• Skip to main content
  • Saltar para o rodapé

Stepping Out Of Babylon

Travel & Photography

  • Sobre mim
    • Contacto
  • Destinos
    • África e Médio Oriente
      • Irão
      • Líbano
      • Marrocos
      • Turquia
    • Extremo Oriente
      • Japão
      • República Popular da China
      • Taiwan (Formosa)
    • Subcontinente Indiano
      • Bangladesh
      • India
      • Nepal
      • Sri Lanka
    • Sudoeste Asiático
      • Camboja
      • Indónesia
      • Malásia
      • Myanmar
      • República Popular do Laos
      • República Socialista do Vietname
      • Singapura
      • Tailândia
  • Itinerários
  • Dicas de viagem
    • Caminhadas & Parques Naturais
    • Comida em Viagem
    • Travessia de Fronteira
    • Vistos
  • Fotografia

Stepping out of Babylon

Madurai. Templo de Menakshi

Percorrendo o espaço envolvente ao templo, onde vairas imagens decoradas com flores e pigmentos vermelhos e açafrão, se encontram protegidas sob frondosas árvores neem e bhodia, encontro currais onde os peregrinos vão prestar culto e alimentar as vacas que ai se encontram, oferecendo-lhe ervas que se podem comprar a um vendedor estrategicamente colocado à entrada.

Do lado oposto do edifício, um elefante recebe moedas depositadas pelos peregrinos na sua tromba, que imediatamente entrega ao carnaca, para depois passar a tomba graciosamente pela cabeça dos devotos que aguardam, de rosto virado para o chão, o contacto do paquiderme. Quando a oferenda é comida, geralmente bananas, são rapidamente engolidas, não dando direito a “bênção”!

Mas é quando se entra no interior do templo que se apercebe da devoção associada a este local, ligado ao culto da fertilidade, onde reina a calma que permite observar atentamente o local, composto por várias salas e extensos e sombrios corredores ladeados por esbeltos pilares de pedra granítica, decorados com animais e imagens relacionadas com a mitologia hindu, através dos quais passam alguma da luz do sol.

Sentada no chão, encostada a uma coluna de granito onde se encontra esculpida uma voluptuosa imagem feminina, talvez uma representação de Menakshi, observo o movimento dos visitantes que se desloca entre os vários altares e imagens, efetuando orações e ritos, nos quais não encontro uniformidade nem sentido.

Templo de Menakshi
Templo de Menakshi
Templo de Menakshi
Templo de Menakshi

Enquanto peregrinos contornam um conjunto de nove imagens, cobertas de panos de seda de cores garridas, representado os nove planetas, um deles a Lua, realizando três voltas em torno do altar, sempre no sentido dos ponteiros do relógio, outros não muito longe, conversam e descansam descontraidamente sentados no chão, enquanto outro grupo entoa mantras, sentados em círculo, frente a um lingam*, uma das formas de representação de Shiva.

Os vários pujaris, sacerdotes hindus, encontram-se em permanente azáfama, junto às principais imagens do templo, cobrindo as sobrancelhas e muitas vezes todo o corpo com uma pasta de cor amarelo-açafrão aromatizada com óleos perfumados que é diariamente substituída, depois de ser despejado leite sobre as estátuas, e de posteriormente serem lavadas com água, terminado o ritual com a colocação de finos dothis que funcionam como vestimenta.

Estes homens, sempre de tronco nu, vestidos somente com um dothi, e com um pano de seda envolvendo a cintura, têm marcadas na testa, ombros, peito e braços, as três riscas feitas de cinza que identificam os seguidores de Shiva.

Da mesma forma, praticamente todos os homens que visitam este templo em peregrinação, apresentam-se de tronco nu, vestindo somente um dothi, cuja cor assim como as marcas feitas entre as sobrancelhas, identifica a qual dos deuses dedicam o seu culto.

 O ar transporta o cheiro dos incensos que se mistura com o odor quente do ghee usado nas lamparinas deixadas acesas junto das várias estátuas de Shiva, Menakshi e Ganesh, aos quais se junta o odor doce das flores de jasmim, que compõem as oferendas transportadas pelos peregrino, juntamente com côco, bananas e pó de madeira de sândalo, vendidas nas inúmeras lojas existentes nas ruas da cidade ou mesmo num pequeno bazar de artigos religiosos, existente no interior do templo.

A pedra que cobre o chão dos corredores é decorada com pinturas de mandalas, assim como o tecto que sendo poupado ao desgaste dos milhares de pés que diariamente percorrem o templo mantem as originais cores garridas onde dominam o rosa, o azul, o vermelho e o amarelo.

Por todos os recantos encontram-se pequenos altares com o lingam repousando sobre o yoni*, decorados com flores iluminados por pequenas lamparinas de barro; devotos praticam as suas orações em silêncio e de olhos fechados, junto a imagens de Shiva e de Menakshi, enquanto pequenos morcegos percorrem o fresco e sombrio espaço do templo sem quebrarem a quietude ou a solenidade do espaço.

* o “lingam” não e mais do que uma pedra, geralmente de cor negra, cilíndrica, de forma fálica, representando o elemento masculino da criação cósmica; encontra-se geralmente sobre o “yoni” que tem a forma de um receptáculo circular, simbolizando o elemento feminino da criação, representando a deusa Shakti.

(este texto data de Julho de 2013)

Madurai

A cidade de Madurai ficou um pouco aquém das espectativas que tinha, criadas com base numa descrição que menciona Madurai com uma das mais antigas cidades da Índia, em que o centro histórico se desenvolve em ruas, dispostas ortogonalmente em torno de um vasto complexo de templos hindus.

De facto assim é, mas como em praticamente todas as cidades indianas, os edifícios que se encontram nesta zona, são modernos, degradados e sem qualquer harmonia arquitectónica, com excepção de um certo respeito pela volumetria, que lhes limita a altura, de certo para não interferir com o panorama geral da cidade, onde se destacam as torres do templo.

Contudo a visita ao templo, logo pelo início da manhã, foi surpreendente e fez esquecer a má impressão deixada pela cidade. Por fora parece somente um alto e robusto muro, que forma um quadrado de onde sobressaem quatro torres, correspondem as quatro entradas no templo, orientadas segundo os pontos cardeais, totalmente cobertas de estátuas com referências a mitologia hindu, e pintadas em garridas cores.

No interior, depois de cruzar nova barreira de muros, encontram-se organizados de forma complexa e intricadas os vários altares dedicados a Shiva e à sua consorte, a deusa Menakshi, uma das formas com que Parvati surge na mitologia hindu; os mais importantes destes locais de culto estão interditos a não-hindus.

A maior parte dos edifícios que constituem este templo foi construída entre os séculos XVI e XVIII, mas existem construções anteriores a este período que foram incorporadas no conjunto.

A visita ao templo está sujeita a rigorosos procedimentos, que obrigam à revista de malas e roupa por forcas de segurança, e que impedem a entrada de máquinas fotográficas. Aproveitei os dias que estive em Madurai e fiz várias visitas ao templo, para tentar captar no papel algo do ambiente que aqui se vive e aproveitando para observar calmamente os ritos, saboreando os sons e os cheiros que impregnam as várias salas que compõem o vasto templo.

O início da manhã é a melhor altura para uma visita, onde o ambiente é mais calmo e ainda se pode sentir o ar fresco e sentir sob os pés a textura polida das pedras graníticas que cobrem o chão, quando ainda não aqueceram sob a passagem dos milhares de peregrinos que diariamente visitam este templo.

O templo fervilha de uma actividade constante, onde pela primeira vez na Índia senti uma verdadeira religiosidade e devoção por parte dos visitantes indianos e dos sacerdotes que auxiliam nas cerimónias do puja. Por todo o interior do templo, mantido numa semiobscuridade, ouvem-se permanentemente os mantras e os cânticos acompanhados pelo som de campainhas, convidando a reflexão.

À saída, aproveitando a tradição do “prasad” de comer algo após a visita e as orações feitas no templo, comi um ladoo, que é um dos doces que se encontra com muita facilidade, tanto no norte como no sul do país. Assim, terminei a visita ao templo, empanturrada com uma bola feita a base de açúcar, envolvido em farinha de grão e ghee (manteiga clarificada) e aromatizada com cardamomo.

