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Stepping Out Of Babylon

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Stepping out of Babylon

O quotidiano em Leh

A cidade é pequena e calma, sem o habitual frenesim das cidades indianas, mas com bastante pó dado estarmos em pleno deserto, onde a água é um recurso escasso. Não um deserto de areia, mas de rocha e pedra, com terreno bastante arenoso. A pouca vegetação existente, maioritariamente faias e tílias, e os pequenos terrenos agrícolas dedicados ao cultivo de hortícolas, somente são conseguidos à custa de um complexo sistema de canais que irrigam os campos com a água que resulta do degelo das montanhas que envolvem a cidade de Leh.

As ruas principais são dominadas por, agências de viagens especializadas em caminhadas, artesanato do Ladakh e do Tibete, e pela venda de carpetes, mantas, echarpes e lenços de lã de yak ou pashemina, viradas para o turismo indiano como estrangeiro. Contudo, nas ruas secundárias podem ainda encontras lojas dedicadas ao comércio tradicional, como alfaiates, ourives, cabeleireiros, lojas de artigos religiosos budistas… e uma inúmera variedade de meias, luvas, gorros e peúgas, tido feito à mão, por senhoras que muitas vezes vemos a fiar a lã.

Por aqui domina a cultura Ladakhi, que tem origem na cultura tibetana, mas que foi ganhando características próprias, que sobressai na língua e nas roupas tradicionais que algumas pessoas, em especial as mulheres, ainda envergam. A comida é muito semelhante à que experimentámos em Macleod Ganj, dominada por sopas de vegetais com massa (thupkas) e momos, mas que aqui apresenta uma variação que é a cevada tostada, que pode ser servida em sopa, a “tsampa”, ou cozinhada como papas, servidas ao pequeno-almoço.

Dada a proximidade com a região de Kashmir, existe aqui um significativa comunidade de muçulmanos, em especial nas ruas estreitas junto da mesquita, situada na zona antiga da cidade. Aqui encontrámos diversas padarias tradicionais, que desde as cinco horas da manhã fabricam os chapatis, estendendo a massa com os dedos e “colando-a” às paredes dos tandori (fornos verticais feitos em barro, com abertura no cimo), onde rapidamente formam bolhas, até ficam cozidos e estaladiços. Outra alternativa são uns bolinhos, ligeiramente salgados, de massa quebradiça, enfeitados com sementes de sésamo, também cozinhados no mesmo tipo de forno, tradicionais de Kashmir.

Estas padarias tornaram-se um local de visita quase diário, onde muitas vezes nos abastecemos, de chapatis e de bolinhos, antes de iniciar-mos alguma viagem pelas redondezas; uma verdadeira delícia, a 4 rupias cada um…

Durante os primeiros dias que estivemos em Leh, anuviava-se o evento cultural da temporada: um concerto para recolha de fundos para obras de beneficiação de um mosteiro budista. O local do espetáculo, é um terreno onde se realizam jogos de polo a cavalo, mas que serve principalmente para estacionamento de automóveis e de autocarros.

O espetáculo contava com a presença de artistas locais, desde música tradicional a sons mais modernos como o rock e o hip-hop. As vedetas eram dançarinos de Bollywood, vindos directamente de Mumbai. Pensávamos que eram a atração principal da noite, mas foram recebido entre assobios e vaias, que se foram agravando, obrigando à interrupção da actuação. Até deu pena.

Ficou claro que a população do Ladakh não aprecia muito os indianos e soubemos mais tarde que o Ladakh reclama autonomia em relação ao estado de Jammu e Kashmir, com o qual não tem qualquer relação cultural ou religiosa.

Dzomsa, significa ponto de encontro na língua Ladakhi. Trata-se de um projecto que pretende divulgar a cultura do Ladakh, promovendo a sustentabilidade. Nesta loja, limpa e arejada, podemos encher as garrafas com água filtrada e purificada, por 7 rupias. E comprar os deliciosos alperces secos, que são a fruta de eleição do Ladakh, e que nesta loja são muito melhores, mais saborosos e macios, do que os que se encontram à venda nos mercados e nas ruas.

Neste espaço, que funciona também como lavandaria, podemos encontrar outros furtos e vegetais secos, bons para as caminhadas, assim como proceder à troca de livros.

Ficámos fãs de um sumo de “seabuck berry”… não sabemos o que é este fruto, mas cresce abundantemente nestas paragens e é bastante rico em vitamina C.

Quanto a restaurantes ficamos clientes da Família Norlakh, que serve comida tibetana, exclusivamente vegetariana, e onde podemos provar a “tsampa” de vegetais.

Leh
Leh
Leh
Leh
Leh
Rua principal de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Loja de artesanato/velharia do Ladakh
Loja de artesanato/velharias do Ladakh
Roupas tradicionais do Ladakh
Alfaiate de roupas tradicionais do Ladakh
Leh
Leh
Fábrica de rotis
Fábrica de rotis… pão quente das 5h da manhã até às 5h da tarde
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir a ser cozinhado no tradicional forno tandori
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Talho em Leh... nada de frigoríficos
Talho em Leh… nada de frigoríficos
Recinto para jogos de polo em Leh
Recinto para jogos de polo a cavalo, em Leh… nesta altura estava a ser usado para uma parada militar. Dada a proximidade com a fronteira Chinesa (Tibete) nota-se bastante a presença do exército em vários pontos da cidade
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh... enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh… enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Leh
Leh
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!)
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa. Água filtrada e purificada.
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa… sumo de “seabuck berry”

 

O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir

Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais... quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais… quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)

 

Ladakh. Lago de Pangong

Inicialmente não estava nos nosso planos ir visitar este ou qualquer outro lago na região do Ladakh, pois as distâncias apesar de não serem grandes, obrigam a longas e penosas viagens.

Contudo fomos seduzidos com a possibilidade de irmos visitar o mais próximo destes lago, o Pangong que é acessível por transportes públicos, e que é um dos maiores lagos de água salgada da Ásia, com somente um quarto dos seu 130 quilómetros de comprimento situados na Índia, sendo o restante no território Tibetano.

A viagem de autocarro começou pontualmente às 7 horas da manhã, num decrépito autocarro que somente faz este percurso três vezes por semana, pois a região à volta do lago é escassamente povoada. Como a viagem era longa e cansativa, desenvolvendo-se maioritariamente em montanha, obrigando ao cruzamento de um passo a 5360 metros de altitude, fomos aconselhados por outros viajantes a pernoitar numa das pequenas vilas situadas na margem do lago, e empreender a viagem de regresso no dia seguinte.

As informações em relação à duração total da viagem eram pouco concretas, mas apontavam para cerca de cinco a seis horas para percorrer os 154 quilómetros que separam Pangong de Leh. Contudo fomos confrontados com umas penosas 8 horas de viagem, com as habituais três paragens para refeições e mais duas para apresentar documentação, que para além do passaporte e do visto, acresce uma autorização especial para termos acesso a esta região. Chegámos estoirados, e para nossa e de mais uma dúzia de turistas, o autocarro não ia para a povoação que queríamos Spangmik, mas terminava numa outra, também junto ao lago mas que nunca chegámos a saber o nome, mas que ficava a 8 quilómetros do destino pretendido.

