• Skip to main content
  • Saltar para o rodapé

Stepping Out Of Babylon

Travel & Photography

  • Sobre mim
    • Contacto
  • Destinos
    • África e Médio Oriente
      • Irão
      • Líbano
      • Marrocos
      • Turquia
    • Extremo Oriente
      • Japão
      • República Popular da China
      • Taiwan (Formosa)
    • Subcontinente Indiano
      • Bangladesh
      • India
      • Nepal
      • Sri Lanka
    • Sudoeste Asiático
      • Camboja
      • Indónesia
      • Malásia
      • Myanmar
      • República Popular do Laos
      • República Socialista do Vietname
      • Singapura
      • Tailândia
  • Itinerários
  • Dicas de viagem
    • Caminhadas & Parques Naturais
    • Comida em Viagem
    • Travessia de Fronteira
    • Vistos
  • Fotografia

Stepping out of Babylon

Momos tibetanos

Ao oitavo dia, quarta-feira… entrámos no espírito das montanhas J e decidimos fazer uma aula de momos, prato típico do Tibete. Estamos na Índia, é verdade… mas aqui a comunidade de tibetanos é grande e desde que o Dalai Lama tornou Mcleod Ganj sua casa, estes primos dos “dumplings” nasceram e ficaram para satisfazer os Budistas mais vorazes.

Em Mcleod Ganj, Bhagsu e Dharamkot, vendem-se na rua, nos restaurantes e nos pequenos espaços improvisados no cimo da montanha… pequenas formas de nuvens.

A primeira experiência, foi à porta do templo do Dalai Lama, uma mão cheia de momos frescos, saiam de um balde de plástico, em direção à panela de vapor, que poisava sob uma caixa de lume improvisada. A panela de cozer a vapor tinha dois níveis e estava cheia de momos, uns já prontos a servir e outros ainda a cozer. Indianos rodeavam a senhora, debatendo o preço constantemente, não queriam pagar as 10 rupias pelos quatro momos servidos, uma vez que tinham sido muitos a encomendar, o preço teria que ser mais baixo…

Pedimos quatro momos, que nos serviram com molho picante feito de malagueta vermelha, intenso e extremamente forte, tocámos o “vermelho”, para saborear o primeiro Momo de batata, em formato mais tosco e redondo que o normal, mas de sabor aromático e fofo. Foi uma boa descoberta…

Os primeiros momos foram experimentados à porta da residência do Dalai Lama
Os primeiros momos foram experimentados à porta da residência do Dalai Lama
Os primeiros momos foram experimentados à porta da residência do Dalai Lama
Os primeiros momos foram experimentados à porta da residência do Dalai Lama

Continuando a aprofundar a culinária tibetana, fomos almoçar ao restaurante “Tibetian Kitchen”, junto ao templo budista de McLeod Ganj, que vemos sempre cheio de tibetanos, pois pensámos que este pequeno restaurante fosse o ideal para nova jornada de momos. Sala cheia, disseram-nos para entrar pela porta ao lado que tinham mais salas, percebemos que o “pequeno restaurante” se multiplicava por mais três pisos do edifício adjacente. Tibetanos, turistas e indianos povoavam as salas, fazendo-nos subir os três andares do edifício para encontrar-mos uma mesa vaga. Pedimos um prato de momos vegetarianos, por cerca de 80 rupias, uma Tupka, uma sopa de vegetais e noodles, o Fry Thinthuk, que é uma massa muito larga, em pequenas tiras, que é salteada com vegetais e um pão tibetano chamado Tingo (pálido, elástico e cozido a vapor).

Estes momos, mais trabalhados e de massa mais fina, estavam recheados de couve, cenoura e cebola, o sabor dos vegetais era suave e autêntico e foram servidos ao lado de uma taça com um caldo insípido de coentros, sendo o método tradicional, mergulhar o momo no caldo, tornando a massa envolvente mais fresca e húmida. Os legumes cozidos a vapor ficam mais crocantes e frescos, o sal é pouco e as especiarias são nulas, tornando este prato bastante saudável e aromático, com uma simplicidade subtil, normalmente difícil de alcançar no ponto certo….

Momos do Takhyil Peace Restaurante.
Momos do Takhyil Peace Restaurant

Decidimos no dia seguinte entrar no “Takhyil Peace Restaurant” e experimentar mais uns momos. Estes de recheio igual aos anteriores, à base de couve e cenoura, mas mais aromáticos, foram comidos acompanhados de molho de soja (o melhor que experimentei até agora) de sabor mais suave e consistente, que ligava na perfeição com o sabor dos vegetais. Apesar do formato não ser perfeito, o sabor e a textura estavam no ponto certo. Com a bandeira do Tibete em fundo, agradecemos ao simpático tibetano pela refeição que nos serviu, sempre com um sorriso na cara.

Recheio de legumes crus, que fizemos previamente, de couve e espinafres
Recheio de legumes crus, que fizemos previamente, de couve e espinafres
estender a masa e dividi-la em porções
estender a masa e dividi-la em porções
estender a massa para rechear os momos
estender a massa para rechear os momos
mesa cheia de momos
mesa cheia de momos
estender a massa para rechear os momos
estender a massa para rechear os momos
dar a forma aos momos doces
dar a forma aos momos doces
dar a forma ao momo
dar a forma ao momo

Quarta-feira era o dia da nossa aula de momos, chegamos por volta das onze da manhã, estando já três israelitas nas suas posições estudantis em frente à mesa de trabalho. Os alunos foram chegando e a mesa foi enchendo, sendo no final dez pessoas à volta da pequena estrutura de madeira. Éramos portugueses, israelitas e ingleses numa casa indiana, a ter uma aula de comida tibetana; pagámos previamente 300 rupias, cerca de 4.5€ por pessoa para uma aula de duas horas, que já tinha sido cancelada na segunda-feira, fazendo a expectativa aumentar na ultima hora 😉

O professor tibetano, falava um inglês perceptível e a aula começou com a explicação dos ingredientes que íamos utilizar e os tipos de momos que íamos preparar: dois salgados, um de couve, cenoura e cebola e outro de espinafres com queijo, terminando com um momo doce recheado com uma mistura de óleo, açúcar, sésamo e farinha… neste ponto os asiáticos nunca me surpreendem, sendo geralmente sobremesas demasiado doces e estranhas de sabor e textura, para o meu gosto e esta infelizmente não foi exceção.