Madurai
Madurai
Templo de Menakshi em Madurai. Torre norte
Templo de Menakshi em Madurai. Torre norte
Madurai. Templo de Menakshi
Madurai. Templo de Menakshi
Templo de Menakshi em Madurai
Templo de Menakshi em Madurai
Venda de grinaldas de flores que são usados para decoração da imagens nos templos, em casa e mesmo nos autocarros
Venda de grinaldas de flores que são usados para decoração da imagens nos templos, em casa e mesmo nos autocarros
Templo de Menakshi em -madurai
Templo de Menakshi em -madurai
DSC_1049
Uma das tradições que ainda se vê frequentemente por toda a Índia consiste em pintar de negro o contorno dos olhas das crianças mais pequenas, assim como fazer pequenas marcas, semelhantes a sinais, por cima dos olhos ou nas bochechas, com o intuído de afugentar algum mal que possa ser atraído às crianças em resultado da atenção que recebem dos adultos.
Entrada norte no templo de Menakshi em Madurai, com um pequeno bazar de artigos religiosos
Entrada norte no templo de Menakshi em Madurai, com um pequeno bazar de artigos religiosos
Madurai
Madurai

Madurai é também conhecida pela produção de têxteis, em especial de algodão, proliferando por toda a cidade lojas de venda de dhotis, lungis, sahees e mais uma grande variedade de panos que são usados com os mais diversos fins, que que acompanham frequentemente os indianos, seja à volta do pescoço para enxugar o suor, para colocarem no chão antes de se sentares ou mesmo deitarem… acho que se pode dizer que os panos estão presentes no estilo de vida tradicional indiano, sendo a peça base do sahree também um longo pedaço de pano, assim como os dhotis e os lungis usados pelos homens no sul da Índia, à volta da cintura.

Numa das deambulações pela cidade encontrei por acaso um loja, onde ainda se vendem panos e toalhas, fiadas e tecidas em teares manuais, que são resquícios de uma filosofia do Gandhi que incentivou a população a produzir localmente e à escala doméstica os seus produtos resultantes do algodão, fazendo proliferar inúmeras manufacturas que escoavam os seus produtos nestas lojas. Uma verdadeira relíquia tanto pelo espaço em si como pela persistência da ideia que resiste à industrialização e ao crescimento económico que a Índia actualmente regista.

DSC_1010
Uma das loja ainda existentes resultantes de uma campanhã promovida pelo Gandhi para a venda de têxteis produzidos de forma tradicional
DSC_1009
Interior da loja que encontrei numa das deambulações pela cidade de Madurai
DSC_1003
Dentro da loja é como o tempo tivesse parado. Como se nada tivesse mudado desde os anos 40… toda a informações estava escrita em tamil, tendo a comunicação com a senhora responsável pelas vendas sido feita por gestos e algumas palavras em inglês referentes à quantia a pagar

Na parte norte do templo encontra-se um outro edifício cujo estilo e arquitetura é muito semelhante à dos templos principais mas que atualmente alberga um mercado onde cada corredor é dedicado a uma específica actividade: venda de livros, artigos de metal, e outra de artigos religiosos. Sobressai o corredor dedicado aos alfaiates, onde inúmeras cubículos se transformam em lojas forradas do chão ao tecto com tecidos de corres garridas, sedas e algodões, cada qual com o seu alfaiate que sentado em frente, costura as encomendas, trabalhando numa penumbra que dificulta a visão mesmo a que quem está de passagem. Trata-se de uma actividade inteiramente masculina, e as poucas mulheres que se encontram nesta zona de alfaiates não executam trabalhos de costura.

Aqui podem-se encomendar peças de roupa que ficam prontas de um dia para o outro, sendo estes alfaiates especialista em fazer cópias de roupa com base em exemplares levados pelos clientes, muitas vezes estrangeiros, sendo somente necessário escolher o tecido e regatear o preço, tarefa que pode levar algum tempo até se conseguir fechar o negócio satisfazendo as duas partes.

(este texto data de Julho de 2013)

Uma das lojas de alfaiates existentes no edificio localizado na parte do Templo de Menakshi
Uma das lojas de alfaiates existentes no edificio localizado na parte do Templo de Menakshi
Edificio localizado na parte do Templo de Menakshi que funciona como mercado
Edificio localizado na parte do Templo de Menakshi que funciona como mercado
Parte de um edificio junto ao tempo que serve para armazenamento de mercadorias
Parte de um edificio junto ao tempo que serve para armazenamento de mercadorias
Mercado de flores em Madurai
Mercado de flores em Madurai

Hotel Pearls

95 ,West Perumal Maistry Street

Madurai

reservation@hotelpearls.com

+91 99442 32066

www.hotelpearls.com

quarto duplo, com casa de banho: 825 rupias

“a home away from home”… um slogan usado em muitos dos hotéis na Índia… nem sempre correspondendo a realidade… neste caso, apesar de não ter encontrado nenhum ambiente familiar ou acolhedor, deparei-me com um quarto impecavelmente limpo, espaçoso e com boas condições.

Do Hotel Pearls onde fiquei alojada enquanto estive em Madurai, não tenho fotografias, mas esta corresponde ao Hotel Internacional, que até agora merece o título de maior espelunca, com uma casa de banho tão pequena que não havia espaço para o lavatório, com um chuveiro de onde somente saía um pequeno esguicho de água, um autoclismo que pingava a noite toda, um colchão feito de sacas de sarapilheira, janelas que não fechavam e deixavam entrar melgas... e uma generalizada sujidade da qual se salvavam honrosamente os lençóis e a almofada. Foi a opção para a primeira noite, numa cidade onde os preços dos alojamentos são significativamente mais elevados do que o que estava habituada a pagar.
Do Hotel Pearls onde fiquei alojada enquanto estive em Madurai, não tenho fotografias, mas esta corresponde ao Hotel Internacional, que até agora merece o título de maior espelunca, com uma casa de banho tão pequena que não havia espaço para o lavatório, com um chuveiro de onde somente saía um pequeno esguicho de água, um autoclismo que pingava a noite toda, um colchão feito de sacas de sarapilheira, janelas que não fechavam e deixavam entrar melgas… e uma generalizada sujidade da qual se salvavam honrosamente os lençóis e a almofada. Foi a opção para a primeira noite, numa cidade onde os preços dos alojamentos são significativamente mais elevados do que o que estava habituada a pagar.

A comida do Sul da Índia

A todos os atractivos que o sul da Índia apresenta, em particular o estado de Tamil Nadu, há que somar a comida, que aqui apresenta uma maior diversidade de legumes e de especiarias, resultando numa grande variedade de sabores, cores e aromas, dominado o picante, sendo servida em folhas da bananeira e acompanhada com o omnipresente arroz cozido, que no sul substitui os chapatis que no norte as acompanham sempre as refeições. O que também nunca falta são os papadis, uma fina folha de massa de grão condimentada com especiarias e que é frita ficando estaladiça.

Para o pequeno almoço são servidas as dosas, uma espécie de crepe muito fino e estaladiço, feito com farinha de arroz e de lentilha, recheado com legumes (quase sempre batata) e servida com um chutney de côco, fresco e picante, e com o sambar, um caril de legumes pouco espesso, onde o dosa vai sendo embebida.

Esta combinação de sambar e chutney pode também acompanhar os iddlys, uns pães não fermentados feitos de farinha de lentilha, que são cozinhados ao vapor, ou as wadas (ou vadas), umas argolas de massa feita com farinha de lentilha, aromatizada com especiarias e frita em óleo.

Mas a revelação foi o pongal, uma pasta feita de arroz muito cozido, temperada com cominhos, sementes de mostarda, pedaços de gengibre fresco e cajus, tudo envolvido em ghee e cozinhado com muitas folhas de carril. À semelhança das outras alternativas de pequeno almoço, o pongal é também servido com chutney de côco e com sambar ou outro caril de legumes.