No meio de alguma desilusão e desorientação, formou-se um pequeno grupo entre os viajantes ocidentais, em que nos inserimos e onde discutimos a melhor estratégia a adoptar. Optámos por ficar no local onde o autocarro nos deixou, um conjunto de tendas e de construções precárias que funcionam como restaurantes, pois era daí que na manhã seguinte se iria iniciar a viagem de regresso.

Conseguimos arranjar um local para dormir, numa tenda que partilhamos com o nosso amigo Luke, com que já tínhamos feito a viagem entre Manali e Leh, e com quem temos trocado diversas informações turísticas nas várias vezes que nos cruzámos na cidade de Leh.

A solução de dormirmos na tenda revelou-se bastante razoável, pois apesar do frio e do vento que dominaram a noite junto ao lago, estávamos bastante confortáveis com quentes edredons e colchões macios (coisa rara), tendo pago 100 rupias (1.5€) por pessoas… claro que não havia casa de banho, mas somente uma retrete abrigada por chapas metálicas, plásticos e madeiras.

O lago situado a 4267 metros de altitude rodeado de áridas e despidas montanhas, é de uma beleza rara, com a água a reflectir diversas cores, desde o verde ao intenso azul. Enquanto esperávamos pelo pôr do sol, fomos caminhando ao longo do lago em direção a Spangmik, inicialmente em grupo coeso em entusiástica conversa, mas que aos poucos foi-se dispersando.

Ficámos juntamente com o Luke a meio do caminho, a descansar e a apreciar a paisagem e os cores lago que à medida que a luz do sol ia desaparecendo por trás das montanhas, iam mudando de tonalidades. Segundo dizem o lago apresenta sete cores diferentes…

Chang La, situado a 5360 metros de altitude, foi o ponto mais alto que tivemos que subir para chegar ao nosso destino
Chang La, situado a 5360 metros de altitude, foi o ponto mais alto que tivemos que subir para chegar ao nosso destino
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
uma das várias paragens para apresentar os passaportes e apresentar a documentação referente à autorização necessária para aceder a esta zona do território
uma das várias paragens para apresentar os passaportes e apresentar a documentação referente à autorização necessária para aceder a esta zona do território
o nosso autocarro numas das paragens que fizemos para almoçar
o nosso autocarro numas das paragens que fizemos para almoçar
Este foi o local, junto ao lago, onde o autocarro nos deixou, e onde passamos a noite
Este foi o local, junto ao lago, onde o autocarro nos deixou, e onde passamos a noite
A tenda onde íamos passar a noite que se avizinhava fria e ventosa
A tenda onde íamos passar a noite que se avizinhava fria e ventosa
A confirmação que o sitio onde estávamos não era o nosso destino final, Spangmik, que até lá ainda tínhamos 8 quilómetros pela frente
A confirmação que o sitio onde estávamos não era o nosso destino final, Spangmik, que até lá ainda tínhamos 8 quilómetros pela frente
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Luka, Cat e Ismael
Luka, Cat e Ismael
Lago Pangong
Lago Pangong
A nosso tenda onde passámos a noite no Lago Pangong
A nosso tenda onde passámos a noite no Lago Pangong

No dia seguinte acordámos bem cedo para ver o nascer do sol, que não se revelou tão espetacular como esperávamos, mas não deixou de ter a magia que sempre têm estes momentos. Depois do pequeno almoço, por volta das 8 horas da manhã, regressámos a Leh no mesmo autocarro. A viagem de regresso foi mais rápida, demorando seis horas, dado que o motorista raramente parou e a burocracia com os passaporte foi mais ligeira. Mesmo assim chegamos exaustos.

Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong ao nascer do sol… ainda com caras de almofada!
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Restaurante onde almoçamos... com o curioso nome dos "Três Idiotas"
Restaurante onde jantámos… com o curioso nome dos “Três Idiotas”… nem de propósito: foi onde alugámos a tenda onde ficámos com o Luka
Autocarro
Autocarro
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh

 

 

Ladakh. Mosteiro de Lamayuru

O mosteiro de Lamayuru, que domina a colina onde se estende a pequena povoação com o mesmo nome, é dos mais antigos da região, datando do século IX e X. Para além do valor histórico, apresentava o atractivo de nos dias seguintes se realizar o festival anula de máscaras executado, pelo monges no interior do mosteiro.

Mais uma vez, optámos pelos transportes públicos para percorrer os cerca de 150 quilómetros que separam Leh de Lamayuru, e que nos levou 4 horas, pois mais uma vez tivemos que cruzar um dos passos a grande altitude. Parámos na povoação de Kaltse, para descansar e tomar um “chai” o que me levou a reparar nos pósteres que decoravam algumas lojas e restaurantes: em vez da habitual fotografia do Dalai Lama que se encontra por todo o lado em Leh e em outas zonas que visitamos do Ladakh, aqui aparece a imagem do Ayatola Komeni, o que representa bem a diversidade de culturas, e em particular de religiões, que existentes Índia.

Chegámos pelas 9 horas ao mosteiro, onde já decorria o festival, num recinto ao ar livre, onde se encontravam monges entoando cânticos e tocando tambores, enquanto no meio do recinto desfilavam outros monges envergando trajes de cerimónia com altos chapéus, transportando pesadas trompas metálicas, acompanhados por outros que executavam danças enquanto tocavam gongos.

Durante toda a manhã foram desfilando monges envergando diversos trajes, feitos com ricos materiais, e máscaras de madeira representando imagens alusivas à Roda da Vida, como por exemplo o porco e o Yamantaka, o Senhor da Morte, cujo rosto diabólico é encimado com figuras de caveiras, empunhando espadas e machados.

A assistência que inicialmente não era muita foi durante a manhã aumentando, em especial no numero de turistas indianos e estrangeiros. Um pouco à parte do frenesim das máquinas fotográficas, encontravam-se os habitantes do Ladakh, envergando as roupas tradicionais e girando continuamente a roda de orações.

Nos intervalos, monges vestidos de forma descuidada e com máscaras  de pele avermelhada e cabelos e barbas brancas, comportavam-se como diabretes, enquanto animadamente incentivavam a assistência a fazer donativos, que eram atirados para um lenço branco e recebidos com muita euforia e animação.

Muito do que se passou no recinto escapou ao nosso entendimento e interpretação pois todo o simbolismo destas danças, objectos, gestos e rituais está intimamente associado à religião budista e à cultura Tibetana e do Ladakh, não tendo por isso deixado de ser muito interessante e surpreendente.

Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru

O Ladakh, apresenta a maior concentração de mosteiros tibetanos, sendo o de Lamayuru o mais antigo. Aproveitámos o intervalo para almoço do festival, para irmos visitar o mosteiro, que suplantou o que tínhamos visto dias anteriores em Thikse, não só pelos conjunto de edifícios como pela enorme quantidade de stupas e rodas de orações que encontramos ao percorrermos os labirínticos existentes entre as várias construções e templos.

