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Stepping Out Of Babylon

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Stepping out of Babylon

Teerão… dos bazares às secret parties

Teerão (Tehran) com os seus mais de 16 milhões de habitantes (incluindo subúrbios), e ar pesado e poluído pelo escapes dos veículos que entopem as principais artérias da cidade mostra-se pouco atractiva para a maioria dos visitantes que somente aqui ficam o tempo mínimo necessário à chegada e à partida do país.

De facto pelo tamanho e dispersão, a cidade de Teerão é pouco convidativa a deambulações, e os principais locais de interesse encontram-se afastados. Contudo a rede de Metro cobre grande parte da cidade, revelando-se eficaz e de fácil orientação.

A estadia foi na parte norte da Tehran, perto de Tajrish, onde a cidade começa a subir as encostas das colinas circundantes, disfrutando de uma atmosfera mais ventilada e menos poluída em comparação com a zona mais a Sul, onde se situa o Grand Bazaar. A zona norte da cidade apresenta-se mais moderna e liberal, onde os chador são menos populares e os lenços que cobrem o cabelo, revelam mais do que o que escondem.

Na Tajrish Square inicia-se a maior rua do Médio Oriente, a Valiasr Street, com mais de 17 quilómetros de extensão, desenvolvendo-se na direção Norte-Sul até à Rahahan Square, dividindo a cidade ao meio. Mandada construir pelo Shah Reza Pahlavi, mudou de nome depois da Revolução Islâmica de 1979, é actualmente um dos principais locais de comércio da cidade, atraindo muitas lojas de marcas internacionais. Aqui, não longe da Tajrish Square encontra-se o Cinema Museum, que para apresenta uma seleção de filmes do circuito mais alternativo e é circundada por um agradável jardim que faz esquecer o incessante movimento automóvel que passa junto aos seus portões.

O Grand Bazar de Teerão apresentou-se, como o nome indica “grande”, de facto demasiado grande, disperso e de difícil orientação, numa sucessão de edifícios modernos e incaracterísticos, onde a maior parte da área é ocupada por lojas de roupa ao estilo “made in china”, mostrou-se pouco interessante e com uma certa falta de carácter.

Contudo, não muito longe encontra-se um outro tipo de comércio, numa sucessão de pequenas lojas organizadas e alinhadas ao longo da na Marvi Street, onde se podem encontrar uma grande variedade de produtos importados, desde alimentação, vestuário, óculos de sol, cosmética, perfumes, etc… mostrando outra faceta do comércio local.

Ao longo da rua que dá acesso à entrada principal do bazar, a 15 Khordad Avenue (Metro Sation: Panzdah-e Khordad), vai-se enchendo de movimento e a agitação que vai aumentando ao longo da manhã, com vendedores ambulantes apregoando os seus produtos, carregadores levando e trazendo mercadorias e centenas de pessoas fazendo compras, criando um ambiente animado, onde há sempre tempo para fazer uma pausa para saborear um gelado.

Mas uma visita a esta capital teve o travo de aventura com a inesperada oportunidade de “entrar” numa das famosas secret parties, que tornam esta cidade famosa; num pais em que o álcool, discotecas e muita coisa é proibida, estas festas organizadas em apartamentos são o libertar de todas estas regras. Um ambiente antagónico ao que se vive em público, em que o álcool corre livremente, o ambiente é de eufórica festa e onde as mulheres, deixando de lado o pesado “dress code” islâmico, vestem roupa mais ousada, exibem os penteados e pesada maquilhagem.

Teerão, uma cidade cheia de contrastes entre a tradição muçulmana e modernidade de uma metrópole, merece uma visita mais detalhada, pois como qualquer grande cidade, mantem os seus encantos escondidos de quem por aqui não se demora.

Tajrish Bazaar
Tajrish Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Tehran Grand Bazaar
Valiasr Street
Valiasr Street
Tehran
Tehran
Esculturas nos jardins do Cinema Museum de Tehran
Esculturas nos jardins do Cinema Museum de Tehran

Transportes:

Para quem vem de Tabriz, a chegada a Teerão é no Terminal-e-Qarb (perto da Azadi Square fácilde identificar pelo gigantesco arco), e daqui existe ligação à rede de Metro (Meydan-e Azadi – Yellow Line).

Para destinos a sul, como Kashan, Esfahan, Yazd… os autocarros partem do Terminal-e- Jonub, situado na parte Sul da cidade, também acessível por Metro (Terminal-e- Jonoob – Red Line)

Mas atenção, Teerão dispões de 4 terminais de autocarros de longo-curso, destinados a diferentes regiões do país, pelo que convém obter informações precisas sobre qual o terminal adequado:

  • Qarb Terminal (Terminal-e-Qarb) 

Address: Qarb passenger terminal, Azadi Sq.

  • Jonoob Terminal (Terminal-e- Jonoob)  

Address: Jonub passenger terminal, Mohammad Bokharaie St., Shoosh St.

  • Shargh terminal (Terminal-e-Shargh)

Address: Shargh passenger terminal, Damavand St., Tehranpars

  • Beihaghi Terminal

Address: Beyhaghi passenger terminal, Arjantine Sq.

Para quem chega ou parte de avião, a rede de Metro também tem acesso ao Mehrabad Airport mas não ao Imam Khomeini International Airport, o principal aeroporto da cidade.

Theran Metro
Theran Metro
Bus Terminal-e Qarb; entrada da estação de Metro
Bus Terminal-e Qarb; entrada da estação de Metro

 

Tehran Metro Map
Tehran Metro Map

Alojamento:

Na acolhedora casa de uma amiga, saboreando a generosa hospitalidade de uma família Iraniana…. sorte!

Onde comer:

Como qualquer grande cidade, em Tehran encontra-se um pouco de tudo em termos de restaurantes, que para além dos tradicionais kebaks, tem muito mais para oferecer não faltando as opções de comida internacional.

Na visita ao Grand Bazaar, não pode faltar um dos mais populares locais para comer falafel; fica na Naser Khosvo, junto à esquina com a Marvi Steet, e por volta da hora do almoço os clientes fazem fila. O local não tem mesas, somente servindo os falafel no pão, em sistema de take-away, pelo que a pequena praça em frente serve de local de eleição para saborear esta versão iraniana deste típico snack árabe.

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popular loja de falafel, na Naser Khosvo, junto à esquina com a Marvi Steet

Outra opção é a tradicional sopa iraniana, ash, feita à base de grão, feijão, lentilhas e alguns legumes, formando um caldo espesso e aromático. Umas das melhores destas sopas foi algures na Valiasr Street, na zona de Tajrish, onde flocos de cebola frita e um creme de sabor ácido semelhante a natas…

Ash, sopa iraniana à base de logominosas e legumes
Ash, sopa iraniana à base de leguminosas e legumes
Ash at Valiasr Street
Ash at Valiasr Street

Entre Tabriz e Teerão… on the road again!