O método de fazer a massa, perceber o ponto e a textura, o tempo de descanso, o amassar e esticar, aprender as técnicas de formar os característicos momos, tornou toda a aula mais interessante.

Em quinze minutos que levaram a cozer os momos, o cheiro a gás encheu a sala e sai para fumar um cigarro… Sem entrar em mais em pormenores culinários, o processo ficou registado em algumas fotos da aula… estavam bons e foram duas horas bem passadas, não sobrando nenhum para contar a história 😉

momo doce
o meu primeiro momo 😉
momos prontos para cozer a vapor
momos prontos para cozer a vapor
momos prontos para cozer a vapor
momos prontos para cozer a vapor
momos prontos para cozer a vapor
momos prontos para serem degustados

Supermercado espiritual?!?!

Tanto Mcleod Ganj como Dharamkot e Bhagsu são locais de eleição para quem se interessa por meditação e yoga. Aqui podem-se fazer cursos e realizar retiros de meditação Vipassana ou de Budismo.

Existe também uma vasta oferta de terapias holísticas e esoterismo: panchakarma, reiki, massagem tibetana, om, russa, thai, thai-yoga ou ayurvedica, leitura da aura, reflexologia, tarot, tai-chi, regressão, astrologia védica, terapia sacro-craniana, meditação tântrica, hipnose…

Existem também, cursos de culinária indiana e tibetana, joalharia, macramé, aulas de hindi, entalhe em madeira, tricot e aulas de música, existindo aqui inúmeras escolas que ensinam a tocar, tablas, citar, didgeridoo, djambé e de flauta. Isto proporciona inúmeras possibilidade de assistir a concertos em cafés e chill-out que podem surgir de forma espontânea; em contrapartida somos por vezes atormentados com o som de algum aluno a ensaiar arduamente. Os estudantes de Flautas estão a dar cabo de nós 😉

Toda esta oferta permite ocupar os dias aos inúmeros visitantes, maioritariamente europeus, que se demoram semanas ou meses por estas montanhas. Contudo oferece também uma faceta mercantilista, em que se torna difícil destingir a honestidade do oportunismo com que se procura cativar, pelas mais criativas formas, o dinheiro dos ocidentais. A propósito transcrevo um excerto de um livro “Sadhus, going beyond the dreadlocks” de Patrick Levy que descreve a impressão com que ficámos do ambiente que se vive por aqui.

“Since the arrival of tourist, there are ashram for westerners: the all-in-one spiritual supermarket, offering those who arrive with preconceived ideas of Hinduism and confortable asceticism, programs of yoga, and relaxation, meditation, ayurvedic treatments, health and well-being, and spice free vegetarian meals. Everything is à la cart, with extras if needed, but sadhus are not welcome in these places.”

Bhagsu
Bhagsu
Bhagsu
Bhagsu

Do que fomos sabendo por algumas pessoas, este é um dos locais que sofreu uma grande mudança nos últimos anos devido ao aumento do numero de visitantes, e que neste momento deve estar a atingir o limite da sustentabilidade, pois por toda a encosta se encontram construções recentes e muitos edifícios em construção ou em ampliação, cada vez maiores, destinados ao alojamento turístico e a restaurantes, fazendo com que se vá perdendo o ambiente rural que ainda persiste em zonas mais afastadas das ruas principais e que de certo cativa e cativou muitos dos visitantes.

Contudo este crescimento não é minimamente planeado nem organizado, não se criando infraestruturas como o saneamento básico ao o abastecimento de água. Falhas no fornecimento de eletricidade também são frequentes; sempre que chove falta a luz… quem disse que a água era um bom condutor elétrico?!?!?!?!

Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Bhagsu. Vista do nosso quarto no Hotel Sye Pie.
Bhagsu. Vista do nosso quarto no Hotel Sye Pie.
Hotel Sye Pie.
Hotel Sky Pie em Bhagsu. O habitual balde que serve para as lavagens após a ida a retrete, pois aqui  papel higiénico é coisa para estrangeiros, custando cada rolo cerca de 40 INR=60 centimos.
Hotel Sye Pie.
Hotel Sye Pie.
DSC_7832
Hotel Sky Pie em Bhagsu

Himalayas: Mcleod Ganj. Dharamkot. Bhagsu

Em vez das persistentes buzinas e do ruído do tráfego automóvel de Delhi, dos chamamentos do imã das mesquitas de Jaipur, ou do som dos sinos tocados pelo fies nos inúmeros templos hindus de Pushkar, acordámos em Bhagsu ao ritmo dos djambés e do cantar dos pássaros. Definitivamente estamos numa outra Índia, até agora completamente desconhecida para nós, e não foi só o clima e a paisagem que mudaram.

Trocámos as habituais ventoinhas de tecto, que tornavam possível uma noite de sono, pelos cobertores, pois o clima aqui é influenciado pelos Himalaias, que proporcionam, nesta altura do ano, manhãs frescas, dias quentes mas sempre com a brisa fresca que vem dos picos nevados das montanhas próximas e noites frias.

Ao principio estranha-se sempre a chegada a um novo local. Estranha-se a paisagem, as pessoas, as ruas, o clima, o hotel, o colchão, tenta-se descobrir nas manhas da fechadura do quarto ou o funcionamento das torneiras, os melhores sítios para comer, o melhor chai…. à primeira vista os locais onde chegamos nunca nos parecem convidativos: confusos e de certa maneira parecidos, mesmo tendo percorrido centenas de quilómetros. Com o passar dos dias vamo-nos familiarizando com o que nos rodeia, criando hábitos e rotinas que nos permitem conquistar novamente a nossa “zona de conforto”.

A paisagem que nos rodeia é de montanha, totalmente coberta de árvores, maioritariamente por uma espécie semelhante aos pinheiros do norte da europa, encontrando-se por toda a encostas, nas zonas mais baixas, aglomerados de casas com os seus característicos telhados de placas de xisto, rodeadas de pequenos campos de cultivo, geralmente de trigo, em socalcos conquistados à forte inclinação da encosta.

