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Stepping Out Of Babylon

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Índia

Srinagar. Mercado flutuante

Mercado flutuante no Lago Dal
Ainda antes do nascer do sol, enquanto nos encaminhava-mos para o mercado

A vida no lago Dal começa cedo, mesmo antes do nascer do sol e do início da actividade das aves que povoam os molhos de nenúfares e de flores de lótus.

Acordámos bem cedo, para nos dirigirmos na companhia de dois dos nossos vizinhos da guesthouse para a zona onde se realiza diariamente o mercado de legumes, que começa às 4.30h da manhã e termina pouco depois das 7h.

Os vendedores, todos homens, moviam-se agilmente as “shikaras” que se aglomeravam numa zona mais amplas do lago, onde confluíam vários canais. Os produtos transaccionados são resultado da produção dos terrenos alagados existentes no lago, não apresentando muita variedade: couve, nabo, pepino, curgetes…

Da nossa “shikara” fomos observando esta actividade, enquanto éramos abordados por vendedores de bolos, flores e de açafrão.

A chuva que carregava o céu desde que saímos de casa, começou a aumentar de intensidade fazendo com os vendedores se apressassem e o mercado terminasse mais cedo.

O regresso feito também calmamente, mas sob a chuva que pouco depois de chegar-mos ao mercado começou a cair, com a “shikara” deslizando pelo lago, embalando-nos com o suave balanço do barco e com o som dos remos a mergulhar na água, à medida que o sol ia iluminado a paisagem.

Mercado flutuante no Lago Dal
Viagem pelos vários canais do Lago Dal até chegar-mos ao mercado flutuante
Mercado flutuante no Lago Dal
Uma das muitas pequenas ilhotas existentes no Lago Dal, onde se formam pequenas povoações, somente acessíveis por barco
Mercado flutuante no Lago Dal
Mister Happy Flower que vende flores e sementes, mas destinadas aos turistas
Mercado flutuante no Lago Dal
Mister Delicious, que percorre de barco o mercado e aborda as “shikaras” dos turistas para vender bom-bons de chocolate e bolachas
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
A "shikara" onde fomos levados até à zona do mercado
A “shikara” onde fomos levados até à zona do mercado
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal
Mercado flutuante no Lago Dal

Srinagar

Da mesma forma que a viagem pela estrada que liga a Manali e Leh, revelou uma outra Índia, a estrada que fizemos entre Leh e Srinagar, trouxe uma nova realidade; passámos da seca e árida paisagem dominada no alto pelos mosteiros budistas, para uma zona verde onde a presença de água é uma constante e onde os costumes se baseiam na religião muçulmana e na cultura persa, de que Kashmir é herdeira.

Deixámos para trás as saudações habituais hindus, como o “namasté, o “julê” dos habitantes do Ladakh, para passar-mos para o “salamu alekum”. Aqui os indianos são a minoria. O único templo hindu que visitámos está sob fortes medidas de segurança, sendo proibida a entrada com máquinas fotográficas, telemóveis, isqueiros, etc, sendo necessário passar por detectores de metais, tudo isto sob o olhar atento de inúmeros militares e polícias armados. Contudo são bem vindos como turistas, pois representam uma das fontes de rendimento da região, que tem o atractivo do clima ameno, que contrasta com a maior parte do território indiano que nesta altura está sob o domínio das monções ou sujeito a altas temperaturas.

O clima nesta altura do ano é ameno, com dias quentes e noites agradáveis, notando-se bem a humidade que resulta da proximidade do lago; quando começa a fazer mais calor, e as temperaturas ultrapassam os 30ºC, surge a chuva e por vezes trovoadas, que logo atenuam o calor. No Inverno neva.

Srinagar é conhecida internamente como a Veneza da Índia, e muitas vezes eleita como destino para lua-de-mel dos indianos. Para além dos vários rios que serpenteiam pela cidade ligando os vários lagos, poucas mais semelhanças se encontram entre as duas cidades. Aqui as gôndolas são substituídas pelas “shikaras”, pequenos barcos de madeira, compridos e estreitos, movidos a remos, que são usados nas deslocações diárias e nos passeios pelo lago, que constituem a principal atracção turística da cidade com centenas de “shikaras” a percorrer os canais que se formam por entre as “ilhas” de nenúfares e de flor-de-lótus. Neste habitat, apesar de algum lixo doméstico, abundam os peixes, e é frequente encontrarem-se pessoas à pesca, usando canas e utensílios rudimentares, disputando o peixe com as águias, que em voo picado caçam nas águas pouco profundas do lago Dal.

Outras das atracções da cidade são as chamadas “houseboats”, que basicamente são casas flutuantes, que originalmente foram construídas pelos ingleses que aqui estavam proibidos de comprar terreno, e que encontraram assim uma solução para se estabelecerem em Srinagar; actualmente quase todas as “houseboats” são destinados ao turismo. Apesar de à primeira vista ser uma opção atractiva para passarmos alguns dias, depressa mudámos de ideias, não só pelo preço, que triplica em relação a uma guesthouse, mas em principalmente porque estão estacionadas muito próximos umas das outras, formando uma barreira compacta que se estende ao longo das margens do lago.

Nas deambulações pela parte antiga da cidade, onde as casas são construídas numa estrutura triangulada preenchida com pedra, pintando um cenário dominado pelo castanho e cinzento, visitámos a mesquita mais antiga, Jamia Majid, que data do século XVI, mas que tem sofrido melhoramentos que a têm desfigurado, apresentando poucos atractivos.

Da passagem dos mongóis ficaram vários jardim, construídos em alamedas rectilíneas, atravessadas por geométricos lagos e ladeadas por plátanos gigantescos com centenas de anos. São local de eleição para passeios de família em especial aos fins de semana.

Srinagar foi uma surpresa agradável. Desconhecia a existência desta cidade, temia o facto de aqui dominar a cultura muçulmana e receava pelas histórias de guerra e de atentados, o que fazia prever uma estadia curta de alguns dias, para segui rumo para sul.

Contudo o verde, a vida da cidade, o clima e em particular a diferença em termos culturais, fez com que a estadia se fosse prolongado por mais de quinze dias.

Nota-se uma grande diferença fisionómica nos rostos dos habitantes de Kashmir, com traços mais fortes e masculinos, muitos com olhos verdes, cor de avelã e mesmo azuis, talvez herança dos antepassados persas, que criam um forte contraste com a pele morena e escura.

Muitos vestem roupa tradicional, túnica sobre calças largas, geralmente branca, que por vezes lhes confere um ar distinto. As barbas são quase uma constante, em particular nos homens mais velhos. Somente as mulheres hindus andam com a cabeça descoberta, sendo frequente cruzarmo-nos com mulheres com o rosto totalmente coberto, por véus pretos que lhes escondem o olhar.

Quando nas ruas e nos autocarros, cruzamos olhares tanto com homens como com mulheres que nos observam com curiosidade, a reacção inicial é de indiferença ou de desconfiança, mas rapidamente é substituída por um sorriso amigável.