“everything happens for a reason”… e assim aconteceu! Depois de Tabriz o destino seguinte seria a vila de Masuleh, situada nas montanhas onde o clima húmido transforma a paisagem seca e ocre numa verde floresta.

Ao longo de mais de quatro horas, foram deslizando paisagens quase desérticas de vegetação, onde a estrada de longas e planas rectas é o único vestígio da presença humana. Planícies imaculadas, interceptadas por leitos de rios secos, interrompidas por pequenas e suaves colinas, que quando se aproximam exibem textura argilosas, de cores suaves, variando dos beges aos castanhos, dos cinzentos aos tons avermelhados. Esporadicamente surge uma povoação de casas construídas em tijolo cuja côr dificilmente se distingue da paisagem envolvente, que mantém o mesmo aspecto desértico.

Mas quis o destino trocar as voltas aos planos traçados pelo “Homem”, fazendo com que o motorista do autocarro que fazia a ligação entre Tabriz e Teerão, se tenha esquecido de me deixar numa paragem intermédia, Qazvin onde teria ligação com outro autocarro com destino a Masuleh. O erro somente foi detectado à chegada aos arredores da grande capital, onde já não havia hipótese de retorno para Qazvin.

Encontrei-me assim inesperadamente no gigantesco terminal de autocarros, numa cidade com mais de 15 milhões de habitantes, uns dias antes do previsto, sem preparação, sem planos, sem mapa e sem rumo.

Mas acreditando que tudo acontece por uma razão, esta foi a forma de me encontrar com uma amiga, com quem mais tarde partilhou comigo a viagem até Masuleh, tornando este itinerário especial no percurso da viagem pelo Irão. Um encontro precipitado pelos desenrolar dos acontecimentos mas que foi um bálsamo para os solitários e cinzentos dias passados em Tabriz.

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Tabriz – Tehran
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Tabriz – Tehran
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Tabriz – Tehran
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Tabriz – Tehran
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Tabriz – Tehran

Transportes

A viagem Tabriz – Teerão demora cerca de 4 horas, podendo-se prolongar caso a chegada a Teerão coincida com a hora-de-ponta que implica grandes congestionamentos rodoviários.

Do Tabriz Bus Terminal (o único existente na cidade para viagens de longo curso) partem autocarros mais ou menos a todas as horas, existindo diversas empresas a fazer esta ligação. Os primeiros autocarros partem pelas 6h da manhã e o ultimo pelas 24h.

Bus ticket custa 155.000 rials.

Tabriz to Tehran by bus_DSC_1530
Tabriz – Tehran

Os autocarros no Irão são uma óptima opção em viagens de longa distância, existindo serviços regulares, com boa frequência entre as principais cidades: Tabriz, Tehran, Esfahan, Shiraz, Yazd, Mashad, Kerman, Bandar Abbas… à medida que nos afastamos deste itinerário os serviços vão escasseando na oferta em termos de horários e por vezes na qualidade dos autocarros.

As principais estradas são boas, planas e com poucas curvas, quase sempre com duas faixas de rodagem, tornando a viagem confortável; contudo as bandas sonoras existentes amiúde podem ser incomodar bastante durante o sono. Nas zonas montanhosas, como o Curdistão, ou próximo do Mar Cáspio apresentam-se mais sinuosas, mas em geral com bom pavimento.

O preços são muito atractivos, com viagens entre as principais cidades a custarem entre 100.000 e 200.000 rials (aproximadamente entre 3 e 5€; valores de Out.2015).

O preço varia em função dos quilómetros e do tipo de serviço: normal ou VIP, não variando significativamente em função da empresa de transportes.

No serviço VIP, é fornecido um pequeno snack (bolachas, bolo, chocolate e sumo empacotado); no serviço normal por vezes chá e água.

Quando a viagem coincide com o horário das refeições e frequente a paragem para refeições.

Os autocarros VIP têm somente 3 passageiros por fila, com largos e confortáveis cadeiras que mais parecem sofás, com apoio de braços, reclináveis e algumas com apoio que permite elevar os pés. Recomendável para viagens nocturnas pois o preço não significativamente mais elevado.

Os autocarros de serviço Normal têm 4 passageiros por fila, geralmente sem apoio para braço entre assentos.

Em qualquer das opções o espaço entre cadeiras é generoso, permitindo esticar as pernas sem problemas mesmo para pessoas mais altas.

Todos têm ar-condicionado, que não sendo muito intenso consegue oferecer conforto.

Caso se pretenda fazer a viagem de longa distância de noite (com 5 ou mais horas de duração) é recomendável confirmar o horário de partida do ultimo autocarro, e se possível compra o bilhete com antecedência, de pelo menos um dia.

Épocas festivas como a Nowruz – passagem de ano que de acordo com o calendário Persa – que coincide com o início da Primavera, são alturas em que os bilhetes de autocarro, comboio e avião esgotam facilmente, pelo que viajar no Irão durante está época implica um planeamento cuidadoso.

Quando o número de passageiros não é muito elevado, é frequente diferentes empresas unirem esforços e juntarem os passageiros num único autocarro, o que pode atrasar um pouco a partida e consequentemente a chegada, se bem que os atrasos não são geralmente mais do que meia-hora.

Paragens à saída das cidades para recolher passageiros (e esporadicamente mercadoria) são também frequentes nas viagens diurnas, mas praticamente inexistentes nas viagens de noite.

VIP Bus Tabriz - Tehran
VIP Bus Tabriz – Tehran
Normal Bus Esfahan - Shiraz
Normal Bus Esfahan – Shiraz
VIP bus Yazd - Kerman
VIP bus Yazd – Kerman
Normal Bus Maku - Tabriz
Normal Bus Maku – Tabriz

Tabriz: os tapetes e o bazar

Tabriz foi a primeira paragem num itinerário de um mês pelo Irão, cabendo-lhe a pesada responsabilidade ao criar uma primeira impressão de um vasto e diversificado país, que se estende desde o Mar Cáspio ao Golfo Pérsico, da Turquia ao Afeganistão, do Iraque ao Paquistão, fazendo ainda fronteira com o Turquemenistão, a Arménia e o Azerbaijão.

A cidade de Tabriz, que chegou a ser capital do Irão, mas dada a sua posição geográfica que a formava muito vulnerável aos ataque do Império Otomano, é actualmente capital da província do Azerbaijão, onde uma significativa parte da população é Azevi, constituindo o maior grupo étnico do Irão.

