• Skip to main content
  • Saltar para o rodapé

Stepping Out Of Babylon

Travel & Photography

  • Sobre mim
    • Contacto
  • Destinos
    • África e Médio Oriente
      • Irão
      • Líbano
      • Marrocos
      • Turquia
    • Extremo Oriente
      • Japão
      • República Popular da China
      • Taiwan (Formosa)
    • Subcontinente Indiano
      • Bangladesh
      • India
      • Nepal
      • Sri Lanka
    • Sudoeste Asiático
      • Camboja
      • Indónesia
      • Malásia
      • Myanmar
      • República Popular do Laos
      • República Socialista do Vietname
      • Singapura
      • Tailândia
  • Itinerários
  • Dicas de viagem
    • Caminhadas & Parques Naturais
    • Comida em Viagem
    • Travessia de Fronteira
    • Vistos
  • Fotografia

Stepping out of Babylon

Shwedagon Pagoda… o ouro e a Lua

Poder observar o nascer da Lua ao mesmo tempo que os últimos raios de Sol incidem sobre a superfície dourada da Shwedagon Pagoda, foi um momento especial que deixou uma marca forte nesta viagem a Myanmar.

Para a maioria dos visitantes, a Shwedagon Pagoda é apenas mais uma pagoda entre as muitas que se podem ver em Myanmar, e nem sequer é a maior; mas segundo a tradição é a mais antiga do país, com mais de 2500 anos, sendo particularmente importante para os Budistas por aqui estar guardada a relíquia de uns quantos cabelos de Buda.

A actual construção resulta de ampliações e melhoramentos feitos ao longos dos séculos pelos vários reis birmaneses, resultando num vasto conjunto que inclui, para além da pagoda principal, templos, santuários, pequenas pagodas e outros edifícios, tudo decorado com intrincados e complexos ornamentos florais, representando diferentes épocas da arte e história birmanesa. Um dos “melhoramentos” mais recentes são as coloridas luzes que piscam freneticamente em estilo psicadélico, decorando alguns dos altares onde se encontram as estátuas de Buda, interferindo com a solenidade de um local que se entende como sagrado.

Mas desta visita à Shwedagon Pagoda o que impressiona é o ouro!!!! O ouro está por todo o lado, seja cobrindo a gigantesca superfície da pagoda, seja em estátuas, altares, decorações, pilares, paredes, ornamentos… rodeando-nos de um irreal mundo dourado.

Mas mais interessante do que a arquitectura e a arte, é perdermo-nos no desfilar de pessoas que aqui chegam às centenas, criando uma atmosfera ao mesmo tempo cerimoniosa e descontraída, numa mistura de peregrinação e lugar de lazer. Crianças brincam em correrias aleatórias soltando risos estridentes, enquanto por perto os pais cumprem os rituais de oração. Grupos de visitantes posam para uma foto com a pagoda como fundo, uma lembrança registada por fotógrafos profissionais que deambulam pelo espaço em busca de clientes. Peregrinos que aqui chegam em excursões vindos de remotas áreas do país, cujos trajes e feições nos permitem adivinhar de onde são, misturados com estrangeiros que seguem distraidamente as explicações dos respectivos guias. Casais transportam oferendas que são depositadas solenemente em templos, enquanto por perto famílias escolhem uma zona abrigada do calor intenso que ainda se sente ao fim da tarde. Um grupo de mulheres entoam orações budistas enquanto jovens monges de mantos grená se alinham para tirarem fotos com os seus smartphones.

DSC_1984
De acordo com as tradições Budistas em Myanmar, cada pessoa deve rezar junto à estátua de Buda correspondente ao dia da semana em que nasceu

Offerings hanging nearby the pagoda
Oferendas colocadas junto da pagoda

Praying at on of the temples of Shwedagon Pagoda
Rezando num dos templos em redor da Shwedagon Pagoda

DSC_2047
Ouro, ouro, ouro… para onde quer que se olhe na Shwedagon Pagoda

DSC_2052
Shwedagon Pagoda

Como ir para Shwedagon Pagoda de autocarro:

O Shwedagon Pagoda está localizada 5 km a norte do centro de Yangon.

Para visitar o Shwedagon Pagoda o mais comum é ir de táxi, mas é possível ir de autocarro (city bus), que inicia o percurso na na Sule Pagoda Road ,em frente ao Sule Shangri-La Hotel. É difícil saber o número do autocarro, pois tanto a informação na paragem como o número dos autocarros estão em Birmanês, mas basta perguntar às pessoas que estão na paragem, que eles simpaticamente iram indicar qual o autocarro certo. A paragem fica a cerca de 5 minutos da entrada Este da Shwedagon Pagoda, sendo necessário percorrer uma longa escadaria, ladeada de lojas de souvenires.

O bilhete custa 200 kyats, num autocarro com ar-condicionado e viagem demora cerca de 30 minutos.

Dentro do recinto da pagoda não é possível andar calçado, mas à entrada existem cacifos onde os sapatos podem ficar, mas é preferível aceitar um dos sacos de plásticos disponibilizados (em troca de um donativo) e transportar o calçado connosco.

Sule Pagoda Road. The bus stand to Shwedagon Pagoda is located on the left side
Sule Pagoda Road. A paragem de autocarros para Shwedagon Pagoda está localizada do lado esquerdo

Bilhete do Pagode Shwedagon:

Como de costume em Myanmar, há uma preço especial para estrangeiros (cidadãos de Mianmar não pagam nada) de 8.000 kyats.

Existem quatro entradas principais, orientadas de acordo com os pontos cardeais, e mais duas de pequenas entradas, mas em todas existem bilheteira, pelo que se torna impossível entrar sem um bilhete. Mas para quem quiser viver a aventura, é possível encontrar uma entrada da Pagode Shwedagon, seguindo a app maps.me. Contudo, com a compra do bilhete é fornecido um autocolante, com a data, que deve ser mantido visível durante toda a visita… e caso se tenha conseguido entrar sem pagar bilhete é preciso ter cuidado com os guardas que circulam pelo recinto, controlando quem tem o autocolante.

Shewdagon Pagoda ticket
Bilhete de entrada na Shewdagon Pagoda

A melhor hora para visitar a Shwedagon Pagoda:

A hora mais popular é por volta do pôr-do-sol, altura em que os últimos raios de luz oferecem um tom especial ao ouro que cobre a pagoda… e se se ficar um pouco mais de tempo, até o céu escurecer e a iluminação elétrica se acender, pode-se apreciar o local de outra forma, assistindo ao acender das velas em redor da pagoda, o que cria uma atmosfera especial.

Mas o pôr-do-sol é também a altura em que a pagoda tem mais visitas entre a população local que assim evita as horas de maior calor, e também quando a maioria dos turistas chegam, a maioria com guias e em grupos.

