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Stepping Out Of Babylon

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Índia

… do deserto do Rajastão aos Himalaias

“when you are stranger, people are strange…” excerto de uma música dos The Doors.

Quando nos afastamos dos locais frequentados por ocidentais, perdemos o olhar cúmplices de outros estrangeiros com quem nos cruzamos e sentindo-se uma empatia natural, mesmo sem nos conhecermos ou termos trocado uma palavra, fazendo-nos sentir pequenos e insignificantes.

Mas quando iniciamos viagem e nos perdemos na imensidão da Índia, parece que nos diluímos na multidão, e apesar de sermos o centro das atenções somente recebemos olhares de curiosidade, raramente se conseguindo quebrar a barreira formada por culturas tão distintas. Não temos as mesmas referências ou os mesmos hábitos, não partilhamos a mesma religião, não falamos a mesma língua e nem a linguagem gestual é a mesma.

Em locais com muita gente, como são as estações de comboios, parece que somos engolidos pela massa humana, como se fossemos uma pequeno barco a deslocar-se contra a corrente. Solitários num mar de gente.

Todas estas considerações resultaram da mais longa viagem que fizemos nesta segunda visita à India; saímos de Pushkar, no Rajastão com destino a McLeod Ganj, no estado de Himacal Pradesh.

Foram mais de 24 horas de viagem; não sei quantos quilómetros pois por aqui o que conta é mesmo o tempo de duração da viagem.

Saímos pela hora de maior calor de Pushkar, pelo que tivemos que apanhar um tuk-tuk para nos levar à estação de camionetes, ou melhor, ao descampado de terra batida onde para os autocarros, à entrada da cidade, para nos levar a Ajmer.

Daqui embarcamos na grande aventura que é andar de autocarro, nas carreias normais, em veículos pertencente à empresa governamental. Os veículos estão num péssimo estado de conservação, tanto exterior como interior, sujos e desconfortáveis. As estradas são geralmente más e a lotação ultrapassa muitas vezes o limite. Tudo isto torna as viagens neste tipo de veículos penosas apesar do colorido provocado pela massa humana.

Os veículos estão muitas vezes decorados com imagens de divindades hindus e podemos ter a companhia de música indiana ao estilo bollywwod. Existe sempre um “pica” que cobra os bilhetes e dá ordens para que se consigam encaixar mais passageiros, num veículo já cheio de gente e bagagens; velhotes ou mulheres com crianças não têm tratamento preferencial, indo muitas vezes sentados no chão.

Geram-se momentos de confusão, por vezes com discussões, muito barulho, muitos encontrões, o que somado com o calor fazem com que meia-hora de viagem pareçam uma eternidade.

Esperava-nos uma viagem de comboio de Ajmer para a estação de Chakkin Bank, que deve ser tão insignificante que nem vem no mapa nem no nosso guia de viagem, e que se iniciou pouco depois das duas da tarde e durou até às 8 da manhã do dia seguinte, duas horas depois do previsto.

Como era uma viagem longa, escolhemos lugares nas carruagens com três camas. Foi uma viagem agradável enquanto percorríamos as planícies secas do Rajastão. A passagem por Delhi, já durante a noite criou alguma confusão com a entrada de novos passageiros, tendo-nos calhado no nosso compartimento quatro mulheres com três crianças pequenas; tememos o pior, mas revelou-se uma noite calma, que terminou bem cedo pelas 6 da manhã, com o habitual reboliço.

Chegados à estação de comboios de Chakkin Bank, tivemos que negociar com um tuk-tuk a viagem até à estação de autocarros de Pantankot, já no estado de Himalacal Pradesh. Foi uma viagem na parte de trás do veículo, que geralmente ocupamos com as nossas mochilas mas que desta vez ainda levou mais 5 passageiros e respectiva bagagem, por mais uma feia e incaracterística cidade.

Chegados ao terminal de autocarros de Pantankot, enquanto esperávamos comemos um dos tradicionais pequenos almoços dos indianos, as chamuças, que são servidas com um molho tipo carril ou somente um molho picante, a que chamam chutney (que não tem nada a ver com o que nós conhecemos por esse nome).

Pareceu-nos o repasto de um rei, pois a comida durante a viagem do comboio foi escassa e não íamos preparados com provisões.

Aqui começa mais uma viagem alucinante de autocarro pelas estradas montanhosas, em mais um veículo decrépito, que durou 4.5 horas para percorrer os 98 quilómetros que nos separavam do nosso destino: Dhramsala.

Chegamos espapaçados a Dhramsala onde apanhamos um táxi, pois mais uma viagem de autocarro estava fora de questão, para nos levar ao local que escolhemos para ficar: Bagshu, situado a 2100 metros de altitude já na cadeia montanhosa que forma os Himalaias.

Estação de autocarros de Pantankot, onde estavam estacionados estes veículos que funcionam como taxis mas que parece que saíram do filme Mad Max... apocalípico
Estação de autocarros de Pantankot, onde estavam estacionados estes veículos que funcionam como taxis mas que parece que saíram do filme Mad Max… apocalíptico
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj

Viajar de comboio na India

Viajar pela Índia de comboio é um clássico. Obrigatório.

Os caminhos de ferro indianos transportam mais de 12 milhões de passageiros por dia! E empegam mais de 1.6 milhões de trabalhadores, sendo um dos maior empregadores do mundo. São cerca de 60.000 quilómetros de linhas, fazendo com que a rede de caminhos de fero indianas seja a maior do mundo, sendo também a que tem mais acidentes.