Enquanto apreciávamos a paisagem árida e desértica, pontuada ocasionalmente por manchas de verde, chegou até nós o som dos cânticos budistas, que fomos seguindo até entrar-mos num dos vários templos do mosteiro, onde vários monges entoavam orações ao som do hipnótico ritmo dos tambores, envoltos na penumbra. Demorámo-nos neste espaço ao mesmo tempo estranho e cativante, embalados pelo som dos cânticos, ao mesmo tempo que assistíamos às prostrações executadas pelo fiéis que prestavam homenagem às três stupas ricamente executadas em prata e adornadas de pedras preciosas, contendo relíquias de algum monge ou outra figura importante da religião budista.

Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru

Depois de um almoço numa das guesthouses de Lamayuru, onde as opções variavam entre o arroz com lentilhas e massa salteada com vegetais, dirigimo-nos para Kaltse, num táxi partilhado, uma das formas de transporte existentes nesta zona, que consiste num carrinha pequena, com cerca de sete lugares, que faz um percurso fixo entre duas povoações, sem ter locais especifico para parar nem tão pouco horário certo… passa quando passa.

Em Kaltse, contávamos apanhar um autocarro de volta para Leh, mas uma paragem no posto de policia existente uns quilómetros antes, onde tivemos que apresentar os passaportes e preencher o livro de registos, atrasou-nos e fez com que perdêssemos o últimos autocarro. Restou-nos esperar pacientemente, juntamente com um rapaz indiano que estava na mesma situação que nós, pela passagem de algum táxi ou outro veículo turístico que nos levasse ao nosso destino. As horas foram passando, enquanto o optimismo ia esmorecendo e o cansaço se instalava, fazendo com que a possibilidade de sair de Kaltse nesse dia se tornasse mais remota.

Um pouco em desespero dirigi-me a um mini-bus para saber se tinham lugar para nós, mas só mais tarde, quando finalmente tivemos a confirmação que nos podiam transportar para Leh, é que nos apercebemos que estávamos num veículo alugado por uma família indiana, de Mumbai, que andava em turismo pelo norte da Índia. Foram extremamente simpáticos e bastante curiosos sobre o nosso país e o nosso modo de vida, tendo partilhado connosco alguma da comida caseira que transportavam na viagem. Para nós foi bastante interessante poder saber mais alguma coisa sobre a sociedade indiana, em especial vista da perspectiva de uma família com uma confortável situação económica, bastante viajados, com filhos na faculdade e com dinheiro para fazerem férias.

No fim da viagem à chegada a Leh, perguntaram-nos onde era o nosso resort…. resort… bem… respondemos que estávamos alojados numa guesthouse mas omitimos que nem sequer tinha água quente corrente; acho que não iriam compreender que os “ricos” europeus venham para a Índia fazer vida de pobres, a dormir em hotéis baratos e a andar em transportes públicos J

Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Junto à Montanha Magnética
Junto à Montanha Magnética
Paragem na viagem de regresso a Leh para "ver" a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis... não tivemos provas
Paragem na viagem de regresso a Leh para “ver” a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis… não tivemos provas

Estas paragens para registo junto da policia são frequentes por todo o estado de Jammu e Kashmir, dada a proximidade com as fronteiras da China e do Paquistão, com que a Índia tem uma história recente de confrontos e guerras. Pelo mesmo motivo os telemóveis  não têm acesso às redes internacionais nem mesmo às indianas. A presença policial e militar nesta zona é muito mais evidente do que nos locais por onde temos passado, sendo frequente haver postos de controlo nas estradas principais da região.

Ladakh. Mosteiro de Thikse e Palácio de Shey

Quando abandonámos a estrada principal e nos dirigimos para o Mosteiro de Thikse, constituído por diversos edifícios que pareciam escorrer pela encosta rochosa que se erguia solitária na ampla paisagem, parecia que nos aproximávamos de uma construção abandonada e sem vida, onde reinava um silêncio quase total.

Fomos subindo, passando por inúmeras stupas e fazendo girar as rodas de orações que encontrámos pelo caminho até deparar-mos com o templo principal, vigiado por um monge, que lia atentamente. Todo o ambiente convidada ao silêncio.

Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse
vista do Mosteiro de Thikse
vista do Mosteiro de Thikse
Templo Maitreya
Templo Maitreya no interior do Mosteiro de Thikse
Templo Maitreya
Templo Maitreya
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse

O mosteiro, situado a cerca de 19 quilómetros de Leh, foi construído no século XV, sendo ainda habitado por monges budistas. Recentemente foi construído um novo templo, o Maitreya, dominado por uma enorme estátua do Buddha. Junto ao principal templo, e o mais antigo, demorámo-nos a observar e a interpretar as pinturas que decoram as paredes exteriores, representando os guardiões dos quatro pontos cardiais e a roda da vida.

Eis o significado da Roda da Vida, segundo a explicação existente no Mosteiro de Thikse:

“A Roda da Vida, foi desenvolvida para ajudar a entender o funcionamento das nossas mentes. Mostra-nos o caminho da libertação do ciclo da vida e da morte.

No centro da roda encontram-se três animais – o porco, a serpente e o galo – representando os três principais pecados, respectivamente, a ignorância, o ódio e a inveja.

O controlo total sobre estes três pecados leva à libertação do ciclo da existência.

A parte maior da roda é dividida em seis secções: os seis estados da transmigração. Na parte mais abaixo, o Inferno (Nyalwa), à direita o estado dos Fantasmas (Yidaks), à esquerda o estado Animal (Dundo). No topo, ao centro está representado o mundo dos Deuses (Deva-Ghan), à direita os Titans (Lhamayin) e à esquerda o Homem (Mi).

Os três estados da metade superior da roda representam uma vida mais afortunada, em comparação com os três estados representados na metade inferior; contudo mesmo nos estados superiores existe sofrimento e infelicidade em resultado de acções negativas.

Os que nasceram nos estados superiores encontram-se aí em resultado de anteriores acções positivas, mas mesmo assim não lhes é garantido que atinjam o Nirvana, e não se encontram libertos dos estados inferiores.

Os que nasceram nos estados inferiores, em resultado de ações negativas em vidas anteriores, poderão reencarnar num estado superior, ou mesmo chegar ao Nirvana, em resultado de acções positivas.

A causa do eterno renascimento está ilustrado nas doze imagens representadas no anel exterior da Roda da Vida. O homem cego representa a Ignorância. Para fugir á ignorância, encontra-se o homem a fazer potes de barro, que atinge a Consciência, ilustrada pelo macaco a trepar a uma árvore, sem descanso para cima e para baixo.

A partir da consciência chega-se ao Nome e à Forma, representados por um homem a remar num barco que significa as necessidades do corpo e da mente de forma a atingir a reencarnação no oceano de Samsara. O Nome e a Forma trazem consigo os seis sentidos, representados pelas seis casas com cinco janelas, que são os olhos, o nariz, a língua, a pele e a mente. A partir dos seis sentidos atinge-se o Contacto, representado pelo homem e a mulher abraçados. Do Contacto vem o Sentimento representado pelo homem a ser atingido, no olho, por uma seta. Do Sentimento vem o Desejo e a Ganância representados por um homem a agarrar um fruto. Da Ganância, vem a Existência, representada por uma mulher prestes a dar à luz, e da Existência vem o Nascimento, representado por uma criança acabada de nascer. Do Nascimento vem a Velhice, e da Velhice vem a Morte.