A folha de carril, que aqui é usada fresca aparece em quase todos os pratos servidos nas tradicionais refeições, thalis, constituídas por arroz e um conjunto de três ou mais acompanhamentos. Muitas das refeições incluem o chamado de butter milk, que é uma espécie de leite, mais aguado e ligeiramente fermentado que lhe confere um sabor ligeiramente ácido e que é servido ligeiramente temperado de sal.

Mas mais frequente do que o butter milk, é o iogurte que é misturado com o arroz e os restantes acompanhamentos que constituem uma refeição típica do sul da Índia.

Nos pratos tradicionais do sul, utiliza-se muito o côco, tanto o fruto, o “leite” como o óleo, a por vezes a flor e o tronco da bananeira. O panner que no norte era uma constante, aqui no sul tem uma presença muito discreta.

Quanto ao pão… nada de naans, nem de chappati ou rotis… aqui são parothas, feitas de massa muito elástica que é estendidas com ajuda de óleo, batendo a massa sobre a bancada até ficar fina e começar a rasgar, altura em que se dá um nó atando as pontas para depois de repousar ser novamente estendida rusticamente com a mão, e cozinhada sobre uma chapa, muitas vezes aquecida com lenha; são fofas e separam-se em camadas… e claro que acompanham com um caril de vegetais, sendo servidas geralmente ao fim da tarde, como lanche.

O dahl, estufado de lentilhas, que é servido aqui no sul, espesso e consistente, em nada se compara com o que geralmente se encontra no norte do país: bastante líquido, assemelhando-se mais a uma sopa.

O sempre presente chai, é bebido a qualquer hora por toda a Índia, tanto após as refeições como a acompanha-las, servindo também de pretexto para fazer um pequena pausa durante o dia de trabalho. Em Tamil Nadu, o chai é substituído por café, igualmente açucarado e bebido com leite, é servido em copos de metal, que por sua vez vêm dentro de um taça cilíndrica, também de metal; antes de ser bebido, o café é despejado de um recipiente para outro, várias vezes, antes de ser bebido.

Também no sul se encontra nesta altura do ano uma maior variedade de legumes: para além da batata, cenoura e ervilha, aqui encontram-se caris feitos com vegetais de folha verde, kelas (uma espécie de pepino de casca rugosa de sabor intensamente amargo mas que se diz ser bastante benéfica para purificar o sangue), drumstick (moringa), côco, banana e jaca (jackfuit), assim como uma grande variedade de legumes que muitas vezes não consigo identificar.

Quanto à fruta, dominam as mangas e as bananas, que se apresentam muitas variedades, não só no aspecto exterior como no sabor. O côco também é vendido em todo o lado, sendo a sua polpa comida, com o auxilio de uma lasca da casca do côco, cortada certeiramente com uma catana, após se ter bebido o líquido do interior.

Thali típico do sul da Índia, servido sobre folha de bananeira e composto por uma grande variedade de caris, servidos em pequenas taças... o arroz veio mais tarde!
Thali típico do sul da Índia, servido sobre folha de bananeira e composto por uma grande variedade de caris, servidos em pequenas taças, um puri, muitas vezes servido como pequeno almoço e um papadi… o arroz veio mais tarde!
Porothas acabadas de fazer
Porothas acabadas de fazer
um das muitas bancas que na rua sevem snacks e refeições ligeiras. A massa das porothas, é estendida e esticada até ficar muito fina , sendo depois enrolada formando um nó para depois de repousar, ser estendida com a mão
um das muitas bancas que na rua sevem snacks e refeições ligeiras. A massa das porothas, é estendida e esticada até ficar muito fina , sendo depois enrolada formando um nó para depois de repousar, ser estendida com a mão
Os pequenos pães brancos são iddlys, que juntamente com a wada acompanham um sambar e um chutney de côco. Como este pequeno-almoço foi comido num restaurante com mais categoria, foram servidos ainda mais dois condimentos, um à base de menta e o outro uma pasta vermelha e muito picante
Os pequenos pães brancos são iddlys, que juntamente com a wada acompanham um sambar e um chutney de côco. Como este pequeno-almoço foi comido num restaurante com mais categoria, foram servidos ainda mais dois condimentos, um à base de menta e o outro uma pasta vermelha e muito picante
Preparação dos iddlys, em que a massa liquida é deitada sobre um prato metálico próprio, com pequenas concavidades. O pano serve para impedir que a massa escorra pelos pequenos orifícios do prato que permitem aos iddlys serem cozinhados ao vapor, em grandes panelas metálicas
Preparação dos iddlys, em que a massa liquida é deitada sobre um prato metálico próprio, com pequenas concavidades. O pano serve para impedir que a massa escorra pelos pequenos orifícios do prato que permitem aos iddlys serem cozinhados ao vapor, em grandes panelas metálicas
pongal... uma especialidade servida ao pequeno-almoço por todo o estado de Tamil Nadu, acompanhado por um chutney de côco e pelo sambar. A mistura vermelha é uma pasta de malagueta que nunca cheguei a utilizar pois o prato em si já é picante e bastante condimentado. Come-se misturando os acompanhamentos e o pongal com os dedos.
pongal… uma especialidade servida ao pequeno-almoço por todo o estado de Tamil Nadu, acompanhado por um chutney de côco e pelo sambar. A mistura vermelha é uma pasta de malagueta que nunca cheguei a utilizar pois o prato em si já é picante e bastante condimentado. Come-se misturando os acompanhamentos e o pongal com os dedos.
Experimentai o pongal por sugestão deste rapaz nepalês com quem partilhei a mesa de um restaurante em Madurai. Como é tradicional por aqui, o pequeno-almoço é acompanhado pelo café, com leite, servido num copo metálico, e que é servido juntamente com uma taça, para a qual o café é vertido diversas vezes antes de ser bebido pelo copo.
Experimentai o pongal por sugestão deste rapaz nepalês com quem partilhei a mesa de um restaurante em Madurai. Como é tradicional por aqui, o pequeno-almoço é acompanhado pelo café, com leite, servido num copo metálico, e que é servido juntamente com uma taça, para a qual o café é vertido diversas vezes antes de ser bebido pelo copo.
Este foi um dos mais tradicionais restaurantes que encontrei em Thanjavur, em que nem prato havia, sendo a comida servida directamente em folha de bananeira colocada em cima da mesa. As doses de arroz são sempre exageradas. Os acompanhamentos vão sendo servidos sempre que um empregado passa com pequenos baldes e se apercebe que não são suficientes para acompanhar a dose de arroz, podendo-se repetir as vezes que se quiser.
Este foi um dos mais tradicionais restaurantes que encontrei em Thanjavur, em que nem prato havia, sendo a comida servida directamente em folha de bananeira colocada em cima da mesa. As doses de arroz são sempre exageradas. Os acompanhamentos vão sendo servidos sempre que um empregado passa com pequenos baldes e se apercebe que não são suficientes para acompanhar a dose de arroz, podendo-se repetir as vezes que se quiser.
Num dos restaurantes tradicionais de Thanjavur, onde repousam em cima da mesa os "baldes" de onde é servida a comida
Num dos restaurantes tradicionais de Thanjavur, onde repousam em cima da mesa os “baldes” de onde é retirada a comida que é servida nas folhas de bananeira
paan... mistura de nóz moscada partida em pequenos pedaços e que pode ser misturada com vários outros ingredientes, incluíndo tabaco. Esta é uma versão adocicada que é frequentemente consumida após as refeições, sendo colocada na boca até humedecer e posteriormente mastigada. Acredita-se que reduz a acidez da boca após a refeição e assim previne as cáries. Contudo o consumo diário e excessivo de paan provoca manchas vermelhas nos dentes que se vêm frequentemente entre a população mais pobre.
paan… mistura de nóz moscada partida em pequenos pedaços e que pode ser misturada com vários outros ingredientes, incluíndo tabaco. Esta é uma versão adocicada que é frequentemente consumida após as refeições, sendo colocada na boca até humedecer e posteriormente mastigada. Acredita-se que reduz a acidez da boca após a refeição e assim previne as cáries. Contudo o consumo diário e excessivo de paan provoca manchas vermelhas nos dentes que se vêm frequentemente entre a população mais pobre.
Uma fruta frequente do sul que não consegui fixar o nome: O sabor e textura assemelham-se a uma anona, mas o exterior parece um kiwi
Uma fruta frequente do sul que não consegui fixar o nome: O sabor e textura assemelham-se a uma anona, mas o exterior parece um kiwi
Encontra-se uma grande variedade de bananas nos mercados e nos vendedores ambulantes que percorrem as ruas das cidades por onde passei.
Encontra-se uma grande variedade de bananas nos mercados e nos vendedores ambulantes que percorrem as ruas das cidades por onde passei.
Este vegetal encontra-se em quase todos os pratos de caril que comi. É cozinhado cortado em pequenos troços, mas mesmo assim, somente se pode comer o seu interior, pois a parte exterior é demasiado fibrosa
Este vegetal encontra-se em quase todos os pratos de caril que comi. É cozinhado cortado em pequenos troços, mas mesmo assim, somente se pode comer o seu interior, pois a parte exterior é demasiado fibrosa
Um dos mais conhecidos restaurantes de Madurai, onde no piso de baixo é servida comida de modo informal, e no piso de cima, geralmente reservado a homens de negócios e a estrangeiros, a mesma comida é servida com acréscimo de 20% no preço devido ao serviço melhorado e ao ar-condiconado... quase que à força tentaram.me encaminhar para o piso superior, mas consegui vitoriosamente comer onde queria
Um dos mais conhecidos restaurantes de Madurai, onde no piso de baixo é servida comida de modo informal, e no piso de cima, geralmente reservado a homens de negócios e a estrangeiros, a mesma comida é servida com acréscimo de 20% no preço devido ao serviço melhorado e ao ar-condiconado… quase que à força tentaram.me encaminhar para o piso superior, mas consegui vitoriosamente comer onde queria
Hotel Saravana Bhavan... uma das maores cadeias de restaurantes do sul da Índia. Em Tamil Nadu é frequente os restaurantes chamarem-se de "hotel"... os hoteis são geralmente denominado de "lodge" mas nem sempre é assim, e acaba por causar alguma confusão.
Hotel Saravana Bhavan… uma das maiores cadeias de restaurantes do sul da Índia. Em Tamil Nadu é frequente os restaurantes chamarem-se de “hotel”… os hoteis são geralmente denominado de “lodge” mas nem sempre é assim, e acaba por causar alguma confusão.