Aqui em Kashmir, ao sermos abordados nas ruas com as habituais perguntas sobre de onde somos, o nosso nome, etc… pode surgir um convite para tomar chá. Foi o que nos aconteceu numa tarde ao passearmos pela parte antiga da cidade, onde fomos interpelados por um rapaz que nos convidou para sua casa, onde estivemos na conversa juntamente com o pai, enquanto bebíamos chá em delicadas chávenas de porcelana e debicávamos bolinhos. Este situação repetiu-se e revelou-se uma excelente oportunidade para tentar perceber mais um pouco desta cultura, das tradições, da forma como encaram a vida e também o sentimento que existe em relação á criação de uma Kashmir independente da Índia e do Paquistão.

Kashmir soa a exótico, frutos secos, açafrão, pashminas… de Srinagar fica a memória de uma cidade verde, abundante e orgulhosa.

Srinagar
Srinagar vista do templo hindu Shakaracharya que se situa no topo de uma das colinas existentes na cidade; ao longe, encontra-se o forte Hari Parbat construído durante a ocupação Mongol
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Vista da zona próxima do Dal Gate, onde se concentra uma parte significativa do comércio da cidade
Dal Gate onde, no meio do arvoredo, se situa a guesthouse onde estivemos alojados
Dal Gate onde, no meio do arvoredo, se situa a guesthouse onde estivemos alojados
Mesquita Jamia Majid; ao longe, no cimo da colina situa-se o forte Hari Parbat
Mesquita Jamia Majid; ao longe, no cimo da colina situa-se o forte Hari Parbat
Lago Dal
Lago Dal, onde as houseboats ocupam uma grande parte das margens
Shikaras estacionadas no Lago Dal
Shikaras estacionadas no Lago Dal, destinadas a passeios turísticos onde também se podem tirar fotografias usando trajes tradicionais e segurando cestos com flores de plástico… muito apreciado pelos turistas indianos
Jardim Salimar Bagh
Jardim Salimar Bagh
Lago Dal
Lago Dal
Lago Dal
Lago Dal ao fim do dia, com a neblina que frequentemente cobre a vista das montanhas que circundam o lago
Passeio por um caminho que atravessa o Lago Dal, entre o Jardim Salimar Bagh e a zona antiga da cidade, que fizemos com a Rebecca e o Olaf
Passeio por um caminho que atravessa o Lago Dal, entre o Jardim Salimar Bagh e a zona antiga da cidade, que fizemos com a Rebecca e o Olaf
uma das muitas hortas existentes no Lago Dal, onde se produzem legumes e flores de lótus cuja raiz é usada para cozinhar
Uma das muitas hortas existentes no Lago Dal, onde se produzem legumes e flores de lótus cuja raiz é usada para cozinhar, e que somente são acessíveis por barco
Concerto de musica Sufi
Vendedores de legumes fritos durante o concerto de musica Sufi
Concerto de musica Sufi onde os homens se sentam na tenda em frente aos musícos; às mulheres está reservada uma outra tenda, situada lateralmente ao palco
Concerto de musica Sufi onde os homens se sentam na tenda em frente aos musícos; às mulheres está reservada uma outra tenda, situada lateralmente ao palco
Concerto de musica Sufi, que comemorou a inauguração de um mausoléu na parte antiga da cidade
Concerto de musica Sufi, que comemorou a inauguração de um mausoléu na parte antiga da cidade
Concerto de musica Sufi durante o qual ia sendo distribuido gratuitamente chá, sumos e pão pela assistência
Concerto de musica Sufi durante o qual ia sendo distribuido gratuitamente chá, sumos e pão pela assistência
Concerto de musica Sufi
Concerto de musica Sufi
Um dos edificios situados na zona antiga da cidade
Um dos edificios situados na zona antiga da cidade
Viagem de autocarro que fizemos no tejadilho, pois à hora de ponto não tinha-mos espaço lá dentro
Viagem de autocarro que fizemos no tejadilho, juntamente com a Rebecca e o Olaf, pois à hora de ponto não tinhamos espaço lá dentro

Eis um pequeno video da aventura:

Viajem de autocarro
Viajem de autocarro
Zona antiga da cidade de Srinagar
Zona antiga da cidade de Srinagar
Uma das muitas lojas que se podem encontrar na zona antiga da cidade onde predomina o comercio tradicional
Uma das muitas lojas que se podem encontrar na zona antiga da cidade onde predomina o comercio tradicional
Zona antiga da cidade de Srinagar
Zona antiga da cidade de Srinagar
Lago Dal
Lago Dal
Lago Dal
Um dos vários caminhos de acesso à guesthouse onde estávamos alojados que liga as pequenas ilhas existente no Lago Dal às ruas principais da cidade
Lago Dal
Uma das muitas espécies de aves que povoam o Lago Dal
Uma das muitas padarias e lojas de doces que encontramos pela cidade. Os doces são realmente muito doces...
Uma das muitas padarias e lojas de doces que encontramos pela cidade. Os doces são realmente muito doces…

Sobre Kashmir

Kashmir é o principal ponto de discórdia ente a Índia e o Paquistão, tendo tornado estes dois países inimigos, com inúmeros episódios de guerra, massacres e atentados, tendo até hoje deixado um rasto de sangue de mais de 60.000 vítimas.

A raiz do conflito remonta a 1947, aquando da independência em relação ao Império Britânico, o Marajá de Kashmir, de origem hindu, optou por se juntar ao território Indiano, em detrimento do Paquistão, apesar de noventa por cento dos seus habitantes serem muçulmanos. Desde então tem crescido um sentimento independentista, apoiado pelo Paquistão, que pretende a criação de um novo estado. Os habitantes de Kashmir reclamam uma herança genética, religiosa e cultura Persa, falam uma língua própria, o kashmiri, derivado do persa, com o correspondente alfabeto em caracteres árabes.

O estado de Jammu e Kashmir, faz fronteira com o Paquistão e com a China, na região do Ladakh, com parte do seu território interdito por questões de segurança, chamadas “zonas de controlo”. Culturalmente é dominado pela cultura e religiões muçulmana, com excepção do zona mais a este, que é claramente influenciada pelo Tibete.

Até à cerca de 10 anos esta região era considerada zona de guerra, e apesar de não estar interdita aos visitantes, era fortemente desaconselhada, em especial a turistas estrangeiros.

Hoje em dia, diminuiu consideravelmente a presença militar na cidade de Srinagar, contudo ainda se vêm, nas principais avenidas, nos cruzamentos e junto a edifícios públicos, postos de controle protegidos por sacos de areia, barreiras feitas de arame farpado, carros blindados e grupos de militares fortemente armados.

Aparentemente a situação na cidade é calma, mas nota-se alguma tensão em especial às sextas-feiras, dia sagrado para os muçulmanos, com o aumento do numero de militares nas zonas mais movimentadas da cidade.