Os dentes e as garras de Yamantaka, o Senhor da Morte, seguram a roda, mostrando que não existe fuga ao sofrimento, morte e renascimento a não ser que se ultrapasse os três pecados capitais: a Ignorância, o Ódio e a Inveja, e se atinja o Nirvana.”

Pinturas à entrada do templo no mosteiro de Thiksey
Pinturas à entrada do templo no mosteiro de Thiksey
Roda da Vida
Roda da Vida
Roda da Vida
Roda da Vida
Mosteiro de Thikse
Mosteiro de Thikse

Deixando para trás o Mosteiro de Thikse, encaminhamo-nos para o Palácio de Shey, que se localiza a cerca de três quilómetros, tendo passado pela maior concentração de stupas existente na região do Ladakh. São centenas de construções impecavelmente pintadas de branco, independentemente de algumas já se encontrarem bastante degradadas, que se destacam na árida e semidesértica paisagem de montanhas despidas de vegetação e qualquer presença humana.

Gompas entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey
Gompas entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey
Gompas entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey
Gompas entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey
Caminhada entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey, que optámos por fazer à pé dado a distância ser pequena, mas que dado o sol e o constante pó levantado pelos carros, não foi das mais agradáveis
Caminhada entre o Mosteiro de Thikse e o Palácio de Shey, que optámos por fazer à pé dado a distância ser pequena, mas que dado o sol e o constante pó levantado pelos carros, não foi das mais agradáveis

Após visitar-mos o Palácio de Shey, que não se revelou nada de espetacular para além da ampla vista que daí se tem para o vale, ocupado por agricultura e árvores de fruto, conseguido pelo engenho do homem que consegui irrigar estes terrenos arenosos e secos.

Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Palácio de Shey
Vista do Palácio de Shey
Vista do Palácio de Shey
Trincando os deliciosos alperces que são o fruto seco mais popular da região do Ladakh
Trincando os deliciosos alperces que são o fruto seco mais popular da região do Ladakh

Leh, Ladakh

Os 485 quilómetros que percorremos até Leh, atravessando uma vasta cadeia montanhosa, fez com que quase tudo tenha mudado radicalmente: a paisagem, a cultura, a comida, a língua, a escrita, as roupas, a religião e a fisionomia dos rostos.

Chegámos ao estado de Jammu e Kashmir, o mais a norte da Índia, que faz fronteira com o Paquistão e com a China (Tibete), vizinhos com quem os indianos têm tido muitos problemas fronteiriços, desde guerras a terrorismo, fazendo com que grande parte deste território estivesse interdito a estrangeiros até aos anos noventa. Ainda o mês passado tropas chinesas ocuparam uma faixa tipo “terra de ninguém” existente entre a Índia e o Tibete, criando algum atrito e apreensão mas que foi resolvido em poucos dias. Por tudo isto nota-se nesta região uma forte presença militar.

Leh é a capital da região do Ladakh, que se localiza junto à fronteira com o Tibete de onde vêm uma forte influência cultural e religiosa, praticando-se o Mahayana, o Budismo Tibetano, cujos símbolos estão presentes em todo o lado, como as rodas e as bandeiras de orações e as incontáveis gompas (mosteiros) e stupas.

As stupas são construções feitas em pedra e argila (e mais recentemente em cimento), que funcionam como locais de devoção, e cuja característica forma resulta, segundo a tradição, da resposta que Budha deu quando lhe pediram para criar um símbolo que ajudasse a espalhar os seus ensinamentos; a resposta foi dada dobrando as suas roupas e colocando sobre elas a taça, virada ao contrário, com que recolhia as dádivas e no topo o pedaço de madeira.

Junto às stupas e frequente encontrar pedras empilhadas, que formam muros com alguns metros, que contêm inscrições em relevo com orações ou mantras, geralmente ”om mani padme hum”.

Esta região é extremamente árida, registando-se pouco precipitação para além da neve que cobre a paisagem durante a maior parte do ano. Em Leh, a 3505 metros de altitude, nota-se bem o ar seco que juntamente com a altitude provocam um cansaço físico acompanhado por fortes dores de cabeça e algumas dificuldades de respiração. Para compensar estes efeitos temos bebido muita água, mas mesmo assim não tem sido suficiente, levando-nos a ter que repousar mais horas do que o normal para recuperar de algum esforço físico, mesmo que seja uma pequena caminhada ou uma visita a algum mosteiro próximo.

Enquanto recuperávamos da viagem que nos trouxe de Manali, aproveitámos para conhecer a cidade e os principais monumentos, donde se destaca o Palácio e a Namgyal Tsemo Gompa, que dominam a cidade de Leh.

Junto a estes edifícios, situados no topo de um maciço granítico, encontra-se a parte mais antiga da cidade, com as tradicionais casas construídas com tijolos de argila cinzenta, fazendo com que se fundam com as cores da paisagem.

Parte antiga da cidade de Leh
Parte antiga da cidade de Leh
Stupa
Stupa
Tecto do interior de uma stupa, com pinturas alusivas à vida de Buddha
Tecto do interior de uma stupa, com pinturas alusivas à vida de Buddha
Palácio de Leh
O Palácio de Leh, construído no século XVI, que é uma imitação do Palácio Potala, em Lhasa, no Tibete, que foi ocupada até 1940 pela família real do Ladakh
Leh
Leh
Palácio de Leh
Palácio de Leh
Leh
Leh
Palácio de Leh
Pormenor dos trabalho em madeira junto ao telhado de um dos blocos que constitui o Palácio de Leh

No interior do Palácio de Leh, enquanto procurávamos refúgio do intenso sol e do calor que abrasava a pele, fomos surpreendidos ao encontrar o templo budista que ocupa uma das salas interiores do edifício. Reinava um silêncio total, e o ar estava pesado com o fumo e o cheiro do óleo queimado nas lamparina, permanentemente acesas, e que debilmente tentavam iluminar o espaço.

Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Templo budista no interior do Palácio de Leh
Manuscritos com orações no interior do templo budista no interior do Palácio de Leh
Manuscritos com orações no interior do templo budista no interior do Palácio de Leh
Namgyal Tsemo Gompa
Namgyal Tsemo Gompa
Leh
Leh
Ardua subida para a Namgyal Tsemo Gompa
Subida para a Namgyal Tsemo Gompa
Namgyal Tsemo Gompa
Namgyal Tsemo Gompa
Bandeiras de orações junto à Namgyal Tsemo Gompa
Bandeiras de orações junto à Namgyal Tsemo Gompa
Perto da Namgyal Tsemo Gompa
Perto da Namgyal Tsemo Gompa
Namgyal Tsemo Gompa... onde o romande é proibido!
Namgyal Tsemo Gompa… onde o romande é proibido!
Leh
Leh
Stupa e pedras com inscrições de orações
Stupa e pedras com inscrições de orações
Stupas
Stupas junto às quais são depositadas pedras com orações

Um pouco mais afastado do centro, encontra-se a Shanti Stupa, inaugurada em 1983 pelo Dalai Lama, decorada com episódios da vida de Budha, e de onde se tem uma ampla vista da cidade de Leh. Demorámo-nos por lá enquanto recuperávamos da subida dos 531 degraus que são necessários subir para lá chegar.