Tendo sido um ponto de paragem obrigatório na Rota da Seda, é ainda hoje um dos mais antigos bazares do Médio Oriente, e o maior bazar coberto do mundo, continuando a ter um papel fundamental na actividade comercial do país, em especial pelo comércio de tapetes… os lendários tapetes persas!!

O bazaar é claramente dominado pelo comércio de tapetes, que se apresentam em lã ou em seda, com motivos geométricos ou florais, com retratos ou com inscrições religiosas, negócio pelo qual Tabriz tem fama mundial. E paralelamente à venda de tapetes existem um grande diversidade de lojas que estão associadas a sua produção, como a venda matéria-prima para a sua execução, tanto os fios de algodão que servem de trama, como a lã com que são tecidos a maioria dos tapetes.

Mas apesar de grande parte da área ser dedicada aos tapetes, o Bazaar de Tabriz tem muito muito mais para oferecer: zonas dedicadas à venda de tecidos e roupa, onde sobressaem os lenços para cobrir a cabeça, que aqui se encontram num numero infindável de variações. Por vezes somos atraídos pelo cheiro das especiarias, pelo ouros dos potes de mel, pelo brilhos das tâmaras, passas, ameixas e demais frutos secos, pelas pilhas de nozes, amêndoas e pistácios… numa generosa e infindável variedade.

A visita à Kabud Mosque, a chamada Mesquita Azul (100.000 rials), apesar do peso da antiguidade que envolve o edifício construída em 1465, revelou-se pouco interessante. Ark-e Alishah, um arco gigantesco e maciço que se impõem no centro da cidade pouco tem para oferecer. Perdida no meio do intricado labirinto de ruas que compõem o bazaar encontra-se a Jameh Mosque, cujo interior oferece silêncio e conforto, em oposição à agitação envolvente, onde os carregadores empurram carros-de-mão, trazendo e levando mercadorias em ritmo acelerado, num vai-e-vem que somente acalma com a hora de almoço.

Uma cidade com longa história, onde o bazaar é o centro das atenções merecendo mais do que uma vista: diferentes horas do dia oferecendo, diferentes cambiante de luz, diferentes ritmos, diferentes pulsares como se o bazar fosse um organismo vivo.

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

Tabriz_Bazaar_DSC_1257

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

 

Jameh Mosque junto ao Bazaar de Tabriz
Jameh Mosque junto ao Bazaar de Tabriz

 

Bazaar de Tabriz
Bazaar de Tabriz

Saindo do centro da cidade, a visita a zona envolvente à Valiasr Square, revelou uma outra faceta, mais moderna e cosmopolita, com sofisticadas lojas, cafés, restaurantes e pastelarias. Uma Tabriz mais abonada, onde a forma de vestir, mais descontraída e colorida, revela num ambiente menos conservador.

Zona junto à Valiasr Square
Zona junto à Valiasr Square

Os quatro dias passados em Tabriz serviram como adaptação a uma outra cultura, para perceber regras de comportamento social, onde a segregação entre sexos autocarros e outros locais públicos é rigorosamente respeitada, onde o uso do lenço a cobrir a cabeça, não é só obrigatório na rua, sendo indispensável numa também dentro das guest houses. A forma de vestir, em especial para as mulheres requer também alguma atenção, que não se limitando somente ao uso do lenço, incluindo mangas compridas, roupa larga e pernas cobertas… contudo as regras são sempre mais flexíveis para os estrangeiros. Uma adaptação também à alimentação, onde a carne domina a maioria da comida servida em restaurantes. Foi também tempo para a adaptação ao dinheiro, onde os “zeros” dominam o valor das notas, onde quase nada se compra com menos do que 1000 rials e onde a troca de uma nota de 50 euros faz de nós detentores de mais de um milhão de rials.

Tabriz. Ferdorosi St.
Tabriz. Ferdowsi St.

 

Posto de Turismo:

O posto de turismo de Tabriz, situado num primeiro andar de um dos edifícios existentes na zona pedonal que serve de entrada principal para o bazaar, é um ponto de paragem obrigatório para quem visita a cidade, onde os simpáticos e prestáveis funcionários providenciam todo o tipo de informações, seja desde excursões (organizadas pelo posto de turismo), a locais de troca de dinheiro, aurocarros públicos pra os diferentes locais a visitar (incluindo para o Terminal de Bus de Tabriz), restaurantes, etc…

Tabriz pode ser a base para visitas de um dia pelas regiões vizinhas, destacando-se Kodovan, uma cidade cujas casas são construídas na rocha, e que dada a semelhança com a recentemente visitada Cappadocia não foi eleita no itinerário.

 

Posto de Turismo de Tabriz
Posto de Turismo de Tabriz

 

Posto de Turismo de Tabriz. Horário
Posto de Turismo de Tabriz. Horário

 

Alojamento:

Na zona central da cidade, entre a entrada principal do bazaar e a Imam Khomeini Street encontra-se a Ferdowsi Street, onde se concentra um grande numero de guesthouses, com preços mais baratos. Existem quartos individuais, duplos ou partilhados, mas geralmente com casa de banho partilhada. Os preços variam bastante, em função das condi (com quartos sem janelas), e dempezaa de cams por quarto vairai Bus de Tabriz), restaurantes, etc…ções oferecidas em termos de ventilação (com quartos sem janelas) e de limpeza, pelo que vale a pena ver alguns quartos e comprar os preços antes de tomar uma decisão.

A escolha foi para o Hotel Mashad, que não sendo o melhor preço apresentou-se limpo e arejado, apesar das dimensões mínimas do quarto. Frequentado essencialmente por homens e por uma ou outra família esporadicamente.

 

Hotel Mashhad

Ferdowsi Street

Quarto Individual: 250.000 Rials + 60.000 shower (hamam)

Free wi-fi

Almost no english spoken.

Mashhad Guest House
Mashhad Guest House

 

Mashhad Guest House
Mashhad Guest House

 

Onde comer:

Uma das opções muito populares em termos de street food encontradas em Tabriz formam as batatas assadas, que esmigalhadas sobre um pedaços de pão, às quais se junta ovo cozido, tomate e algumas ervas frescas, formam um rolo.

Pelas ruas do bazar encontram-se alguns vendedores de batatas doces e outros tubérculos cozinhados numa calda de açúcar, que mantida quente liberta um nuvem de vapor de aroma adocicado.

No interior do bazar existem também alguns restaurantes, mas dado o carácter labiríntico do espaço, onde não é fácil a orientação, encontrar estes locais fica um pouco ao sabor do acaso ou entregue à sensibilidade olfativa.

Snack de rua em frente à entrada principal do bazaar
Snack de rua em frente à entrada principal do bazaar

Transportes:

Bus para Valiasr Square: numero 159; a paragem fica rua em frente à entrada principal do bazaar Jomhuriye Eslami Street.