A melhor opção é chegar por volta das 5 da tarde. dando tempo para deambular pelo espaço, cumprindo as três tradicionais voltas à pagoda, descansar e observar o desfilar das pessoas. Uma visita à Shwedagon Pagoda pode prolongar-se facilmente por 2 horas.

Shwedagon Pagoda at the moonrise
Shwedagon Pagoda com a Lua-cheia a criar um intenso cenário

Shwedagon Pagoda. Yangon
Shwedagon Pagoda. Yangon

Yangon revesitada

Somente três anos se passaram desde a minha última visita a Myanmar e muitas foram as mudanças neste país: em 2014, o governo militar que controlava o país desde 1962 foi afastado, e as primeira eleições democráticas deram uma vitória esmagadora à National League for Democracy, abrindo as portas para a eleição do primeiro presidente não-militar nos últimos 54 anos, donde resultaram profundas reformas políticas, económicas e sociais num país que conquistou novamente a liberdade de expressão. Aung San Suu Kyi, o rosto da luta pela liberdade, pelos direitos humanos e pela democracia em Myanmar está um pouco por toda parte, mais visível do que nunca. O pai, Aung San, cuja figura estava impressa nas antigas notas de kyat, continua orgulhosamente a decorar as paredes das casas.

Apesar de todas estas mudanças, Myanmar ainda está longe de ser um país pacificado. Continuam os conflictos entre o exército e os grupos “rebeldes” nas colinas do estado de Shan, e as diferenças religiosas e étnicas são responsáveis pelo massacre da população Rohingya no estado de Rakhine, num país onde o budismo é a religião dominante e onde os monges exercem uma forte influência no governo de Myanmar.

***

Yangon... Where bodhi tree grows freely on the buildings, taking advantage of the wall cracks, softening the austerity of colonial British-style buildings
Yangon… onde pequenas árvores bodhi crescem espontaneamente nos edifícios, aproveitando as fissuras das paredes, suavizando a austeridade da arquitectura colonial

Mas todas estas mudanças não alteram o ritmo da antiga capital de Myanmar, noutros tempos chamada de Rangon… onde os edifícios de grandiosa arquitectura colonial Britânica mantêm o charme decadente, resultante de anos de negligência e falta de conservação…

…onde uma camada de bolor conquista lentamente o azul e o verde pálidos das fachadas dos prédios…

… onde pequenas árvores bodhi crescem espontaneamente nos edifícios, aproveitando as fissuras das paredes, suavizando a austeridade da arquitectura colonial…

… onde os pombos esperam pacientemente alinhados em cabos elétricos, junto a um esquina onde um vendedor de milho aguarda por clientes dispostos a criar bom karma, gastando algum dinheiro a alimentar as aves…

… onde todas as manhãs grupos de monges caminham descalços ao longo da cidade recolhendo donativos, tingindo a paisagem urbana com a característica de cor grená dos mantos…

… onde os mercados mantêm seu burburinho habitual, com o cheiro do peixe seco a mistura-se com o cheiro fermentado dos rebentos de bambu, e onde o som das vozes e dos pregões se sobrepõe às buzinas dos automóveis…

… onde videntes e astrólogos esperam os clientes à sombra de uma árvore, num país onde o budismo não apagou totalmente a superstição e as tradições animistas…

… onde ler o jornal é uma atividade quase obrigatória entre os homens, independentemente de religião ou grupo étnico…

… onde os condutores de rickshaw aguardam calmamente pelos raros clientes, indiferentes ao intenso movimentado da cidade, mastigando paan ou fumando um charuto…

… onde a comida de rua está presente em todos os lugares, seguindo um calendário preciso mas indecifrável, com um vendedor de parathas a desaparecer e a ser substituído por um vendedor paan num piscar de olhos…

… onde uma sinagoga está localizada a poucas centenas de metros de um templo budista, de onde se avista o minarete de uma mesquita do outro lado da rua, enquanto se ouve o som dos sinos vindos de templo hindu próximo…

… onde as casas de chá, herança da antiga presença chinesa no país, servem um chá com leite excessivamente adocicado, onde o som das vozes masculinas se dispersa com o movimento preguiçoso das ventoinhas de tecto…

… onde os sorrisos surgem facilmente em todos os rostos, revelando na maioria das vezes, dentes tingidos de vermelho pela noz de areca e pela folha de betel, sendo o mastigar do paan um vício nacional.

Yangon... where the smiles pop up easily from any faces revealing, most of the times, the teeth red dyed by the areca nut and the betel leaf, as chewing paan is a national addiction
Yangon… onde os sorrisos surgem facilmente em todos os rostos, revelando na maioria das vezes, dentes tingidos de vermelho pela noz de areca e pela folha de betel, sendo o mastigar do paan um vício nacional

Yangon... where the teahouses, remind us of the Chinese presence, a heritage of the Chinese presence in the country, serve an excessively sweetened milk tea mixed with the sound of the male chat, under the freshness of the lazy ceiling fans
Yangon… onde as casas de chá, herança da antiga presença chinesa no país, servem um chá com leite excessivamente adocicado, onde o som das vozes masculinas se dispersa com o movimento preguiçoso das ventoinhas de tecto

Yangon... here every morning monks walk along the city begging for alms, dyed the street with the maroon color
Yangon… onde todas as manhãs grupos de monges caminham descalços ao longo da cidade recolhendo donativos, tingindo a paisagem urbana com a característica de cor grená dos mantos

Yangon... where the rickshaw drivers wait quietly indifferent to the busy traffic of the city, chewing paan or smoking a cigar.
Yangon… onde os condutores de rickshaw aguardam calmamente pelos raros clientes, indiferentes ao intenso movimentado da cidade, mastigando paan ou fumando um charuto

Yangon... where the street food is present everywhere, following a precise but indecipherable schedule, with a paratha stall vanish and replaced by a paan hawker in a blink.
Yangon… onde a comida de rua está presente em todos os lugares, seguindo um calendário preciso mas indecifrável, com um vendedor de parathas a desaparecer e a ser substituído por um vendedor paan num piscar de olhos

Yangon... where the pigeons wait patiently aligned along electric cables, nearby a corner where a corn seller wait for customers that will come to create good karma feeding the birds
Yangon… onde os pombos esperam pacientemente alinhados em cabos elétricos, junto a um esquina onde um vendedor de milho aguarda por clientes dispostos a criar bom karma, gastando algum dinheiro a alimentar as aves

[columns] [span6]

Yangom... Where fortune tellers and astrologers wait for customers on the shade of a tree, in a country where the Buddhism didn’t erase totally superstition and the animist traditions
Yangom… onde videntes e astrólogos esperam os clientes à sombra de uma árvore, num país onde o budismo não apagou totalmente a superstição e as tradições animistas

[/span6][span6]

Yangon
Yangon… tea shop improvisada à entrada de uma loja, que após as primeiros horas da manhã desaparece misteriosamente sem deixar rasto

[/span6][/columns]

Yangon definitivamente é uma cidade que seduz e cativa, onde diferentes culturas, etnias e religiões partilham pacificamente o mesmo espaço.

