKR
  • Kottu: 70 LKR

 

Custo do Visto: 35USD

http://www.eta.gov.lk/slvisa/visainfo/fees.jsp?locale=en_US

 

Sri Lanka daily costs: 14€
Sri Lanka daily costs: 14€

Colombo… entre o mar e o bazar

Colombo, a capital do Sri Lanka foi a ultima paragem num itinerário que durou um mês pela ilha do Sri Lanka, anteriormente chamada de Ceilão.

A cidade apresenta pouco motivos de interesse a nível turístico, histórico ou cultural, e dada a sua grande dimensão e trânsito fortemente congestionado, a juntar a clima quente e húmido, pouco entusiasmo despertam os passeios pela cidade.

A parte mais antiga da cidade é a chamada Colombo Fort, que em tempos esteve realmente limitada por muros, dos quais nada resta. Sobrevivem algum imponentes edifícios atestando o poder do colonialismo britânico, onde pelo meios nasceram modernos edifícios, destinados a escritórios e hotéis e habitações de luxo, fazendo desta zona, onde também se situa a residência oficial do presidente, numa calma, sofisticada e bastante policiada zona.

Near Colombo Train Station
Near Colombo Train Station
Colombo Fort
Colombo Fort

Não muito longe, a uma distância que pode facilmente ser feita a pé fica o Galle Face, um passeio que se entende ao longo do mar por cerca de um quilómetro. Durante o dia, sob o inclemente sol, poucos se aventuram por estes lados, mas depois das cinco horas da tarde, com o fim do dia de trabalho, este local começa a atrair muita da população local que aqui ocorre saboreando a brisa fresca do mar. Enquanto se assiste ao pôr-do-sol há tempo para saborear um snacks, vendido num dos mais de dez bancas que se alinham ao longo de Galle Face, curiosamente vendendo todos os mesmo tipo de snacks: pol roti, ulundhu vadai e parippu vada, o que não oferece grandes alternativas a quem quer comer algo sem ser frito.

Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo

Mas o que despertou mais interesse foi o passeio pelo bairro situada junto à estação de comboios de Colombo-Fort, o Pettah, um dos mais antigos bairros da capital Cingalesa, que actualmente está ocupado por um extenso bazar onde se pode encontrar um pouco de tudo, desde comida, tecidos, artigos electrónicos, joalharia, roupa, etc… Num ambiente confuso e movimentado, onde parece dominar o caos, o comércio em Pettah está organizado por ruas, onde cada uma destas artérias está direcionada para um determinado tipo de produtos.

Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo

Circulando pelas ruas de Pettah, que devido ao trânsito, ao elevado número de pessoas, aos vendedores ambulantes e à muita mercadoria empilhada nos passeios, parecem demasiado estreitas, movimentam-se apressadamente carregadores transportando mercadorias às costas ou empurrando carros-de-mão, num esforço acrescido pelo calor tropical que se sente desde o inicio do dia.

Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo
Pettah. Colombo

Assim a estadia em Colombo ficou marcada pelo fervilhante bazar de Pettah e pelos passeio junto ao mar, ao longo da Galle Face, saboreando a brisa morna vinda do mar.

 

Galle Face. Colombo
Galle Face. Colombo

Onde dormir em Colombo:

Em Colombo as opções mais baratas encontram-se mais para sul da cidade, pelo que quem pretende somente ficar por Colombo por uma ou duas noites, seja à chegada seja no fim da viagem, a melhor opção é ficar em Colombo-Fort. Em Colombo-Fort localizam-se a estação de comboios e dos dois terminais de autocarros, assim como a paragem de onde partem os autocarros com destino ao Aeroporto de Negombo, oficialmente chamado Bandaranaike International Airport.

Contudo Colombo-Fort é uma zona bastante cara em termos de alojamento, não existindo muitas opções. Num hostel, uma cama num dormitório custa cerca de 18€ (Cityrest Fort Hostel) pelo que a opção mais barata surgiu no YMCA, uma instituição centenária que ocupa um edifício igualmente antigo.

Não sendo muito bem referenciado nos guias turísticos, YMCA Colombo oferece condições razoáveis para uma estadia na cidade, disponibilizando uma gama bastante variada de quartos, desde dormitórios, até quartos duplos. As casas de banho são partilhadas. Os quartos assim como as casas-de-banho necessitam de algumas reparações, mas o básico está assegurado. Os quartos dispõem de mobília antiga e pesada o que combina com o estilo austero dos quartos e corredores, tudo contribuindo para criar uma atmosfera cativante que faz esquecer as pequenas falhas e algum falta de conforto. Um bom local para ficar em Colombo, contudo com o preço demasiado elevado para as condições oferecidas.