Bus para o Terminal de Autocarros de Tabriz (long distance buses): número 104; a paragem fica na Amir St, uma rua perpendicular à Ferdowsi St.

Aparentemente é necessário ter um cartão para viajar nos autocarros urbanos, que é validado eletronicamente em cada viagem à entrada do autocarro. Mas é possível pagar directamente ao motorista, entre 500 a 1000 rials; no caso da mulheres a situação é mais complicada pois depois de entrar pela porta da frente e pagar o bilhetes, é necessário sai e voltar a entrar pela porta de trás para ceder à zona reservada a mulheres. Muitas das vezes o motorista não cobrou bilhete… talvez para facilitar as coisas, talvez por ser estrangeira…?!?!?

Como atravessar a fronteira Gurbulak–Bazargan (Turquia/Irão)

Devido a problemas na zona Este da Turquia, resultantes dos conflitos entre a comunidade Curda e o Governo Turco, o comboio que geralmente circula entre Ankara e Teerão, o Trans-Asia Express, foi temporariamente cancelado, não havendo data prevista para voltar a circular (informaentre a comunidade Curda e o Govtar a circular. )informaante dos conlitos entre a comunidade Curda e o Goberno Turco, o comboio ções de Setembro 2015). Para mais informações consultar a página: http://www.seat61.com/Iran.htm#train

Contudo a fronteira Kapıköy-Razi, na região Turca de Van, pode ser alcançada de autocarro sem problemas.

 

Outra popular e fácil rota é a fronteira mais a Norte, próximo da Arménia: Gurbulak–Bazargan, tendo esta sido a opção adoptada para a entrada no Irão.

 

Erzurum – Doğubayazıt

A cidade de Erzurum não apresenta muito atractivos, com exceção das montanhas que rodeiam a cidade, e que em poucos meses se irão cobrir de neve, atraindo adeptos do ski.

Apesar disto Erzurum pode ser um ponto de paragem necessário para chegar a Dogubayazit, ultima cidade Turca antes da fronteira com o Irão.

A partir daqui há bus para Dogubayazit, várias vezes por dia, mas é aconselhável sair no início da manhã, pois a viagem até Doğubayazıt leva cerca de 3.5 horas, o que permite chegar a tempo para visitar o Palácio Ishak Pasha que fecha às 17:00.

O bilhete deve ser comprado com antecedência, tanto directamente no terminal de bus (situado a poucos quilômetros longe da cidade e que obriga a uma viagem de taxi) num dos agentes de venda de bilhetes de autocarros, existentes na Nazik Çarsisi Caddesi, uma das ruas perpendiculars à avenida central da cidade, a Kongre Caddesi.

O bilhete custa 30 TL.

 

Doğubayazıt – Gurbulak

Doğubayazıt é a última cidade antes da fronteira.

Aqui é recomendável para passar a noite, para iniciar a viagem ao Irão durante a manhã e evitar chegar a Tabriz demasiado tarde. Tendo saído de Doğubayazıt às 9h30 da manhã somente cheguei a Tabriz pelas 20h.

A cidade é pequena e de fácil de orientação. Os autocarros vindos de Erzurum e de outras cidades param na rua principal. Deste pequeno terminal, são 5 minutos a pé até o escritório/loja de onde partem as mini-vans (dolmus) para a fronteira.

O serviço de mini-vans começam às 7 h da manhã, e saem de Doğubayazıt assim que ficam cheios; a viagem até a fronteira demora cerca de 35 minutos.

Os bilhetes custam 7 TL.

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loja/escritório que vende bilhetes para os dolmus (mini-vans) que fazem o serviço de passageiros até à fronteia
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Rua em Doğubayazıt de onde partem os dolmus para Gurbulak, onde se situa a fronteira Turquia-Irão
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preços da viagem de dolmus, ainda com os valore antigos de Libras Turcas

 

Fronteira Turquia-Irão (Gurbulak- Bazargan)

Apesar da longa fila de camiões, poucas são as pessoas que atravessam esta fronteira, chegando praticamente todas no mesmo dolmus.

Depois de mostrar seu passaporte e visto Turco (o visto impresso) e de se receber o carimbo de saída, é necessário passar para o edifício contiguo onde se situam os serviços de imigração Iranianos.

Esta é a altura em que as mulheres devem colocar o lenço cobrindo a cabeça, não sendo necessário tapar a totalidade do cabelo, para não-muçulmanas.

No lado iraniano é preciso mais tempo para os estrangeiros, pois o passaporte é examinado com detalhe e são feitas algumas perguntas sobre o motivo da viagem e locais a visitar… basta fornecer o itinerário clássico sem entrar em grandes pormenores (Tabriz, Teerã , Esfahan, Yazd, Shiraz…) facilitando a tarefa ao funcionário de serviço.

Depois de carimbado o passaporte e de se atravessar uma porta automática, estamos oficialmente no Irão, onde de imediato avistamos um grupo de homens, que em tom amigável nos fazem perguntas sobre a nossa origem e nos convidam a sentar para tomar um chá. Aqui, de acordo com algumas informações disponíveis na net, existem dois funcionários que são boas fontes de informações sobre o país.

Mesmo à porta dos serviços de imigração, tanto do lado Turco como do lado Iraniano, encontram-se várias pessoas que se oferecem para trocar dinheiro, Libras Turcas, Euros, dólares, Libras… e argumentam que mais tarde não é possível trocar as Libras Turcas, o que é falso, pois podem ser trocadas em Bazargan, e os taxistas do lado Iraniano aceitam TL até ao terminal de autocarros de Maku.

Caso se esteja à vontade com a aritmética, com o valor das notas Iranianas, e em fazer negócios de troca de dinheiro na rua, rodeado de pessoas falando uma língua que nos é estranha, este pode até ser um bom negocio, mas a opção foi espera até chegar a Bazargan.

Atenção à mudança de fuso horário no Irão, onde é 1.5 horas mais tarde do que na Turquia.

Turkey-Iran border (Gurbulak–Bazargan)
Turkey-Iran border (Gurbulak–Bazargan)

 

Bazargan – Maku

Após sair do edifício dos serviços de Imigração é necessário caminhar cerca de 3 km ou tomar um táxi até à pequena povoação de Bazargan, que não é muito mais do que uns edifícios alinhados ao longo da estrada com lojas, restaurantes e pequenos escritórios, onde você pode trocar dinheiro. Não há indicações claras de lojas de câmbios, mas basta perguntar por “exchange” e logo surge alguém que nos encaminha para um escritório ou loja.

As taxas não são as mais favoráveis, e são mais ou menos as mesmas nos vários locais de câmbio. Basta trocar uma pequena quantia necessária para chegar ao próximo destino, Tabriz ou Teerão, onde se conseguem melhores negócios. Aqui também se trocam dólares e euros.