Yangon... multiethnic and multicultural and multireligious
Yangon… uma cidade multicultural, multiétnica e multireligiosa

Ruas de Kathmandu

Apesar do intenso ruído e da pesada poluição que facilmente pode criar um impacto negativo a quem visita a cidade pela primeira vez, a intensa e atrativa cidade de Katmandu têm sempre algo novo e inesperado para oferecer mesmo para quem já aqui esteve.

Iluminadas pela luz mágica do pôr-do-sol, as estreitas ruas da cidade enchem-se de gente criando uma compacta massa humana por onde motas, rickshaws e carregadores insistem na árdua tarefa de se movimentarem. As ruas lotadas de gente ganhar uma atmosfera mágica com os últimos raios de sol, capazes de expor ocultos recantos e de iluminar a tristeza de alguns rostos. Fachadas de edifícios velhos e degradados sobressaem desta paisagem urbana, onde a poeira cria um véu quase permanente, capaz de esbater os contornos da cidade.

Os mercados matinais, que diariamente enchem praças e ruas estreitas, ganham uma atmosfera especial quando os primeiros raios de luz atravessam a densa e compacta massa de edifícios, trazendo uma nova intensidade às cores e dando uma nova perspectiva ao cenário.

Deambular ao longo do emaranhado de ruas que constitui a parte antiga de Katmandu, indescritivelmente cheia de gente ao fim do dia, pode revelar-se um desafio capaz de desmoralizar o visitante menos preparado. Mas, ao mesmo tempo, é o momento ideal para captar os movimentos rotineiros do quotidiano da cidade… desde os rituais do “puja” ao estender da roupa nos terraços, das confusas procissões religiosas ao frenético movimento dos carregadores, dos pacientes vendedores ambulantes de frutas e legumes ao laborioso trabalho de enfiar grinaldas de flores.

Mesmo que tenhamos passado inúmeras vezes pela mesma rua, dobrado a mesma esquina, percorrido o mesmo caminho, passado pela mesma “stupa” … Kathmandu sempre tem algo que nos surpreende: uma nova luz capaz de transforma imagens familiares, revelar um detalhe na escultura em madeira de uma porta, oferecer um novo brilho capaz de destacar uma cor, iluminar um sorriso cheio de curiosidade num rosto jovem ou o olhar sério daqueles que viram muitas coisas… ou sermos simplesmente atraído pelo aroma de um “roti” acabado de fritar.

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Streets of Kathmandu
Streets of Kathmandu

Tihar… o festival pelas ruas de Kathmandu

marigold garland seller during Tihar Festival. Kathmandu
marigold garland seller during Tihar Festival. Kathmandu

Kukur Puja

Kukur Puja

Durante o festival Tihar, um dos mais importantes festivais religiosos no Nepal, há um dia dedicado aos cães, “kukur” em nepalês.

De manhã cedo, através de ruas de Katmandu, as pessoas colocam o “tikka”, pigmento vermelho, na testa dos cães, uma grinalda de flores amarelas no pescoço, espalham grãos de arroz e algumas gotas de água sobre o animal. É oferecida comida como doces, carne e o “sel roti”, o pão tradicional nepalês feito de farinha de arroz e frito em óleo.

Tanto os cães domésticos ou vadios recebem o puja, acreditando-se que este ritual traz proteção e fortalece a ligação entre humanos e cães.

Os cães parecem confusos com o “tikka” e as grinaldas, mas eles facilmente esquecer a suspeita e o desconforto perante as guloseimas.

kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. KAthmandu
offerings of sweets, flowers, rice and money for kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu
kukur puja during Tihar Festival. Kathmandu

Gai Puja

No terceiro dia do Festival Tihar é a vez das vacas serem veneradas, com ofertas de arroz, milho, frutas, sal, farinha de trigo, biscoitos, e “chapattis” e vegetais de tenras folhas verdes! Ao mesmo tempo que as vacas recebem alimento, as pessoas acendem velas e incenso, deixam cair pétalas de flores na cabeça e no dorso do animal e envolvem a cauda com um colorido cordel. Umas gotas de óleo de sésamo são vertidas na testa da vaca e um “tikka” é feito com pigmento vermelho.

Ao contrário dos cães, que na parte da manhã estão mais dispostos a dormir do que a comer, as vacas entusiasmam-se com as oferendas sendo totalmente indiferentes às guirlandas de flores e aos restantes rituais do “puja“. Pequenas notas de rupias são colocadas na cabeça das vacas, mas desaparecem rapidamente no bolso de alguém, contudo isto não parece perturbar o ritual de Gai Tihar.

gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
offerings for gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
offerings for gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu
gai puja during Tihar Festival. Kathmandu

Lakshmi Puja

O Tihar é comemorado principalmente durante o dia, geralmente com pujas de manhã cedo, mas na noite do terceiro dia do festival as ruas escuras de Katmandu iluminam-se para acolher a deusa Lakshmi.

Na entrada das casas e das lojas, o chão é decorado com desenhos coloridos, maioritariamente mandalas, adornados com flores, velas e oferendas de comida, enquanto guirlandas de flores de amarelo vivo, são penduradas por cima das portas de entrada das casas, aí permanecendo durante um ano, até ao próximo Tihar.

A entrada das casas é pintada com uma lama castanho-avermelhada, desenhando um caminho que conduz ao interior da habitação, que é iluminado durante toda a noite pela luz das velas, convidando a deusa Lakshmi para entrar trazendo prosperidade e boa sorte.

Ao longo da noite as pessoas se reúnem nas ruas decoradas com luzes, tagarelando, tocando música e jogando às cartas, enquanto grupos de crianças vão de porta em porta, cantando músicas pedindo dinheiro e doces. Foguetes rebentam de vez em quando, criando um das noites mais animadas no Nepal.

Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu
Lakshimi Puja during Tihar Festival. Kathmandu

Nota: a melhor altura para ver o gai puja e o kukur puja é no início da manhã … portanto, por isso o melhor é sair da cama logo após o nascer do sol. Caminhando ao longo das ruas de Katmandu vê-se um pouco em todo o lado o Kukur Puja, mas é melhor procurar uma área com vários talhos como é o local favorito dos cães. Para o Gai Puja encontram-se algumas vacas em Basantapur, perto da Durbar Square, mas o terreno à entrada de Pashupatinath (junto à bilheteira, mas não é preciso comprar o bilhete). O Lakshimi Puja acontece na noite do terceiro dia do festival de Tihar e está presente em todas as ruas da cidade.

oferings of food piles in from of a small temple during Tihar Festival. Kathmandu
oferings of food piles in from of a small temple during Tihar Festival. Kathmandu

Namo Buddha… em busca de tranquilidade

Por vezes o ritmo intenso da cidade de Kathmandu, com o seu trânsito constante, as buzinas, ar poluído e o pó, obrigam a uma escapadela em busca de uma atmosfera mais limpa e de um ambiente mais calmo.