YMCA Colombo

Address: 39, Bristol Street, Colombo 01

Tel: 011-2325252/3

Email: ymcacbo@sitnet.lk

Dorm (male or female): 1500 LKR

Single room: 2050 LKR, shared toilette

YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo
YMCA Colombo. Rates
YMCA Colombo. Rates
YMCA Colombo
YMCA Colombo

Uma outra alternativa para quem não pretende passar muito tempo em Colombo, ou só umas horas entre comboio, avião ou autocarro, é ficar na zona de Pettah. Mesmo em frente à estação de comboios de Colombo-Fort, do outro lado da rua, ficam várias pensões ou guest houses que alugam quartos, geralmente por cima de restaurantes ou de lojas. A zona é movimentada e barulhenta, mas para uma estadia curta pode ser uma boa opção.

Room in front of Colombo-Fort Train Station. Colombo
Room in front of Colombo-Fort Train Station. Colombo

Onde comer em Colombo:

Da estadia de duas noites em Colombo ficaram dois locais muito recomendáveis:

Uma das opções foi em Pettah para saborear um delicioso rice and curry, em atmosfera local, num restaurante predominantemente frequentado por muçulmanos, mas onde facilmente se encontra comida vegetariana:

Hotel Bankshall

Address: 57, Bankshall Street. Petah, Colombo 11

Neste “hotel” que nada tem a ver com aluguer de quartos, serve-se entre outras coisas, um apetitoso rice and curry por 110 rupias, com direito a “refill” e a muitos sorrisos no meio dos olhares curiosos dos restantes clientes pouco habituados a estrangeiros neste local.

Hotel Bankshall
Hotel Bankshall
Rice and curry at Hotel Bankshall, Pettah. Colombo
Rice and curry at Hotel Bankshall, Pettah. Colombo

 

Em Colombo-Fort, dois quarteirões por trás da YMCA encontra-se o Ruhunu Food Center, um restaurante que serve desde rice and curry, a snacks, sandwiches, hoopers, roti, kotu… muito movimentado e um pouco confuso, mas com comida muito boa e servida com simpatia. Mesmo ao jantar é possível encontrar aqui rice and curry, o que é invulgar no Sri Lanka, onde este prato fica geralmente reservado para o almoço.

Ruhunu Food Center

Address:  Lotus Rd, Colombo 01 (perto da Sri Lanka Telecom e da Sir Baron Jayathilaka Mawatha Road)

Ruhunu Food Center
Ruhunu Food Center

Transportes em Colombo:

Em Colombo as distâncias são grandes com a cidade a estender-se por alguns quilómetros ao longo do mar, pelo que o tuk-tuk será uma boa opção, apesar do trânsito ser intenso, ruidoso e o ar poluído.

Os autocarros são de longe a solução mais barata, e dada a grande oferta, de certo que se encontra um autocarro para qualquer zona da cidade.

Contudo, a minha experiência ficou-se pelas caminhadas a pé, entre Pettah, Fort e Galle Face.

Em Colombo-Fort estão concentrados os principais transportes públicos que servem a cidade e também os que se destinam a outros pontos do país: estação de comboios (Colombo-Fort), e dois terminais de autocarros, Colombo Central Bus Stand e Bastian Mawatha Bus Station, tudo situado num raio de 500 metros.

 

Como ir de Colombo para o Aeroporto (Negombo):

How to go from Colombo to the Airport

 

População de Colombo: 650.000

Altitude de Colombo: 9 metros

A comida no Sri Lanka

A comida do Sri Lanka é sem duvida marcada fortemente pelas especiarias, pelo côco e sobre tudo pelo picante… sim, a comida tradicional é verdadeiramente picante e não é para estômagos fracos, contudo não é de todo em exagero, pois não se sobrepõe ao sabor dos restantes ingredientes!

Em termos de especiarias o que sobressai é o cominhos, coentro, cravinho, cardamomo, gengibre e açafrão (tumeric) e folhas de caril (curry leaves) e canela, que no Sri Lanka tem um paladar menos doce do que o habitual. O coentro é usado em pó, sementes ou fresco. O cominho é também muito frequente, sendo comum encontrar estas sementes nos caris, que são fritas juntamente com alho. A cebola é usada muitas vezes crua, na preparação de condimentos que acompanham os caris, como o sambol, uma mistura de ingredientes crus, que pode ser de côco (pol sambol) ou de vegetais (gotukola sambol)… mas sempre picante.

