Tailândia






















Travel & Photography
O que fica de três meses passados na Tailândia… ficam sem duvida o colorido das vestes dos monges que marcam de açafrão a memória visual da paisagem urbana, ficam os templos ricamente decorados e impecavelmente limpos, onde a imagem de Buda é respeitosamente venerada.
Sempre presente é também o Rei Bhumibol, cuja figura, muitas vezes acompanhado da rainha se encontra em todos os edifícios oficiais, habitações, lojas, assim como pelas ruas das cidades e estradas do país, com o seu retrato em várias fases da sua vida, emoldurado por dourados e rodeados de flores e bandeiras amarelas.
O respeito é algo que marca a sociedade e a cultura tailandesas, e que é evidente na forma como os habitantes e comportam e se relacionam entre si, sem discussões ou tons de voz elevados, sem encontrões, não deitando lixo para o chão, mesmo escasseando o número de caixotes de lixo nas cidades, não enganando com os trocos, respeitando filas e a ordem nas entradas e saídas dos transportes públicos. De todo o grupo há que excluir obviamente os taxistas que aqui, como em todo o lado, tentam sempre aproveitar-se dos estrangeiros.
Outra ideia que ficou foi a de um país rico e de abundância, que apesar de ter pobreza, mais evidente nos meios rurais, se encontra bastante desenvolvido, bem organizado, limpo, um elevado nível de educação, capaz de produzir comida em quantidade suficiente para alimentar a sua população de 64 milhões e habitantes e de ser o maior exportador de arroz do mundo, proeza possível com o favorável clima e pela abundância de água que permite obter várias colheitas por ano e onde fruta como a banana, papaia e manga cresce um pouco por todo o lado.
Fica a memória de um país verde, onde a selva ainda resiste à pressão demográfica humana em busca de espaço para viver e de terreno para cultivar; ficam as praias de calmas e tépidas águas que proporcionam claros tons de azul que contrastam com o verdes das palmeiras.
Ficam também os mercados com o seu vibrante movimento e os seus exóticos produtos de utilização indecifrável, e a grande variedade oferecida, onde domina a carne, mas onde se pode encontrar uma grande variedade de legumes, e onde a colorida e exótica fruta se torna uma tentação.
E de facto, o mais saudades deixa é a deliciosa comida tailandesa, com os seus aromáticos caris à base de leite de côco, as fumegantes sopas de noodles, as picantes saladas de papaia-verde, as massas e vegetais salteados, os rottes de banana, o sticky-rice… tudo preparado no local em pouco mais do que um minuto, e que pode sempre ser embalado para ser consumido enquanto se percorrem as ruas e se assiste ao desenrolar do movimentado quotidiano tailandês.

