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Sudoeste Asiático

Champasak até Si Phan Don

Objectivo delineado à entrada do Laos: não utilizar meios de transporte turísticos e usar sempre que possível os transportes colectivos nas deslocações no interior do país.

Passados 24 dias desde a minha chegada, objetivo alcançado somente com uma excepção: um percurso efectuado barco, entre Paksé e Champasak, onde já não funcionam as carreiras regulares; os outros percursos de barco, apesar de turísticos continuam a funcionar como meio de transporte da população local.

Esta premissa revelou-se não trazer aqui no Laos qualquer benefício económico, ao contrário da Tailândia, em que era relevante a diferença entre o preço oferecido pelas agências de viagens e o que se conseguia obter na companhia estatal ou mesmo de companhias privadas, se se comprasse o bilhete directamente no terminal de autocarros.

Aqui no Laos, apesar dos autocarros locais serem relativamente baratos, quase sempre deixam os passageiros em terminais, localizados suficientemente longe das cidades, obrigando a recorrer a um tuk-tuk ou a um songthaews para chegar ao centro da povoação ou mesmo para fazer a ligação de autocarro com outro destino; o que obriga a pagar um preço excessivamente alto (nunca menos de 20.000 kips), com pouca possibilidade de negociação, para uma viagem inferior a dez quilómetros. Uma viagem de cerca de 240 quilómetros custa 40.000 kip (cerca de 4€), mas à qual tem sempre que acrescentar mais o custo dos tuk-tuks ou dos songthaews, o que a transforma no dobro.

Posto isto, o dia iniciou-se com o nascer do sol, aproveitando o ar fresco que não dura muito para além das nove horas da manhã, com um percurso de uns três quilómetros, até ao extremo Norte de Champasak, onde atraca o “ferry” que faz a ligação entre as duas margens do Mekong. A designação “ferry” aplica-se a uma plataforma de madeira, toscamente construída, assente sobre o que resta do casco de três barcos, formando uma jangada movida a motor, mas de tamanho suficiente para transportar quatro automóveis. Existe uma outra estrutura mais ligeira, destinada a passageiros e a motos.

Enquanto esta embarcação desliza lentamente pelas esverdeadas águas do rio, observando as suas margens que aos poucos vão ganhando côr, saboreando a brisa fresca do rio e embalada pelo trepidar do barco, chega o odor a erva-príncipe, vinda das sopas que noodles que são vendidas a bordo, por mulheres que transportam ao ombro, penduradas nos extremos de um bambu, duas panelas: uma com o caldo de peixe, e a outra com os noodles e a mistura de menta, hortelã e rebentos de soja.

Foi impossível resistir a esta deliciosa sopa, que se tornou memorável pelo ambiente, tanto natural como humano, e pelo local onde foi consumida, em mais um dos trajectos efectuados pelo Mekong.

Seguisse uma espera de mais de meia hora, sentada na minha mochila à beira da estrada nacional Route13, por um dos muitos autocarros e songthaews, que efectuam a ligação entre Paksé e Si Phan Don, conhecida pelas “quatro mil ilhas” que surgem no meio do Mekong, numa zona onde o rio se alarga mesmo antes de chegar à fronteira com o Camboja.

A viagem até Ban Nakasang, povoação que não oferece mais do que uma rua ao longo da qual se dispõem diversas lojas, a a maioria dedicada a artigos de pesca, e que termina no cais de embarque para as ilhas de Si Phan Don, feita num pouco confortável songthaews, que obriga os passageiros a irem sentados, paralelamente à estrada, frente a frente, onde nunca é respeitado o limite máximo de passageiros nem tão pouco o peso da mercadoria transportada, que tanto pode ir no tejadilho, no estrado metálico que serve de degrau ao veículo, ou no seu interior, tornado a entrada ou a saída de algum passageiros num complexo movimentar de pessoas e carga.

Mas são este tipo de viagens, longe dos herméticos veículos de ar-condicionado, e dos autocarros cheios de ocidentais que invariavelmente iniciam estas viagens com a habitual conversa de viajante, referente ao próximo destino, países por onde passaram, duração da viagem, etc… mas que rapidamente sucumbem ao cansaço e ao desconforto provocado pelo maus estado das estradas, que trazem melhores memórias e mais histórias; onde é possível viajar com a população local, partilhando ao mesmo tempo sorrisos, comida, gestos, num país em que apesar do surpreendente bom nível de inglês que se fala, é ainda uma barreira intransponível para a maioria da população, em especial longe dos meios urbanos.