Como base da alimentação está sempre o arroz, seja simplesmente cozido a acompanhar os aromáticos e deliciosos caris ou seja na preparação de string hoppers (idyyappam), uma espécie de noodles feitos de farinha de arroz que podem ser consumidos como refeição, acompanhados de caris, ou numa versão doce, recheados de côco ralado e açúcar chamados de lavariya (sweet string hoppers)… ambos podem ser encontradas ao pequeno-almoço!

O arroz está também presente num outro ícone da cozinha Cingalesa, os hoppers, uma panqueca espessa no centro e estaladiça nas pontas, feita à base de farinha de arroz e leite de côco, que serve de snack ou como refeição, acompanhados de caris ou de molhos picantes. Com ingredientes semelhantes, fazem-se os coconut hoppers, mas sendo cozinhados ao vapor, ficam macios e suaves, menos populares do que os hoppers mas muito mais saborosa e adocicada versão.

String hoppers, feitos de farinha de arroz e servidos muitas vezes como pequeno-almoço... estes feitos com farinha de arroz integral que lhes dá o tom acastanhado
String hoppers, feitos de farinha de arroz e servidos muitas vezes como pequeno-almoço… estes feitos com farinha de arroz integral que lhes dá o tom acastanhado
Hoppers cuja massa é cozinhada em pequenas panelas sobre lume forte, até a parte mais fina ficar estaladiça e com o centro, por ser mais espesso, fica fôfo e macio
Hoppers cuja massa é cozinhada em pequenas panelas sobre lume forte, até a parte mais fina ficar estaladiça e com o centro, por ser mais espesso, fica fôfo e macio
Coconut Hoppers... uma versão doce para pequeno-almoço
Coconut Hoppers… uma versão doce para pequeno-almoço

A comida do Sri Lanka apresentam uma grande variedade de ingredientes sobretudo vegetais, e apesar de ser um país maioritariamente budista, não é raro o consumo de carne, geralmente frango, e de peixe, em especial nas zonas mais perto da costa. Mas é extremamente fácil encontrar comida vegetariana, tanto ao nível de refeições como de snacks. Nas regiões onde predomina a religião muçulmana é evidente o maior consumo de caris feitos de carne, ao passo nas regiões de maior presença Tamil, é mais fácil encontrar comida vegetariana.

Snacks e Street food:

E por falar em snacks… o Sri Lanka foi uma agradável surpresa: pela variedade, pelo sabor, pela facilidade em encontrar um pouco por todo o lado estes deliciosas petiscos seja logo pelo pequeno-almoço, como em qualquer hora do dia, que servem de refeição ligeira. Vendem-se nas bakery, nas roti shops, nos restaurantes, em quiosques e bancas de rua… nos comboios, nos autocarros… em vendedores ambulante de bicicleta…

Os nomes são muitos… ulundhu vadai, parippu vada, samosas, pol roti, coconut roti, patties, rolls, cutlets, roti... que em comum têm o facto de serem fritos, picantes e geralmente vegetarianos.

Em termos de comida de rua os mais fáceis de encontrar são os ulundhu vadai um pastel de massa frita, em forma de anel, condimentado com especiarias, que por vezes é aberto ao meio e recheado de uma pasta vermelha e picante. Também muito populares são os parippu vada, um pequeno pastel cuja massa é feita de uma pasta de lentilhas, que depois de frito fica estaladiço e picante.

Ambos bastante oleoso, mas muito saborosos, vendidos frequentemente nos comboios e nos autocarros, por vendedores ambulantes que a custo circulam com cestos pelos onde estes petiscos se empilham… mas que também fáceis de encontrar em bancas de rua, geralmente nas zonas mais movimentadas da cidade, como os mercados, terminais de autocarros e à entrada de estações de comboio. Feitos logo pela manhã, ou ao fim da tarde, ficam empilhados nas vitrines, que expostas para a rua servem para anunciar uma nova remessa destes snacks.

em cima "paties" recheados de vegetais em forma de meia-lua e "ulundhu vadai", massa frita em forma de anel. em baixo "parippu vada" um pastel frito feito de lentilhas, picante e estaladiço
em cima “patties” recheados de vegetais em forma de meia-lua e “ulundhu vadai”, massa frita em forma de anel. em baixo “parippu vada” um pastel frito feito de lentilhas, picante e estaladiço

A estes podem-se juntar os chamados patties, um pastel em forma de meia-lua, cuja massa faz lembrar os pastéis de massa-tenra, e que são recheados com uma pasta de vegetais ou de lentilhas, e fritos em óleo. Com um recheio semelhante, mas com uma massa diferente e cozinhados no forno, surgem as samosas (chamussas) sendo geralmente vendidos em bakery, lojas semelhantes a cafés mas destinadas essencialmente à venda destes snacks salgados, assim como alguns doces, sumos e gelados… e onde também se pode saborear chá e café.