Os mercados são sem duvida um dos pontos altos da visita a uma cidade, onde a diversidade de produtos e o seu exotismo prendem a atenção e despertam a imaginação numa tentativa por vezes frustrante de decifrar a utilidade de algum ingrediente, distinguir entre um fruto e um legume ou simplesmente perceber espécie de animal se encontra exposto para venda.
Todas as cidades e pequenas povoações têm um ou mais mercados, alguns iniciando-se mesmo antes do nascer do sol e terminando perto da hora do almoço, outros começando pelas cinco da tarde e prolongando-se pela noite. Podem ser em espaços criados para o efeito, com bancas devidamente organizadas ou simplesmente surgindo de forma aparentemente espontânea a longo das ruas.
Existem os mercados dedicados à venda de produtos alimentares, tanto frescos como embalados, mas onde sempre se encontra uma zona destinada a servir refeições simples, como sopas de arroz e de noodles, peixe ou carne grelhados no carvão, ou salteados no wok juntamente com alguns vegetais; tudo preparado no momento e em poucos minutos.
Muita desta comida pode ser também embalada em pequenos sacos de plástico para ser transportada para casa ou para o local de trabalho, não sendo raro ver pessoas a debicarem comida à medida que vão caminhado pelas ruas da cidade.
O mesmo se aplica à furta, que é descascada e cortada em pedaços para poder ser consumida pela rua com a ajuda de um pequeno pauzinho de bambu que funciona como garfo.
As bananas são uma presença constante nos mercados, podendo-se também encontrar à venda em pequenas bancas improvisadas nas ruas das cidades, junto a um terminal de autocarros ou simplesmente frente ao portão de uma das casas que se alinham ao longo das pequenas ruas secundárias das cidades.
Para além das bananas vendidas frescas, em grupos de dez ou doze, os tailandeses desenvolveram criativamente muitas formas de as confecionarem: cortadas em pequenas lâminas e fritas em óleo, ou em grossas fatias envolvidas numa mistura de farinha de arroz, água e sésamo que são também fritas e comidas ainda quentes, podem ser grelhadas no carvão, inteiras e com casca, descascadas, cortadas em rodelas, intactas ou esmagadas, dispostas ao longo de um fino pau de bambu, servindo de recheio a rottes, em sumos e batidos…
Todos os passeios pelos mercados despertam muitas e intensas sensações, não só pelo visual como também pelos cheiros que se libertam das panelas fumegantes, dos grelhados, do peixe e do marisco vendidos secos que enchem sacas, dando vontade de experimentar muita desta vasta oferta, em especial a fruta, onde descobri uma enorme variedade de sabores, cheiros e texturas, nem sempre tão interessantes como poderiam à partida parecer.
Mas sem dúvida que a pior experiência alimentar que vivi na Tailândia, e quiçá a pior da minha vida prende-se com este fruto chamado durian, de cheiro intenso e pouco atractivo, bastante popular entre os tailandeses, mas capaz de provocar as melhores e as piores reações, havendo mesmo pessoas com repulsa pelo cheiro, ao ponto de ser proibido transportar durian em transportes públicos e consumidos junto a templos e monumentos.
Os doces são também uma presença constante nos mercadas da Tailândia, vendendo-se também pelas ruas da cidade, embalados e apresentados de forma colorida e cativantes, mas extremamente doces, como quase toda a comida na Tailândia, mesmo os pratos de massas e sopas de noodles.
É frequente as cidades terem mais do que um mercado, mesmo as de dimensão mais modesta, muitos dedicados à venda de alimentos mas outros mais focados em artigos de utilidade e de roupa. Nas cidades com mais turismo, como Chiang Mai, muitos destes mercados são vocacionados para a venda de artesanato tradicional da Tailândia, como as roupas características das povoações das montanhas, que se destina não só aos visitantes ocidentais como também aos muitos turistas nacional, que aqui encontram muitos “souvenires”.

