E surge novamente a sensação de liberdade proporcionada por viajar num veículo tão simples, sem janelas ou portas… sentir os cheiros da terra seca, das pessoas, do arroz acabado de cozer, as espetadas de carne grelhada acompanhadas de stick-rice, que são vendidas aos passageiros cada vez que o veículo para numa povoação de beira-de-estrada… apreciar a brisa, que desalinha o cabelo e que mesmo poeirenta, trás uma bênção de ar fresco.

Após a espera de numero suficiente de passageiros para efectuar a ligação até Don Det, o pequeno barco de madeira movido a motor lá fez a sua curta viagem de menos de dez minutos.

Cais do ferry boat em Champasak
Cais do ferry boat em Champasak pouco depois do nascer do sol

 

Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o "ferry" que liga as duas margens
Cais de embarque em Champasak onde se pode apanhar o “ferry” que liga as duas margens

 

Champasak
Champasak

 

Champasak
taxi-boat… uma alternativa para atravessar o rio sem esperar pelo ferryboat

 

refeição no ferry durante a travessia do Mekong
refeição no ferry durante a travessia do Mekong

 

Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul
Route 13, que liga Vientiane, a capital do Laos, à fronteira com o Cambodja, a sul

 

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songthaew entre Ban Muang, a povoação onde atraca o ferry e Ban Nakasang, onde se pode apanhar outro barco para uma das ilhas de Si Phan Don

 

Cais de embarque em Ban Nakasang
Cais de embarque em Ban Nakasang

Champasak. Wat Phou

Os cerca de oito quilómetros que separam Champasak das ruínas de Wat Phou foram percorridos de bicicleta, ainda de noite de forma a chegar ao Wat Phou a tempo de ver o nascer do sol.

Wat Phou, que em Lao significa Montanha Mosteiro, construído entre os séculos VI e XII, é actualmente um conjunto de ruínas de templos dedicados ao culto de deuses Hindus que juntamente com o Budismo eram venerados pelos Khmers, que dominaram um vasto império que se estendia desde o que actualmente é o Camboja, incluindo o Laos, e estendendo-se até às fronteiras com a Tailândia e com a Birmânia.

Celebra-se na lua-cheia de Fevereiro, o festival Makkha Busa, que apesar de pertencer ao calendário Budista comemorando o primeiro sermão proferido por Buda depois de ter alcançado a iluminação, incluí na sua celebração muitos elementos da religião Hindu, atraindo peregrinos tanto do Laos como da Tailândia, sendo o Wat Phou em Champasak, um dos locais de culto.

Mais do que as ruínas em si, o principal atractivo desta visita acabou por ser a presença dos peregrinos, tanto pelo sentido religioso dado ao local mas também pelo ambiente de festa que rodeia todo o Wat Phou constituído principalmente por restaurantes que desde manhã cedo preparam carne cujo cheiro enquanto é grelhada enche o ar, ao mesmo tempo que se ultimam os preparativos para a festa e se testam as colunas de som.

Wat Phou
Wat Phou

 

Wat Phou
Wat Phou ao nascer do sol

 

Wat Phou
Wat Phou

 

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Um dos linteis que ainda se encontram nas ruínas de Wat Phou atestando a qualidade do trabalho arquitéctónico e decorativo deixado pela presença Khmer

 

Pluméria, árvore com os seus estranhamente troncos despidos de folhas inibidas pela secura do ar, mas que continua a dar flores, pequenas de quatro branca pétalas, de odor muito doce e que foram adoptadas como símbolo do Laos em termos de promoção turística.
Pluméria, árvore com os seus estranhamente troncos despidos de folhas inibidas pela secura do ar, mas que continua a dar flores, pequenas de quatro branca pétalas, de odor muito doce e que foram adoptadas como símbolo do Laos em termos de promoção turística

 

Incensos colocados junto às figuras representando divindades hindus e junto a rochas e árvores
Incensos colocados junto às figuras representando divindades hindus e junto a rochas e árvores

 

Piscinas situadas na planicie que se estende em frente ao que resta do Wat Phou construido durante a presença Khmer na região; ainda envoltas na bruma matinal.
Piscinas situadas na planície que se estende em frente ao que resta do Wat Phou construído durante a presença Khmer na região; ainda envoltas na bruma matinal.