Há ainda mais uma grande variedade de snacks, quase sempre fritos como os rolls e os cutlets, geralmente de peixe ou carne, mas por vezes também de vegetais, semelhantes aos croquetes, em forma de cilindro ou de bola, mas sempre panados e fritos em óleo. Seja qual for a opção o recheio é sempre picante.

Mas sem duvida que os mais populares, seja em que parte do país for, seja em grande cidades ou pequenas povoações são os roti, confeccionados nas chamadas roti shops, que também servem kottu. Os rotis são pastéis feitos de massa muito fina, a mesma massa que se usa nas parahtas, que é recheada com uma pasta de vegetais, fortemente condimentada e picante. Depois da massa ser dobrada em forma de triângulo, ligeiramente espalmado, é frita sob uma placa metálica. Se forem recheados de peixe têm uma forma de cilindro e se forem de carne têm a forma de um rectângulo.

"roti" com a forma de triangulo indicando que têm recheio de vegetais
“roti” com a forma de triangulo indicando que têm recheio de vegetais
"Pol roti", uma panqueca de farinha de arroz e côco, salgada e que é acompanhada de uma pasta picante. Ao meio estão "ulundhu vadai", um pastel de massa frita, condimentado com especiarias
“Pol roti”, uma panqueca de farinha de arroz e côco, salgada e que é acompanhada de uma pasta picante. Ao meio estão “ulundhu vadai”, um pastel de massa frita, condimentado com especiarias
vendedor ambulante de snacks nas ruas de Galle Fort
vendedor ambulante de snacks nas ruas de Galle Fort
snacks à venda em Gelle Front, que depois do pôr do sol e local popular para passear em Colombo, saboreando alguns snacks e a brisa fresca do mar
snacks à venda em Galle Front, que depois do pôr-do-sol e local popular para passear em Colombo, saboreando alguns snacks e a brisa fresca do mar
"roti shop" que também serve hoppers
“roti shop” que também serve hoppers

Rice and curry:

Mas se os snacks criaram boa impressão da variedade e paladar da gastronomia do Sri Lanka, o rice and curry, foi marcante, tendo sido a refeição obrigatória dos 30 dias passados no Sri Lanka. Geralmente ao almoço, mas por vezes também como primeiro refeição da manhã, o rice and curry é uma refeição equilibrada, saudável e energética, deixando o estômago satisfeito por bastantes horas. Por tudo isto é a refeição mais popular no Sri Lanka, sendo barato e fácil de encontrar um pouco por todo o lado.

Mesmo sendo consumido diariamente o rice and curry (assim chamado também no Sri Lanka) nunca cansa nem se torna aborrecido, pois é surpreendente a variedade de ingredientes usados, dos quais resulta uma grande diversidade de caris.

Para além do arroz e de um espesso caril de lentilhas condimentado com folhas de caril (curry leaves) e malaguetas secas e fritas, os caris usam ingredientes como abóbora, courgette, jackfuit, banana, batata, beterraba, feijão verde, quiabos, beringela, diversos legumes de folha verde, alguns frutos… a somar a muitos outros ingredientes não identificados ou que fogem aos meus conhecimentos. A completar o prato que tem sempre uma base vegetariana, podem ainda ser adicionados caris de peixe ou de carne.

A jackfruit, um gigantesco fruto tropical, consumido fresco mas que no Sri Lanka é mais usado em caris, nos seus diferentes estados de maturação, desde “verde” a maduro; é não só a polpa é usada, sendo aproveitadas também as sementes, que são cozinhadas como feijões. O jackfruit, apesar de não ter um sabor muito intenso, apresenta uma textura macia deixando a comida com um aspecto pegajoso, resultante da goma natural do fruto… um pouco como os quiabos.