Fazem uma boa cobertura do país e são a melhor forma de fazer viagens de longa distância permitindo passar uma noite com algum conforto. De dia não são tão confortáveis pois os assentos, apesar de almofadados, são corridos e não dispões de braços.

A compra de bilhetes nunca é tarefa fácil pois é necessário preencher um impresso, com o nome, idade dos passageiros, origem e destino da viagem, numero e nome do comboio, o tipo de classe, tipo de comida (vegetariana ou não-vegetariana) assim como os dados da pessoa que está a adquirir os bilhetes.

Quanto ao número e nome do comboio temos sempre que nos dirigir a um balção de informações, pois a informação apresentada nos placares é demasiado complexa para nós, e tentar comunicar com o funcionário, nem sempre muito diligente, através de um orifício no vidro do balcão, sobrepondo a nossa voz e afinando o ouvido para perceber alguma coisa sobre o ruído de fundo típico das bilheteiras. Existe uma fila especial para estrangeiros, cidadãos séniores, indivíduos com deficiências, jornalistas e “freedom fighters”… seja lá isso o que for. Mas este privilégio não nos poupa a termos que lutar pelo nosso lugar na fila, pois é frequente tentarem-nos passar à frente.

A escolha de ar-condicionado implica um aumento no custo dos bilhetes mas pode representar também um aumento significativo de conforto em viagens longas. Contudo uma viagem em carruagens sem ar-condicionado permite ver melhor a paisagem (pois geralmente vidros baços ou sujos) e sentir aproveitar o vento que entra pelas janelas ou mesmo viajar sentado junto à porta, sentido os cheiros e vendo a paisagem deslizar.

De contar com atrasos na chegadas dos comboios e com longas paragens em algumas estações, que podem durar mais 20 minutos.

Em algumas classes são servidas refeições, mas para os bilhetes mais baratos é vendida comida, água, sumos e chá pela companhia de caminhos de ferro indiana, a Indian Rail. Em cada estação existem vendedores com bancas espalhadas ao longo do cais que vendem bebidas, bolachas, chá e snacks, como chamuças.

Para a compra de bilhetes de ultima hora ou para quando estes já estão esgotados, o que pode acontecer com semanas de antecedência, pode-se recorrer ao TATKAL; são criadas mais carruagens e os bilhetes são postos à venda cinco dias antes da viagem, logo pelas 8 da manhã. O custo é acrescido de 50 a 200 INR, conforme a classe.

Existe também uma cota específica para estrangeiros.

Os bilhetes podem ser comprados nas estações de comboios, on-line ou em inúmeras agências de viagem que se encontram espalhadas por toda a India, aumentando o seu número nos locais mais frequentados por turistas. O acréscimo de custo que pode ir para além das 400 INR.

Os comboios indianos apresentam as seguintes classes, por ordem crescente de preço:

1A – First AC

Compartimos fechados de 2 ou 4 camas com casa de banho. São fornecidos lençóis, almofada e cobertor. As camas convertem-se em assentos para viajar durante o dia. Ar-condicionado.

Não existem em todos os comboios estando reservado para serviços de longa distância.

2A – AC Sleeper

Compartimos abertos, separados por cortinas, com 4 camas, dispostas por dois níveis mas com casa de banho partilhada. São fornecidos lençóis, almofada e cobertor. As camas convertem-se em assentos para viajar durante o dia. Ar-condicionado.

3A – AC Three Tier Sleeper

Esta classe é em tudo semelhante à AC2, com a diferença que são 6 camas por compartimento, dispostas por três níveis, que de dia permitem aos passageiros irem sentados e de noite, o encosto transforma-se na cama situada no nível intermédio. A carruagem, tem de um dos lado do corredor estes compartimentos ao passo que do outro lado se situam compartimentos mais pequenos, disposto longitudinalmente ao corredor, somente com dois níveis de camas, o que permite mais privacidade apresenta camas mais pequenas.

São também fornecidos lençóis, almofada e cobertor e tem ar-condicionado, assim como tomadas elétricas; dispõem de cortinas que permitem isolar o compartimento do corredor.

Já fizemos várias viagens nesta classe a até se consegue viajar com algum conforto, e mesmo dormir. Contudo o sono pode ser interrompido com a entrada de passageiros numa estação intermédia o que causa sempre alguma agitação e confusão. O dia, dentro do comboio começa cedo, pouco depois do nascer do sol, fazendo com que o passageiro da cama intermédia, se veja na obrigação de abandonar o seu posto para que os restantes passageiros se possam sentar.

Deve-se ter em conta que, mesmo com os lugares marcados, as mulheres indianas ficam preferencialmente na cama de baixo, o que é compreensível pois a subida para a cama intermédia ou a de cima obriga a alguma agilidade.

O ar-condicionado é tão forte que é recomendável o uso de casaco e durante a noite o cobertor faz algum sentido, mesmo sabendo que no exterior as temperaturas rondam os 30º.

Encontram-se alguns turistas a viajar nesta classe e com alguma facilidade se encontram pessoas que falem inglês o que são uma boa ajuda para saber onde estamos ou dizer o número de paragens até ao nosso destino.

1 – Fisrt Class

Compartimentos fechados de 2 ou 4 camas. Sem ar-condicionado e sem roupa de cama.

Está a ficar em desuso.

CC – AC Chair Car

Está geralmente disponível em comboios que fazem a ligação entre grandes cidades, em viagens e mais curta duração. Lugares sentados em confortáveis cadeiras reclináveis. Ar-condicionado. Têm lugares marcados, é oferecido o jornal e uma garrafa de água, é servido um chá, um snack e uma refeição ligeira; a comida não é grande coisa, sendo quase sempre (pelo menos nas viagens que fizemos pela Northern Railway) uns bolinhos de batata fritos, recheados de legumes ou uma chamuça.

