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Stepping Out Of Babylon

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Sudoeste Asiático

Angkor

Angkor, que em khmer significa “cidade”, funcionou durante os séculos IX e XV como a capital do Império Khmer, até 1431, altura em que foi saqueada pelos tailandeses, que mantiveram o domínio sobre esta região até 1907, altura em que passou a ser governada pelos franceses. Mas somente no final do século XIX, Angkor começou a ser famoso atraindo visitantes o que levou ao inicio dos estudos e do desenvolvimento de muitos projectos de restauro destas ruínas que com esquecimento quase foram conquistadas pela selva.

O mais popular dos templos que constituem actualmente as ruinas da cidade de Angkor é sem dúvida Angkor Wat, mas a jóia da coroa é o conjunto de edifícios Angkor Thom, de onde se destaca o Bayon.

Dada a vastidão da área que se estende por cerca de 300 quilómetros quadrados, se bem que os mais importantes estejam situados relativamente próximo da cidade de Siam Reap, a opção para a maioria das pessoas que não visita Angkor integrada numa excursão, é alugar um tuk-tuk ou ir de bicicleta, dado que a distância até à entrada do parque arqueológico é de aproximadamente dez quilómetros.

Existem várias opções em termos de bilhetes: de um dia (20$), três dias (40$) e de sete dias (60$). Optei por um bilhete de três dias, tendo no primeiro visitado Banteay Srey e Kbal Spean, que se situam longe do núcleo central, recebendo por isso menos visitantes, mas obrigando ao aluguer de um tuk-tuk, para alcançar os 50 quilómetros que distam de Siem Reap. Os restantes dois outros dias foram destinados à visita de Angkor Thom, Preah Khan, Ta Prohm, Banteady Kdei, Sras Srang, Pre Rub, e claro, o famoso Angkor Wat, onde optei por assistir ao nascer do sol.

Sem duvida que a melhor opção para quem visita os templos de Angkor, é iniciar o dia bem cedo, pouco depois das cinco horas da manhã, altura em que se pode fazer o percurso até às ruínas, sob o fresco da madrugada, e aproveitar o inicio da manhã, tanto pela elevada temperatura que caracteriza esta altura do ano, que depois das dez horas tornam o percurso penoso, como para poder usufruir do espaço antes da chegada dos grandes grupos de visitantes que chegam em grandes autocarros de turismo.

Algum dos núcleos de ruínas encontram-se em trabalhos de restauro, muitos com o financiamento de países como a Índia, Coreia e Japão, o que torna por vezes o local num misto de parque arqueológico e estaleiro de construção civil.

Por todo o lado, à entrada dos templo e na área circundante existem inúmeros vendedores de recordações, como postais, roupa, fruta, bebidas, quadros que insistentemente perseguem os turistas na esperança de alguma venda. Nos locais mais importantes cria-se uma espécie de mercado, que para além da venda de roupa e de recordações relacionadas com os templos, oferecem muitas opções em termos de restaurantes e cafés, todos com os preços um pouco inflacionados, oferecendo um menu com várias opções de comida khmer e ocidental.

Angkor
Angkor

 

Angkor

 

Angkor
Angkor

 

Angkor

 

as estradas que ligam os vários templos, encontram-se rodeadas de floresta cujo verde contrasta com o vermelho ferroso do solo, fornecendo algum abrigo ao inclemente sol que torna os dias, nesta altura do ano, extremamente quentes

 

Estacionamento junto a Angkor Thom

 

Umas das muitas bancas de venda de roupa e demais recordações do Camboja, situadas à entrada do templos mais populares, onde os turistas são insistentemente abordado por vendedores, muitos deles crianças

 

A habitual concentração de motoristas de tuk-tuk e de vendedores à entrada dos principais templos de Angkor
A habitual concentração de motoristas de tuk-tuk e de vendedores à entrada dos principais templos de Angkor
integradas na área do parque arqueológico existem pequenos aglomerados de casas, completamente à margem o itenerário turístico, onde a vida mantém um ritmo sonolento e as crianças se aproximam da estrada para acenar e sorrir a quem por aqui se aventura. No guiador da bicicleta está pendurado um delicioso sumo de cana de açúcar… hum… uma delícia refrescante!!!