Namo Buddha Stupa
Namo Buddha Stupa

A localização da cidade, rodeada por montanhas, oferece várias opções para uma day trip em busca de natureza, do verde das montanhas, de ar limpo, e onde o cantar das aves se sobrepõem aos ruídos provocados por uma lata concentração de seres humanos, como acontece na sobrepovoada Kathmandu. Namo Buddha, é um destes discretos paraísos situados a poucos quilómetros da capital, onde domina a cultura e a religião tibetana, sendo um dos principais locais de peregrinação Budista no Nepal, juntamente com as stupas de Boudha e Swayambhunath.

Namo Buddha Stupa
Namo Buddha Stupa

Away from Namo Buddha Stupa to Thrangu Tashi Yangtse Monastery
Camino entre a Namo Buddha Stupae o Thrangu Tashi Yangtse Monastery, decorado com prayer flags

A stupa abriga os restos mortais de um príncipe, que segundo a tradição, ofereceu o seu corpo como alimento a um tigre moribundo e esfomeado, num acto de compaixão. Para além do significado religioso, a modesta stupa não provoca grande impressão, sendo o local rodeado de pequenos restaurantes e lojas de souvenires.

Mas subindo a encosta, através de denso arvoredo por um caminho decorado de prayer flags chega-se ao cimo da colina, de onde se pode avistar o Mosteiro de Thrangu Tashi Yangtse. O mosteiro é de construção recente, e a sua arquitectura não impressiona, mas o interior do vasto templo, de tecto e paredes decorados com delicadas pinturas de temática budista criam uma atmosfera sagrada. Nos vários edifícios que fazem parte do mosteiro encontram-se outros templos mais pequenos, com elaboradas estátuas de Buda e da deusa Tara.

Thrangu Tashi Yangtse Monastery
Thrangu Tashi Yangtse Monastery

Thrangu Tashi Yangtse Monastery
Thrangu Tashi Yangtse Monastery

Nearby Thrangu Tashi Yangtse Monastery some temples evoking the tradition of the prince that gave is blood and is live to save a tiger
Nearby Thrangu Tashi Yangtse Monastery some temples evoking the tradition of the prince that gave is blood and is live to save a tiger

Around Thrangu Tashi Yangtse Monastery
Around Thrangu Tashi Yangtse Monastery

Reina uma atmosfera de calma e de tranquilidade, promovida pelo ambiente sagrado do mosteiro e pela floresta de intenso verde que emoldura o local, coroada pelo branco da neve que cobre as montanhas da cordilheira da Annapurna.

Nota: não é permitido tirar fotografias no interior dos templos que se encontram no interior do mosteiro.

Where to sleep in Namo Buddha:

Namo Buddha is located 40 kilometers from the center of Kathmandu, about two hours away, so it can be visited in one morning. It is advisable to get out of Kathmandu early, around 7 a.m., to avoid the traffic jam.

But in the area, within walking distance, there are a few resorts.

Where to eat in Namo Buddha:

Around the stupa of Namo Buddha, there are several restaurants aimed to pilgrims, who also sell religious articles and incense but that are not inviting for more than a chai.

Along the road where the bus stops, there are three eateries that serve tea and meals, but definitively Banepa offers better options in terms of food.

Transportation to Namo Buddha:

There are no direct buses from Kathmandu to Namo Buddha.

You need to catch a bus at Ratna Park to Banepa first (depart with high frequency).

At the bus terminal of Banepa (bus park), there are buses that pass through Namo Buddha; just ask for Namo Buddha from the various buses that are parked in the bus park.

The bus stops very close to the stupa. After the stupa is about 10 to 15 minutes walk to the monastery.

  • bus Kathmandu to Banepa: 1 hour, 45 rupees
  • Benepa to Namo Buddha bus: 1 hour, 60 rupees

The bus frequency from Namo Buddha to Banepa is not high, so you may have to wait an hour for the next bus… or get a ride from a truck, but pay attention: being faster is more expensive than the bus.

The road between Kathmandu and Banepa is in good condition and the trip is reasonably comfortable, on a flat route. But from Banepa to Namo Buddha the road is steep and winding, unpaved and very deteriorated, making this last stage uncomfortable and tiring.

A comida no Nordeste da Índia… para vegetarianos!

Para um vegetariano qualquer refeição nos estados indianos do Nordeste (Northeast States) reveste-se de uma tremenda desilusão, capaz mesmo de tirar o apetite. Com excepção do estado de Assam, cuja população é maioritariamente hindu, o consumo de carne é uma presença constante nos estados de Nagaland e de Meghalaya, onde domina o cristianismo.

Por isso este texto é somente uma pálida amostra da gastronomia destes três estados, mas serve de guia a quem opta por não comer carne nem peixe e ande em viagem por estes remotos lugares.

Nos estados de Nagaland e de Meghalaya nota-se uma clara influência da cozinha asiática, surgindo frequentemente os noodles e o chow ming, ao passo que em Assam é clara a influência da cozinha indiana, mais concretamente do região do Punjab, mas onde os mais de 2300 quilómetros fizeram esbater a intensidade dos sabores e reduziram a variedade de ingredientes.

puri stall at Mon village. An almost mandatory stop before a shared-taxi trip in Nagaland.
quiosque de venda de “puris”… uma paragem quase obrigatória antes de iniciar uma viagem de jeep pelas montanhas de Nagaland.

Assam e as parathas

Em Assam é possível e até fácil de encontrar nas grandes cidades os clássicos da cozinha indiana, como o dal e os vários caris de legumes e leguminosas, como o grão, ervilhas, couve-flor, batata, etc… sendo muito fácil encontrar chamussas (samosas) e puris. Sendo um estado atravessado pelo gigantesco Rio Brahmaputra, que alaga as planícies por onde passa, faz com que o arroz seja indispensável em qualquer refeição em Assam.

O que sobressaiu em Assam foram as paratas (ou parathas) que apesar de não serem um exclusivo local apresentam-se aqui diferentes: são mais espessas e mais oleosas, de aspecto pálido e pouco tostado, resultando numa massa compacta e mal cozida. As parathas podem ser recheadas com batata, ou mais frequentemente simples, servindo de acompanhamento a caris simples, geralmente de batata e ervilhas-amarelas, encontrando-se frequentemente em bancas de rua, sendo a mais popular street-food em Assam.