 

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Uma das estátuas do edificio que foi outrora o palácio

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Wat Phou
Wat Phou que incluí duas piscinas, associadas à mitologia Hindu

 

um elefante esculpido no granito coberto de fungos, mas datado do século IX, posterior à presença Khmer na região, mas que se mantem como local de culto, junto ao qual se colocam oferendas e se realizam orações
um elefante esculpido no granito coberto de fungos, mas datado do século IX, posterior à presença Khmer na região, mas que se mantém como local de culto, junto ao qual se colocam oferendas e se realizam orações

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Gruta de onde constantemente escorre água, mas que nesta época seca não é mais do que umas insistentes gotas de água que é considerada sagrada, sendo recolhida e levada pelo peregrinos em garrafas de plástico
Gruta de onde constantemente escorre água, mas que nesta época seca não é mais do que umas insistentes gotas de água que é considerada sagrada, sendo recolhida e levada pelo peregrinos em garrafas de plástico

 

Wat Phou
Wat Phou

 

Apesar da maioria da população do Laos ser Budista, mantem-se a veneração dos deuses Hindus, em especial durante o festival Makkha Busa, que durante os três dias de duração atrai peregrinos, que visitam o Wat Phou, cronfrindo um ambiente religioso ao local ao mesmo tempo que ao longe os altifalantes com as suas musicas tailandesas espalham o clima de festa
Apesar da maioria da população do Laos ser Budista, mantem-se a veneração dos deuses Hindus, em especial durante o festival Makkha Busa, que durante os três dias de duração atrai peregrinos, que visitam o Wat Phou, cronfrindo um ambiente religioso ao local ao mesmo tempo que ao longe os altifalantes com as suas musicas tailandesas espalham o clima de festa

 

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Escadarias que levam aos templos principais de Wat Phou ladeadas por Plumélias que espalham pelo chão flores brancas

 

Vendedoras ambulantes de sopa de noodles num dos acessos às ruínas
Vendedoras ambulantes de sopa de noodles num dos acessos às ruínas

Champasak

Uma paragem diferente neste percurso pelo Laos que tem tido poucos ou quase nenhuns apontamentos de carácter cultural, tendo-se assemelhados mais a uma deambulação rumo ao Sul, disfrutando dos rios, das paisagens e essencialmente das cidades.

A povoação de Champasak não tem nenhum motivo de particular interesse e a impressão à chegada foi de um local adormecido e monótono, que apesar da harmonia provocada pelos conjunto de casas que se dispõem ao longo da rua e do ambiente calmo e rural, pouca vontade deu de permanecer por muito tempo.

Pouco ficou na memória para além da única rua ao longo da qual se desenvolve a povoação, ladeada por casas que conservam na maioria a arquitectura tradicional das povoações junto aos rios, constituídas por dois pisos: o superior destinado a habitação e o inferior, constituído por pilares e algumas paredes, que podem ser de tijolo ou simplesmente de bambu, destinado a armazenamento; casas estas perfeitamente adaptadas às subidas inesperadas das águas do Mekong, que corre paralelamente ao longo de toda a povoação.

Champasak foi somente uma escala no objectivo de visitar as ruinas dos antigos templos construídos durante o domínio Khmer e que são a versão laosiana de Angkor Wat: Wat Phou.

Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak
Champasak

Mekong. De Paksé até Champasak

Mais um percurso pelo Rio Mekong, a espinha dorsal deste país, como meio de transporte de pessoas e de mercadoria, alimentando as populações vizinhas de peixe, e essencialmente fornecendo a preciosa água que é fundamental para irrigar os vastos campos de arroz dos quais é retirado o principal alimento da população do Laos e que muitas serve de fronteira com a vizinha e próspera Tailândia.