Para mim é bastante estranho estar a caminhar pelas ruas e passar a menos de meio metro de militares vestidos de camuflado, armados com metralhadoras, e protegidos por capacetes e coletes à prova de bala. Acho que nunca tinha estado tão próximo de armas de fogo… vistas de perto até não aparentam serem tão perigosas, se comparar-mos com o que vemos nos filmes, mas por vezes sinto crescer em mim um certo terror que me faz acelerar o passo a afastar-me rapidamente destes locais. Mas estranhamente sinto-me bem nesta cidade.

Recentemente a visita do primeiro-ministro indiano a Srinagar, provocou uma greve-geral, e um onda de protestos e manifestações que culminaram com a morte de cerca de uma dezena de policias, durante confrontos na zona mais antiga da cidade, e onde se localizam as maiores e mais importantes mesquitas. Nas duas noites seguintes houve recolher obrigatório, e mesmo durante o dia fomos aconselhados a não nos afastar-mos muita da zona onde se localiza a nossa guesthouse, que fica junto ao Lago Dal, a meio caminho entre a zona antiga e a parte mais moderna de Srinagar.

Na volta que demos pelas redondezas, no primeiro dia da greve, deparámos com um silêncio invulgar e impensável para uma cidade, e que permitia ouvir o som dos pássaros, em resultado de muitas das ruas principais estarem encerradas ao trânsito como medida de segurança.

Para agravar as coisas, a chegada do primeiro ministro, de religião sikh, coincidiu com as celebrações do inicio da quinzena, que antecede o Ramadão, e que reuniu milhares de pessoas nas inúmeras mesquitas, ao fim doa dia, enquanto pelos altifalantes o som das orações e dos versos do Alcorão se espalhavam por toda a cidade de Srinagar, prolongando-se pela noite dentro, terminado muito depois da meia-noite.

 Estranhamente o dia-a-dia em Srinagar, decorre sem grandes sobressaltos totalmente alheio a todo este aparato militar, com a habitual confusão de trânsito de uma cidade indiana comandada pelo som das buzinas, com o frenético movimentos de pessoas, os vendedores de frutas e legumes à beira da estrada, as crianças a caminho da escola envergando os seus uniformes, as mulheres de cabeça coberta fazendo compras ou lavando a roupa no lago, as vozes dos ajudantes de motorista repetindo o destino do autocarro cada vez que chega a uma paragem, as galinhas engaioladas à espera do seu fim, os carneiros pendurados nos talhos… e o sempre presente som dos “mullah” entoando cânticos e convocando os crentes para as orações, que se repetem cinco vezes durante o dia.

Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Srinagar. Junto ao Rio Jhelum
Sinagar
Sinagar
Mausoléu Hazratbal
Mausoléu Hazratbal
Sinagar
Sinagar
Srinagar. Lago Dal
Srinagar. Lago Dal

pela estrada fora… entre Leh e Srinagar

Agora que nos aproximamos do dia de sairmos de Srinagar, depois de uma estadia de cerca de duas semanas, é altura de contar como cá chegamos.

Depois da longa viagem de autocarro que nos levou de Manali a Leh, pensávamos que não teríamos que enfrentar novamente semelhante provação, mas deparámo-nos com o facto de a única forma de sair de Leh, ponde de parte o avião, era fazer novamente o caminho de volta a Manali, ou então seguir-mos em “frente” o que significava irmos para a cidade de Srinagar.

Srinagar e toda a região envolvente estiveram até à cerca de dez anos fora do circuito turístico, nem sequer aparecendo nos guias de viagem pois estava vedada a estrangeiros devido à guerra civil entre tropas indianas e os movimentos separatistas que reclamam pela independência de Kashmir, que envolvem também o Paquistão.

Apesar deste cenário, as informações que nos chegarás dos viajantes que encontrámos em Leh, eram bastantes positivas, referindo uma cidade bonita, com forte presença muçulmana mas sem aparentes problemas de segurança. Seringar passou a ser o nosso próximo destino.

Tínhamos pela frente uma viagem de dez horas, para percorrer 434 quilómetros, feita durante a noite num jeep, onde éramos os únicos passageiros. Cedo percebemos que não iria ser uma viagem fácil e iriamos demorar muito mais tempo… o condutor era bastante mau, muitas vezes circulava em contramão, desviando-se no limite com bruscas guinadas no volante, enquanto tentava escrever mensagens no telemóvel.

Um das muitas paragens que fizemos durante a noite, foi em Mulbekh, que curiosamente era um local que queríamos visitar pois aí encontra-se uma estátua de Buda com cerca de sete metros de altura, esculpida na rocha entre os séculos VII e VIII. Mas esta não foi só uma paragem para comer ou beber um “chai”: aqui o motorista decidiu dormir. Assim passamos umas horas dentro do Jeep, parados à beira da estrada, num local completamente isolado, e desértico aquelas horas, rodeados pela densa escuridão sob o olhar protector do Buda.

Com o nascer do dia, passamos por Kargil, a partir de onde se tornaram claros os sinais da cultura muçulmana: mesquitas, bandeiras com as cores do islão, caligrafia árabe, mulheres com a cabeça coberta por véus… nem parecia que estávamos na Índia.

À medida que avançávamos a paisagem foi tornando-se cada vez mais verde, com a estrada a descrever sinuosas curvas ao longo das montanhas, coroadas de neve e vales revestidos de relva por onde serpenteavam rios e pastavam rebanhos de ovelhas e cabras, conduzidos por pastores nómadas, que transportavam os seus haveres em pequenas caravanas de mulas.

Depois de passar-mos Dras, mais uma vila sem aparente interesse, à medida que fomos subindo a montanha em direcção ao ponto mais alto, Zoji La, situado a 3529 metros de altitude, a temperatura começou a baixar a as condições de visibilidade foram drasticamente diminuído com o nevoeiro que por vezes formava uma densa barreira branca. Ao mesmo tempo as condições da estrada foram piorando, transformando-se num trilho estreito e lamacento, que cortava corajosamente a encosta que se desenvolvia quase a pique.

As dificuldades em circular, agravadas pela intensa chuva, pelas linhas de água que atravessavam a estrada, ou por zonas onde o desmoronamento de terras tornava a estrada ainda mais estreita, tornavam o cruzamento de veículos numa tarefa difícil e arriscada, obrigando a longas paragens foram criando longas filas de camiões e de autocarros. Nos pontos mais críticos da estrada, militares controlavam a circulação e vigiavam as condições de segurança da estrada, que por vezes tem que ser encerrada, em resultado de acidentes ou de desmoronamentos.

Perante todo este cenário que piorava à medida que avançávamos, o motorista do nosso Jeep ia buzinando furiosamente e tentando fazer perigosas e impensáveis ultrapassagens, que tentámos algumas vezes impedir.

Foi um acumular te tensão, que me deixou à beira do desespero, ao ponto de ter saído do carro com a intensão de prosseguir o resto do caminho a pé; a persistente chuva, o frio e a lama, que quase me fez escorregar assim que pus os pés na estrada, obrigaram-me a refrear o impulso.