Já fizemos uma viagem nesta classe, entre Jaipur e Agra.

SL – Sleeper Class

Muito semelhante à AC3, mas com menos conforto; não tem ar-condicionado nem cortinas. São na mesma três níveis de camas, que se transformam em assentos durante o dia, não é fornecida roupa de cama, nem comida. Tem lugares marcados.

Mais difícil de arranjar bilhetes pois é onde a maioria dos indianos viaja, em especial nos comboios de longa-distância. Não é a primeira escolha dos turistas e é difícil encontrar indianos que falem inglês, sendo a comunicação por gestos ou apontado para o nome da estação onde queremos sair.

Mesmo com a ventoinhas a funcionar, pode tornar-se extremamente quente, em especial nas longas paragens efectuados durante a viagem. As janelas, sempre com grades, podem ser fechadas com um vidro ou com uma persiana metálica.

Já viajamos nesta classe e o calor tornou-se tormentoso, poucas horas depois do nascer do sol, em especial, na cama situada junto ao tecto, onde o metal do comboio escalda.

2S – Second Sitting

Lugares reservados e carruagens sem ar-condicionado mas com ventoinhas no tecto. Têm pouco espaço para bagagens pelo que muitas das vezes obriga à ocupação do corredor.

Os bancos são almofadados, mas corridos, com três lugares de cada lado do corredor.

Recomendável para pequenas viagens.

Viajamos nesta classe entre Jaipur e Ajmer, que durou pouco mais do que duas horas e meia.

UR/GEN – Unreserved

Lugares sentados em banco de madeira ou de plástico, com três lugares de cada lado do corredor. Sem ar-condicionado e sem lugares marcados.

Pouco recomendável para longas viagens.

Nunca viajamos nesta classe, mas pelo que se vê dos outros comboios com que nos cruzamos nas estações vêm sempre apinhados.

CC - AC Chair Car
CC – AC Chair Car
CC - AC Chair Car
CC – AC Chair Car
UR/GEN - Unreserved
UR/GEN – Unreserved
UR/GEN - Unreserved
UR/GEN – Unreserved
2S
2S (segunda classe)
Primeira classe
Primeira classe
Primeira classe, com compartimentos fechados
Primeira classe, com compartimentos fechados

 

O quotidiano em Pushkar

Até à alguns anos atrás Pushkar era pouco mais do que uma rua de se desenvolvia ao longo do lago, dando acesso aos principais gahts, com algumas lojas dedicadas à venda da parafernália dedicada à realização do puja. Hoje já são poucas essas lojas, tendo surgido inúmeras lojas, cafés e restaurantes dedicados ao turismo tanto nacional como estrangeiro.

Mesmo assim, dado que é uma cidade sagrada, mantêm-se algumas regras como a proibição de comer comida não-vegetariana, fumar (se bem que nem sempre é respeitado) e beber álcool. Junto aos ghats é proibido andar calçado ou mesmo pousar os sapatos no chão. Alguns peregrinos chegam mesmo a fazer a percorrer a povoação descalços.

Aqui encontramos lojas de CD, escolas de yoga, centros de meditação, escolas e dança indiana, padarias alemãs (seja lá isso o que for), venda de papel higiénico, restaurantes com comida ocidental que vai desde pizzas a comida mexicana ou tibetana sem esquecer as especialidades israelitas e várias livrarias, coisa rara nos locais por onde temos passado… muito livros de yoga, ayurveda, hinduísmo, Osho, Paulo Coelho, Deepak Chopra, Murakami, Naipul, Paul Theroux e muita mais literatura estrangeira, tanto em inglês, como em francês ou mesmo em hebraico.

 Os nossos pequenos almoços deixaram de ser chamussas ou lassies para passarem a ser torradas ou papas de aveia com banana e mel. Tudo isto faz com que a comida seja mais cara e não tão boa como estávamos a ficar habituados.

Mesmo assim continuamos a comer comida tradicional indiana, sempre vegetariana, às outras refeições, conseguimos comer os tradicionais thalis, que consiste numa refeição servida num prato metálico, com várias pequenas taças ou concavidades destinadas a três porções de comida: sopa de lentilhas, carril de legumes, outro carril de legumes, por vezes um achaar (uma espécie de pickle) e sempre acompanhado por puris, chapatti. Por vezes pode ter também um doce ou iogurte.

No penúltimo dia da nossa estadia em Pushkar podemos assistir ao encerramento dos festejos Holi Fest, uma data importante no calendário das festividades hindus, onde são lançados ao ar pigmentos das mais variadas cores. Temos encontrado alguns vestígios desta festa em vacas e cães. Neste ultimo dia a festa que vimos consistia numa espécie de procissão, com música e dança, que percorre a rua principal de Pushkar, onde os habitantes desenham mandalas e outros desenhos no chão, com pigmentos em pó. O ritmo da festa é marcado pela música frenética e estridente, debitada em alto volume por um veículo adaptado para o efeito munido de poderosos altifalantes. A fechar o cortejo vinha outro veículo que transportava o ruidoso gerador a gasóleo de forma a alimentar a carro do som e as iluminações transportadas por alguns dos crentes que acompanhavam a procissão.