Táxi partilhado custam 20.000 Rial por pessoa até Bazargan.

 

Maku
Maku

Bazargan – Maku

Em Bazargan é necessário um táxi para a próxima cidade, Maku, que fica a menos de 20 minutos, e onde se encontra um terminal de bus, de onde partem autocarros para Tabriz, Teerão, etc…

Táxi partilhado custam 20.000 rials por pessoa.

Não há motivos para ficar em Maku, pelo que a melhor opção é ir directamente para o terminal de bus que fica um pouco afastado da centro da cidade. O terminal dispõe sde vários escritórios de empresas de autocarros, como a informação disponível sobre horários é pouco clara o melhor é simplesmente perguntar pelo destino pretendido e seguramente que alguém nos encaminha para a empresa de onde parte o próximo autocarro.

O terminal de bus Maku tem alguns pequenos restaurantes e sanitários aceitáveis.

Para Tabriz há um bus às 15:00. Atenção à mudança de fuso horário no Irão, onde é mais tarde 1.5 horas.

A viagem até Tabriz leva 6 horas … pois o autocarro faz muitas paragem para recolher e deixar passageiros; talvez uma viagem noturna seja mais rápida…

Bilhetes de autocarro Maku-Tabriz: 110.000 rials

Maku Bus Terminal
Maku Bus Terminal

Como obter visto para a Turquia

Obter o visto para visitar a Turquia é fácil e rápido.

Desde que foi introduzido o sistema informático para obter o visto Turco, o e-visa, não sendo possível obter o visto à chegada ao aeroporto ou a qualquer fronteira terrestre.

Basta preencher o formulário que se encontra no site dos serviços de emigração Turcos (https://www.evisa.gov.tr/en/) e após efectuar o pagamento por cartão de crédito, seguindo as indicações fornecidas, o visto electrónico é enviado por e-mail no mesmo dia.

Para facilitar a passagens nos serviços de emigração, este documento (uma folha A4) deve ser impresso e mantido, até à saída do país, altura em que é novamente solicitado.

 

  • Custo: 20€
  • Válido por 6 meses a contar da cata de entrada
  • Múltiplas entradas

 

Para quem prefira o antigo método de ter o visto impresso/colado no passaporte, é necessário dirigir-se à embaixada, passando o custo de emissão do visto par 50€.

 

Embaixada da Turquia em Lisboa:

Av. das Descobertas, 22

Telf: 213 003 110

 

... saudades dos clássicos vistos
… saudades dos clássicos vistos

… dos Turcos e da Turquia

De uma estadia de duas semanas, poucas conclusões se podem retirar de um país tão vasto e com tanta história e diversidade cultural. Contudo ficaram impressões, sensações e ideias, tanto das experiências vividas, das realidades observadas como das informações trocadas com a população.

 

Língua e Escrita

Apesar de Turco ser uma língua completamente diferente onde poucas são as palavras comuns, surgem aqui e ali sons familiares, como o afrancesado “pardon” para pedir “com licença”. A saudação é dada por “merhábá” e agradece-se com o “texekkur”

Tendo a língua turca ligações com o árabe, a escrita foi durante séculos em caracteres arábicos, mas graças a Mustafa Kemal Atatürk, no anos de 1928, a língua turca foi transposta para o alfabeto ocidental, o que facilita muito em termos de orientação e localização e mesmo na aprendizagem de palavras mais básicas, como por exemplo a comida.

Em Istanbul e nas zonas com mais turistas, encontra-se quem fale inglês, por vezes fluentemente, outras o suficiente para uma comunicação básica para obter indicações e informações, sobre autocarros e horários, destinos, preços, etc… Contudo fora destas zonas, a situação mostra-se mais difícil, sendo raro conseguir comunicar em inglês com a população local, que apesar desta limitação não se poupa a esforços para ajudar, tanto recorrendo à linguagem gestual como chamando alguém mais novo que fale um pouco de inglês.

Do contacto com a população mais jovem, com estudos superiores ficou outra impressão, que já se encontra mais confortável em comunicar em inglês; contudo não parece ser um exemplo que se aplique a todo o país, sendo mais fácil encontrar alguém que domine o inglês em grandes meios urbanos, ou zonas que estejam habituadas a receber turistas, como foi o caso de Goreme e Istanbul.

 

Autocarros

Apesar da curta experiência na Turquia dispõe de um eficaz e moderno sistema de transportes, numa rede que abrange todo o país, existindo muitas empresas de transporte de passageiros. Os terminais de autocarros são geralmente amplos e modernos, limpos e organizados, com instalações sanitárias, zonas de estar e zonas de restauração. Nas cidades mais pequenas apresentam-se mais modestos, nas com condições confortáveis para se esperar algumas horas entre ligações de bus.

Nos autocarros de longo curso, destacam-se as empresas Kamil Koç e a Metro, pela vasta oferta de ligações entre as principais cidades, pelo eficaz serviço de informações e venda de bilhetes e pela qualidade dos autocarros, com ambas as companhias disponde de várias classes de serviço, desde o VIP mais espaçosos e onde é servido chá, água, etc… até aos serviços mais económicos com mais passageiros por autocarro e um pouco menos de conforto.

A boa qualidade das estradas e dos autocarros, mesmo das companhias mais modestas permite efectuar longas viagens de forma confortável.

Existem muitos serviços nocturnos. As estradas são boas e os autocarros têm qualidade, com algumas empresas a oferecerem também serviços VIP, fazendo das viagens de autocarro um popular e cómodo meio de transporte.

Reservar bilhete pela net não é possível para estrangeiros, pois é necessário introduzir o “TC” o número de identificação turco, não funcionado o número de passaporte ou outro documento de identificação.

 

Metro e Kamil Koç destacam-se nas viagens de bus
Metro e Kamil Koç destacam-se nas viagens de bus

Comboios

Não houve oportunidade para experimentar este modo de transporte.

A ligação Ankara-Tehran, o famoso Trans-Asia Express, foi cancelado devido a problemas na zona Este da Turquia, com conflictos com a população Curda, não havendo informações sobre possível reabertura (setembro 2015). Para informações mais actualizadas: http://www.seat61.com/Iran.htm#train

Os bilhetes devem ser reservados com antecedência em especial nas viagem ao fim de semana e próximos de festas religiosas como o Kurban Bayrami, onde muita gente se desloca para visitar a família; isto aplica-se também às viagens de autocarros e mesmo às de avião.