Todo este pesadelo somente abrandou quando começamos a descer em direcção a Sonamarg, e o sol foi timidamente despontando por entre as nuvens; o resto do percurso foi feito sem sobressaltos, por entre vales verdes e floridos, com a estrada a atravessar inúmeras povoações.

À chegada a Srinagar, por volta das duas da tarde, depois de 18 horas de viagem, fomos deixados pelo nosso motorista numa larga e movimentada avenida, ao som da sinfonia de buzinas, que nos tínhamos desabituado de ouvir, enquanto estivemos no Ladakh. Voltámos à Índia!

Leh-Srinagar
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VIPASSANA

(este post encontra-se cronologicamente fora do contexto, pois corresponde ao início de Maio, quando estávamos em Dharamkot, mas a hesitação em escrever sobre a minha experiência no Vipassana, fez com que só agora este texto visse a luz do dia… ou dos pixelsJ)

 

Depois de muita espera pelo início de um novo curso, tivemos que acordar de madrugada para colocar o nosso nome na lista de espera, na esperança que houvessem desistências e conseguisse-mos vaga no curso de Vipassana, pois à meses que as inscrições estava completas.

Às quatro da tarde desse dia, tivemos a confirmação do sentimento que tinha desde o inicio, de que íamos conseguir entrar os dois.

Mutámo-nos da guesthouse onde estávamos de “armas e bagagens” para o Centro de Vipassana de Dharamkot, para enfrentarmos o burocrático processo de inscrição.

Só à chegada ao quarto que me foi atribuído é que me apercebi e tomei pela primeira vez consciência do que me estava a propor fazer: dez dias, afastada do mundo, sem falar ou comunicar, por olhar ou gestos, com as outras pessoas, cumprindo um rígido horário para dormir, descansar e para tomar as refeições, tendo como objectivo principal a meditação.

Chama-se Curso de Meditação mas não se trata propriamente de um conjunto de instruções ou métodos para aprender a meditar: trata-se de um caminho (dhama) que tem que ser percorrido por cada um, solitária e individualmente, seguindo para isso as orientações proferidas diariamente pelo senhor Goenka, que criou este método.

O quarto que me foi atribuído, um verdadeiro luxo tendo em conta as condições do  centro e o país em que estamos, era um pequeno compartimento, ocupado por uma estreita e curta cama, e com o espaço suficiente para passar até à porta de acesso à casa de banho, de onde podia ver a floresta de cedros que envolve todo o centro, através do vidro partido da janela.

Pela claraboia existente no tecto do quarto podia ser o sol a atravessar as árvores e pelas sombras projectadas nas paredes do quarto ia tendo a noção da passagem do tempo, durante os intervalos para descanso; é interdito o uso de telemóvel, máquinas fotográficas, ou de outros equipamentos elétricos, assim como de livros, cadernos, canetas ou qualquer outro objecto que nos possa distrair os nossos pensamentos do objectivo de estarmos em contacto connosco.

A maior parte do dia era passado no maior edifício do centro, o “Meditation Hall”, uma sala grande, ventilada, mantida permanente na penumbra apesar de, a toda a volta, ser rasgada por janela que emolduravam a paisagem densamente de pinheiros. Este era o único local que homens e mulheres partilhavam, pois tanto o refeitório, os dormitórios e as zonas envolventes estavam separadas.

Os quatro dias que lá passei fizeram-me perder totalmente a noção de tempo, pois a rígida rotina e a falta de contacto com os outros ou com o exterior, fazem-nos perder intensionalmente as referências, de forma a ficarmos mais focados em nós para assim fazermos o nosso percurso, caminho, com o mínimo de distrações ou dispersões.

De início pareceu-me exagerada essa atitude tão escrupulosa, mas logo ao segundo dia a vontade de comunicar com alguém foi desparecendo, sendo substituída por uma necessidade de solidão. Mesmo o entusiasmo inicial de passear e de ir conhecendo os limites do espaço ou de apanhar alguns dos raios de sol que corajosamente atravessam a densa floresta de cedros, foi rapidamente substituída pela necessidade de descanso e de isolamento, que me levavam a ir directamente para o quarto, nos intervalos dos períodos de meditação.

Todo o quarto convida ao isolamento desde o momento em que entrei: básico, sem decoração ou mobiliário, para além da cama e de uma minúscula prateleira feita em pedra. Sentia-me como um monge numa cela; inicialmente chamava-lhe catre com alguma ironia, mas rapidamente se transformou num refúgio.

O vespertino horário de ir para a cama, à 9h da noite, tornou-se o momento mais ansiado do dia, que começava implacavelmente às 4h da manhã com o toque de uma campainha e meia hora mais tarde com o som do gongo que marcava o inicio da meditação matinal.

Estranhamente o acordar não era difícil, mas durante as duas horas de meditação que se seguiam o meu estômago reclamava por comida.

As duas principais refeições, o pequeno-almoço às 6.30h da manhã e o almoço às 11h, eram uma verdadeira consolação. O jantar, por volta 5h da tarde era bastante pobre tendo em conta as horas que ainda tínhamos pela frente, consistindo em fruta, tostas e algum arroz tufado.

Para compensar o pequeno-almoço, também servido em estilo de buffet, tinha pão caseiro, fruta, grão e sempre presente “chai”, chá preto com leite, disponível a todas as refeições. A ementa variava a todas as refeições, e a comida foi ficando cada vez melhor ao ponto de no quarto dia o pequeno-almoço apresentar “idlys” e “sambar”, típicos do sul da Índia e difíceis de encontrar por estas paragens, e que já não comida desde a primeira vez que estive na Índia, à cinco anos.

Ao almoço houve sempre arroz servido com deliciosos carris de legumes que formam sempre variando entre batata, courgettte, abóbora e couve-flor, juntamente com sopa de lentilhas ou por um caldo de legumes; tudo acompanhado de “chapatis”, pães indianos, mas feitos em versão miniatura. Muitas foi também servida sobremesa… iogurte, bolinhos, tudo com muito açúcar, e geralmente pouco convidativos como a maioria dos doces indianos.

Parece exagerado estar a descrever com tanto detalhe a comida, ainda para mais tendo sido recomendado para não exagerar nas doses pois tal prejudica a concentração e dificulta o trabalho de meditação, mas era o momento importante para mim e marcava as várias fases do dia, divididos sempre da mesma forma entre períodos de meditação na sala principal e de descanso no quarto.

Todos os dias, ao fim do dia, ouvíamos as gravações ou víamos um video, as instruções para seguirmos no dia seguinte, assim como uma pequena palestra de cerca de uma hora proferido pelo Goenka, sobre o modo de funcionamento do método Vipassana e a forma como devíamos trabalhar para conseguir percorrer o “caminho” e tentar tomar contacto com a nossa consciência.