Dia 11 de Abril fomos recebidos pelos donos do hostel onde estamos instalados com um “happy new year” que nos deixou um pouco perplexos. A pesar de na Índia se seguir o calendário internacional, os hindus têm o seu próprio calendário. vão no ano de 2070. Não encontramos festejos muito significativos, ao contrário do que estávamos à espera, com exceção do aumento do número de peregrinos nos templos.

Ultimo dia das celebrações do Holi Festival (no dia 27 de Março), o festival das cores, onde pigmentos em pó são lançados em ambiente de festa.
Ultimo dia das celebrações do Holi Festival (no dia 27 de Março), o festival das cores, onde pigmentos em pó são lançados em ambiente de festa.
Pushkar. Rua principal também chamada de Main Bazar, que se desenvolve entre a estação de camionagem e o principal templo, o Brahma Temple
Pushkar. Rua principal também chamada de Main Bazar, que se desenvolve entre a estação de camionagem e o principal templo, o Brahma Temple
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Cortejo de encerramento das festividades do Holi Fest; este pequeno veiculo munido de altifalantes que libertavam o estridente som que animava a festa
Decorações das ruas para a passagem do cortejo que transporta a imagem de uma divindade hindu
Decorações das ruas para a passagem do cortejo que transporta a imagem de uma divindade hindu
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fim de tarde junto ao lago
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Panner Butter Massala servido no Sun Set Café
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Pushkar
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Jantar no Sun Set Café
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Café Honeydew. Poiso frequentado por estrangeiros onde de podem encontrar os tipicos pequenos almoços ingleses, assim como batidos, tostas, chá, massala tea…
Café Honeydew. O poiso mais frequentado por ocidentais, onde juntamente com pratos indianos se podem encontrar os tradicionais pequenos almoços ingleses e continentais
Café Honeydew
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar
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O Baba mais famoso de Pushkar 🙂 ve-mo-lo sempre ao fim do dia junto a esta árvore perto do lago. São inumeras as pessoas, todas estrangeiras, que tiram fotografias com ele. Tem página no facebook e contacto telefónico. Mesmo desconhecendo o motivo de tal fama, reconhecêmos-lhe a simpatia.

https://www.facebook.com/maharajashiva1

Estamos instalados no Hotel Akash, que é explorado por um casal formado por uma alemã e por um indiano, e Eva e o Deepak. Fica situado numa rua secundária de Pushkar, mas a menos de 5 minutos do lago e do Brahma Temple, o principal templo da cidade.

O quarto é um pouco rústico mas é limpo e tem as condições necessárias para relaxarmos: casa de banho, janelas, toalhas, ventoinha e espaço, o que por 400 INR é bastante bom. No andar de cima temos um terraço que durante o dia é demasiado tórrido, o que nos leva a passar as horas de maior calor no piso de baixo, que forma uma espécie de pátio. O hotel está praticamente vazio, mas mesmo assim permitiu-nos ter contacto com um casal de inglês com vasta experiência de viagem pela Índia que nos deram preciosas informações. Nos ultimos dias da nossa estadia apareceram mais visitantes, um deles um português; já encontramos diversos conterrâneos aqui na India, tanto em férias como em viagens prolongadas.

http://www.hotel-akash.com/

Hotel Akash
Hotel Akash. Este foi o nosso refugio nas horas de maior calor, ou seja entre as 10 da manhã e a 4 da tarde… livros, musica, net, boa conversa… sempre com o aroma dos incensos que emprestam ao ar um aroma doce que contribui para o ambiente relaxante
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Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash

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Hotel Akash
Hotel Akash
Ghats de acesso ago sagrado visto pela manhã do nosso ultimo dia em Pushkar
Ghats de acesso ao sagrado visto pela manhã do nosso ultimo dia em Pushkar

Depois de seis dias em Pushkar, decidimos partir para norte em direcção da Dharamsala, que se situa nas montanhas, e onde o lima é mais ameno. O plano de ficar até ao fim do mês de Abril pelo Rajastão foi alterado pois o calor desencoraja grandes viagens, e as cidades mais para oeste ainda têm temperaturas mais elevadas.

Espera-nos uma viagem de comboio de 16 horas.

Pushkar e o lago sagrado

Chegámos à quatro dias a esta povoação, situada a cerca de 2.5 horas de comboio a oeste de Jaipur. Continuamos no estado do Rajastão, mas avançar por paisagens cada vez mais áridas e despovoadas, à medida que nos aproximamos do deserto do Thar. Estamos longe de uma paisagem de dunas mas o solo é predominantemente arenoso e a vegetação escassa, mesmo tendo em conta que estamos a caminhar para os meses mais quentes do ano.

A cidade é famosa pela sua feira anual de camelos, que atrai inúmeros visitantes, mas para a população hindu, este lugar é um dos mais sagrados, pois foi onde o deus Brahma, deixou cair uma das três pétalas da flor de lótus que usou para matar um demónio. Onde caíram essas pétalas nasceu um lago, sendo Pushkar o maior e o que atrai mais peregrinos.

Não é de espantar a importância dada a este local na mitologia hindu, pois o lago constitui um pequeno oásis numa zona extremamente árida rodeada por pequenas montanhas que nesta altura do ano apresentam pouca vegetação nesta altura do ano.

À volta do lago existem 52 ghats, cada um com o respectivo templo, que contribuem para o total de quinhentos templos existentes em Pushkar. Os ghats são escadarias que permitem o acesso dos crentes à água para aí se banharem nas águas sagradas e realizarem o puja que é um ritual realizado diariamente, pela manhã ou ao fim da tarde, tanto em templos como em casa, que consiste em cânticos e na entrega de oferendas, como flores, doces, coco ou outros frutos; isto é o que nos é dado a conhecer pelo que vamos observando, pois muito mais pormenores deve haver desta complexa religião que é o hinduísmo.