Palácio de Leh visto da Shanti Stupa
Palácio de Leh eNamgyal Ysemo Gompa vistos da Shanti Stupa
Leh, vista da Shanti Stupa
Leh, vista da Shanti Stupa
Shanti Stupa
Shanti Stupa
Shanti Stupa
Shanti Stupa
Shanti Stupa
Shanti Stupa

 

Panorâmica de Leh, vista da Shanti Stupa:

A primeira maçã em dois meses!!!
A primeira maçã em dois meses!!!
Leh
Leh vista da Shanti Stupa
Efeitos da altitude!!!
Efeitos da altitude!!!
Uma das muitas rodas de orações existentes em Leh
Uma das muitas rodas de orações existentes em Leh

Manali-Leh Highway

Manali foi somente uma paragem intermédia para chegar-mos ao nosso destino: Leh, na região de Ladakh, no estado de Jammu e Kashmir, o mais a norte da Índia.

Inicialmente tínhamos planos de ir para o vale de Spiti, ainda no estado de Himachal Pradesh, próximo da fronteira com o Tibete, mas como a estrada ainda não estava aberta devido à neve, optámos por seguir directamente para Leh, cuja estrada tinha aberto uns dias antes.

A geralmente designada Manali-Leh Highway, é a segunda estrada mais alta do mundo, chegando aos 5328 metros de altitude o que juntamente com as condições climatéricas durante o Inverno, com temperaturas abaixo dos 20ºC negativos, fazem com que esta estrada somente esteja aberta de 15 de Junho a 15 de Setembro, altura em que circulam os autocarros públicos, que fazem esta viagem em dois dias.

Contudo, assim que as condições da estrada o permitem inicia-se a circulação automóvel, tanto para veículos pesados como para veículos turísticos, como jeeps e mini-bus. Optámos pela solução mais económica, o mini-bus com capacidade para doze pessoas, que nos custou 2200 rupias por pessoa, cerca de 31€.

De salientar que o termo “highway” não deve ser traduzido como auto-estrada, pois as velocidades praticadas, as características da traçado e as condições de segurança nada têm a ver com o que conhecemos com esta designação; deve sim ser entendido literalmente como estrada a grande altitude.

Os 485 quilómetros de viagem estavam previstos serem feitos em 17 horas, com saída de Manali às 2 horas da manhã, mas o estado da estrada, a condução cuidadosa do motorista, juntamente com algumas paragens para comer e descansar, fizeram com que somente chegássemos a Leh pelas 11 da noite, completando assim 21 horas de viagem. Deste tempo todo temos que descontar uma hora em que andámos às voltas em Manali, passando por vários rebanhos de cabras e de ovelhas que aquela hora aproveitava as estradas desertas para se encaminharem para pastagens mais altas, para recolher juntos dos vários hotéis e guesthouses os restantes passageiros: indianos, israelitas, venezuelanos e um alemão.

 Foi a mais longa viagem que alguma vez fiz por meios terrestres, mas foi de longe a mais bonita, impressionante e memorável de todas. É de uma beleza indescritível e não encontro palavras para transmitir as emoções que me despertou. Nem tão pouco as fotografias fazem justiça ao que vimos, de qualquer das formas colocamos algumas, muitas delas tiradas do autocarro em andamento, o que justifica a má qualidade.

 O estado da estrada é bastante mau, não só pelo seu traçado sinuoso que percorre muitas das vezes as encostas das montanhas num ziz-zag, como pelo estado do pavimento, quase todo em terra e com muitas pedras soltas, atravessado frequentemente por linhas de água que escorrem dos maciços de neve, o que provocou um constante e cansativo balançar durante toda a viagem.

A viagem iniciou-se ainda de noite, mas à medida que íamos subindo as montanhas que se encontram a norte de Manali, o céu ia clareando o que permitiu ver que para trás tinham ficado as densas florestas de cedros que caracterizam a região de Kullu, tendo-se a paisagem tornando mais árida, rochosa e com muitas zonas cobertas de neve, que chegava a ultrapassar em altura a janela do autocarro.

Parámos na povoação de Koksar que não é mais do que um conjunto de construções aninhadas um vale desértico, que servem de apoio aos camionistas e demais viajantes que percorrem estas paragens, que consistem basicamente em dormitórios e restaurantes.

Quando cruzámos o passo de Rothang, a paisagem mudou radicalmente, tornando-se completamente árida e cinzenta, sem vegetação.

As horas foram passando, subindo montanhas até aos pontos mais acessíveis para cruzar cordilheiras, descendo encostas até às zonas baixas onde se encontram as pontes metálicas, em mau estado, que permitem atravessar os principais rios, e percorrendo desfiladeiros escavados ao longo de milhares de anos por linhas de água formadas pelo degelo.

À medida que avançávamos as cores das encostas montanhosas iam variando entre os vários tons de cinzentos, ocres e muitos cambiantes de castanhos, que contrastavam com o intenso azul do céu, sempre limpo, sem uma única nuvem. Contudo a temperatura era baixa, em especial quando subíamos aos pontos mais altos, mas o sol aquecia o suficiente para não tornar o ambiente demasiado frio.

As montanhas particamente despidas de vegetação criavam um ambiente inóspito onde aparentemente não poderia existir vida, mas mesmo assim, avistámos algumas aves de pequeno porte, uma lontra e um antílope, para além de alguns burros selvagens.

 O cansaço era grande mas mesmo assim tentei manter-me acordada durante toda a viagem tal era o efeito magnético que me despertava a paisagem que me rodeava, contudo o sono venceu-me por alguns momentos, mesmo com todos os abanões e solavancos do autocarro e do som estridente da música indiana que o motorista ouviu durante toda a viagem para se manter desperto.

Circulámos devagar e com frequentes paragens sempre que tínhamos que nos cruzar com algum veículo, pois a estrada apresenta zonas muito estreitas e outras ainda ocupada pela neve, ou para atravessar alguma linha de água que cruzava a estrada.

Passámos por diversos grupos de pessoas, que se encontravam a trabalhar em algumas obras de manutenção e de melhoramento da estrada, partindo e empilhando pedras, com recurso a ferramentas rudimentares, sem a ajuda de qualquer tipo de maquinaria. Os seus rostos com lábios grosso e narizes largos, eram escuros e com a pele ferida pelo sol, apesar dos lenços que alguns debilmente tinham enrolados à volta da cara para se protegerem do pó da estrada. As suas roupas eram velhas e sujas, os seus corpos pequenos e magros. À medida que o autocarro passava, estes homens e mulheres fitavam-nos, com o seu olhar vazio e indiferente. No meio de toda a beleza da paisagem, esta pobreza trouxe de volta a realidade das condições em que ainda vive grande parte da população deste país.