Três meses na Tailândia… muitas viagens, muitos quilómetros percorridos num país que pela sua geografia é pouca convidativo a viagens “circulares”, com perto de 5000 quilómetros percorridos em autocarro e pouco mais do que 2000 quilómetros percorridos de comboio, o que dá uma ideia bem precisa da bem mais estruturada e abundante oferta proporcionada pelo transporte rodoviário. A todos estes quilómetros acresce as horas passadas em barcos nas viagens para as ilhas e mais um inúmero conjunto de pequenos percursos efectuados em táxis-colectivos e mini-vans que permitem fazer ligações entre terminais de autocarros, cais, estações de comboios e as principais cidades.
Pode-se dizer que viajar pela Tailândia é bastante fácil, mesmo para quem não queira optar pelos autocarros turísticos, pois todas as principais povoações dispõem de um terminal de autocarros onde facilmente se consegue fazer a ligação para outros destinos.
Todos as viagens feitas neste país, foram efectuadas maioritariamente em transportes públicos, preferencialmente de comboio, mas nem sempre possível devidos à pouca oferta e aos rígidos horários que não são compatíveis com os vários transbordos necessários; como foi por exemplo, para percorrer os mais de 1400 quilómetros que me propus fazer quando saí de Chiang Mai, principal cidade do norte do país e que foi o meu poiso quase permanente durante esta estadia na Tailândia, com destino às praias das ilhas do Mar de Adamão e do Golfo da Tailândia.
As viagens de barco foram também uma boa dose de aventura nas deslocações que fiz às ilhas, obrigando a pelo menos um percurso marítimo, que pode ser de ferry, no caso de ilhas mais turísticas e com maior população; nas ilhas mais isoladas o meio de transporte é geralmente numa embarcação mais modesta, em barcos de madeira, mas que nem sempre podem chegar a terra, pois nem sempre existe um cais de embarque, obrigando a um transbordo para um simples barco de pesca movido a motor que permite transportar os passageiros até ao areal.
De inicio as minhas viagens de comboio começaram por ser em carruagem cama, primeiro em segunda-classe com ar-condicionado, o que se mostrou muito agressivo devido à baixas temperaturas, mais tarde em carruagens somente equipadas com ventoinhas que da mesma forma proporcionam um sono confortável; mas a opção que dominou foi a viagem em terceira classe, atrativa pelo seu baixo custo, sem camas, lençóis ou cortinas, mas onde os desconfortáveis bancos corridos de três lugares, proporcionam razoáveis noites e onde durante o dia se pode apreciar a paisagem pelas janelas abertas que vai arrefecendo o ambiente durante a tarde, quando as ventoinhas se mostram insuficientes.
Percorrendo as diversas carruagens, e atravessando a antiquada carruagem restaurante, é possível chegar ao fim do comboio e pela porta, que tal como as outras, se encontra quase sempre aberta, apreciar o desfilar da paisagem e o ritmo hipnótico das travessas de betão e o aparente ondular dos carris ao ritmo do balanço constante do comboio.
Estas viagens de comboio e autocarro proporcionam um maior contacto com a população tailandesa, que não sendo muito comunicativa, aparentemente pela barreira linguística, sempre dá a conhecer um pouco da sua forma de estar, mostrando respeito pelos outros, não provocando grande agitação à chegada, mantendo-se calma e ordeiramente no seu lugar e que ao abandonar o comboio ou um autocarros ao fim de umas quinze horas de viagem, recolhe quase sempre o lixo que produziu, o que para mim foi um grande contraste com as viagens que fiz pela Índia.
Os autocarros, tanto os da empresa pública como os das companhias privadas, oferecem nas viagens de longo curso um serviço semelhante ao de um avião, tanto para as classes mais baixas como para os lugares VIP: todos equipados com casa de banho, televisão, e respectiva hospedeira, que de inicio distribui garrafas de água e algum snack, como bolachas ou batatas-fritas, e pela manhã um café, uma em embalagem de sumo ou de leite de soja, e antes da chegada um toalhete para higienizar as mãos… um luxo!
As viagens de longo curso, quase sempre feitas durante a noite, com chegada ao destino pela manhã, implicam a paragem em algum terminal de autocarros, que está preparado para receber as centenas de passageiros, com casas-de-banho, mini-mercados e restaurantes, alguns dos quais servem a refeição que se encontra incluída no preço do bilhete, sendo disponibilizada em alguns locais, para além de pratos vegetarianos, refeições halal, destinadas à população muçulmana que é bastante notória no sul do país.
Estes locais surgem no meio da noite, isolados de povoações, longe de qualquer ponto de referencia, iluminados fortemente pelas frias luzes eléctricas que conferem a estes espaços um ambiente artificial parecendo transportar-nos para uma outra realidade.