Nas viagens de comboio, assim como nos autocarros de longo curso, não é costume os homens ficarem sentado ao lado das mulheres, a não ser que sejam casais, familiares ou amigos; este sistema pode tronar complicada a compra de bilhetes nas alturas de maior procura, onde por vezes existem lugares vagos, mas nem sempre ao lado de uma pessoa do mesmo sexo.

http://www.seat61.com/Turkey2.htm

 

Religião

Apesar de todo o esforço de Ataturk para aproximar a Turquia das padrões ocidentais, remetendo a religião para segundo plano, a Turquia tem-se tornado nos últimos anos mais conservadora, com uma maior presença da religião muçulmana no dia-a-dia da população.

Oficialmente mais de 95% da população é Muçulmana, maioritariamente sunita, mas existindo ainda Alevis, Sufis e alguns Xiitas.

Desde as reformas sociais e politicas introduzidas por Ataturk a partir de 1926, a sociedade modernizou-se assim como a forma de vestir, que se tornou mais ocidental, levando ao abando gradual da tradição islâmica que obriga as mulheres a cobrir o cabelo, passando a ser uma opção de cada individuo.

Mas recentemente, com o aumento do poder dos grupos islâmicos e do fervor religioso, o uso do lenço na cabeça, que antes era somente uma tradição, volta a dominar encontrando-se frequentemente mulheres e jovens usando o hijab, que cobre a totalidade do cabelo, orelhas e pescoço, sendo bastante popular tanto em Istanbul como no resto do país. O uso de chador, manto preto envolvendo o corpo é mais frequente nas zonas mais conservadores, como por exemplo em Erzurum, não sendo raro encontrar e Istanbul, em Fatih e nas zonas dos bazares.

Blue Mosque, Istanbul
Blue Mosque, Istanbul

Dinheiro & ATMs

Existem caixas ATM por todo o lado, aceitando a maioria dos cartões Visa e Master Card, mas cobram comissão por cada levantamento. É também possível efectuar pagamentos por cartão de crédito, e mesmo algumas empresas de autocarros aceitam pagamento por cartão na viagens de longo curso.

Para poupar nos exagerados custos das comissões bancárias cobrados por cada levantamento fora da zona Euro, a outra opção é trazer dinheiro e trocar por Liras Turcas.

Em Istanbul, nas zonas mais turísticas é fácil encontrar lojas de câmbio, que aceitam dólares, euros, libras, etc…, e que geralmente não cobrarem comissão. Convém comparar os valores em várias lojas pois podem varias significativamente.

Outra opção são os ATMs,  onde algumas máquinas/bancos permitem efectuar a troca de dinheiro, introduzindo notas de dólar, euros ou libras, e que devolvem Liras Turcas, sem comissão e com uma taxa de câmbio muito próximo do que se encontra nas lojas.

Da experiência que tive, a melhor opção foi ir directamente ao banco… pode demorar um pouco, dependendo do numero de pessoas. É necessário perguntar, pois alguns cobram taxa ou têm um câmbio pouco atractivo (como por exemplo em Goreme onde só existe um banco). A melhor opção encontrada, foi o Ziraat Bankasi, com o facilmente identificável logo vermelho, onde encontrei a melhor taxa de câmbio, sem comissões.

Ziraat Bankasi
Ziraat Bankasi

 

Generosidade e hospitalidade

Estas são sem duvidas duas palavras que marcam a estadia na Turquia.

Um pouco por todo o lado as pessoas se mostram simpáticas e curiosas, sempre disponíveis para ajudar, seja dando indicações, ajudando a encontrar locais, prestando informações, oferecendo comida…

Esta simpatia ficou ainda mais evidente com a experiência de couchsurfing em Istanbul, Erzurum e Doğubayazıt, onde a palavra hospitalidade foi levada “à letra”, tendo partilhado casa com pessoas que desconhecia, que se disponibilizaram para ajudar, fornecendo informações e orientações, mostrando a cidade, na busca de transportes, e muito importante, confecionando e partilhando refeições e experiências de vida.

 

Curdos

Com a longa história de Impérios e civilizações que por aqui passaram, a Turquia alberga actualmente diversas minorias étnicas ou religiosas, como Arménios, Judeus, Gregos, Curdos e muitos outros grupos pertencente a países vizinhos ou a países que pertenceram ao Império Otomano. Contudo destes grupos, o maior em termos de população são os Curdos, que representam cerca de 15%, e que continuam a não ser reconhecidos com grupo étnico.

Detentores de uma cultura e língua próprias, mas sendo muçulmanos Sunitas, assim como os Turcos, nunca foram oficialmente reconhecidos, nem as regiões onde vivem, predominantemente na zona este e sueste da Turquia, foram apoiadas e desenvolvidas em paralelo com outras zonas do país, o que levou a um maior sentimento de exclusão quer continua até hoje a causar conflitos, e ansiando talvez por um Curdistão “a terra dos Curdos”.

Recentemente (Setembro 2015) ocorreram alguns conflitos na zona Este da Turquia, que levaram ao encerramento temporário da ligação ferroviária Trans-Asia Express que cruza a província de Van, junto à fronteira do Irão.

 

Atatürk

O “pais dos Turcos” está um pouco por todo o lado. Não se pode dizer que seja uma figura venerada, mas sem dúvida que é uma figura respeitada cuja imagem se encontra presente em muitos locais públicos, como lojas, restaurantes, cafés, hotéis… e nas notas de Liras Turcas.

Mustafa Kemal, de cognome Atatürk, tendo governado o país durante dezoito anos, representa um ponto de viragem na história da Turquia, criando medidas e reformas que mudaram radicalmente a política, justiça, economia e a sociedade, transformado a Turquia numa sociedade laica, mais próxima dos padrões europeus. Desenvolveu a industria, deu prioridade à educação, conferiu às mulheres igualdade política e social, baniu a poligamia, e aboliu o sistema político baseado nos Califados, onde o poder político estava reservado a religiosos islâmicos.

O seu nome encontra-se em avenidas e praças e no aeroporto internacional de Istanbul, e é sem dúvida o principal responsável pela sociedade moderna e desenvolvida que é hoje a Turquia.

Atatürk
Atatürk

 

Da curta passagem pela Turquia ficou a impressão de um país moderno, orgulhoso do seu passado, onde persiste o peso da religião e das tradições.

 

Erzurum

Erzurum é uma cidade que atrai poucos visitantes estrangeiros, não oferecendo muito mais do que estâncias de ski.

Contudo a Universidade aqui existente atrai muita população jovem, o que dá alguma vida a uma cidade cinzenta e fria, mesmo numa altura do ano em que o Outono mal chegou e ainda estamos longe das frias temperaturas que cobrem as montanhas que rodeiam a cidade de neve, que dura até Abril.

Sendo uma zona mais conservadora em termos religiosos, talvez pela proximidade com o vizinho Irão, em Erzurum não é vendido álcool nos supermercados e restaurantes, existindo contudo alguns bares e lojas de venda de bebidas alcoólicas.