Havia momentos em que tudo parecia sem sentido, uma farsa, um conjunto de tiques e regras complicadas para parecer mais eficaz e verídico… mais uma das muitas ofertas “espirituais” que se encontram pela Índia, mas no fim do primeiro dia mudei de ideias: parecia que o que o Goenka dizia se encaixava com o que eu sentia, com as duvidas que eu tinha e eram proferidas as frases certas para incentivar e encorajar a continuação do trabalho…. “star again”… “you are bond to succed”… “work hard and diligently”… Todas as frases eram repetidas duas ou mais vezes, inicialmente em hindi e depois repetidas em inglês. Às vezes encorajava, mas às vezes cansava e parecia que a voz do Goenka soava sinistra e cavernosa.

Mas vamos ao que verdadeiramente interessa: o método usado para atingir a meditação. Inicialmente tenta-se diminuir a dispersão dos pensamentos que passam pelo nosso cérebro, fazendo com que a atenção se foque na passagem do ar pelas narinas, mesmo que seja somente durante instantes. Ao fim do primeiro dia essa concentração deve ser conseguida por períodos cada vez mais prolongados. No dia seguinte foca-se a tenção à zona entre as narinas e o lábio superior. No terceiro dia reduz-se a área onde nos focamos, para uma triângulo imaginário entre as narinas e o lábio superior. Assim pretende-se diminuir a intensidade dos pensamentos que constantemente afluem à nossa cabeça como uma cascata ou um rio tumultuoso. Os pensamentos estão constantemente a saltar do passado, antigo ou recente, para o futuro, com previsões e conjecturas sobre o que há-de vir, sempre construindo complexas e instáveis arquiteturas de pensamentos, sem aparente continuidade ou sequer relação. É extenuante o esforço para manter a mente focada no presente.

Quando me apercebia que a minha mente vagueava para outra paragens, voltava a focar-me na espiração, para segundos depois estar novamente alheada dessa intenção.

As horas foram passando e o esforço foi sendo cada vez maior; sentia dores no corpo, não as resultantes de estar sentada muitas foras no chão, de pernas cruzadas, mas uma dor intensa, vinda do interior e espalhada por todo o corpo, como se fosse o sintoma de uma gripe ou a aproximação de um estado febril.

No dia seguinte, após as primeiras horas de meditação essa sensação, que tinha desaparecido com o repouso, voltou, mais intensa e acompanhada de lágrimas que me humedeciam as pestanas, e que não tinham qualquer justificação.

Milhares de pensamentos e de recordações forma passando pela minha cabeça, mas a nenhum eu conseguir atribuir o motivo desta vontade de chorar; nem tão pouco consegui perceber o motivo das dores e do mal estar que sentia. Um pouco desorientada fui falar com a professora, que sempre estava presente durante as meditações, durante o intervalo existente após o almoço e que está reservado para os alunos colocarem questões e duvidas sobre o método; fui esclarecida em relação ao que sentia: era perfeitamente normal e bastante frequente, fazia parte do processo e que devia de continuar… era uma etapa do percurso.

No fim desse dia, o segundo, o mal estar que até então sentia foi substituído por uma certa leveza o que fez com que ganhasse confiança e aumentasse o meu esforço e a minha capacidade de concentração. Pela primeira vez deixei de ansiar pelo som da campainha que marcava o fim de cada uma das secções na sala de meditação.

O terceiro dia foi passado em grande luta interior, mas desta vez deixei-me levar por alguns pensamentos e não me preocupei tanto com a respiração pois estava as sentir que me fazia bem enfrentar alguns assuntos do passado que acho que ainda se manifestam em alguns dos mus comportamentos e medos. Numa das noites, já não consigo situar em qual, sonhei com pessoas e situações que pensava já não terem lugar nas minhas memórias… talvez o passado não tenha ainda passado totalmente.

O quarto dia, que para mim foi o ultimo, foi efetivamente o primeiro dia do processo do Vipassana. Até então tínhamos estado a percorrer um caminho de preparação: inicialmente o “shila” e depois o “samadi” que são como níveis de concentração e que correspondem a uma diminuição da atividade cerebral e a uma maior focagem no presente.

As duas horas que durou o Vipassana, que marca o primeiro contacto com o “pannã”, sempre a ouvir as instruções do Goenka emitidas pelas colunas espalhadas pela sala, foram extremamente intensas, onde a atenção deixou de estar focada na respiração, mas passou a ser dirigida para a procura de sensações, como calor, frio, comichão, movimentos sob a pele, etc… inicialmente no topo da cabeça e daí passando por todo o corpo até aos pés, membro a membro, articulação a articulação…

Pouco depois da primeira hora, o meu corpo começou a dar sinais de que precisava de sair daquela postura de pernas cruzadas. Apesar das indicações para manter a imobilidade durante estas duas horas, não consegui evitar e tive procurar outra posição, mas mesmo assim não consegui evitar uma dor intensa da fundo das costas até à perna, na zona do nervo ciático. Fui chamada à atenção, para me manter na postura inicial, mas foi-me impossível e a partir daí foi um verdadeiro tormento em que ansiava por deixar de ouvir a voz lenta e arrastada do Goenka que em vez de funcionarem de incentivo, só contribuíam para o meu desespero.

Perante esta situação acabei por desistir, sem ter completado os dez dias do curso, mas com vontade de fazer nova tentativa num centro com melhores condições.

 

Algumas frases do discurso do Goenka durante os vários dias do Vipassana, que ajudam a compreender o método; por comodidade optei por manter o texto em inglês:

 

“The final aim of this meditation is not concentration of mind. Concentration is only a help, a step loading to a higher goal: purification of mind, eradication all the mental defilements, the negativities within and thus attaining liberation from all misery, attaining full enlightenment.”

 

“Every time an impurity arises to the mind, such as anger, hated, passion, fear, etc… one becomes miserable. Wherever something unwanted happens, one becomes tense and start tying knots inside. Wherever something wanted does not happen, again generates tension within. Throughout life, one repeats this process until the entire mental and physical structure is bundle of Gordian knots. And one does not keep this tension limited to oneself, but instead distributes it to all whom one comes into contact.”

 

“… meditation course to learn the art of living: haw to live peacefully and harmoniously within oneself, and to generate peace and harmony for all others.”

 

“Breath is a tool with which to explore the truth about oneself.”

 

“On this path, whatever is unknown about yourself must become known to you. For this purpose respiration will help. It acts as a bridge from the known to the unknown…”

 

“One reality of mind (…) is its habits of always wondering from one object to another. It does not want to stay on the breath, or on any single object of attention; instead it runs wild.”

 

“The goal of this technique is to purify the mind, to free it from misery by gradually eradicating the negativities within. It is an operation deep into ones own unconscious, performed in order to uncover and remove the complexes hidden there.”

 

“The contact of these positive and negative forces produces an explosion. Some of the impurities hidden in the unconscious rise to the conscious level, and manifest as various mental or physical discomforts.”

 

“… what seems to be a problem is actually a sign of success in the meditation, an indication that in fact the technique has started to work.”