Mas este é um percurso bem diferente do efectuado entre Houay Xai e a cidade de Luang Prabang, onde o rio deslizava por zonas montanhosas de encostas cobertas de vegetação tropical, verde e densa. Aqui, a planície quente e seca oferece espaço para ao rio se alargar, sem contudo abandonar a forte corrente que o arraste rumo ao sul, cada vez mais próximo da fronteira com o Vietnam.

O cultivo do arroz e a presença humana que se foi fixando ao longo do rio, foram destruindo gradualmente a original paisagem de floresta, da qual restam alguns exemplares de árvores que permanecem majestosas, mas isoladas do seu conjunto habitual, dando à paisagem um ar de desolação e abandono, para o qual também contribuem os campos de arroz ainda vazios, a vegetação seca e as estradas poeirentas de terra avermelhada.

Ao longo do percurso, desde a cidade de Paksé até à pequena povoação de Champasak, situada a cerca de 70 quilómetros a sul, o que domina é a actividade da pesca, que espalha na ampla e plana paisagem formada pelas águas, pequenos pontos formados pelos pescadores que sozinhos no seu pequeno barco de madeira, lançam ou recolhem as redes, tarefa logo iniciada ao principio da manhã.

Não existe actualmente ligação entre Paksé e Champasak regular para passageiros, sendo necessário recorrer aos barcos de turismo que por 70.000 kip (perto de 7€) efectuam estas duas horas de viagem, calma e sem história.

À passagem do barco, tanto crianças como adultos, acenam um adeus e nos saúdam com o habitual “sabai di”, de inicio com alguma descrição e timidez, mas que ao serem correspondidos pelos passageiros, se torna mais confiante e acompanhado de um largo sorriso.

Mekong junto a Paksé onde a construção de várias novas pontes financiadas por países estrangeiros terminou com o regular serviço de passageiros
Mekong junto a Paksé onde a construção de várias novas pontes financiadas por países estrangeiros terminou com o regular serviço de passageiros
Mekong
Mekong
Mekong
Mekong
Mekong
Mekong

Paksé: Mercado Daoheuang

Tendo em conta a sua posição geográfica e mantendo a estrutura criada aquando da colonização, Paksé mantem ainda um importante papel no comércio do Laos com os países vizinhos, nomeadamente a Tailândia, a China, o Vietnam e o Camboja. A atestar essa importância situa-se aqui o maior mercado do país, onde se pode encontrar desde produtos alimentares, os frescos e os de mercearia, roupa, telemóveis, brinquedos, detergentes e produtos de higiene, utensílios de cozinha, artigos religiosos, ferramentas, ouro…

A toda a volta e nas ruas situadas entre os vários edifícios que constituem o mercado inúmeros feirantes instalam as suas pequenas bancas e oficinas improvisadas, onde se podem comprar bilhetes de lotaria, consertar um relógio avariado, ter uma consulta astrológica, comprar sapos ou simplesmente arranjar e pintar as unhas das mãos e dos pés.

Como habitual, um dos edificios é destinado à venda de comida confeccionado e a restaurantes, que apesar de superarem em número a vintena, oferecem basicamente sopas à base de noodles e carne grelhada servida com sticky-rice. Contudo, muitas destas sopas à base de massa de arroz, apesar de à primeira vista serem em tudo semelhantes, apresentam variações quanto ao tipo de massa utilizada, e em especial em relação à carne (que pode ser cozida ou grelhada, e incluir vísceras, sangue ou carne processada) e que por vezes se pode encontrar à base de peixe oriundo do sempre presente Mekong.

Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang. Este tipo de tapetes é muito caracteristico do Laos, sendo feitos com o aproveitamento de restos de tecidos, encontrando-se em praticamente todas as casas
Paksé: Mercado Daoheuang. Este tipo de tapetes é muito caracteristico do Laos, sendo feitos com o aproveitamento de restos de tecidos, encontrando-se em praticamente todas as casas
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang
Paksé: Mercado Daoheuang. Cestas de bambu, usadas para aquecer e servir o arroz (sticky-rice). No lado esquerdo vendem-se cestas em forma cónica destinadas a cozinhar o arroz, ao vapor, sendo encaixadas no topo de panelas com água a ferver. Cozinhar o arroz é um ritual diário em cada casa e, juntamente com o cheiro da lenha queimada, enche o ar da mnhã de um aroma adocicado
Paksé: Mercado Daoheuang. Cestas de bambu, usadas para aquecer e servir o arroz (sticky-rice). No lado esquerdo vendem-se cestas em forma cónica destinadas a cozinhar o arroz, ao vapor, sendo encaixadas no topo de panelas com água a ferver. Cozinhar o arroz é um ritual diário em cada casa e, juntamente com o cheiro da lenha queimada, enche o ar da mnhã de um aroma adocicado
Paksé: Mercado Daoheuang, benda de peixe que é mantido vivo apesar do calor que ao meio da manhã já se faz sentir, à custa de baldes de água despejados sobre ele.
Paksé: Mercado Daoheuang, benda de peixe que é mantido vivo apesar do calor que ao meio da manhã já se faz sentir, à custa de baldes de água despejados sobre ele.
Paksé: Mercado Daoheuang. Ervas, raízes, chás, unguentos, bálsamos, etc... que fazem parte do métodos caseiros para resolução de problemas de saúde. O exemplo mais popular é o "Tiger Balm", aparentemente de origem chineza, que é usado para quase todas as situações, de dores ou de mal estar, e que pode ser encontrado em praticamente todos os países asiáticos, por vezes numa versão local, ligeiramente diferente do original no cheiro e na embalagem
Paksé: Mercado Daoheuang. Ervas, raízes, chás, unguentos, bálsamos, etc… que fazem parte do métodos caseiros para resolução de problemas de saúde. O exemplo mais popular é o “Tiger Balm”, aparentemente de origem chineza, que é usado para quase todas as situações, de dores ou de mal estar, e que pode ser encontrado em praticamente todos os países asiáticos, por vezes numa versão local, ligeiramente diferente do original no cheiro e na embalagem
Paksé: Mercado Daoheuang. Zona dedicada à venda de joelharia em ouro
Paksé: Mercado Daoheuang. Zona dedicada à venda de joelharia em ouro

Paksé

Depois de uma viagem de autocarro desde Savannkhet iniciada pelas nove da manhã e demorou mais de quatro horas a percorrer os cerca de 240 quilómetros até à cidade de Pakse, que quase como todas as principais cidades do Laos, encontra-se situada nas margens do Mekong.

A cidade de Paksé não é muito antiga, tendo sido fundada pelos franceses aquando do desenvolvimento da rota comercial pelo Mekong, o que se atesta pelo reticulado das ruas, as largas avenidas e o conjunto de edifícios que restam, alguns votados ao abandono, outros recuperados para hotéis e organismos estatais.

Apesar de ser a maior cidade do sul do país, em Paksé vive-se um ambiente calmo, com algum turismo, mas dominado as lojas e o comércio destinado à população do Laos.

As ruas principais, com os seus edifícios de betão, revelam alguma desolação e decadência sem contudo retirarem dignidade e beleza à cidade que aqui e a ali é pontuada por algumas árvores que conferem à ruas um ambiente mais convidativo para circular durante o ambiente quente e seco que se sente durante grande parte do dia.

Pakse
Paksé
Pakse
Paksé, com as suas ruas largas, ladeadas de edificios de betão, e onde os generosos passeios são muitas vezes ocupados como prolongamento das lojas e dos restaurantes
Rio Seldom, que se junta ao Mekong junto à cidade de Pakse
Rio Seldom, que se junta ao Mekong junto à cidade de Paksé
Presença Soviética no apoio à contrução desta ponte que substitu uma mais antiga construida pelo franceses
Presença soviética no apoio à contrução desta ponte que substitu uma mais antiga construida pelo franceses, sobre o rio Sedom
Pakse
Pakse onde por tras dos edificios que ocupam as ruas principais, encontram-se as principais zonas habitacionais que ainda conservam a arquitectura tradicional que constitui um perfeito equilibrio com a calma que por aqui se vive
Pakse
Paksé
Zona junto à confluência dos rios Mekong e Sedon, onde se sucedem restaurantes que ocupam praticamente toda a marginal que se desenvolve ao longo de grande parte da cidade
Zona junto à confluência dos rios Mekong e Sedon, onde se sucedem restaurantes que ocupam praticamente toda a marginal que se desenvolve ao longo de grande parte da cidade
Pakse
Paksé
Mekong em Pakse
Mekong em Paksé
Atestando a importância desta cidade em termos comerciais, esta é uma das muitas lojas de proprietários chinses
Atestando a importância desta cidade em termos comerciais, esta é uma das muitas lojas de proprietários chineses, a atestar pelos caracteres que constam do letreiro e pelas lanternas vermelhas usadas nas comemorações do novo ano chinês que ocorreu no fim de Janeiro, altura em que começou o ano do Cavalo
Pakse
Paksé