O calendário tailandês inicia-se 543 anos antes do inicio do calendário ocidental e a passagem de ano comemora-se a 15 de Abril, com as celebrações a começarem dia 12 com a limpeza das casas e a desenrolarem-se com idas aos templos e convívio com amigos e familiares.
Contudo o dia a dia é seguido pelo calendário internacional, com a passagem do ano a ser também comemorada pelo tailandeses, que de forma discreta se reúnem nos alpendres das casas em volta da mesa ou vêm para as ruas, que se transforma em mercados, lançar foguetes e fogo de artifício juntamente com lanternas de papel que vão enchendo o céu numa pálida imitação da comemoração do Loi Krathong e do Yi Peng, com a festa a terminar cedo, longe dos excessos que caracterizam as comemorações nos países ocidentais.
Este foi o cenário que presenciei em Chiang Mai, onde passei também o Natal, que na Tailândia não tem qualquer expressão fora do circuito farang, onde os estrangeiros se reúnem para um jantar entre amigos, mas longe das decorações e do simbolismo do natal a que estamos habituados.


A Índia é conhecida pela sua espiritualidade, mas do que vi, a maioria dos indianos vive intensamente a religiosidade, repetindo convictamente os ritos iniciados à gerações, mas cada vez mais desligados da sua verdadeira essência, e não transportando para o quotidiano os valores espirituais do hinduísmo que tanto atraem os ocidentais. Na Tailândia, onde todas as manifestações sejam de fé, de desagrado ou de afecto, são mais comedidas e discretas, encontrei nas poucas pessoas com quem consegui falar, uma enraizada espiritualidade, e que é perceptível nos vários momentos da vida quotidiana.
É essa espiritualidade que está por trás do respeito mostrado perante os usos e costumes dos ocidentais que visitam a Tailândia e muitos que aqui fazem vida, que apesar de contrastarem fortemente com a cultura local, são educadamente tolerados, sem contudo serem aceites.
Respeito é a palavra que fica da Tailândia. Do budismo vem um sentimento de evitar os julgamentos, e de fazer o bem, e que se transparece pelos “actos bondade” como alimentar os cães e gatos que habitam nas ruas, fazer trabalho voluntário, como as pessoas que fazem massagens junto aos templos, sendo as receitas entregues aos monges, ou mesmo em pequenos gestos como as bananas oferecidas pelo pessoal da Giant House, em Chiang Mai, no primeiro dia do ano.
Nos mercados nocturnos é possível encontrar grupos de pessoas, muitas das vezes adolescentes, que empunhando uma caixa para donativos, cantam num misto de entusiasmo e timidez com vista a recolherem dinheiro para ajuda das vítimas de alguma catástrofe natural ou simplesmente para alimentar animais abandonados. A estes grupos juntam-se por vezes polícias e bombeiros, que nos mercados nocturnos de Chiang Mai, tocam e cantam com fins caritativos, envergando os seu uniformes impecavelmente engomados, muito justos ao corpo, onde brilham distintivos e medalhas.
Como na maioria dos países asiáticos, o dia na Tailândia começa cedo, pouco depois do nascer do sol, com os monges de cabelo rapado circulando descalços seja qual for a temperatura, pelas ruas recolhendo as dádivas e oferecendo orações, colorindo as ruas com os seus robes de açafrão.
Esta é uma das imagens mais marcantes deste país, encontrando-se por todo o lado, junto aos templos, percorrendo a cidade, em autocarros, barcos e comboios… os mais velhos com ar grave e austero, mas por vezes não dispensando um cigarro fumado discretamente junto à porta do comboios; os mais novos passando o tempo entre brincadeira infantis e jogos de computador ou perdidos algures num ecrã de um smart-phone, mas mantendo atenta disciplina durante as orações pronunciadas nos templos logo pela manhã ou pelas cinco da tarde.