Rice and Curry.... no primeiro plano o "gotukola sambol", à esquerda o "dahl", à direita um caril de beterraba, e ao fundo um caril de "jackfruit"
Rice and Curry…. no primeiro plano o “gotukola sambol”, à esquerda o “dahl”, à direita um caril de beterraba, e ao fundo um caril de “jackfruit”
Homemade Rice and Curry... arroz, batata, frango e abóbora, tudo cozinahdo com óleo de côco
Homemade Rice and Curry… arroz, batata, frango e abóbora, tudo cozinahdo com óleo de côco
Rice and Curry... onde é colocada à disposição o arroz e os vários caris para fazer o "refill" do prato
Rice and Curry… onde é colocada à disposição o arroz e os vários caris para fazer o “refill” do prato

Apesar da diversidade de caris, a base é sempre o arroz, servido numa generosa quantidade, podendo ser de grão branco ou o chamado localmente “red”, uma variedade de arroz tradicional do Sri Lanka, que onde o grão depois de cozido parece trazer uma pequena camada de “pele” de tom avermelhado ou acastanhado. Mais saboroso mas menos comum do que o arroz “branco”.

Acompanhado quase sempre o prato de rice and curry vem o papadum, uma bolacha fina e estaladiça que é frita em óleo, servida sempre numa pequena quantidade.

Rice and Curry... "red rice" ao centro, em baixo dahl, à esquerda caril de abóbora e "gotukola sambol", no topo feijão-verde, e à direita "pol sambol"
Rice and Curry… “red rice” ao centro, em baixo dahl, à esquerda caril de abóbora e “gotukola sambol”, no topo feijão-verde, e à direita “pol sambol”
Rice and Curry servido de forma tradicional, com os vários caris e condimentos, colocados em potes de barro, onde cada pessoa se serve em estilo "buffet"
Rice and Curry servido de forma tradicional, com os vários caris e condimentos, colocados em potes de barro, onde cada pessoa se serve em estilo “buffet”
Rice and Curry, com "jack fruit" curry do lado direito, e "papadum" no topo
Rice and Curry, com “jack fruit” curry do lado direito, e “papadum” no topo
Rice and Curry servido de forma tradicional em folha de lótus
Rice and Curry servido de forma tradicional em folha de lótus

As combinações de caris são muitas e variadas, geralmente com duas ou três variedades, por vezes quatro, resultando num prato colorido e atractivo. Atractivo é também o preço, pois pode-se encontrar um rice and curry vegetariano por 80 LKR (0.50€) nas pequenas povoações, e nas cidades a custar entre 100 a 150 LKR, caso se opte por um dos restaurantes mais simples e informais. Nas zonas turísticas os valores sobem para 200 LKR (1.3€) mas em alguns restaurantes podem custar mais do 400 LKR. As opções com carne ou peixe são sempre um pouco mais caras.

O rice and curry é servido no prato, mas sempre com direito a “refill” caso não se esteja num restaurante mais sofisticado ou em zonas muito turísticas.

Em alguns locais, seja em pequenas bancas de rua, à porta de um café, num quiosque de um terminal de autocarros e em restaurantes mais modestos é frequente encontrar-se o rice and curry em sistema de takeaway, no Sri Lanka chamado de “parcel” em que a comida é envolvida num plástico e depois embrulhada e papel de jornal. Este sistema e bastante popular entre a população local, mas pouco prático caso se esteja em viagem , pois não são fornecidos talheres, dado que no Sri Lanka é tradição e costume comer com a mão (direita) sendo os talheres facultados somente nos restaurantes, resumindo-se a uma colher.

Rice and Curry, com "pol Sambal" no lado direito do prato; do lado esquerdo uma mistura de vegetais com côco de sabor fresco e ao mesmo tempo picante
Rice and Curry, com “pol Sambal” no lado direito do prato; do lado esquerdo uma mistura de vegetais com côco de sabor fresco e ao mesmo tempo picante.
Rice and Curry.... com dahl, "papadum", e uma mistura de sementes de "jackfruit", que se assemelham a feijões e que são cozinhadas com côco e especiarias formando um original caris
Rice and Curry…. com dahl, “papadum”, e uma mistura de sementes de “jackfruit”, que se assemelham a feijões e que são cozinhadas com côco e especiarias formando um original caris
Rice and Curry.... com "red rice", dhal do lado esquerdo, "jackfruit" curry do lado direito e ao fundo "gotukola sambol" uma mistura de um vegetal de folha verde com côco e cebola, que por ser crua, cria um interesante contraste
Rice and Curry…. com “red rice”, dhal do lado esquerdo, “jackfruit” curry do lado direito e ao fundo “gotukola sambol” uma mistura de um vegetal de folha verde com côco e cebola, que por ser crua, cria um interesante contraste

 

Pode-se considerar que o rice and curry é o prato nacional do Sri Lanka, transversal a todos os grupos étnicos, castas e religiões.