 

Angkor

 

Angkor

 

Bilhete de três dias para visitar os templos de Angkor

Siem Reap (Pt)

A cidade de Siem Reap remonta ao século XVI, altura em que o império Khmer dominou o que é hoje o Laos, o Camboja e parte da Tailândia e do Vietnam, cujo nome significa literalmente “derrota de Sião”, nome pelo qual o Reino da Tailândia era designado à época, e que ainda hoje é invocado.

Com a presença francesa a cidade, até então com pouca importância, ganho relevância e passou a ser uma das principais cidades da então chamada Indochina, em especial quando a partir dos anos . Actualmente, Siem Reap é a terceira maior cidade do Camboja com cerca de 800 mil habitantes, devendo o seu crescimento e popularidade à proximidade com os templos de Angkor, que a tornam como base para os visitantes que aqui se deslocam para visitar as ruínas da principal cidade do império Khmer.

Da presença francesa ficaram as ruas dispostas ortogonalmente, amplas e ladeadas de árvores, onde sobressai a zona mais antiga da cidade, localizada junto ao rio que partilha do mesmo nome da cidade, onde os quarteirões são ainda ocupados por edifícios de estilo colonial, originalmente destinados a habitação e comércio, sendo actualmente ocupadas por restaurantes, cafés, bares e lojas, maioritariamente destinadas aos visitantes.

É nesta zona que se situa o chamado Old Market, onde pouco resta da venda de produtos alimentares, sendo quase totalmente ocupada por bancas de venda de artesanato, roupa, acessórios e demais recordações destinadas aos turistas, à semelhança de outros mercados que se encontram nas cidades Chiang Mai, Luang Prabang. Contudo apesar dos artigos vendidos serem em tudo semelhantes aos destas cidades, adquirem aqui a designação de khmer, desde as calças, ao café.

Apesar de actualmente ser a cidade mais turística do país, o que a torna moderna e cosmopolita, Siem Reap mantem uma identidade própria que espelha o que é hoje o Camboja, um país pobre mas orgulhoso.

Siem Reap
Siem Reap
Siem Reap, onde para além do Old Market, existem pelo menos maims três mercados semelhantes, maioritariamente destinados aos visitantes estrangeiros

 

Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes
Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes

 

Siem Reap, quarteirão francês

 

Uma das muitos antigos edificios deixados pelo colonialismo francês, hoje em dia funcionado como lojas e restaurantes

 

Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes
Old Market, onde para além das bancas situadas no seu interior se encontra rodeados de lojas e de restaurantes

 

Uma das melhores formas de conhecer a cidade, que não sendo muito grande ainda se estende por muito para além do centro histórico, é de bicicleta, o que requer alguma adaptação às regras com que a circulação obedece, onde não é raro encontrar motas em sentido contrário
Uma das melhores formas de conhecer a cidade, que não sendo muito grande ainda se estende por muito para além do centro histórico, é de bicicleta, o que requer alguma adaptação às regras com que a circulação obedece, onde não é raro encontrar motas em sentido contrário

 

No meio do quarteirão francês, a rua mais popular e movimentada é sem duvida a chamada "pub street"
No meio do quarteirão francês, a rua mais popular e movimentada é sem duvida a chamada “pub street”

 

Uma das muitas ofertas de entretenimento oferecidas aos visitantes

 

Quarteirão francês de Siem Reap

 

Rio Siem Reap que atravessa a cidade

 

Siem Reap

 

Siem Reap

 

Junto a um dos templos de Siem Reap, vários casais esperam, envergando roupa tradicional Khmer, para efectuarem a tradicional cerimónia que marca o inicio do noivado

 

Alojamento:

Garden Village Guest House

Quartos com e sem casa de banho: vários preços até 18$

Dormitórios: 1$ (ao ar livre+rede mosquiteira), 2.5$ (colchão no chão+rede mosquiteira+ventoinha), 3$

Free wi-fi, bar, restaurant

Aluguer de bicicletas: 1$ ou 2$ (mountain bike)

https://www.facebook.com/GardenVillageGuesthouse

Garden Village Guest House
Garden Village Guest House
Garden Village Guest House
Garden Village Guest House

 

 

 

Stung Treng

Pequena cidade, a primeira que se encontra para quem chaga do Laos, depois de percorrer os cerca de sessenta quilómetros que distam desde Veun Kham, onde se localiza o posto fronteiriço, por uma estrada praticamente desértica onde a paisagem contribui para o ambiente de desolação, onde a planície seca e poeirenta é pontuada por algumas árvores que parecem ter resistido à desflorestação provocada pelo homem que subsistem entre a vegetação rasteira.