Foi de um destes ghats, o Gau Ghat, que foram lançadas ao lago as cinzas de Mahatma Gandhi e de Jawaharlal Nehru.

Apesar da habitual confusão das cidades indianas, mesmo as mais pequenas, resultante do número de pessoas e das persistentes e muitas das vezes desnecessárias buzinadelas, Pushkar mantem uma mística muito especial particularmente ao amanhecer e ao fim da tarde, onde junto aos ghats, se respira uma atmosfera mais calma e relaxante, onde se pode encontrar a atmosfera mística que muitos procuram na India.

Por aqui vêm-se grandes grupos de peregrinos muitos deles vindos de outras povoações do Rajastão distinguindo-se dos restantes hindus pela colorido intenso dos sharis das mulheres e pelos volumosos turbantes com que os homens cobrem a cabeça, formados por longos panos de cores vivas, enrolados em volta da cabeça, contrastando com a indumentária branca formada por umas calças em balão e por uma túnica.

Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado onde os crentes se banham e realizam o ritual do puja
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. O lago reflecte os templos iluminados, enquanto o céu se preenche de nuvens que trazem consigo a trovoada
Pushkar junto à rua principa
Pushkar junto à rua principal
Pushkar. Templos junto aos ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Templos junto aos ghats de acesso ao lago sagrado
Lago de Pushcar ao fim do dia de ano novo hindu, onde foram acendidas inumeras lamparinas ao longo do lago
Lago de Pushcar ao fim do dia de ano novo hindu, onde foram acendidas inumeras lamparinas ao longo do lago
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Ao fim do dia, junto aos ghats do lago de Pushkar
Ao fim do dia, junto aos ghats do lago de Pushkar

Sobre Agra e o Taj Mahal

Por sugestão do senhor Arvind, fomos de comboio para cidade de Agra (cidade de passagem obrigatória para quem visita o Taj Mahal) bem cedo e regressamos no mesmo dia, pois é uma viagem que se faz em pouco mais do que 2.5h. Foi o melhor que podíamos ter feito. Teria sido uma dura prova ter ficado, mesmo que fosse só por um dia, nesta cidade: mais confusa, poeirenta, suja e ruidosa do que outras por onde temos passado, o que é agravado pelos 37 graus de temperatura que se fazem sentir por aqui.

Perto do forte de Agra (que não chegamos a visitar) estavam a executar trabalhos de remoção de uma pequena lixeira a céu aberto, com recurso a escavadoras que transportavam a “pasta” negra e fétida formada pelo lixo para camiões de obra; apesar de já estarem três camiões cheios, o trabalho estava longe de terminar. O cheiro que se libertava desta lixeira a juntar com o que emanavam as águas de uma ribeira de águas estagnadas próxima, cujo leito se assemelhava a uma pasta lodosa de cor negra, criou um cenário de pesadelo de provocar agonias.

Tudo isto fez com que a chegada ao comboio que nos levaria de volta a Jaipur, onde nos esperava um banco confortável e ar-condicionado tenha parecido uma bênção. Foi nesta altura que demos valor ao facto de termos comprado um dos bilhetes mais caros (pois já não havia lugares nas outras classes), tendo gasto no total da viagem cerca de 2000 INR (quase 30€), o que é uma pequena fortuna para as nossa economias.

Taj Mahal
Taj Mahal

Trata-se do monumento mais visitado de toda a Índia, com cerca de 3 milhões de visitantes por ano, mas só quando lá se chega é que se percebe a dimensão destes números. São milhares de pessoas dentro do recinto, que é constituído para além do famoso mausoléu, por mais dois edifícios localizados de cada lado do edifício principal, sendo um deles uma mesquita, por vastos jardins, geometricamente organizados, tudo cercado por muros, construídos em arenito vermelho, por onde se acede através de três monumentais portas.

O monumento foi construído entre 1632 e 1640, por ordem do Imperador Shah Jahan. Segundo a lenda, foi construído em homenagem a Mumtaz Mhal, a terceira esposa de Shah Jahan, que morreu em consequência do nascimento do décimo quarto filho. Contudo, segundo investigações recentes, sabe-se que Shah Jahan não passou os seus últimos dias chorando a sua amada esposa, tendo morrido poucos anos depois devido ao consumo excessivo de afrodisíacos e de ópio.

Quer tenha sido construído por amor ou para alimentar o ego de um homem, o Taj Mahal não deixa de ser um monumento de grande valor arquitectónico, exata proporcionalidade e de uma insustentável leveza.

Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal

À parte de toda esta confusão o Taj Mahl impõe a sua magnitude e a sua beleza, destacando-se o edifício do mausoléu todo construído em mármore branco, e profusamente decorado com caligrafia e motivos florais, embutidos, executados com cerca de 35 tipos diferentes de pedras, preciosas e semipreciosas. Em cada vértice do quadrado formado pelo mausoléu, existe um minarete, puramente decorativo, com cerca de 40 metros de altura. Demorámo-nos umas horas a deambular pelos edifícios e jardins observando o desfilar da paisagem humana que dá vida a teste monumento.

De cada lado do mausoléu encontram-se dois edifícios iguais, dispostos simetricamente, construídos em arenito vermelho, sendo um deles destinado à mesquita, onde os visitante muçulmanos se dirigem para uma curta oração, após a lavagem dos pés no tanque existente em frente, e onde um guarda vigia atenta e escrupulosamente para que se respeite o costume de não entrar calçado.