 

Sabaidy 2 Guest House

Quarto individual, sem WC: 50.000 kip

Quarto triplo, sem WC: 120.000 kip

Quarto duplo, sem WC: 100.000 kip

Sabaidy 2 Guest House
Sabaidy 2 Guest House

Savannakhet

Pouco passa das quatro da tarde; altura para sair do quarto e enfrentar a diminuição do calor que abrasou e tornou praticamente desérticas as ruas da cidade de Savannakhet, situada junto ao Mekong e de frente para a Tailândia.

As poucas pessoas que se vêm nas ruas encontram-se abandonadas à preguiça e ao calor, reunindo-se em pequenos grupos junto à entrada das casas, protegendo-se do calor, ou deixando-se adormecer por trás de um balcão comercial.

Aproveitando a luz mágica do fim de tarde, é tempo para circular pela cidade e apreciar o que resta da presença francesa, para além das largas ruas orientadas ortogonalmente de amplos passeios, pouca coisa mantem da colonização, para além de uns poucos edifícios, muitos abandonadas e quase todos em mau estado de conservação, cobertos de fungos e esquecidos da sua cor original, ao contrário de Luang Prabang que soube valorizar este património tornando atração turística. Savannakhet quase nada oferece em termos de cafés, esplanadas ou restaurantes, para além dos habituais espaços destinados à população local.

Mas a noite trás mais animação com as luzes a acenderem-se e as ruas a ganharem movimentos com a circulação de motas e automóveis e com os seus habitantes a encherem restaurantes e passeios, na sua azáfama comercial, típica de um fim de tarde dos países asiáticos. Mas aos poucos este efémera animação vai-se desvanecendo, esvaziando as ruas e entregando-as novamente à quietude e ao silencia imposto pelo recolher obrigatório.

Ninguém anda a pé. Apercebi-me que eu era a única a fazê-lo juntamente com uns poucos de turistas que optam por parar nesta cidade herdeira da colonização francesa, no percursos entre Vientiane e o Sul do Laos. Praticamente toda a gente se desloca de motorizada que circulam com bastante liberdade pelas ruas da cidade, efectuado manobras e algumas transgreções de forma a levar o veículo até mesmo ao local desejado, seja em frente para junto de algum amigo que se encontrou na rua, numa loja para efectuar as compras, ou num restaurante para comprar o jantar, onde nem sequer é necessário sair da mota ou tão pouco desligá-la.

Uma cidade que fica também marcada pela feroz presença dos cães que ao contrário do que tem sucedido neste país, se mostram aqui agressivos e territoriais, em especial desde o anoitecer até ao inicio da manhã, tornando algumas caminhadas pela cidade verdadeiras provas de coragem.

Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Descarga de mercadorias no cais onde atracam os barcos que fazem a ligação entre o Laos e a Tailândia, em realção ao qual o Laos tem grande dependência em termos de importações
Descarga de mercadorias no cais onde atracam os barcos que fazem a ligação entre o Laos e a Tailândia, em realção ao qual o Laos tem grande dependência em termos de importações
Igreja católica
Igreja católica
Alguns dos edificios coloniais que restam em Savannakhet
Alguns dos edificios coloniais que restam em Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet
Savannakhet

Vientiane

Vientiane. Capital da República Popular do Laos, um dos cinco países que continua a ter um regime “socialista”, a par com a China, Cuba, Vietnam e Coreia do Norte.

Situada à beira do Mekong, de frente para a próspera Tailândia, Vientiane afirma-se discreta com os seus escassos 700 mil habitantes do total de 7 milhões que constitui a população do Laos, sendo ao mesmo tempo sedutora e viciosa.