Apesar do aparente distanciamento e desinteresse mostrado de uma forma geral pela população tailandesa em relação aos estrangeiros, tanto turistas como residentes, e que é mais evidente nas grandes cidades, os relacionamentos entre homens ocidentais e mulheres tailandesas são muito frequentes e aparentemente aceites.
Aparentemente este tipo de relações é aceite pela sociedade e pelas famílias, havendo contudo uma expectativa de algum retorno material, que se estende também à família da mulher tailandesa.
É relativamente fácil para um homem ocidental conviver com uma mulher tailandesa, independentemente da diferença de idades, sem que tal seja considerado ofensivo, muitos constituindo família e vivendo permanentemente no país.
As massagens estão por todo o lado, fazendo parte da cultura e dos hábitos tradicionais da população tailandesa, sendo consideradas necessárias ao saudável bem-estar, mas constituindo também um negócio florescente entre os turistas, tanto pelo número de espaços dedicados às massagens como pelas escolas existentes, sendo particularmente notório na cidade de Chiang Mai, onde muita gente permanece semanas ou meses recebendo formação nas diversas vertentes que a massagens tailandês pode oferecer: a tradicional, baseada em pressões e alongamentos, muito próxima da medicina tradicional chinesa, a massagem com óleo, aos pés e a massagem abdominal.
Não sendo fã deste tipo de massagem, não deixei de aproveitar a oportunidade de receber os benefícios desta terapia, tendo usufruído da grande oferta disponibilizada em Chiang Mai e os simbólicos preços, com uma massagem de uma hora a custar entre 120 e 200 bahts.
Depois da primeira experiência num dos locais existentes junto aos templos budistas, demasiada agressiva para os meus fracos músculos, decidi experimentar uma instituição destinada a integrar profissionalmente deficiente visuais, que por 150 bahts, menos do que 4€, efectuam uma hora de massagem seguindo os métodos tradicionais da escola de massagem tailandesa.

Diáriamente, duas vezes ao dia, de manhã às 8h e à tarde às 6h, o hino nacional tailandês é entoado, tanto na televisão como em diversos locais públicos, fazendo parar todos os cidadãos que respeitosamente se colocam de pé enquanto é emitida a música, por meio de altifalantes que se encontram um pouco por todo o lado: nas diversas instituições publicas, escolas, estações de comboios, terminais de autocarros, mercados e em algumas ruas das cidades.
É curioso observar este ritual, que é repetido