Para mim, a comida do Sul da Índia, em especial no estado de Tamil Nadu, é uma das melhores de todo o país, tendo somente como rival a comida do estado de Gujarat, com uma grande variedade de sabores e de ingredientes, intensa, picante e com o certo exotismo tropical não deixando se se apresentar simples e despretensiosa. Tudo isto torna uma refeição numa deliciosa experiência para os sentidos.

O Sul da Índia é um paraíso para vegetarianos, sendo frequente encontrar restaurantes “pure veg” assim como comida de rua sem produtos animais. Contudo, os laticínios estão presentes tanto no chai como no iogurte que frequentemente faz parte do thali.

Cada visita a Chennai, comumente chamada de Madras, constitui um deleite para o paladar, com muitas opções para explorar as especialidades gastromómicas do sul da India, desde sofisticados restaurantes a simples refeitórios, sem esquecer a comida de rua!!

Uma deliciosa memória!!!



Mamallapuram

Mamallapuram, também conhecido por Mahabalipuram,  é uma pequena povoação que se situa a cerca de 50 quilómetros a sul de Chennai, conhecida pelo conjunto de templos situados junto da praia que datam do século 5 a 8 DC, correspondentes ao período em que esta zona foi dominada pelo reino dos Pallava ocupando o território que é hoje o estado de Tamil Nadu.

A parte antiga da cidade, classificada pela Unesco como património mundial, é composta por um vasto conjunto de templos, concentrados num zona mais elevada duma extensa planície, escavados na rocha granítica de tons castanhos-alaranjados, formado pequenas grutas decoradas com estátuas representando deuses e animais mitológicos associados a religião hindu.

Os templos, maioritariamente dedicados a Shiva e a Vishnu, constituem um marco importante no desenvolvimento artístico e arquitectónico, servindo como referência às construções realizadas posteriormente, e que caracterizam a arquitectura religiosa do sul da Índia.

 

Praia de Mamallapuram banhada pelas águas mornas da Baía de Bengal
Praia de Mamallapuram banhada pelas águas mornas da Baía de Bengal

Templo situada na praia de Mamallapuram
Templo situado na praia de Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Pausa para descanso de duas vendedoras de snacks compostos por manga verde temperada com sal e uma mistura de especiarias picante (massala), que é bastante comum encontrar à venda nas ruas das cidades do sul da Índia. A rocha cujo equilíbrio precário parece desafiar as leis da gravidade, é o local mais fotografado de Mamallapuram e é identificada pelo nome de Krishna’s Butterball…

Pausa para almoço de um grupo de alunos em visita de estudo Mamallapuram
Hora de almoço nos jardins que envolvem o conjunto de templos que constituí a zona histórica de Mamallapuram

Mamallapuram
Mamallapuram

Mamallapuram
Escultura principal de Mamallapuram, chamada de “Arjuna’s Penance (a Penitência de Arjuna, uma das figuras mitológicas hindus), onde algumas das esculturas não chegaram a ser terminadas

Mamallapuram
Mamallapuram

Apesar da beleza dos monumentos e do espaço envolvente impecavelmente arranjado, ficou uma pontinha de desilusão pois o conjunto de monumentos não era muito vasto, tendo a visita demorado pouco tempo, o que não compensou as três horas e meia de viagem de autocarro, grande parte delas passadas no caótico trânsito de Chennai, sob o frio glaciar do ar-condicionado.

Da povoação pouco há a referir pois é mais um aglomerado incaracterístico de pequenos edifícios de habitação, restaurantes e lojas destinadas à venda de artigos para turistas, nacionais e estrangeiros, em especial estátuas feitas em pedra.

Recentemente, aquando do tsunami de 2004, parte desta costa foi também afectada, aumentando ainda mais os problemas de erosão existentes, que actualmente ameaçam o templo junto à praia.

Chennai. Broad Lands

Estamos no ramadão, e ao fim do dia a mesquita que se encontra nas traseiras do hotel Broad Lands, enche-se de fiéis que vêm fazer as oração que marcam o fim do jejum a que os muçulmanos estão obrigados desde o nascer do dia, durante este período.

O hotel, a funcionar desde 1951, é um verdadeiro achado nesta cidade que aparentemente não tem muito para oferecer, tendo sido nos anos 70 e 80 o ponto de encontro da comunidade hippie que rumou a Índia em busca do exotismo e de espiritualidade. Actualmente a realidade que aqui se vive e bem diferente, não tendo deixado contudo de ser ponto de encontro para viajantes ocidentais.

O edifício, um antigo palácio, construído ao estilo árabe, pintado de branco e azul claro, é composto por vários pátios dispostos sequencialmente, circundados por varandas que dão acesso aos cerca de quarenta quartos, distribuídos por dois andares, cujo acesso é feito por um intricado conjunto de escadas, passagens estreitas, conferindo ao espaço um ambiente misterioso.

As portas e as portadas das janelas dos quartos são de madeira, com ripas, pintadas no mesmo azul pálido das paredes, que abrem para o pátio e permitem a entrada de luz; não existem vidros conforme é tradicional nas habitações do sul da Índia, onde o clima não apresenta grandes variações entre o verão e o inverno, para além da presença da chuva.

Um olhar mais atento revela claros sinais de decadência, com a tinta das portadas e das varandas descamar, deixando a madeira ao sujeita a degradação provocada pelo clima húmido, a humidade a fazer os estragos nas paredes, a cor da tinta a desbotar, teias de aranha nos cantos mais obscuros e uma fina camada de pó que atesta a passagem do tempo que retirou alguma dignidade ao edifício sem contudo lhe beliscar no charme que apresenta.

Do terraço, ao qual se tem acesso por uma íngreme e precária escada de madeira, onde nos espera uma solitária cadeira pintada no mesmo tom azul pálido que caracteriza o hotel, avista-se grande parte do bairro de Triplicane, que é dominado pela comunidade muçulmana.