Esta cidade, que como todas as capitais é repleta de clichés: álcool, prostitutas, lady-boys, mendigos, vendedores de ópio… tudo isto em claro contraste com a disciplina comunista que governa o país à 38 anos, impondo a força pela pobreza, num regime ditatorial onde persiste um inenarrável recolher obrigatório à meia-noite, mantido por patrulhas civis que percorrem as ruas aconselhando os resistente a recolher a casa e às respectivas guest-houses.

O que fica desta estadia em Vientiane é uma certa deambulação, sem destino e sem utilidades, pelas ruas da cidade, os cafés as esplanadas, as conversas em voltas de meses refrescadas pela cerveja e cinzeiros cheiros de pontas de cigarros. Fica um Mekong de caudal muito baixo afastando da marginal que se estende ao longo da cidade. Ficam edificios de betão, bolorentos e abandonados, conferindo à cidade uma nostalgia de um passado mais brilhante. Fica um discreto, mas sempre presente cheiro a esgoto que emana das sarjetas. Ficam largas e amplas avenidas e algo do que foi a presença francesa no Laos. Ficam as tardes tórridas que afugentam quase toda a gente das ruas e as noites mornas que convidam ao convívio.

Mais uma vez o que marca uma cidade não são os monumentos, as praças, os museus ou os templos, mas sim a atmosfera que se apreende e o ambiente que se vive.

E são também as pessoas que se conhecem, que por estes lados se resume somente a outros viajantes e turistas, que com a sua personalidade e as suas histórias nos cativam e nos influenciam, sendo por vezes responsáveis por mudanças nas nossas vidas, se bem que muitas vezes de forma involuntária e inconsciente. Mudamos muito quanto estamos sós, mas mudamos também em contacto com os outros. É uma permanente troca de energia onde o equilíbrio é difícil de manter, se é que existe alguma possibilidade de equilíbrio interior… talvez nos tenhamos que render e aceitar estas constantes mudança.

Algo do que resta das presença francesa em Vientiane
Algo do que resta das presença francesa em Vientiane
Marginal construida pelo Governo Chinês e que serve de locas de passeio pelo anoitecer, altura em que também surge um mercado de rua dedicado especialmente a roupa, tanto para o turismo como para os habitantes locais
Marginal construida pelo Governo Chinês e que serve de locas de passeio pelo anoitecer, altura em que também surge um mercado de rua dedicado especialmente a roupa, tanto para o turismo como para os habitantes locais
Laos. Comunismos. Laos. Comunismo
Laos. Comunismos. Laos. Comunismo
Vientiane: onde o brilhos dos automoveis novos se cruza com os muitos mendigos que se encontram pelas ruas e que deambulam pelos restaurantes e esplanadas
Vientiane: onde o brilhos dos automoveis novos se cruza com os muitos mendigos que se encontram pelas ruas e que deambulam pelos restaurantes e esplanadas
Vientiane
Vientiane
Mekong junto a Vientiane, onde o caudal muito baixo, resultado da época seca e das barragens existentes no seu percurso deixam a descoberto uma imensidão de areia, e onde é proibido andar depois das 10.30h da noite
Mekong junto a Vientiane, onde o caudal muito baixo, resultado da época seca e das barragens existentes no seu percurso deixam a descoberto uma imensidão de areia, e onde é proibido andar depois das 10.30h da noite
Mekong: do outro lado a Tailândia
Mekong: do outro lado a Tailândia
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane
Vientiane: um dos muitos edifícios abandonadas que se encontram um pouco por todo o centro da cidade
Vientiane
Vientiane: muitas mulheres do Laos continuam a usar as roupas tradicionais adaptadas ao gosto actual, com a saia pelo meio da perna, em tecido sedoso, conferindo um ar distinto e elegante
Vientiane: ao fundo  Arco do Triunfo, construido durante o domínio françês, numa tentativa de copiar o ambiente dos Campos Elísios
Vientiane: ao fundo Arco do Triunfo, construido durante o domínio françês, numa tentativa de copiar o ambiente dos Campos Elísios

 

Douang Deuane Guest House (DD2)

Dormitório: 30.000 kip

Quartos individuais, sem WC: 40.000 kip

Quartos duplo, sem WC: 70.000 kip

Duang Deuane Guest House
Duang Deuane Guest House
Duang Deuane Guest House
Duang Deuane Guest House
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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