Uma das maiores cidade do estado de Himachal Pradesh é Dharamsala (1219m), mas aí pouca gente fica, apesar da vista que de lá se tem para os picos cobertos de neve. Poucos quilómetros mais acima, encontra-se a vila de Mcleod Ganj, que surgiu no “mapa” desde que aqui se estabeleceu o Dalai Lama. Com o aumento do turismo, as povoações vizinhas, como Dharamkot e Bhagsu, onde estamos alojados, foram crescendo e espalhando-se pelas encostas praticamente ligando-se umas às outras por caminhos pedonais. Por todo o lado existem casa que alugam quartos, pequenos restaurantes, cafés, chill-outs, pequenos postos de venda de fruta e algumas lojas que vendem artigos de higiene e comida, essenciais à “sobrevivência” de um ocidental.

Bhagsu, situada a cerca de 2000 metros de altitude, consiste em pouco mais do que numa rua principal que vai ter a um templo hindu, e uma outra, perpendicular, que sobe pela encosta quase a 45 graus de inclinação. Ambas estão inundadas de lojas de roupa, com artigos de caminhada ou roupa ao estilo hippie-freak europeu, artesanato tibetano…. proliferam guesthouses e restaurantes com o nome de “om star”, buddha delight, mystery café, laughing buddha, zion café, rainbow gathering, gipsy kings, ever green, sunset…

Não se encontra com facilidade a típica comida indiana vendida na rua, e mesmo os restaurantes indianos, maioritariamente do Punjab, servem também comida italiana, chinesa, tibetana, mexicana e israelita. De facto os israelitas conquistaram esta zona, encontrando-se por aqui em grande numero; no hotel onde estamos, o incaracterístico Sky Pie) devemos ser os únicos, juntamente com os empregados, que não somos de Israel 😉

Mcleod Ganj (1770m), que fica a pouco mais de 2 quilómetros de Bhagsu, é uma povoação maior, onde a presença tibetana é bem evidente, em restaurantes, lojas e livrarias, vendo-se monges e monjas, e muitas mulheres vestindo as roupas tradicionais do Tibete. Aí encontra-se o templo budista Tsuglagkhang, o complexo que alberga o dois templos budistas com as tradicionais rodas de bronze com inscrições de mantras, escolas, associações de apoio a refugiados, centros de arte e cultura, a residência oficial do actual Dalai Lama, assim como a sede do movimento de resistência à invasão chinesa.

O Tibete era reino autónomo, governado pela dinastia espiritual do Dalai Lama, tendo sido invadido, em Maio de 1949, pela China, pela mão do Exército Popular de Libertação. Desde então 1.2 milhões de tibetanos foram mortos e 90% do património cultural tibetano foi destruído. Entretanto mais de 250 mil tibetanos refugiaram-se na região de Dharamsala, onde o actual Dalai Lama, Tenzin Gyatso, se exilou e onde tem residido desde então.

Infelizmente a causa “Save Tibet” tem perdido o impacto na opinião pública internacional, e a crescente importância da China na economia mundial faz com que haja pouca esperança na mudança desta situação.

Floresta entre Bhagsu e Dharamkot
Floresta entre Bhagsu e Dharamkot
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Templo budista em Mcleod Ganj
Templo budista em Mcleod Ganj
Tsuglagkhang
Templo budista Tsuglagkhang
Tsuglagkhang
Templo budista Tsuglagkhang
Tsuglagkhang
Templo budista de Tsuglagkhang. Roda de oração em bronze que são postas a girar pelo fiés lançando orações em todas as direcções, ao mesmo tempo que contornam o edificio, sempre no sentido dos ponteiros do relógio
Local onde se efectua o ritual de prostração que os budistas realizam junto aos templos
Local onde se efectua o ritual de prostração que faz parte das orações budistas
Memorial aos individuos que este ano já se imolaram pelo fogo em nove da libertação do Tibete
Memorial aos individuos que este ano já se imolaram pelo fogo em nome da libertação do Tibete
Movimento de Libertação Tibetano
Movimento de Libertação Tibetano
Tsuglagkhang
Templo budista de Tsuglagkhang. Rodas de oração
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj
Venda de algodão-doce na estrada entre Mcleog Ganj e Bhagsu
Venda de algodão-doce na estrada entre Mcleog Ganj e Bhagsu
Café/restaurante em Dharamkot
Café/restaurante em Dharamkot
A atestar a forte presença israelita na zona, eis a carrinha onde o "messias" de desloca
A atestar a forte presença israelita na zona, eis a carrinha onde o “messias” de desloca

… do deserto do Rajastão aos Himalaias

“when you are stranger, people are strange…” excerto de uma música dos The Doors.

Quando nos afastamos dos locais frequentados por ocidentais, perdemos o olhar cúmplices de outros estrangeiros com quem nos cruzamos e sentindo-se uma empatia natural, mesmo sem nos conhecermos ou termos trocado uma palavra, fazendo-nos sentir pequenos e insignificantes.

Mas quando iniciamos viagem e nos perdemos na imensidão da Índia, parece que nos diluímos na multidão, e apesar de sermos o centro das atenções somente recebemos olhares de curiosidade, raramente se conseguindo quebrar a barreira formada por culturas tão distintas. Não temos as mesmas referências ou os mesmos hábitos, não partilhamos a mesma religião, não falamos a mesma língua e nem a linguagem gestual é a mesma.

Em locais com muita gente, como são as estações de comboios, parece que somos engolidos pela massa humana, como se fossemos uma pequeno barco a deslocar-se contra a corrente. Solitários num mar de gente.

Todas estas considerações resultaram da mais longa viagem que fizemos nesta segunda visita à India; saímos de Pushkar, no Rajastão com destino a McLeod Ganj, no estado de Himacal Pradesh.

Foram mais de 24 horas de viagem; não sei quantos quilómetros pois por aqui o que conta é mesmo o tempo de duração da viagem.

Saímos pela hora de maior calor de Pushkar, pelo que tivemos que apanhar um tuk-tuk para nos levar à estação de camionetes, ou melhor, ao descampado de terra batida onde para os autocarros, à entrada da cidade, para nos levar a Ajmer.

Daqui embarcamos na grande aventura que é andar de autocarro, nas carreias normais, em veículos pertencente à empresa governamental. Os veículos estão num péssimo estado de conservação, tanto exterior como interior, sujos e desconfortáveis. As estradas são geralmente más e a lotação ultrapassa muitas vezes o limite. Tudo isto torna as viagens neste tipo de veículos penosas apesar do colorido provocado pela massa humana.