No último e o maior dos vários pátios, encontra-se uma árvore que ultrapassa em altura os vários pisos do edifício, que aqui chamada de “neem” que para além de ser considerada sagrada tem propriedades medicinais sendo usada na naturopatia e na medicina ayurvédica.

Broadlands Hotel
Entrada do Broad Lands Lodging House no bairro de Triplicane

Pateo principal do Broadlands Hotel com a árvore "neem"
Pátio principal do Broad Lands com a árvore “neem” ao centro

Broadlands Hotel
Broad Lands Lodging House

Quarto no Broadlands Hotel
Casa de banho do meu quarto no Broad Lands

Quarto no Broadlands Hotel
Quarto no Broad Lands situado no piso térreo com vista para o pátio principal e para a imponente árvore de “neem”

DSC_0845
O meu quarto no Broad Lands com claros sinais de decadência mas com lençois empecavelmente limpos. O quadro eléctrico, situado à entrada do quarto, do lado esquerdo, que dada a variedade de interruptores mais parece um mostruário, constitui uma verdadeira ameaça à segurança, em especial quando se liga alguma coisa à tomada!!! 

Terraço do Broadlands Hotel
Terraço do Broad Lands onde uma solitária cadeira metálica espera os que se aventuram na subida da precária escada de madeira que lhe dá acesso

Do meu quarto, situado no piso térreo do ultimo pátio do hotel Broad Lands, olhando através da janela rasgada quase até ao chão, sentada na minha cadeira de verga pintada de verde pálido, de onde a tinta se vai soltando aos poucos, observo a grande árvore que domina todo o pátio, que se agita e range violentamente com o vento forte que anuncia a aproximação da trovoada.

A chuva cai forte, em mornas pingas grossas, alagando tudo em pouco minutos, mas deixando um ar mais fresco e limpo. Mesmo assim, não é suficiente para afastar a espessas camadas de nuvens que cobrem o céu de Chennai, roubado as cores à cidade e ao mar.

No Broad Lands reina a calma e apesar de se situar num dos bairros mais movimentados da cidade, consegue-se aqui ter algum descanso do incessante som dos automóveis e das buzinas que noite e dia servem de banda sonora a vida da cidade de Chennai. Aqui encontro refúgio para passar as horas de maior calor, lendo ou desenhando, enquanto no pátio o grasnar das gralhas se sobrepõe ao melancólico chamamento para as orações, emitido pelos altifalantes da mesquita vizinha.

(este texto data de Julho de 2013)

Broadlands Hotel
Broad Lands Lodging House

 

Broadlands Lodging House

18, Vallabha Agraharam Street (numa perpendicular à Triplicane Road)

Triplicane, Chennai

broadlandshotel@yahoo.com

Quarto individual, com casa de banho: 400 rupias

Chennai

Está na hora de partir… Sente-se quando chega o momento em que uma cidade ou um local não tem mais para nos oferecer.

Pelo que vi, dos quatro dias que aqui passei, Chennai é mais uma grande cidade indiana com 6,4 milhões de habitantes, a quarta em população, depois de Mumbay, Delhi e Calcutá, que de certo tem muito para oferecer mas que dada a dimensão torna-se difícil para um forasteiro encontrar os seus encantos. Mesmo assim, fui surpreendida com a visita ao templo principal de Mylapore, na parte sul da cidade, .

Fui lá por sugestão do Shan, um professor de yoga indiano, barrigudo e bonacheirão, sempre vestido de preto e que não é vegetariano, que habitualmente passa grandes temporadas em Chennai enquanto espera que termine a monção em Goa, e que actualmente se dedica ao estudo e a escrita livros sobre filosofia e religião hindu. Juntamente com a Roxanne, uma rapariga suíça em viagem pela Ásia, fomos visitar o templo Kapalishuara, tendo o Shan como guia, fornecendo-nos vastas explicações sobre a mitologia hindu e sobre as formas como se manifesta nos ritos praticados assim como nas estátuas que decoram os templos.

Foi também uma boa abordagem para ficar a conhecer o estilo arquitectónico e decorativo dos templos do sul da Índia, geralmente dispostos no interior de um recinto murado, onde a porta principal é sinalizada por uma torre profusamente decorada com estátuas em pedra, representando episódios e figuras da mitologia hindu, que muitas vezes se encontram pintados de cores garridas.

O espaço ocupado pelo templo foi percorrido nos intervalos da chuva que tornavam o pavimento de pedra granítica escorregadio sob os nosso pés descalços, devido aos restos de ghee que é usado para iluminar as lamparinas que os devotos colocam junto das imagens.

Esta tarde passada com o Shan deu para conhecer um pouco dos meandros de uma grande cidade onde num primeiro andar de um edifício ocupado por um posto dos correios, se pode alojar uma vasta livraria repleta de livros sobre religião, filosofia e yoga; o dia terminou um restaurante onde podemos comer uma generosa e complexa refeição que congregou os diversos sabores que caracterizam a culinária do sul da Índia, que é bastante diferente da comida do norte da Índia.

Chennai
Chennai

Rua principal do Bairro muçulmano de Triplicane, onde fiquei alojada nos dias que passei em Chennai
Rua principal do Bairro muçulmano de Triplicane, onde fiquei alojada nos dias que passei em Chennai

Triplicane antes da tempestade que geralmente chega ao fim do dia, mas que nem sempre traz chuva
Triplicane antes da tempestade que geralmente chega ao fim do dia, mas que nem sempre traz chuva

Templo Kapalishuara em Mylapore
Templo Kapalishuara em Mylapore

Mulheres varrendo o pavimento do templo depois de ter caído uma forte chuvada que apesar da intensidade não afasta os peregrinos nem tão pouco abranda o frenesim da cidade
Mulheres varrendo o pavimento do templo depois de ter caído uma forte chuvada que apesar da intensidade não afasta os peregrinos nem tão pouco abranda o frenesim da cidade

Torre principal correspondente à entrada no templo Kapalishuara em Mylapore
Torre principal correspondente à entrada no templo Kapalishuara em Mylapore

Templo Kapalishuara
Templo Kapalishuara

Templo Kapalishuara em Mylapore
Templo Kapalishuara em Mylapore

Shan e Roxanne... os meus companheiros enquanto esperávamos que a chuva abrandasse para continuar-mos a visita ao templo
Shan e Roxanne… os meus companheiros enquanto esperávamos que a chuva abrandasse para continuar-mos a visita ao templo

Chennai, e a capital do estado de Tamil Nadu e atravessada por um fétido rio, de águas negras e de aspecto viscoso, rasgada por grandes avenidas, permanentemente congestionadas de trânsito que se intensifica ao fim do dia com o aumento de pessoas na rua, aproveitando a ligeira diminuição da temperatura que se sente com o pôr do sol, que aqui no sul, ocorre cerca de uma hora mais cedo do que no norte da Índia.

Aqui sente-se claramente uma grande diferença cultural em relação aos estados do norte por onde tenho andado: por aqui dominam os sharis, e as mulheres enfeitam o cabelo com grinaldas de flores de jasmim que deixam um aroma doce quando passa: enquanto os homens vestem maioritariamente os dothis, que são panos de algodão, quase sempre brancos ou com estampados, enrolados a volta da cintura, e que vão até aos pés, mas que dado o calor, são muitas vezes dobrados ao meio, ficando pelo joelho.

Fisicamente as pessoas são também diferentes: pele mais escura, baixos e de constituição franzina, cabelo espesso e ligeiramente frisado. Os homens usam maioritariamente bigode, pequeno e bem aparado, desde tenra idade.

Nota-se uma cultura diferente do que tenho visto no norte do país, que orgulhosamente se manifesta no dia a dia, não só pela língua que aqui e falada e escreve, o Tamil, como também na religião que aqui e mais presente, tanto pelo numero de templos como pelos sinais do puja que ostensivamente os habitantes apresentam na testa, como nos desenho feitos com pigmentos que diariamente são feitos no chão, a entrada das casas, como motivos florais ou complexos desenhos geométricos.

Acho que no sul se encontra uma Índia mais indiana, vivida a um ritmo mais calmo e pachorrento.