 

“Continuity of the practice is the secret of the success. You have to do the work; no one else can do it for you. (…) you receive the support of all “Dhamma” forces, but still you have to work yourself. You have to work entire path yourself.”

 

“You will take your first steps in the field of “pannã” when you star to practice Vipassana (…) to penetrate to penetrate in the deeper levels and eradicate the impurities hidden there.”

 

“Work patiently, persistently and continuously for your own good, your own liberation.”

 

“May all being be happy.”

 

Glossary:

Sila: is morality; abstaining from unwholesome deeds of body and speech.

Samadi: is the wholesome action of developing mastery over one’s mind; practicing both is helpful, but neither can eradicate all the defilements accumulated in the mind.

Pannã: is the development of the wisdom, of insight, witch totally purifies the mind.

Vipassana: introspection, insight witch purifies the mind; specifically into the impermanent, suffering and egoless nature of the mental-physical structure; the systematic development of the insight through the meditation techniques of observing the reality of oneself by observing sensations within the body.

Dhamma: phenomenon; object of mind; nature law; law of liberation; touching of an enlightened person.

 

 

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O quotidiano em Leh

A cidade é pequena e calma, sem o habitual frenesim das cidades indianas, mas com bastante pó dado estarmos em pleno deserto, onde a água é um recurso escasso. Não um deserto de areia, mas de rocha e pedra, com terreno bastante arenoso. A pouca vegetação existente, maioritariamente faias e tílias, e os pequenos terrenos agrícolas dedicados ao cultivo de hortícolas, somente são conseguidos à custa de um complexo sistema de canais que irrigam os campos com a água que resulta do degelo das montanhas que envolvem a cidade de Leh.

As ruas principais são dominadas por, agências de viagens especializadas em caminhadas, artesanato do Ladakh e do Tibete, e pela venda de carpetes, mantas, echarpes e lenços de lã de yak ou pashemina, viradas para o turismo indiano como estrangeiro. Contudo, nas ruas secundárias podem ainda encontras lojas dedicadas ao comércio tradicional, como alfaiates, ourives, cabeleireiros, lojas de artigos religiosos budistas… e uma inúmera variedade de meias, luvas, gorros e peúgas, tido feito à mão, por senhoras que muitas vezes vemos a fiar a lã.

Por aqui domina a cultura Ladakhi, que tem origem na cultura tibetana, mas que foi ganhando características próprias, que sobressai na língua e nas roupas tradicionais que algumas pessoas, em especial as mulheres, ainda envergam. A comida é muito semelhante à que experimentámos em Macleod Ganj, dominada por sopas de vegetais com massa (thupkas) e momos, mas que aqui apresenta uma variação que é a cevada tostada, que pode ser servida em sopa, a “tsampa”, ou cozinhada como papas, servidas ao pequeno-almoço.

Dada a proximidade com a região de Kashmir, existe aqui um significativa comunidade de muçulmanos, em especial nas ruas estreitas junto da mesquita, situada na zona antiga da cidade. Aqui encontrámos diversas padarias tradicionais, que desde as cinco horas da manhã fabricam os chapatis, estendendo a massa com os dedos e “colando-a” às paredes dos tandori (fornos verticais feitos em barro, com abertura no cimo), onde rapidamente formam bolhas, até ficam cozidos e estaladiços. Outra alternativa são uns bolinhos, ligeiramente salgados, de massa quebradiça, enfeitados com sementes de sésamo, também cozinhados no mesmo tipo de forno, tradicionais de Kashmir.

Estas padarias tornaram-se um local de visita quase diário, onde muitas vezes nos abastecemos, de chapatis e de bolinhos, antes de iniciar-mos alguma viagem pelas redondezas; uma verdadeira delícia, a 4 rupias cada um…

Durante os primeiros dias que estivemos em Leh, anuviava-se o evento cultural da temporada: um concerto para recolha de fundos para obras de beneficiação de um mosteiro budista. O local do espetáculo, é um terreno onde se realizam jogos de polo a cavalo, mas que serve principalmente para estacionamento de automóveis e de autocarros.

O espetáculo contava com a presença de artistas locais, desde música tradicional a sons mais modernos como o rock e o hip-hop. As vedetas eram dançarinos de Bollywood, vindos directamente de Mumbai. Pensávamos que eram a atração principal da noite, mas foram recebido entre assobios e vaias, que se foram agravando, obrigando à interrupção da actuação. Até deu pena.

Ficou claro que a população do Ladakh não aprecia muito os indianos e soubemos mais tarde que o Ladakh reclama autonomia em relação ao estado de Jammu e Kashmir, com o qual não tem qualquer relação cultural ou religiosa.

Dzomsa, significa ponto de encontro na língua Ladakhi. Trata-se de um projecto que pretende divulgar a cultura do Ladakh, promovendo a sustentabilidade. Nesta loja, limpa e arejada, podemos encher as garrafas com água filtrada e purificada, por 7 rupias. E comprar os deliciosos alperces secos, que são a fruta de eleição do Ladakh, e que nesta loja são muito melhores, mais saborosos e macios, do que os que se encontram à venda nos mercados e nas ruas.

Neste espaço, que funciona também como lavandaria, podemos encontrar outros furtos e vegetais secos, bons para as caminhadas, assim como proceder à troca de livros.

Ficámos fãs de um sumo de “seabuck berry”… não sabemos o que é este fruto, mas cresce abundantemente nestas paragens e é bastante rico em vitamina C.

Quanto a restaurantes ficamos clientes da Família Norlakh, que serve comida tibetana, exclusivamente vegetariana, e onde podemos provar a “tsampa” de vegetais.

Leh
Leh
Leh
Leh
Leh
Rua principal de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Zona muçulmana no centro de Leh
Loja de artesanato/velharia do Ladakh
Loja de artesanato/velharias do Ladakh
Roupas tradicionais do Ladakh
Alfaiate de roupas tradicionais do Ladakh
Leh
Leh
Fábrica de rotis
Fábrica de rotis… pão quente das 5h da manhã até às 5h da tarde
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir
Pão de Kashmir a ser cozinhado no tradicional forno tandori
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Pães tradicionais de Kasmhir feitos em padarias situadas no bairro muçulmano da cidade de Leh, junto à mesquita
Talho em Leh... nada de frigoríficos
Talho em Leh… nada de frigoríficos
Recinto para jogos de polo em Leh
Recinto para jogos de polo a cavalo, em Leh… nesta altura estava a ser usado para uma parada militar. Dada a proximidade com a fronteira Chinesa (Tibete) nota-se bastante a presença do exército em vários pontos da cidade
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh... enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
Aqui estou acompanhada da senhora que fez o gorro que comprei em Leh… enquanto tirávamos a foto, não parou de tricotar
restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Restaurante Neha, que serve deliciosos snack ao estilo indiano onde dominam os fritos
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Channa Batura, servida no restaurante Neha, que consiste num pão frito, com a massa semelhante aos portugueses pastéis de massa tenra, que acompanha um carril de grão
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Tsampa, sopa feita com farinha de cevada tostada e vegetais
Leh
Leh
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!)
Como fomos dos primeiros a chegar ao recinto onde se ia realiza o espetáculo, podemos assistir ao check-sound das 22 colunas de som!!!
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Concerto no recinto de polo em Leh
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa. Água filtrada e purificada.
Projecto Dzomsa
Projecto Dzomsa… sumo de “seabuck berry”