Os veículos estão muitas vezes decorados com imagens de divindades hindus e podemos ter a companhia de música indiana ao estilo bollywwod. Existe sempre um “pica” que cobra os bilhetes e dá ordens para que se consigam encaixar mais passageiros, num veículo já cheio de gente e bagagens; velhotes ou mulheres com crianças não têm tratamento preferencial, indo muitas vezes sentados no chão.

Geram-se momentos de confusão, por vezes com discussões, muito barulho, muitos encontrões, o que somado com o calor fazem com que meia-hora de viagem pareçam uma eternidade.

Esperava-nos uma viagem de comboio de Ajmer para a estação de Chakkin Bank, que deve ser tão insignificante que nem vem no mapa nem no nosso guia de viagem, e que se iniciou pouco depois das duas da tarde e durou até às 8 da manhã do dia seguinte, duas horas depois do previsto.

Como era uma viagem longa, escolhemos lugares nas carruagens com três camas. Foi uma viagem agradável enquanto percorríamos as planícies secas do Rajastão. A passagem por Delhi, já durante a noite criou alguma confusão com a entrada de novos passageiros, tendo-nos calhado no nosso compartimento quatro mulheres com três crianças pequenas; tememos o pior, mas revelou-se uma noite calma, que terminou bem cedo pelas 6 da manhã, com o habitual reboliço.

Chegados à estação de comboios de Chakkin Bank, tivemos que negociar com um tuk-tuk a viagem até à estação de autocarros de Pantankot, já no estado de Himalacal Pradesh. Foi uma viagem na parte de trás do veículo, que geralmente ocupamos com as nossas mochilas mas que desta vez ainda levou mais 5 passageiros e respectiva bagagem, por mais uma feia e incaracterística cidade.

Chegados ao terminal de autocarros de Pantankot, enquanto esperávamos comemos um dos tradicionais pequenos almoços dos indianos, as chamuças, que são servidas com um molho tipo carril ou somente um molho picante, a que chamam chutney (que não tem nada a ver com o que nós conhecemos por esse nome).

Pareceu-nos o repasto de um rei, pois a comida durante a viagem do comboio foi escassa e não íamos preparados com provisões.

Aqui começa mais uma viagem alucinante de autocarro pelas estradas montanhosas, em mais um veículo decrépito, que durou 4.5 horas para percorrer os 98 quilómetros que nos separavam do nosso destino: Dhramsala.

Chegamos espapaçados a Dhramsala onde apanhamos um táxi, pois mais uma viagem de autocarro estava fora de questão, para nos levar ao local que escolhemos para ficar: Bagshu, situado a 2100 metros de altitude já na cadeia montanhosa que forma os Himalaias.

Estação de autocarros de Pantankot, onde estavam estacionados estes veículos que funcionam como taxis mas que parece que saíram do filme Mad Max... apocalípico
Estação de autocarros de Pantankot, onde estavam estacionados estes veículos que funcionam como taxis mas que parece que saíram do filme Mad Max… apocalíptico
Mcleod Ganj
Mcleod Ganj

Viajar de comboio na India

Viajar pela Índia de comboio é um clássico. Obrigatório.

Os caminhos de ferro indianos transportam mais de 12 milhões de passageiros por dia! E empegam mais de 1.6 milhões de trabalhadores, sendo um dos maior empregadores do mundo. São cerca de 60.000 quilómetros de linhas, fazendo com que a rede de caminhos de fero indianas seja a maior do mundo, sendo também a que tem mais acidentes.

Fazem uma boa cobertura do país e são a melhor forma de fazer viagens de longa distância permitindo passar uma noite com algum conforto. De dia não são tão confortáveis pois os assentos, apesar de almofadados, são corridos e não dispões de braços.

A compra de bilhetes nunca é tarefa fácil pois é necessário preencher um impresso, com o nome, idade dos passageiros, origem e destino da viagem, numero e nome do comboio, o tipo de classe, tipo de comida (vegetariana ou não-vegetariana) assim como os dados da pessoa que está a adquirir os bilhetes.

Quanto ao número e nome do comboio temos sempre que nos dirigir a um balção de informações, pois a informação apresentada nos placares é demasiado complexa para nós, e tentar comunicar com o funcionário, nem sempre muito diligente, através de um orifício no vidro do balcão, sobrepondo a nossa voz e afinando o ouvido para perceber alguma coisa sobre o ruído de fundo típico das bilheteiras. Existe uma fila especial para estrangeiros, cidadãos séniores, indivíduos com deficiências, jornalistas e “freedom fighters”… seja lá isso o que for. Mas este privilégio não nos poupa a termos que lutar pelo nosso lugar na fila, pois é frequente tentarem-nos passar à frente.

A escolha de ar-condicionado implica um aumento no custo dos bilhetes mas pode representar também um aumento significativo de conforto em viagens longas. Contudo uma viagem em carruagens sem ar-condicionado permite ver melhor a paisagem (pois geralmente vidros baços ou sujos) e sentir aproveitar o vento que entra pelas janelas ou mesmo viajar sentado junto à porta, sentido os cheiros e vendo a paisagem deslizar.

De contar com atrasos na chegadas dos comboios e com longas paragens em algumas estações, que podem durar mais 20 minutos.

Em algumas classes são servidas refeições, mas para os bilhetes mais baratos é vendida comida, água, sumos e chá pela companhia de caminhos de ferro indiana, a Indian Rail. Em cada estação existem vendedores com bancas espalhadas ao longo do cais que vendem bebidas, bolachas, chá e snacks, como chamuças.

Para a compra de bilhetes de ultima hora ou para quando estes já estão esgotados, o que pode acontecer com semanas de antecedência, pode-se recorrer ao TATKAL; são criadas mais carruagens e os bilhetes são postos à venda cinco dias antes da viagem, logo pelas 8 da manhã. O custo é acrescido de 50 a 200 INR, conforme a classe.

Existe também uma cota específica para estrangeiros.

Os bilhetes podem ser comprados nas estações de comboios, on-line ou em inúmeras agências de viagem que se encontram espalhadas por toda a India, aumentando o seu número nos locais mais frequentados por turistas. O acréscimo de custo que pode ir para além das 400 INR.