(este texto data de Julho 2013)

Um dos muitos locais de venda de comida espalhados pelas ruas de Chennai. Aqui preparam-se as "parothas" um pão não fermentado, feito de massa elástica que é trabalhada de forma a criar um pão fino e achatado formado por várias camadas que é depois cozinhado numa chapa aquecida a lenha
Um dos muitos locais de venda de comida espalhados pelas ruas de Chennai. Aqui preparam-se as “porothas” um pão não fermentado, feito de massa elástica que é trabalhada de forma a criar um pão fino e achatado formado por várias camadas que é depois cozinhado numa chapa aquecida a lenha. É comido geralmente ao meio da tarde, acompanhado com um líquido e picante carril de vegetais

Visitar grandes cidades como Chennai, implica sempre deslocações, mas para evitar as complicações com os motoristas dos tuk-tuk optei por andar de bus o que é muito mais relaxante e barato, proporcionando um maior contacto com a população e um amimado ambiente, pois geralmente os autocarros têm música e estão decorados com pequenos altares decorados com flores, onde ardem incensos
Visitar grandes cidades como Chennai, implica sempre deslocações, mas para evitar as complicações com os motoristas dos tuk-tuk optei por andar de bus o que é muito mais relaxante e barato, proporcionando um maior contacto com a população e um amimado ambiente, pois geralmente os autocarros têm música e estão decorados com pequenos altares decorados com flores, onde ardem incensos

Mesquita no bairro de Triplicane, na hora da oração que corresponde ao fim do jejum a que os muçulmanos se obrigam durante o ramadão
Mesquita no bairro de Triplicane, na hora da oração que corresponde ao fim do jejum a que os muçulmanos se obrigam durante o ramadão

De Delhi para Chennai… de comboio

Ao fim de mais de quatro meses sem ver o mar, encontro-me finalmente na Baía de Bengal (em português chamada de Golfo de Bengala), em Chennai, no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia.

O cinzento do céu que não deixa passar um único raio de sol, confere às águas um tom baço, tornando-as escuras e acastanhadas, que vêm rebentar junto na grossa areia. Sopra uma brisa quente e carregada de humidade, mas que em nada se compara ao que nesta altura do ano se sente em Delhi e Varanasi…. aqui ainda não chegou a monção.

A praia de Chennai, chamada Marina Beach, é considerada uma das maiores praias do mundo, com uma extensão de 6 quilómetros; pode ser… mas está longe de ser uma das mais bonitas. Esta, assim como muitas das praias espalhadas pela costa indiana encontram-se sujas, tanto de lixo trazido pelas marés como pelo que é diariamente deixado pelos visitantes.

Aqui na Índia, a praia não e local para apanhar sol ou para mergulhar no mar, é sim local de convívio, onde grupos de homens e de mulheres, alguns casais e uns raros indivíduos solitários passeiam junto à água, enquanto conversam, tiram fotografias, bebem refrigerantes, comem e debicam amendoins. Algum mais audazes arriscam avançar em direção ao mar em pequenos grupos, totalmente vestidos, molhando-se na forte rebentação, sem nunca mergulharem. Subsiste ainda a pesca, a avaliar pelo número de pequenos barcos espalhados no extenso areal e pelas redes de pesca que aguardam quem as lance ao mar.

Marina Beach em Chennai
Marina Beach em Chennai

A viagem de comboio, de Delhi para Chennai, que demorou 36 horas, incluindo duas noites embaladas pela oscilação da carruagem, foi bastante calma e sem complicações. O facto de viajar sozinha e de ser o único ocidental na carruagem vez de mim vedeta, recebendo a atenção dos outros passageiros e em especial dos funcionários dos caminhos de ferro que constantemente passavam vendendo as refeições, água, chamussas, gelados, bolachas, chocolates e mais uma infinidade de coisas, só abrandado o ritmo com o cair da noite, após ser servido o jantar, para recomeçar logo ao nascer do dia com a venda de “chai”.

Valeu a pena ter gasto mais dinheiro na compra do bilhete para a viajar na classe 2AC, que é muito menos concorrida e mais espaçosa do que a 3AC onde geralmente tenho viajado. Tem a desvantagem de ser frequentada maioritariamente por homens de negócios ou por famílias de classe mais alta, que se resguardam nos compartimento, fechando as cortinas, o que torna estas viagens mais monótonas se a animação e o colorido humano que se encontra geralmente quando se viagem na “sleeper class” sem ar-condicionado.

Toda a viagem foi feita com tempo de chuva, onde o cinzento-chumbo do céu se abatia sobre a paisagem, aumentando o contraste entre o verde brilhante da vegetação, que varia entre montanhas cobertas de floresta semi-tropical, ausentes de presença humana e extensos campos agrícolas alagados pela monção, que realçam os tons vermelho ferrugem da terra.

Dentro do comboio, olhando através das grossas gotas de chuva, vendo a paisagem deslizar pela janela, iam-se abatendo sobre mim uma melancolia que juntamente com a trepidação do comboio tornavam as pálpebras pesadas, fazendo com que o livro que me acompanhava repousasse fechado ao meu lado.

De tempos a tempos, passeava pelas carruagens vizinhas para esticar as pernas e aproveitava para ficar junto a uma qualquer porta que estivesse aberta para sentir o ar morno e húmido e saborear as grossas gotas de chuva que com o vento me salpicavam o rosto. É a verdadeira sensação de viajar, de liberdade absoluta.

Acho que o que mais gosto nas viagens e o acto de viajar em si, de me deslocar… especialmente se for de comboio. Antes de chegar à estação sinto um pequeno formigueiro na barriga, um certo nervosismo, que passa à medida que me aproximo do edifício e me vou embrenhando nos seus meandros, seguindo as regras internacionais de funcionamento de uma estação ferroviária, deixadas pelos ingleses; procuro a plataforma onde se encontra o comboio que me levará a novo destino e enquanto espero, ouço em hindi e em inglês o anúncio das chegadas e das partidas emitidas em simpática voz feminina, por altifalantes roufenhos que se fazem ouvir por toda a estação. Depois de verificar o número do comboio, procuro a carruagem e o lugar que me está destinado, confirmando a minha reserva nas listagens que se encontram coladas junto à entrada de cada carruagem, com o nome, idade e sexo dos passageiros: um sistema complexo mas eficaz.

As viagens noturnas são as melhores, pois com o balanço do comboio rapidamente adormeço, e proporcionam uma razoável noite de sono, com direito a lençóis, almofadas e cobertor… sim, cobertor que apesar dos mais de 30 graus de temperatura que se sentem no exterior e indispensável para sobreviver ao frio provocado pelo ar-condiconado. Contudo uma paragem noturna, numa estação intermédia durante o percurso, provoca geralmente um despertar abrupto em resultado do barulho e agitação provocados pela chegada de novos passageiros, pois os indianos viajam geralmente em família, com crianças, transportando inúmeras malas e sacos, o que leva o seu tempo até se conseguir recuperar a serenidade no compartimento.

paisagem dominante da viagem ao atravessar o centro do páis, nos estados de Madhya Pradesh e Andhra Predesh, onde o monção fez extravazar as margens dos rios
Paisagem dominante da viagem ao atravessar o centro do páis, nos estados de Madhya Pradesh e Andhra Predesh, onde o monção fez extravazar as margens dos rios

Compartimento da classe 2AC onde fiz as viagens de ligação entre Delhi e Chennai
Compartimento da classe 2AC onde fiz as viagens de ligação entre Delhi e Chennai

O almoço servido pela empresa ferroviária: um thali com dhaal, arroz e um caril de vegetais... não é bom mas também não é mau.
O almoço servido pela empresa ferroviária: um thali com dhaal, arroz e um caril de vegetais… não é bom mas também não é mau.

A alternativa vegetariana ao "thali" que escolhi para almoço, é "biriani" tanbem de vegetais... bom mas muito picante.
A alternativa vegetariana ao “thali” que escolhi para almoço, é “biriani” tanbem de vegetais… bom mas muito picante.

... para passar o tempo.
… para passar o tempo.