 

O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
O nosso quarto na Atisha guesthouse, que foi até agora o mais limpo que encontrámos
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Atisha guesthouse. Apesar do aparato o chuveiro só tinha água fria. Para tomar-mos banho de água quente tinha que ser com o balde!
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir
Varanda situada em frente ao nosso quarto de onde podíamos apreciar a vista para as montanhas e onde era o ponto de encontro com os outros hóspedes, com quem partilhámos informações sobre os locais onde passámos e para onde pretendemos seguir

Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais... quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)Restaurante Lamayuru, que “descobrimos” no dia em que regressávamos da visita ao mosteiro com o mesmo nome, e onde a comida indiana sobressaía. Junto à entrada situa-se o local de trabalho de um dos muitos sapateiros que do seu posto junto à estrada observam atentamente o estado do calçado de quem passa, na esperança de fazerem algum tipo de arranjo. Mais de uma vez tivemos que recorre aos serviços destes profissionais… quase tudo, mas mesmo quase tudo tem arranjo, até mesmo uma “havaianas” partidas!)

 

Ladakh. Lago de Pangong

Inicialmente não estava nos nosso planos ir visitar este ou qualquer outro lago na região do Ladakh, pois as distâncias apesar de não serem grandes, obrigam a longas e penosas viagens.

Contudo fomos seduzidos com a possibilidade de irmos visitar o mais próximo destes lago, o Pangong que é acessível por transportes públicos, e que é um dos maiores lagos de água salgada da Ásia, com somente um quarto dos seu 130 quilómetros de comprimento situados na Índia, sendo o restante no território Tibetano.

A viagem de autocarro começou pontualmente às 7 horas da manhã, num decrépito autocarro que somente faz este percurso três vezes por semana, pois a região à volta do lago é escassamente povoada. Como a viagem era longa e cansativa, desenvolvendo-se maioritariamente em montanha, obrigando ao cruzamento de um passo a 5360 metros de altitude, fomos aconselhados por outros viajantes a pernoitar numa das pequenas vilas situadas na margem do lago, e empreender a viagem de regresso no dia seguinte.

As informações em relação à duração total da viagem eram pouco concretas, mas apontavam para cerca de cinco a seis horas para percorrer os 154 quilómetros que separam Pangong de Leh. Contudo fomos confrontados com umas penosas 8 horas de viagem, com as habituais três paragens para refeições e mais duas para apresentar documentação, que para além do passaporte e do visto, acresce uma autorização especial para termos acesso a esta região. Chegámos estoirados, e para nossa e de mais uma dúzia de turistas, o autocarro não ia para a povoação que queríamos Spangmik, mas terminava numa outra, também junto ao lago mas que nunca chegámos a saber o nome, mas que ficava a 8 quilómetros do destino pretendido.

No meio de alguma desilusão e desorientação, formou-se um pequeno grupo entre os viajantes ocidentais, em que nos inserimos e onde discutimos a melhor estratégia a adoptar. Optámos por ficar no local onde o autocarro nos deixou, um conjunto de tendas e de construções precárias que funcionam como restaurantes, pois era daí que na manhã seguinte se iria iniciar a viagem de regresso.

Conseguimos arranjar um local para dormir, numa tenda que partilhamos com o nosso amigo Luke, com que já tínhamos feito a viagem entre Manali e Leh, e com quem temos trocado diversas informações turísticas nas várias vezes que nos cruzámos na cidade de Leh.

A solução de dormirmos na tenda revelou-se bastante razoável, pois apesar do frio e do vento que dominaram a noite junto ao lago, estávamos bastante confortáveis com quentes edredons e colchões macios (coisa rara), tendo pago 100 rupias (1.5€) por pessoas… claro que não havia casa de banho, mas somente uma retrete abrigada por chapas metálicas, plásticos e madeiras.

O lago situado a 4267 metros de altitude rodeado de áridas e despidas montanhas, é de uma beleza rara, com a água a reflectir diversas cores, desde o verde ao intenso azul. Enquanto esperávamos pelo pôr do sol, fomos caminhando ao longo do lago em direção a Spangmik, inicialmente em grupo coeso em entusiástica conversa, mas que aos poucos foi-se dispersando.

Ficámos juntamente com o Luke a meio do caminho, a descansar e a apreciar a paisagem e os cores lago que à medida que a luz do sol ia desaparecendo por trás das montanhas, iam mudando de tonalidades. Segundo dizem o lago apresenta sete cores diferentes…

Chang La, situado a 5360 metros de altitude, foi o ponto mais alto que tivemos que subir para chegar ao nosso destino
Chang La, situado a 5360 metros de altitude, foi o ponto mais alto que tivemos que subir para chegar ao nosso destino
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
Chang La
uma das várias paragens para apresentar os passaportes e apresentar a documentação referente à autorização necessária para aceder a esta zona do território
uma das várias paragens para apresentar os passaportes e apresentar a documentação referente à autorização necessária para aceder a esta zona do território
o nosso autocarro numas das paragens que fizemos para almoçar
o nosso autocarro numas das paragens que fizemos para almoçar
Este foi o local, junto ao lago, onde o autocarro nos deixou, e onde passamos a noite
Este foi o local, junto ao lago, onde o autocarro nos deixou, e onde passamos a noite
A tenda onde íamos passar a noite que se avizinhava fria e ventosa
A tenda onde íamos passar a noite que se avizinhava fria e ventosa
A confirmação que o sitio onde estávamos não era o nosso destino final, Spangmik, que até lá ainda tínhamos 8 quilómetros pela frente
A confirmação que o sitio onde estávamos não era o nosso destino final, Spangmik, que até lá ainda tínhamos 8 quilómetros pela frente
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Luka, Cat e Ismael
Luka, Cat e Ismael
Lago Pangong
Lago Pangong
A nosso tenda onde passámos a noite no Lago Pangong
A nosso tenda onde passámos a noite no Lago Pangong

No dia seguinte acordámos bem cedo para ver o nascer do sol, que não se revelou tão espetacular como esperávamos, mas não deixou de ter a magia que sempre têm estes momentos. Depois do pequeno almoço, por volta das 8 horas da manhã, regressámos a Leh no mesmo autocarro. A viagem de regresso foi mais rápida, demorando seis horas, dado que o motorista raramente parou e a burocracia com os passaporte foi mais ligeira. Mesmo assim chegamos exaustos.

Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong ao nascer do sol… ainda com caras de almofada!
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Lago Pangong
Restaurante onde almoçamos... com o curioso nome dos "Três Idiotas"
Restaurante onde jantámos… com o curioso nome dos “Três Idiotas”… nem de propósito: foi onde alugámos a tenda onde ficámos com o Luka
Autocarro
Autocarro
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh
Viagem de regresso a Leh

 

 

Ladakh. Mosteiro de Lamayuru

O mosteiro de Lamayuru, que domina a colina onde se estende a pequena povoação com o mesmo nome, é dos mais antigos da região, datando do século IX e X. Para além do valor histórico, apresentava o atractivo de nos dias seguintes se realizar o festival anula de máscaras executado, pelo monges no interior do mosteiro.

Mais uma vez, optámos pelos transportes públicos para percorrer os cerca de 150 quilómetros que separam Leh de Lamayuru, e que nos levou 4 horas, pois mais uma vez tivemos que cruzar um dos passos a grande altitude. Parámos na povoação de Kaltse, para descansar e tomar um “chai” o que me levou a reparar nos pósteres que decoravam algumas lojas e restaurantes: em vez da habitual fotografia do Dalai Lama que se encontra por todo o lado em Leh e em outas zonas que visitamos do Ladakh, aqui aparece a imagem do Ayatola Komeni, o que representa bem a diversidade de culturas, e em particular de religiões, que existentes Índia.

Chegámos pelas 9 horas ao mosteiro, onde já decorria o festival, num recinto ao ar livre, onde se encontravam monges entoando cânticos e tocando tambores, enquanto no meio do recinto desfilavam outros monges envergando trajes de cerimónia com altos chapéus, transportando pesadas trompas metálicas, acompanhados por outros que executavam danças enquanto tocavam gongos.

Durante toda a manhã foram desfilando monges envergando diversos trajes, feitos com ricos materiais, e máscaras de madeira representando imagens alusivas à Roda da Vida, como por exemplo o porco e o Yamantaka, o Senhor da Morte, cujo rosto diabólico é encimado com figuras de caveiras, empunhando espadas e machados.

A assistência que inicialmente não era muita foi durante a manhã aumentando, em especial no numero de turistas indianos e estrangeiros. Um pouco à parte do frenesim das máquinas fotográficas, encontravam-se os habitantes do Ladakh, envergando as roupas tradicionais e girando continuamente a roda de orações.

Nos intervalos, monges vestidos de forma descuidada e com máscaras  de pele avermelhada e cabelos e barbas brancas, comportavam-se como diabretes, enquanto animadamente incentivavam a assistência a fazer donativos, que eram atirados para um lenço branco e recebidos com muita euforia e animação.

Muito do que se passou no recinto escapou ao nosso entendimento e interpretação pois todo o simbolismo destas danças, objectos, gestos e rituais está intimamente associado à religião budista e à cultura Tibetana e do Ladakh, não tendo por isso deixado de ser muito interessante e surpreendente.

Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru
Festival no Mosteiro de Lamayuru

O Ladakh, apresenta a maior concentração de mosteiros tibetanos, sendo o de Lamayuru o mais antigo. Aproveitámos o intervalo para almoço do festival, para irmos visitar o mosteiro, que suplantou o que tínhamos visto dias anteriores em Thikse, não só pelos conjunto de edifícios como pela enorme quantidade de stupas e rodas de orações que encontramos ao percorrermos os labirínticos existentes entre as várias construções e templos.

Enquanto apreciávamos a paisagem árida e desértica, pontuada ocasionalmente por manchas de verde, chegou até nós o som dos cânticos budistas, que fomos seguindo até entrar-mos num dos vários templos do mosteiro, onde vários monges entoavam orações ao som do hipnótico ritmo dos tambores, envoltos na penumbra. Demorámo-nos neste espaço ao mesmo tempo estranho e cativante, embalados pelo som dos cânticos, ao mesmo tempo que assistíamos às prostrações executadas pelo fiéis que prestavam homenagem às três stupas ricamente executadas em prata e adornadas de pedras preciosas, contendo relíquias de algum monge ou outra figura importante da religião budista.

Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru
Mosteiro de Lamayuru

Depois de um almoço numa das guesthouses de Lamayuru, onde as opções variavam entre o arroz com lentilhas e massa salteada com vegetais, dirigimo-nos para Kaltse, num táxi partilhado, uma das formas de transporte existentes nesta zona, que consiste num carrinha pequena, com cerca de sete lugares, que faz um percurso fixo entre duas povoações, sem ter locais especifico para parar nem tão pouco horário certo… passa quando passa.

Em Kaltse, contávamos apanhar um autocarro de volta para Leh, mas uma paragem no posto de policia existente uns quilómetros antes, onde tivemos que apresentar os passaportes e preencher o livro de registos, atrasou-nos e fez com que perdêssemos o últimos autocarro. Restou-nos esperar pacientemente, juntamente com um rapaz indiano que estava na mesma situação que nós, pela passagem de algum táxi ou outro veículo turístico que nos levasse ao nosso destino. As horas foram passando, enquanto o optimismo ia esmorecendo e o cansaço se instalava, fazendo com que a possibilidade de sair de Kaltse nesse dia se tornasse mais remota.

Um pouco em desespero dirigi-me a um mini-bus para saber se tinham lugar para nós, mas só mais tarde, quando finalmente tivemos a confirmação que nos podiam transportar para Leh, é que nos apercebemos que estávamos num veículo alugado por uma família indiana, de Mumbai, que andava em turismo pelo norte da Índia. Foram extremamente simpáticos e bastante curiosos sobre o nosso país e o nosso modo de vida, tendo partilhado connosco alguma da comida caseira que transportavam na viagem. Para nós foi bastante interessante poder saber mais alguma coisa sobre a sociedade indiana, em especial vista da perspectiva de uma família com uma confortável situação económica, bastante viajados, com filhos na faculdade e com dinheiro para fazerem férias.

No fim da viagem à chegada a Leh, perguntaram-nos onde era o nosso resort…. resort… bem… respondemos que estávamos alojados numa guesthouse mas omitimos que nem sequer tinha água quente corrente; acho que não iriam compreender que os “ricos” europeus venham para a Índia fazer vida de pobres, a dormir em hotéis baratos e a andar em transportes públicos J

Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Almoço em Lamayuru
Junto à Montanha Magnética
Junto à Montanha Magnética
Paragem na viagem de regresso a Leh para "ver" a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis... não tivemos provas
Paragem na viagem de regresso a Leh para “ver” a montanha que dizem ter um efeito magnético e que atrai os veículos automóveis… não tivemos provas

Estas paragens para registo junto da policia são frequentes por todo o estado de Jammu e Kashmir, dada a proximidade com as fronteiras da China e do Paquistão, com que a Índia tem uma história recente de confrontos e guerras. Pelo mesmo motivo os telemóveis  não têm acesso às redes internacionais nem mesmo às indianas. A presença policial e militar nesta zona é muito mais evidente do que nos locais por onde temos passado, sendo frequente haver postos de controlo nas estradas principais da região.

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Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

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