pelos tailandeses, quase que parando o país por cerca de um minuto, correspondente à duração abreviada da música nacional, e onde mesmo locais fervilhantes de agitação, como um terminal de autocarro ou um mercado, observam um minuto de contida e quase imóvel postura, interrompendo uma corrida para apanhar um autocarro prestes a partir ou a escolha de algum legume para o jantar!
Este costume é de forma geral segundo pelos estrangeiros, que mesmo não se pondo de pé, mostram respeito mantendo o silêncio.
A fama da gastronomia tailandesa é inteiramente merecida, apresentado grande diversidade de pratos onde predominam os caris, aromáticos e suavemente picantes, e os noodles, suave e macia massa feita à base de farinha de arroz, que dá corpo a muitos dos pratos, podendo ser servida em sopas, ou salteada.
De uma forma geral o arroz encontra-se sempre presente em qualquer casa, sendo frequente ao percorrer as ruas dos bairros sentir em qualquer altura do dia o cheiro quente do arroz cozido, que é quase sempre confecionado em panelas elétricas, tanto ao nível doméstico como nos restaurantes.
Perto dos mercados, ou mesmo nas ruas da cidade encontram-se pequenas bancas que vendem arroz cozido, tanto glutinoso como o normal, em pequenos sacos de plástico, servindo de acompanhamentos a caris, estufados ou a peixe ou carne fritos, e vendidos em forma de pequenas espetadas.
O sticky rice, ou arroz glutinoso, serve de acompanhamento a muitos dos pratos tailandesas, servindo também de sobremesa, onde é comido juntamente com pedaços de manga, e muitas vezes regado com leite de coco adocicado, constituindo uma boa combinação. Em alguns mercados é ainda possível encontrar este tipo de arroz, que depois de cozido é introduzido no interior de um tronco de bamboo que depois é levado a grelhar em carvão; pode ser somente de arroz simples ou ser misturado com feijão, sementes de alfafa, banana, carne…. a escolha é sempre arriscada pois a maioria dos vendedores não fala inglês e mesmo os sons que tento pronunciar de forma a expressar a minha opção por comida vegetariana não são compreendidos, na maioria das vezes.
Este tipo de arroz de grão longo de sabor adocicado, proveniente originalmente da região de Issan (nordeste da Tailândia), onde se adapta bem a terrenos pouco férteis, depois de cozido mantem a consistência firme mas que se agrega com grande facilidade o que permite ser mergulhado em molhos, é deixado de molho em água durante a noite, para de manhã estar pronto para ser cozinhado.
Muito popular, em especial entre os estrangeiros é o chamado “fried rice” que não é mais do que arroz previamente cozido que é salteado no wok, com alguns pedaços de vegetais e aromatizado com molho de soja e molho de peixe. Pode-se consideram uma opção de recurso, em especial quando se chega fora de horas a um restaurante que já está prestes a fechar!!
Pode-se considerar que a pasta de carril é a base de quase todos os pratos tradicionais da gastronomia tailandesa, e pode ser confecionada com diferente ingredientes, mas tem geralmente presente o gengibre, o alho, sal, malagueta, folha de caril, lemon-grass… finamente triturados e esmagados formando uma pasta à qual se acrescenta sal e especiarias que se pode conservar por várias semanas. De acordo com o prato a confecionar existem diversos tipos de pastas de caril: verde, vermelha, massaman, panang…. que se vendem em todos os mercados.
Outra constante são as sopas de noodles, preparadas em menos de um minuto e muito populares como comida de rua, onde pequenas bancas, somente precisam de uma grande panela com um caldo fumegante, que ao ser destapado enche o ar de suaves aromas, ao qual se juntam, já no prato pedaços de legumes de folha verde, carne, ou tofu, sendo acrescentado no final os noodles de arroz, fresco, que instantaneamente ficam prontos a comer.
MSG, glutamato de sódio. Esta é a verdadeira praga da comida tailandesa que compete fortemente com o açúcar, e se encontra presente em quase todos os pratos, tanto nos restaurantes como na comida de rua, que consiste num produto químico usado para realçar o sabor dos alimentos, mas de polémica utilização pois não é bem tolerado por toda a gente, podendo provocar problemas gástricos.
O “pad thai”, é sem duvida o mais popular, talvez por se ter tornado popular entre os turistas e por ser barato e fácil de confecionar, o que o torna presente em todos os restaurantes, mercados ou banca de rua, sendo feito à base de noodles salteados com rebentos de soja e uns escassos vegetais, e salpicada com amendoim triturado. Apesar de ter ovo, é uma boa opção para vegetarianos, mas muitas vezes aparecem são adicionados pequenos camarões secos que arruínam esta opção.
De uma forma geral a gastronomia tailandesa não é muito “amigável” para vegetarianos, pois é frequente muitos dos pratos terem porco, galinha ou camarão, inclusive as sopas de noodles que são muitas vezes confecionadas com caldos de carne; mais difícil ainda é para os vegan, onde a presença de ovo é quase obrigatória quando se pede algo vegetariano, onde facilmente se pode encontrar tofu.
Não existe propriamente um horário rígido para as refeições, nem tão pouco um tipo de comida específico para cada refeição, podendo uma sopa de noodles ou um pedaço de frango frito acompanhado de arroz servir de pequeno almoço, de almoço ou de jantar.







Apesar de não estar muito frio, esta época do ano é a correspondente ao Inverno, e as temperaturas baixam significativamente durante a noite; e como não podia deixar de ser surgem as castanhas a lembrar o Inverno em Portugal… mas estas são mais pequenas e cozinhadas ao vapor!