Cidade baça, quente e poeirenta, de ruas onde o pavimento há muito que desapareceu, onde nos passeios se acumula lixo, onde o trânsito apesar de pouco intenso é confuso e onde somente a proximidade com o Mekong trás algum azul à cidade assim como uma ligeira mas refrescante brisa.

É uma daquelas locais que rapidamente são esquecidos, e que não são mais do que uma paragem de curta duração, para uma refeição ou para uma noite, num percurso mais vasto e com outros motivos de interesse.

Mas mesmo assim Stung Treng oferece um grande e muito diversificado mercado, ocupando o decadente edifício de betão mas estendendo-se pelas ruas adjacentes, ocupando a vasta e desolada praça central, onde os vendedores de comida se concentram, provocando o habitual frenesim dos mercados asiáticos, cuja circulação é dificultada pelo exíguo espaço entre os vendedores, o lixo espalhado pelo chão, o movimento das pessoas e o constante vai-e-vem dos carrinhos que transportam as mercadorias.

Stung Treng

 

mercado de rua situado no centro de Stung Treng

 

 

Mercado de Stung Treng
Mercado de Stung Treng

 

Mercado de Stung Treng
Mercado de Stung Treng

 

praça principal de Stung Treng

 

Ferry in Stung Treng para cruzar o rio Sekong

 

Viagem de mini-van atravez de uma estrada recentemente construida, que permite chegar a Siem Reap, em pouco mais do que 5h, sem ter que fazer o percurso até à capital do país

 

durante a maior parte do percurso entre Stung Treng e Siem Reap a paisagem é desoladora, com poucos vestigios da floresta que outrora ocupou estes terrenos, tendo sido destruída pela industria madeireira, deixando a descoberto um terreno seco onde a vegetação vai sendo queimada, impregnando o ar do cheiro a fogueira e deixando um rasto cinzento no céu

 

Riverside Guest House

Quarto duplo com WC: 6$

Riverside Guest House
Riverside Guest House
Riverside Guest House
Riverside Guest House

Benvindo ao Reino do Camboja!

Kingdom of Cambodia

Mais uma fronteira cruzada por terra, a terceira desta viagem, depois da simples mas fisicamente penosa passagem entre da Índia para o Nepal, e depois da pacífica e eficiente mudança da Tailândia para o Laos, com o Mekong como cenário de fundo, chega a vez do Camboja.

Deixando para trás as ilhas pintadas de verde de Si Phan Don, e percorrendo de autocarro cerca de quinze quilómetros, por uma estrada praticamente desértica, que corta quase em linha recta a paisagem seca e árida, chega-se ao posto fronteiriço de Veun Kham-Nakasong, o único existente entre o Laos e o Camboja.

Espera-nos, à saída do autocarro, um conjunto de edifícios dispersos nesta paisagem desolada: uns de aspecto imponente mas desocupados, outros mais rústicos em madeira, onde um funcionário dos serviços de imigração do Laos, nos carimba o passaporte com a data de saída, estando este “serviço” sujeito ao pagamento de uma taxa de 2$ ou de 20.000 kips (o que não é exactamente a mesma coisa, sendo mais favorável o pagamento em dólares).

Segue-se a habitual caminhada a pé, numa fronteira que fica isolada de qualquer povoação, tanto do lado do Laos como do lado do Camboja, cruzando cancelas e pórticos profusamente decorados seguindo o estilo khmer, até se chegar aos serviços de imigração cambojanos, onde um zeloso funcionário nos mede a temperatura, a mim e aos restantes passageiros que efetuaram esta travessia no mesmo autocarro, como forma de despiste da malária e do dengue; o processo é mera formalidade e pouco tem de fiável pois a maioria das pessoas não tinha mais do que 35º, temperatura muito próxima da que se fazia já sentir nessa manhã.

Como eu não estava integrada no grupo que constituía a maioria dos passageiros, que optou por contratar os serviços de uma agência para tratar do processo burocrático, fui encaminhada para os serviços de quarentena: uma mesa, protegida por um toldo de lona; aí depois de avaliada a minha temperatura, e do preenchimento de alguns papéis, e uns quantos carimbos, foi-me cobrada a quantia de 1$ por este serviço, após o qual estava apta a seguir com o processo de obtenção do visto noutro departamento dos serviços de imigração. Constatei depois que este foi um pequeno exemplo do esquema de corrupção pelo qual este posto fronteiriço é famoso, onde muitas vezes é exigida uma quantia superior à legalmente estabelecida.