Fizemos nova paragem em Pang, um conjunto de tendas que servem refeições e vendem bolachas e chocolates, situada próximo de uma base militar, a segunda que encontramos durante a viagem e que destoam completamente da paisagem com os edifícios pintados com o habitual padrão camuflado verde, quanto tudo à volta é dominado pelo castanho e cinzento.

Com o aproximar do fim do dia atravessámos uma vasta zona, completamente plana entre duas cordilheiras de montanhas, onde avistámos alguns acampamentos de nómadas com as suas tendas circulares, que percorrem estas paragens durante os meses de verão conduzindo rebanhos de centenas de ovelhas e cabras em busca do escasso e rasteiro pasto que rompe o árido solo à medida que o gelo recua.

O deslocar dos rebanho fazia levantar nuvens de poeira que na sua lenta subida em direção ao céu eram atravessadas pelos raios de sol que diminuírem de intensidade antes de desaparecerem por trás das montanhas e roubarem as cores à paisagem.

Tivemos ultima paragem em Upshi, para jantar, mas o cansaço juntamente com a falta de propostas apetecíveis, fez com que não comesse-mos nada. Enquanto esperávamos o motorista foi tratar do controle dos passaportes junto da policia.

Eis uma lista com o itinerário entre Manali e Leh, onde os passos (pontos altos) entre cordilheiras estão assinalados com um asterisco.

kmLocalizaçãoAltitude
0             Manali1896 m

51

Rothang (*)

3980 m

71

Koksar

–

107

Tandi

2573 m

113

Keylong

3349 m

145

Darcha

3400 m

–

Zingzing Bar

4320 m

186

Baralacha (*)

4892 m

222

Sarchu Serai

4253 m

276

Lachulang (*)

5019 m

299

Pang

4500 m

364

Tanglang (*)

5360 m

424

Upshi

3384 m

485

Leh

3505 m

Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Koksar
Koksar
Koksar
Koksar
Ainda em Koksar aproveitámos para comer uma paratha de legumes, o pequeno-almoço típico Indiano, acabadinha de fritar em óleo e que estava deliciosa
Ainda em Koksar aproveitámos para comer uma paratha de legumes, o pequeno-almoço típico Indiano, acabadinha de fritar em óleo e que estava deliciosa
Koksar
Koksar
Primeira paragem em Koksar para o pequeno almoço e para o chekpoint junto da polícia onde foram apresentados os passaportes dos passageiros estrangeiros.
Primeira paragem em Koksar para o pequeno almoço e para o chekpoint junto da polícia onde foram apresentados os passaportes dos passageiros estrangeiros.
Para acompanhar um quente e reconfortante “chai” (chá preto com leite e muito, muito açúcar, consumido por toda a Índia) nada como a bolachinha Parle-G, que se encontra por todo o lado e que pelo custo de 10 rupias, 0.15€, tem ajudado a matar o “ratinho” que nos assalta nestas viagens
Para acompanhar um quente e reconfortante “chai” (chá preto com leite e muito, muito açúcar, consumido por toda a Índia) nada como a bolachinha Parle-G, que se encontra por todo o lado e que pelo custo de 10 rupias, 0.15€, tem ajudado a matar o “ratinho” que nos assalta nestas viagens
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
A nossa carrinha
A nossa carrinha
A paragem em ZingZing Bar
A paragem em ZingZing Bar
A paragem seguinte foi em ZingZing Bar, pelas 11 horas, onde almoçamos, uma omolete no pão e um revigorante feijão com arroz, refeição típica desta zona da Índia.
A paragem seguinte foi em ZingZing Bar, pelas 11 horas, onde almoçamos, uma omolete no pão e um revigorante feijão com arroz, refeição típica desta zona da Índia.
ZingZing Bar
ZingZing Bar

DSC_9067

Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
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Manali-Leh
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Manali-Leh
Manali-Leh
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Paragem para descanso
Paragem para descanso
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Pelas 5 horas da tarde nova paragem em Pang. A ementa não era muita variada, pelo que optámos por uns ovos mexidos servidos entre dois rotis.
Pelas 5 horas da tarde nova paragem em Pang. A ementa não era muita variada, pelo que optámos por uns ovos mexidos servidos entre dois rotis.
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh
Manali-Leh

Este é o link para um pequeno filme que fizemos durante a viagem de autocarro:

Manali e Old Manali

Deixando para trás o rio Parvati, seguimos para norte ao longo do vale de Kullu, até à cidade de Manali, numa viagem totalmente feita em autocarros publico, com três trasbordos e que demorou umas 4 horas, sempre ao longo do turvo e tumultuoso rio Beas.

Deparámos com uma cidade que vive muito do turismo indiano, que foge das altas temperaturas que nesta altura do ano tornam praticamente toda a Índia num verdadeiro braseiro, com Delhi a atingir os 47 graus.

Aqui o tempo é ameno, mas sujeito aos caprichos da montanha, com o clima a variar  abruptamente entre sol e calor, chuva e vento, e sempre com uma descida da temperatura à noite.

Para nos afastarmos do habitual frenesim das cidades, optámos por subir uma das encostas que circunda Manali, em direção à aldeia que deu o nome à moderna cidade: Old Manali.

Ficámos alojados numa guesthouse, a Mountain Dew, situada no caminho que liga as duas povoações e que se encontra repleta de lojas de artesanato, postos de internet, agências de viagens, restaurantes, cafés, alojamentos e tudo o mais que possa ser útil para um turista ocidental. Mais acima, no topo da encosta, encontra-se a aldeia de Old Manali, que contrasta totalmente com todo este cenário, onde se conserva o ambiente rural.

Em Old Manali encontram-se ainda as habitações tradicionais construídas em madeira e pedra, com os telhados feitos com pesadas pedras de xisto, semelhantes às que encontrámos nas aldeias de Parvati, mas com a particularidade destas apresentarem as entradas das casas decoradas com motivos religiosos, como a suástica (que para os hindus representa a roda da vida), pintados rusticamente com os dedos em cores ocre.

Old Manali
Old Manali
Pequeno templo no topo da aldeia de Old Manali
Pequeno templo no topo da aldeia de Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Old Manali
Templo dedicado a Manu em Old Manali
Templo dedicado a Manu em Old Manali
Casa tipica de Old Manali
Casa tipica de Old Manali
Almoço em Manali
Almoço em Manali: Gujarati Thali (uma desilusão) e Bangan Bartha, à base de beringela, cebola e tomate… uma delícia
Subindo as montanhas junto à aldeia de Old Manali
Subindo as montanhas junto à aldeia de Old Manali

Enquanto esperávamos para que a estrada para o vale de Spiti fosse aberta, pois ainda se encontrava cortada pela neve, impedindo a circulação automóvel, os dias foram passados entre visitas à cidade de Manali para saborear a tradicional comida indiana, e uns curtos passeios pelas encostas à volta de Old Manali.