Os comboios indianos apresentam as seguintes classes, por ordem crescente de preço:

1A – First AC

Compartimos fechados de 2 ou 4 camas com casa de banho. São fornecidos lençóis, almofada e cobertor. As camas convertem-se em assentos para viajar durante o dia. Ar-condicionado.

Não existem em todos os comboios estando reservado para serviços de longa distância.

2A – AC Sleeper

Compartimos abertos, separados por cortinas, com 4 camas, dispostas por dois níveis mas com casa de banho partilhada. São fornecidos lençóis, almofada e cobertor. As camas convertem-se em assentos para viajar durante o dia. Ar-condicionado.

3A – AC Three Tier Sleeper

Esta classe é em tudo semelhante à AC2, com a diferença que são 6 camas por compartimento, dispostas por três níveis, que de dia permitem aos passageiros irem sentados e de noite, o encosto transforma-se na cama situada no nível intermédio. A carruagem, tem de um dos lado do corredor estes compartimentos ao passo que do outro lado se situam compartimentos mais pequenos, disposto longitudinalmente ao corredor, somente com dois níveis de camas, o que permite mais privacidade apresenta camas mais pequenas.

São também fornecidos lençóis, almofada e cobertor e tem ar-condicionado, assim como tomadas elétricas; dispõem de cortinas que permitem isolar o compartimento do corredor.

Já fizemos várias viagens nesta classe a até se consegue viajar com algum conforto, e mesmo dormir. Contudo o sono pode ser interrompido com a entrada de passageiros numa estação intermédia o que causa sempre alguma agitação e confusão. O dia, dentro do comboio começa cedo, pouco depois do nascer do sol, fazendo com que o passageiro da cama intermédia, se veja na obrigação de abandonar o seu posto para que os restantes passageiros se possam sentar.

Deve-se ter em conta que, mesmo com os lugares marcados, as mulheres indianas ficam preferencialmente na cama de baixo, o que é compreensível pois a subida para a cama intermédia ou a de cima obriga a alguma agilidade.

O ar-condicionado é tão forte que é recomendável o uso de casaco e durante a noite o cobertor faz algum sentido, mesmo sabendo que no exterior as temperaturas rondam os 30º.

Encontram-se alguns turistas a viajar nesta classe e com alguma facilidade se encontram pessoas que falem inglês o que são uma boa ajuda para saber onde estamos ou dizer o número de paragens até ao nosso destino.

1 – Fisrt Class

Compartimentos fechados de 2 ou 4 camas. Sem ar-condicionado e sem roupa de cama.

Está a ficar em desuso.

CC – AC Chair Car

Está geralmente disponível em comboios que fazem a ligação entre grandes cidades, em viagens e mais curta duração. Lugares sentados em confortáveis cadeiras reclináveis. Ar-condicionado. Têm lugares marcados, é oferecido o jornal e uma garrafa de água, é servido um chá, um snack e uma refeição ligeira; a comida não é grande coisa, sendo quase sempre (pelo menos nas viagens que fizemos pela Northern Railway) uns bolinhos de batata fritos, recheados de legumes ou uma chamuça.

Já fizemos uma viagem nesta classe, entre Jaipur e Agra.

SL – Sleeper Class

Muito semelhante à AC3, mas com menos conforto; não tem ar-condicionado nem cortinas. São na mesma três níveis de camas, que se transformam em assentos durante o dia, não é fornecida roupa de cama, nem comida. Tem lugares marcados.

Mais difícil de arranjar bilhetes pois é onde a maioria dos indianos viaja, em especial nos comboios de longa-distância. Não é a primeira escolha dos turistas e é difícil encontrar indianos que falem inglês, sendo a comunicação por gestos ou apontado para o nome da estação onde queremos sair.

Mesmo com a ventoinhas a funcionar, pode tornar-se extremamente quente, em especial nas longas paragens efectuados durante a viagem. As janelas, sempre com grades, podem ser fechadas com um vidro ou com uma persiana metálica.

Já viajamos nesta classe e o calor tornou-se tormentoso, poucas horas depois do nascer do sol, em especial, na cama situada junto ao tecto, onde o metal do comboio escalda.

2S – Second Sitting

Lugares reservados e carruagens sem ar-condicionado mas com ventoinhas no tecto. Têm pouco espaço para bagagens pelo que muitas das vezes obriga à ocupação do corredor.

Os bancos são almofadados, mas corridos, com três lugares de cada lado do corredor.

Recomendável para pequenas viagens.

Viajamos nesta classe entre Jaipur e Ajmer, que durou pouco mais do que duas horas e meia.

UR/GEN – Unreserved

Lugares sentados em banco de madeira ou de plástico, com três lugares de cada lado do corredor. Sem ar-condicionado e sem lugares marcados.

Pouco recomendável para longas viagens.

Nunca viajamos nesta classe, mas pelo que se vê dos outros comboios com que nos cruzamos nas estações vêm sempre apinhados.

CC - AC Chair Car
CC – AC Chair Car
CC - AC Chair Car
CC – AC Chair Car
UR/GEN - Unreserved
UR/GEN – Unreserved
UR/GEN - Unreserved
UR/GEN – Unreserved
2S
2S (segunda classe)
Primeira classe
Primeira classe
Primeira classe, com compartimentos fechados
Primeira classe, com compartimentos fechados

 

O quotidiano em Pushkar

Até à alguns anos atrás Pushkar era pouco mais do que uma rua de se desenvolvia ao longo do lago, dando acesso aos principais gahts, com algumas lojas dedicadas à venda da parafernália dedicada à realização do puja. Hoje já são poucas essas lojas, tendo surgido inúmeras lojas, cafés e restaurantes dedicados ao turismo tanto nacional como estrangeiro.

Mesmo assim, dado que é uma cidade sagrada, mantêm-se algumas regras como a proibição de comer comida não-vegetariana, fumar (se bem que nem sempre é respeitado) e beber álcool. Junto aos ghats é proibido andar calçado ou mesmo pousar os sapatos no chão. Alguns peregrinos chegam mesmo a fazer a percorrer a povoação descalços.

Aqui encontramos lojas de CD, escolas de yoga, centros de meditação, escolas e dança indiana, padarias alemãs (seja lá isso o que for), venda de papel higiénico, restaurantes com comida ocidental que vai desde pizzas a comida mexicana ou tibetana sem esquecer as especialidades israelitas e várias livrarias, coisa rara nos locais por onde temos passado… muito livros de yoga, ayurveda, hinduísmo, Osho, Paulo Coelho, Deepak Chopra, Murakami, Naipul, Paul Theroux e muita mais literatura estrangeira, tanto em inglês, como em francês ou mesmo em hebraico.