Roti e Kottu:

Apesar de poder dizer que o rice and curry é o prato nacional do Sri Lanka, os rotis e kottus, são fortes concorrentes neste título. São baratos. fáceis de encontrar um pouco por todo o lado, apresentam uma grande variedade e são apetitosos.

Os rotis são mais frequentes como snack, de manhã ao pequeno almoço ou durante o dia entre refeições. Mas podem ser consumidos como almoço acompanhados de outros snacks disponíveis no restaurante, que vêm para a mesa num prato, com o cliente a fazer  a seleção e a pagar somente os que consumiu.

Os rotis são feitos com a mesma massa das lachha parathas, um pão achatado de massa muito fina, não levedada, que é estendida com a ajuda de bastante óleo até quase rasgar. Depois de enrolada é espalmada e frita numa chapa metálica até ficar dourada e ligeiramente estaladiça… um pão que acompanha refeições e que é uma clara influência Tamil do Sul da Índia (não confundir com as parathas do norte da Índia).

roti, pasteis de massa fina, recheados, que são fritos sobre uma chapa metálica
roti, pasteis de massa fina, recheados, que são fritos sobre uma chapa metálica

Os kottus, cozinhados nas chamadas “roti shops” são a mais popular opção para o jantar fora de casa. Os kottus têm por base uma panqueca feita de farinha de trigo, semelhante às parathas, que é frita em chapa metálica, e depois cortada em pequenos pedaços e misturada com legumes, ovo ou carne. Disto resulta uma refeição consistente mas pouco nutritiva dado que os vegetais (cebola, cenoura, tomate, ervilhas, spring onions…) são em pequena quantidade, donde resulta muito massa e algum óleo. Mas a preparação do kottu merece sempre atenção, pois envolve um pequeno espetáculo do cozinheiro que com duas espátulas metálicas, corta e mistura os ingredients com a massa, sobre a chapa metálica, tarefa executada com movimentos elaborados e espetaculares, mas que produz um barulho um pouco irritante e que se sobrepõe às conversas.

Kotu
Kottu de vegetais

Mas com o mesmo nome, roti, pode também indicar outro snack, este mais comum nas roti shops e em alguns restaurantes. Estes roti são feitos com a mesma massa das parathas, sendo preparados no momento, e podendo ter variados recheios (vegetais, carne, peixe, queijo) resultando numa espécie de crepe de massa muito fina, achatado, dobrada em forma de rectângulo.

roti, mas numa outra versão, e preparados na hora, cujo recheio pode ter muitas combinações, desde vegetais, caris, queijo, ovo... e até chocolate e banana, para agradar ao guloso padrão ocidental
roti, mas numa outra versão, e preparados na hora, cujo recheio pode ter muitas combinações, desde vegetais, caris, queijo, ovo… e até chocolate e banana, para agradar ao guloso padrão ocidental

As “roti shops” especializam-se em rotis, kotus e fried-rice… mas para encontrar um rice and curry, o melhor é procurar um restaurante que aqui no Sri Lanka, se identificam de “hotel”, sendo esta designação aplicada a estabelecimentos mais simples, despretensiosos e baratos,mas que são os locais favoritos entre a população local.

King Coconut:

O “rei” dos côco! Esta espécie de côcos nativa do Sri Lanka, é uma imagem que marca de amarelo a estadia na ilha, onde por todo o lado se vendem estes côcos, que crescem um pouco por todo o lado, sem necessitarem de cuidados especiais, com excepção das zonas mais elevadas e montanhosas.

E não é só na côr que estes côcos são diferentes, são também no sabor, muito mais doces e intensos do que os habituais côcos de casca verde, populares na vizinha Índia.

O côco tem propriedades refrescantes, ajudando abaixar a temperatura do corpo, o que é óptimos em climas tropicais como o Sri Lanka. Para além de deixar uma sensação de frescura quando é bebida a água (coconut water) que contem no seu interior, deixa também o estômago saciado devido à riqueza nutricional do côco, servindo muitas vezes de pequeno-almoço ou ente refeições.