Depois de mais formulários, carimbos e do pagamento dos 25$ legalmente necessários,  encontrei-me finalmente detentora do visto turístico para visitar o Reino do Camboja, válido por trinta dias.

Apesar de tudo, o processo desenrolou-se com a rapidez, mas a espera prolongou-se por mais de duas horas durante as quais o calor se foi intensificando, servindo de pouco os precários toldos que servem de proteção aos rústicos estabelecimentos situados próximo do posto fronteiriço, uma espécie de restaurantes que pouco mais têm para oferecer do que bebidas e snacks embalados, enquanto eram tratados os vistos dos restantes passageiros.

Seguiu-se a habitual confusão antes de se poder continuar viagem, até toda a gente conseguir perceber efectivamente qual o autocarro em que tinha que entrar em função do destino desejado: a cidade Stung Treng, a mais próxima da fronteira ou a capital, Phnom Penh.

Da parte dos funcionários da empresa de transporte houve o previsível esquema de tentar cobrar algum dinheiro extra a alguns dos passageiros, para além do preço já pago pelo bilhete, argumentado que alguma da bagagem não poderia ser transportada no autocarro e que teria que ficar para trás, provocando mais atrasos e acesa discussão até se conseguir negociar um valor razoável para ambas as partes.

Estes percalços serviram como preparação para enfrentar um país pobre, onde a corrupção marca presença.

Laos: epílogo

Tempo de dizer adeus e de fazer o balanço destes trinta dias, na República Democrática e Popular do Laos… que de democrática tem pouco.

O que ficou do Laos… ficam para sempre gravados os sorrisos e os acenos de mão com que em geral a população acolhe os visitantes, ficaram as fumegantes sopas de noodles, o sticky-rice servido em cestas de bambu, o cheiro da lenha queimada em fogões que desde manhã se espalha no ar, ficam os coloridos e animados mercados.

Fica um rio sempre de águas turvas e as muitas travessias e viagens de barco pelo Mekong, as monótonas estradas de infindáveis rectas, as viagens em autocarros nocturnos e os muitos percursos efectuados nos arejados e instáveis songthaews*.

Fica a cerveja nacional, BeeLao, que se vende em todo o país e que com o seu intenso tom de amarelo salpica a paisagem urbana, o café, servido com exageradas doses de leite condensado e de açúcar, os sarongs usados elegantemente pelas mulheres e o colorido dos robes açafrão dos monges que recolhem donativos pela manhã, num país em que os templos não se mostram particularmente atractivos.

Ficam também vestígios da presença francesa, nos decadentes edifícios que sobrevivem, no número de turistas, na comida mas sobretudo na língua que ainda é falada por gerações nascidas após a retirada francesa da Indochina.

Fica um país pobre, pouco desenvolvido e fortemente ligado à agricultura, com um inenarrável recolher obrigatório.

Fica um país calmo e gente dócil.

* em trinta dias, foram percorridos cerca de 1650 quilómetros de autocarro, e mais de 450 quilómetros de barco num país com pouco mais do que mil quilómetros de Norte a Sul.

Mekong

 

Mekong

 

Champasack
Champasack

 

 

Mekong

 

Mekong

 

Lao Coffee
Lao Coffee

 

Aguardente Lao-Lao e uma grande variedade de marcas de cigarros, muitas nacionais de coloridos e atractivos rótulos

 

songthaews o meio de transporte público mais popular em zonas urbanas

 

Templo Budista em Luang Prabang

 

 

BeeLao, a cerveja nacional, que deixa um rasto de cor amarela pela paisagem do Laos.

 

bus entre Muang Khoua e Oudomxai. Num país onde não caminhos de ferro as viagens de autocarro são uma experiência obrigatória para quem viaja pelo Laos.

 

Vientiane… nem mesmo na capital se deixa de usar o tradicional sarongs, saia que é imagem de marca do vestuário feminino do Laos.