A estadia em Erzurum foi curta, tendo sido necessária no itinerário para a fronteira com o Irão.

Erzurum
Erzurum
Yakutiye Madrash, Erzurum
Yakutiye Madrash, Erzurum
Erzurum
Erzurum
Erzurum
casa tradicional a Erzurum Evleri que funciona como restaurante e casa de chá, mantendo ao mesmo tempo uma atmosfera de museu

Onde ficar:

Como existem poucos hotéis e muitas casas partilhadas pela população estudantil, a opção em Erzurum foi para o Couchsurfing, onde fomos recebidos por um grupo de estudantes oriundos de diferentes regiões da Turquia, que foram excelentes anfitriões, mostrando a cidade, partilhando pontos de vista sobre a sociedade, culturas e tradições turcas… e sobretudo partilhando deliciosa comida caseira. Um generosidade e hospitalidade muito especiais.

Couchsurfing Crew @ Erzurum
Couchsurfing Crew @ Erzurum

Onde comer:

Sem duvida que as melhores refeições foram as servidas em casa, confeccionadas pelos nosso anfitriões, e que foram optimos exemplos da comida tradicional turca. Contudo pelo centro da cidade existem os habituais restaurantes e casas de refeições rápidas como borek e pide.

Sobressaiu a pastelaria Lüks Pastanesi, pelo delicioso pequeno-almoço, assim como pela variedade em termos de pão e pastelaria.

Transportes:

O terminal de autocarros fica bastante distante da cidade. As principais empresas de transporte disponibilizam shuttles desde o terminal até ao centro, sem custos.

Bilhetes de autocarro podem ser adquiridos nos vários escritórios das empresas de transportes existentes na Nazik Çarsisi Caddesi, uma das ruas perpendiculares à avenida principal da cidade, a Kongre Caddesi.

Para quem pretende atravessar a fronteira terrestre com o Irão (Gurbulak–Bazargan) precisa de encontrar um autocarro de Erzurum para Doğubayazıt, a ultima povoação antes da fronteira.

É dificil encontrar informações sobre horários desta ligação. Contudo pelas 10 horas da manhã parte um autocarro do Terminal de Erzurum. É também possível comprar o bilhete numa das agências existentes no centro da cidade que providenciam transporte até ao terminal a até determinados pontos da cidade onde o autocarro passa quando sai da cidade.

Convém reservar, com pleo menos um dia de antecedência, pois geralmente o autocarro vai cheio.

A viagem demora umas 3 a 4 horas. Custa 30 TL.

Agência de venda de bilhetes de bus, onde se pode comprar bilhetes para a povoação de Doğubayazıt, ultima paragem antes da fronteira com o Irão
Agência de venda de bilhetes de bus, na Nazik Çarsisi Caddesi, onde se pode comprar bilhetes para a povoação de Doğubayazıt, ultima paragem antes da fronteira com o Irão.

A comida na Turquia

Depois dos primeiros dias em que palavras como borek, pide, dondurma, donner, baklava, lokum, gozleme, ayran soam estranhas e confusas, aos poucos vão-se tornado familiares ficando associadas a deliciosos sabores, a apetitosas refeições, e a gulosa pastelaria.

Definitivamente, a gastronomia Turca está longe de ser “amigável” para vegetarianos, pois quase todos os pratos são dominados pela carne, sendo muito popular o kebab, carne grelhada servida no pão. Mas o vasto território, desde o Mediterrâneo até Mar Negro, da Europa à Ásia, albergando vários grupos étnicos e absorvendo influências dos impérios que aqui passaram é rica e diversificada, onde uma curta estadia não pode fazer justiça à gastronomia deste país.

O Kuru Fasulye, um dos poucos pratos tradicionais turcos que é vegetariano, feito à base de feijão estufado, num molho à condimentado e ligeiramente picantes e servido com arroz. Muitas vezes o iogurte serve de acompanhamento às refeições turcas. Como acompanhamento, num país onde o álcool não é muito frequente, o yran é presença comum, uma bebida à base de leite fermentado, com sabor semelhante a iogurte e que pode ser por vezes ter um paladar salgado. É vendida em embalagens nos supermercados mas nos restaurantes tradicionais apresenta-se em cubas onde o yran circula, sendo mantido fresco e trazendo uma suave espuma quando é servido.

Os lacticínios são presença forte, como o iogurte, que se pode ainda encontrar feito de forma artesanal e o yran que acompanha as refeições, mas é o queijo que sobressai, não só pela grande variedade em termos de sabores, texturas e formas como é apresentado. Dominam os queijos “brancos” feitos à base de leite de vaca, sendo os também queijos curados menos populares.

O queijo é servido tradicionalmente ao pequeno-almoço, assim como as azeitonas, que se encontram numa grande variedade de temperos e “curas”.

O borek é também consumido pela manhã, mas pode-se encontrar ao longo do dia, em lojas que geralmente se dedicam à produção e venda destes snacks, como o borek e as pide, uma espécie de pizza à base de um único ingrediente: carne, espinafres, queijo… O borek consiste numa sucessão de camadas de massa filo, recheada de queijo, formando um rolo que é cozinhado no forno. Apesar de deliciosa, esta opção é bastante gordurosa.

Outra variante do borek é um massa semelhante à da lasagna, disposta por camadas num tabuleiro e recheada de queijo, ou por vezes espinafres ou carne. Os borek como as pide foram as melhores opções em termos de refeições ligeiros para vegetarianos na Turquia. Contudo, encontram-se muitos restaurantes, em especial em Istanbul, que servem refeições já confecionadas no sistema de snack-bar, com uma grande oferta de comida, sendo sempre possível de fazer uma refeição com base numa combinação de diferentes pratos.

Não pode passar despercebida as çorbası, sopas que se encontram em todos os restaurantes, existindo algum especializados neste tipo de refeição que é sempre servida com pão. A mais comum é a sopa de lentilhas, que pode apresentar diferentes aspectos desse o tom alaranjado aos tons mais castanhos, conforme o tipo de lentilha utilizado.

O gozleme, uma espécie de crepe de massa mais espessa, recheado de queijo, mas que também se pode encontrar com espinafres ou carne. Encontra-se um pouco por todo o lado, podendo servir como refeição, ou como snack a meio do dia. Tradicionalmente é confecionada numa chapa metálica aquecida pelo fogo mas pode ser também cozinhada numa frigideira.