O thali, uma refeição à base de arroz, dal (sopa de lentilhas) e caril de legumes, em Assam mostrou-se diferente, com um dal muito líquido, um caril com pouco gosto e por cima do arroz um pedaço de couve cozida… assim, mesmo, só cozida sem tempero. Enche a barriga mas não deixa saudades.

The parathas can be found in most of the restaurants and dhabas but are often available in street stalls, being a popular street food in Assam.
As “parathas” podem ser encontrada em quase todos os restaurantes e dhabas (restaurantes de beira-de-estrada) sendo também comuns nos quiosques de rua, constituindo uma refeição popular em Assam.

These parathas can be stuffed with potato masala, or more often plain, served with simple curries, usually made from potatoes and yellow-peas.
As parathas podem ser recheadas com batata, ou mais frequentemente simples, servindo de acompanhamento a caris simples, geralmente de batata e ervilhas-amarelas

The classic Indian thali, a meal based on rice, dal and vegetables, is also a bit different in Assam, with a very watery dal, a tasteless curry and over the rice a piece of steamed cabbage. .. yes, just a plain steamed cabbage without any seasoning. Very healthy, fills the stomach but don't leave a good memory.
O thali , uma refeição à base de arroz, dal (sopa de lentilhas) e caril de legumes, em Assam mostrou-se diferente, com um dal muito líquido, um caril com pouco gosto e por cima do arroz um pedaço de couve cozida… assim, mesmo, só cozida sem tempero

Nagaland e os puris

Se em Assam a gastronomia se mostrou sem inspiração, em Nagaland cada refeição foi um desafio para um vegetariano em viagem. Em zona de montanhas domina a carne, que se vê à venda em todas as povoações, e que ocupa grande parte dos mercados das cidades de Nagaland.

Nas pequenas povoações, encontra-se à entrada uma zona onde se concentram animais esperando para ser abatidos, enquanto ao lado são expostas as peças de carne já desmanchada e pronta para vender, a quem passa na estrada seja a quem chega de mota ou de carro, ou quem sai de um autocarro que faz uma paragem para recolha de passageiros. Nas cidades, o abate de animais encontra-se nos mercados, onde aves esperam em gaiolas para serem vendidas e abatidas. Pelo ar espalha-se um cheiro a dejetos e a sangue, que deixa pequenas poças no chão à medida que a água da chuva se vai infiltrando pelo chão do mercado.

Nas cidade de Nagaland é possível encontrar algumas opções vegetarianos, como o chamado rice, um prato à base de arroz, dal e vegetais, ou uns noodles, em sopa ou salteados. Mas nas povoações mais pequenas como Mon ou nas outras sem nome que serviram de paragem a uma longa viagem de autocarro, as opções são poucas, para além de arroz e algum legumes cozidos, cujo sabor é dado pelos gordurosas e pesados guisados de carne.

Uma opção presente um pouco por todo o lado são os puris, um pedaço de pão espalmado, frito em óleo e acompanha um caril de batata e ervilhas-amarelas, servidas numa pequena taça. Os puris são excessivamente oleosos, aqui mais do que o normal, ensopando o papel de jornal onde são servidos, e o caril é picante mas pouco espesso. Resulta numa refeição altamente calórica mas pouco nutritiva, contudo é bastante popular entre a população local, tendo servido várias vezes de refeição nos dias que passei em Mon, Kohima e Mokochung.

An option that can be found a bit everywhere, and along the day, are the puris, a small flatbread, fried in oil and served with a potato and a small bowl of yellow-peas curry.
Uma opção presente um pouco por todo o lado são os puris, um pedaço de pão espalmado, frito em óleo e acompanha um caril de batata e ervilhas-amarelas, servidas numa pequena taça.

But in the small villages or in more remote areas as Mon, there is not much more to eat than rice and some boiled greens, seasoned with a fermented and spicy vegetables.
Nas povoações mais pequenas como Mon ou nas outras sem nome que serviram de paragem a uma longa viagem de autocarro, as opções são poucas, para além de arroz e algum legumes cozidos

Meghalaya e as influência da Ásia

Apesar de proximidade com o Bangladesh, o estado de Meghalaya apresenta forte influência da cozinha asiática com os noodles servidos tanto em sopas como salteados. Do Tibete vieram os momos, um pequeno pastel recheado de carne ou de vegetais. Shillong, a capital deste estado é bastante moderna e cosmopolita e por isso é fácil encontrar restaurantes das cadeias internacionais de fast-food, mas pelo elevado número de turistas indianos, existe uma grande oferta de restaurantes com os clássicos pratos indianos.

From Tibet came the momos, a small bun stuffed with meat or vegetables.
Do Tibete vêm os momos, um pastel recheado com carne ou legumes e cozinhado ao vapor

Despite the proximity to Bangladesh, the state of Meghalaya is visible the influence from the Asian cuisine by the noodles (rice flour pasta) served in soups or stir-fry.
Apesar de proximidade com o Bangladesh, o estado de Meghalaya apresenta forte influência da cozinha asiática com os noodles servidos tanto em sopas como salteados

Um pequeno-almoço no Nordeste da Índia

Como é uma zona com pouco turismo internacional, são pouco frequentes os locais que servem o chamado “pequeno-almoço continental” nem tão pouco se encontram cafés, padarias ou pastelarias.

Mas o pequeno-almoço não constitui um problema, pois as opções locais revelam-se quase sempre uma boa escolha, mas no Nordeste da Índia esta opções revelou-se desanimadora.

Em Assam foi uma paratha, servida com caril de batata e acompanhada de uma geleia doce. Em Meghalaya, na vila de Sohra, a única opção disponível sem carne foi um prato de arroz com caril de grão e um molho verde de menta com malagueta… por acaso uma combinação simples mas saborosa. Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa. Em Mon, antes de iniciar uma viagem de 8 horas de taxi partilhado, houve oportunidade de provar um pequeno-almoço muito popular entre a população local, massa frita acompanhada de caril de batata… um começo de dia bastante oleoso!

But breakfast usually is not a problem, as the local options reveal almost always a good choice, but in Northeast India this option proved daunting. At Assam was a paratha, served with potato curry and accompanied by a jam
Em Assam foi uma paratha, servida com caril de batata e acompanhada de uma geleia doce.

At Meghalaya, in the village of Sohra, the only option available, without meat, was a plate of rice with chickpeas and mint sauce with chili... by chance a simple but tasty combination.
Em Meghalaya, na vila de Sohra, a única opção disponível sem carne foi um prato de arroz com caril de grão e um molho verde de menta com malagueta… por acaso uma combinação simples mas saborosa.

Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa
Em Nagaland, numa das viagens de autocarro houve tempo para um chai e uma chamussa
At Mon, before starting a journey of 8 hours by sumo (shared taxi), there was an opportunity to taste a very popular breakfast among the local population, deep-fried dough served with a potato curry ... a very oily option to start the day!
Em Mon, antes de iniciar uma viagem de 8 horas de Jeep, houve oportunidade de provar um pequeno-almoço muito popular entre a população local, massa frita acompanhada de caril de batata… um começo de dia bastante oleoso!

Doces

Os únicos doces testados nesta viagem pelo Nordeste da Índia foram em Assam, onde se apresentam com diversos formatos, mas todos obedecendo à mesma receita: uma espécie de massa folhada, frita e regada com uma espessa calda de açúcar que depois de fria fica sólida. Desta calda resulta uma côr amarelo-torrado um aspecto brilhante e apelativo, mas de sabor monotonamente doce a açúcar. Pesados em enjoativos!

in Assam, where beyond the classic Indian sweets, there was something new for me: a kind of puff dough, deep-fried and drizzled with a thick sugar syrup that after cool down become solid. This syrup results in a yellow-brown color with a bright and appealing look, sold in different shapes, but with a monotonous and boring taste of sugar
Em Assam, surge um novo doce que se apresenta com diversos formatos, mas todos obedecendo à mesma receita: massa frita regada com uma espessa calda de açúcar que depois de fria fica sólida

Mercados

Os mercados são sempre um local que desperta os sentidos, aguça a curiosidade e estimula a imaginação para tentar identificar os produtos vendidos e a sua utilidade na gastronomia de cada região.

E em termos de mercados Nagaland revelou o maior exotismo, sobressaindo o Mao Market, na cidade de Kohima, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia deste estado, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia.

Quanto aos vegetais, encontra-se nos mercados uma mistura de produtos tropicais, como a flor de bananeira, e os que vêm das montanhas como os cogumelos e o bambu; pelo meio encontra-se uma grande variedade de vegetais, muitos dos quais totalmente desconhecidos dos paladares europeus.

Banana trunk in Kohima Market. Nagaland
Tronco de banana trunk no Mercado de Kohima. Nagaland

Regarding vegetables, these markets show a mix of tropical and mountain products. Kohima Market. Nagaland
No que se refer a veetais, estes merados apresentam uma mistura de produtos tropicais e das montanhas. Kohima Market. Nagaland

Dried fish and eels at Mao Market. Kohima. Nagaland
Peixe e enguias secas no Mao Market. Kohima. Nagaland

worms sold at Mao Market, in Kohima. Nagaland
Lavas à venda no Mao Market, em Kohima. Nagaland

nagaland_mokochung_market_dsc_8718
Vegetais num dos muitos mercado de Kohima. Nagaland.

Kohima, in Nagaland, definitely stood out by the markets, where the exotic and diverse food supply reflects the originality of Nagaland cuisine that includes a lot of meat, eggs, dried fish, eels, snails, worms, mice, frogs... and wasp larvae, still sold in the hive.
Em Kohima, onde a exótica e diversificada oferta de produtos alimentares espelha a originalidade da gastronomia deste estado, que inclui carne, peixe seco, enguias, caracóis, larvas, ratos e rãs… e larvas de vespa, vendidas ainda dentro da colmeia.

***

Em resumo, pode-se considerar que a experiência gastronómica proporcionada na visita aos estados mais a nordeste da Índia não deixaram saudades, tendo ficado na memória uma comida monótona e pouco apetitosa, onde a presença de batata foi presença constante ao longo dos 22 dias de viagem… mas claro que esta é um ponto de vista de um vegetariano que não pode fazer justiça à vasta cozinha de uma região tão extensa.

Os mastigadores de “paan”

"paan" chewer in the streets of Guwahati, Assam, India
preparando o tabaco de mascar numa das ruas da cidade de Guwahati, Assam, India

 

Da intensa experiência que foi viajar nos estados do Nordeste da Índia, uma coisa houve que ficou marcada vivamente na memória dos sentidos: o paan… o cheiro, a côr, os gestos, o som do cuspir e o rasto vermelho deixado pelo chão.

Mas o que é o paan!?! Basicamente paan é noz de areca (areca nut), cujo aspecto se assemelha à noz-moscada, cortada em pequenos pedaços, e envolvida em folha de bétel, uma trepadeira de folha verde que tem efeitos estimulantes. A esta mistura junta-se muitas vezes tabaco (de mascar) e cal (hidróxido de cálcio)… sim, a mesma cal como a que se usa para revestir paredes.

A noz de areca, assemelha-se muito à noz-moscada, tanto no tamanho como no aspecto do fruto, mas em vez de nascer de uma árvore é o fruto de uma palmeira, cujas nozes crescem em cachos no topo de um fino e alto tronco.

Areca nut still with the skin of the fruit
Fruto da árvore de Areca, uma espécie de palmeira, ainda com o fruto que envolve a noz. ao lado encontram-se as folhas de bétel indespensáveis à preparação do paan. Mokochung, Nagaland. India
Betel Leaf sold in markets (folha de Betel à venda nos mercados)
Folha de Bétel que se encontra à venda nos mercados de vários países asiáticos. Bruma (Myanmar)
Areca nut without skin
Noz de Areca à venda num mercado da Birmânia, já seca e sem o fruto, e cujo aspecto em muito se assemelha à noz-moscada, usada na culinária. Burma (Myanmar)
Areca nut tree. Megahlaya. India
Palmeira de Areca, cujo fruto cresce no topo de um fino e alto tronco. Megahlaya. India

A folha de bétel é cuidadosamente dobrada em forma de um pequeno rectângulo, conservado a noz de areca, e colocada na boca, sendo ligeiramente mastigada de forma a libertar lentamente os sucos, que aos poucos vão dando uma coloração avermelhada à saliva, que se estende aos cantos da boca e aos lábios. Ao fim de alguns anos de utilização, resulta não só os dentes deteriorados e manchados de vermelho, como também uma certa adição, devido às propriedade da folha de bétel. Misturada com tabaco, aumentam ainda mais os efeitos cancerígenos da noz de areca.

paan street stall. Burma
banca de rua de preparação e vend de “paan”, onde estão disponíveis diversas variedades de tabaco . Burma (Myanmar)
"paan" before being fold in the betel leaf. "paan" uma mistura de nós de areca, cal e tabaco de mascar, enbrulhada numa folha de betel)
“paan” uma mistura de nós de areca, cal e tabaco de mascar, embrulhada numa folha de betel

O paan produz uma forte salivação, o que faz com que os seus consumidores tenham necessidade frequente de cuspir, o que é muitas das vezes feito de forma aparatosa, num jacto de saliva avermelhada, que deixa um rasto pelas ruas, passeios e até paredes!

Sendo bastante popular na Índia, o hábito de consumir paan encontra-se espalhado um pouco por todos os países asiáticos, como o India, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka e Birmânia, sendo este ultimo o país onde a presença de paan é uma constante, desde mulheres a crianças.