No livro que me acompanhou nesta viagem, “The Great Railway Bazar”, Paul Theroux, adepto das viagens de comboio, escreve que “viajar de avião é como entrar num submarino”… concordo. Perde-se a percepção de como a paisagem e o clima mudam, como são diferentes as pessoas, as roupas, os edifícios, os cheiros… como vamos sentido o passar do tempo, a chegada da noite ou o romper do dia. Mesmo a informação disponibilizada pelas companhias aéreas e que mostra o avião a deslocar-se sobre um mapa, indicando os países e cidades que estamos a sobrevoar, não é suficiente para nos fazer sentir que estamos realmente a viajar, mas somente nos dá a percepção de que nos estamos a deslocar. E nunca nos preparam para o choque que é chegar ao destino, com outro clima, outra cultura e com um horário totalmente diferente que nos deixa atordoados durante dias.

A desvantagem das viagem de comboio feitas de noite é a impossibilidade de apreciar a vida que fervilha nas várias estações, perdendo-se também as mudanças que se registam na paisagem à medida que atravessamos o vasto território indiano… é quase como se fosse uma viagem de avião, mas sem os problemas da adaptação aos fusos horários nem da mudanças brusca de clima.

Destes quase cinco meses passados na Índia, registei os quilómetros percorridos nas 11 viagens que fiz de comboio, e que se encontram indicados nos bilhetes: 8254 quilómetros no total.

Fiquei a saber que é possível atravessar a Índia, de norte a sul num único comboio, numa viagem que demora entre 60 a 86 horas, ligando a cidade de Jammu, no estado de Kashmir a Kanyakumari, o extremo sul do país, onde o Mar Arábico se junta com a Baía de Bengal (ou Golfo de Bengala), no estado de Tamil Nadu, perfazendo 3500 quilómetros… aqui está um desafio!

(este texto data de Julho de 2013)

no comboio saboreando o vento quente e húmido
no comboio saboreando o vento quente e húmido

Notas da India #3

Indicações.

Por muitos mapas que se usem… por muitos guias que se consultem… acaba sempre por ser necessário, para quem anda em viagem, perguntar aos habitantes locais um caminho, a localização da estação de comboios, do terminal de autocarros, onde se pode apanhar o autocarro (pois é raro os locais de paragem estarem identificados), onde fica um templo, um hotel ou uma guest house, um restaurante…

Aqui na Índia estas perguntas têm geralmente uma resposta vaga, um gesto impreciso a indicar uma direcção e algumas palavras pouco perceptíveis a completar a resposta, o que muitas vezes obriga a fazer a mesma pergunta várias vezes, ou caminhar em direções opostas até chegar ao destino pretendido, mesmo quando se está à procura de algo que se situa a curta distância ou que e um local muito conhecido.

Em Leh, por exemplo perguntamos a um polícia (erro crasso… geralmente falam muito pouco inglês) pela estação de autocarros, que se situa dentro da cidade, sendo de certo conhecida por todos os habitantes, pois e de lá que chegam e partem praticamente todas as ligações para as cidades e povoações vizinhas. Depois de muito pensar, e olhando desorientadamente em várias direções, disse-nos que o melhor era apanhar-mos um tuk-tuk, pois ainda ficava longe, o que parecia dificultar a explicação do caminho que devíamos seguir. Com paciência lá obtivemos a direção a tomar, pois estávamos decididos a ir a pé, pois entretanto encontrámos a placa que indicava o terminal de autocarros; descemos a rua e em menos de dez minutos chegamos onde queríamos!

Público vs Privado

Os indianos são conhecidos pelo seu pudor em mostrar o corpo em público, o que se torna bem evidente junto das praias, onde se banham integralmente vestidos e com a mesma roupa que usam no dia a dia.

Contudo, atividades que para nós, ocidentais, são consideradas do foro privado, como lavar os dentes, tomar banho, cortar as unhas, lavar e pentear o cabelo, etc… são aqui executadas na rua, ou em outros locais públicos sem o mínimo de constrangimento. Em algumas cidades vêem-se barbeiros a cortar o cabelo e a fazer a barba a clientes sentados em cadeiras em plena rua, protegidos pela sombra de alguma árvore, alheios ao frenético movimento que os envolve.

A passagem de comboio pelos subúrbios de uma cidade indiana, em especial quando coincide com o inicio do dia e sempre presenteada com a imagem de inúmeros indivíduos que aproveitam a proximidade da linha para urinar ou defecar, enquanto olham alheadamente para o comboio a passar, como se o caminho de ferro marcasse o limite do seu mundo e partir dessa linha nada mais houvesse.

Uma das coisas com que ainda me surpreendo e com o arrotar, que aqui e feito sem a mínima descrição ou embaraço…. Don’t panic… is only organic!

Abaixo de cão

Somente aqui na Índia dei o devido valor a esta portuguesa expressão. Realmente pouco mais existe abaixo do que a vida que os cães aqui levam e a forma da como são tratados.

Exceção são os cães que vi no norte do país, em especial nas zonas montanhosas do estado de Himachal Pradesh, onde têm melhor aspecto espelhando a qualidade de vida que aí se tem.

Praticamente todos os cães na Índia são vadios e encontram-se espalhados pelas ruas das cidades, dormindo praticamente todo o dia, nas sarjetas, valas, nos mais estranhos locais e nas mais bizarras posições, para de noite ocuparem as ruas com os seus latidos, em matilhas ferozes.

Vagueiam pelas ruas, tímidos assustados,alimentando-se à base do lixo espalhado pelas cidades, ou de restos de comida que é diariamente despejada nas ruas ou próximo de contentores do lixo, local que serve também de alimento às vacas, cabras, búfalos, macacos e às gralhas.

São quase sempre animais sem dono: magros, estropiados, sujos, muitas vezes com feridas profundas, doentes ou mesmo próximo da morte. São repelidos pelos muçulmanos pois os cães não são bem vistos segundo o Alcorão; os hindus geralmente não os tratam mal, mas não lhes oferecem mais do que indiferença.

Não sei se existe mais alguma coisa abaixo dos cães, mas vêem-se por aqui pessoas que levam uma vida que aparentam estar ao mesmo nível destes animais, sem terem melhores condições de vida ou de tratamento.

Ninhada de cachorros numa das ruas de Varanasi
Ninhada de cachorros numa das ruas de Varanasi

Línguas

Segundo um estudo recentemente desenvolvido pela “People’s Linguistic Survey of India”, foram identificadas no território indiano 780 línguas e 66 escritas diferentes, isto considerando somente línguas faladas ou escritas por mais de 10 mil pessoas.

O estado do Arunachal Pradesh, situado no nordeste da Índia, entre o Tibete e a Birmânia, é o que apresenta maior riqueza linguística, com 90 línguas diferentes, seguido dos estados de Assam, Gujarat, Maharashtra e West Bengal. O nordeste do país regista uma das mais elevadas diversidade de línguas do mundo, proporcionalmente à população, dado tratarem-se de regiões montanhosas, de difícil acessibilidade, onde ainda existem muitas tribos e comunidades nómadas.

Alguma desta diversidade linguística está espelhada nas notas, onde o valor facial aparece escrito por extenso com 15 línguas e grafias diferentes, para além do inglês e do “hindi” escrito nos correspondentes caracteres devanagri.

O “hindi”, apesar de ter sido adoptado como língua oficial da Índia em 1950, não é falado em todo o país: no sul, nos estados de Tamil Nadu, Goa e Kerala mantêm-se fortemente enraizadas as línguas locais.

Quando cheguei a Tamil Nadu, deparei-me com uma língua e com uma escrita totalmente diferente, o “tamil”, semelhante ao que se fala no Sri Lanka, e contatei que pouca gente fala ou compreende o “hindi”; no estado de Jammu e Kashmir, falam o “kashmiri”, semelhante ao “urdu”, língua oficial do vizinho Paquistão, e que se escreve com caracteres árabes; em Leh, assim como em toda a região do Ladakh, fala-se o “ladakhi” que deriva da língua tibetana, tanto na fonética como na escrita.

A juntar toda esta manta de retalhos existe o inglês, que aparece muitas vezes a acompanhar a escrita local, e que e mais ou menos falado por quase toda a gente… na maior parte dos casos, somente palavras isoladas, ou frases decoradas, sendo raro encontrar pessoas com quem se possa ter uma conversa mais aprofundada para além das habituais perguntas: “what is you good name?”, “where are you from?”, “how much time in India?”, “what is your job?”, “how old are you?”, “do you like India?”