O edifício principal, construído em mármore está a sofre com a pressão dos visitantes e acima de tudo da poluição provocada pelo trafego e pelas fábricas existentes na região, tendo mesmo o governo proibido recentemente o acesso de  veículos motorizados a menos de 200 metros dos muros do Tah Mahal. O místico nevoeiro que muitas vezes é captado nas fotografias, e que chega mesmo a cobrir o monumento, é provocado principalmente pela poluição. O monóxido de carbono tem provocado a degradação do mármore levando à perda da sua transparência e consequentemente do efeito provocado pela luz do sol ao atravessar as paredes do mausoléu.

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Entrada principal do Taj Nahal, vista do exterior
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Porta de entrada no Taj Nahal, vista do interior do monumento
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Taj Mahal visto da mesquita situada do lado Leste do mausoléu
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Mesquita no interior do Taj Mahal
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Entrada principal do Taj Mahal, onde a fila da direita é destinada a indianos, e as duas à esquerda são reservadas para mulheres e para estrangeiros
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Fila para entrar no mausoléu. O caminho mais à direita está reservado aos portadores de bilhetes mais caros, ou seja aos estrangeiros

Para além das diferenças de preços dos bilhetes entre nacionais e estrangeiros praticada na maioria dos monumentos, e no facto de haver uma quota de bilhetes de comboio reservada a estrangeiros, aqui no Taj Mahal, encontramos novas forma de tratamento discriminatório. A fila onde compramos o bilhete de entrada encontrava-se praticamente vazia, ao passo que os outros visitante tinham que esperar em longas filas, sob o sol que a partir das 10 horas da manhã é castigador. Pagámos 750 INR ao passo que os nacionais pagam 250 INR, havendo ainda, pelo que percebemos, um preço especial para habitantes de Agra, de 20 INR.

Como “vips” tivemos ainda direito a garrafas de água e a uma proteção para colocar por cima dos sapatos, pois numa parte do monumento é proibido andar com sapatos, ao passo que os visitantes nacionais têm que deixar os sapatos à entrada e percorrer o recinto descalços, o que se torna penoso dado o calor libertado pelas pedras expostas ao sol, fazendo com que a maior parte das pessoas que visita o mausoléu, circule junto às paredes do edifício principal aproveitando a estreita faixa de sombra existente.

Tanto para entrar no Taj Mahal como para visitar o edifício principal onde estão as sepulturas de Shah Jahan e de Mumtaz Mhal (de facto as que estão à vista são réplicas, encontrando-se as verdadeiras enterradas), existem filas com centenas de pessoas, mas mais uma vez existe uma entrada reservada para estrangeiros. Nem é necessário mostrar o bilhete, basta a cor da pele. É uma regra discriminatória e de certa maneira reprovável, mas confesso que uma espera de mais de meia hora, sob sol escaldante em filas com centenas de indianos, conhecendo o típico desrespeito pela noção de “fila” e a grande capacidade de compactação que têm entre si, teria sido penosa. É um tema que pede uma reflecção.

A parte mais intensa foi a entrada na sala principal do mausoléu, onde a multidão compacta circula à volta dos túmulos de Shah Janhan e da esposa, movendo-se de acordo com as ordens dos vários guardas que incansavelmente e sem sucesso tentam impedir que se tirem fotografias ou que as pessoas se aproximem demasiado da rendilhada parede de mármore que circunda os túmulos.

Taj Mahal
Edificio do mausoléu construído em mármore decorado com embutidos de pedras preciosas e semipreciosas
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Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal
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Taj Mahal
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Taj Mahal e mesquita
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Taj Mahal

Taj Mahal

Templo Hindu no interior do complexo do Taj Mahl
Local de devoção Hindu no interior do complexo do Taj Mahal, todo ele de inspiração mulçulmana

Notas da India # 1

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Tuk-Tuk & Rickshaw:

Arvind é o dono da guest house em Jaipur, onde ficamos alojados, homem simpático e afável, ex-militar aposentado. Contou-nos numa das nossas conversas de final de dia, que um indiano precisa e 500INR (cerca de 7€) para poder sobreviver nesta cidade de Jaipur.

No caso dos condutores de tuk-tuk (auto rickshaws), têm que pagar o aluguer diário ou mensal do veículo, gasolina, comer e ainda pagar um tecto para viver.

Discutimos sempre os preços das viagens nestes veículos pequenos de três rodas; a nós estrangeiros pedem, por norma, por vezes três vezes mais do que o preço “justo” por uma viagem; é uma constante negociação, por vezes cansativa e só passado uma semana percebemos que a relação é de 10INR por quilómetro.

Os rickshaws tornam-se mais baratos, são veículos também de três rodas, uma espécie de bicicletas enormes com um banco para duas pessoas, bem apertadas e sem espaço para bagagem de grande volume. Puxados por indianos geralmente magros e subnutridos, circulam pelas ruas de Jaipur em busca mais um cliente, abordando-nos constantemente quando andamos a pé.

Andámos poucas vezes neste veiculo mas custa-nos sermos espectadores do esforço associado a esta locomoção sob forte calor, onde para vencer os mínimos declives das ruas o condutor tem que se colocar de pé, não sendo raro ter que sair para o puxar à mão. Parece-nos injusto… mas neste país  justiça é algo que não existe.

Abordagens:

“Excuse me… can I ask you something?”