 

sticky-rice

 

Vientiane
Vientiane

 

Savannakhet
Savannakhet… herança arquitectónica que relembra a presença francesa na região

 

 

Plumélia, a flor adoptada como símbolo nacional do Laos

 

Sobre o Laos

Moeda

Nos primeiros dias, a moeda do Laos, o kip, pode ser uma verdadeira dor de cabeça, pelo elevado numero de zeros que se inscreve nas notas resultante da desvalorização da moeda, fazendo com que nada custe menos do que 1000 kips e onde a nota mais pequena é de 500 kips; não existe circulação de moeda em metal…. só papel, donde resultam verdadeiros molhos de notas, que efectivamente pouco valor: por exemplo, uma sopa de noodles, consumida num restaurante de rua custa cerca de 10.000 kips.

Contudo, para compensar esta confusão há a honestidade demonstrada em geral pela população, tanto no que se refere ao preço dos artigos, que nunca está assinalado, como em relação aos trocos, não tendo durante esta estadia tido qualquer suspeita ou desconfiança, para alguém de uma ou outra situação em que a barreira linguística pode ter levado a mal-entendidos…

Mais uma vez, as situações que suscitaram mais desconfiança foram sempre com os condutores de tuk-tuk ou de songthaews, cujo preço tem que ser negociado, mas que mesmo assim é sempre exageradamente elevado, se comparar-mos com o que a população local paga.

Língua

Baseada na língua tailandesa mas sujeita á influência dos países vizinho, o Lao apresenta uma sonoridade e uma grafia distinta. Grafia esta que se estende também à numeração.

Apesar da pouca riqueza e do fraco desenvolvimento que o país apresenta, é bastante fácil encontrar pessoas, em especial nas gerações mais novas, a falarem inglês, pelo menos o essencial para obter informações e ter uma simples troca de palavras, se bem que apesar da simpatia demonstrada é raro alguém da população estabelecer contacto verbal com os estrangeiros, talvez por timidez, talvez por razões culturais que os levam a ser discretos e comedidos nas manifestações sociais, ou talvez porque simplesmente não estão minimamente interessados em saberem de nós, ocidentais.

A preguiça reinou, e a língua tonal não ajudou, a que nesta estadia de trinta dias houvesse disponibilidade para aprender algumas palavras básicas em Lao. Ficou a saudação “sabaydee” e o obrigada “kop chai”.

Economia

Apesar dos quase 237 quilómetros quadrados (cerca de 2.5 vezes maior do que a área de Portugal), o Laos é um país relativamente pequeno, em comparação com a área dos países com que faz fronteira, com excepção do Camboja.

Em termos de população é o que apresenta o menor numero de habitantes, não chegando aos 7 milhões, com 700 mil concentrados na capital, Vientiane, sendo a segunda maior cidade, Pakse somente com 88 mil habitantes, o que representa que grande parte da população se encontra espalhada pelas zonas rurais, e dá relevo à importância que a agricultura mantem no país, que sem acesso ao mar, se encontra sujeito à pressão económica dos países vizinhos, em especial da China e da Tailândia.

Verificam-se muitos investimentos dos países vizinhos e mesmo de outros países europeus e asiáticos, em especial na construção de estradas e pontes.

Os efeitos deixados pelas guerras, tanto contra a colonização francesa, como a intervenção americana durante a guerra do Vietnam, seguido de um regime ditatorial de inspiração comunista, fazem deste país um dos mais pobres do sudoeste asiático, onde a esperança média de vida ronda os 60 anos.

A agricultura é fundamentalmente focada no cultivo de arroz, que se ocupa a maior parte do solo do centro e do Sul do país, sendo a orografia do norte demasiado montanhosa para a produção em larga escala deste cereal. A avaliar pelo devastação que se observa na floresta, em especial no centro e no sul do país, a madeira é também uma importante fonte de rendimento da população, continuando a ser a principal matéria prima usada na construção das casas, e indispensável para a confecção da comida e para aquecimento, nas zonas onde o clima das montanhas faz baixar as temperaturas.

O aumento do turismo, tanto de originário dos países ocidentais como da China e da Tailândia, que tem vindo sempre a crescer nos últimos anos, representa um papel importante na economia deste país com poucos recursos naturais, para além da floresta e dos rios.

Presença Francesa

Dos cerca de sessenta anos que durou a presença francesa no Laos, e que se estendeu ao Camboja e ao Vietname, constituindo a Indochina, ficaram alguns vestígios em termos de arquitectura, não só em termos de edifícios, com as suas típicas portadas de madeira usadas em portas e janelas, mas também no ortogonal desenho das ruas de algumas das cidades.