 Os nossos pequenos almoços deixaram de ser chamussas ou lassies para passarem a ser torradas ou papas de aveia com banana e mel. Tudo isto faz com que a comida seja mais cara e não tão boa como estávamos a ficar habituados.

Mesmo assim continuamos a comer comida tradicional indiana, sempre vegetariana, às outras refeições, conseguimos comer os tradicionais thalis, que consiste numa refeição servida num prato metálico, com várias pequenas taças ou concavidades destinadas a três porções de comida: sopa de lentilhas, carril de legumes, outro carril de legumes, por vezes um achaar (uma espécie de pickle) e sempre acompanhado por puris, chapatti. Por vezes pode ter também um doce ou iogurte.

No penúltimo dia da nossa estadia em Pushkar podemos assistir ao encerramento dos festejos Holi Fest, uma data importante no calendário das festividades hindus, onde são lançados ao ar pigmentos das mais variadas cores. Temos encontrado alguns vestígios desta festa em vacas e cães. Neste ultimo dia a festa que vimos consistia numa espécie de procissão, com música e dança, que percorre a rua principal de Pushkar, onde os habitantes desenham mandalas e outros desenhos no chão, com pigmentos em pó. O ritmo da festa é marcado pela música frenética e estridente, debitada em alto volume por um veículo adaptado para o efeito munido de poderosos altifalantes. A fechar o cortejo vinha outro veículo que transportava o ruidoso gerador a gasóleo de forma a alimentar a carro do som e as iluminações transportadas por alguns dos crentes que acompanhavam a procissão.

Dia 11 de Abril fomos recebidos pelos donos do hostel onde estamos instalados com um “happy new year” que nos deixou um pouco perplexos. A pesar de na Índia se seguir o calendário internacional, os hindus têm o seu próprio calendário. vão no ano de 2070. Não encontramos festejos muito significativos, ao contrário do que estávamos à espera, com exceção do aumento do número de peregrinos nos templos.

Ultimo dia das celebrações do Holi Festival (no dia 27 de Março), o festival das cores, onde pigmentos em pó são lançados em ambiente de festa.
Ultimo dia das celebrações do Holi Festival (no dia 27 de Março), o festival das cores, onde pigmentos em pó são lançados em ambiente de festa.
Pushkar. Rua principal também chamada de Main Bazar, que se desenvolve entre a estação de camionagem e o principal templo, o Brahma Temple
Pushkar. Rua principal também chamada de Main Bazar, que se desenvolve entre a estação de camionagem e o principal templo, o Brahma Temple
DSC_7682
Cortejo de encerramento das festividades do Holi Fest; este pequeno veiculo munido de altifalantes que libertavam o estridente som que animava a festa
Decorações das ruas para a passagem do cortejo que transporta a imagem de uma divindade hindu
Decorações das ruas para a passagem do cortejo que transporta a imagem de uma divindade hindu
DSC_7678
fim de tarde junto ao lago
DSC_7630
Panner Butter Massala servido no Sun Set Café
DSC_7530
Pushkar
DSC_7629
Jantar no Sun Set Café
DSC_7602
Café Honeydew. Poiso frequentado por estrangeiros onde de podem encontrar os tipicos pequenos almoços ingleses, assim como batidos, tostas, chá, massala tea…
Café Honeydew. O poiso mais frequentado por ocidentais, onde juntamente com pratos indianos se podem encontrar os tradicionais pequenos almoços ingleses e continentais
Café Honeydew
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar
DSC_7634
O Baba mais famoso de Pushkar 🙂 ve-mo-lo sempre ao fim do dia junto a esta árvore perto do lago. São inumeras as pessoas, todas estrangeiras, que tiram fotografias com ele. Tem página no facebook e contacto telefónico. Mesmo desconhecendo o motivo de tal fama, reconhecêmos-lhe a simpatia.

https://www.facebook.com/maharajashiva1

Estamos instalados no Hotel Akash, que é explorado por um casal formado por uma alemã e por um indiano, e Eva e o Deepak. Fica situado numa rua secundária de Pushkar, mas a menos de 5 minutos do lago e do Brahma Temple, o principal templo da cidade.

O quarto é um pouco rústico mas é limpo e tem as condições necessárias para relaxarmos: casa de banho, janelas, toalhas, ventoinha e espaço, o que por 400 INR é bastante bom. No andar de cima temos um terraço que durante o dia é demasiado tórrido, o que nos leva a passar as horas de maior calor no piso de baixo, que forma uma espécie de pátio. O hotel está praticamente vazio, mas mesmo assim permitiu-nos ter contacto com um casal de inglês com vasta experiência de viagem pela Índia que nos deram preciosas informações. Nos ultimos dias da nossa estadia apareceram mais visitantes, um deles um português; já encontramos diversos conterrâneos aqui na India, tanto em férias como em viagens prolongadas.

http://www.hotel-akash.com/

Hotel Akash
Hotel Akash. Este foi o nosso refugio nas horas de maior calor, ou seja entre as 10 da manhã e a 4 da tarde… livros, musica, net, boa conversa… sempre com o aroma dos incensos que emprestam ao ar um aroma doce que contribui para o ambiente relaxante
DSC_7695
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash
Hotel Akash

DSC_7547

Hotel Akash
Hotel Akash
Ghats de acesso ago sagrado visto pela manhã do nosso ultimo dia em Pushkar
Ghats de acesso ao sagrado visto pela manhã do nosso ultimo dia em Pushkar

Depois de seis dias em Pushkar, decidimos partir para norte em direcção da Dharamsala, que se situa nas montanhas, e onde o lima é mais ameno. O plano de ficar até ao fim do mês de Abril pelo Rajastão foi alterado pois o calor desencoraja grandes viagens, e as cidades mais para oeste ainda têm temperaturas mais elevadas.

Espera-nos uma viagem de comboio de 16 horas.