As pastelarias, em Turco Pastanesi, são uma das primeiras coisas que chamam a atenção à chegada a Istanbul, vendendo também pão mas focadas essencialmente no doces, desde bolos, biscoitos… e as famosas baklava um doce feito com massa filo, embebida num xarope de açúcar ou mel e recheada com diverso tipos de frutos secos como amêndoa, pistácio e nozes. Mito populares são também os lokum, um doce com uma textura que faz lembrar a gelatina mas consistente, à qual se dá a forma de rolos que depois são cortados e cobertos de açúcar me pó. Sem duvida de que o mel e os frutos secos são um dominador comum à pastelaria turca, que se mostra elaborada e intensa.

Como em todo o mundo, o pão aqui representa um papel importante da alimentação, apresentando-se de muitas formas, desde argolas cobertas de sementes de sésamo ou girassol, o popular simit, a pães achatados de diferentes espessuras ou outros longos e estriados…. numa grande variedade e riqueza de sabores.

Sendo um país vasto e com uma grande mistura de culturas, a Turquia, oferece uma grande variedade de gastronomia que não foi possível conhecer em tão pouco tempo de viagem.

Contudo um tópico sobre gastronomia turca não pode ficar completo sem a referência ao café e ao chá. O tradicional café turco, resultante de uma moagem muito fina à qual é adicionada água a ferver e depois é levada ao lume, mas sem deixar que a mistura entre em ebulição, é servida em pequenas chávenas e bebida lentamente saboreando o suave paladar do café. No fundo da chávena, ficam as borras, formando uma pasta espessa e escura, que segunda a tradição pode revelar os “segredos” do futuro; para isso é necessário virar a chávena sobre o pires e deixar os restos do café arrefecerem e escorrerem, deixando um rasto na chávena que depois é interpretado por que nisso é instruído, chegando a existir serviços online que com base numa fotografia dos restos do café emitem uma previsão do futuro.

Mas é o chá, aqui chamado chai, que ganha como bebida nacional, sendo bebido logo pela manhã assim como ao longo do dia, servindo de justificação para uma pausa no dia de trabalho, para um encontro de amigos, para uma conversa de “café” e claro, a forma de receber visitas, seja em casa ou num aloja de venda de carpetes.

E aqui na Turquia pode-se mesmo falar do culto do chá, onde a forma como é preparado e servido, em pequenos copos de vidro. À semelhança de outros países como a Rússia e o Irão, a preparação do chá é muitas vezes feita no somovar que consiste num recipiente colocado sobre o fogo, onde se aquece a água até ferver; no topo encontra-se um bule, também metálico, onde é preparado o chá, que após a mistura das folhas na água é deixado a repousar uns minutos. Uma pequena quantidade deste chá é vertida para os copos, sendo depois acrescentada água, que é mantida quente na base do somovar.

uma das muitas variantes da baklava, um doce feito com massa filo, embebida num xarope de açúcar ou mel e recheada com diverso tipos de frutos secos como amêndoa, pistácio e nozes
uma das muitas variantes da baklava, um doce feito com massa filo, embebida num xarope de açúcar ou mel e recheada com diverso tipos de frutos secos como amêndoa, pistácio e nozes

 

baklava, numa outra variante recheada de pistácio
baklava, numa outra variante recheada de pistácio

 

Hafiz Mustafa, uma loja centenária de 1864, especializada em baklava
Hafiz Mustafa, uma loja centenária de 1864, especializada em baklava

 

o queijo é uma presença constante na gastronomia turca, encontrando-se em dezenas de variantes
o queijo é uma presença constante na gastronomia turca, encontrando-se em dezenas de variantes

 

Kurukahveci Mehmet Efendi, marca de café que é uma referência na Turquia; pode ser encontrada em supermercados um pouco por todo o país, mas é em Istanbul, junto ao Spice Bazar que se encontra uma loja onde se faz a moagem e a embalagem do café, numa pequena área onde trabalham freneticamente uma dúzia de empregados tentando atender as dezenas de pessoas que constantemente fazem fila junto às duas janelas que servem de balção de venda
Kurukahveci Mehmet Efendi, marca de café que é uma referência na Turquia; pode ser encontrada em supermercados um pouco por todo o país, mas é em Istanbul, junto ao Spice Bazar que se encontra uma loja onde se faz a moagem e a embalagem do café, numa pequena área onde trabalham freneticamente uma dúzia de empregados tentando atender as dezenas de pessoas que constantemente fazem fila junto às duas janelas que servem de balção de venda

 

casa de chá em Erzurum, onde o samovar ocupa o centro da mesa e de onde é servido o chá.
Casa de chá em Erzurum, onde o samovar ocupa o centro da mesa e de onde é servido o chá.

 

forma tradicional de cozinhar o gozleme, numa chapa metálica sobre fogo
forma tradicional de cozinhar o gozleme, numa chapa metálica sobre fogo

 

gozleme recheado de queijo e espinafres
gozleme recheado de queijo e espinafres

 

lokum
Lokum, outros dos doces mais populares na Turquia, rivalizando cam a Baklava

 

Pastanesi, que vende pão e pastelaria
Pastanesi, que vende pão e pastelaria

 

pide, uma espécie de pizza de forma oval que pode ser recheada com queijo, espinafres, ovo e carne
Pide, uma espécie de pizza de forma oval que pode ser recheada com queijo, espinafres, ovo e carne

 

sütlaç (rice pudding) um pudim à base de leite com arroz, cozinhado no forno e servido com topping de pistácio e amêndoa. Encontra-se nas pastelarias e lojas de doces mas este foi “descoberto” num vendedor ambulante junta a Galata Tower em Instanbul
sütlaç (rice pudding) um pudim à base de leite com arroz, cozinhado no forno e servido com topping de pistácio e amêndoa. Encontra-se nas pastelarias e lojas de doces mas este foi “descoberto” num vendedor ambulante junta a Galata Tower em Instanbul

 

 

yran, bebida à base de leite fermentado, com sabor semelhante a iogurte e que pode ser por vezes ter um paladar salgado
Yran, bebida à base de leite fermentado, com sabor semelhante a iogurte e que pode ser por vezes ter um paladar salgado

 

Turkish Coffee servido em pequenas chávenas
Turkish Coffee servido em pequenas chávenas

 

Kuru Fasulye um prato tradicional, um dos poucos pratos que é vegetariano
Kuru Fasulye um prato tradicional, um dos poucos pratos que é vegetariano

 

simit, um dos pães mais populares na Turquia
simit, um dos pães mais populares na Turquia, num país onde o pão é levado muito a sério encontrando-se imensas variedades; particularmente interessante são os pães recheados com pasta de azeitona

 

pequeno-almoço Turco onde pão, tomate, azeitonas, pepino, ovos, e uma grande variedade de queijos estão sempre presentes. A isto acrescenta-se compotas e mel
pequeno-almoço Turco onde pão, tomate, azeitonas, pepino, ovos, e uma grande variedade de queijos estão sempre presentes. A isto acrescenta-se compotas e mel
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

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