Mas a passagem por alguns dos estados do Nordeste da Índia, Assam, Nagaland e Meghalaya deixou uma marca mais forte deste fenómeno. Aqui, talvez mais do que em qualquer outra das regiões da Índia a noz de areca é “rainha”, sendo mesmo mastigada sem a folha de bétel ou outros ingredientes.

Sendo predominantemente um hábito masculino, comum entre a população mais pobre, é uma imagem de marca entre motoristas de autocarros e condutores de tuk-tuks; mas no Nordeste da Índia o paan é também bastante popular entre as mulheres, sendo o seu consumo transversal às várias camadas sociais, não sendo de estranhar encontrar um pastor na ilha de Majuli a cuspir o paan ou a recepcionista de um hotel em Mokokchung com os cantos da boca marcados pelo vermelho da noz de areca.

O consumo de tabaco de mascar é também bastante popular, sendo misturado com cal, de forma a humedecer as folhas formando uma pasta que se coloca junto à gengiva. A preparação do tabaco, esfregando a mistura na palma da mão com os dedos, que depois é ligeiramente batida para ficar espalmada, são um dos gestos que se vêm constantemente… nas cidades ou nas vilas, nas ruas ou nas lojas, em autocarros e comboios…

Apesar do acto de mascar tabaco ser desagradável, pois produz também a necessidade frequente de cuspir, o paan, com o seu cheiro adocicado criou ao fim de três semanas de viagem pelo Nordeste da Índia, uma certa repugnância pela combinação do som com o jacto de saliva vermelha libertado pelos mastigadores de paan, que não se esforçam por ser discretos ou delicados, fazendo do acto de cuspir uma arte, onde por certo a trajetória e distância do rasto vermelho deixado no chão é motivo de orgulho.

E um pouco por todo o lado, vêm-se sempre marcas brancas deixadas pela cal que colada aos dedos, é que depois são esfregando em ombreiras das portas, junto à lojas de paan, ou nos bancos dos autocarros e comboios…

paan shop, that are small stall where the paan is prepared and sold, usually in pack of six. Mokokchung, Nagaland. India
paan shop, pequena loja ou quiosque que vende o “paan” preparado e que é geralemnte vendido em pacotes de seis unidades. Mokokchung, Nagaland. India
marks left by the fingers with lime that is used to mix with the tobacco and the areca nut (marcas deixadas pela cal usada para misturar o tabaco de mascar com o noz de areca).
marcas pelos dedos sujos da cal usada para misturar o tabaco de mascar com o noz de areca. Nagaland. India.

E o cheiro deixou também uma forte marca na minha memória, com quartos de hotel a cheirarem a paan, e com viagens longas de autocarro ou the sumo, a serem feitas na companhia de activos mastigadores de paan, cujo cheiro adocicado impregna o espaço, e a cruzam regularmente o meu campo de visão para cuspirem pela janela.

Uma negativa mas forte memória que criou em mim uma repugnância ao paan, ao qual os meus sentidos não conseguem ficar indiferentes.

tuk-tuk driver spiting the paan, leaving a red trace on the streets (condutor de tuk-tuk
condutor de tuk-tuk junto às marcas deixadas no pavimento pela saliva tingida pelo vermelho deixado pela noz de areca… uma imagem sempre presente em muitas cidades da India, Sri Lanka e Birmânia

Viajar em “unreserved” num comboio indiano… de Kohima para Guwahati

Podem dizer que sim, que há lugares reservados no comboio; podem até vender bilhetes onde o numero da carruagem e o nosso lugar estão claramente assinalados… mas não! Não! No comboio das 12.31h (numero 05968, Dibrugarh – Rangiya Special), de Dimapur para Guwahati, não há lugares reservados. É um comboio “unreserved”. Ou seja: é uma luta corpo-a-corpo para conseguir entrar numa das já cheias carruagens, onde bagagem, cotovelos e joelhos são as armas para esta “guerra”.

Train trip Dimapur-Guwahati in unreserved coach
Train trip Dimapur-Guwahati in unreserved coach

Apesar desta viagem entre Dimapur e Guwahati ter coincidido com as eleições regionais do estado de Assam, onde parte das carruagens estavam reservadas para o exército, o que diminui o numero de lugares, o facto de não haver lugares reservados parece fazer parte da normalidade deste serviço. Tanto funcionários como passageiros sabem disto. Eu fui até gentilmente advertida, por um dos funcionários da estação, com as simples palavras “you need to rush to the train”… coisa que achei estranha pois ainda faltam mais de 2 horas… “rush” ?!?!… para quê, pensei eu… mas esta foi uma forma delicada de dizer “fight”!!!

Depois de conseguir entrar no comboio e de, com a ajuda de um prestável passageiro, conseguir arranjar espaço para a mochila, seguiu-se uma árdua jornada de mais de cinco horas e meia, num comboio superlotado, em que as hipóteses de arranjar um lugar sentado eram poucas.

Como se tudo isto não fosse já demasiado penoso, junta-se o clima das planícies de Assam que em Abril é quente e seco, e onde cada paragem do comboio, faz estagnar o ar dentro das carruagens, tornando-as numa espécie de forno, onde os passageiros esperam pacientemente que o comboio arranque de novo e faça entrar ar fresco pelas janelas. Lentamente uma fina camada de pó cola-se discretamente à pele com a ajuda do suor que aos poucos vai deixando as marcas na roupa e um brilho no rosto.

Com sorte, na parte final da viagem lá consegui partilhar um banco de dois lugares com mais outros dois passageiros… e com um pouco de boa vontade lá se arranjou também um pouco de espaço para encaixar uma criança… o que vale é que a maior parte dos passageiros são magros, e a partilha das adversidades fortalece o sentimento de entreajuda.

Pelo meio do corredor do comboio, totalmente atulhado de pessoas e bagagem, vendedores de comida insistem persistentemente em circular por entre os passageiros carregando comida e bebidas: samosas, água, biscoitos, lassi, gelados, amendoins e o refrescante pepino cortado à fatias e condimentado com chilli. É um vai-e-vem incessante de vendedores, apregoando sonoramente os seus produtos, abrindo passagem à força de empurrões e pisadelas, por entre os passageiros que viajam de pé, criando uma constante agitação e não deixando oportunidade para ter algum conforto nesta penosa jornada.

Pela janela chegam imagens de planícies verdes de plantações de arroz e outras de campos secos à espera de chuva, onde a intensidade da luz convida a fechar os olhos.

Dimapur
Dimapur

Como ir de Kohima para Dimapur:

Do terminal de bus de Kohima, comodamente situada no centro da cidade, partem autocarros da companhia estatal, a NST (Nagaland State Transport).