Pushkar e o lago sagrado

Chegámos à quatro dias a esta povoação, situada a cerca de 2.5 horas de comboio a oeste de Jaipur. Continuamos no estado do Rajastão, mas avançar por paisagens cada vez mais áridas e despovoadas, à medida que nos aproximamos do deserto do Thar. Estamos longe de uma paisagem de dunas mas o solo é predominantemente arenoso e a vegetação escassa, mesmo tendo em conta que estamos a caminhar para os meses mais quentes do ano.

A cidade é famosa pela sua feira anual de camelos, que atrai inúmeros visitantes, mas para a população hindu, este lugar é um dos mais sagrados, pois foi onde o deus Brahma, deixou cair uma das três pétalas da flor de lótus que usou para matar um demónio. Onde caíram essas pétalas nasceu um lago, sendo Pushkar o maior e o que atrai mais peregrinos.

Não é de espantar a importância dada a este local na mitologia hindu, pois o lago constitui um pequeno oásis numa zona extremamente árida rodeada por pequenas montanhas que nesta altura do ano apresentam pouca vegetação nesta altura do ano.

À volta do lago existem 52 ghats, cada um com o respectivo templo, que contribuem para o total de quinhentos templos existentes em Pushkar. Os ghats são escadarias que permitem o acesso dos crentes à água para aí se banharem nas águas sagradas e realizarem o puja que é um ritual realizado diariamente, pela manhã ou ao fim da tarde, tanto em templos como em casa, que consiste em cânticos e na entrega de oferendas, como flores, doces, coco ou outros frutos; isto é o que nos é dado a conhecer pelo que vamos observando, pois muito mais pormenores deve haver desta complexa religião que é o hinduísmo.

Foi de um destes ghats, o Gau Ghat, que foram lançadas ao lago as cinzas de Mahatma Gandhi e de Jawaharlal Nehru.

Apesar da habitual confusão das cidades indianas, mesmo as mais pequenas, resultante do número de pessoas e das persistentes e muitas das vezes desnecessárias buzinadelas, Pushkar mantem uma mística muito especial particularmente ao amanhecer e ao fim da tarde, onde junto aos ghats, se respira uma atmosfera mais calma e relaxante, onde se pode encontrar a atmosfera mística que muitos procuram na India.

Por aqui vêm-se grandes grupos de peregrinos muitos deles vindos de outras povoações do Rajastão distinguindo-se dos restantes hindus pela colorido intenso dos sharis das mulheres e pelos volumosos turbantes com que os homens cobrem a cabeça, formados por longos panos de cores vivas, enrolados em volta da cabeça, contrastando com a indumentária branca formada por umas calças em balão e por uma túnica.

Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Ghats de acesso ao lago sagrado onde os crentes se banham e realizam o ritual do puja
Pushkar. Ghatas de acesso ao lago sagrado
Pushkar. O lago reflecte os templos iluminados, enquanto o céu se preenche de nuvens que trazem consigo a trovoada
Pushkar junto à rua principa
Pushkar junto à rua principal
Pushkar. Templos junto aos ghats de acesso ao lago sagrado
Pushkar. Templos junto aos ghats de acesso ao lago sagrado
Lago de Pushcar ao fim do dia de ano novo hindu, onde foram acendidas inumeras lamparinas ao longo do lago
Lago de Pushcar ao fim do dia de ano novo hindu, onde foram acendidas inumeras lamparinas ao longo do lago
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Templo em Pushkar
Ao fim do dia, junto aos ghats do lago de Pushkar
Ao fim do dia, junto aos ghats do lago de Pushkar

Sobre Agra e o Taj Mahal

Por sugestão do senhor Arvind, fomos de comboio para cidade de Agra (cidade de passagem obrigatória para quem visita o Taj Mahal) bem cedo e regressamos no mesmo dia, pois é uma viagem que se faz em pouco mais do que 2.5h. Foi o melhor que podíamos ter feito. Teria sido uma dura prova ter ficado, mesmo que fosse só por um dia, nesta cidade: mais confusa, poeirenta, suja e ruidosa do que outras por onde temos passado, o que é agravado pelos 37 graus de temperatura que se fazem sentir por aqui.

Perto do forte de Agra (que não chegamos a visitar) estavam a executar trabalhos de remoção de uma pequena lixeira a céu aberto, com recurso a escavadoras que transportavam a “pasta” negra e fétida formada pelo lixo para camiões de obra; apesar de já estarem três camiões cheios, o trabalho estava longe de terminar. O cheiro que se libertava desta lixeira a juntar com o que emanavam as águas de uma ribeira de águas estagnadas próxima, cujo leito se assemelhava a uma pasta lodosa de cor negra, criou um cenário de pesadelo de provocar agonias.

Tudo isto fez com que a chegada ao comboio que nos levaria de volta a Jaipur, onde nos esperava um banco confortável e ar-condicionado tenha parecido uma bênção. Foi nesta altura que demos valor ao facto de termos comprado um dos bilhetes mais caros (pois já não havia lugares nas outras classes), tendo gasto no total da viagem cerca de 2000 INR (quase 30€), o que é uma pequena fortuna para as nossa economias.

Taj Mahal
Taj Mahal

Trata-se do monumento mais visitado de toda a Índia, com cerca de 3 milhões de visitantes por ano, mas só quando lá se chega é que se percebe a dimensão destes números. São milhares de pessoas dentro do recinto, que é constituído para além do famoso mausoléu, por mais dois edifícios localizados de cada lado do edifício principal, sendo um deles uma mesquita, por vastos jardins, geometricamente organizados, tudo cercado por muros, construídos em arenito vermelho, por onde se acede através de três monumentais portas.

O monumento foi construído entre 1632 e 1640, por ordem do Imperador Shah Jahan. Segundo a lenda, foi construído em homenagem a Mumtaz Mhal, a terceira esposa de Shah Jahan, que morreu em consequência do nascimento do décimo quarto filho. Contudo, segundo investigações recentes, sabe-se que Shah Jahan não passou os seus últimos dias chorando a sua amada esposa, tendo morrido poucos anos depois devido ao consumo excessivo de afrodisíacos e de ópio.

Quer tenha sido construído por amor ou para alimentar o ego de um homem, o Taj Mahal não deixa de ser um monumento de grande valor arquitectónico, exata proporcionalidade e de uma insustentável leveza.

Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal

À parte de toda esta confusão o Taj Mahl impõe a sua magnitude e a sua beleza, destacando-se o edifício do mausoléu todo construído em mármore branco, e profusamente decorado com caligrafia e motivos florais, embutidos, executados com cerca de 35 tipos diferentes de pedras, preciosas e semipreciosas. Em cada vértice do quadrado formado pelo mausoléu, existe um minarete, puramente decorativo, com cerca de 40 metros de altura. Demorámo-nos umas horas a deambular pelos edifícios e jardins observando o desfilar da paisagem humana que dá vida a teste monumento.

De cada lado do mausoléu encontram-se dois edifícios iguais, dispostos simetricamente, construídos em arenito vermelho, sendo um deles destinado à mesquita, onde os visitante muçulmanos se dirigem para uma curta oração, após a lavagem dos pés no tanque existente em frente, e onde um guarda vigia atenta e escrupulosamente para que se respeite o costume de não entrar calçado.

O edifício principal, construído em mármore está a sofre com a pressão dos visitantes e acima de tudo da poluição provocada pelo trafego e pelas fábricas existentes na região, tendo mesmo o governo proibido recentemente o acesso de  veículos motorizados a menos de 200 metros dos muros do Tah Mahal. O místico nevoeiro que muitas vezes é captado nas fotografias, e que chega mesmo a cobrir o monumento, é provocado principalmente pela poluição. O monóxido de carbono tem provocado a degradação do mármore levando à perda da sua transparência e consequentemente do efeito provocado pela luz do sol ao atravessar as paredes do mausoléu.

DSC_7391
Entrada principal do Taj Nahal, vista do exterior
DSC_7414
Porta de entrada no Taj Nahal, vista do interior do monumento
DSC_7416
Taj Mahal visto da mesquita situada do lado Leste do mausoléu
DSC_7418
Mesquita no interior do Taj Mahal
DSC_7389
Entrada principal do Taj Mahal, onde a fila da direita é destinada a indianos, e as duas à esquerda são reservadas para mulheres e para estrangeiros
DSC_7420
Fila para entrar no mausoléu. O caminho mais à direita está reservado aos portadores de bilhetes mais caros, ou seja aos estrangeiros

Para além das diferenças de preços dos bilhetes entre nacionais e estrangeiros praticada na maioria dos monumentos, e no facto de haver uma quota de bilhetes de comboio reservada a estrangeiros, aqui no Taj Mahal, encontramos novas forma de tratamento discriminatório. A fila onde compramos o bilhete de entrada encontrava-se praticamente vazia, ao passo que os outros visitante tinham que esperar em longas filas, sob o sol que a partir das 10 horas da manhã é castigador. Pagámos 750 INR ao passo que os nacionais pagam 250 INR, havendo ainda, pelo que percebemos, um preço especial para habitantes de Agra, de 20 INR.

Como “vips” tivemos ainda direito a garrafas de água e a uma proteção para colocar por cima dos sapatos, pois numa parte do monumento é proibido andar com sapatos, ao passo que os visitantes nacionais têm que deixar os sapatos à entrada e percorrer o recinto descalços, o que se torna penoso dado o calor libertado pelas pedras expostas ao sol, fazendo com que a maior parte das pessoas que visita o mausoléu, circule junto às paredes do edifício principal aproveitando a estreita faixa de sombra existente.

Tanto para entrar no Taj Mahal como para visitar o edifício principal onde estão as sepulturas de Shah Jahan e de Mumtaz Mhal (de facto as que estão à vista são réplicas, encontrando-se as verdadeiras enterradas), existem filas com centenas de pessoas, mas mais uma vez existe uma entrada reservada para estrangeiros. Nem é necessário mostrar o bilhete, basta a cor da pele. É uma regra discriminatória e de certa maneira reprovável, mas confesso que uma espera de mais de meia hora, sob sol escaldante em filas com centenas de indianos, conhecendo o típico desrespeito pela noção de “fila” e a grande capacidade de compactação que têm entre si, teria sido penosa. É um tema que pede uma reflecção.

A parte mais intensa foi a entrada na sala principal do mausoléu, onde a multidão compacta circula à volta dos túmulos de Shah Janhan e da esposa, movendo-se de acordo com as ordens dos vários guardas que incansavelmente e sem sucesso tentam impedir que se tirem fotografias ou que as pessoas se aproximem demasiado da rendilhada parede de mármore que circunda os túmulos.

Taj Mahal
Edificio do mausoléu construído em mármore decorado com embutidos de pedras preciosas e semipreciosas
DSC_7446
Taj Mahal
Taj Mahal
Taj Mahal
DSC_7456
Taj Mahal
DSC_7411
Taj Mahal e mesquita
DSC_7399
Taj Mahal

Taj Mahal

Templo Hindu no interior do complexo do Taj Mahl
Local de devoção Hindu no interior do complexo do Taj Mahal, todo ele de inspiração mulçulmana
  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 37
  • Página 38
  • Página 39
  • Página 40
  • Página 41
  • Interim pages omitted …
  • Página 47
  • Go to Next Page »

Footer

search

Tags

alojamento Amritsar Angkor Assam Bago Borneo Caminhadas Champasak China Beach Comida Gujarat Himachal Pradesh Hpa-An Hué Hà Nôi Ilhas Istanbul itinerário Kashan Kashmir Kathmandu Kutch Ladakh Leh Mcleod ganj Meghalaya Nagaland Ninh Binh Nordeste da Índia Parques Naturais Parvati Valley Phnom Penh Pondicherry Punjab Rajastão Sapa Srinagar Tabriz Tamil Nadu Transportes Travessia de Fronteira Vientiane Vinh Long Yangon Yazd

Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

Se achou o meu blogue útil ou inspirador, considere apoiá-lo com uma pequena contribuição. Cada donativo ajuda-me a manter este projeto vivo e gratuito para todos os que adoram explorar o mundo.

Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!

BUY ME A COFFEE

Categories

Recent Posts:

  • Líbano: itinerário para 15 dias de viagem
  • 25 dias de viagem pelo Bangladesh: itinerário
  • Japão em 6 semanas: itinerário & custos
  • Taiwan: itinerário para 16 dia viagem
  • 20 dias in Morocco: itinerário & custos
  • Kuta Lombok… o paraíso quase secreto
  • Leh & Kashmir: mapa e itinerário
  • English
  • Português

© Copyright 2026 Stepping out of Babylon · All Rights Reserved · Designed by OnVa Online · Login