Assim começa a conversa da maior parte dos indianos que nos abordam em Jaipur. Normalmente são novos, falam um inglês acima da média e por vezes espanhol, francês ou mesmo italiano. Somos levados a parar, devido à delicadeza da pergunta e aí começa toda a história…

Perguntam o porquê da maior parte dos estrangeiros ignorarem os indianos quando são abordados na rua, dizem que não respeitamos a cultura e que fazemos mal… que não é assim que vamos conhecer o país e os modos de vida, que devíamos parar um pouco e conversar com eles, não ser arrogantes, sentarmo-nos e bebermos o que nos oferecem…

Em poucos minutos, as perguntas desencadeiam-se em cascata, de onde somos, o nosso nome, há quanto tempo estamos na Índia, o que estamos a fazer na cidade e se for preciso caminham connosco ao mesmo tempo que falam, paramos numa sombra, o calor é infernal e tudo é intenso, a conversa é amigável e aparentemente genuína. Enganamo-nos!

Percebemos mais tarde que todos eles são angariadores privados ou de lojas de roupa, jóias, música, bares, etc…..

Com esta conversa fazem-nos sentir mal por não aceitar um convite aparentemente genuíno e passados dez minutos de conversa sobre a Índia e o estrangeiro, sugerem beber um chá, um sumo, mesmo ali ao lado, num beco ou viela qualquer igual a tantos outros, são afáveis e simpáticos até termos discernimento no meio de tanta confusão de perceber o esquema e dizer que não.

Durante o dia somos abordados por mais de vinte pessoas a tentar a mesma conversa, não temos outra alternativa a não ser ignorar ou ter uma atitude mais rude. Faz-me pensar que por vezes podemos estar a ser injustos com alguém, que poderá ter genuínas intenções em conversar e conhecer, mas neste caso e como em muitos outros… por uns pagam todos. Welcome to india!

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Can I take a picture:

Definitivamente os indianos gostam de aparecer em fotografias, quase diariamente temos tido sessões fotográficas. Começa de forma discreta com alguns rapazes mais destemidos que pedem para tirar uma fotografia connosco, em geral com o Bruno, pois a tattoo e as dreadlocks são o centro das atenções.

Quase toda a gente tem telemóvel com câmara fotográfica ou pequenas maquinas o que facilita. Perguntam sempre “can i take a picture with you?” e ao nosso consentimento começa a aventura.

Assim que as outras pessoas vêm isto, aproximam-se e fazem o mesmo; seguem-se outros e outros. Se é um grupo de amigos, cada um individualmente ou em pares querem ter direito a sua fotografia connosco com o seu próprio telemóvel, o que causa grande confusão entre eles. Todo este ajuntamento atrai ainda mais gente.

As mulheres são mais discretas e dirigem-se especialmente a mim.

A situação mais intensa foi no Albert Hall Museum em Jaipur, onde fomos cercados por uma turma de finalistas do secundário. Eram cerca de uma centena e à medida que iam acabando a visita de estudo queriam pousar numa fotografia connosco. Para piorar as coisas tínhamos escolhido um sitio para descansar e relaxar mesmo junto a saída do edifício. O Bruno ainda tirou o caderno para continuar um desenho que tinha iniciado, mas com isto ainda chamamos mais a atenção, o que fez com que o caderno voltasse rapidamente para a mochila.

No Taj Mahal a cena repetiu-se, mas desta vez numa versão mais familiar, com muitas crianças e mulheres. Temos que encarar isto com alguma descontração e um sorriso na cara, mas facilmente se pode tornar massacrante e cansativo.

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Jaipur: Explore’s Nest guesthouse

Na confusão citadina de Jaipur encontramos o refugio perfeito na gesthouse do senhor Arvind e da esposa Shoma, onde fomos muito bem recebidos. Situada perto da Pink City e da MI Road, que é a avenida principal do centro da cidade onde se encontram os principais serviços e comércio mais sofisticado, mas numa pequena rua que nos resguarda da confusão de trânsito e ruído da cidade.

http://www.jaipurbedbreakfast.com/

Vinha-mos por uns três dias mas acabamos por ficar seis. junto do senhor Arvind obtivemos muita preciosas informações sobre o que visitar na cidade e nos resto no estado do Rajastão, e sobre a melhor formas de nos deslocar-mos. Graças ao seu razoável inglês percebemos um pouco melhor a forma como funciona a aquisição de bilhetes de comboio, quais as melhores classes para viajar de comboio, como negociar o preço de um rickshaw ou de um tuk-tuk (também chamados de auto rickshaw), o preço da fruta, etc…

Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse
Explorers Nest guesthouse

Tem-se uma ideia de que na India falam inglês com facilidade, mas na realidade, tirando as pessoas das classes mais altas ou as que estão ligadas ao turismo, é difícil trocar algumas palavras para além dos habituais “hello”, “where are you from” e o preço dos produtos. Mesmo para pedir algum informação ou a indicação de algum caminho é preciso escolher bem a “vítima”, de preferência entre pessoas novas, rapazes, pois as raparigas são mais envergonhadas, e de preferência vestidos com roupas mais limpa.

Curiosamente, pelas ruas da Pink City fomos abordados por alguns rapazes que para além do inglês sabiam falar espanhol.

As nossas deambulações pela Pink City, a parte histórica de Jaipur, chegamos à parte mais a Este do centro da cidade, onde deparamos com uma mudança significativa nas pessoas que enchiam as ruas: muitas mulheres de véu, muito homens com homens de túnicas brancas e o característico taqiyah, com que os islâmicos cobrem a cabeça. Estávamos claramente na área muçulmana da Pink City, com mesquitas e madrassas em cada quarteirão. Um ambiente contrastante om a parte mais hindu da cidade antiga.