Viajar na Tailândia constitui uma tarefa fácil e confortável. Para além da popular opção pelas viagens de avião, tanto o comboio como os autocarros constituem boas alternativas, mesmo para as grandes deslocações.
A rede ferroviária, não sendo extensa, liga as zonas mais povoadas, e os comboios, com várias categorias, permitem efectuar viagens nocturnas em carruagem-cama, com bastante conforto. Ao fim do dia, um dos funcionários do comboio prepara rápida e eficientemente a cama onde vamos dormir, com lençóis, almofada e colcha, pendurando inclusive os cortinados que oferecem alguma privacidade durante o sono; tudo impecavelmente limpo, engomado e embalado em inúmeros sacos de plástico.
Quanto aos autocarros existem inúmeros operadores que oferecem serviços, com bastante pontualidade e com uma grande frequência, ligando particamente todas as cidades do país entre si, em especial a Bangkok, e aos postos de fronteira com o Laos, Camboja e Birmânia.
Os autocarros de longo curso, em especial os que efectuam longas distância, têm geralmente uma hospedeira que para além de encaminhar os passageiros para o respectivo lugar e de anunciar as várias paragens, providencia assistência durante a viagem, fornecendo snacks como bolachas, batatas fritas, água, leite de soja para o pequeno-almoço, e terminado sempre com a entrega de toalhetes para limpar as mãos antes de terminar a viagem.
Dependendo do operador, pode-se geralmente escolher entre várias classes de autocarros: desde os que oferecem somente assentos inclináveis mas pouco espaçosos, até aos que se transformam em camas e que incluem refeições e outros confortos; tudo depende da duração da viagem e do que se quer gastar.
Paralelamente a este serviço existem muitos outros pequenos operadores também particulares, geralmente em carrinhas doze lugares que efectuam serviços mais personalizados, que têm a vantagem de recolher os passageiros junto dos vários hotéis e guest houses, e de os deixar no centro das cidades, o que poupa o esforço e alguns bahts nas deslocações para os terminais de camionagem que frequentemente se situam longe do centro. O custo é sempre mais elevado, pois incluem sempre a comissão da agência ou do hotel onde é necessário recorrer para obter este tipo de serviço.
De uma forma geral as estradas são boas, com pavimento em bom estado e bem sinalizadas; as principais cidades estão ligadas por estradas que por vezes podem ter três faixas de rodagem, sendo contudo raro haver cruzamentos desnivelados, fora dos acesso às grandes cidades.
Os táxis são bastante populares, limpos e em bom estado, todos dispondo de taxímetro o que evita o processo de negociação do preço. Em Bangkok, existe um serviço semelhante ao táxi, mas de mota, os “motorbike-taxi”. Neste caso o preço tem que ser negociado assim como para os tuk-tuks. Em Chiang Mai substituído os autocarros, circulam os chamados “red cab” que são um meio de transporte colectivo, que efectua um percurso numa determinada zona da cidade, e que vai distribuído e recolhendo pessoas pelo caminho mas que pode também funcionar como táxi, tornando-se neste caso mais caro.
Viajar de táxi ou de autocarros e mesmo em algumas classes dos comboios, obriga ao uso de roupa quente, devido à obsessão dos tailandeses pelo ar-condicionado, que talvez resulte de numa tentativa de agradar ao padrão de conforto ocidental, mas que tornam cada viagem numa aventura polar!!!