Estranhamente não existe um horário definido para o inicio da viagem, e segundo informações da bilheteira, o autocarro para Dimapur somente inicia o percurso quando estiver cheio. Por isso é necessário comprar o bilhete e esperar. Contudo convém chegar pelas 7 a.m. Apesar de não estar totalmente cheio, a viagem começou, por volta das 7.20 a.m, com cerca de 2/3 dos passageiros. Os autocarros da NST encontram-se em muito mau estado, sujos e com os alguns dos bancos partidos, em especial os que fazem os percursos mais curtos, como é o caso de Kohima-Dimapur.

  • Bus de Kohima para Dimapur: 120 rupias (3 horas)

Mesmo junto ao terminal de autocarros encontra-se uma paragem de táxis facilmente identificável pela concentração de veículos de cor amarela. A viagem em shared-taxi custa 220 rupias e demora 2.5 horas. Os táxis não têm horário fixo e partem assim que estão cheios (o que de manhã não demora muito), funcionando desde as 6 da manhã até ao fim do dia.

A estrada entre Kohima e Dimapur é essencialmente de montanhas, com o ultimo terço do percurso já a ser feito nas planícies de Assam. A estrada tem boas condições de pavimento mas tem troços em obras e outros em muito mau estado o que torna a viagem cansativa, cheia de solavancos.

inside of a NST bus_Nagaland State Transport
inside of a NST bus_Nagaland State Transport

Como ir de Dimapur para Guwahati:

De facto para quem quer poupar dormir uma noite na desinteressante cidade de Dimapur, e pretende seguir directamente de Kohima para Guwahati, não existem opções muito interessantes.

Segundo os horário da Indian Railways o comboio 05968, apesar de não ter carruagens com ar-condicionado ou “sleeper class, tem lugares em 2ª classe. Assim são vendidos bilhetes nas agências de viagem em Kohima, com o número do assento e da carruagem, inscritos claramente num bilhete emitido electronicamente e impresso em papel, que nos é fornecido por estes intermediários, a trabalhar aparentemente de forma honesta, usado o serviço de venda de bilhetes da Indian Railways. Mas quando o comboio chega à estação constata-se que a carruagem para a qual temos o bilhete não existe, e o que vemos é toda a gente a correr para as entradas dos comboios, inviabilizando por vezes a saída dos outros passageiros, para conseguir entrar, carregando bagagem e crianças ao colo.

O autocarro não é um alternativa atractiva para fazer os 250 km que separam as duas cidades, e provavelmente iniciam o percurso de manhã cedo.

Existem mais comboios a fazer este percurso, que partem depois da 16 p.m. mas chegam a Guwahati perto das 10 p.m. o que pode ser pouco agradável para arranjar alojamento, em especial para quem chega a Guwahati pela primeira vez e tem um orçamento limitado.

Nem todos os comboios funcional diariamente.

Mais informação sobre comboios em:

http://indiarailinfo.com/search/685/0/546?date=0&dd=0&ad=0&co=0&tt=0&ed=0&dp=&ea=0&ap=&loco=&drev=0&arev=0&trev=0&rake=&rsa=0&idf=0&idt=0&dhf=0&dmf=0&dht=0&dmt=0&ahf=0&amf=0&aht=0&amt=0&nhf=-1&nht=-1&ttf=0&ttt=0&dstf=0&dstt=0&spdf=0&spdt=0&zone=0&pantry=0&stptype=undefined&raketype=0&cu=undefined&trn=0&q=

Dimapur: NST bus terminal
Dimapur: NST bus terminal

Dimapur:

  • Em Dimapur estação de comboios fica localizada muito próximo do terminal de bus da NST, a menos de 2 minutos a pé;
  • Na estação de comboios existe luggage room, onde é possível deixar a bagagem enquanto se espera pelo comboio. O processo é burocrático e implica apresentação de passaporte e o preenchimento detalhado de um recibo por parte do funcionário. A luggage room fica no mesmo local da parcell office. É obrigatório ter um cadeado, mesmo que seja uma mochila com vários compartimentos e fechos… mas basta um cadeado, a título simbólico! 20 rupias por dia, por bagagem.
  • A estação de Comboios de Dimapur tem também uma Retiring Room, que funciona como alojamento para portadores de bilhete. Desconheço as condições mas pode ser que seja útil a quem chega “fora-de-horas“ e não pretende perder tempo a procurar alojamento em Dimapur.

 

Dimapur: Train station Retiring room fees
Dimapur: Train station Retiring room fees
Dimapur: Train Station: luggage Room
Dimapur: Train Station: luggage Room
  • Para uma refeição rápida recomendo o restaurante situado do lado direito da entrada principal da Estação de Comboios de Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab… para quem tem saudades da tradicional comida indiana, o dal com chapatti foi delicioso. Para além da comida é um local com condições para relaxar durante uma ou duas horas.
  • Caso se queira um pouco mais de conforto, no extremo norte do cais de passageiros da Estação de Comboios de Dimapur (para quem entra, do lado direito), encontra-se um restaurante da Indian Railways com ar-condicionado.
Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab, em frente à estação de comboios... para quem tem saudades da tradicional comida indiana
Dimapur: Hotel Dimapur Shan-e-Punjab, em frente à estação de comboios… para quem tem saudades da tradicional comida indiana
  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Página 2
  • Página 3
  • Página 4
  • Página 5
  • Interim pages omitted …
  • Página 47
  • Go to Next Page »

Footer

search

Tags

alojamento Angkor Assam Bago Bangkok Borneo Caminhadas Champasak China Beach Comida Cát Bà Gujarat Himachal Pradesh Hué Hà Nôi Ilhas Istanbul itinerário Kashan Kashmir Kathmandu Kunming Kutch Ladakh Leh Mcleod ganj Meghalaya Nagaland Ninh Binh Nordeste da Índia Parques Naturais Parvati Valley Phnom Penh Pondicherry Punjab Rajastão Sapa Srinagar Tabriz Tamil Nadu Transportes Travessia de Fronteira Vinh Long Yangon Yazd

Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

Se achou o meu blogue útil ou inspirador, considere apoiá-lo com uma pequena contribuição. Cada donativo ajuda-me a manter este projeto vivo e gratuito para todos os que adoram explorar o mundo.

Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!

BUY ME A COFFEE

Categories

Recent Posts:

  • Líbano: itinerário para 15 dias de viagem
  • 25 dias de viagem pelo Bangladesh: itinerário
  • Japão em 6 semanas: itinerário & custos
  • Taiwan: itinerário para 16 dia viagem
  • 20 dias in Morocco: itinerário & custos
  • Kuta Lombok… o paraíso quase secreto
  • Leh & Kashmir: mapa e itinerário
  • English
  • Português

© Copyright 2026 Stepping out of Babylon · All Rights Reserved · Designed by OnVa Online · Login