Templo Hindu. Pink City
Templo Hindu. Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City
Pink City. Vendedores de paan
Pink City. Vendedores de paan. O paan consiste numa pasta preparada com noz de areca (o fruto de uma palmeira) que é espalhada sobre uma folha de bétula, enrolada e colocada na boca para ir sendo lentamente mastigada e cuspida, deixando os dentes avermelhados e as caracteriticas cuspidelas vermelhas que se vêm pelas ruas…..monumentos, templos, autocarros, Rickshaws, Tuc-tuc. Todo o lado.
Pink City. Vendedores de paan
Pink City. Vendedores de paan
Pink City
Pink City
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Pink City
Templo Hindu. Pink City
Templo Hindu. Pink City

Jaipur: Amber Palace e Nahargarh Fort

Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace

O Amber Palace é um dos principais monumentos de Jaipur. Situa-se a cerca de 11 km para norte do centro da cidade, pelo que optámos por fazer a viagem de autocarro, o que ficou bem mais barato e confortável do que o tuk-tuk.

Quando chegamos ao local deparamos com um imponente e vasto edificio localizado no cimo de uma colina, que se desenvolve a partir de um rio, fazendo justiça ao facto de ser uma das principais atracções turísticas de Jaipur. Um pouco atrás localiza-se o forte, que completa o cenário que impressiona o visitante logo à chegada. O que também capta a atenção é a fila de elefantes, devidamente decorados que transportam os visitantes ao longo do caminho que leva ao cimo da colina. Segundo nos disseram são cerca de 120 animais, todos fêmeas (pois a mistura de machos chegou a causar problemas), que diariamente fazem este trajecto 3 a 4 vezes por dia durante o período da manhã, hora a que chega o maior numer0 de visitantes, não indianos.

Optámos por fazer o caminho a pé que demorou pouco mais do que 5 minutos; a meio do caminho ainda parámos um bom bocado para conversar com um rapaz, que andava a verder “souveniers” mas que somente queria conversar para praticar o inglês. Representa um pouco da nova geração de indianos, que têm algumas possibilidades financeiras, vai para a faculdade para o ano e que já viajou para a europa, concretamente Barcelona. Nota-se um grande fascínio pelos modos pela cultura ocidental. Os objectivos já são bem diferentes da geração anterior: já não quer casar cedo, pois com 22 anos acha-se muito novo para casar, só quer ter dois filhos, e não sete como os pais dele tiveram; são estes sentimentos que irão mudar a face da India nas próximas gerações.

Amber Palace
Amber Palace

O Amber Palace foi construído no século XVI por Man Singh e mais tarde ampliado pelo Jai Singh, responsável também pela construção da Pink city do observatório astronómico que visitamos no dia anterior.

O conjunto de edifícios, construidos em arenito vermelho e mármore com paredes pintadas com frescos de motivos florais, era a residência oficial da realeza da época dos Rajputs que dominaram o Rajastão até à chegada dos ingleses. O estilo decorativo e arquitectónico é uma mistura entre a arquitectura Hindu e a Árabe.

Não chegamos a visitar o Amber Fort pois o calor estava a tornar-se esmagador e o sol inclemente.

Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace

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Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace
Amber Palace

O Nahargarh Fort situa-se no cimo de um das colinas que semi-circunda a cidade de Jaipur, e daqui consegue-se ter uma moção da vasta área ocupada pela cidade. Da varanda da guesthouse onde estamos alojados, a Explorer’s Nest, consegue-se ver parte desta construção.

É uma construção datada de 1734, destinada a alojar as mulheres de Jah Singh, formada por vários pátios autónomos, um para cada mulher, e respectivas aias. Mais tarde sofreu a ampliação de mais um piso, por ordem do seu sucessor.

Deparamos com um em mau estado de conservação, completamente dominado pelos pombos, e em que as pinturas decorativas das paredes estão gradualmente a desaparecer devido à agressividade do clima e ao desgaste provocado pelos vistantes, que não mostram o mínimo de  respeito pela preservação do património.

Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
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Nahargarh
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Jaipur vista do forte de Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh
Nahargarh

Bem perto da nosso quarto, mesmo ao lado do cinema, fica o Annpurna, restaurante tipico de Jaipur……..

Restaurante AnnpurnaPure Veg

Restaurante Annpurna
Pure Veg

Como dá para ver as condições não pareciam as melhores, rua com esgotos abertos, sujidade e lixo por todo o lado, mas seguimos em frente! Quando chegamos por volta das 16h para almoçar, o restaurante estava cheio de Indianos a espera da sua refeição, mal entramos, a reacção foi a mesma……20 pessoas ou mais viraram a cabeça e ficaram a olhar para nos fixamente 🙂

O dono rapidamente veio ter conosco para nos sentar numa mesa e imediatamente nos trouxe uma garrafa de agua gelada….Aqui não se escolhe o prato, serve-se o que se preparou nesse dia e mais nada. Composto por chapatis feitos na hora, soupa de daal (lentilhas) bem picante, arroz, caril de batatas e couve flor, chutney picante de alho, malagueta e tomate que fariam um morto sair do túmulo, acompanhado de paparis. A experiencia foi tão boa que voltamos lá no outro dia a seguir 🙂 tudo isto por 80INR por pessoa (1.10€)

Restaurante AnnpurnaPure Veg
Restaurante Annpurna
Pure Veg
Restaurante AnnpurnaPure Veg
Restaurante Annpurna
Pure Veg
Restaurante AnnpurnaPure Veg
Restaurante Annpurna
Pure Veg
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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