King Coconut. Sri Lanka
King Coconut. Sri Lanka

O leite de côco usado na comida é feito a partir da polpa, que vai ficando mais espessa à medida que o côco amadurece e vai perdendo a água no seu interior. Quando quase seco, é ralado e usado para fazer o pol sambol, uma mistura de côco ralado, chilli (malaguetas), frescas e secas trituradas, cebola, sumo de lima e sal. O côco ralado é também usado como ingrediente do gotukola sambol, uma mistura crua de uma planta de folha verde (gotukola) com chilli, cebola e algumas especiarias.

Pol roti... panqueca salgada feita à base de côco ralada e farinha
Pol roti… à direita, panqueca salgada feita à base de côco ralada e farinha; do lado esquerdo os “ulundhu vadai”

Resultando da mistura de farinha de arroz e de côco ralado, resulta o pittu que é cozinhado ao vapor numa forma cilíndrica, e é ensopado em caris, tanto ao pequeno-almoço como ao jantar. Também desta mistura resulta o pol roti, mas onde a massa é trabalhada em forma de panqueca que é cozinhada ao lume, e que serve também como acompanhamento de caris.

pittu, rolo feito à base ce côco que depois de cozinhado ao vapor serve para acompanhar caris
pittu, rolo feito à base ce côco que depois de cozinhado ao vapor serve para acompanhar caris

Para além disto o côco é indispensável à confecção da maioria dos caris que servem de base às refeições no Sri Lanka, seja ralado, como condimento ou em forma de óleo de côco.

Doces:

Os doces não foram o que mais marcou a experiência gastronomica do Sri Lanka, contudo dois sobressaíram: coconut hopper e lavariya… não muito doces, leves e sem óleo!!!

Os sweet string hoppers ou lavariya são string hoppers, uma espécie de noodles feitos com massa de arroz e cozidos ao vapor, que são depois recheados com uma mistura de côco ralado, açúcar escuro (jaggery) e condimentados com cardamomo… uma delícia.

lavariya, string hopper com recheio de côco e açucar
lavariya, string hopper com recheio de côco e açucar

Os coconut hoppers, são feitos com farinha de arroz e côco, cozinhados ao vapor sobre folha de bananeira; vendidos aos pares com um ligeiro recheio adocicado e cremoso. São suaves, leves e deliciosos.

Coconut Hoppers
Coconut Hoppers, uma versão dos hoppers, também feita com farinha de arroz e côco, mas cozinhada ao vapor, resultando fôfo e macia

O curd and honey, que não é mais do que iogurte regado com mel, que de facto não é mel mas sim melaço (treacle), muito popular Ella, onde se pode encontrar com diferentes variações como o curd and honey com arroz, o que torna uma boa opção para pequeno-almoço. Bom, mas não surpeendeu.

Curd and honey
Curd and honey, numa variante com arroz

 

O tradicional curd, um iogurte mais espesso e com mais gordura do que o que estamos habituados, feito com leite de búfala. Pode ser vendids nos “milk bar” que são pequeno quiosques de rua, nas “milk shops” e em algumas mercearias, mas sempre em potes de barro, com a versão mais pequena a pesar meio quilo. São misteriosamente mantidos durante o dia fora do frigorífico, sem se deteriorarem. Não têm açucar, como é habitual encontrar nas versões Nepalesas e Indiana.

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Curd, um iogurte feito de leite de bufala

Nas bakeries para além da venda de salgados apresentam também bolos, a fazer lembrar muito a doçaria europeia com versões de pão-de-ló ou do bolo-mármore, mas em formato rectangular. A estes juntam-se outro bolo muito comum, semelhante aos “muffins” ou ao português “queque” (por vezes com a forma de estrela), mas que se mostraram secos e bastante desinteressantes. Em algumas cidades, algumas pastelarias oferecem maior variedade de pastelaria baseada em bolos com cremes e recheio, mas pouco cativante e de sabor industrial.

uma versão do Sri Lanka dos muffins, ou praticamente o mesmo que os "queques" portugueses
uma versão do Sri Lanka dos muffins, ou praticamente o mesmo que os “queques” portugueses

Pão:

Apesar destas iguarias, o pão, numa versão ocidental, tipo pão de forma, branco e “borrachoso” é bastante popular… torrado com manteiga ou partido em pedaços e regado com caril… pouco atractivo mas vendido um pouco por todo o lado nas chamadas “bakery” ou nos vendedores ambulantes com carrinhos de mão ou triciclos motorizados que circulam pelas ruas das povoações.