A população urbana e mais jovem fala inglês com fluência, e muitas das aulas nas universidades são dadas nesta língua. As pessoas que conheci de Delhi e de Mumbai, expressam-se fluentemente em inglês, mesmo quando conversam entre eles na presença de estrangeiros. E também esta língua usada pelos outros indianos, quando visitam o sul do país, concretamente Kerala e Tamil Nadu, pois aqui a maior parte das pessoas não fala “hindi”… nem quer ouvir falar, pois são extremamente orgulhosos da sua diferença cultural que os torna bem destintos dos habitantes dos restantes estados.

Em Pondicherry, antiga colónia francesa onde ainda hoje é bem evidente a influência francófona, encontram-se vários indianos a falar fluentemente francês, tanto com os turistas como entre si… em especial as pessoas mais velhas! Alguns indianos vem propositadamente para esta cidade para estudarem e praticarem a língua francesa nas várias escolas existentes como a Alliance Françaises. Coisa que em Goa, não acontece com o português… que pouco mais se encontra do que no apelido de algumas famílias, no nome de algumas ruas e em alguns pratos tradicionais.

DSC_1006
Escrita “tamil” no estado de Tamil Nadu… aqui pouca coisa é traduzida para caracteres ocidentais ou mesmo para inglês

Esctita "ladakhi" No estado de Jammu e Kashmir
Esctita “ladakhi” na região do Ladakh, no estado de Jammu e Kashmir, onde o inglês e falado com pela maior parte dos habitantes e onde muitas das indicações estão escritas nos caracteres ocidentais

Escrita "hindi" com caracteres devagrani, que se encontra frequentemente na maioria dos estados da Índia
Escrita “hindi” com caracteres devanagri, que se encontra por toda a Índia com excepção dos estados mais a sul, Tamil Nadu e Kerala e no extremo norte: Jammu e Kashmir

Pobreza

Segundo um artigo publicado no jornal diário publicado na língua inglesa “The Hindu” em Julho deste ano, o número de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza na Índia e estimado em 217 milhões nas zonas rurais e em 52 milhões em áreas urbanas.

Contudo verifica-se um decréscimo geral dos níveis de pobreza, em comparação com os anos de 2004/05, de cerca de 21%, sendo esta diminuição mais significativa nas zonas rurais, onde a percentagem de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza passou de 42% para 26%, em 2011/12.

Em termos de zonas urbanas, os estados de Sikim, Goa, Tamil Nadu e Andhra Pradesh, foram os que apresentaram os valores mais baixos em termos de pobreza, nos meios urbanos.

Contudo a realidade que se observa é bem diferente… nos meios rurais a pobreza e menos evidente, apesar de a maior parte das pessoas viver da agricultura e do gado, vivendo muitas vezes em casas rústicas, muitas ainda mantendo a construção tradicional e com condições básicas de abastecimento de água e de saneamento…mas não se vêm pedintes ou pessoas a dormir nas ruas.

Nas cidades a situação é bem diferente, com os superlotados subúrbios a abarrotar de casas semi-construídas, degradadas, barracas construídas com plásticos e madeiras, junto a lixeiras e a ribeiras imundas devido a esgotos domésticos e industriais. Por baixo de viadutos é frequente verem-se pessoas a dormir, partilhando o espaço com cães, vacas e ratazanas; muitos dormindo no chão, sem qualquer abrigo ou proteção, e transportando todos os seus pertences consigo, que pouco mais espaço ocupam do que um saco ou dois sacos.

A maior parte das pessoas que mendiga pelas ruas das cidades são mulheres com crianças, deficientes e idosos, pois na Índia não existe um sistema de assistência social que dê apoio a quem não pode trabalhar. É bastante frequente verem-se pessoas que aparentam ter muita idade, por vezes com evidentes dificuldades em se movimentarem a trabalhar, varrendo ruas, conduzindo richshaws, carregando mercadorias, limpando mesas de restaurantes, vendendo frutas e legumes ao longo das ruas e em mercados… Os deficientes são em grande número se comparamos com os países ocidentais, não tanto em resultado de acidentes mas aparentemente devido a malformações genéticas e ou a doenças.

Por onde andei, somente em Varanasi e no sul da Índia, em Tamil Nadu, é que o número de pessoas a dormir e a mendigar nas ruas se tornou bastante evidente, ultrapassando as habituais zonas que envolvem os templos, e abordando directamente, e as vezes com alguma insistência, quem passa, em especial os estrangeiros; em Leh e Srinagar, no estado de Jammu e Kashmir, praticamente não havia mendigos nem tão pouco me apercebi de pessoas a dormir nas ruas.

Curiosamente, em Pondicherry, talvez a cidade mais bem conservada, limpa e organizada, por onde passei, e sem dúvida a que oferece melhor qualidade de vida, vêm-se bastantes mendigos e pessoas a viver na rua, uns dormindo em jardins outros em abrigos precários construídos em ruas menos movimentadas. Também foi aqui que encontrei instituições destinadas ao apoio dos mais pobres, maioritariamente geridas pelas várias instituições religiosas de inspiração cristã; noutras partes do país vê-se por vezes a distribuição de comida, de manhã muito cedo, junto aos principais templos hindus.

Para além da mendicidade, a pobreza também transparece através do trabalho infantil, muitas vezes com crianças ajudar em negócios de família ou na agricultura, em horários nem sempre compatíveis com a ida à escola.

A propósito de pobreza, transcrevo uma frase escrita por Mark Twain, aquando de uma viagem de três meses que fez a Índia em 1895: “olhando para os mais pobres, das mais pobres e superpovoadas cidades, a vida de uma vaca na Índia parece ser mais sagrada do que a via humana”.

Mulher vendendo cerejas numa das aldeias do estado de Himachal Pradesh
Mulher vendendo cerejas numa das aldeias do estado de Himachal Pradesh

DSC_7086
Um dos muitos trabalhos pesados que são executados manualmente

Trabalho nos campos em Dharamkot, no estado de Himachal Pradesh
Trabalho nos campos em Dharamkot, no estado de Himachal Pradesh

  • « Go to Previous Page
  • Página 1
  • Interim pages omitted …
  • Página 33
  • Página 34
  • Página 35
  • Página 36
  • Página 37
  • Interim pages omitted …
  • Página 47
  • Go to Next Page »

Footer

search

Tags

alojamento Angkor Assam Bago Borneo Caminhadas Champasak Chennai China Beach Comida Gujarat Himachal Pradesh Ho Chi Minh Hué Hà Nôi Ilhas Istanbul itinerário Kashan Kashmir Kathmandu Kutch Ladakh Leh Mcleod ganj Meghalaya Nagaland Ninh Binh Nordeste da Índia Parques Naturais Parvati Valley Phnom Penh Pondicherry Punjab Rajastão Sapa Sarawak Srinagar Tabriz Tamil Nadu Transportes Travessia de Fronteira Vinh Long Yangon Yazd

Sou a Catarina, uma viajante de Lisboa, Portugal… ou melhor, uma mochileira com uma máquina fotográfica!

Cada palavra e foto aqui presente provém da minha própria viagem — os locais onde fiquei, as refeições que apreciei e os roteiros que percorri. Viajo de forma independente e partilho tudo sem patrocinadores ou anúncios, por isso o que lê é real e sem filtros.

Se achou o meu blogue útil ou inspirador, considere apoiá-lo com uma pequena contribuição. Cada donativo ajuda-me a manter este projeto vivo e gratuito para todos os que adoram explorar o mundo.

Obrigada por me ajudares a continuar a viagem!

BUY ME A COFFEE

Categories

Recent Posts:

  • Líbano: itinerário para 15 dias de viagem
  • 25 dias de viagem pelo Bangladesh: itinerário
  • Japão em 6 semanas: itinerário & custos
  • Taiwan: itinerário para 16 dia viagem
  • 20 dias in Morocco: itinerário & custos
  • Kuta Lombok… o paraíso quase secreto
  • Leh & Kashmir: mapa e itinerário
  • English
  • Português

© Copyright 2026 Stepping out of Babylon · All Rights Reserved · Designed by OnVa Online · Login