Apesar da guesthouse em que ficámos ter todas as comodidades, como casa de banho privativa com água quente todo o dia (desde que houvesse eletricidade, claro!), internet no quarto, uma varanda com vista para as montanhas, restaurante com boa comida e uma pequena esplanada, ao fim do terceiro dia deparámo-nos com algumas borbulhas na pele aparentemente resultantes de picadas de insectos; reclamámos e ficamos a saber que eram “bed bugs” que em português deve ser qualquer coisa parecida com percevejos. Nunca chegamos a ver nenhum, mas o nome é deveras nojento e foi, de longe, a pior “companhia” que tivemos ao longo desta viagem, onde já partilhamos o quarto com osgas, aranhas “peludas” do tamanho da palma da mão, centopeias, uma família de ratinhos do campo e uma grande variedade de pequenos insectos voadores.

Mudámos de quarto e toda a nossa roupa foi para a lavandaria, o que resolveu o problema; contudo ainda subsistem algumas marcas na nossa pele, ughhhh!

Os dias foram passando calmamente o que nos permitiu ir conhecendo melhor o grupo de rapazes que geriam a guesthouse, todos indianos mas de outras zonas do país, que com idades entre os 20 e os 23 anos estavam à frente deste e de outros negócios em Goa, para onde se mudam no Inverno. Representam um pouco da nova geração que nada têm a ver com a Índia tradicional e mística que é vendida nos folhetos turísticos; estão claramente virados para os negócios, para o dinheiro e tudo o que dele possa oferecer em termos materiais, procuram o estilo de vida ocidental, que transparece nas roupas, tatuagens, estilo de música, fumam, não têm qualquer vínculo religioso e para eles o casamento está fora de questão, pois a vida é para curtir! Boys will be boys…

Para nosso descontentamento, os dias na guesthouse eram “animados” com a seleção musical dos nosso amigos, que ia desde o hip-hop indiano, passando pelo rock, os clássicos da música pop e o trase-psicadélico que era debitado em elevados decibéis de umas insignificantes colunas, que nos obrigavam a procurar outros restaurantes e cafés para descansar os ouvidos!

Para compensar, o Bruno foi-se imiscuindo na cozinha da guesthouse, de onde saiam bons pitéus, e onde foi aprendendo os segredos da confecção de alguns dos pratos que íamos comendo, como por exemplo do “dal makhani”, um prato tradicional no norte da Índia e do Nepal, à base de lentilhas e feijão que é acompanhado de arroz.

Ficámos a saber o “segredo” de ter sempre arroz solto, sem ter que o preparar na hora nem ficar com o aspecto e o sabor requentado… Até agora o arroz preparado pelo nosso amigo foi o mais saboroso que até agora comemos aqui na Índia, pois geralmente é confecionado particamente sem sal, e por vezes servido aos grumos.

Cozinha da Mountain Dew Guesthouse, em Old Manali
Cozinha da Mountain Dew Guesthouse, em Old Manali
Cozinha da Mountain Dew Guesthouse, em Old Manali
Os ingredientes…
Os ingredientes secretos....
Os ingredientes secretos….
A equipe!
A equipe!
Preparando o Dal
Preparando o Dal Makhani
O sempre presente leite da marca AMAL, que também tem manteiga e natas... uma constante em toda a India
O sempre presente leite da marca AMAL, que também tem manteiga e natas… uma constante em toda a India
Na cozinha...
Na cozinha… a todo o gaz!
Eis o resultado!!
Eis o resultado!!

Parvati Valley. Keerganga

Por sugestão de muitas das pessoas com quem falámos enquanto nos demorámos pelo vale do Rio Parvati decidimos ir a Keerganga (também aparece escrito como Khir Ganga) ainda para mais tinha o atrativo de lá perto realizar-se durante o mês de Maio o Rainbow Gathering que reúne informalmente centenas de pessoas em várias partes do mundo.

O percurso até Keerganga, situada a 2960 metros de altitude, é o mais famoso trekking do vale do Rio Parvati e segundo informações que recolhemos demora cerca de 4 a 5 horas da aldeia de Pulga onde estamos alojados, pelo que saímos de manhã cedo, munidos de fruta, bolachas e água, e dirigimo-nos para a aldeia próxima, Kalga, para nos encontrar-mos com a Tree, com quem fizemos amizade desde os primeiros dias que chegámos Apple Garden Guesthouse.

Recolhemos informações sobre o percurso que devíamos seguir e mantivemo-nos atentos às setas pintadas nas rochas e nas árvores que indicavam o caminho; o trilho era claro e bem visível, pouco inclinado e o tempo estava fresco e o sol brilhava, mas a floresta de cedros protegidos, pelo que tudo indicava uma caminhada agradável até Keerganga.

Passado pouco mais de uma hora, chegados a uma clareira no meio da floresta onde havia inúmeros trilhos não se destacando nenhum em particular que parecesse levar-nos ao nosso destino, pelo que andámos um pouco desorientados até concluirmos que estávamos perdidos e sem pontos de referencia, pois à nossa volta tudo era constante e uniforme: as árvores, as rochas e o rio Parvati.

Foi nessa altura que me senti vulnerável, pequena e à mercê da vasta floresta que mostrava todo o seu poder. As gralhas com o seu grasnar apreciam que escarnecer de nós. É incrível tumulto de sons que a natureza produz quando tudo aparenta estar imóvel e em silêncio.

Foi nesta altura que avistamos um grupo de pessoas que se aproximava, quatro rapazes indianos que se dirigiam para o mesmo sitio e que conheciam o caminho, recorrendo diversas vezes a fotografias que tinham no telemóvel para se orientarem. Percebemos mais tarde que também eles se tinham perdido e tivemos que fazer um percurso bastante difícil para subir uma encosta até alcançar-mos novamente o trilho, tendo-nos atrasado quase uma hora.

O resto do percurso foi pacifico em termos de orientação pois fomos encontrando várias pessoas no sentido contrário que regressavam de Keerganga, mas foi-se tornando mais difícil, com maiores inclinações e por vezes demasiado estreito; atravessamos linhas de água, que enlameavam o caminho, ou outras maiores que formavam cascatas e que cruzávamos pisando cuidadosamente pedras que se encontravam acima da linha de água, ou mesmo passando por cima de troncos de árvore que serviam de ponte sobre as águas que seguiam velozmente encosta abaixo.

A ultima hora do percurso foi bastante dura devido ao cansaço acumulado e à altitude a que estávamos, mas o esforço das quase 5 horas de caminhada foi altamente recompensado com a paisagem que nos esperava: uma vasta clareira coberta de erva verde por onde pastavam algumas mulas, rodeada a toda a volta por montanhas onde nas zonas mais altas o branco da neve reflectia o brilho do sol. Pelas encostas escorriam largas cascatas que desapareciam na densa floresta de cedros e pinheiros.

A paisagem é deslumbrante e esmagadora na sua beleza, mostrando-se com toda a sua imponência, fazendo-nos sentir o quão pequenos nós somos e como estamos sujeitos à sua poderosa força.

Keerganga não se trata propriamente de uma povoação mas sim de um aglomerado de construções precárias feitas em madeira, plástico e chapa de zinco, que funcionam durante o verão como restaurantes, uma ou duas barracas de venda de artigos de higiene e mercearia, e algumas construções destinadas ao alojamento.