Mas a língua, que ainda é falada por um elevado numero de pessoas, é sem duvida o maior legado da presença francesa, encontrando-se com frequência inscrita junto a instituições oficiais e culturais, se bem que a nova geração está gradualmente a adaptar o inglês, em especial nas zonas com mais contacto com o turismo.

Em termos de gastronomia, é fácil de encontrar, nas cidades mais cosmopolitas, como Vientiane e Luang Prang uma grande oferta de restaurantes de cozinha francesa, pastelarias e cafés com esplanadas, mas que claramente estão vocacionados para os turistas. O que realmente se democratizou em termos gastronómicos foi sem dúvida o consumo de pão (coisa que na vizinha Tailândia tem pouca expressão) em especial a baguette, e que se pode encontrar à venda em todas as povoações, tanto para ser consumida em casa como vendida em sandes, cujo recheio segue o paladar da comida do Laos, com muitos pedaços de carne, gordura e vísceras, molhos e pastas de porco e peixe.

Escola em Si Phan Don

 

Vientiane

 

Savannaket

 

Champasak

Si Phan Don. Don Khon

Bem maior do que a vizinha e popular Don Det, Don Khon (não confundir com a ilha maior de Don Kong) mantem a tranquilidade característica da população que se dispersa as dezenas de ilhas habitadas que constituem Si Phan Don.

O que torna esta ilha mais popular são as cascatas Somphamit, situadas no lado poente da ilha. Para cruzar a ponte que liga as duas ilhas que atravessa é necessário pagar 25.000 kips (2.5€), bilhete que também dá acesso às cascatas, mas cujo valor é exagerado tendo em conta o preço praticados no Laos.

Para poder percorrer toda a ilha foi necessário recorrer a uma bicicleta, em que a escolha recaiu para uma de montanha, que apesar de não estar nas melhores condições ofereceu algum conforto nos percursos de terra batida, com muitas zonas pedregosas a testarem a resistência do pneus.

Mais o mais interessante da visita à ilha, para além da calma atmosfera que se sente durante a manhã, ainda sob o ar fresco deixado pela noite, foram os vestígios de um pequeno troço de caminho de ferro, construído durante a colonização francesa, com o intuito de tornar viável o uso do Mekong como via-rápida para o transporte de mercadorias, numa zona em que as cascatas existentes em Si Phan Don, tornaram inviável a circulação dos barcos. A solução encontrada passou por içar os barcos para vagões puxados por uma locomotiva que os transportava para o outro extremo da ilha, onde era novamente colocado no rio, e prolongando-se até ao topo norte de Don Det cruzando a ponte construída com esse propósito.

A solução não foi duradoura, tendo somente sido transportados três barcos de mercadorias a vapor. Do que foi esta antiga linha pouco resta para além da ponte e duas locomotivas que foram construídas propositadamente para efectuarem este serviço, sendo o canal ferroviária ocupado pela principal estrada que atravessa Don Khon.

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Don Khon

 

Uma das pontes de madeira que é necessário atravessar ao longo do percurso pela ilha de Don Khon

 

Cascatas de Somphamit

 

Cascatas de Somphamit

 

 

Uma das praias do Mekong, mas esta, apesar de oferecer um leito de areia (enquanto as outras é mais um misto de lama e lodo) é particularmente perigosa pois situa-se depois das cascatas de Somphamit

 

Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó
Mesmo não podendo nadar aqui, sempre deu para arrefecer os pés nas águas no rio, e ao mesmo tempo tentar eliminar a poeira que cobre permanentemente os pés e a roupa nesta época seca, onde a terra dos caminhos se transformou numa fina camada de pó

 

Don Khon

 

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Don Khon

 

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Don Khon. Cais onde os navios de mercadorias e de passageiros atracavam antes e serem içados para os comboios que os transportavam através das ilhas de Don Khon e Don Det, vencendo assim o desnível do rio que cria uma barreira de cascatas instransponível para navios a vapor

 

dsc_0402
Don Khon

 

mapa com a antiga linha de caminho de ferro

 

Don Khon, onde a vegetação, pesar de muito destuída pela necessidade de lenha e de maior área de cultivo, ainda mantem zonas de reconfortante sombra que tornam mais agradável o passeio por Don Khon

Si Phan Don. Don Det

A zona de Si Phan Don, conhecida por “quatro mil ilhas” situa-se no extremo Sul do Laos, muito perto da fronteira com o Camboja, onde a orografia plana permite que o Mekong alargue o seu leito, estendendo-se por uma largura de catorze quilómetros. É nesta espécie de delta, muito longe ainda da sua chegada ao mar, que só ocorre no Sul do Vietnam, que surgem pequenas ilhas, as maiores das quais permanentemente habitadas, outras mais pequenas sem presença humana e muitas ilhotas e bancos de areia, que na época seca surgem efemeramente nas águas esverdeadas.