A pequenos pães de massa branca, muito leves e sem sabor, vendidos simples ou recheados com omolete: redondos ou em forma de baguette, são uma versão Cingalesa da sandwich. A estes juntam-se outros a fazer lembrar o “pão de leite” e os “donuts” mas cujo aspecto industrializado não atraiu.

Pão
Pão bastante popular no Sri Lanka, numa versão mais ocidentalizada, mas pouco atractiva, de massa branca e muito leve, mas que com a humidade tropical fica rapidamente “borrachosa”
carrinha do pão
carrinha de venda do pão que circula pelas ruas das cidades

Chá e café:

O Sri Lanka é conhecido pelo chá, o famoso chá do Ceilão que os ingleses introduziram que continuam a ser plantado em larga escala. E é de facto a bebida nacional, sendo consumida com leite e açúcar.

Mas o café, não tendo fama, é bastante agradável, sendo preparado por filtragem (café de filtro), mostrando-se pouco denso e suave.

Horários:

Para encontrar um determinado tipo de comida, é necessário alguma aprendizagem relativamente aos horários, pois no Sri Lanka seguem-se regras não-escritas sobre o que comer a determinadas horas do dia.

Assim, de manhã, é hora para os roti, recheados de vegetais, peixe ou carne, assim como de samosas (chamussas), patties (estilo pastéis de massa-tenra), rolls (croquetes) e cutlets (estilo croquete mas redondos) também com diferentes tipos de recheios mas todos deep-fry, ou seja fritos imersos em óleo. Os coconut hoppers e lavariya, sendo ligeiramente adocicados e cozinhados ao vapor servem muitas vezes de pequeno-almoço.

Ulundhu Vada em primeiro plano.... depois cheese roti, fish roti, veg roti...
Ulundhu Vada em primeiro plano…. depois cheese roti, fish roti, veg roti…

Ao almoço, o popular rice and curry, é servido geralmente a partir do meio-dia, sendo servido até acabar, ou seja, pode durar hora e meia mas também se pode prolongar até às 2 horas… procurar um rice and curry depois deste horário aumenta as possibilidades de comer comida fria ou requentada… ou mais provavelmente de nem sequer encontrar rice and curry. Em alguns locais, geralmente em cidades e nos grandes restaurantes esta tradicional refeição está disponível desde a manhã, sendo servida ao pequeno almoço. Ao almoço, uma alternativa ao rice and curry são os string hoppers, mas estes só mesmo nos locais mais tradicionais do Sri Lanka.

Rice and Curry servido na forma tradicional do Sri Lanka em sistema de "buffet"
Rice and Curry servido na forma tradicional do Sri Lanka em sistema de “buffet”
"String hopper" com "dahl", um simples caril de lentilhas
“String hopper” com “dahl”, um simples caril de lentilhas

Ao jantar, que termina cedo, sendo difícil encontrar locais servindo refeições depois das 9.30h da noite, o mais popular são os kottu, os roti e as parahtas. Para quem quer uma refeição mais substancial tem também o fried–rice, fácil de encontrar nas chamadas Roti Shops, que como o nome indica se dedicam aos roti e kottu. Os hoppers são também uma das escolhas tradicionais ao fim do dia.

Fried rice with dahl, um caril de lentilhas
Fried rice de vegetais (Veg Fried Rice) acompanhado por dahl, um caril de lentilhas onde por vezes surge a boiar uma malagueta frita

Durante todo o dia, é possível encontrar os ulundhu vadai (massa frita em forma de anel), parippu vada (pastel de lentilhas frito), os pol roti (panqueca à base farinha e côco), os coconut roti (em forma de disco com cebola e côco)… e os sempre presentes roti, cuja popular opção vegetariana em forma de triângulo fica marcada na memória dos snacks Cingaleses.

Street food junto à estação de comboios de Kandy, durante a manhã
Street food junto à estação de comboios de Kandy, durante a manhã
Street food in Galle Fort, Colombo que só surge depois do pôr do sol
Street food in Galle Face, Colombo que só surge depois do pôr-do-sol

Em resumo, a gastronomia do Sri Lanka foi uma boa surpresa, bastante diferente da Índia vizinha, muito saborosa, colorida, rica, nutritiva… e amigável para vegetarianos. Resultado de várias influências, a cozinha Cingalesa está totalmente associada com a paisagem verde e com o clima quente e tropical.

…. o “rice and curry” e o “king coconut” deixaram saudades!

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!

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