Junto a Barshani está a ser construída uma barragem para produção de energia elétrica e que mudará definitivamente o Rio Parvati. Contudo, à boa maneira indiana, a construção já tem mais de 10 anos de atraso, devido a alguns problemas técnicos e ao constante desvio de fundo previstos para a sua construção, encontrando-se ainda longe de estar concluída
Junto a Barshani está a ser construída uma barragem para produção de energia elétrica e que mudará definitivamente o Rio Parvati. Contudo, à boa maneira indiana, a construção já tem mais de 10 anos de atraso, devido a alguns problemas técnicos e ao constante desvio de fundo previstos para a sua construção, encontrando-se ainda longe de estar concluída
Inicio da caminhada na aldeia de Kalga na companhia da Tree
Inicio da caminhada na aldeia de Kalga na companhia da Tree
A caminho de Kerrganga
A caminho de Kerrganga
A caminho de Kerrganga
A caminho de Kerrganga
Pausa para descanso
Pausa para descanso
Uma das várias cascatas que atravessámos
Uma das várias cascatas que atravessámos
Chegada a Kerrganga
Chegada a Kerrganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga
Keerganga

Outro do grande atractivos de Keerganga são as nascentes de água quente, onde nos banhamos em tanques construídos no cimo da encosta, junto a um pequeno templo hindu. À boa maneira indiana, existem tanques separados para homens e para mulheres; os homens podem assim apreciar a paisagem das montanhas cobertas de neve, tendo ao lado sido construída uma alta vedação em madeira, coberta com plástico e chapa zincada para as mulheres se poderem banhar longe dos olhares dos homens.

Piscina de água quente reservada aos homens. ao lado, pos trás das tábuas de madeira encontra-se o tanque reservado às mulheres
Piscina de água quente reservada aos homens. ao lado, pos trás das tábuas de madeira encontra-se o tanque reservado às mulheres
Tanque das nascentes de água quente reservado às mulheres
Tanque das nascentes de água quente reservado às mulheres
Na companhia de Tree, depois de um banho revigorante nas águas quentes que nascem em Keerganga
Na companhia de Tree, depois de um banho revigorante nas águas quentes que nascem em Keerganga
Um aviso, simples e directo!!!
Um aviso, simples e directo!!!
Keerganga vista das nascentes de água quente
Keerganga vista das nascentes de água quente
Keerganga
Keerganga
Mais um amigo que nos fez companhia enquanto esperávamos pelo por do sol... no fim teve uma bolacha como recompensa!
Mais um amigo que nos fez companhia enquanto esperávamos pelo por do sol… no fim teve uma bolacha como recompensa!
casas de banho de um dos alojamentos existente em Keerganga
Casas de banho de um dos alojamentos existente em Keerganga

Como chegamos um pouco tarde não conseguimos arranjar sitio para dormir nos alojamentos existente, e empreender no mesmo dia o caminho de volta estava fora de questão, pelo que ficamos a dormir nos restaurantes, que já está preparados para estas situações, fornecendo cobertores e disponibilizando espaço junto a grande fornos a lenha de forma circular, que aqui se chamam tandori. À noite fazia realmente muito frio, e sentia-se o vento gelado que vinha das montanhas e que entrava facilmente pelas inúmeras frestas destas construções rudimentares. Pagámos 50 rupias por pessoa, e lá passamos duas noites, pouco confortáveis, juntamente com a nossa amiga Tree e muitos outros estrangeiros. Todas estas povoações, Pulga, Kalga, Tosh (que fica do outro lado do rio Parvati mas que não visitamos) e Keergana ficam cobertas de neve durante o Inverno; segundo nos disseram em Abril ainda havia neve em Pulga.

O restaurante onde passámos a primeira noite. No dia seguinte procurámos outro pois aqui fazia muito frio; só mais tarde é que percebemos porquê, quando os vimos a montar as janelas onde se encontrava somente um plastico
O restaurante onde passámos a primeira noite. No dia seguinte procurámos outro pois aqui fazia muito frio; só mais tarde é que percebemos porquê, quando os vimos a montar as janelas onde se encontrava somente um plastico
Um dos restaurantes onde passamos a noite
Um dos restaurantes onde passamos a noite

O regresso foi sem a Tree que decidiu ficar acampada no Rainbow Gathering, foi mais rápido pois dominavam as descidas, mas apesar da total confiança que tínhamos, apercebemo-nos que estávamos no caminho errado ao encontrar-mos uma ponte que cruzava o rio Parvati e que nunca tínhamos atravessado. Uma coisa boa que o excesso de população que a Índia tem, é que encontra-se sempre alguém mesmo nos sítios mais recônditos e improváveis. Desta vez avistamos ao longe um carregador com as suas mulas que aqui são o único meio de transporte, e esperámos até ele se aproximar para nos indicar a direcção que devíamos tomar para retomar-mos ao trilho que nos levaria de volta a Kalga, a aldeia mais próxima.

Talvez devido à rapidez com que fizemos o percurso, com bom ritmo e poucas paragens, tendo demorado cerca de 3 horas, ou devido ao cansaço acumulado por duas noites mal dormidas, fez com que o pequeno trajecto que separa Kalga da aldeia de Pulga parecesse uma eternidade, onde nas subidas cada passo requeria um esforço monumental.

Mal chegamos esperámos pela água quente, tomámos um merecido banho e pouco de pois de comermos uma reconfortante refeição, fomos dormir, só acordando no dia seguinte com o nascer do sol; foi um longo sono de 11 horas…

O Rainbow Gathring, a pouco mais de 15 minutos de Kerrganga, reunia poucas dezenas de pessoas, acampadas pela floresta à volta de uma clareira onde foi construída uma tenda para preparação de refeições e onde havia uma fogueira, que funcionavam como local de encontro.

A manhã foi preenchida com a preparação da refeição, onde diversas pessoas participavam ajudando o “chef” indiano, a quem toda a gente chamava baba (que significa pai, mas que é também usada para mostrar respeito por alguém). A refeição, um carril de vegetais e arroz, foi partilhada por todos os que ali estavam reunidos em circulo. O ponto alto, foi a preparação do pão que serviu de acompanhamento: uma especialidade do Rajastão chamada bati, e que é geralmente acompanha pratos de lentilhas.

A massa deste pão é a mesma dos rotis e das parathas: farinha, água e pouco sal. Como não leva fermento não precisa de levedar, sendo o pão sempre confecionado na hora, estendido e cozinhado numa frigideira. Os batis que acompanharam a nossa refeição tiveram um tratamento diferente, pois foram cozinhados directamente no lume, mas com a particularidade deste não ser feito com madeira mas sim com “bosta” de vaca seca. Pode parecer um pouco nojento mas o resultado foi muito bom, traduzido em pequenos pães tostados por fora, densos por dentro e com um característico sabor a fumeiro.

Rainbow Gathering
Rainbow Gathering
Rainbow Gathering
Rainbow Gathering
Preparação do almoço orientado pelo baba no Rainbow Gathering
Preparação do almoço orientado pelo baba no Rainbow Gathering
Bati, pão tradicional do Rajastão, cozinado em
Bati, pão tradicional do Rajastão, cozinado em “bosta” seca de vasa
Bati
Bati

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Rainbow Gathering
Rainbow Gathering
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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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