A maior destas ilhas, a mais desenvolvida e a mais popular, é Don Kong; um pouca mais a Sul ficam Don Khon e Don Det, as únicas ligadas artificialmente por uma ponte, construída pelos franceses durante a colonização, numa zona onde o meio de transporte são os barcos, mais ou menos pequenos que efectuam carreiras mais-ou-menos regulares com os cais de Ban Nakasang e Ban Hat Xai Khoun, as principais povoações situadas na margem esquerda do Mekong, que nesta zona constitui fronteira com o Camboja.

A escolha foi para Don Det, recentemente tornada muito popular entre os backpackers, onde ainda a presença turística, se encontra equilibrada com o tradicional quotidiano da população, em que o dia começa cedo com a preparação do lume que enche o ar de uma fina película de fumo, para a preparação da primeira refeição do dia que reúne toda a família cujas três gerações habitam a mesma casa, com as crianças a encaminharem-se para a escola envergando os seus uniformes de camisa branca, as galinhas passeando com as suas crias enquanto esgravatam a terra seca e poeirenta, os galos entoando cânticos ao nascer do sol, alguns dos quais mantidos em gaiolas de bambu, preparados para os combates, vendedoras de legumes que transportam a sua mercadoria em cestas penduradas no bambu colocado sobre o ombro…

E a somar a tudo isto existe um outro mundo também cheio de actividade que está associada ao rio, com pequenos barcos movidos a remos que inspecionam as redes de pesca, e outros um pouco maiores destinados ao transporte de passageiros e carga, cujos estridentes motores quebram a calma da ilha.

Uma única estrada circunda a ilha, e outra que a travessa pelo meio dos campos de arroz que ocupam praticamente toda a superfície de Don Det: ambas sem pavimento e somente com largura suficiente para circularem motos com atrelado lateral, que são o meio de transporte de mercadorias mais utilizado, onde em geral a maioria das pessoas desloca-se a pé ou de bicicleta, numa ilha que não tem muito mais do que três quilómetros de comprimento.

Foi uma forma de terminar calmamente a estadia no Laos, onde da varanda do bungalow onde me instalei pude apreciar intensos nasceres-do-sol, sempre envolvidos por uma suave bruma, que só deixava ver o tom laranja do sol quando este já se afastava um pouco da linha do horizonte. Do outro lado da ilha, numa zona menos densamente ocupada por bungalow pôr-do-sol constitui outra atracção, numa zona onde a paisagem do rio é mais ampla e com menos ilhotas.

Mágicos foram também os dias em que a lua-cheia, despontando quando ainda do outro lado da ilha o sol ainda persiste, iluminou a escuridão que se abate sobre a ilha durante a noite, pouco depois das sete da tarde, altura em que a vida local se recolhe em casa para descansar, ficando a noite reservada aos cafés, restaurantes de chill-outs que se concentram ao longo do lado nascente da ilha, dispostos ente a estrada e o rio, em periclitantes estruturas de betão e madeira.

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente
Após o banho nas águas turvas do Mekong, evitando algum lixo que é descuidadamente atirado para o rio pela população, e que se concentra nas zonas onde o rio oferece menos corrente

 

Don Det
Don Det

 

Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det
Um dos muito restaurantes que ser vem de ponto de encontro aos turistas que por aqui se demoram em Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Don Det
Don Det

 

Vida difícil....
Vida difícil….

 

Um dos locais de eleição para algumas das refeições consumidas aqui na ilha, quebrando um pouco a rotina da quotidiana sopa de noodles, que foi o “prato forte” da estadia no Laos. Aqui deliciei-me com kebab de abóbora e panquecas de chocolate

 

Paradise Bungalows onde fiquei instávelmente instalada mesmo por cima das águas do rio, nos dias passados em Don Det

 

Nascer do sol visto do bungalow onde fiquei instalada

 

Don Det
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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