Estranha sensação esta de estar numa remota povoação onde as colinas e as sinuosas e íngremes estradas de terra batida criam uma barreira com o mundo moderno.
Uma sensação de isolamento que é intensificada com o cair da noite, onde um manto de escuridão envolve a aldeia, onde o negrume da noite sem lua entra pela janelas, criando uma espessa barreira entre nós e os habitantes da casa onde vamos passar a noite, e onde as diferenças culturais e linguísticas não permitem romper.
Habitações amplas e feitas de madeira e bambu, simples, confortáveis as acima de tudo funcionais, onde o fogo é o centro da casa, sendo mantido aceso durante todo o dia, desde os primeiros raios de sol até à hora de dormir… que aqui não é muito depois das nove horas. Um fumo fino e discreto, que faz arder os olhos e deixa um rasto odorífero nas roupas, lembrando-nos quão diferente é o modo de vida do campo.
Pouco depois do pôr-do-sol, assim que o céu escurece, cessam os movimentos nas ruas da aldeia Palaung, aquietam-se os balados dos burros, o cacarejar das galinhas, o chilrear das aves e os risos das crianças. Todos os habitante recolhem às casas, envoltos nos rituais de preparação de comida. Rituais onde todos os habitantes, incluindo as crianças, parecem saber de cor o seu papel, fazendo com que o quotidiano se assemelhe a numa peça de teatro mudo.
Uma camada fina de fumo permanece na principal divisão da casa, uma área ampla desprovida de mobília que funciona como sala e cozinha. Os poucos pertences esperam dias festivos em armários embutidos nas paredes de madeira, quase se tornando invisíveis na penumbra que preenche permanentemente o espaço, apesar das várias janelas que olham para a sucessão de colinas cobertas de vegetação.
Desta primeira paragem numa aldeia nos arredores de Kyaukme, seguiram-se mais dois dias de caminhada pela região Oeste do estado de Shan, onde domina a tribo Palaung, cuja população partilha a herança étnica com a China, mas que durante séculos desenvolveu características próprias como a língua e a gastronomia.
Os Palaung, cujas feições são mais asiáticas do que a etnia Bamar (dominante em Myanmar) são facilmente reconhecíveis pela forma como as mulheres vestem, com sarongs de cores garridas em tons de púrpura, azul e verde, e pelo lenços branco que cobrem descuidadamente as cabeças, cujo cabelo é mantido rapado, seguindo uma desconhecida tradição.












Mas também aqui a religião adquire contornos próprios. Apesar do domínio do Budismo que aqui chegou no século XI, sobrevivem ainda vestígios de rituais e crenças relacionados com o animismo. Um pequeno grupo de habitantes, reúne-se numa das casas da aldeia trazendo oferendas, onde uma mulher em transe comunica com os espíritos… questões práticas sobre o paradeiro de uma vaca perdida ou sobre as colheitas são respondidas por espíritos pela voz de uma mulher possessa.

As ruas das aldeias por onde passámos parecem sempre cheias de crianças que correm livremente nas ruas, acenando e sorrindo, curiosas e excitadas pela presença invulgar de estrangeiros. Mas não são só as crianças que mostram a curiosidade, pois os adultos, não conseguem disfarçar o orgulho com que posam para as fotografias, escondendo dentes escuros estragados, sob um sorriso de lábios cerrados. Mas são os homens, que apesar das diferenças de língua se mostram mais comunicativos, mostrando as tatuagens que cobrem o corpo, com símbolos e inscrições, que servem de proteção, uma prática comum entre a população masculina e também entre os monges Budistas, tanto em Myanmar como no Tailândia.


Estes três dias de caminhada foram organizados pelo Thura, um birmanês da etnia Shan, cuja mãe é da tribo Palaung, cujo bom domínio do inglês e os contactos com as populações locais lhe permite circular por esta região, que é provavelmente impossível de visitar sem um guia que fale a língua local.
O percurso é feito a pé e de mota. Os percursos a pé são curtos e faceis, mas por vezes em zonas com pouca sombra.
O grupo é pequeno, não mais do que seis pessoas.
As noites são passadas em casas de famílias locais, em improvisadas camas no chão da sala, com cobertores e mantas. As casas de banho são básicas (uma pequena cabana no exterior da casa) e as lavagens são ao ar-livre numa torneira na parte de trás da casa, o que oferece pouca privacidade, sendo mais fácil para quem tem um sarong/dhoti.
As refeições (podem ser vegetarianas ou não) são em casa de famílias ou em restaurantes locais…. e foram sempre deliciosas e são uma optima oportunidade de experimentar comida local e caseira!
Tudo incluído (mota, gasolina, refeições, água) são 25€ por pessoa/dia… o que é pouco mais do que o custo diário para quem viaja em Myanmar.



Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!
Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.
Se achou o meu blogue útil ou inspirador, considere apoiá-lo com uma pequena contribuição. Cada donativo ajuda-me a manter este projeto vivo e gratuito para todos os que adoram explorar o mundo.
Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!